MOLDADOS PELA VIDA
Não há nada que nunca mude, que nunca se transforme
Até mesmo as pedras, as rochas, inertes e imóveis no mar
Sofrem total interferência do meio
Aparentemente firmes e fortes, a água, o sol, o sal, os ventos
A matéria orgânica, animal e vegetal a modificam
A água abre reentrâncias, provoca sulcos, invade espaços
Quando não há, contorna, passa por cima e, ainda assim, é atingida
Adquire novas cores, novas formas, novo relevo
Muitas vezes nocivo, que corta fundo quem se aproxima
Causa dores, escorregões e tombos
Uma pedra nunca está totalmente isolada por estar parada no mesmo lugar, inerte
Cedo ou tarde, ela será “outra” pedra
Somos pedras sendo moldados pelas águas da vida em seu ir e vir incessante
Ora turbulentas, ora calmas, ora violentas e sempre incansáveis da vida…
Podemos escolher fazer parte, ou sermos modificados à nossa revelia…
Alda M S Santos
AS PEDRAS DO CAMINHO
Pedras de todos os tipos, cores e tamanhos Tantas vezes elas parecem pesar demais
Particularmente quando as carregamos sozinhos
Ou quando nelas tropeçamos no caminho
Algumas ignoramos, fingimos não ver
Que muito nos machucou, nos fez sofrer
Outras lançamos longe, queremos distância
E há ainda as que grudam em nossos sapatos
Essas precisamos partilhar, isso é fato
Não é tão fácil juntar e fazer delas um castelo
Como diz o poeta em seu poema tão belo
Pedras de estimação só aquelas nas quais podemos subir
Sentar e de lá de cima ver melhor o caminho a seguir
E é bom dividir com quem nos tem amor
Cada qual ajuda com uma parte, diminuiu o terror
Assim, uma pedra deixa de ferir tanto
Quando encontramos onde sorrir e acalmar nosso pranto
Alda M S Santos
NO MEIO DO RIO
Uma estrada, a volta para casa
No meio da estrada, uma ponte
Sob a ponte, um outro caminho…
No meio do caminho tinha um rio
No meio do rio tinha uma pedra
No meio da pedra e de toda essa beleza
Estava eu…
Encantada, embriagada com toda essa natureza
Nas águas mornas do rio, muitos peixinhos
Beliscando meus pés, fazendo cócegas, risinhos
Ai que vontade de mergulhar
De roupa e tudo ou como vim ao mundo…
Apenas àquela maravilha poder me entregar
Ser feliz, relaxar…
Uma estrada, uma ponte
Um caminho, um rio, uma pedra
E lá estava eu…
Tentando ser mais eu!
Alda M S Santos
MUITAS VEZES…
Muitas vezes, os caminhos difíceis que evitamos
E dos quais fugimos todo o tempo
São atalhos a nos levar para um lugar há muito sonhado
Muitas vezes, os ventos dos quais nos abrigamos
Por medo de destruição e perdas
É o que falta para levar embora o que machuca
E trazer o que falta para nos tornar mais felizes
Muitas vezes, as pedras que tememos
E das quais nos desviamos
São degraus a nos levar para o topo
Não o topo do mundo
Mas o topo de nós mesmos
Muitas vezes, enquanto lamentamos
Reclamamos, choramos e criticamos
Deixamos de estar atentos
Para aproveitar tudo que se apresenta…
Alda M S Santos
PEDRAS…PEDREIRAS…PEDREGULHOS
Pedras no meu caminho, que fazer?
Quando não me importam tanto, pequenas
Colocadas com intuito de me fazer perder tempo
Rotineiras, como um contratempo no trânsito
Não merecem muita atenção, desvio
Pedras no meu caminho, que fazer?
Quando atrapalham a caminhada, perturbam
Incomodam como alguém a fazer pouco de nós
Pego e jogo para longe de mim ou me afasto
Pedras no meu caminho, que fazer?
Quando impedem a passagem, grandes
Preocupantes, pesadas, difíceis de remover
Como um pesadelo reincidente e assustador
Com calma, tento escalar e transpor
Peço ajuda, uma mão amiga a me puxar
Pedras no meu caminho, que fazer?
Gigantescas, intransponíveis, como parte do ambiente
Com lascas cortantes como ingratidão ou abandono
Como uma doença incurável ou a perda de alguém
Sento na pedra, choro, reflito e oro…
Pedras no meu caminho, que fazer?
Penso em todas as vezes em que Ele nos salvou
Me salvou de outros abismos e me devolveu o chão
Agradeço, e a encaro com mais ânimo
Já não parece tão intransponível assim
Afinal, Ele sabe tudo de montanhas, escaladas
Ingratidão, abandono, amor e desamor
Pedras e “Pedros” de todos os tipos
Seres humanos…
Ele sabe de tudo e de todos!
Ele é maior que qualquer pedra, pedreira ou pedregulho!
Alda M S Santos
DEPOIS DO FIM
Irei até aquela curva lá na frente
Com esse propósito, sigo sem parar na caminhada à beira-mar
Areia macia a afundar meus pés deixando pegadas
Sempre me lembro da parábola “Pegadas na Areia” quando o faço
Na curva, o caminho, que parecia acabar, continua…
Que há depois daqueles coqueiros?
E aquele coqueiro envergado pelo vento é meu próximo objetivo
Entro no mar, devagar, água fria na pele quente, gostoso…
Choque térmico de vida!
Fujo correndo de uma onda enorme
Umas pessoas riem, de mim ou para mim?
Não importa, retribuo e sigo até o rochedo, o coqueiro ficou para trás
As rochas disformes seriam o fim da caminhada
Subo nas pedras, as ondas ali arrebentam agitadas
Parecem querer despertar as pedras para a vida
Ajudá-las a sair dali, arrancá-las da mesmice, andar pelo mundo
Piso devagar, são cortantes e escorregadias
Sento, reflito, cair dali seria o fim, muito alto e perigoso
Quantas pessoas já pularam dali querendo ir além disso aqui?
Do outro lado o caminho continua com areia, coqueiros, rochas e curvas…
Depois do fim sempre há outro caminho
Ainda que a gente não consiga vislumbrá-lo
Olho para trás lá embaixo, minhas pegadas se apagaram
Queria tanto estar no colo Dele!
Uma brisa suave balança meus cabelos, acaricia minha pele
Sim! Ele está aqui!
Retomo meu caminho de volta, não estou só!
Alda M S Santos
Praia de Lopes Mendes-Ilha Grande- Brasil
MOLDADOS PELA VIDA
Não há nada que nunca mude, que nunca se transforme
Até mesmo as pedras, as rochas, inertes e imóveis no mar
Sofrem total interferência do meio
Aparentemente firmes e fortes, a água, o sol, o sal, os ventos
A matéria orgânica, animal e vegetal a modificam
A água abre reentrâncias, provoca sulcos, invade espaços
Quando não há, contorna, passa por cima e, ainda assim, é atingida
Adquire novas cores, novas formas, novo relevo
Muitas vezes nocivo, que corta fundo quem se aproxima
Causa dores, escorregões e tombos
Uma pedra nunca está totalmente isolada por estar parada no mesmo lugar, inerte
Cedo ou tarde, ela será “outra” pedra
Somos pedras sendo moldados pelas águas da vida em seu ir e vir incessante
Ora turbulentas, ora calmas, ora violentas e sempre incansáveis da vida…
Podemos escolher fazer parte, ou sermos modificados à nossa revelia…
Alda M S Santos