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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Nostalgia

NOSTALGIA
Nostalgia é morada da saudade
É tempo que para no tempo
É vida presa nos laços da felicidade perdida
É desejo de retornar a um ontem sonhado, idealizado, quase irreal…
Nostalgia é melancolia profunda
Que entende o presente como alegria artificial, forçada
E perde a visão de um amanhã real
Enquanto se agarra ao passado, sentimental
Nostalgia boa é saudade gostosa
Que deixa o passado em seu devido lugar
Mas o usa para alimentar e irrigar o hoje de força e fé
E planta um futuro com sementes de esperança
Retiradas dos frutos bons do passado
Formando o círculo completo da existência…
Alda M S Santos

Um grupo, um violão

UM GRUPO, UM VIOLÃO

Um grupo, várias vozes, um violão

Uma roda, ao ar livre, numa tarde gostosa no sabadão

Nem precisa ser muito afinado, não

Basta que tenha vontade, carinho, amor e atenção

Que as músicas sejam de uma época saudosa, refinada seleção

Que tragam boas lembranças e animação

Que despertem desejo de cantar, de dançar pelo salão

Que haja poesia nos versos singelos e amorosos da canção

Que sequer se importem com qualquer limitação

Que a gente perceba em cada voz que vibra o pulsar do coração

Em cada sorriso que se abre a luz que brota da gratidão

Em cada palavra terna a sincera satisfação

Em cada abraço, a troca do amor precioso, o amor irmão!

Alda M S Santos

#carinhologos

Dancin’ Days

DANCIN’ DAYS

Uma festa temática retrô beneficente

Desperta desejo de nos divertir e ajudar, combinação perfeita

E envolve muitas emoções diversas

Muito frisson, desejo de entrar numa máquina do tempo

Saudosismo, nostalgia, relembrar o passado, “reviver”

Uma época, um estilo musical, comportamento, romance, discoteca

New wave, hippies, rock’roll

Um passado “vivido”, mesmo longe das discotecas

Dos comportamentos rebeldes e de protesto

Será que o passado sempre parecerá melhor visto de fora?

Décadas de 70/80 eu era criança, mocinha

Cheia de sonhos, coragens, poucos medos e um mundo inteiro pela frente

E condições financeiras reduzidas que minavam qualquer feito

Além de uma família superprotetora também

Será que se eu tivesse vivido tudo isso intensamente

Seria tão bom “reviver”?

Ou justamente por não ter “vivido” que a nostalgia é maior?

Certo é que o coração fica feliz e apertado ao mesmo tempo

Pelo vivido e pelo perdido…

Cantei e dancei muito Cindy Lauper, Michael Jackson, Bee Gees e ABBA na sala de casa

Assisti Dancin Days, quis aquelas roupas coloridas e malucas

Como toda jovem, sonhei com um mundo de paz e amor

Vivi, mas de um jeito simples…

E, quando assustei, 40 anos haviam se passado…

Risco de ficar agarrada lá, deixada pela máquina do tempo…

Entre anos dourados, anos rebeldes, discoteca, música eletrônica, underground, new wave,

Não tem como me perguntar

Como seria uma festa temática dos dias de hoje

Daqui a 50 anos?

Alda M S Santos

Você não sabe!

VOCÊ NÃO SABE!
O frio que enfrentei nas noites longas, os curtos e finos cobertores que não aqueciam
Você não sabe…
As lágrimas que derramei, aquelas que engoli, quase sufoquei
Você não sabe!
Os sorrisos forçados, olhos úmidos, embaçados, disfarçando os medos
Você não sabe!
O cansaço que pesava as costas, arriava a fé, o desânimo fazendo desacreditar num futuro
Você não sabe!
A contraditória alegria e peso da responsabilidade em ser a “vida”, a motivação ou exemplo de alguém
Você não sabe!
A solidão que invade e a baixa autoestima tantas vezes assustadora
Você não sabe!
Os caminhos difíceis, secos, repletos de pedregulhos que machucaram meus pés
Você não sabe!
Aqueles que surgiram para dificultar minha caminhada, levantar dúvidas, desviar do caminho
Você não sabe!
Quantas vezes foi preciso desistir, reavaliar, recuar, redirecionar para não cair, não machucar ninguém
Você não sabe!
Quantas vezes foi necessário ser forte e buscar apoio nos ombros da fé
Você não sabe!
O que você sabe de mim é o que eu te deixo ver, que consigo mostrar
Assim somos todos! Não sou especial ou diferente!
O que sabemos de todos, o que eles sabem de nós
É apenas aquilo que foi filtrado nos pequenos furos da peneira da autoproteção
Ou por cuidado e proteção de terceiros
Não dá para saber…
Você não sabe! Eu não sei!
De nós mesmos, só nós sabemos…e Deus
Dos outros, só podemos imaginar…
Preferencialmente, sem julgar…
Alda M S Santos

Como confiar?

COMO CONFIAR?

Como confiar num mundo em que o Merthiolate não arde

Nas delícias da Coca-cola que desentopem sanitários

Nas sandálias Havaianas que arrebentam as tiras tão facilmente

No leite que não vira coalhada depois de três dias fora da geladeira

No Bombril que não tem mais mil e uma utilidades?

Como confiar?

Como confiar numa justiça com tantos pesos e medidas

Na palavra dada que de nada vale se não for documentada

Nos amores que não duram até que a morte os separe

Nas brigas entre rosas e cravos em que ambos não saiam despedaçados

Num “te amo para sempre” apenas se você me amar?

Como confiar?

Como confiar nas compatibilidades de gêneros, ao invés das incompatibilidades de gênios

Que “primeiro as damas” é coisa de feminismo ou machismo

Que ter um quintal sem muro é apenas utopia de Roberto Carlos?

Como confiar?

Nas crianças que dançam “quadradinho” até o chão e não mais “Atiram o pau no gato”

Nos olhares dos pais que não são entendidos como alertas de perigo

Nos adultos isolados da infância e da velhice como seres inatingíveis?

Como confiar?

Como confiar na fé que se professa e não se vive

No ouro que não “compra” terreno no céu

Nos “homens de Deus” que têm doenças mundanas

Na felicidade encontrada apenas nas conquistas profanas?

Como confiar?

Nas amizades que, monetariamente, calculam perdas e ganhos

Na saudade que não dói, no machucado que não sangra

No abraço que não acalma, na família que não se enlaça

No beijinho que não cura qualquer mal?

Como confiar num mundo tão confuso, hipócrita e perdido?

Alda M S Santos

Queria voltar àquele tempo

QUERIA VOLTAR ÀQUELE TEMPO

Queria voltar àquele tempo

Onde os desejos eram simples e facilmente satisfeitos

Chupar bala puxa-puxa, subir em árvores, andar descalça, brincar na rua, tomar banho de bacia, dividir a cama com o irmão

Tempo de sentimentos puros e perfeitos…

Queria voltar àquele tempo

Onde os amigos eram menos virtuais, mais reais

Estavam do outro lado da cerca de bambu

A apenas um abraço de distância

Tempo de amigos leais…

Queria voltar àquele tempo

Onde os amores eram mais verdadeiros

Confidências, sorvete na pracinha, beijos roubados, “pegas” no portão

Tempo de amores mais parceiros…

Queria voltar àquele tempo

Onde as músicas eram pura poesia

Dançantes ou não, tocavam corpo e alma

Tempo de melodias que refletiam o que a gente sentia…

Queria voltar àquele tempo

Onde até sofrer era uma forma “doce” de viver

Sem precisar recorrer a antidepressivos

Tempo de magia, encanto e prazer…

Queria voltar àquele tempo,

E me sentir plenamente reviver…

Alda M S Santos

Sem você

SEM VOCÊ

Em todos os espaços você faz falta,

Na brisa que passa, no sol que racha

Num perfume bom, no cheiro de um alimento qualquer

Nas tiradas engraçadas ou mesmo nas rabugices ou implicâncias

Na música que toca, no silêncio oportuno

Tudo que acontece, principalmente no que não acontece

Lembro-me de você…

Sem você não tem a mesma graça, meu anjo

Você faz falta em tudo lá fora

Mas a maior falta você faz aqui dentro!

Alda M S Santos

Saudade dolorida

SAUDADE DOLORIDA

Saudade dolorida, tão redundante!

Acaso existe saudade que não doa?

Há saudade energizante, saudade paralisante,

Saudade que tem pretensões de alegrar,

Suspiros, nostalgias, lágrimas…

Saudade do que não houve,

Tantas vezes nítida, outras nebulosa…

Mas saudade que não cause dores, não há!

Remetem a algo que não mais temos…

A algo que gostaríamos de resgatar.

A pior delas é a saudade de nós mesmos,

Aqueles que fomos outrora e não mais somos,

Não mais nos identificamos em nosso modo de ser,

De fazer, de agir, de querer, de se querer…

Olho em meus olhos, exploro-os, busco-me,

Saudades de mim…

Alda M S Santos

Sombria

SOMBRIA
Como um dia sem sol, nublado e turvo
Em que muito pouco se vê à frente,
Nebulosidade externa e interna,
Às vezes, ficamos nós também:
Frios, carrancudos e nostálgicos.
Precisamos de abrigo, apoio, repouso, colo.
Mas, sempre, sempre, mais cedo ou mais tarde,
O Sol volta a brilhar,
Nova luz, intenso calor, nova vida.
E cada qual com seu encanto e magia.
Identificá-las e passar por elas sem grandes danos é sabedoria.
Alda M S Santos

Além do horizonte

ALÉM DO HORIZONTE

Os anos passam, a tecnologia avança, as pessoas crescem

A medicina evolui, o amor e o romantismo se transformam…

Todos para melhor, certo? Há sérias controvérsias!

No que tange ao amor e ao romantismo houve transformações

Mas, para melhor? Analisemos!

Basta uma simples “apreciação” nos nomes pensados para atrair

Entre “bondes”, “gaiolas” “popozudas”, “safadões”, “créus”,

“Fogosas” e “quebra-barracos”

Ainda podemos encontrar “letras” que atingem fundo:

“Meu p. te ama”, “piranha recalcada”, “late, que eu to passando,”,

“Um otário para bancar”, “encaixa nela”…

Todas dessa estirpe!

Como diria o “ultrapassado” Roberto Carlos, são muitas emoções.

Como ficam o amor e o romantismo, a sedução, o namoro no portão?

A conquista, o dar-se as mãos, as poesias num cartão, as rosas?

“Aquelas rosas que não falam, mas exalam o perfume que roubam de ti”?

São as mesmas as “amadas amantes” de hoje?

Prefiro um amor velhinho e ultrapassado

“Esse amor demais antigo, Amor demais amigo, Que de tanto amor viveu”

Mesmo os amores não vividos eram lindos, poesia pura!

“Tentei deixar de amar, não consegui/Se alguma vez você pensar em mim

Não se esqueça de lembrar/Que eu nunca te esqueci”.

Alguém aí entendido de “bondes”, pode me informar

Onde passa o próximo com destino ao passado?

Vou a “120, 150, 200km por hora”…

“Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz”

“Não deixo marcas no caminho pra não saber voltar”…

Alda M S Santos

Lugares incríveis 

LUGARES INCRÍVEIS

Lugares especiais, incríveis, espaços preciosos em nossas vidas…

Quero um para me acomodar e ficar quietinha! 

Quais são? O que os define?

O luxo, a simplicidade, a localização, a beleza, a emoção que despertam? 

A casa da vovó com seu cheirinho de quitandas?

O quintal de um amigo de infância? 

O banco da pracinha, debaixo da árvore frondosa, onde tivemos um beijo roubado?  

A rua onde brincamos de esconde-esconde?

Os corredores do prédio onde trabalhamos ou estudamos a maior parte dos nossos dias e fizemos valiosas amizades?

A rede onde namoramos? 

O lar onde criamos nossos filhos? 

Uma cachoeira, uma praia, um sítio onde passamos férias?

O que os torna especiais são os momentos neles vividos! 

Não é o tamanho, localização ou beleza.

Os sons, cheiros e sabores que deixaram impressos em nossa alma que os tornam únicos.

Basta fechar os olhos que poderemos acessá-los. 

Porém, o melhor lugar de todos, o mais incrível e especial, onde sempre gostaremos de estar, mesmo apertadinhos, é no coração daqueles que amamos. 

Esse é o melhor lugar para morar, não de favor, mas por direito adquirido pelo amor, em qualquer época da vida!

Devaneios? Não! Todos merecemos!

Alda M S Santos

Saudades de mim

SAUDADES DE MIM

Saudades de mim…

Do tempo em que eu me bastava

Não por autossuficiência,

Mas por saber o que buscar

Como, porque, quando.

Saudades de mim…

Do tempo em que eu era o bastante

Não para todos, 

Mas para aqueles que me são caros…

Saudades de mim…

Do tempo em que eu sempre estava aqui.

Que me atendia prontamente ao primeiro chamado

E não era preciso gritar tão alto.

Ou me encontrar no silêncio mais profundo de mim mesma.

Saudades de mim…

Alda M S Santos

Saudades

SAUDADES

Saudade… 

Nostalgia, quase sempre dolorida.

Pode estar a um oceano de distância, a um clique, uma discagem, além do céu…

Até mesmo ao nosso lado…

Saudade não está só na distância física

Saudade mora na distância emocional.

Por isso dói na alma. 

Alda M S Santos

Casa de vó

CASA DE VÓ
Tive um prazer imenso no pouco tempo que convivi nas casas de minhas avós quando criança.
Minha avó paterna faleceu quando eu era pequena. A avó materna tem 93 anos, mas sempre morou no interior de Minas Gerais, enquanto nós morávamos na capital. Todas as férias íamos para Guanhães. Avós, tios e primos, uma farra!
Mas as lembranças desse convívio são maravilhosas: fogão à lenha, bichos no quintal, leite tirado na hora, compras na “venda”, histórias à noite…
Até o cheiro do colchão de palha ficou gravado na memória.
A água carregada em moringas da bica. A missa, as barraquinhas da quermesse da igreja, as moedas doadas pela vó, o banho de bacia, as quitandas assadas no forno à lenha, as brincadeiras na rua na noite escura, o frio e a neblina…
E aquele jeitinho que vó tem de querer nos proteger, de não querer deixar os pais “ralharem” com a gente.
Não sei se vó é mãe com açúcar, mas que é doce, é!
A casa mudou um pouco, minha avó nem tanto, mas em meu coração terão sempre a mesma imagem: amor e saudade.
Te amo, vó Dudu!
Alda M S Santos

Viver de saudades

A palavra saudade é tão forte que só de ouvi-la já podemos sentir aquele aperto característico no peito. Às vezes, esse aperto pode ser doloroso, outras prazeroso, sempre nostálgico. 

Mas será que a saudade é um sentimento benéfico ou contraproducente? 

Penso que a saudade é sempre uma sensação de ausência, de falta. O que fará com que seja benéfica, ou não, será a capacidade que relembrar venha a ter de amenizar esse vazio, ou aumentá-lo. 

Podemos sentir saudades da casa da infância, dos irmãos e amigos da escola, de um animal de estimação, das brincadeiras na rua, de um parente que faleceu, das loucuras do primeiro amor, do primeiro beijo roubado, dos bate-papos na calçada até a madrugada, dos bailes da juventude, dos apertos da faculdade, do casamento, do nascimento dos filhos, de um sentimento que morreu ou adormeceu… São inúmeras as vivências que podem gerar saudades. 

As que conseguem gerar um sentimento de completude, de preenchimento do vazio, são aquelas nas quais nos envolvemos a fundo, em que não há arrependimentos, pois, em sua época, foram vivenciadas plenamente, ficaram para trás, mas geram lembranças boas, gostosas de reviver. Essa saudade é extremamente benéfica. Faz-nos rever bons tempos e nos anima a seguir em frente. Gera forças. 

Em contrapartida, há aquelas situações cujas lembranças não preenchem o vazio deixado. Reviver dói sempre, porque, em sua época, o viver, apesar de intenso, foi doloroso. Foi incompleto, não vivenciado como gostaríamos, deixou espaços em branco, arrependimentos, vácuos. Portanto, ao reviver, não se lembra apenas do que foi bom, mas do que poderia ter sido e não foi. Fica sempre a pergunta “por que não agi assim?”, “teria sido tão diferente se eu tivesse feito outra escolha!” Ao viver essa saudade sempre ficamos incompletos, com vontade de voltar no tempo e consertar certas coisas: estudos, empregos, amizades, amores. Fica, para muitos, um gosto amargo na boca, com a sensação de ter sido preterido pela vida. 

Essa saudade, que não gera preenchimento, tende a ser maléfica, porque nos paralisa, nos deixa inertes, impotentes, visto que não temos como voltar no tempo e reviver o que ficou faltando, o que nos causa dor. 

Os mais velhos tendem a sentir mais saudades, é natural, já tiveram mais experiências. São mais nostálgicos, mas não precisam ser tristes. 

De todo modo, se viver de saudades, por tempo demasiado, nos impedir de viver o tempo presente, seja qual tipo de saudade for, não será bom a médio e longo prazo.

Todos nós temos momentos maravilhosos para sentir saudades e relembrar, e outros que preferiríamos corrigir, consertar, ter outra oportunidade. Alguns talvez possamos fazer isso. A maioria, não. Na impossibilidade, quando essa saudade bater, aproveitemos para analisá-la, avaliar nosso comportamento, e usar desse conhecimento, dessa experiência, para sermos mais plenos em nossas vivências atuais. Aprendemos, por experiência própria, que as saudades mais dolorosas são daquilo que deixamos por fazer. Com isso em mente, poderemos viver mais plenamente e deixar para o futuro menos saudades dolorosas e mais razōes para saudades benéficas, prazerosas, intensas! 

Alda M S Santos 

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