CÂMBIO
Dívidas, pagamentos,
moedas de troca
Acertar as contas, ônus e bônus
Déficit e superavit a ajustar
Só para nos lembrar:
O que devemos ao
nosso semelhante
é dívida com o Criador
E acertamos com Jesus
pagando a nosso irmão
Simples assim…
Alda M S Santos
BALANÇA DA VIDA
O propósito não é acumular, mas repartir
Num grande escambo ofereço o que tenho
Recebo com humildade o que me falta
Se se acumula algo em mim
É sinal que falta para alguém
Vale para qualquer coisa material
Ou para algo do coração, emocional
A balança da vida precisa estar equilibrada!
Alda M S Santos
EU TROCO
Troco uma noitada de músicas, danças e bebidas
Por um dia de caminhadas na praia tomando água de coco
Troco a tranquilidade de uma vida estendida na rede da varanda
Pela oportunidade de estender a mão, despertar sorrisos, ajudar
Troco os gritos calados de tristeza e desesperança
Pela chance de ouvir os silenciosos pedidos do olhar
Troco aquele rolê no shopping numa tarde de sábado
Por uma conversa amiga, tranquila, acolhedora debaixo da jabuticabeira
Troco aquela viagem por locais paradisíacos
Pelo prazer de viajar dentro daqueles que amo e que de mim precisam
Troco milhões de amigos e/ou expectadores
Por uma amizade sincera, que ore por mim, que seja confiável, que não me traia ou abandone
Troco a aquisição de qualquer bem material ou condição financeira
Pelo prazer de sentir um abraço sincero a dizer “você é bênção em nossas vidas”
Troco uma vida longa e cheia de “ganhos”
Por uma vida mais curta, na medida certa, de coração cheio
Troco qualquer coisa pelo prazer de ser eu mesma
Pela satisfação de viver para quem amo…
Eu troco!
Alda M S Santos
TROCAMOS
Trocamos um quintal grande e arborizado, uma cisterna de águas límpidas e um cachorro fiel por um playground “seguro” de concreto, atrás de grades e muros altos
Trocamos caminhadas ou pedaladas até a escola ou trabalho por esteiras e aparelhos na academia
Trocamos frutas e verduras da horta ou pomar e quitandas de forno à lenha por produtos enlatados e industrializados
Trocamos as brincadeiras de pique-esconde e polícia -ladrão na rua por fases de jogos nos computadores
Trocamos uma amizade verdadeira e de confiança por outra mais “valiosa”, mais promissora, mais cordata, menos instigante
Trocamos uma paquera na praça do coreto, um namoro no alpendre, um relacionamento duradouro por outros imaginados, ilusórios e incertos
Trocamos chás de boldo e hortelã, um abraço amigo ou um desabafo choroso no colo de alguém querido e confiável por drogas alucinógenas e causadoras de dependências
Trocamos a responsabilidade por erros que cometemos, a oportunidade de crescimento, pela justificativa de “eu não fui atrás”, “eu não busquei”, “não é culpa minha”, enganando a nós mesmos
Trocamos a alegria do convívio com uma família grande, amorosa e até briguenta, por um trabalho qualquer que muito nos ocupe em busca de dinheiro que nem teremos tempo ou satisfação para gastar
Trocamos nossas alegrias e tristezas naturais por remédios tarja preta
Trocamos nossa essência para manter ou conquistar algo que nem sempre nos fará bem
Trocamos tanta coisa em busca de alta expectativa de vida, de facilidades e felicidade passageira
Para vivermos 75/80 anos, aos invés dos 50 de outrora
A que custo?
Alda M S Santos
REFORMAS
Temos sempre a tendência de reformar tudo. Somos engenheiros naturais.
Em tudo vemos possibilidades de melhoria, de renovação.
Até aí, tudo bem!
Compramos ou alugamos uma casa. Mesmo perfeita, queremos novas paredes, nova pintura, trocamos pisos, janelas. Queremos que fique a nossa cara, mais arejada e confortável.
Um novo carro ganha adereços e acessórios que o tornem mais vistoso e prático.
Uma roupa nova pode precisar de ajustes, encurta daqui, aperta dali, coloca uma manga, um cinto…
Nosso próprio quarto sofre mudanças constantes…
E nossos amigos, filhos, cônjuge, familiares?
Também queremos mudá-los, adaptá-los, adequá-los, melhorá-los? Quase sempre!
Algumas características que não julgamos positivas, ou que não combinam conosco, ou julgamos que não fazem bem a eles, ou a nós mesmos, queremos extraí-las, minimizá-las ou disfarçá-las.
Querermos melhorias, para nós e para aqueles que nos cercam, é natural. Faz-se, porém, necessária a questão: o que motiva esse desejo de mudança?
Se a resposta for o bem estar e o amor, é válida.
Ressalta-se, porém, a importância de manter as características naturais.
Uma casa não pode ter certas paredes mexidas, sob pena de abalar a estrutura.
Um veículo não pode receber acessórios que comprometam sua potência.
Uma roupa não pode sofrer tantos ajustes que pareça outra.
Uma pessoa precisa manter sua essência, ou perderá a própria identidade.
Vale a velha dica das casas; se necessário for mudar tanto, melhor jogar no chão e começar do zero.
Se para nos atender for preciso mudanças radicais, seja na casa, no carro, nas roupas, nas pessoas, precisamos refletir: ou mudamos um pouco a nós mesmos, também, ou buscamos nova casa, carro, roupas ou pessoas. O trabalho, tempo e custo para mudar não valerá o resultado.
Apesar de não haver medida perfeita, sempre haverá por aí objetos, coisas e pessoas que combinem exatamente conosco.
Basta ter paciência e saber procurar.
Alda M S Santos
Fazenda do Quartel- GUANHÃES- MG