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Desamor

Hematomas emocionais

HEMATOMAS EMOCIONAIS

Aquela marca roxa na pele, nos músculos, nos olhos

Dolorosa, feia, sensível ao toque, extravasamento de sangue sob a pele

Sinal de algum trauma mecânico, reação orgânica a pancadas

Fácil de se perceber, notar

Vai mudando de cor, clareando, até sumir

A cura vem com o tempo, o organismo absorve o sangue retido ali

Nada mais se pode fazer para acelerar…

E quando os traumas são emocionais?

Qual a cor deles?

Onde o sangue fica retido?

Onde ficam os hematomas?

Alguém vê, trata, medica, cura?

Os hematomas das pancadas e traumas emocionais não têm cor

No máximo, o amarelo da tentativa de sorrisos

Tampouco têm brilho, o olhar é fosco

Mas têm dor, profunda, latente na alma

Tem peso no olhar, nas costas, na reclusão social, no andar encurvado

Se os hematomas emocionais tivessem cor seriam transparentes

A cor das lágrimas engolidas que se acumulam no coração e ninguém vê…

Alda M S Santos

No limite

NO LIMITE
A vida no limite é intensa
Por vezes animadora, noutras cansativa
Será que vai sendo gasta, se esvaindo
Ou sendo reenergizada, reabastecida?
Se ela se esvai, se desgasta
Gostaria de não viver tanto no limite
Ter mais espaço, mais folga, mais liberdade de movimento
Dentro do meu “pequeno” interior
Não estar tão próxima da linha tênue
Que separa o bem do mal estar
Os sonhos doces dos pesadelos amargos
A realidade fria do calor do realmente desejado
Que separa a alegria da tristeza
Os medos da coragem, a confiança da desconfiança
O sorriso das lágrimas, a fé da descrença
Que separa a sanidade da loucura
O amor do desamor, a vida da morte!
Mas se a intensidade reenergiza, autoabastece
Que eu aprenda a andar na corda bamba
A me divertir nos altos e baixos, a dançar nos desequilíbrios
Ou que eu encontre mais espaços dentro de mim
Ou os ocupe de modo mais organizado
Sempre com mais e mais equilíbrio, alegria e fé
E que consiga carregar comigo quem quiser ou merecer…
Alda M S Santos
Ilha Grande- Angra dos Reis

Sobras de um amor

SOBRAS DE UM AMOR

Pequenos pedaços de fotos queimadas

Um sorriso numa, um beijo noutra, abraços rasgados ao meio

Partes de uma paisagem linda

Porta-retratos quebrados, cartões de aniversário amassados

Souvenirs, uma pulseira com o símbolo do infinito

CDs de músicas, filmes, poemas, vidros de perfume,

Entre as cinzas de uma fogueira, partes de uma história

Tentativa vã de apagar o amor vivido queimando símbolos

Ao rasgar, queimar, destruir as “provas” do vivido

Espera-se esfriar o que queima e machuca por dentro

Um modo de dizer: fim, acabou

Logo percebe-se que o que ocupou 100% de seus dias

Não se finda numa fogueira, não vira cinzas tão facilmente

Enquanto não se fizer as pazes consigo mesmo, com sua história

Aquela que está registrada nos corações, na alma

Permanecerá em fogo brando

Ainda que tudo tenha sido queimado lá fora…

Alda M S Santos

Amor é um trem doido

AMOR É UM TREM DOIDO
O amor comanda um trem de muitos vagões
Nunca vem só! Todos encaixadinhos!
Em cada vagão, um sentimento ou emoção que o acompanha
Que faz com que o trem ande mais rapidamente,
Devagar ou até estacione!
Amor é um trem doido! São muitos os vagões!
Alguns o aceleram: empatia, sinceridade, confiança, lealdade, respeito, admiração…
Outros o atrasam: ciúmes, possessividade, intolerância, impaciência, desrespeito…
Mas se houver amor, sempre há jeito de mantê-lo em movimento
Mas se o amor não for o comandante,
Tudo descarrilha, tomba e se perde…
Alda M S Santos

Troco

TROCO

Troco meu sorriso por suas lágrimas

Meu bem-estar pela sua dor

Minha energia pelo seu desânimo

Minha alegria pela sua tristeza

Minha saúde pelos seus males

Minha paz por seu desassossego

Não é que eu seja boazinha ou tola

Talvez seja até egoísmo

É porque sei lidar melhor com as lágrimas, a dor, o desânimo

A tristeza, os males, o desassossego

Quando estão em mim

Do que quando estão naqueles que amo!

Troco, inclusive, meu amor por seu “desamor”

Quem sabe nessa troca a gente não se equilibre melhor?

Alda M S Santos

Cegueira?

CEGUEIRA?

O amor não é cego,

Ele apenas vê o que quer, o que cria.

Assim como o desamor…

Alda M S Santos

 

Analfabetos emocionais

ANALFABETOS EMOCIONAIS
“Entre sem bater”
“Mantenha organizado”
“Ao sair, NÃO apague a luz”
Porém, batem, bagunçam, machucam, apagam a luz
E ainda levam partes que não lhes pertence.
E reclamam ao encontrar nova placa:
“Fechado para balanço”
Ou depois de um tempo
“Sob nova direção”.
Analfabetos emocionais=espaços desabitados.
Alda M S Santos

Entre sorrisos e lágrimas

ENTRE SORRISOS E LÁGRIMAS

 Sorrisos são superestimados.

 Lágrimas são subestimadas.

Explico: Tantas vezes ouvimos pessoas encantadas com sorrisos. Sorrisos são unanimidade, todos gostam, todos valorizam, todos querem dar e receber. Expressam alegria, satisfação, amor, prazer. Sorrir faz bem pro coração, pra pele, pra alma. Nossa e dos outros. Desde um leve puxar de lábios, o sorrir com os olhos, até uma gargalhada. Quem sorri mais, atrai mais pessoas. Aparenta viver mais e melhor, ser feliz.

E as lágrimas? Quando são derramadas?

Os motivos podem ser os mais variados: dor física, exaustão, superação, vitória, derrota, alegria, tristeza, frustração, expectativa, ansiedade, revolta, raiva, injustiça, vergonha. Por si mesmos, pelo outro.

Que as lágrimas sejam derramadas quando sentimos dor, raiva, tristeza, frustração, impotência, vergonha, entendemos. Lágrima está quase sempre associada a algo ruim. As mais dolorosas são aquelas que nos deixam impotentes perante a dor daqueles que amamos, pelos quais daríamos parte de nós, ou nossa vida, para que ficassem bem.  Essas lágrimas todos entendem. O melhor jeito é abraçar, dar colo, palavras de incentivo, orar, chorar junto e aguardá-las passar.

Mas, e quando as vertemos, sem controle, num casamento, no nascimento de um filho, na formatura, ao tirar carteira de motorista,  passar no vestibular,  fazer uma oração, ou ao ouvir uma declaração de amor?

Simples: só o que atinge fundo a emoção gera lágrimas. Ou seja, quanto mais lágrimas tivermos derramado nessa vida, mais intensa em emoções ela terá sido. Não devemos desvalorizá-las ou dispensá-las. Devemos recebê-las, “curti-las”. A cada torrente de lágrimas, quase sempre algo novo e bonito surgirá. Penso que Deus as permite para limpar e irrigar o terreno, para que possamos receber as novas bênçãos.

Valorizemos, sim, o sorriso sem, contudo, desvalorizarmos as lágrimas. Assim, em breve, será possível surgir um belo sorriso, daqueles que todos amamos.

Alda M S Santos

 

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