DESCARTÁVEL

Usou, sujou, não serve mais

Descarte!

Enguiçou, travou, deu defeito

Descarte!

Enferrujou, quebrou, queimou

Descarte!

Perdeu a utilidade, ficou velho, não agradou

Descarte!

Vai dar trabalho, “perder” tempo, cansar

Descarte! Compre um novo! Substitua!

“Coisa velha ou estragada não compensa arrumar”

É o raciocínio reinante na era descartável

Não importa se são coisas, objetos ou seres inanimados

Pessoas, sentimentos ou relações

Nada se conserta, tudo se descarta, substitui-se

E com tanto descarte por aí

Não há espaço nem para o “velho” e nem para o “novo”

Tudo é jogado fora!

Só que na perspectiva da vida, da alma, não há fora

Tudo está dentro de nós!

As peças estão todas lá: fusíveis, porcas ou arruelas

E todas as ferramentas necessárias para construção do “novo”

A partir do conserto do “defeituoso”:

Chaves de fenda, martelos e alicates

Amor, disposição, fé e coragem …

Não adianta usarmos nada novo, objetos ou pessoas

Iremos danificá-los e torná-los inúteis logo, logo

Se nós mesmos não nos consertarmos, continuarmos velhos e defeituosos…

Alda M S Santos