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Tatuado na testa

TATUADO NA TESTA

O bom não traz marca na testa
É isso que ouvimos há tempos
E é consenso, não há quem contesta
Bom mesmo seria se viéssemos de fábrica
Com algumas informações importantes
Talvez um tutorial, um manual
A nos alertar para aquilo que fosse mau
Ou para o que for causar algum dano
“Frágil, quebrado também corta”
“Falhas estruturais, risco se deamoronamento””
“Dificuldades para se envolver”
“Só pega depois de um café”
“Poeta, sensível e confuso”
“Ladra, mas não morde”
“Só a cara é de santo, proteja-se”
“Mentiroso hábil e compulsivo”
“Sorriso que desarma e destranca qualquer coração”
“Propriedade particular, cuidado com o cão”
“Basta um abraço para brilhar”
Sei lá, seríamos poupados de muitos falsos atalhos
Ou caminhos desnecessários
Talvez até tenhamos essas marcas
Mas, afoitos, não damos a devida importância
E a cada vez novos choques, feridas, repouso, aprendizado
Será?
Qual marca você deveria trazer tatuada na testa?
Qual marca você mais precisaria ser alertado?
Alda M S Santos

Há quem deixe…

HÁ QUEM DEIXE…

Há quem deixe o brilho do sorriso

Também há quem deixe a sombra escura do olhar

Há quem deixe um jeito especial de ouvir e se calar

Também há quem deixe uma língua afiada ao criticar

Há quem deixe o calor de um ombro acolhedor

Há também quem deixe a dor de modo ensurdecedor

Há quem deixe uma alegria, uma brincadeira

Também há quem deixe uma rabugice, uma implicância, uma bobeira

Há quem deixe um perfume, cores e um jeito sensual de ser

Há também quem deixe a indiferença prevalecer

Há quem deixe belas palavras, carinhos e versos

Também há quem nada diga, apenas deixa a fadiga

Há quem deixe marcas de um amor que se fez

Também há quem deixe medos e inseguranças

Há quem deixe o sonho do amor em seu esplendor

Também há quem fique e dê ao sonho um caráter de realidade, animador

Todos deixam suas marcas nos outros quando se vão

Quais marcas andamos imprimindo por aí?

Alda M S Santos

Marcas mais bonitas

MARCAS MAIS BONITAS

Viver é desenvolver a fundamental habilidade

De organizar nossas marcas profundas ou superficiais

Aquelas que todos nós temos, querendo ou não

De fazer com que as dolorosas fiquem menos aparentes

De colocar em nossa vitrine emocional

Aquelas que nos fazem parecer mais felizes

Porque felicidade atrai felicidade

De nada adianta mostrar tantas dores e cicatrizes

Vestir nosso manequim de cinza e seus matizes

Só servirá para atrair a maldade

Expor o que nos machuca atrai negatividade ou piedade

Mas deixar sob luzes ou melhor ângulo

Nossas marcas mais bonitas de um amor bem vivido

Nossos frisos nos rosto dos sorrisos de prazer

De uma vitória merecida, de uma conquista pessoal

De um trauma vencido, de saúde emocional

Só nos trará aquilo que merecemos como viventes dessa nau

Quem nos ama e conhece bem enxerga fundo

E o melhor que podemos extrair daqui não é material

É emocional e pessoal…

Alda M S Santos

Que te faz lembrar de mim?

QUE TE FAZ LEMBRAR DE MIM?

“Estava limpando o quintal

E ao ver os vasos de flores

Lembrei-me de você”- ela disse

Que delícia ser lembrada assim…

Maravilhoso seria se vivêssemos sempre desse modo

Deixando nos outros somente doces e belas lembranças

Flores, perfume, sorrisos, poesias e livros

Uma gargalhada, uma brincadeira, uma sapequice qualquer

Imprimindo nos outros marcas eternas

De carinhos, beijos, cuidado, abraços, delicadeza

Se ao se lembrarem da gente um sorriso saudoso vier à mente

Terá sido válida essa passagem por aqui…

Que te faz lembrar de mim?

Alda M S Santos

Nossos rastros

NOSSOS RASTROS

Nesse ora tão longo, ora tão breve caminho da vida

Seguimos as marcas deixadas por nossos antecessores

Em forma de pegadas, de palavras, de registros escritos

Um sentimento, um exemplo, um sinal qualquer a nos guiar

Nem todas as marcas são positivas, mas ensinam

Percebemos as que não levam a lugar algum

As que são voltas desnecessárias

As que levam para um beco sem saída

As que nos jogam num buraco perigoso

As que são certeiras e relaxantes

As trilhas que precisam ser reconstruídas

Algumas mudam, deixam de ser adequadas

Surgem outras mais tranquilas ou mais difíceis

A nós cabe o discernimento para fazer a melhor escolha

Não devemos nos esquecer que somos deles sucessores

Mas que somos antecessores daqueles que vêm atrás de nós

É uma caminhada feita há milênios

E outros quantos milênios virão?

Nossa tarefa é melhorar a trilha e as marcas sempre

Precisamos seguir…

Nem que seja para não decepcionar quem já foi

Ou quem ainda vem em nosso encalço seguindo nosso rastro…

O brilho de nossa luz…

Alda M S Santos

Onde está nosso coração

ONDE ESTÁ NOSSO CORAÇÃO

Não precisa procurar muito, bobagem ir longe

Parte de nosso coração sempre estará onde mais nos dedicamos

Onde derramamos nossos dons, nosso trabalho prazeroso

Nosso carinho, nossa amizade, nosso amor

Passe o tempo que passar, seja qual for a distância

Reencontrar pessoas, rever espaços

Lugares que passamos boa parte de nosso viver

Onde estão nossas digitais emocionais

Receber o carinho sempre tão especial

Daqueles pequenos seres que se doam sem medidas

Não tem como não sentir uma emoção, felicidade e saudade profunda…

Enquanto eu me emocionar numa escola

Enquanto me encantar com crianças aprendendo

Com o carinho tão espontâneo delas

Irei agradecer por ter podido ensiná-las e aprender com elas tanto tempo

Saberei que meu coração sempre estará “enterrado” ali…

E, principalmente, na marquinha especial que levam de mim no peito

E que eu trago delas comigo…

Vivemos nas marcas que deixamos nos corações alheios

E nas marcas que carregamos deles conosco…

Alda M S Santos

Boa ou doída lembrança?

BOA OU DOÍDA LEMBRANÇA?

Que despertamos na memória das pessoas:

Boa, ruim, doída ou gostosa lembrança?

Uma tia baiana que nos “cedeu” sua cama de casal numa visita

E que vi apenas uma vez, faz aniversário hoje…

Lembrar dela é lembrar dessa delicadeza

Com toda sua simplicidade, deixou marca boa, de cuidado, há mais de 25 anos

Temos em nós diferentes marcas, boas ou ruins

Impressas na alma tal ferro em brasa, tal digital

Que nos fazem gratos, saudosos, tristes ou resignados

Qual será a marca que temos deixado na alma dos outros

Daqueles que passaram por nós e ficaram para trás por variados motivos?

Será que são agradecidos ou inconformados?

Será que se lembrarão das delicadas ações

Das “camas” que cedemos, da amizade, do amor, do sorriso, do carinho

Do pouco que tínhamos ou podíamos, e cedemos, como tia Maria Helena fez

Ou da sovinice, maus tratos, críticas, reprovações, lágrimas?

Deixamos como lembrança algo amargo que querem apagar,

Ou doce, digno de ser lembrado e saboreado?

Qual a marca que deixamos naqueles que conosco conviveram?

Alda M S Santos

Eternidades que fazem de nós sua morada

ETERNIDADES QUE FAZEM DE NÓS SUA MORADA

Uma suave canção de ninar, braços suaves a nos embalar

Um brinquedo inseparável, cheiro de segurança quase palpável

Uma turma de amigos malucos, uma força a mais ao arrombar as portas pesadas do mundo adulto

Um primeiro amor impossível, uma paixão a nos ensinar as primeiras dores do coração

Um olhar, uma sintonia, almas que se encontram, se beijam, se afinam em deliciosa harmonia, parceria para a vida

Um choro, um pequeno ser, uma vida a nós entregue para cuidar e dia a dia nos refazer

Uma amizade, uma mão que se oferece, um olhar de apoio, aceitação que nos envaidece

São marcas, lembranças, memórias, saudades

Infância, adolescência, relacionamentos, maternidade, amizades

Pequenas grandes delícias que se eternizam em nosso ser

E nos fazem estar vivos quando tudo parecer morrer…

Alda M S Santos

Pegadas

PEGADAS

A cada passo dado, uma pegada é deixada

Mais profunda ou superficial, dependendo da estrutura do terreno

E da intensidade do caminhante nesta jornada

Olhamos para frente, quase nunca para trás

O caminho é longo, chuva insistente ou sol escaldante

Calor animador ou frio acolhedor, belo e florido, ou cheio de pedras

Mas os objetivos são estimulantes

Seguimos…

Se em algum momento quisermos voltar atrás, refazer aquele caminho

Não mais nos encaixaremos naquelas pegadas deixadas

Não nos reconhecemos ali

Antes tão justas e agradáveis como uma meia de lã

Aconchegantes e ternas como um abraço

Agora parecem ser de outra pessoa diferente de nós

Grandes, largas ou apertadas demais, machucam, não servem

São de outra pessoa!

Nós em outra época…

Sensação de não pertencimento nos acomete

As marcas na areia, na terra, na mata ou no asfalto

Não são diferentes das marcas que deixamos nos corações dos outros

Nas que são deixadas em nossos corações

Em nossa própria alma…

O tempo e a força ou delicadeza aplicada em cada passo

Farão com que essas pegadas sejam profundas, ternas e eternas

Ainda que não nos caiba mais do mesmo modo

Pegadas são importantes digitais gravadas na alma dos que se amaram

E esses se pertencem…

Alda M S Santos

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