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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Quando Deus criou o mundo

QUANDO DEUS CRIOU O MUNDO

Quando Deus criou o mundo e tudo que nele há, Ele resolveu mandar todos os sentimentos descerem para irem se adaptando.

A tristeza quis logo voltar, achou tudo muito triste. A alegria queria aproveitar tudo, encantada com tanta maravilha. O pessimismo disse que nada criado em sete dias poderia ser mesmo bom. O otimismo achava que tudo era perfeito e possível, sem problemas.

A calma achava que teria toda a eternidade para tudo conhecer. A impaciência conheceu tudo em apenas meio dia. 

A paz sobrevoava e a tudo observava do alto das nuvens.

A vida seguia e todos esperavam que Deus aparecesse. 

A mentira vivia soando alarmes falsos.

Quando todos estavam cansados, alguém propôs uma brincadeira de pique-esconde para distrair. 

A loucura logo quis contar. Como todos sabem que mais louco é quem discute com louco, deixaram-na contar. 

E ela começou a contagem. 1, 2, …49, raiz de 77, 17…

A impaciência escondeu-se pertinho. Não tinha paciência para procurar outro lugar. A dúvida não conseguiu se decidir onde esconder, ficando um tempão no caminho. A mentira fez até mapa, mas escondeu-se noutro canto.

A alegria procurou um lugar bem alto nas árvores amando a brincadeira e a todos cumprimentando. A paz escondeu-se nas nuvens.

E a loucura contava: 100! Lá vou eu! O que estou fazendo aqui mesmo? E recomeçou a contagem. 

Quando acabou, logo a impaciência se entregou cansada e reclamando da brincadeira chata.

E a loucura, mesmo louca, foi encontrando um a um. A traição ajudou entregando vários esconderijos. A alegria se apresentou quando viu tantos sentimentos juntos.

Quando todos perceberam que faltava o amor. E, procura daqui, procura dali e nada. 

Ela fez ponta num galho de árvore e foi à caça do amor. 

E nada de encontrá-lo! Até que viu uma moita que se agitava. O amor certamente se divertia ali.

 Louca, desconfiada, a loucura foi apanhá-lo. E fincou com força o galho pontudo na moita. 

Logo, o amor levantou-se com os olhos ensanguentados e cego. 

“Veja o que fez comigo, loucura! Deus me encarregou de entrar em cada coração humano, por mais duro que fosse. E você me cegou! ”

A loucura, apesar de insana, foi criada com a bondade e o perdão, e quis fazer algo para se redimir. Disse ao amor para pedir qualquer coisa que ela faria.

O amor pediu: ande sempre comigo, que seja meu guia e esteja comigo ao entrar em cada coração. 

E assim foi feito! Onde o amor entra, a loucura está junto. Todo amor carrega consigo a loucura, a ausência de razão. Não há amor sem loucura.

…..

O amor e a loucura estão lado a lado na educação. Sejam amorosas, sejam loucas, mas amem! 

A todas vocês, especialmente à Alda que encerra sua carreira e usou e abusou do amor-louco, meu abraço! 

….

História contada por Pablo Simões na formação de professoras EMVAM.

MUITO OBRIGADA! 

Alda M S Santos

48 horas

48 HORAS

Das 48 horas que certos dias parecem conter

Muitas delas passamos em transe

São aqueles dias cujas emoções são tantas

Que superariam nossas forças, 

Abalariam nossa estrutura

Não fossem a presença amiga

A mão que se estende

O abraço que consola

O sorriso que compreende…

Talvez a gente nem perceba

Mas ao final dele, ao encostar a cabeça no travesseiro. 

A mente diz “ufa”, o corpo pesa, a alma, mesmo agradecida, muito contida, chora,

E dormem…

Mais confiantes ainda num poder Superior que a tudo acompanha 

Flores, bichos, principalmente a nós, seres humanos tão falhos. 

Que outros dias possam vir!

Com 12, 24, 36 ou 48 horas…

E não estaremos sós! 

Alda M S Santos

Persistência

PERSISTÊNCIA

Há duas coisas em comum entre todos os humanos, 

Antes ou depois de Cristo, 

Aborígenes ou filósofos, 

Religiosos ou ateus, 

Inteligentes ou simplórios, 

Intelectuais ou braçais

Homens ou mulheres, 

Livres ou escravos: 

Todos querem a felicidade.  

Todos inventam inúmeros problemas e são complexos demais para encontrá-la na simplicidade que se apresenta debaixo de seu nariz! 

Felizmente, somos persistentes

E temos um Pai que não desiste de nós!

Alda M S Santos

Vida sem ternura

VIDA SEM TERNURA

Vida sem ternura é …

Poço sem água, árvore sem folhas, 

Sol sem calor, frio sem cobertor, 

Boca sem sorriso, mãos sem trabalho, 

Braços sem abraços, olhos sem brilho,

Oração sem gratidão, fome sem pão,

Casa sem morador,

Coração sem amor… 

Existem…

Mas não têm sabor…

Alda M S Santos

Apenas um piscar de olhos

APENAS UM PISCAR DE OLHOS

Morte mexe com com a sensibilidade de todos

Futebol mexe conosco, brasileiros, com nossas emoções

Morte e futebol, juntos, nos paralisam

Tragédia dessa dimensão nos assusta!

Além da surpresa, da dor, da alegria subtraída

Da sensação de impotência

Ficam três certezas:

Ninguém sabe a hora ou está a salvo

Essa vida é fugaz, passa num piscar de olhos

Vamos amar e viver hoje tudo que temos direito!

Que Jesus os receba no paraíso! 

Alda M S Santos

Reformas

REFORMAS

Temos sempre a tendência de reformar tudo. Somos engenheiros naturais. 

Em tudo vemos possibilidades de melhoria, de renovação. 

Até aí, tudo bem! 

Compramos ou alugamos uma casa. Mesmo perfeita, queremos novas paredes, nova pintura, trocamos pisos, janelas. Queremos que fique a nossa cara, mais arejada e confortável. 

Um novo carro ganha adereços e acessórios que o tornem mais vistoso e prático.

Uma roupa nova pode precisar de ajustes, encurta daqui, aperta dali, coloca uma manga, um cinto…

Nosso próprio quarto sofre mudanças constantes…

E nossos amigos, filhos, cônjuge, familiares?

Também queremos mudá-los, adaptá-los, adequá-los, melhorá-los? Quase sempre! 

Algumas características que não julgamos positivas, ou que não combinam conosco, ou  julgamos que não fazem bem a eles, ou a nós mesmos, queremos extraí-las, minimizá-las ou disfarçá-las. 

Querermos melhorias, para nós e para aqueles que nos cercam, é natural. Faz-se, porém, necessária a questão: o que motiva esse desejo de mudança? 

Se a resposta for o bem estar e o amor, é válida. 

Ressalta-se, porém, a importância de manter as características naturais. 

Uma casa não pode ter certas paredes mexidas, sob pena de abalar a estrutura. 

Um veículo não pode receber acessórios que comprometam sua potência.

Uma roupa não pode sofrer tantos ajustes que pareça outra. 

Uma pessoa precisa manter sua essência, ou perderá a própria identidade.

Vale a velha dica das casas; se necessário for mudar tanto, melhor jogar no chão e começar do zero. 

Se para nos atender for preciso mudanças radicais, seja na casa, no carro, nas roupas, nas pessoas, precisamos refletir: ou mudamos um pouco a nós mesmos, também, ou buscamos nova casa, carro, roupas ou pessoas. O trabalho, tempo e custo para mudar não valerá o resultado. 

Apesar de não haver medida perfeita, sempre haverá por aí objetos, coisas e pessoas que combinem exatamente conosco.

Basta ter paciência e saber procurar. 

Alda M S Santos 

Fazenda do Quartel- GUANHÃES- MG

Quem não tem cão caça com gato

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO

Sempre achei esse ditado frustrante.

Se não conseguimos o que queremos, 

Devemos nos satisfazer com o “possível”.

Ele é limitante, nos estaciona, paralisa

Impede de buscar o que realmente importa.

QUEM NÃO TEM CÃO, QUE BUSQUE-O

O gato será sempre o gato

É delicado, manhoso, ágil, 

Tem sete vidas, mia, caça

Mas é gato!

Não vai latir nunca!

Se o que queremos é um cão,

Precisamos determinação e coragem! 

Há muitos cães por aí!

Inclusive aquele cão específico

Que nos proporcionará a “caçada” ideal.

Alda M S Santos

Primeira parada

PRIMEIRA PARADA 

Quando nos faltar algo, não importa se bem material, físico ou emocional e não soubermos onde procurar, o melhor caminho é Deus. 

Deus é “depósito” de estradas, de luz, de inspiração, de sabedoria. 

Nele temos a certeza do colo, do carinho, da compreensão, do amor, do perdão…

Em qualquer circunstância, se ele não for a primeira parada do caminho, tudo fica mais difícil. 

Se O levarmos conosco, Ele será nosso guia e não nos perderemos mais! 

Que seja nosso companheiro inseparável! 

Alda M S Santos

Guanhães -MG

Pares perfeitos

PARES PERFEITOS

Há coisas que são boa pedida :

Pão com manteiga, frango com quiabo, 

Queijo com goiabada, arroz com feijão.

São a dupla ideal:

Roberto e Erasmo, Sandy e Júnior, 

Vinícius e Ipanema, Tonico e Tinoco

Atraem-se como ímãs:

Dedo do pé e quina dos móveis, carro lavado e chuva

TV e sono, rede e livro.

Não vivem uma sem a outra: 

Cão e gato, Tom e Jerry,

Cinema e pipoca, muros e amassos.

São sinônimos:

Segunda-feira e preguiça, sexta e chopp

Sábado e balada, domingo e pelada. 

São belezas naturais:

Criança e bola, dor de cotovelo e música brega

Praia e pôr-do-sol, viagem e romance. 

Simples e gostosos:

Papai e mamãe, chuva e caminhada

Férias e cama, amigos e risadas

Inexistem um sem o outro:

Remédios e caretas, dentistas e frio no estômago

Apertos e orações, prova e dor de barriga.

São pares perfeitos: 

Jesus e a humanidade, mãe e filho, 

Trabalho e descanso, você e eu…

Alda M S Santos

O que temos pra hoje?

O QUE TEMOS PRA HOJE? 

Eu quero poder escolher:

Aquele abraço apertado logo cedo, 

Um beijo de surpresa na nuca, 

Um sorriso largo de bom dia!

Palavras doces, olhar terno, humor positivo…

Se não for possível, 

Devemos vencer o que nos impossibilita

A “fera” que existe dentro de nós…

Uma missão quase impossível! 

Mas são três as opções:  

Enfrentá-la todos os dias, vencendo alguns rounds e perdendo outros, 

Aprendermos a conviver pacificamente com ela, 

Ou sermos totalmente dominados…

Apenas quando a controlarmos Saberemos enfrentar as feras dos outros que se apresentarem. 

O dia está aí…lindo…

Cheio de possibilidades.

Cabe a nós aproveitá-las ou passar a vez. 

Que Jesus nos abençoe! 

Alda M S Santos

Na dança

NA DANÇA

Dizem que na dança o cavalheiro conduz a dama. Nunca concordei muito com isso. Gosto de “participar”. 

Às vezes, é a dama que melhor conduz, guia, faz melhores passos, gira, tem maior jeito e desenvoltura.

Por que deveria esperar pra ser conduzida por alguém que não sabe muito bem como fazê-lo? 

Há pares e pares. E nem sempre o cavalheiro é apto o suficiente na condução, a dama o faz melhor e ele precisa aprender a deixar-se levar para fazerem um bom número.

Na dança da vida acontece justamente isso. Ambos revezam-se na condução. 

A dama pode ser apta na condução de alguns “ritmos” e “estilos”: samba, pop, rock. 

O cavalheiro pode sobressair-se na valsa, tango, bolero, danças de salão! 

Saber qual o momento de conduzir e de ser conduzido, tomar as rédeas da situação ou deixar-se levar, é um aprendizado importante e que facilitará nossos relacionamentos.

Assim, tanto a dança de salão como a dança da vida tornam-se lindas e harmônicas! 

Alda M S Santos

Esqueça

ESQUEÇA

Esqueça! 

A angústia que aperta o peito

A saudade que dói

Aquela necessidade que não passa.

Há coisas que só esquecendo!

Esqueça!

 O trabalho que só te suga

A amizade que não era tão verdadeira

O amor não correspondido.

Melhor não lembrar!

Esqueça!

A ingratidão que recebeu em troca

O afastamento de alguém especial

O amor que te magoou…

Aquele sonho inalcançável! 

Lembrar cansa!

Esqueça!

Mas se for impossível, 

Lembre-se!

Ative a coragem, a força

E lute!

Essa luta possui muitos rounds! 

E jogar a toalha antes da vitória ou do nocaute

Não demonstra espírito esportivo!

1, 2, 3, 4…! 

Alda M S Santos 

Tempestades

TEMPESTADES

Tempestades…

Elas chegam, quer a gente espere ou não

Goste ou tema, elas vêm.

Mas também sempre vão, cedo ou tarde.

O tempo de duração 

E o estrago deixado dependem de nós.

É preciso encontrar apoio pra enfrentá-la

Para não ficarmos ao sabor do vento.

Nunca é bom estarmos sós!

Em campo aberto,

Expostos à sua fúria, é risco certo.

Busquemos o ponto mais alto

Em nossos corações

No carinho de uma boa amizade,

Na doçura de um grande amor,

No aconchego de uma família unida,

No repouso do colo de nosso Pai,

Poderemos encontrar o apoio necessário.

Lá no alto, quando menos esperarmos

Veremos que o céu voltou a ser azul

O sol voltou a brilhar

A brisa é suave, a vista é linda…

O estrago foi pouco.

E nossos “apoios”, 

Preciosos em nossas vidas

Nos ajudarão a reconstruir. 

Alda M S Santos

Anjos

ANJOS

Parece que algumas pessoas estão previamente determinadas a fazer parte da vida umas das outras. 

Isso explicaria o porquê de algumas pessoas distantes serem mais próximas, importantes e necessárias do que outras com as quais convivemos horas e horas por dia.

Com essas nada há em comum, nada se sabe ou se quer saber delas. São dispensáveis!

Já aquelas, ahhh! 

Elas são como gotas de chuva numa tarde quente…

Um chá quente na noite fria…

Um raio de sol na janela ao despertar. 

Um luar para os amantes.

Um copo d’água que mata nossa sede.

Um abraço caloroso que aquece nossa alma e restaura nossas forças. 

São a prova do amor e cuidado de Deus! 

Ele sempre nos manda exatamente aquilo que precisamos.

São anjos disfarçados de gente.

Obrigada aos meus anjos de todos os dias! Por estarem sempre por perto. 

Eles sabem quem são, pois os agradeço incansavelmente. 

Alda M S Santos

Pare o mundo que eu quero descer

PARE O MUNDO QUE EU QUERO DESCER

Pare tudo! Parece que há dias em que as notícias ruins são piores! 

E não é só o dólar que sobe, a bolsa que cai, a corrupção que aumenta, o desemprego que atinge índices galopantes, déspotas disfarçados de republicanos que assumem o poder.

Bem pertinho de nós amigos são assaltados, gente próxima passando fome, mulheres que sofrem violência em casa, avós que assumem netos e bisnetos, crianças esquecidas em sua infância, pessoas queridas estão longe, pessoas indesejadas muito perto…

Aumentaram mesmo ou eu que estou “escolhendo” ver por esse ângulo?

Pare esse mundo que eu quero descer! 

Quero ver coisas lindas! Quero a energia das crianças, as histórias das vovós, o abraço caloroso dos amigos, a compaixão e a bondade dos seres humanos, a paixão dos amantes.

Quero sentir a alegria brotar em mim!  

Quero levar o meu sorriso a qualquer humano que precisar…

E o mundo pode voltar a girar…

Alda M S Santos 

Alheios

ALHEIOS

Anoitece, chuva fina

À beira-mar eles caminham, sozinhos…

Juntos, mas sozinhos

Alheios a tudo à sua volta

Sequer percebem a chuva que gruda suas roupas ao corpo.

Param, olham-se, choram…

A expressão de dor os denuncia

Reencontro, despedida? 

Dão-se as mãos, o olhar atravessa o outro.

Abraçam-se, grudam-se, giram por muito tempo

As lágrimas cedem lugar aos sorrisos

Beijam-se…

Não só os lábios, atingem as almas.

Percebem a chuva, olham para o alto

Abrem os braços, gargalham.

Deitam-se na areia, lado a lado

Recebem toda a chuva que cai forte em homenagem a eles.

Ela lava qualquer mal entendido

E o tempo perdido

Abraçam-se e deixam-se ficar ali, mãos dadas.

Viram-se um para o outro, 

Reencontro…

Alda M S Santos 

Minha morada

MINHA MORADA 

Poesia não foi feita para ler

Poesia foi feita para sentir, para absorver

Quem tenta ler, não compreende

Ler um poema é possível 

Qualquer um consegue

Sentir a poesia nele contida 

É para poucos

Poesia é a perfeita harmonia

É a sintonia do que está fora

Com o que está dentro da gente

Essa sintonia possui altíssima frequência

Audível para poucos ouvidos humanos

De toda forma, sua livre expressão

Beneficia grandemente

 Quem se arrisca a expô-la em versos

Quem, através dela, cria 

Uma morada para seus sentimentos

E todo lugar torna-se sua casa

Só divide essa morada 

Quem tem a senha 

A senha da poesia

A sensibilidade…

Alda M S Santos

Somos muitos

SOMOS MUITOS

Somos muitos de nós por aqui

Para quando a energia de um se apagar

Acendermos a do outro

Somos muitos por aqui

Para quando nossas lágrimas jorrarem como rio caudaloso 

Os braços do outro nos ajudarem a nadar

Para quando nossa fé enfraquecer

Nosso irmão poder dizer: estou contigo

Somos muitos de nós por aqui

Não para uma disputa desenfreada

Tampouco para matar ou morrer

Somos muitos por aqui para montarmos nossa base aliada

Somos um time, uma equipe, uma tropa

Nosso objetivo é ser feliz, fazer feliz

Não alcança o objetivo quem deixa um companheiro caído para trás. 

Nossa batalha se fortalece e se ganha no amor e na união

 Deus é nosso general maior 

O comandante dessa tropa

E Ele não está fechado no quartel

Está conosco na linha de frente.

Pode ser esse companheiro caído ao nosso lado que estende a mão.

Depois de socorrê-lo, podemos seguir em frente! 

Marchando! 

Alda M S Santos

Desistir é preciso

DESISTIR É PRECISO

Tudo bem, persistência é uma virtude, coragem idem. Mas ter discernimento para saber a hora de parar de insistir em algo que nunca dá certo é sabedoria.

Muitas vezes insistimos em algo que não está funcionando. Mudamos as armas, as estratégias, os aliados, e não conseguimos o que almejamos. 

É como querer calçar um sapato menor ou vestir roupa maior.  

Além de machucar, ferir, causar bolhas, ou ficar parecendo um espantalho, acabamos por perder o amor-próprio. 

Até que percebemos que aquele calçado não era tão confortável, melhor é ficar descalço.

Aquela roupa não era para nosso tipo físico. Melhor vestir simples calça e camiseta. 

Isso vale para qualquer desejo: material, físico ou emocional.

Para aquele emprego, aquele carro, aquele curso, aquele amigo, aquela viagem, aquele amor…

Necessário é manter totalmente livre o coração para entender se o que queremos é realmente o que precisamos. Se não é apenas um luxo. 

O que queremos agora pode não ter nenhuma importância amanhã.

E o que insistimos hoje, amanhã pode ficar ultrapassado. 

Se existem duas certezas na vida são: a irreversibilidade do tempo e a sensação de não ter vivido tudo que havia pra viver e, consequentemente, arrependimento e frustração.

O caminho pode parecer longo, mas passa muito rápido. 

Portanto, busquemos e gastemos nossa energia e tempo somente no que vale realmente nosso esforço. 

Alda M S Santos

Sentimentos

SENTIMENTOS

Não devemos ignorar qualquer sentimento que nos acometer. 

Todos têm sua razão de ser. 

Alguns iremos querer sentir

Outros sentiremos sem querer.

Só precisamos saber que muitos deles são compartilháveis, outros não. 

Alguns existem para ser curtidos, vividos e trabalhados com todos… 

Outros, somente conosco mesmos.

Ou por serem tão preciosos que não possam ser divididos, 

Ou tão mesquinhos que não mereçam ser extravasados.

Vivê-los é esgotá-los, esgotar-se…

Mas tudo sempre se renova…

Alda M S Santos

Amor graduado

AMOR GRADUADO

Amo mais que você

Possa dizer que me ama

Porque te aceito assim

Do jeitinho que és: 

Ora falante, ora calado,

 Sempre ciumento, 

Sorridente, carinhoso, 

Cricri, meio possessivo,

Cuidadoso, amoroso, 

Meio radical, às vezes intransigente.

Desligado de certas coisas

Muito preocupado com outras…

Nunca desligado de mim.

Mas aprendi que não tem como medir sentimentos.

Não tem como graduar o amor,

Pois não há referencial.

Pessoas não são iguais!

Elas sentem de modos diferentes, inclusive o amor,

Principalmente o amor. 

Meu 100% nunca será igual ao seu.

O que vale é que estejamos, ambos, entregues 100%. 

Essa é a medida ideal: 

Eu inteira, você inteiro.

Isso é amor! 

Alda M S Santos

Eu escolho o amor

EU ESCOLHO O AMOR

Duas garotas se beijavam no meio da rua, sentadas no passeio, encostadas no muro, alheias ao que se passava à sua volta. Não passavam de 17 anos. Pareciam em completa sintonia. 

Os comentários de dois homens que caminhavam a minha frente: “pouca vergonha”, “não há mais decência”, “falta de homem”, “uma surra daria jeito”, “mundo perdido”, entre coisas piores. 

Observei as garotas. Sequer notavam quem passava por elas. Carinho imenso. Completavam-se, ao menos naquele momento. Imaginei as lutas interiores e exteriores para se exporem daquela maneira.

Mais à frente, vi os dois senhores saltarem sobre um mendigo maltrapilho, sujo, mal cheiroso, odor nauseabundo e de álcool. 

Ali, diante de uma visão de exclusão, um ser humano marginalizado, maltratado, sem amor, não demonstraram revolta, sequer piedade. 

Não deram um segundo olhar, a mínima atenção! 

Que mundo é esse que critica o amor, apenas por não seguir o padrão, e não se indigna com a marginalização, a mendicância, a fome, a miséria, o alcoolismo? 

Quais nossos valores, nossos parâmetros? 

Quis me abaixar, levantá-lo, oferecer ajuda. 

Porém, para uma mulher é complicado até ajudar. Somos frágeis física e moralmente nesses casos. Até ao ajudar podemos correr riscos e sermos mal interpretadas.

Ajudei como podia. Pedi a um amigo do AA que alertasse o grupo de abordagem a alcoólicos.

O amor das garotas choca pela força, por ser diferente, mas não me revolta. 

A miséria e exclusão me revoltam. Não poder ajudar como gostaria me entristece!   

Observar críticas e deboches de seres que se acham superiores, que julgam o amor, mas se omitem no desamor, me envergonha da raça humana. 

Eu escolho o amor, seja de que tipo for.

Alda M S Santos

Quando o coração fala

QUANDO O CORAÇÃO FALA 

Quando o coração fala

Há quem não ouça, por não entender.

Há quem ignore, por não saber. 

Há quem não o atenda, por não querer.

Há quem o afronte, por sua razão desconhecer.

Quando o coração fala

Há quem se alegre, mesmo sem entender.

Há quem o dê atenção, mesmo sem perceber. 

Há quem o acolha, mesmo sem conhecer.

Há quem corresponda, por livre vontade. 

Quando o coração fala

Usa linguagem singular, da emoção…

Usa sorrisos, lágrimas, silêncios ou gritos sussurrados. 

Usa a simplicidade de uma flor…

 O brilho do olhar, um andar vacilante, 

Braços que se enlaçam, lábios que se tocam.

Quando o coração fala

Palavras nem sempre são necessárias.

É diálogo de almas

Só almas afins compreendem. 

Alda M S Santos 

Afrontas

AFRONTAS

Ser inteligente é saber e aceitar que a força, a luz, a alegria e beleza do outro não existem para nos afrontar … 

O objetivo é agregar, não segregar…

Todos têm algo a oferecer…

Todos têm algo a receber. 

Quem foge do que o outro apresenta impossibilita o próprio crescimento. 

Aquele que não é receptivo para o novo e o diferente vive estacionado. 

Mesmo porque, ninguém é força, luz, alegria e beleza todo o tempo. 

Há dias que tudo é cinzento e apagado. 

Quem entende e aproveita as oportunidades de crescimento e as possibilita para o outro é mais feliz!

Alda M S Santos 

Que imagem carregas consigo?

QUE IMAGEM CARREGAS CONSIGO?

Que imagem carregas consigo? 

Ao abrir os olhos pela manhã, ou aos cerrá-los antes de dormir? 

No sorriso que ostentas, nas lágrimas que derramas? 

Que imagem carregas consigo?

Nas expectativas que crias, no desejo que alimentas? 

Na tristeza que machuca, na alegria que irradias?

Que imagem carregas consigo? 

No abraço que imaginas, na saudade que sustentas? 

Gravada na tela do celular, guardada na carteira ou na mente? 

Que imagem carregas consigo? 

Estampada na camisa, tatuada na pele?Grudada no coração ou impregnada na alma? 

Essas imagens são luz

São razão, são vida! 

Enquanto existirem em você, você viverá!

Em si mesmo e na sua imagem nelas refletida! 

Alda M S Santos

Liberdade

LIBERDADE

Liberdade: sonho, utopia, realidade?

De ser o que é, sem sofrer ou gerar preconceitos de qualquer tipo.

Com responsabilidade e compromisso. 

Primeiro, conquistada em nosso interior..

Respeito aos nossos sentimentos, desejos, vontades, limites.

Autoconhecimento, autoestima, autopreservação…

Só depois apresentá-la exteriormente! 

Assim poderemos ter respeito pelo que o outro representa para nós.

Liberdade: A base de qualquer felicidade duradoura!

 É uma conquista pessoal, não social! 

Alda M S Santos

Somos multicores

SOMOS MULTICORES

Em cada ser da criação

Muitas são as cores

Inúmeras são as belezas

Na flora, na fauna, nos fenômenos naturais

Deus brinca com as cores, com a diversidade…

E nos ensina que quanto mais misturados formos,

Mais completos e belos seremos…

Só os humanos precisam de um dia de Consciência Negra! 

Se isso é ser racional, prefiro a irracionalidade animal. 

Que, a exemplo do Criador, se divertem brincando com a grande aquarela que temos à nossa disposição…

Alda M S Santos 

Consciência

CONSCIÊNCIA

Consciência: Firme ou flexível, nós a formamos ao longo da vida a partir de nosso ser social. Até que ambos estão tão misturados tão incutidos um no outro, que não sabemos mais quem comanda quem. 

Quanto mais maduros formos, mais a sentiremos falar conosco.

Nossos desejos, nossos anseios, nossos medos, nossos erros e acertos, tudo passa por ela. 

Prestamos contas, sem perceber, a vários seres sociais e segmentos nessa vida, mas somente a ela deveríamos fazê-lo. 

Somente nossa consciência pode nos orientar. Se ela doer, pesar, algo vai mal. Se estiver leve e pacífica, tudo vai bem.

Tentar enganá-la é perda de tempo. Até podemos enganar aos demais, mas a nossa consciência não somos capazes de fazê-lo. Cedo ou tarde ela dará o grito e nos trará de volta à realidade. 

Muitas vezes pode parecer que ela nos acovarda, que nos impede de agir.

Porém, nossa consciência é o que somos, é a voz de nossa alma. 

Ninguém é tão forte para suportar o peso de uma consciência pesada. 

Atingi-la é nos descaracterizarmos. 

Feri-la é nos ferirmos de morte. 

Nada reflete tanta beleza quanto uma consciência limpa e uma alma em paz. 

Precisamos delas leves e delicadas como uma flor! 

Alda M S Santos

Vitrine

VITRINE

Estamos diante de uma grande vitrine. Nela estão expostos todos os tipos de produtos que se quer “vender” ou “comprar”.

Observamos com mais atenção o que temos interesse em comprar.

Cada um de nós traz em si necessidades e vontades, “falhas” a serem compensadas.

E é nessa grande vitrine que encontraremos o que procuramos.

Há produtos para todo tipo de necessidades: grandes ou pequenas, físicas ou emocionais, fugazes ou duradouras. 

É preciso saber realmente o que se quer, o que precisa ser atendido. 

Um sapato brilhante, alto, lindo, dois números abaixo do nosso não atenderá a necessidade do trabalho. 

Uma pessoa carrancuda não atenderá nossa necessidade de humor.

Muitos podem nos enganar. Nem sempre há como devolver ou trocar os produtos. 

Os mais expostos e atraentes nem sempre serão os que irão nos atender. 

É preciso olhar com cuidado. Talvez o que precisamos está mais no cantinho da vitrine. Nem chama tanto a atenção. Pode precisar de polimento para ficar do nosso jeito, perfeito. 

Precisamos lembrar que ao mesmo tempo que estamos “comprando”, também estamos “vendendo”. 

Somos produtos nessa grande vitrine. 

Estamos vendendo o que realmente somos? Ou somos propaganda enganosa? 

Quanto mais fiéis formos nesse “comércio”, tanto para comprar quanto para vender, menos problemas teremos. Mais felizes seremos. 

Alda M S Santos

Maquiagem

MAQUIAGEM

Máscaras de viver

São muitas por aí

Para disfarçar um produto em mal estado

Para tornar leve um semblante carregado

Para transformar algo que não se gosta

Em algo “aceitável”!

Para não se reconhecer no espelho…

Quero amigos sinceros, 

Amor verdadeiro,

Vida nua, sem máscaras

Pele nua, vestida apenas de sorrisos…

Se houver maquiagem

Que seja apenas para abrilhantar o que já existe

Pois o que é real não se desfoca  

Atravessa qualquer nebulosidade

Sem disfarces… 

Alda M S Santos

Bálsamos

BÁLSAMOS

Há dias em que nos sentimos muito sós, 

Queremos estar sós, ou pensamos assim…

 Ficamos à espera da ajuda divina.

Clamamos por Ela, mesmo que silenciosamente.

Sequer notamos um amigo que se aproxima, 

Um familiar que fala com carinho, 

Um sorriso ou abraço de um colega. 

Uma brincadeira de nosso amor…

Há pessoas que são bálsamos em nossas vidas. 

Vê-las, tocá-las, falar com elas, 

Até mesmo pensar nelas,

Nos acalma, nos alegra, 

Nos conforta, nos alenta, nos orienta…

Retomamos nosso rumo, nosso prumo! 

Percebemos que a ajuda pedida está ali. 

Deus atua através de nós mesmos.

Somos instrumentos do bem em Suas mãos.

Há mais bálsamos por aí que pensamos.

Buscamos bálsamos,

Somos bálsamos sem perceber! 

Alda M S Santos

Seguindo o fluxo

SEGUINDO O FLUXO

Ao volante, vidros abertos, cabelos ao vento, música no volume máximo. 

A estrada é longa, vários veículos à frente, atrás, outros no contra-fluxo.

E ela segue o fluxo… 

Canta algumas canções, tamborila e tenta dançar outras, dentro das possibilidades, sorri, sente dores, saudades, se impacienta, chora…

Começa a cansar daquele ritmo, daquela estrada, não quer seguir ninguém, quer estar só.

Desvia, ultrapassa um, outro, até tomar a dianteira. 

Uns reclamam, xingam, mas ela segue seu caminho. Pisa fundo, quer outras matas, outras metas, outros rios, outro céu. 

Quer encontrar seu destino…

No final das contas o destino final é o mesmo. Os caminhos, rotas, trilhas, desvios que pegamos ou caronas que oferecemos é que fazem a diferença. 

Às vezes, quando cansados, precisamos apenas passar para o banco do carona, nos recostar, dormir, confiar, e nos deixar levar.

Pode ser que a gente se surpreenda com a nova rota e o novo condutor. 

É muito bom conduzir, mas deixar-se conduzir por Aquele que nos ama é certeza de chegar bem ao destino. 

Alda M S Santos

Feira livre 

FEIRA LIVRE

Estamos, desde que nascemos, numa grande feira livre. Nela buscamos os itens necessários à nossa satisfação e bem-estar.

Quando crianças, nossos pais, ou adultos que nos cercam, adquirem, consultando-nos, ou não, aquilo que precisamos para viver. Gradativamente, vamos nos tornando independentes e passamos a fazer nós mesmos nossas aquisições.

Aí que aumentam os problemas. Muitas são as opções, as “ofertas”, mas nem sempre dispomos do necessário para adquiri-las. 

Nossos pais sabiam nos desviar, nos poupar daquilo que não nos faria bem ou não teríamos condições de pagar por elas. 

Adultos, queremos muito e cada dia mais: um vestido da moda, um celular de última geração, uma casa maior, um carro mais novo, uma viagem mais longa, uma amizade disputada, um curso inovador, um amor inacessível…

São muitos os itens expostos nessa feira. Cada qual mais convidativo que o outro. Uns nos conquistam de imediato. Outros vão nos ganhando aos poucos. Por uns podemos pagar o preço, outros o preço é alto demais. 

Insatisfeitos, tantas vezes fixamos a vista apenas no que desejamos, nem sempre tão necessários assim, e esquecemos do que já temos. 

Seguindo essa linha de desejos, vamos nos tornando mais e mais infelizes e frustrados. 

Analisemos alguns pontos: nem tudo exposto nessa feira vale para todos nós, alguns itens são completamente supérfluos, há produtos sob medida, não adianta adquiri-los, pois servem a outras pessoas, nem tudo que brilha é ouro, há propagandas enganosas. 

Finalmente duas coisas são fundamentais. 

Primeira, se o preço a se pagar por algo for nossa consciência, tranquilidade ou paz de espírito, melhor abrir mão. Não haverá prazer em desfrutar de uma amizade que nos descaracterize ou usar um carro que nos tirou do orçamento.

Segundo: se se quer muito um produto, se nos fará bem, sem prejudicar ninguém, qualquer preço é módico demais a se pagar por ele. Vale a aquisição. E isso só nós podemos saber.

Ah! Quanto mais simples, menos requintado, mais natural, mais duradouro será o produto. E em fim de feira há muita coisa boa que passa despercebida aos olhos desatentos. Vale dar uma conferida! 

Alda M S Santos 

Fragilidades

FRAGILIDADES

As fraquezas fazem parte do ser humano. Todos nós temos. Cada qual reconhece as suas, identifica os sinais anteriores, de fragilidade, entrega, e posteriores, de insatisfação e culpa. 

Negá-las é perda de tempo. Reconhecê-las, aceitá-las é o primeiro passo para identificar a melhor arma e munição para lutar contra elas.

Quem se considera infalível já está vencido.

 Se vencermos nossas próprias fraquezas, fragilidades, nossos monstros interiores, os exteriores encontrarão em nós um adversário à altura. 

Esse é o começo da força e do sucesso e alegria, quer seja profissional, pessoal, emocional ou espiritual.

Alda M S Santos 

Autópsia

AUTÓPSIA

Se pudéssemos acompanhar uma autópsia dos nossos corações, o que veríamos? 

Tudo bem, sei que autópsia se realiza em seres que já morreram.

Mas, e se fizéssemos, se fosse possível? 

Será que haveria diferenças de um coração para o outro? 

Talvez alguns fossem mais moles, maleáveis, daqueles que levaram a vida mais tranquilamente, sem grandes sobressaltos ou estresses, amores leves, pacíficos.

Outros poderiam estar mais firmes, endurecidos, rígidos, de difícil manuseio. Foram se enrijecendo como autodefesa, meio usado para suportar o sofrimento, o desamor, as mágoas e solavancos da vida. 

 A maior parte acredito que se assemelharia a uma colcha de retalhos, pedaços grandes, pequenos, coloridos e disformes, ou a um terreno muitas vezes remexido, um asfalto muitas vezes reparado, uma árvore muitas vezes podada. 

Apresentaria áreas quase intocadas, por receio, finas, frágeis, delicadas, imaturas, sem alegria.

Outras partes estariam endurecidas por cima, capa de proteção, e amolecidas por dentro, cicatrização à força. 

Haveria ainda aquelas áreas estriadas, fortes, porém, flexíveis, que começaram a endurecer, mas seu “dono”, sempre corajoso, insistia no uso, não permitindo a rigidez ou a moleza excessiva. 

Quantas dessas partes tem nossos corações? Façamos essa autópsia em vida! 

Não queremos um coração imaturo, tampouco rígido. Um coração mole parece não ser opcional, ou vem de fábrica ou nada feito. 

Resta-nos o coração colcha de retalhos. Parece bonito, não? Colorido, enfeitado. Cada pedacinho um amor vivido, outro perdido, uma amizade autêntica, outra que se foi, pais, filhos, irmãos, cônjuges, uma vida que passou por nós, que ficou em nós. E que passa mais ligeira que um passo de dança, tão rápida quanto um sorriso.  

Quero que quando minha “autópsia” for realizada de verdade, seja onde for, espero que demore, meu coração tenha muitas lindas histórias para contar.

Alda M S Santos 

Afinidades

AFINIDADES

Interessante como algumas pessoas são para nós mais transparentes: decodificamos suas palavras, a escolha delas, se muitas ou poucas, olhares ou o desvio deles, simples atos, expressões corporais, jeito de andar, e até mesmo o silêncio, principalmente o silêncio, mesmo que de longe. 

Alegrias, tristezas, preocupações, angústias, mágoas, ciúmes, admiração, desejo, amor, nada nos passa despercebido.

Enquanto outras são verdadeiras incógnitas. Podem passar a vida ao nosso lado e serem sempre indecifráveis, fechadas em concha, intransponíveis. Por mais que façamos, o que conseguimos não é confiável. 

Claro que há diferenças de personalidade, características individuais, estilos de vida. Mas é algo além disso. 

Certo também é que essa relação é construída, é uma via de mão dupla, tem que haver reciprocidade. Mas, principalmente, penso que o que determina essa relação é a afinidade das almas. A atração exercida por essa afinidade que gera amor, carinho, amizade. 

Consequentemente, o desejo de compartilhar tudo que somos ou temos. 

Nesse caso, não há necessidade de muitas explicações.

A gente vive e agradece a grande oportunidade. 

Amigos, amores, almas afins não são para qualquer um. 

Alda M S Santos

Despedidas

DESPEDIDAS

Quase sempre a porta de entrada é a mesma da saída.

Por que ela sempre nos parece diferente? 

Cumprimentamos no mesmo lugar que nos despedimos.

Por que nunca é a mesma coisa? 

A entrada quase sempre carrega maior expectativa, alegria, ansiedade… 

O desconhecido apresenta possibilidades…

A saída traz consigo o peso da despedida, do adeus, da dúvida do retorno, da esperança…

O agora conhecido, quase sempre amado, gera saudades.

É diferente porque nós estamos diferentes! 

Quer seja a porta de uma casa, do trabalho, de um sítio, de um coração… 

O sentimento de alegria ou angústia é o mesmo. 

Estaremos melhores em algumas coisas, talvez piores em outras.

Deixaremos também melhorias, talvez alguns estragos.

A esperança de todos nós é que ao nos despedirmos, se necessário for, que deixemos o lugar melhor que encontramos. 

Que saiamos de lá seres humanos mais íntegros, mais completos, mais felizes, mesmo se houver feridas…

E que possamos voltar um dia!

Alda M S Santos 

Porteiras entreabertas

PORTEIRAS ENTREABERTAS

Somos porteiras, vemos porteiras

Tantas fechadas, trancadas, passadas à chave.

Outras abertas, entreabertas…

Umas atraentes, ainda que fechadas

Outras repulsivas, mesmo arreganhadas. 

Convidativas são as entreabertas

Insinuam, sem mostrar

Conquistam, sem nada dizer

Encantam, sem querer

Falam tudo, no silêncio…

“Entre para tomarmos um café!”

Passamos por todas elas, 

Vemos flores a enfeitá-las,

Ou cães a guardá-las

Ignoramos e entramos, 

Ou seguimos em frente. 

Nós também pareceremos fechadas, arreganhadas ou entreabertas, 

Alguns passarão direto por nós,

Outros deixaremos entrar. 

Vários já entraram, se assentaram, tomaram seus lugares.

Em tantas entramos e batemos um

bom papo. 

Que possamos ser e encontrar

Muitas porteiras entreabertas e convidativas por aí,

Que preencham positivamente nosso viver…

Alda M S Santos

Tempestades internas

TEMPESTADES INTERNAS

Toda tempestade costuma ser, se não anunciada, no mínimo, armada aos poucos. Muito calor, muita umidade, muita evaporação, aí é só aguardar.

Quanto mais tempo de evaporação, maior a quantidade de água na atmosfera, mais carregadas serão as nuvens

Quando vier o resfriamento, mais forte, torrencial, assustadora a chuva será.

Nossas tempestades internas também são anunciadas, armadas, formadas lentamente.

O problema é que as ignoramos. Às vezes, alguns nos alertam: de 

“Se trabalhar tanto vai adoecer”, “sorria mais e se estresse menos”, “não acumule angústias, raivas”, “desfrute de lazer, passeie”, “não gaste tanto, seu orçamento vai estourar”, “beba menos, vai desgastar sua imagem”, “evite tensões, ciúmes de qualquer tipo”, “ame e aceite amor”, “amor exagerado e não vivido também estoura”…

Tudo que vamos acumulando em nosso interior tem o mesmo efeito que as gotas d’água que evaporam e vão para a atmosfera.

Nossas nuvens emocionais estão agora negras e pesadas. Quando vier um resfriamento ou detonador qualquer nossa tempestade desabará torrencialmente. 

Pode fazer muito barulho, ou não, mas chama a atenção. Desabamos junto, literalmente. 

Muita água rola, muitas lágrimas, muita dor, rebeldia, revolta, depressão.

A diferença é que ninguém questiona a chuva. Ela é bem vinda, não presta contas a ninguém. 

Já nossa “chuva” é questionada por todos. Principalmente se vier forte e atingir terrenos alheios, o que quase sempre acontece.

Mas quando ela cair, não tem jeito. Deixe rolar… Chore tudo que tem direito, brigue, fale, se abra… Se aliviar, chore na chuva, as águas confundirão os curiosos! 

Para reparar os danos, depois das águas passarem, desculpe-se, procure um médico, um amigo, quem tiver que ser, se aprume e prepare-se. Sempre desabarão novas tempestades. 

Com a lição aprendida, poderemos reduzir a formação, amenizar a força e controlar os danos das próximas. 

Alda M S Santos 

Nossa estrela 

NOSSA ESTRELA

A cada olhar afetuoso, 

Sorriso sincero, abraço amigo… 

A cada palavra doce ou de estímulo, 

A cada conversa atenciosa,  

A cada gesto de generosidade que doamos aos nossos semelhantes, 

Deus se alegra e planta uma estrela 

No céu de nossa alma. 

E é essa estrela que ilumina nosso caminho, 

Que irradia seu brilho de nossos olhos,

E nos torna encantadores aos olhos dos que nos cercam… 

Doemos sem medo! 

Amor não se economiza! 

Alda M S Santos 

Força sobre-humana 

FORÇA SOBRE-HUMANA 

Sempre que observo as mariposas fico impressionada. Como são insistentes e “cegas” pelo poder da luz. 

De lâmpada em lâmpada, meio desesperadas, dominadas por tanto fascínio, vivem e morrem em busca de luz. 

Já vi colocarem uma bacia d’água sob a lâmpada. O reflexo da luz na água as engana, elas mergulham e morrem afogadas.

Como elas, somos seres persistentes, insistentes, corajosos. 

Podemos “quebrar a cara” inúmeras vezes, sermos enganados por falsa luz, mas continuamos a insistir nessa coisa maravilhosa que chamamos VIDA. 

Nunca desistimos do amor, da amizade, da felicidade. 

Como a mariposa insistente em torno da luz, podemos nos queimar, machucar, esfolar todo, mas voltamos ao mesmo ponto.

Há algo em nosso DNA que nos faz ser mais fortes que tudo, nos faz ignorar certas coisas, enfrentar outras, nos aliarmos ao que nos faz bem…

Só precisamos nos cuidar para não seguirmos a sina das mariposas, vivermos e morrermos em torno da luz sem nunca tê-la alcançado verdadeiramente.

Alda M S Santos

Entardeci

ENTARDECI

Nossos dias são compostos de belezas sem fim para quem se dispõe a apreciá-las. 

Começamos com o amanhecer, Sol forte, radiante, recheado de promessas, expectativas, energia pura. Um longo dia se descortina à nossa frente com inúmeras possibilidades. Às vezes até nos perdemos em meio a todas elas. 

O entardecer, mais calmo, Sol alto, meio preguiçoso, baixando gradativamente, traz um pouco mais de cautela. Muito há ainda pela frente, mas o peso do que foi, ou não, realizado pela manhã, as energias gastas e a sabedoria adquirida afetarão inevitavelmente o desenrolar da tarde.

O anoitecer traz a necessidade de descanso e paz. Energias minando, tempo escasso, alguns sucessos, outros fracassos… Hora de relembrar o que passou, aprender as lições, recuperar as forças para recomeçar. 

Nossa vida é composta de amanhecer, entardecer e anoitecer. 

Não me refiro apenas ao óbvio: infância, vida adulta e velhice. Essas etapas todos nós temos conhecimento.

Refiro-me aqui aos amanheceres, entardeceres e anoiteceres que enfrentamos em várias situações da vida, quase todos os dias. 

Num ciclo sem fim vamos amanhecendo, entardecendo e anoitecendo ininterruptamente. A cada volta aprendemos mais. Diminuímos expectativas, aumentamos a cautela, não nos afetamos tanto com os fracassos. 

Descobrimos que nem sempre haverá Sol e aprendemos a curtir a chuva e a suportar as tempestades. Percebemos que tudo passa. Sempre haverá novos amanheceres, entardeceres e anoiteceres. Até a roda da vida parar de girar. Ao menos nesse plano.

Enquanto isso, continuemos nessa roda, mesmo que nos deixe tontos, é extremamente prazerosa! 

Alda M S Santos

Chuvinha

CHUVINHA

Ela continua…ininterrupta

Irrigando terras e vidas.

Que todos tenham teto

Que nos molhemos apenas por opção

Que nossos corpos e mentes

Estejam protegidos e abrigados

Que possamos ser abrigo para quem precisar

Para o corpo, para a mente, para a alma…

Bom dia, amores…

🙏🏼🙏🏼😘😘

Perspectivas 

PERSPECTIVAS

Tão importante quanto enxergar é a perspectiva que se tem do que é visto. 

Tudo que olharmos com um pouquinho mais de atenção, poderá nos dar diferentes perspectivas.

Um simples cacho de uvas, por exemplo. O primeiro de nosso “grande” parreiral. 

Vários poderão ser os olhares: “que lindo, como a natureza é perfeita”, “não fizemos nada e ela cresceu tanto”, “precisamos fazer um estaleiro”, “vai ocupar espaço demais”, “prefiro as roxinhas”, “nossa, isso vai dar muito trabalho”, “poderemos fazer vinhos deliciosos”, e por aí vai…

Em tudo na vida é assim. Sempre haverá olhares diferentes. 

Haverá olhares de espectadores, de admiração, de reclamação, de expectativas… 

Haverá quem queira curtir o momento, quem lamentará o passado, quem ignorará o que se apresenta, quem irá vislumbrar oportunidades para o futuro. 

Agimos assim diante das oportunidades que a vida nos apresenta. 

Quantas vezes só lamentamos o trânsito ruim, vemos problemas nos colegas de trabalho, reclamamos da quietude ou agitação de nossos filhos, nos rebelamos contra uma doença, brigamos com um parceiro ciumento ou insensível, xingamos uma pia cheia ou banheiro sujos, choramos um amigo ou amor distantes…

E brigamos…choramos, ficamos inertes, deixamos de caminhar…

Que tal tentarmos olhar com outra perspectiva, sob outra ótica? 

Está certo, não é fácil! Mas é preciso se quisermos crescer, aprender, evoluir. 

Tudo, tudo tem um ângulo melhor, uma posição em que parece mais leve, mais belo, menos doloroso, mais proveitoso. 

Precisamos apenas nos abrir para a vida… 

Que tal? 

Alda M S Santos

Cicatrizes

CICATRIZES

Sempre tidas como feias, indesejadas, até mesmo repulsivas, as cicatrizes podem despertar vários sentimentos. Tudo vai depender do nosso olhar. 

As cicatrizes são o que sobra após a cura de uma ferida que outrora esteve aberta, machucou, sangrou, doeu. 

Receptivos, aceitamos os cuidados, carinhos, lavamos, colocamos antissépticos, curativos, pomadas. Aguardamos a cura. 

Ela vem lentamente, até sobrar aquela marca mais forte ou uma simples linha tênue. 

Posteriormente, olharemos para ela e lembraremos de algo superado. 

Por que agimos diferente quando a ferida é no coração, na alma? 

Ela machuca, dói, sangra, gera lágrimas, tristeza, decepção, isolamento, até mesmo revolta. 

Por que nesses casos, diferentemente da ferida no corpo, nem sempre aceitamos ajuda, queremos resolver sozinhos, forçar e apressar a cura, ou ficamos cutucando a ferida, remoendo, dificultando a cicatrização? 

Quando a ferida for na alma, como no corpo, precisamos aguardar a cura vir aos poucos, de dentro para fora. Forçar a cicatrização de fora para dentro a tornará frágil e com risco de reabrir. Ferida reaberta é mais difícil de curar. E deixará uma cicatriz bem maior. 

Além disso, é fundamental que aceitemos as “pomadas”, os “curativos”, os “antissépticos” dos amigos. Claro que respeitando nossos limites e necessidade de tempo conosco mesmos.

Sempre é valioso lembrar que feridas e cicatrizes formam-se apenas em quem correu, subiu, caiu, amou, se arriscou, se decepcionou. 

Cicatrizes na pele são pequenas marcas…

Cicatrizes da alma são as saudades…

Ambas devem ser vistas como marcas de quem viveu e venceu…

Alda M S Santos 

Eu amo a chuva! 

EU AMO A CHUVA! 

Seja pelo barulho, 

Pela vida que se renova, 

Pela alegria ou melancolia, 

Pela natureza agradecida, 

Pela saudade que se curte, 

Pelo amor que se vive, 

Pela paz que se aciona, 

Pela luz que se acende lá no fundo, 

Pela tristeza que insiste em tomar conta, 

Pelo cuidado de Deus,

Pelo arco-íris… 

Por tudo vale a pena. 

Chuva é maravilhosa! 

⛈⛈⛈⛈⛈⛈

Alda M S Santos

O que cresce? 

O QUE CRESCE? 

Tudo, tudo mesmo nasce pequenininho. Começa com uma semente, uma raiz, galhos, folhas, frutos…

Até virar uma frondosa árvore, linda, desejada ou não, difícil de conter. 

Às vezes nasce o que não plantamos, mas para crescer é preciso regar, adubar, cuidar. 

É assim com plantas benéficas, mas com as daninhas também. 

Não é diferente com as situações, com os sentimentos, nossas vivências.

Aquela depressão começa com uma tristeza, aquela doença com uma febre, aquela apatia com uma simples preguiça, aquela raiva com uma mera implicância, aquela aversão com uma pequena antipatia, aquela amizade com uma atenção, aquela desconfiança com um leve ciúme ou insegurança, aquele amor com um carinho desinteressado. 

É preciso que estejamos atentos para regar, adubar e alimentar em nós somente o que queremos que cresça, tenhas fortes raízes, troncos firmes, lindas flores, frutos saborosos…

Depois da árvore frondosa, cultivar é fácil, cortar torna-se muito mais complicado. Arrancá-la causa danos ao terreno, ao seu entorno, a outras árvores e seres viventes, e sempre deixa marcas insuperáveis. 

Cuidemos do que andamos cultivando em nós! 

Alda M S Santos 

Grau máximo

 GRAU MÁXIMO

Há pessoas que tendem a ser o centro, a viver no olho do furacão. Nem sempre porque escolhem estar ali, mas por serem “levadas” por suas características. 

Há, obviamente, aquelas que gostam, que são estrelas, que sentem-se iluminando o firmamento.

Mas há aquelas que ali estão involuntariamente. Costumam esgotar os superlativos da “crítica”. 

Superlativos diversos, nem sempre positivos, muitas vezes invejosos, são dirigidos a elas: inteligentíssimas, lindíssimas, maravilhosas, sensualíssimas, perigosíssimas, falsérrimas, dificílimas…

Normalmente os superlativos são irreais. Não representam o que o outro é de verdade. São a opinião de alguém, a partir do que vê, do que pensa, de suas próprias fragilidades e traumas, do que ouve… São muitas as interferências. 

Quando ouvirmos sobre nós mesmos ou sobre alguém, ou emitirmos qualquer superlativo sobre qualquer pessoa, melhor duvidar, questionar. 

O jeito certo de jogar por terra qualquer superlativo sobre qualquer um é um bom bate-papo, olho no olho.

Se depois disso nosso encanto ou repulsa se mantiver, temos nossas explicações e defesas embasadas em algo sólido.

Mas isso é só pra gente demais corajosa. 

Alda M S Santos 

Chuva em mim

CHUVA EM MIM

Hoje o dia está indeciso

Ora chove, ora clareia

Esquenta, esfria…

A natureza, sábia, agradece e aproveita.

Sabe que tudo que Deus manda deve ser aproveitado! 

Absorve o que lhe convém

Deixa passar o que não cai bem

Águas sempre lavam 

Irrigam, hidratam.

E aguarda o Sol voltar a brilhar… 

Ele sempre volta.

Fora e dentro da gente.

Crê! A longa experiência a ensinou.

Ninguém perde por amar, acreditar e esperar. 

Alda M S Santos

Quem cuida de mim?

QUEM CUIDA DE MIM?

Quem cuida de mim? 

Há dias em que nos sentimos “abandonados”.

Cercados de pessoas, nos sentimos sós. 

Queremos um abraço daqueles que têm mais que braços, mais que apertos, mais que calor.

Abraços com laços que enlacem nossa alma. 

Abraços que digam “estou aqui para o que der e vier”. 

Nada parece haver que justifique tal abandono.

Mas a sensação é persistente.

Buscamos na mente, no coração, na alma os “abraços” que queremos. 

Uma oração, sempre bem vinda, sempre traz luz.

“Eu estarei contigo todos os dias até o fim dos tempos”! 

Sinto-me abraçada e protegida!

E o dia começa…

Alda M S Santos

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