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PARAÍSO?

PARAÍSO?

Era um lugar diferente, especial
Caminhava feliz, como no meu quintal
Alguns bancos, grama verdinha
Havia muita gente, mas estava sozinha

Parecia conhecer a todos ali
Olhavam-me, sorriam, “que faz aqui”?
Era o que o olhar deles perguntava
Não sabia dizer, só caminhava

Conversavam entre si, havia harmonia
Mas apesar de estar só, sentia a sintonia
De um lugar calmo, pacífico e acolhedor
Mas procurava alguém “sim, meu senhor”

Com uma facilidade enorme escalei
Uma árvore até o topo e lá fiquei
Paz era a sensação…”você aqui”?
Abri os olhos, sorri, te achei, acordei …

Alda M S Santos

Entre céu e inferno

ENTRE CÉU E INFERNO

O céu e o inferno existem em nós, coexistindo

Transitamos de um para o outro todo o tempo

Daquela parte que nos faz mal, que nos faz sofrer, que machuca

Para aquela que nos faz bem, alegra, anima, vitaliza, acaricia

Algumas coisas ou pessoas do meio nos instigam, nos levam

A sair de um para o outro, do inferno para o céu e vice-versa

E é a isso que devemos estar atentos

Fugir de pessoas “inferno”, que nos dificultam o trânsito para nosso céu

Buscar pessoas “céu”, que nos deixam em nosso paraíso

Bom mesmo é quando nosso céu se conecta ao céu do outro

Aí fica mais difícil, quase impossível, o trânsito para o inferno

Um céu conectado a outro céu é mais forte, mais iluminado

E não deixa a escuridão do inferno prevalecer …

Céu conectado a outro céu é repleto de anjos bons

E que fazem a vida ser mais linda…

Alda M S Santos

Ilha do desejo

ILHA DO DESEJO

Uma placa, uma mensagem, uma indicação

“Ilha do Desejo”

Que será que se faz ali?

É uma ilha sonhada, desejada

Uma ilha onde desejos são despertados

Ou uma ilha onde desejos são realizados?

Será um espaço mágico, especial

Que ao ser adentrado todos os desejos tornam-se reais?

E se houver desejos controversos

Em que a realização do meu se interpõe à realização do seu?

Quais critérios usados?

Os mais justos, os mais fortes,

Quais prevalecem?

Qual a fantasia, qual a magia?

Ilha do Desejo

Do meu, do seu, de quem?

Alda M S Santos

É macabro falar de morte?

É MACABRO FALAR DE MORTE?

Muitas são as explicações na tentativa de justificá-la

Uma das poucas certezas da vida: a morte

E ainda assim a desconhecemos e tememos

Atinge a todos, sem exceção

Não escolhe idade, raça, gênero, cultura ou condição socioeconômica

Ainda assim tentamos explicar:

“Estava velho e doente, sofrendo, foi melhor assim”

“Tão jovem, uma vida pela frente, não dá para aceitar”

“Lutou contra o destino, mas não teve jeito, era a hora”

“Esse também desafiou a morte todo o tempo”

“Era um anjinho, nada viveu ainda”

“Uma alma boa, nunca fez mal a ninguém”

Ou a mais ouvida de todas:

“Deus chamou de volta para casa!”

Quem Deus chama de volta?

Qual o critério para voltar para casa?

Deu defeito, venceu o período de garantia?

Precisa de “assistência técnica” especializada?

Deu ou causou perda total e precisa voltar para o fabricante?

E se foi mau uso, tem direito a reparos e retorno às vias?

E aqueles que apresentam reiteradamente o mesmo defeito, destruindo ou arriscando a si e aos outros?

Nessa perspectiva Deus seria o mecânico, o técnico especialista em reparar falhas e danos.

Mas será que Ele não saberia fazer isso com o motor funcionando, com o coração batendo?

Será que quem volta para casa não precisa de injeção de carinho, tratamento intensivo de amor?

E aqueles que não apresentam defeito de fábrica,

Por que voltam para a “oficina”?

Será que Ele não leva alguns tão bons para ajudá-lo lá em cima?

Será que simplesmente não venceram seu “estágio” por aqui?

Será que quem é chamado de volta já não veio com data de retorno?

Qual o critério para escolher o quanto viver e quando morrer?

Olhando por um lado positivo

Quem morre já cumpriu seu papel nessa dimensão,

E volta para a eternidade, para o paraíso tão aclamado!

Não é castigo ou punição a morte, apenas mudança de jornada.

Seriam, então, privilegiados aqueles que vão mais cedo…

Difícil é fazer aqueles que foram deixados para trás

Entender, aceitar e aprender a lidar com a ausência e a saudade…

E, não, falar de morte não é macabro!

Alda M S Santos

Céu e inferno

CÉU E INFERNO

Ansiamos pelo céu, tememos o inferno

Mas ambos estão muito pertinho de nós

Na verdade, ambos estão dentro de nós, ou nós dentro deles

Estamos no paraíso quando experimentamos boas sensações

Amor correspondido, amizade sincera, família unida

Corpo e mente saudáveis, paz conosco mesmos

Tudo lá fora torna-se lindo, colorido, brilhante, mesmo com raios e trovões, gelo ou nuvens pesadas…

Isso é paraíso.

Experimentamos o inferno quando não temos sintonia conosco, com os outros

Quando faltam empatia, amor, amizade, sossego

Quando sobram culpas, autoflagelos, dores, males físicos e mentais

Autopiedade, desconfianças, desamor, escuridão

Lá fora pode ser um espetáculo maravilhoso, sol quente, amor, natureza viva

E nós de olhos cerrados nos sentindo destruídos …

Isso é inferno.

O céu e o inferno, se fossem um lugar específico

Se tivessem que ser localizados num mapa

Seriam dentro de nossa própria mente, de nossa consciência

No mais íntimo de nossa alma

E depende de nós entrar ou sair de cada um deles

Fazer malas, mudar, deixar pra trás o que fere, ainda que com sofrimento

Mudanças sempre são dolorosas

E não precisamos morrer para isso…

Alda M S Santos

Free day

FREE DAY

E se pudéssemos reviver um dia das nossas vidas

Exatamente como foi. Apenas um. Saberíamos escolher?

E se pudéssemos, ao contrário, apagar totalmente

Um dia de nossas vidas. Seria difícil?

E se pudéssemos rever ou reencontrar alguém

Que partiu de nossas vidas, por morte ou descuido

Bater um longo papo, deixar as lágrimas rolarem

Ou simplesmente abraçar longamente?

Entre quantas pessoas teríamos que escolher?

E se pudéssemos ter um dia livre, um free day

Em que fosse possível fazer tudo que desse vontade

Sem que ninguém fosse magoado, culpado ou punido

O que faríamos? Um dia seria o suficiente?

E se pudéssemos?

Nosso mundo seria um paraíso ou uma barbárie?

Nossas vidas são feitas de momentos que se vão…

Alda M S Santos

Encontro

ENCONTRO

Ele a aguardava no início de um longo caminho

À frente descortinava-se paisagem paradisíaca

Céu azul e nuvens branquinhas, um por-do -sol de tirar o fôlego, gramíneas e árvores frondosas no caminho.

Ela chega, ele estende a mão para recepcioná-la, olhos nos olhos, falam silenciosos

Mãos dadas iniciam lentamente aquele longo caminho.

Às vezes se olham, sorriem, se entendem.

Qualquer dúvida, receio ou problema tinha ficado para trás.

Vestes leves, esvoaçantes, pés descalços

Os dela estavam machucados, ele se abaixa, faz um carinho em seus pés feridos.

Levanta-a no ar num longo abraço…

Poderiam ficar sem respirar, a energia fluía de um corpo ao outro, de uma alma à outra.

Parece querer absorvê-la, não deixá-la nunca mais sair de perto.

Cabeça encaixada em seu ombro, ela sorri e chora ao mesmo tempo.

Enfim, estão no lugar certo, tão desejado!

Cenário cinematográfico: silhuetas abraçadas ao por-do-sol. 

Hora das letras FIM aparecerem, 

Porém, o que aparece é

RECOMEÇO

E vão desaparecendo lentamente, abraçados, juntos, ao longe.

Alda M S Santos

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