SILÊNCIO
Silêncio que é pedido, solicitação
Silêncio que é gratidão
Silêncio que é resignação
Silêncio que é confiança
Silêncio que é emoção, é razão
Silêncio na oração que diz:
Estou aqui, ouça meu coração!
Alda M S Santos
CALAR E OBSERVAR…
A sabedoria tem um cantinho perfeito para habitar
Não é aquele barulhento espaço ou lugar
Ela gosta mesmo é do silêncio, do divagar
Prefere aqueles que sabem calar, observar
Não é necessariamente focar só no outro
Mas, particularmente em si mesmo
Ainda que fique um tempo andando a esmo
Há quem tanto faça, aconteça e apareça
Mas se bem avaliar, há muito que desmereça
Gosto de ir para um cantinho dentro de mim
Como se estivesse sentada num jardim
Sentir cores, flores, bichinhos e aromas
Texturas de sentimentos presos em redomas
Sorrio, choro, calo, grito, canto
Saio fortalecida, afasto o pranto
E faço o mesmo com o meu entorno, ao meu redor
Assim vou aprendendo a ser maior
Quem sabe calar, observar, saberá priorizar
E encontrará um bom propósito para viver, para amar …
Alda M S Santos
SILÊNCIOS
Silêncio suave, pacífico, confortador
Silêncio cortante, raivoso, ensurdecedor
Silêncio triste, magoado, angustiante
Silêncio pesado, denso, frustrante
Silêncio que diz mais que gritos
Silêncio, uma opção dos aflitos
Silêncio requer maturidade, sabedoria
Silêncio de quem não quer arrelia
Silêncio que visa autoconhecimento
Silêncio que foge ao descontentamento
Silêncio que busca discernimento
Silêncio que quer o sentir, a palavra certa
Silêncio que almeja a paz na alma coberta
Silêncio que anseia a luz, silêncio que é alerta
Alda M S Santos
SILENCIAR…
A vida pede algumas vezes um certo silenciar
Deixar a alma lá dentro poder se acalmar
Tentar entender o que se passa
Aceitar essa luta, vencer na raça
A natureza é nosso fio condutor
Ela induz ao mergulho interior
O mundo natural é a melhor conexão
Conosco mesmos permite boa interação
Sob as árvores sou sombra e gratidão
Sob o sol sou luz, sou brisa nessa imensidão
Imersa em cachoeira sou frescor
Sob a lua sou pensamento, sou calor
O som do silêncio tem poder calmante
Quando se permite ouvir o que é conflitante
Autoanálise, amor próprio e Deus
Vou seguindo com fé os caminhos meus
Alda M S Santos
NO SILÊNCIO DE UM CORAÇÃO
A poesia brota suavemente em todo lugar
No voo das gaivotas no céu a planar
No jardim em botões, bem devagar
No espírito solitário que a lágrima quer disfarçar
A poesia nasce e cresce se bem irrigada
Atiça os poetas de mente inspirada
Surgem versos sentidos na madrugada
Desperta a alma estagnada e a faz apaixonada
A poesia mergulha em águas profundas
Sabe nadar, flutuar, ser ilha, não afunda
Ao leitor traz luz, reflexão, ponderação
Ou atiça a vontade de viver a emoção
Há poesia no silêncio de um coração
O leitor entende cada entrelinha, a sensação
Ela finca raiz, brota e estende galhos e flores
E a alma se alegra, vive, sai dos bastidores
Alda M S Santos
NOSSOS SILÊNCIOS
As palavras dizem muito, os versos também
Com ou sem rimas, expressar nos faz bem
Aquela emoção adormecida, quase descabida
Uma sensação talvez apenas sugerida
Sempre será de algum modo demonstrada
Numa doce melodia cantada, entoada
Tão bom quando alguém entende nosso falar
Quando compreende nosso modo de versar
Mas bom mesmo é quando sabem ler silêncios
Há muita poesia num olhar que grita, solicita
Há intensa magia num sorriso que o aproximar facilita
A chegada do amor, do carinho, da amizade
Silenciosamente em sintonia diz toda a verdade
O que se passa na alma, num belo poema
Escrito na língua do amor, alegria suprema
Há muitos modos de tudo dizer, todo o querer
Mas o que expressa o silêncio poucos sabem ler
Alda M S Santos
O SOM DO SILÊNCIO
Silêncio fala, silêncio grita
Na linguagem universal da dor
Da saudade ou do amor…
No entanto nem todos ouvem
Som em altíssima frequência
Quem ouve e não entende se incomoda
Busca um refúgio, faz barulhos diversos
Quer tirá-lo desse transe de comunicação
Tenta de outro modo algo dizer
Silêncio…
O som do silêncio é calmante
Para quem sintoniza na mesma frequência
Silêncio…
O som do silêncio é estressante
Para quem só ouve o nada que tanto diz
Silêncio…
Silenciando vamos tudo dizendo
Àqueles que sabem ouvir…
Alda M S Santos
SILÊNCIO AQUECE
Silêncio amedronta, é aterrador
Na medida em que seu barulho ensurdecedor
Torna tudo em torno da gente assustador
Mexe e remexe nosso frágil interior
Silêncio acalma, é refrigério
Quando ativa nosso lado zen
Leva a meditar, nos encontrar
E nada há que nos tire do bem
Silêncio fala, é palavra, é comunicação
Quando o que há por dentro extravasa
Vai muito além da suportável emoção
Silêncio cala, emudece, ensurdece
Mas onde há esperança e amor
Ele é doce e quentinho cobertor, aquece…
Alda M S Santos
O SILÊNCIO
Nada diz mais que um bom silêncio
Aquele que sentamos conosco e nos passamos a limpo
Boas perguntas, respostas sinceras
Sem medo de sermos devorados por famintas “panteras”
Um auto divã, real, sem expectativas vãs
Quem sou, o que gosto, o que me incomoda
Porque me deixo girar nessa roda
Que aceito, o que permito, o que me deixa aflito
Quem amo, quem tolero, quem evito
O que me mantém por aqui, ativo, cativo
Silêncio lá fora, barulho cá dentro
Ele muito diz para quem se dispõe a ouvir
Ou para quem não tem com quem falar, para onde ir
Silêncio, conhecido também como solidão
Pode ser um grande amigo nesse mundo nem sempre irmão…
Alda M S Santos
SILÊNCIO
Tão importante quanto saber a hora de falar
É estar atento ao momento em que é melhor calar
As palavras podem tudo esclarecer
Mas noutros momentos o silêncio se faz melhor entender
Nem tudo é de bom tom declarar
Ao mesmo tempo que pode alegrar
Pode situações desagradáveis acarretar
Ou a tristeza acabar tomando conta do lugar
Falar pode ser esclarecedor em momentos adequados
Silenciar é sabedoria noutros mais delicados
Há situações que basta um olhar
Um toque, um gesto para apaziguar
Onde as palavras só serviriam para rebelar
Dizem que quem não entende o silêncio
Tampouco entenderá um monte de palavras
O que é bonito de sentir, que faz bem
Não precisa de palavras também
Alda M S Santos
SILÊNCIO
No silêncio de nossa alma nos recolhemos
Para lá no fundo trabalhar, nos entendermos
Num diálogo conosco mesmos, debatermos
E tentar o que não faz sentido, desfazermos
No silêncio de nossa alma mágoas avaliamos
A luz daquilo que não vale a pena apagamos
A escuridão já esquecida iluminamos
E o caminho, mais calmos, retomamos
No silêncio de nossa alma buscamos a paz
Cansados de um mundo tão frio e fugaz
Em que não vale tanto o que a gente traz
No silêncio de nossa alma aprendemos
A não dar tanta importância ao que sofremos
Somos por aqui passageiros, entendemos
Alda M S Santos
SILÊNCIO AQUECE
Silêncio amedronta, é aterrador
Na medida em que seu barulho ensurdecedor
Torna tudo em torno da gente assustador
Mexe e remexe nosso frágil interior
Silêncio acalma, é refrigério
Quando ativa nosso lado zen
Leva a meditar, nos encontrar
E nada há que nos tire do bem
Silêncio fala, é palavra, é comunicação
Quando o que há por dentro extravasa
Vai muito além da suportável emoção
Silêncio cala, emudece, ensurdece
Mas onde há esperança e amor
Ele é doce e quentinho cobertor, aquece…
Alda M S Santos
O SILÊNCIO
Nada diz mais que um bom silêncio
Aquele que sentamos conosco e nos passamos a limpo
Boas perguntas, respostas sinceras
Sem medo de sermos devorados por famintas “panteras”
Um auto divã, real, sem expectativas vãs
Quem sou, o que gosto, o que me incomoda
Porque me deixo girar nessa roda
Que aceito, o que permito, o que me deixa aflito
Quem amo, quem tolero, quem evito
O que me mantém por aqui, ativo, cativo
Silêncio lá fora, barulho cá dentro
Ele muito diz para quem se dispõe a ouvir
Ou para quem não tem com quem falar, para onde ir
Silêncio, conhecido também como solidão
Pode ser um grande amigo nesse mundo nem sempre irmão…
Alda M S Santos
SILENCIE!
Às vezes o que precisamos é nos afastar de todos
Para nos sentirmos mais acompanhados, menos sós
Apagar os holofotes para podermos acender a luzinha que satisfaz
Silenciar para ouvir aquilo que a alma grita
Entender nossos monstros para poder derrotá-los
Errar para aprender a perdoar, a perdoar-se
Parar um pouco para conseguir prosseguir
Sentar com nosso anjo protetor e bater um longo papo
Quebrar-se todo para aprender a ser de novo inteiro
Às vezes precisamos fechar os olhos
Para poder enxergar aquilo que é essencial
E não está do lado de fora…
Feche os olhos, silencie!
Alda M S Santos
SONS DO SILÊNCIO
Há muito silêncio aqui
Os galhos das árvores valsando ao sabor do vento
A chuva fina a tamborilar uma canção nostálgica no telhado
Canarinhos piando a disputar por espaço no comedouro
Enquanto outros se banham na poça d’água no chão e voam em revoada
Uma vaca muge reclamando ao longe no pasto
As asas vibrantes de um lindo beija-flor a sugar o néctar doce da vida
Indiferente a minha presença, encantada
Um machado fazendo ranger a madeira que cede com um choro de resistência
O fogo a crepitar no fogão a lenha onde o cozido borbulha e aromatiza o ambiente
Uma família de tucanos grasna no alto das árvores e saúda a vida
Um cachorro late pedindo carona atrás de um fusquinha conhecido
Um galo canta alto dizendo as horas, a galinha responde que tem ovo
Um abacate cai com um barulho surdo do alto do abacateiro e se racha ao chão
A tosse seca de um fumante que parece sufocar
As risadas das crianças descendo a rua de bicicleta, felizes, ignorando o chuvisco
Macacos gritam bem perto na mata
Uma saracura afoita passa correndo no quintal
Uma espectadora da vida ouve todos esses sons do silêncio
Em contraste com todos os barulhos que gritam dentro de si
Querendo fazer parte, ser parte desse mundo “animado”…
O mundo parece estar estacionado, mas há vida em tudo…
Qual o barulho que ela faz em seu silêncio?
Qual o grito que ela transmite?
Alguém ouve?
Alda M S Santos
NO GRITO?
Invadir, abrir, arrombar, conquistar.
De qualquer modo, a qualquer custo,
Na pancada, no muque, no grito,
Com a força que vem da mente,
Com a força dos músculos…
Até descobrir que o melhor músculo
A ser utilizado é o coração.
E esse age no silêncio.
Grito calado que vem de dentro.
Essa é sua maneira de gritar
De se fazer ouvir e tudo conquistar.
Mantenha-o em ação!
Alda M S Santos
TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos
SOLITUDE
Reclusão e introspecção voluntária, benéfica
Disso precisamos quase tanto quanto água
Silêncio acolhedor, analítico, questionador
A capacidade de ouvir nosso interior, rasgar-nos, ao menos para nós mesmos
Encontrar nossos lagos, sombras, luzes e oásis internos
Sem buscar tantas respostas nos outros, nas palavras alheias
Quase sempre elas se encontram no silêncio, nas atitudes
As palavras podem ser duras, cruéis, ofender, magoar, matar
É preciso ausência de ruídos, de barulhos
No silêncio de nós mesmos
Em nossa companhia mais íntima estarão as respostas.
Antes de sermos de qualquer um, somos de nós mesmos.
Alda M S Santos
SILÊNCIO
No silêncio de uma mata ativamos nosso silêncio, acionamos nosso instinto animal de sobrevivência, restauramos nossa energia, minimizamos nossos medos, potencializamos o amor e deixamos o mundo em modo de espera.
Aqui, Deus se manifesta mais nitidamente.
Voltamos quando tudo estiver em seus devidos lugares…
Alda M S Santos
DESEJOS
Quero o silêncio, não qualquer silêncio, mas aquele que traz reflexões.
Quero amigos, não colegas, amigos que me ouçam, sorriam e chorem comigo,
Que puxem-me as orelhas, mas que me aceitem como sou.
Quero ser amiga, solidária, pra toda hora, necessária, valorizada.
Quero solidão, propícia e oportuna, que possibilite o crescimento.
Quero companhias alegres, tristes, fortes ou frágeis, mas autênticas.
Quero saudade! Pode até doer um pouquinho, mas que me alegre o coração e me instigue a buscar algo.
Quero trabalho, que eu produza, mas me divirta acima de tudo.
Quero o amor, não qualquer amor, mas aquele que tenha muito carinho, respeito e reciprocidade.
Quero paz! Aquela que vem com o silêncio, a solidão, os amigos, o trabalho, a saudade, o amor e… Deus.
Quero Deus comigo sempre.
Quero e, querendo, eu posso!
Alda M S Santos
O SOM DO SILÊNCIO
O som mais alto que existe é o do silêncio. Sim! A frequência de seus decibéis não é para qualquer audição! É preciso, além dos sentidos usuais, um sexto sentido para ouvi-lo!
Quando o silêncio fala, ele isola tudo dentro da gente. Forma-se um vácuo. Nosso interior parece oco. O eco é constante. Tudo é mais!
Nossa sensibilidade fica à flor da pele, da audição, da visão. Percepções fora de nós são potencializadas.
O som das folhas que pisamos arranha os tímpanos. O brilho do sol arde por dentro. A aspereza das palavras machuca. O olhar frio fere. Uma música fala.
E isso extravasa em nossos poros, em nosso olhar, em nosso silêncio.
Poucos percebem, pois o sentido mais apto a ler o silêncio é pouco usado, vem da alma. É ele que capta essa sensibilidade exacerbada, essa tristeza calada, essa angústia que aperta, esse grito que reflete no olhar num mudo pedido de socorro, no modo de andar, no sorriso sem brilho, nas palavras forçadas, nas lágrimas contidas.
Quase sempre esse silêncio é rompido quando encontra quem o lê, para além das palavras não ditas.
Quem lê o silêncio, sabe que não precisa falar. Palavras são desnecessárias. Os olhares se entendem. Um abraço sela o acordo: estou aqui!
Alda M S Santos