NA ESTRADA DA VIDA
O que temos sido na estrada da vida?
A luz que ilunina
A sinalização que direciona
A encruzilhada que confunde
O obstáculo que danifica
A sombra que refresca
A chuva que lava
O sol que castiga
A companhia que anima
O que temos sido?
Mais do que a estrada
Vale mais como fazemos essa viagem
Com quem, por quem, para quem…
Alda M S Santos
A ESTRADA QUE DOU CONTA
Entre todos os lugares desse imenso universo
De norte a sul, de leste a oeste, ártico, trópico
Lugares gelados, lugares quentes
Lugares desérticos ou alagados
Ricos, empobrecidos, evoluídos ou a caminho
Por que vivemos em determinado lugar?
Por que aqui é nosso lar?
Por que fomos nascer nesse planeta,
Nesse Brasil gigante, lindo, clima tropical, calor humano sem igual
Por que fomos nascer nessa família, ter esses amigos
Esse meio em que estamos inseridos?
Por que A e não B, será que há algo a dever?
Sob minha perspectiva há lugares melhores e piores
Então, sigo por aqui, dando meu melhor
Mesmo que muitas vezes a vontade seja apenas de voltar para casa
Certamente aqui é o caminho, a estrada que dou conta…
Em frente!
Alda M S Santos
UM ATALHO
Se a estrada estiver longa e interminável
Se o destino parecer inalcançável
Pegue um atalho, corte caminho
Se a trilha mansamente escurecer
Se o cansaço quiser te abater
Pegue um atalho, corte caminho
Se o terreno for pura aridez
E o humor total acidez
Pegue um atalho, corte caminho
Se a solidão for a sua companhia
Ofereça-a sua mão, viva essa magia
Pegue um atalho, corte caminho
Se um dia quiser desistir, exausto demais para prosseguir
Pegue um atalho, concentre-se no entorno, na natureza
Inspire, expire, encontre sua própria beleza
Quando a chegada parecer distante, quase invisível
Construa seu atalho, acredite, torne-a possível!
Alda M S Santos
NÃO É PRESSA, É SAUDADE!
Saudade que aperta, que oprime, que leva a falhas
Saudade que embaça o para-brisas, o olhar
Saudade que gera velocidade, imprudência
De noite ou de dia, faça chuva ou faça sol
Saudade que se arrisca, que põe o outro em risco
Saudade que visa apenas satisfazer-se
Saudade que, na (preça), fere o Português
Saudade que ignora castas ou classes
Saudade que mata quilômetros e quilômetros de rodovias
Saudade que se mata, finalmente, num olhar, num sorriso,
Se satisfaz num abraço, num colo quentinho
Saudade que tudo justifica, que se autojustifica,
Até começar tudo de novo, nas lembranças…
Alda M S Santos
INDO…
Indo…
Sem saber para onde, sem saber o porquê
Apenas aquela vontade louca de seguir
Sempre em frente, sem retornos ou marcha à ré
Indo…
Cabelos ao sabor do vento, música que embriaga,
E uma estrada que parece pouca
Para a distância que se quer percorrer
Indo…
Olhos à frente, mãos distraídas, óculos escuros
Que escondem as lágrimas claras que insistem
Em descer e se alojar no peito que sobe e desce…
Indo…
Sem saber o caminho, sem conhecer o destino
Sempre em frente, engolindo quilômetros e soluços,
Construindo a própria estrada, abrindo espaços,
Na certeza que chegará onde deveria estar
Desde sempre…
Indo…
Alda M S Santos
HÁ DIAS
Há dias em que a estrada parece longa, interminável, quase infinita…
As pernas cansadas, os pés inchados, os calçados tão gastos quanto a coragem.
Há dias em que tento mirar a chegada, parece inalcançável.
Vontade de sentar à beira da estrada e apenas observar.
Descansar!
Sinto-me só…
Há dias em que os atalhos e desvios não são animadores.
Há dias em que quero voltar à largada.
Respiro fundo e percebo que a bagagem pesa.
Deixo alguns itens desnecessários para trás.
E sigo, mais leve.
Não preciso ser a Lebre ou a Tartaruga.
Vou no meu ritmo.
Apesar dos expectadores, concentro-me em mim mesma.
Há dias em que sinto que a força tem que vir de mim, de dentro.
Esqueço a chegada, tiro o foco.
Não há pote de ouro no fim do caminho.
As moedas douradas encontram-se na estrada.
Devo pegá-las e usá-las no percurso.
O final pode ser a qualquer momento.
Olho para frente, limpo os olhos, e sigo.
Há dias, que percebo, feliz, afinal, que minha melhor companhia nunca me abandona.
Ela brota de dentro.
Ela se chama fé,
Ela atende por Jesus!
Alda M S Santos