CARREGO EM MIM
Carrego em mim variados fardos
Ora leves e relaxantes como água morna e espuma de sais de banho
Ora pesados e frios como sacos de cimento
Ora suaves e doces como beijos de amor
Ora longos e pesados como medo na noite escura
Cargas minhas, cargas dos outros, cargas de todos
Cargas que escolhi, cargas das quais sou responsável
Cargas das quais os responsáveis nem têm ideia que carrego
Cargas que herdei, me impuseram, não tive qualquer escolha
O caminho longo, às vezes mal escolhido também torna-se um fardo a mais
Os caminhantes despareados também desgovernam o caminhar
O desejo de descansar é grande, parar, respirar fundo
Sentar-me à beira do caminho, reavaliar a bagagem
Descartar o que pesa muito e não faz sentido transportar
Devolver cargas que não são minhas
Deixar de carregar esponjas, que absorvem peso, por “isopor”, mais leves
Dividir a carga com companheiros de viagem
Sabendo que carga dividida sempre irá pesar menos
Carrego em mim desejos de chegar
Mas não chegar a qualquer preço, de qualquer modo
Carrego em mim desejos de chegar inteira ao meu destino
Sem ter deixado pedaços quebrados de ninguém pelo caminho…
Alda M S Santos
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