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A fome

A FOME

Que sabemos da fome

Aquela que leva alguém

A subtrair algo de outro alguém

Qualquer coisa que sacie o apetite voraz

Que preencha o vazio contumaz

E que já faz qualquer coisa, tanto faz?

Que sabemos dessa fome?

Um almoço, baião de dois, peixe assado

Salada, farofa, prato enfeitado

Ela passa, vende bijuterias, meia idade

Digo: não, obrigada, sorrio, ela sem qualquer vaidade

Vejo que seus olhos estavam na refeição

Volta, pergunta sem qualquer senão

Vocês não comem a cabeça, não?

Podem me dar quando acabar, então?

A ela entregamos boa parte da comida

Senta-se atrás da gente e come, esquece a partida

Ficamos a observar a mulher desnutrida

Que, satisfeita, enchia sua barriga

Olhava pra gente, sorria, agradecida

Não causei essa fome, não tirei nada de ninguém

Não sou governante, mas sou humana

Enquanto houver outro humano com fome

Sou responsável!

Que conhecemos dessa fome?

Alda M S Santos

Cercas elétricas

CERCAS ELÉTRICAS

Como o ser humano está evoluído! Estão construindo cerca elétrica para barrar a entrada de imigrantes na Hungria. Sensores de calor, autofalantes com mensagens intimidatórias multilíngue, descargas elétricas…

Tecnologia de ponta usada contra refugiados das guerras e miséria que chegam à Europa, maioria de mulheres e crianças!

Outras planejam construir muros! Num mundo criado por Deus para todos nós! Que inteligência é essa? Que coração é esse?

Como podemos nos sentir diante de uma situação dessas? Envergonhados por sermos humanos?

Quem comete pior crime? Aqueles que guerreiam, expulsam e matam outros seres humanos, ou quem recusa a eles asilo e uma chance de sobrevivência?

Não sou ingênua, sei dos problemas que podem advir de populações de imigrantes, principalmente refugiados de guerra, em outras nações.

Superpopulação, miséria, desemprego, fome, doenças…

Mas a maioria não quer é abrir mão do conforto, dos desperdícios, da ociosidade.

Sei que não é fechando as portas de modo tão grosseiro e cruel que o problema será resolvido.

Somos todos humanos, afinal! Mesma espécie! Ou não somos?

Recebê-los, na medida em que cada nação pudesse absorver, não custaria tanto a ninguém, tampouco às nações de primeiro mundo.

“O que vocês fizeram com as criancinhas que eu lhes confiei”?

Seríamos capazes de olhar nos olhos Dele e dizer, “fechei-lhes as portas”.

Sequer as mandam voltar para casa, visto que não possuem mais casa.

Uma descarga elétrica é mais “limpa” para fazer o trabalho “sujo”.

A cerca já foi construída em seus corações faz tempo.

Alda M S Santos

Quem se importa?

QUEM SE IMPORTA? 

Uma marquise no centro da cidade barulhenta.

Noite de forte tempestade, manhã de chuva fina.

Quem se importa?

Camas improvisadas, cobertas que mal cobrem os corpos semi-nus.

Num canto, uma “cabana” com seus pertences. 

Ali é sua casa: dormem, comem, se alimentam, brincam, fazem amor.

Metade da manhã se foi.

Ainda dormem, alheios à correria à sua volta. 

Certamente acostumados a ignorar os comentários:

“Marginais, podem nos assaltar a qualquer momento.”

“São fortes, podem trabalhar”.

“Preguiçosos, enfeiam a cidade e afastam os clientes”.

Num canto, um deles me flagra os observando.

Sustento o olhar do senhor, cicatrizes na alma, tristezas profundas se encontram.

“Bom dia”, digo, sem saber o que dizer.

Firme no meu olhar responde: “Jesus te abençoe”. 

Choro…

Por eles, por suas dores.

Pela minha inércia, apesar da vontade de sentar,bater um bom papo, ouvir aquela história. 

Tenho vontade, tenho medo, tenho pressa. 

Na volta, esmolavam em vários cantos. 

“Vá com Deus, menina bonita”, ele grita para mim e acena. 

“Fique com Ele”. 

Seguimos nossos caminhos…

A cidade também…

Quem se importa? 

Alda M S Santos

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