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Coração

A IGREJA QUE SOMOS

A IGREJA QUE SOMOS

Igreja não se faz sozinha

Igreja não é só templo de pedra

A igreja não são eles, não são os outros

A igreja que queremos

Somos nós que construímos

Um pouquinho Dele em cada coração

Que se alastra e se propaga para outros corações

Que incendeia com a luz do Espírito Santo, que contagia

Sem demagogia, sem hipocrisia

Com humildade e humanidade

Como nos propósitos dos jovens do EJC- Encontro de Jovens com Cristo

“Ficar mais próxima de Deus”

“Complementar meu caminho até o Pai”

“Agradecer e fazer o bem”

Todos temos nossos objetivos

E podemos escolher: participar, ajudar, não atrapalhar, ou só criticar

A igreja “melhor” do mundo

É aquela que brota em nossos corações

E nos torna melhores, cada dia mais humanos…

Alda M S Santos

Onde está nosso coração

ONDE ESTÁ NOSSO CORAÇÃO

Não precisa procurar muito, bobagem ir longe

Parte de nosso coração sempre estará onde mais nos dedicamos

Onde derramamos nossos dons, nosso trabalho prazeroso

Nosso carinho, nossa amizade, nosso amor

Passe o tempo que passar, seja qual for a distância

Reencontrar pessoas, rever espaços

Lugares que passamos boa parte de nosso viver

Onde estão nossas digitais emocionais

Receber o carinho sempre tão especial

Daqueles pequenos seres que se doam sem medidas

Não tem como não sentir uma emoção, felicidade e saudade profunda…

Enquanto eu me emocionar numa escola

Enquanto me encantar com crianças aprendendo

Com o carinho tão espontâneo delas

Irei agradecer por ter podido ensiná-las e aprender com elas tanto tempo

Saberei que meu coração sempre estará “enterrado” ali…

E, principalmente, na marquinha especial que levam de mim no peito

E que eu trago delas comigo…

Vivemos nas marcas que deixamos nos corações alheios

E nas marcas que carregamos deles conosco…

Alda M S Santos

Brotos de vida

BROTOS DE VIDA

Aquela flor que precisa “morrer”

Suas raizes em batatas necessitam do repouso do solo

Do calor do sol a aquecer a terra

Da água que chega na hora certa

Para que possa romper-se em brotos

E buscar a luz do sol

O sorriso de satisfação de quem por ela esperou

De quem nela acreditou, ou não

Como fênix que renasce das cinzas

Como urso que desperta pós inverno e longo hibernar

Como o sol que se “apaga” e se acende todas as manhãs

Como o amor que mantém-se vivo em meio a tanto desamor

Sabe o momento de se proteger na distância ou na indiferença

E, como flor, procura preservar a raiz das tempestades

Recolher-se é necessário, é sabedoria

Parecer morrer é juntar energia

Para renascer mais forte

A luz brilha mais intensamente onde antes foi escuridão

Para quem tem no coração a força que vem da esperança…

Alda M S Santos

Um dia nosso sol irá se por

UM DIA NOSSO SOL IRÁ SE POR…

Um dia nosso sol irá se por

Seu brilho descerá calmamente atrás da serra

Com cores lindas se apagando no firmamento

Um dia nosso sol irá se por

Nossos dias serão um entardecer infinito

Com ou sem arrependimentos por quem aqueceu ou deixou de aquecer

E isso não mais irá importar

Um dia nosso sol irá se por

Nossos sorrisos não iluminarão mais nossos rostos

Nossa alegria não mais irrigará nossos corações

Um dia nosso sol irá se por

Levará consigo o chiado de quando quase se afogou em nossas lágrimas

Sem expectativas de um amanhecer por aqui

Deixando um rastro de luz, vida e brilho por onde passou

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje

E quando isso acontecer, não irá doer

Não importarão as partes escuras enfrentadas

As lembranças nas sementes que fez germinar

E a luminosidade que deixou noutros corações

Serão o suficiente para nascer noutro lugar

Um dia nosso sol irá se por

Mas não será hoje…

Um dia, quando eu me apagar por aqui

Espero nascer um pouco em você, em vocês

Que me amaram e que eu um dia amei…

Alda M S Santos

Onde há mar

ONDE HÁ MAR

Onde há mar, amar é fácil

Os sonhos são leves e a realidade vem em ondas calmas

Ou se vier forte e derrubar nossos castelos

Achamos divertido e construímos de novo

Onde há mar, amar é fácil

Se a maré ficar alta, mesmo havendo ressacas

Lembramos apenas das calmarias

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo “temperados” com tanto sal

As doçuras de cada um se sobressaem

Onde há mar, amar é fácil

À beira d’água qualquer caminho é leve e suave

E, se o cansaço chegar, um mergulho relaxante é o suficiente para se renovar

Onde há mar, amar é fácil

Debaixo de um céu tão intenso e tão azul

Nossas nuvens cinzentas ficam envergonhadas e se recolhem

Fazer amor é deliciosa e sutil consequência

Onde há mar, amar é fácil

Ainda que as águas estejam geladas

Mergulhamos fundo, saltamos ondas, lavamos a alma

Onde há mar, amar é fácil

Faça sol ou faça chuva,

O calor vem de dentro de nós

Onde há mar, amar é fácil

Mesmo nas noites escuras, sentimos sua força, podemos ouvir seu chamado

Onde há mar, amar é fácil

Desde que tenhamos decidido à priori que seria assim

Que o amor seria prioridade…

Alda M S Santos

Ilha deserta

ILHA DESERTA!

Estar numa ilha, ser uma ilha, desejar uma ilha…

Ilha sempre desperta o romantismo em nós

Ilha levanta questões de sobrevivência

Ilha nos leva à doce e confusa adolescência

Ao romantismo e sonhos exacerbados

“Quem você levaria para uma ilha deserta”?

E sempre pensávamos naquele nosso amor platônico

Muito longe, tanto ele quanto nós, da Brooke Shields e Christopher Atkins

Da venerada, ilusória e reprisada Lagoa Azul

Mas “Ilha” sempre terá para nós essa visão nostálgica

De náufragos em busca de algo, de alguém, de pureza, de amor

Ainda que seja a busca de nós mesmos

O quanto nos afastamos dos sonhos da Lagoa Azul?

Ainda gostaríamos de ir com alguém para uma Ilha deserta?

Quem levaríamos hoje para a Lagoa Azul?

Não vale levar e deixar lá!

Amadurecer não implica necessariamente em não acreditar em paraísos!

Amadurecer é tornar nossa ilha um paraíso, deserto ou habitado!

Alda M S Santos

Em cada criatura

EM CADA CRIATURA…

Amor não tem cor, não tem raça, não tem sexo

Não tem idade, não tem padrão

Amor não tem classe, filo, gênero ou espécie

Amor está na flor perfumada, nos frutos saborosos

Na copa verde ou nas folhas secas que caem

Nas sementes que se alastram carregadas pelo vento

Sobretudo na raiz que parece em repouso debaixo da terra

Mas trabalha em silêncio todo o tempo,

Irriga, protege, cuida do amor que prevalece

Amor se propaga, está nos olhos de quem vê

Amor está na terra, no ar ou no céu, passe o tempo que passar

Amor verdadeiro fica “dentro” sempre

Amor é sempre amor, qualquer um é capaz de reconhecer

É infinito, está nãos mãos do Criador

Que repassou para cada criatura

Portanto, não há lugar em que ele não tenha sido plantado

Conservar e frutificar depende de cada uma delas…

Alda M S Santos

O que reténs de mim em você

O QUE RETÉNS DE MIM EM VOCÊ

O que reténs de mim em você

Passa por dois filtros, mais ou menos poderosos: meu e seu

O que reténs de mim em você

Depende do que eu deixo transparecer do meu modo de ser

E do que você foi capaz de enxergar com sua alma receptiva ou não

O que reténs de mim em você

Depende do que, de acordo com suas capacidades, necessidades e limitações, deixou passar por seu filtro

O que reténs de mim em você

Depende do muito ou pouco que pude ou fui capaz de te dar

O que reténs de mim em você

Depende do que foi capaz de entender, aceitar e absorver

O que retemos dos outros em nós

Depende muito deles, mas depende mais ainda de nós mesmos…

O que retemos dos outros em nós é um terceiro elemento: o que eles são, misturado ao que nós somos.

Alda M S Santos

Na dolorosa despedida

NA DOLOROSA DESPEDIDA…

Chegou a hora de ir, tinha medo, não se sentia pronta ainda.

-Não posso ficar mais um tempo aqui?

-Você é quem escolhe, mas sabemos que é chegada a hora.

-Tenho medo! E se eu errar, me perder, cair, te decepcionar?

-Poderá sempre recorrer a mim, poderá aprender, mudar!

-Olhando daqui tudo parece fácil, claro, tenho você, mas lá fora é assustador!

-Confie! Você é fruto do amor, aprendeu muito, é perspicaz.

-Será? E se me ferir, machucar os outros, não conseguir consertar as coisas, cair nos mesmos buracos deles?

-Olhe para dentro de si, ore, busque tudo de bom e amoroso que tem aí dentro!

-Mas você não estará lá comigo! E quando me sentir desamparada?

-Você está levando anjos preciosos contigo! Cuide deles! Deixe-se cuidar!

-Mas lá é nebuloso, há outros que nos enganam, que querem nos levar para longe de nós, de ti.

-Eu sempre estarei contigo todo o tempo, dentro de você!

-E se eu não conseguir vê-lo? Como saber?

-Procure-me naqueles que precisarem de você. Se forem do bem, você me verá neles.

-E se forem do mal não devo me demorar neles…

-Sim. Ajude até o ponto em que tenha certeza do que é certo e não corra riscos…

-E se eu quiser voltar? Se me cansar, estiver ferida, quiser colo, sentir saudades?

-Estarei aqui. Conheço sua força e seus limites. Saberei o momento de te trazer de volta!

-E vá logo, minha filha, e lembre-se: EU AMO VOCÊ!

Ela recebeu um abraço demorado, um olhar de puro amor de PAI MISERICORDIOSO, e desceu.

Alda M S Santos

Sorry!

SORRY!

Pelas vezes em que, acreditando ser útil, mais atrapalhei

Pelas vezes em que briguei e me rebelei sem motivos

Sorry!

Pelas vezes em que tentando ser forte e especial, tornei-me frágil

Por achar-me “superior”, capaz de ajudar, quando eu que precisava de ajuda

Sorry!

Pelas vezes que te culpei por não me aceitar, não cuidar de mim

Quando na verdade eu que me descuidava

Sorry!

Pelas vezes em que não reconheci que você me conhece como ninguém

Por não notar que sabe tudo de mim, que lê meus pensamentos

Sorry!

Pelas vezes em que não aceitei suas mãos estendidas

Por ter cobrado mais que de fato merecia

Sorry!

Pelas vezes em que caí e não percebi as oportunidades de crescimento

Pelas estradas escuras do caminho em que me recusei a abrir os olhos

Sorry!

Pelas vezes em que não valorizei ou cuidei tão bem daquilo tão precioso que me confiou

Por não ter percebido que se eu fraquejasse, outros fraquejariam comigo

Sorry!

Pelas vezes em que mais destruí que construí o que mais aprecia

Por não ter visto seu pedido de amor naqueles que de mim careciam

Sorry!

Por ainda, às vezes, acreditar não merecer tanto amor

Por não ter ainda entendido que me amas acima de tudo

Sorry!

Por ainda cair, por julgar seu amor de acordo com meus parâmetros humanos falhos

Por não ter notado em cada gesto, mesmo duro, uma prova de amor incondicional

Sorry!

Pelas vezes em que deixei que fosse embora de mim

Por nem sempre te buscar por estar nua, por medo ou vergonha

Sem perceber que exatamente aí que você age

Sorry!

Por ter deixado que “meu brilho” te ofuscasse para os outros

Sorry!

Obrigada!

Por nunca desistir de mim, meu Deus!

Obrigada! Eu te amo! Eu confio em ti!

Alda M S Santos

Ainda assim, é mágico

AINDA ASSIM, É MÁGICO

É mágico viver

Aspirando o verde brilhante da esperança que sempre brota

Ainda que esteja semeada no solo árido de outros corações

É mágico viver

Invadidos pelo bálsamo do amor que acalma o nosso interior

Ainda que precisemos enfrentar a acidez diária de uma alma ferida

É mágico viver

Mesmo escondidos atrás de barricadas do “tô nem aí”

Protegendo-nos de balas nada doces lançadas contra nós

É mágico viver

Colando cada pedacinho que se quebra, que matam em nós a cada decepção

Mesmo sabendo que colar não nos protegerá de novas trincas e cicatrizes

É mágico viver

Lendo os textos da vida, nossos, dos outros, tentando compreender seus contextos

Ainda que os pretextos ouvidos não se encaixem muito bem

É mágico viver

Fazendo de cada amanhecer um rio de novas oportunidades

Ainda que nosso sol se esqueça de brilhar e as sombras sejam assustadoras

É mágico viver

Buscando pintar no rosto e na alma uma história colorida, bonita e encantadora

Ainda que em nossa paleta falte cores primárias

E precisemos criar e ousar…

É mágico viver

Corajosamente, sabendo que a única certeza que temos é do morrer

E sendo, por isso mesmo, grandes palhaços do viver…

Ainda assim, é mágico viver!

Alda M S Santos

Coração pesado

CORAÇÃO PESADO

Coração é como balão

Foge à lei da física

Se vazio pesa muito

Murcha, cai, se esvai…

Coração é como balão

E segue a lei do amor

Se cheio do que faz bem

Como o ar rico em oxigênio

Ou carinho sem pudor

É leve, voa, flutua

Coração é como balão

Se cheio do elemento errado

Como água para este

Indiferença para aquele

Pesa, cai, estoura…

Ploft!

E era uma vez um balão

Ou um coração!

Alda M S Santos

Não combinam

NÃO COMBINAM

Há pessoas que parecem não combinar com gestos de doçura

Nelas o abraço é contido, lateral, envergonhado

Uma demonstração de afeto, se ocorrer, soa com amargura

Um beijo, mesmo na testa, fraterno, parece sempre algo impróprio

O convívio com pessoas fechadas tende a ser difícil, melindroso

Para aquelas que esbanjam carinho e afeto, sem quaisquer amarras

Mas para elas também deve ser complicado, até tenebroso

Manter sentimentos presos num claustro, atrás de invisíveis barras

Nos lábios delas um “eu te amo”, “senti sua falta”, são coisas raras

Não quer dizer que não sintam afeto, ou que vivam de mau humor

Simplesmente não aprenderam que carinho é bom às claras

E que a vida passa melhor quando podemos sentir e demonstrar o amor…

Alda M S Santos

Carrego em mim

CARREGO EM MIM

Carrego em mim variados fardos

Ora leves e relaxantes como água morna e espuma de sais de banho

Ora pesados e frios como sacos de cimento

Ora suaves e doces como beijos de amor

Ora longos e pesados como medo na noite escura

Cargas minhas, cargas dos outros, cargas de todos

Cargas que escolhi, cargas das quais sou responsável

Cargas das quais os responsáveis nem têm ideia que carrego

Cargas que herdei, me impuseram, não tive qualquer escolha

O caminho longo, às vezes mal escolhido também torna-se um fardo a mais

Os caminhantes despareados também desgovernam o caminhar

O desejo de descansar é grande, parar, respirar fundo

Sentar-me à beira do caminho, reavaliar a bagagem

Descartar o que pesa muito e não faz sentido transportar

Devolver cargas que não são minhas

Deixar de carregar esponjas, que absorvem peso, por “isopor”, mais leves

Dividir a carga com companheiros de viagem

Sabendo que carga dividida sempre irá pesar menos

Carrego em mim desejos de chegar

Mas não chegar a qualquer preço, de qualquer modo

Carrego em mim desejos de chegar inteira ao meu destino

Sem ter deixado pedaços quebrados de ninguém pelo caminho…

Alda M S Santos

Inocência, ingenuidade

INOCÊNCIA, INGENUIDADE

Inocência, ingenuidade

Credulidade, confiança

Quando se perde na vida

Tão bonita cumplicidade?

Inocência, ingenuidade

Pureza, sorriso solto, iluminado

Quando se perde na vida

Tão agradável docilidade?

Inocência, ingenuidade

Transparência, curiosidade

Quando se torna ambiguidade

O olhar que era pura afinidade?

Inocência, ingenuidade

Sinceridade, esperança

Quando se perde na vida

Tão humana liberdade?

Inocência, ingenuidade

Carinho, naturalidade

Quando isso se transforma em

Tão adorável sensualidade?

Inocência, ingenuidade

Paz, gratuita amorosidade

Quando se perde na vida

Tão almejada felicidade?

Certamente, digo,

Quando se perde a simplicidade

Tudo isso fica na saudade…

Alda M S Santos

Somos músicas

SOMOS MÚSICAS

Somos músicas na vida uns dos outros

Músicas de todo tipo, ritmos e duração

Suaves, bem românticas, de dançar agarradinho

Bem quentes, agitadas, de suar e liberar a energia

Umas para cantar e ouvir bem alto, junto dos outros

Outras para curtir sozinhos e silenciosos

Ou aquelas de letra marcante, verdadeira declaração de amor

Vestem como uma luva nosso estado de espírito

Podemos ser daquelas da parada de sucesso

Chegam rápido, fazem o maior auê

E se vão tão velozes quanto chegaram

Ou daquelas que se tornam clássicas pela beleza e poesia

Como canto incessante de pássaros

Nunca se perdem no tempo, relíquias, preciosas, saudosas

Podem ter décadas e décadas, e de “vez em sempre” voltam

Chegam devagarzinho, grudam na nossa mente

E mesmo depois que passam nos pegamos cantarolando

Ainda que apenas em nosso interior…

E há aquela que é nossa verdadeira música, nossa trilha sonora especial

Aquela gravada no vinil da nossa alma

Que toca na nossa vitrola, com agulha personalizada, sensível

Músicas e pessoas são marcantes

São melodia, são poesia na vida da gente.

Alda M S Santos

Sentia frio…

SENTIA FRIO…

Todos os dias levantava cedinho

Sentia frio sempre, muito frio…

O sol chegava tão devagar quanto ele, parecia não aquecer

Buscava um banco na praça onde os raios já iluminavam

Queria se esquentar, se aquecer, fazer correr calor em suas veias

Sentia frio sempre, todo o tempo…

Encolhido em si mesmo, pele enrugada tanto quanto suas emoções

Olhos ao longe observava as crianças barulhentas, agitadas, aquecidas

Será que tinha saudade de sua meninice?

No outro banco um casal de namorados parecia uma só pessoa

Ficou um tempo a observá-los

Havia calor ali…

Mas ele sentia frio, muito frio…

Daquele que atinge os ossos, todo o interior

Aquele frio que nenhum cobertor, chá ou escalda-pés resolvia

Voltou-se para dentro de si buscando calor de outras épocas

Queria se aquecer novamente!

Um calor recheado de afeto e carinho como colo de mãe

Um calor adocicado e suave como sorriso melado de criança

Um calor intenso e molhado como beijo da mulher amada

Queria que o frio fosse embora

Queria aquecer a alma…

Alda M S Santos

Flores no caminho

FLORES NO CAMINHO

São flores, doces, lindas, coloridas

Enfeitam, perfumam, ocupam todos os espaços possíveis

Alegram os caminhos nem sempre fáceis ou justos

São vida!

Pelo olhar adentram a alma, invadem recônditos escuros

Deixam uma suave fragrância de vida onde passam

Abrem um sorriso iluminado onde tocam, em quem presenteiam

Fazem minar nos olhos gotas brilhantes como orvalho

Mas também precisam ser podadas, cortadas

Ou podem sufocar tudo a sua volta, matar por asfixia

A sabedoria consiste em identificar o momento certo da poda

E o quanto é possível cortar sem matar

E seguir o caminho …

Na esperança de novo broto, mais forte e mais bonito

Nos ciclos vitais da natureza que brotam dentro de nós

A primavera vem mais bonita para quem soube apreciar o inverno

Não somente tolerá-lo!

Alda M S Santos

Fez as malas…e foi

FEZ AS MALAS… E FOI

Quando não mais a cabia, sentia-se apertada e desconfortável

Fez as malas e foi…

Quando o que se apresentava não era o bastante, machucava, atemorizava

Fez as malas e foi…

Quando o desejo de ficar e lutar juntos ficou menor que a esperança de melhorar

Fez as malas e foi…

Quando o amor não mais justificava qualquer ato de rebeldia, desconfiança ou covardia

Fez as malas e foi…

Quando o amor produzia mais nuvens escuras e pesadas,

Chovia mais lágrimas que sorrisos

Fez as malas e foi…

Ou quando o amor foi grande o bastante para não fazer o outro sofrer, deixá-lo viver

Ainda que tenha deixado 50% de si para trás

Sequer deu tempo de fazer as malas

Simplesmente, foi…

Tentando não olhar para trás

E levou na bagagem apenas dor e saudades…

Quando o amor apertava tanto o peito, a consciência doía, a saudade feria, a vida se esvaía

Fez as malas, encheu-se de fé e esperança, de Deus

E…voltou…

Ir ou ficar, lutar ou desistir, o que é maior prova de amor?

Alda M S Santos

Verdades e mentiras

VERDADES E MENTIRAS

Uma mentira repetida muitas vezes

Continua sendo uma mentira

Mesmo sendo uma mentira “benéfica”

Uma verdade ignorada muitas vezes

Nunca deixará de ser uma verdade

Ainda que seja uma verdade dolorosa

Porém, a mentira atrai os falsos, os de caráter duvidoso

A verdade é ímã para o que é autêntico e real

Isso nós podemos escolher…

O que ser para nós e para os outros

O que manter ou atrair para perto de nós!

Alda M S Santos

#carinhologos

Amar não é fácil!

AMAR NÃO É FÁCIL!

Amor é apontado como uma das melhores coisas da vida

Talvez a mais importante, fruto de vida e felicidade

Mas também é o causador das maiores tragédias pessoais e coletivas

Ao menos o apontam como motivador de grandes guerras e disputas

Amor possessivo por pessoas, bens materiais, até por Deus…

Amar e aceitar o outro como é, respeitando sua individualidade

Sabendo o momento certo de se calar, de falar, de se doar, de cuidar, de proteger, se recolher

Mesmo quando o outro não parece merecer, principalmente nesses casos,

Em muitos momentos nós também não merecemos

E é quando mais precisamos

Respirar fundo, perdoar, orar pelo outro…

Amar é a melhor coisa do mundo, sim!

Desde que nos torne melhor do que somos

Desde que torne quem amamos melhores do que são

Um amor que faça os envolvidos mais humanos, solidários, compreensivos e felizes…

Amor que constrói , que abre um novo olhar

Pois amor que destrói o que quer que seja não é amor!

E sempre cobra um preço alto.

Alda M S Santos

Na própria pele

NA PRÓPRIA PELE

Não dá para dimensionar o que se passa com o outro

Se sensíveis formos, apenas podemos especular, ter uma ideia

Mas, saber mesmo, só sentindo na própria pele

Só chorando as mesmas lágrimas

Só pisando e se cortando nos mesmos cacos de vidro

Só queimando sob o mesmo sol ou frio

Só desanimando na mesma queda ou escorando nas mesmas porteiras entreabertas da esperança

Só ardendo o peito com as mesmas angústias

Só aguentando as mesmas faltas, lidando com as mesmas falhas

Só sofrendo as mesmas perdas

Só estando sob o jugo das mesmas ameaças

Só tendo suportado o peso doloroso da mesma arma

Só sufocando pelos mesmos medos ou aflições…

Só assim sabemos, só assim não permitimos aos outros o mesmo mal

Só assim protegemos a quem amamos

Só assim nos humanizamos mais e mais…

Alda M S Santos

Sabe aquele olhar?

SABE AQUELE OLHAR?

Sabe aquele olhar juiz, acusador, em que o seu se abaixa, culpado?

Não, não é ele que me instiga a ser melhor!

Sabe aquele olhar carrasco, cortante, que o seu enfrenta temeroso, desafiador?

Não, não é ele que preciso para seguir mais corajosa!

Sabe aquele olhar de desnuda “aprovação” e admiração em que o seu se retrai, encabulado?

Não, não é ele que quero como estímulo primeiro!

Sabe aquele olhar de volúpia e desejo do qual o seu se afasta, invadido, irritado?

Não, não é ele que preciso para me sentir mais eu!

Sabe aquele olhar?

Aquele em que você se vê refletido como é e não se envergonha,

Tampouco se sente acusado, culpado ou pseudo-admirado,

Sente-se apenas como é de verdade, sem máscaras, sem medos, sem subterfúgios

Aquele olhar que você encara de frente, mergulha fundo e sente apenas o amor refletido?

Um olhar que você seria capaz de seguir por toda a eternidade

Independente das pedras perfurantes, mares perigosos, matas fechadas?

Esse é o olhar que imagino que Ele nos ofereceria

Se estivéssemos prontos a enxergá-lo!

Sabe esse olhar? É Ele que quero, busco e preciso!

Alda M S Santos

Minhas (des)humanidades

MINHAS (DES)HUMANIDADES

Já ri até a barriga doer de alegria gratuita, mas já acordei de olhos inchados por dormir chorando de tristeza

Já me escondi da minha mãe para não tomar injeção, e de mim mesma para não passar vergonha

Já doei o que vim a precisar, já comprei o que não me era necessário

Já engoli muitos sapos, engasguei com outros, visando salvaguardar a biodiversidade no pântano

Já tive um amor que dispensei, não tive um que desejei

Conquistei amores que valorizo, que me valorizam, presentes que nem sei se sempre mereço

Já fiquei feliz com infelicidade de quem me magoou, já magoei quem me quis bem

Já acreditei em mentiras absurdas e duvidei de verdades verdadeiras

Já fiz promessas que não cumpri, já realizei além do que sequer prometi

Já tive muito medo de morrer, já quis morrer de tanto medo

Já tive raiva e medo de quem amo mais daqueles que não me dizem nada, já causei medos e raivas idem

Já me senti a verdadeira cereja do bolo por agradar e um grão de areia no deserto por não ser aceita

Já me perdi entre muitas escolhas tanto quanto por falta de opção

Já quis ir para a África salvar o mundo, não pude salvar um mundo ao meu lado

Já pensei que meu mundo precisava ser salvo, já quis salvar quem não precisava de mim

Já sonhei muito com o impossível, tendo dificuldade até com o possível

Já tive a vida ameaçada por arma na cabeça por desconhecido,

Mas tive mais medo quando fui ameaçada por palavras e olhares de quem conheço

Já fiz coisas das quais me arrependo, não fiz muito que gostaria ter feito

Já guardei segredos por décadas, já pedi segredos que foram revelados por outros

Já confiei, desconfiei, mas tem coisas que só eu sei de mim mesma

Já chorei dias e noites por uma amizade perdida, a ponto do meu marido intervir, e não me importei por outras que se foram sem dar notícia

Trago lembranças doídas e felizes em mim, mas também devo ser lembrança doída ou feliz na vida de alguém

Já deixei de dizer “te amo” por medo ou vergonha

Mas nunca disse amar sem ter verdadeiramente amado

Assim, entre tantas contradições, vou vivendo e aprendendo,

Levada por minhas (des)humanidades…

Alda M S Santos

Da minha janela

DA MINHA JANELA

Da minha janela para fora vejo um quadro bonito

Harmonia das cores, dos tons, dos sons

Verdes e marrons, amarelos e vermelhos, azuis e roxos que se completam

Tudo se mistura, tudo tem seu lugar

Sem perder a beleza da unidade ou o encanto do todo

Latidos, piados, cantos, balidos

Sem disputas, há espaço para todos, sintonia total

Da minha janela para dentro vejo um ateliê confuso

Cores misturadas, pincéis jogados, tons e sons dissonantes, viola desafinada

Alegrias e tristezas, dúvidas e certezas se debatem

Vermelhos e azuis, brancos e pretos, rosas e alaranjados disputando espaço

Sorrisos, lágrimas, diálogos e silêncios “interagindo”

Ora o branco pacífico, ora o vermelho flamejante

Reflexões e decepções, alegrias e amores tomam o espaço: o meu espaço interior

Tentando encaixar o que recebo de fora, as “contribuições” externas

Mesmo que pareçam peças avulsas, cores difíceis, desarmônicas

Ali realizo a minha obra diária

Na tela branca de minha alma pinto meu quadro multicor

A arte linda, difícil e nem sempre compreendida

A arte da existência …

Alda M S Santos

Bem me quer, mal me quer…

BEM ME QUER, MAL ME QUER…

Se sou sorriso, alegria, disposição, energia

Bem me quer…

Se sou tristeza, nostalgia, lágrimas, desânimo

Mal me quer…

Se sou comunicativa, inteligente e prestativa

Solidária, ponderada, sensual e bela

Bem me quer…

Se estou introspectiva, limitada, preguiçosa ou afoita

Carente, medrosa, descrente e mal-humorada

Mal me quer…

Bem me quer, mal me quer…

Mal me quer, bem me quer…

Nesse vai e vem de quereres

Quem de nós irá sobreviver?

Bem me quer, mal me quer…

O que vale a pena para todos nós

É saber que entre todos os bens ou mal quereres

É que o “bem me quero” é que precisa prevalecer

Para saber dar valor a quem, independente de onde e como estejamos

Conhecendo nossos direitos e avessos

Sempre irá nos bem querer…

Alda M S Santos

Paixão não se discute

PAIXÃO NÃO SE DISCUTE

Diz a sabedoria popular que três coisas não se discute:

Futebol, política e religião

E é muito fácil descobrir o porquê

A preferência por determinado time de futebol, política ou religião

Foge a qualquer razão, envolve mais alma, coração

Quem se mete a discutir quer explicar o inexplicável

Percebe logo que o outro, tão diferente ou até parecido conosco, pode não ter a mesma paixão

Não faz diferença o gênero, classe social, se é mais culto, inteligente, simples, vivido ou não

Para defendê-la, quase todos se perdem nas trilhas confusas e irritadiças da emoção

Não dá para mensurar aquilo que envolve coração

Não dá para discutir racionalmente o que não se baseia na razão

O melhor jeito de bem conviver é dar ao outro o que reivindicamos para nós

Respeito por nossas escolhas, nossos gostos, nossas paixões

Que ofereçamos a eles o mesmo direito ao silêncio, ao grito, à voz

O mesmo direito de manter-se firme, ou não, em suas paixões

Com o que trazem de único a cada um de nós: satisfações ou desilusões…

A paixão pode e até deve ser diferente, mas o respeito precisa ser equânime…

Alda M S Santos

Descartável

DESCARTÁVEL

Usou, sujou, não serve mais

Descarte!

Enguiçou, travou, deu defeito

Descarte!

Enferrujou, quebrou, queimou

Descarte!

Perdeu a utilidade, ficou velho, não agradou

Descarte!

Vai dar trabalho, “perder” tempo, cansar

Descarte! Compre um novo! Substitua!

“Coisa velha ou estragada não compensa arrumar”

É o raciocínio reinante na era descartável

Não importa se são coisas, objetos ou seres inanimados

Pessoas, sentimentos ou relações

Nada se conserta, tudo se descarta, substitui-se

E com tanto descarte por aí

Não há espaço nem para o “velho” e nem para o “novo”

Tudo é jogado fora!

Só que na perspectiva da vida, da alma, não há fora

Tudo está dentro de nós!

As peças estão todas lá: fusíveis, porcas ou arruelas

E todas as ferramentas necessárias para construção do “novo”

A partir do conserto do “defeituoso”:

Chaves de fenda, martelos e alicates

Amor, disposição, fé e coragem …

Não adianta usarmos nada novo, objetos ou pessoas

Iremos danificá-los e torná-los inúteis logo, logo

Se nós mesmos não nos consertarmos, continuarmos velhos e defeituosos…

Alda M S Santos

Má índole, oportunismo?

MÁ ÍNDOLE, OPORTUNISMO?

Chupim, Engana-tico-tico, Negrinho, os nomes são vários

A má índole é a mesma, se é que podemos atribuir essa “falha” a seres irracionais

O Chupim na época da reprodução, não constrói seu ninho

Aguarda o tico-tico fazer o seu com todo cuidado

E num momento em que ele se ausenta do ninho

Vai lá e bota seu ovo entre os ovos do tico-tico que estão sendo chocados

Tico-tico volta, não nota a diferença, alimenta e cria o Negrinho que nasce primeiro

Em detrimento de seus próprios filhotes que morrem de inanição

Pude ver isso no sítio! Até entre plantas e animais podemos encontrar aproveitadores e parasitas

A má índole e oportunismo, a falha de caráter atribuída aos humanos encontrada nos irracionais

Como muitos humanos, racionais, agem apenas querendo usufruir de um “ninho” pronto

Sem querer se dar ao trabalho de construir ou conquistar suas próprias coisas

Vivem de subtrair dos outros o que quer que seja

E quantos tico-ticos enganados por aí…

Qual deles tem menos “consciência” do que faz: humano ou pássaro?

Alda M S Santos

Colecionadores

COLECIONADORES

Somos grandes colecionadores nessa empreitada chamada vida

E de tudo pode-se colecionar…

Há os colecionadores já conhecidos de selos, moedas, figurinhas, sapinhos e elefantes…

Outros colecionam orquídeas, livros, poemas, músicas, álbuns diversos

Carros, jogos, dinheiro, imóveis…

Cada coleção diz muito do colecionador

Há quem colecione sorrisos, alegrias, amizades, quem as cultive

Há colecionadores de namoros, casamentos, relacionamentos de “amor”

Há quem colecione sonhos, conquistas, verdades, falácias, mágoas, perdas, decepções, sofridas e causadas

Há os que colecionam inimigos ou admiradores, bombas de egos murchos ou lustradores de inflados

Há quem colecione “sins” e há quem colecione “nãos”

Há quem colecione o simples, o fácil, o prazeroso, o disponível e encantável

Há quem colecione a eterna busca pelo proibido e inalcançável, doa a quem doer

Há quem colecione vitórias, derrotas, lágrimas, erros, aprendizados, arrependimentos

Há quem se perca em meio a tantas coleções vazias, ocas e infrutíferas

Buscar no silêncio das intenções os motivos de cada “coleção”

Investigar no fundo desse “baú” quais carências tais coleções visam suprir

Pode ser um modo sábio de melhorar, valorizar e diversificar nossas “coleções”

Gerando autoconhecimento, minimizando as falhas que todos temos, enriquecendo nossas vidas e dos que nos cercam…

Que temos colecionado? O que de importante e valioso temos de verdadeiramente nosso?

Alda M S Santos

Delicadezas

DELICADEZAS

Há coisas tão delicadas que fazem sorrir, que fazem chorar

Um pezinho tão fofo, tão pequenino, cheio de caminhos por vir, nos faz sorrir…

Um rosto idoso, vincado pelas rugas, mãos manchadas, cheias de vida, caminhos trilhados, nos faz chorar…

Um botão de rosa, molhado de orvalho, lado a lado com uma rosa aberta, outra seca, nos faz sorrir…

O sol que desce na serra lentamente, entardecendo, “morrendo” aos poucos, até nova aurora, nos faz chorar…

As estrelas que salpicam num manto negro de pura beleza, tão inacessíveis, tão mágicas, tão eternas, nos fazem sorrir…

Um sorriso que brilha nos olhos bondosos, maliciosos, que perfuma e ilumina tudo em volta, traz vida, produz saudade

Sei lá, faz sorrir, faz chorar…

Delicadezas fazem a vida valer não só a pena, mas o tinteiro todo…

Alda M S Santos

Não sabemos amar!

NÃO SABEMOS AMAR!

Evoluímos tanto em milênios de existência, alcançamos o espaço sideral

Criamos e desvelamos recursos tecnológicos que podem muito nossas vidas facilitar

Viajamos pelo corpo humano, descobrindo cura para quase todo tipo de mal

Mas na arte de amar ainda estamos a engatinhar

O que ainda não desvendamos, não compreendemos, que ainda nos mata e poderia nos salvar

É saber e aceitar que amar não é sofrer, medrar, julgar, vigiar, desconfiar, cobrar, apossar

O que nos falta é não “evoluir”, não crescer, não desaprender a sabedoria inata e infantil de amar

Aquela que vimos em Jesus, que toda criança sabe: amar é respeitar, perdoar, se doar, confiar, se entregar…

Não sabemos amar!

Nós, adultos, precisamos ser crianças, na alma e no coração

Se quisermos viver o amor em sua plenitude, sem tanta razão…

Alda M S Santos

Fragilidades

FRAGILIDADES

Ser frágil é a coisa mais fácil do mundo, mais humana, mais dolorosa

Mostrar-se frágil, aparentar fraqueza, por sua vez, a mais difícil

Transparecer fragilidade, impotência, pedir ajuda

Estender a mão, gritar por socorro, chorar, necessitar

Demonstram um fracasso que não ousamos admitir

Mostrar-se necessitado exige uma força sobre-humana, uma certa humildade, pureza de coração

Que poucos possuímos, e quase nunca conseguimos obter, alcançar

Não combinam com o orgulho e vaidade que gostamos de ostentar

Pouquíssimos conseguem acessar esses nossos recônditos frágeis

Quem consegue, não é por ser forte, mas por também ser frágil e se reconhecer no outro.

Assim, fechados em nós mesmos, sepultando fraquezas e lágrimas

Aumentamos dia a dia nossas fragilidades, nossos medos

Muitas vezes, a força estando a um abraço de distância…

Alda M S Santos

Autoridade feminina

AUTORIDADE FEMININA

Toda mulher possui autoridade, chorando ou sorrindo tem postura de deusa, de rainha

Autoridade conferida pelo afeto, capaz de comandar um batalhão

Sem parecer que moveu sequer uma palha, cheia de doçura, fada madrinha

Olhar que diz mais que uma ladainha inteira, que gera por respeito a desejada ação

Toda mulher possui autoridade conferida pelo amor

Amor que gera vida dentro de si, amor que cria, que dá colo, que protege

Amor que se passa por frágil, que amansa leões com sorriso, que cura com beijinho uma dor

Amor que desperta vontades, satisfaz desejos, que revoluciona o ser, que a todos rege

Toda mulher possui autoridade conferida pela Criação

Daquele que a fez capaz de retirar forças tanto das lágrimas dolorosas quanto de um sorriso singelo, brava lutadora por aconchego, por união

Daquele que a desenhou com traços finos, alma delicada, rica, amorosa, agregadora, hábil em sentir e despertar compaixão

Alimentada e abastecida por qualquer atitude que demonstre amor, carinho e proteção…

Somos assim, mulheres…por Ele sonhadas

Evas, Madalenas, Anas, Esters, Marias, Rutes, Saras da Criação…

De ontem, de hoje, do amanhã, de sempre

Alda M S Santos

Simplesmente nua

SIMPLESMENTE NUA

Quero ter a coragem de me apresentar nua,

Completamente nua, sem disfarces ou maquiagens

Alma rasgada, sem vergonhas, pudores ou medos

Nasci nua, nua retornarei

Querendo ou não…

De nada valerá tudo que aqui acumulei

Exceto o que tiver guardado na sacola leve da minha alma

Ou nos espaços especiais, cedidos ou por empréstimo,

Que tiver ocupado positivamente na alma de alguém

Bens materiais, diplomas, cultura, contas bancárias…

Tudo são “vestimentas”, acessórios!

Currículo só valerá o emocional

Tudo o mais ficará para trás…

O que interessa é se isso tudo

Permitiu que eu me tornasse uma pessoa melhor,

Mais tolerante, amiga, amável, solidária, correta

Para mim mesma, para aqueles que me cercam…

Nudez da alma é a verdadeiramente cativante

E é só por ela que Ele se interessa!

Simplesmente nua, assim quero me apresentar…

Alda M S Santos

Condicionamento

CONDICIONAMENTO

Nossa vida é feita de muitos condicionamentos

Somos “treinados” todo o tempo: corpo e mente

Disciplina, rotina, ordem, para tornar a vida mais “fácil”, mais segura

Temos horário para tudo: dormir, acordar, alimentar, trabalhar…

O corpo fica condicionado e “pede” sono, alimento, descanso, atividade, repouso

Nossa mente é um pouco mais complicada para treinar

Pudéssemos manter apenas bons pensamentos ou lembranças

Barrar entrada de pessimismo, tristeza e medos

Conservar bons sentimentos, apagar os ruins, afastar o que machuca…

Nossa mata interna fica, por vezes, escura, fria, sem vida

Abrir frestas para entrada do sol é importante, criar trilhas de fuga

A mente mantém ativo aquilo que não está resolvido

Enquanto não for trabalhado e solucionado

Inútil tentar condicionar!

Alda M S Santos

Deus em nós

DEUS EM NÓS

Como Deus se apresenta em nós?

Onde Ele está?

Certo é que somos templos do Divino, onde quer que estejamos: no deserto ou no oásis

Como deixamos que Ele se manifeste em nós?

Deus está na beleza física, na música, na arte, nas nossas condições financeiras?

Na solidariedade, na bondade, no trabalho, nos relacionamentos, no amor?

Deus tudo criou!

Ele está em todo tipo de beleza, nas artes, nas lágrimas e no dinheiro,

Tanto quanto pode estar no amor, na solidariedade ou na bondade.

Nada é bom ou mau por si só.

A diferença entre um e outro estará no uso que deles fizermos.

A beleza, a arte, o dinheiro podem ser utilizados para o bem, para tocar alguém, salvar alguém

Assim como em nome do “amor”, com um sorriso, muito de negativo pode ser feito também

Pessoas, famílias, vidas serem prejudicadas ou destruídas,

Inclusive a de nós mesmos…

Como temos deixado Deus agir em nós?

Alda M S Santos

Escritora?

ESCRITORA?

“Nossa, você é escritora! É a primeira que conheço!”

Ouvi certa vez, sem perceber ao certo, se era crítica ou apreço

Já fui acusada de excessivamente romântica

Até mesmo piegas, pura semântica

Apontada por outros como extremamente sensível, poética e habilidosa

Pois “não é pra qualquer um escrever poema ou prosa”

Questionada de vários modos de onde vem tanta inspiração

Digo apenas que tudo é despertado, fruto da emoção, da imaginação

Com o veredicto de maluca, pois ninguém gosta de fazer redação se não for obrigação

Aceito qualquer penalidade, desde que o hospício permita caneta e papel à mão

Trocadilhos, brincadeiras, versos e rimas à parte

Quem escreve sabe bem, escrever é nossa mata, nosso oxigênio, sabe-se dependente, não consegue viver sem a catarse dessa arte

Escrever é apenas mais um modo de respirar, de amar, de viver, de se comunicar

Nem melhor, nem pior, correndo ainda o risco de se decepcionar

Tudo que é dito através das palavras cantadas pela alma, nada mais suplanta

O que a alma diz, a razão pode até interpretar, mas é o coração que compreende,

É outra alma afim que se encanta…

Alda M S Santos

Mais amor, por favor!

MAIS AMOR, POR FAVOR!

Entre tantas as falhas humanas

Entremeados das contradições a que nos submetemos todos

A pior de todas elas seria julgar o comportamento, o “erro”alheio,

Sentados no trono dos santos, encastelados na torre dos puros a julgar os mortais pecadores.

Enquanto isso, sabemos bem citar as escrituras quando nos convém:

“Aquele que for livre de pecados que atire a primeira pedra”.

Justificamos, assim, nossa companhia no erro, no pecado!

Porém, muitas vezes nos esquecemos do complemento

“Ninguém te condenou? Vá e não peques mais”.

Somos humanos, por essência falhos, contraditórios,

Mas também, por essência, dotados de inteligência para não repetir um erro.

Julgar o outro, carregar pedras nas mãos, não nos faz menos pecadores,

Apenas um pecador ocupado com a vida alheia!

O que nos faz menos pecadores é ser mais humanos e menos “deuses”!

Mais amor, por favor!

E pra quem gosta das escrituras

Eu prefiro essa: “Ame a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo”!

Alda M S Santos

No pódio, o amor

NO PÓDIO, O AMOR

E esse ano o prêmio máximo novamente é dele

O amor expresso em palavras e ações

Ou até mesmo aquele existente no silêncio

O amor que se permitiu viver, partilhar

Ou até mesmo aquele que se acovardou

O amor solidário, que se multiplicou, que estendeu a mão

Ou até mesmo aquele que ficou na vontade

O amor que foi correspondido, dividido,

Ou até mesmo aquele que sobreviveu sozinho

O amor que produziu sorrisos, frutos, que se doou

Ou até mesmo o que deixou lágrimas e saudades

O amor que abdicou de si mesmo para proteger o outro

Ou até mesmo aquele que não soube se cuidar

O amor que lutou, que soube esperar e até se afastar

O amor que foi filho, pai, o amor que foi amigo,

Ou até mesmo aquele que nada pareceu ser além de dor…

No pódio: o amor

Porque amor é soberano, simplesmente por ser amor

O menor dos amores, ainda semente, engatinhando, é maior

Que qualquer outro sentimento árvore frondosa

Pois, se cuidado, enraíza-se e atinge alturas inimagináveis…

No pódio: o amor!

Alda M S Santos

Belo Horizonte

BELO HORIZONTE

Belo Horizonte, 120 anos

Nossa centenária e querida cidade

Tão lembrada por alguns, esquecida por outros

BH da Igrejinha e Lagoa da Pampulha, dos bares da Savassi, das Casas de Baile

BH das Feiras Populares, dos vendedores ambulantes, dos artesãos

BH das iguarias do Mercado Central, da natureza do Parque Municipal

BH da periferia, do povo trabalhador, do alto dos morros

BH da Serra do Curral e Parque das Mangabeiras

BH das avenidas sofridas, dos alagamentos, da miséria que se esconde aos olhos de muitos

BH do Mineirão, do Mineirinho, de pão-de-queijo quentinho

Belo Horizonte de muitas praças, parques e jardins

BH de Centros Culturais e Museus

Belo Horizonte de lindos e amados horizontes

De clima ameno, de coração empático, onde sempre cabe mais um

Que seja cada dia mais receptiva e acolhedora

E mais democrática e acessível a todo seu povo

Que a tem como cidade do coração!

Que venham muitos centenários

E que sempre honre e seja digna desse lindo é convidativo nome:

BELO HORIZONTE

Alda M S Santos

A dor

A DOR

A dor é o óleo que deixa

As engrenagens do coração lubrificadas

E o tornam sensível e propício para viver

As posteriores alegrias intensamente,

Sem trepidações ou danos à sua mecânica.

Cuidado com a falta ou o excesso do óleo!

Alda M S Santos

Nas voltas que o mundo dá

NAS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

Dizem que quando começamos a reviver certas coisas

A reencontrar pessoas que ficaram para trás

A relembrar tanta coisa do passado

A resgatar sentimentos e emoções

A ser menos cerimonioso, mais piedoso, menos juízes,

Nossas vidas já deram uma volta completa

E estamos recomeçando, dando a segunda volta, obtendo uma revanche.

Bom seria se pudéssemos ir passando a limpo

Um novo caderno, reescrevendo, desenhando,

Melhorando o que não ficou bonito, borrado pelas lágrimas ou erros,

Dando cor ao que foi maravilhoso, desbotando o que fez mal,

Resgatando o que se perdeu e fez tanta falta!

Nas voltas da vida eu teria muito a resgatar,

A querer reviver, colorir,

Quase nada a apagar…

Bom sinal?

Alda M S Santos

Leitura: Braille

LEITURA: BRAILLE

Há uma leitura que exige decodificação especial

Que não basta decodificar o alfabeto

Ler frases e compreender textos e contextos

É uma leitura que exige ler com o toque, como o Braille

É uma leitura que exige a percepção do brilho ou sombra do olhar

É uma leitura que exige ler sentimentos

É uma leitura que se faz no silêncio

É uma leitura que conecta dois olhares,

É uma leitura de almas!

Alguns são tão mestrados nessa área

Que leem de longe ou de perto

Não se enganam, não interpretam mal

Sentem!

Alda M S Santos

Preciso cuidar mais de mim

PRECISO CUIDAR MAIS DE MIM

Precisando cuidar mais de mim

Coração muitas vezes apertado, dolorido, choroso

Cuidando de tantas dores e sofrimentos alheios

Que nem sempre entendem, aceitam

Ou estão preparados para receber ajuda

Precisando fortalecer meu coração…

Pois ele é meio paradoxal!

O que fazer se só me sinto cuidando de mim

Quando estou cuidando do outro?

Alda M S Santos

O coração selecionou

O CORAÇÃO SELECIONOU

“Amigos em apuros eu já chego dando voadora,

Depois o amigo explica o que houve, se quiser explicar”.

Uma das mais lindas defesas de amizade que já ouvi.

Se é amigo,o coração já selecionou, já ama.

Sabe que é humano, que é passível de erros e acertos,

Que possui fraquezas, forças, belezas e feiúras,

Que ri, que chora, que precisa de colo,

E de um amigo bom de palavras e de atitudes.

Não importa se o amigo acertou ou errou

É amigo! Merece defesa!

Ser amigo de gente bonitinha e perfeitinha é fácil,

Ser amigo para todas as horas poucos conseguem!

Alda M S Santos

Preciso esquecer

PRECISO ESQUECER

Preciso esquecer as dores e me concentrar nos amores

Preciso esquecer o que me falta e atentar ao que me preenche

Preciso esquecer as angústias e valorizar as bênçãos

Preciso esquecer tudo e todos que de mim não se ocupam

Preciso esquecer tudo e todos que de mim se esqueceram,

Montar e seguir caminho…

Preciso lembrar de esquecer!

Alda M S Santos

Quando os versos não saem

QUANDO OS VERSOS NÃO SAEM

Vontade danada de escrever, de organizar esse caos

Colocar pra fora o que se espreme aqui dentro.

Mas é tanta coisa misturada, tanta pressão!

Não há uma válvula de escape,

Não há saída de emergência,

E todos os sentimentos, toda essa poesia em mim

Que poderiam vir a ser um poema,

Ficam travados em frases sem nexo,

Se confundem num texto complexo,

E os versos não se materializam,

Se apertam na saída, barram a passagem

A magia e encanto se perdem.

E nada sai…

Quando os versos não saem,

Morre um pouco a poesia,

Morre um pouco de mim…

Alda M S Santos

Dias difíceis

DIAS DIFÍCEIS

Para dias difíceis, pessoas fáceis.

Na falta, fique consigo mesmo!

Ainda que você não seja muito fácil,

É alguém que conhece há mais tempo que se pode lembrar,

Que aturou cada sorriso, cada lágrima, cada dor ou prazer,

Mesmo que não esteja uma boa companhia,

Sempre será alguém com que se pode contar!

Não se abandone!

Alda M S Santos

Abandono

ABANDONO

Qualquer abandono é compreensível

Até mesmo aceitável com o tempo,

Pais, filhos, amigos, familiares,

Aqueles nos quais mais confiou na vida.

Apenas um abandono não é aceitável nunca,

Sob pena de morte em vida:

O abandono de si mesmo!

Alda M S Santos

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