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Quando se ama…

QUANDO SE AMA…

Quando se ama, o sorriso do outro aciona o interruptor do nosso mundo interior, para acender ou apagar.

Quando se ama, o olhar do outro tem mais brilho, mais calor, aquece nosso coração.

Quando se ama, nosso corpo nos abraços do outro se aconchegam, pois eles são capazes de afastar qualquer mal que nos acometa,

Quando se ama, os beijos tocam muito além dos lábios, atingem fundo o corpo, a alma, 

Quando se ama, a presença ou ausência do outro determinam nosso estado de espírito,

Quando se ama, as atitudes do outro, boas ou más, têm peso gigante,

Quando se ama toda realidade compartilhada é um sonho, todo sonho é real.

Quando se ama, as palavras do outro, como tudo que se faz, podem restaurar ou destruir nosso mundo…

Quando se ama, fica-se, de certa forma, à mercê do outro, 

Quando se ama, apenas quer também ser amado. 

Amar exige entrega, exige coragem,

Amar não é para qualquer um. 

Alda M S Santos

Amar é…

AMAR É…

Amar é sentir-se junto, mesmo distante,

A um cômodo de distância ou a um oceano.

É ocupar espaços ociosos, é estar dentro.

Dentro dos pensamentos, da imaginação, da emoção,

Sem, contudo, ser invasão, apenas ser bem-vindo.

É ter necessidade, é tornar-se necessário, imprescindível.

Amar é compartilhar, partilhar, ser parceiro.

De momentos sérios ou bobos, de qualquer coisa.

É Matemática emocional: dividir o tudo ou o nada.

Amar é não sufocar o outro, não se sentir sufocado, tampouco limitar.

Amar é estar disponível, é encontrar disponibilidade no outro,

Por prazer, com prazer, para um sorvete, um filme,

Para fazer amor ou para mudar o mundo.

Amar é aquecer o outro, é aquecerem-se juntos,

As mãos, o abraço, o corpo todo…

Mas, principalmente, aquecer a alma.

Amar é ser indivíduo, é sentir-se ímpar,

Mas saber que nosso melhor se encontra quando somos pares.

Alda M S Santos

 

 

 

Prova de amor

PROVA DE AMOR

Prova de amor não se pede

Mas o verdadeiro amor se prova a todo momento

Algumas vezes com palavras

Mas a maioria delas nas pequenas atitudes:

De carinho, de cuidado, de desejo de estar junto.

O amor verdadeiro e recíproco

Nota-se e se faz notar,

Não se questiona,

Apenas se ama e se faz amar.

Com e por prazer. 

Infinitamente…

Alda M S Santos

Parcerias

PARCERIAS
Parcerias…
No jogo, no amor, na vida…
São elas que determinam nossas conquistas.
E nosso parceiro primeiro somos nós mesmos
Não podemos desistir de nós
De nossos gostos e vontades.
Esses que fazem com que estejamos inteiros para os outros
Para que possamos ser parceiros do outro.
Alda M S Santos

Coração na mão

CORAÇÃO NA MÃO

Onde bate seu coração?

No próprio peito, tranquilo e em paz?

Na mão, temeroso e ansioso? 

Em trânsito, corajoso e perdido, em busca de abrigo?

Noutro peito, como inquilino provisório, sempre em dívida?

Dividindo morada, batendo aqui e lá, ao mesmo tempo, em sintonia, em uníssono?

Coração é forte, mas quando bate junto é insuperável! 

Escolha onde quer deixar que o seu bata! 

Alda M S Santos

Lente de aumento

LENTE DE AUMENTO

Amor é aquela lente de aumento 

Que nos identifica e diferencia numa multidão de iguais,

Nos destaca, nos separa e nos faz sentir especiais, melhor do que somos.

Ainda que estejamos tortos ou faltando pedaço,

Ele nos enxerga, mas não se importa! 

Endireita-nos, nos complementa, nos restaura! 

Nos abriga, nos coloca em lugar de destaque,

Não num trono de reis ou rainhas, separados,

Mas ao lado de si, caminhando juntos, de mãos dadas.

Alda M S Santos

Analfabetos emocionais

ANALFABETOS EMOCIONAIS
“Entre sem bater”
“Mantenha organizado”
“Ao sair, NÃO apague a luz”
Porém, batem, bagunçam, machucam, apagam a luz
E ainda levam partes que não lhes pertence.
E reclamam ao encontrar nova placa:
“Fechado para balanço”
Ou depois de um tempo
“Sob nova direção”.
Analfabetos emocionais=espaços desabitados.
Alda M S Santos

Ser amor

SER AMOR
Ser amor é ser sorriso
Sem desvalorizar as lágrimas
É ser abraço, beijo,
Quando tudo parecer ruir.
É ser estímulo, sem negar o colo.
É ser companhia, participação, interatividade,
Sem negar-se a si mesmo e às suas vontades.
É ser admiração, respeito, confiança, intimidade,
Sem fechar os olhos para os defeitos,
Mas mantê-los bem abertos para o essencial
Que encanta, aquece e amortece qualquer mal
Simplesmente por existir e estar ali.
Alda M S Santos

Amar é…

Amar é…
Desafiar a lei da gravidade
É viver em constante suspensão
É tornar o sonho, realidade
Ignorando a força que vem do chão.
Alda M S Santos

Eternidades

ETERNIDADES
“Até que a morte nos separe”, “Love you forever”,
“Você vai estar para sempre dentro do meu coração”,
“E cada verso meu será, pra te dizer que eu sempre vou te amar, por toda a minha vida.”
“Te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar”…
São tantas as promessas de eternidade! Tantas!
Basta ligar o rádio e ouvir algumas canções.
Ou ouvir algumas histórias por aí…
Mas elas se esvaem na fumaça do fogo, ou do gelo, que as consome.
Mudemos a sintonia do rádio para um canal de notícias,
E perceberemos como terminam muitos amores eternos.
Ou nas próprias canções:
“Você jogou fora o amor que eu te dei, os sonhos que sonhei,”
“Saiu sem dar razão, ficou na solidão, alguém que só te deu valor,”
“Não aprendi dizer adeus, mas tenho que aceitar que amores vêm e vão”…
Valem para qualquer tipo de amor ou amizade.
Amizades e amores verdadeiros não precisam de juras, promessas,
Palavras são lindas, mas são apenas palavras!
Atitudes é que são eternas e conquistam o amor dia-a-dia.
Alda M S Santos

Ciúme é amor?

CIÚME É AMOR?
Se pudéssemos escalonar, organizar os sentimentos
Em ordem de relevância, aceitabilidade e produtividade
O ciúme estaria nos últimos lugares.
Até depois do ódio.
Porém, apresentaria uma diferença crucial:
O ódio é reconhecido como 100% negativo, unanimidade.
Já o ciúme ainda é tido como prova de amor.
Definitivamente, não é!
A reação de cuidado com o outro, de proteção, de medo de perder,
Isso não pode ser chamado de ciúme. É até saudável.
O ciúme é maléfico, danoso, desconfiado,
Coisa de uma mente doente, possessiva e insegura.
E, quase sempre, evolui para o ódio.
Contudo, em diferentes graus, quase ninguém está a salvo;
De ser o ativo ou o passivo dos ciúmes.
E nenhuma das duas alternativas é agradável.
O ciumento sofre e faz sofrer, pois usa vendas
E só enxerga o que sua mente doente quer ver.
Desconfia, acusa, maltrata, fiscaliza, prende.
E nunca, nunca mesmo pode ser benéfico, visto que é irracional.
Ciúme é fogo que consome aos poucos o que há de bom no amor.
Se o intuito for prender, segurar o outro,
Quase sempre fracassa e o tiro sai pela culatra
Acaba por afastar seu “objeto” de adoração.
Quem sofre com os ciúmes, ativo ou passivo,
O ideal é que se faça um tratamento ou fuja dessa relação.
Alda M S Santos

Amor/amigo

AMOR/AMIGO

O que se espera de um amigo/a?

Mais ainda do que se espera de um amor.

Pois a amizade é um amor especial, diferente, mais leve,

Sem tantas cobranças, ciúmes ou desatinos.

Amizade tem confiança, confidências, lamentos, congratulações.

Não há necessidade de impressionar, há naturalidade, transparência.

Há ouvidos atentos, braços abertos, ombros largos, expressão calorosa.

A alegria na companhia do outro salta aos olhos de qualquer um, por mais diferentes que sejam entre si.

Onde há ao menos dois amigos/as juntos há risadas, gargalhadas, zombarias. 

Também há papos sérios, conselhos, 

puxões de orelhas, lágrimas, logo enxugadas pelo outro. 

Há carinhos, abraços, toques, sorrisos…

Acima de tudo, os amigos acreditam uns nos outros.

Defendem-se perante tudo e contra todos. 

Conhecem todos os seus defeitos e qualidades.

E tudo faz parte do mesmo pacote de amor. 

Qualquer coisa boa ou ruim que lhes aconteça pensam logo nos amigos/as. Sabem que nunca os decepcionarão. 

Torcem pelo sucesso um do outro e as competições, se houver, são saudáveis! 

Um amor para ser completo precisa ser um amor/amigo.

Já a amizade basta por si só, pois o amor incondicional é sua essência.

Amizade verdadeira assim é coisa de alma!

Muito raro de encontrar!

Alda M S Santos

Limões e Laranjas

LIMÕES E LARANJAS
Certa vez um limão, cansado de ser preterido, resolveu mudar. Procurou a amiga laranja e disse:
“Estou cansado de ser como sou. Ouço que sou muito pequeno, verde em excesso, ácido demais. Tenho dificuldades em encontrar a minha metade. Estou só. Quero ser como você, grande, doce, laranja, a preferida por todos!”
A laranja, que sempre admirou o limão, estranhou e disse que gostava dele daquele jeito. Que era perfeito como limão.
Mas o limão insistiu tanto que ela o ensinou como era ser laranja.
Ele fez de tudo, lágrimas ácidas escorriam em sua casca verde, tentou crescer, mudar a cor, ser mais doce. Achou que tinha melhorado um pouco. Todos olhavam para ele.
Um belo dia, na banca de uma feira, um garotinho que sempre adorou limões, quando questionado pela mãe o motivo de não querer levá-lo, ele disse:
“Ah, mamãe, nem tá parecendo muito com limão! Não é nem limão, nem laranja. Gosto de limão de verdade. Vou preferir laranjas hoje”.
O limão ficou arrasado! Tanto esforço para parecer uma caricatura de si mesmo! Nem ele mesmo se gostava mais. Tantos o olhavam por causa do ridículo da situação: um limoranja! Nem sua metade havia encontrado! Limoranjas não existem!
Enxugou suas lágrimas ácidas, retirou aquela maquiagem de laranja, desinchou, lustrou sua casca grossa e muito verde e decidiu ser o que era: um limão!
Logo seus apreciadores voltaram. Até uns fãs da laranja notavam seu valor.
Percebeu que podia ser, como limão, o que quisesse.
Quando queria ser diferente, menos ácido, virava uma limonada.
Se queria ser mais doce, virava uma mousse, um bolo, picolé ou sorvete.
Quando queria ser mais quente, virava uma caipirinha.
E muitos elogiavam seu poder refrescante, capacidade de adaptação a vários itens culinários e vitamina C.
Podia ser o que quisessem dele, mas sem deixar de ser limão.
Mousse, bolo, sorvete, picolé ou caipirinha, a essência do limão era preservada.
Descobriu-se inteiro, amado por muitos, principalmente por si mesmo.
Não demorou, percebeu uma linda “limãozinha” de olho nele! E como era linda, pequena, bochechas verdes! Quando sorria, sumo ácido delicioso saía de si.
Um dia, tomou coragem e se aproximou dela: “tá quente aqui, vamos fazer uma limonada?”
Um tempo depois, uma laranja se aproximou dele e disse: “queria tanto ser como você! Não acho minha metade”!
Ao que o limão respondeu: ” senta aqui, vou te contar uma história”.
Era uma vez um limão que, insatisfeito consigo mesmo, queria ser uma laranja…
Alda M S Santos

O que mata o amor?

O QUE MATA O AMOR?

O que mata o amor? Quem disse que amor não morre?

Morre sim, definha, sofre de inanição, desidratação.

Amor é algo vivo, e tudo que é vivo pode um dia morrer.

Alguns ficam em fase terminal no CTI por anos a fio,

E morrem…

Outros sofrem morte súbita, violenta, trágica.

Uma palavra mal dita aqui, um descaso ali, um esquecimento acolá,

Uma pequena indiferença, um olhar sem ver, uma desconfiança,

Uma dúvida não esclarecida, discussões inoportunas e sem tato,

Um silêncio fora de hora, uma impaciência a qualquer hora,

Um abraço que não toca, uma pessoa que não se toca!

O amor nasce nas pequenas coisas, quando percebemos, amamos

E não sabemos explicar porque, normalmente listamos inúmeras coisinhas…

Sua morte também se dá da mesma maneira,

De pequenas em pequenas coisinhas,

Quase sempre as mesmas de outrora, que amamos, e foram-se embora.

Aquele sorriso cativante, aquele olhar carinhoso, aquele abraço terno,

As palavras doces, calmantes e oportunas, 

A atenção que se esqueceu de prestar atenção…

Desidratando, desnutrindo, definhando, morrendo…

A boa notícia é que mesmo pacientes no CTI podem se recuperar e sobreviver!

Alda M S Santos

Pílula colorida 

PÍLULA COLORIDA!

Capazes de aumentar o interesse, 

E promover bem estar a dois, ativar os relacionamentos

Muitos se apresentam como opções

Catuaba, ginseng, mel, castanhas,

Canela, pimenta, chocolate, gengibre

Até uma milagrosa pílula azul surgiu.

Há os tradicionais e infalíveis: 

Beleza, sorriso, alegria, atenção, dedicação…

Uma boa conversa e inteligência têm também seu lugar

Mas não existe afrodisíaco maior que o amor e a confiança

Essa é a pílula colorida 

Não se engarrafa, não se comprime, não há contra indicações, nem risco de super dosagem.

E o sabor é doce…

Não se vende, se conquista!

Cuidado com os genéricos!  

Alda M S Santos

Cristal quebrado

CRISTAL QUEBRADO

Caiu, espatifou-se no chão, separou-se em mil cacos

E o encanto se desfez!

O que estava suspenso, prossegue

A terra volta a girar, pássaros a voar, flores a crescer…

Assim acontece nos contos de fada,

Onde a vida está suspensa pela magia retida num frasco de vidro.

No mundo real magias e encantos também existem:

Na nossa mente que acredita que tudo é possível

Que insiste, determinada, em algo que parece inalcançável

Nas nossas pernas que caminham sempre em frente,

Apesar das dores adquiridas no cansaço

Advindo de tantos descaminhos

Nos corações que toleram a rejeição, a ingratidão,

Que se doam mesmo sem reciprocidade.

Na alma que sempre busca sintonia em outras almas

Em meio a um mundo barulhento e turvo.

Porém, algo em nós retém o encanto, a magia

E eles não podem se perder…

É preciso descobrir e proteger o cristal que os mantém

Uma palavra mal proferida, um vento mais forte,

Um descuido qualquer pode jogá-lo ao chão

O cristal se quebra, a magia se perde, o encanto se vai…

Mente, pernas, coração e alma nunca mais serão os mesmos.

Independente da cola que se use para restaurar o cristal quebrado.

Cristal quebrado e coração partido nunca mais serão os mesmos.

Alda M S Santos

Amor sob reforço 

AMOR SOB REFORÇO

Amor é como vacina, precisa de reforços periódicos para se proteger,

Proteger das inseguranças, desconfianças e más interpretações.

Amor é retribuição, é troca, é doação, é interação

De papos, de passeios, de beijos, abraços e carinhos,

Para manter-se em atividade e não se apagar.

Amor “exige” bilateralidade

De palavras e olhares de apoio, de admiração, de incentivo, de desejo,

Para não se embaçar e tornar-se fosco nas tempestades da vida.

Amor que se propõe à eternidade

É só aquele que vem acompanhado da reciprocidade

Não aquela silenciosa, que se cala, que deixa o outro adivinhar ou perceber por si só,

Mas a que demonstra, que verbaliza, que não permite que se desmanche, e não se envergonha do amor que sente. 

Alda M S Santos

Ame, do seu jeito, mas ame.

AME, DO SEU JEITO, MAS AME!

“Vou te ensinar a amar”, pensamos, superiores, ou ouvimos, meio tristonhos.

Existe um modo único e certo de amar?

Crer nisso já é meio caminho perdido.

Tudo bem, algumas características são inerentes a todo modo de amar.

Querer o bem do outro, cuidar, incentivar, desejar, preocupar-se, colocá-lo como prioridade…

Porém, algumas características são bem individuais.

Há amor expansivo, que extravasa, carregado de carinhos e mimos.

Há amor meio possessivo, ciumento, controlador, cuidadoso. 

Há amor carente, que cobra, que liga, que pede, que chora. 

Há amor sensual, que aquece, que dá prazer, que satisfaz.

Há amor contido, calado, introspectivo, tipo “não tô nem aí”.

Há amor incondicional, acima de todas as qualidades e defeitos, é “superior”.

As pessoas são diferentes entre si, portanto, o amor que sentem será sempre diferenciado.

Cobrar do outro um amor igual ao nosso é minimizá-lo.

Porém, precisamos perceber o que o outro “precisa” e tentar nos aproximar disso.

Amor é complementaridade. Quem ama quer ser feliz fazendo o outro feliz. Isso é parte de sua felicidade. 

Aceitar as diferenças implica em aceitar os modos diferentes de amar.

O que nos torna humanos mais completos é o amor. 

Sendo assim, ame, do seu jeito, mas não deixe de amar. 

Alda M S Santos

A mais linda melodia

A MAIS LINDA MELODIA

Musicista e seu instrumento fazem parte um do outro.

Mãos que tocam e retiram das cordas a vibração desejada

Baquetas que bem movimentadas produzem sons graves, agudos, longos, suaves 

Dedos que se alternam nas teclas e geram a resposta pretendida  

Bocas que sopram no ritmo e momento certo, fazendo que o movimento do ar produza maravilhas musicais.

Um instrumento não “existe” sem o instrumentista

O instrumentista sem o instrumento não produz uma linda melodia. 

São interdependentes.

Assim também são os amantes…

Como músicos e seu instrumento,

Um produzindo no outro a mais linda canção.

A beleza da melodia dependerá da afinidade e sintonia entre ambos. 

Por mais perfeito que seja o instrumento, sem um bom instrumentista torna-se desperdiçado.

Em contrapartida, o desempenho de um músico torna-se sofrível se o instrumento não estiver à sua altura. 

Contudo, juntos, a prática, o treino, a persistência e o amor pelo que faz

Formam bons músicos.

Produzem bons amantes. 

Criam a mais linda melodia: a que vem do amor. 

Alda M S Santos 

Os muros do amor

OS MUROS DO AMOR
Por Alda M S Santos
Há muitos e muitos anos atrás, um rei muito bondoso, preocupado com a fome que assolava todo seu povo, e com a taxa de natalidade que crescia assustadoramente, baixou um decreto polêmico.
Com o intuito de estabilizar a natalidade e reduzir a fome, dividiu seu reinado com uma muralha. A partir dos quinze anos de idade, todas as moças e rapazes deveriam ficar em lados opostos dos muros. Não teriam qualquer contato com o sexo oposto. Exceto seus pais, que poderiam transitar pelos dois lados.
Assim, moças e rapazes passaram anos e anos convivendo apenas com outros do mesmo gênero.
A taxa de natalidade caiu muito e a fome foi controlada. A tristeza impedia uma alimentação mais consistente e a própria procriação dos casais já formados.
Passado algum tempo de isolamento, a taxa de mortalidade entre esses jovens cresceu assustadoramente, principalmente entre os rapazes, agora homens, o que preocupou bastante o rei.
Um médico foi chamado e nada se notou de doença física que pudesse ter causado tais males.
Teve início uma análise profunda da mente dos jovens remanescentes, os que estavam em melhor estado e aqueles que estavam em tristeza profunda.
Observou-se que a morte tinha ocorrido entre parcelas dos jovens que tinham mantido uma relação mais próxima com outro do sexo oposto antes do confinamento.
Porém, uma parcela menor, que também manteve contato com o gênero diferente do seu, estava em bom estado de saúde emocional.
Nesses, os médicos concentraram seus esforços e o que descobriram mudou toda a história.
Uma jovem, todas as manhãs, ao acordar, dava “bom dia” ao sol numa reverência, e “”boa noite” à lua. Muitas das outras a consideravam louca.
Questionada pelo médico, ela explicou que ao fazer aquilo sentia-se próxima do seu amado que tinha ficado do outro lado do muro. Antes de serem separados à força, todos os dias e noites ambos reverenciavam juntos o sol e a lua de mãos dadas: “Que esse sol que nos ilumina e aquece, mantenha sempre em nós o brilho do nosso amor”. O mesmo era dito à lua.
Ainda em dúvida, o médico verificou entre os rapazes que o que estava em melhor estado era o beneficiário do amor da jovem em questão. Ele também fazia o mesmo ritual.
O doutor acabou por verificar vários outros casos similares: jovens que cultivavam rosas, escreviam poemas, liam livros, nadavam ou exerciam alguma atividade que os conectasse, de alguma forma, aos parceiros do outro lado. Tendo a comunicação cerceada, os jovens arranjaram uma forma de manterem viva a sintonia entre eles.
Diagnóstico: causa mortis: tristeza e saudade. A natureza masculina e feminina necessitava uma da outra para manter sua vitalidade, sua saúde física e emocional.
O rei, arrependido do decreto, mandou que os muros fossem derrubados e que a natureza fosse restabelecida.
Os lindos casais formados tomavam todo cuidado para não formar um muro invisível entre eles.
Aprenderam, a duras penas, que em matéria de amor, tão importante quanto a proximidade física, é manter a comunicação, a sintonia, a proximidade emocional.

Cuidados de amor

CUIDADOS DE AMOR

Pode ser um olhar penetrante, sapeca ou uma leve piscadela …

Um abraço apertado, que te levanta do chão, um tipo conchinha ou, simplesmente, que dure dois segundos a mais…

Um beijo longo e demorado, um selinho ou beijinho soprado de longe… 

Um leve toque no rosto, mãos que se dão, dedos que se cruzam…

Um bom dia ou boa noite, uma mensagem a qualquer hora, um telefonema…

Um botão de rosa, bombons, um livro, um perfume…

Um “se cuide”, “fique bem”, “Deus te proteja”…

Um “lembrei de você”, “achei a sua cara”, “estou com saudades”…

Um “não se vá”, “fique”, “senti sua falta hoje”, “como está?”…

Um “preocupado com você”, “quero ajudar”, “conte comigo”…

Uma parte maior da pizza, do edredom ou do sorvete…

O poema, a música, o filme ou livro preferidos de surpresa…

Sua foto na carteira, na tela do celular, num arquivo secreto, na mente, no coração…

Aquela apertadinha safada, uma bobagem sussurrada no ouvido, dentes cerrados para não morder…

Um apelido carinhoso, aquela brincadeira ou código que só ambos entendem, cúmplices…

Não há desculpas…

Muitas são as maneiras de dizer “eu te amo”! 

Ainda assim, as palavras são importantes. 

Vão direto ao coração, sem escalas! 

Não permitem a solidão ou abandono.

Já disse “eu te amo”, hoje? 

Alda M S Santos

Entrelaçar

ENTRELAÇAR
Amar é se entrelaçar
Sempre…
Não só entrelaçar as pernas, os corpos
Bem mais que isso!
Amar é grudar nos pensamentos,
É juntar as emoções,
Partilhar desejos e sonhos
Entrelaçar almas em sintonia
Mesmo que não se entenda
Que não se explique
Apenas se sinta…
Entrelaçar no amor é
Formar laços entre dois seres
A ponto de não se identificar onde começa um
ou termina o outro.
Alda M S Santos

Amor, sim senhor!

AMOR, SIM SENHOR!

Um dia muito quente, sol forte. Fechamos os vidros, ligamos o ar. 

Ao parar no semáforo, colocaram, como sempre, balas e paçocas dependuradas no retrovisor. 

Rapidamente, vi que era um casal jovem que corria para aproveitar o tempo do sinal. 

Na mensagem dos produtos à venda tinha um coração. Curiosa, abri o vidro e o peguei. 

“Adoce sua vida e nos ajude a adoçar a nossa. Contribua para realizarmos o nosso casamento! Jesus abençoe! ❤”

Li em voz alta. Rimos. Romântica incorrigível, quis logo ajudar. 

Rapidamente peguei o dinheiro e, quando retornaram correndo, compramos os produtos dos dois retrovisores. E completei: “bom casamento”! 

Riram, agradeceram e correram para o passeio. O sinal abriu. 

Olhei para trás. Estavam de mãos dadas e trocavam um beijo.

Quantas pessoas seriam capazes de crer naquela mensagem? 

Tenho certeza que muita gente diria que é golpe, estratégia para vender, má fé…

Vivemos na era dos “espertos”, as pessoas estão hiper-vacinadas contra golpes. Alguém correndo causa recuos. Um favor gera medo. Um espirro pode ser pneumonia. Como culpá-las? 

Quanto a mim, posso ser chamada de tola ou Pollyanna, mas prefiro acreditar no amor. 

Mesmo porque, ainda que não fosse para o casamento, de qualquer maneira ajudamos um casal que tentava ganhar a vida vendendo produtos no semáforo sob um sol escaldante! 

A lembrança deles nos fez sorrir por vários dias. 

E viva o amor, de que jeito for!

Alda M S Santos  

Ele sabe

ELE SABE

Ele sempre sabe, percebe…

O corte mínimo de cabelo

O vestido leve e novo

Ganhos ou perdas de peso insignificantes

A fragrância diferente de perfume

A cor do batom ou das unhas 

O andar firme ou vacilante

A tristeza atrás do sorriso

O humor num simples olhar 

A impaciência máxima num suspiro

Um longo discurso disfarçado em monossílabos

Os textos contidos nos contextos

O desejo de amar

A ânsia de ser amada

A vida no olhar brilhante ou opaco

O sim no não, o não no talvez…

Entende seus silêncios

Absorve e trata seus gritos

Quando não percebe

Se não entende,

Abraça…

Aí sente tudo,percebe tudo…

Ele sabe! 

Ele é o amor!

Alda M S Santos

Capaz de me despertar

CAPAZ DE ME DESPERTAR
Quero um amor que seja capaz de me despertar
Que tenha forças para me tirar da letargia
Não importa que armas use, apenas que funcione.
Quero um amor que seja capaz de me fazer acreditar
Independente dos métodos ou recursos que utilize
Desde que eu passe a crer que posso voar, mesmo sem asas.
Quero um amor que valorize o que sou, sem ilusões
O que me esforço todo o tempo pra ser, ainda que sem sucesso
Que me apoie quando eu errar, dormir chorando ou acordar “azeda”.
Quero um amor que desperte meu sorriso nos momentos mais impróprios
Com cócegas, piadas ou apenas um sorriso tolo de apaixonado,
Mas que, sobretudo, saiba chorar comigo, dar o colo que necessito.
Quero um amor que me acompanhe pelas estradas tempestuosas do viver
E que me carregue ou desvie dos buracos quando eu não vê-los. 
Quero um amor que seja capaz de me despertar, aquecer, vibrar
Mas, principalmente, que saiba me fazer acalmar, relaxar, 
Adormecer tranquila, sabendo que estará lá quando eu acordar…
Quero um amor que me dê tudo isso
E que seja capaz de receber o mesmo de mim.
Quero um amor assim…
Alda M S Santos

Se for capaz, conserve

SE FOR CAPAZ, CONSERVE

Se for capaz de te despertar sorrisos

Se te faz querer ser mais e melhor

Se for capaz de te emocionar com um simples gesto

Se te faz mais sensível e caridoso

Se for capaz de te aquecer com um olhar ou palavra

Se te enche de energia e vontade de lutar

Se for capaz de te fazer mais amável e cuidadoso

Se te acorda para a sua vida e para a de seu semelhante

Se for capaz de te fazer verter lágrimas de dor, saudade ou alegria

Se te faz avaliar a razão de seu viver…

Se for capaz de te fazer sonhar, acordado ou dormindo

Se te faz mais vistoso e alegre

Se for capaz de te fazer amar uma simples casinha na roça

Se for seu pensamento constante…

Se for capaz de tudo isso e outras coisas mais

Conserve…não se afaste! 

Isso é amor! 

À disposição de qualquer um

Mas poucos o encontram. 

Alda M S Santos

Amor pirata?

AMOR PIRATA?

Há amor de todo tipo

Amor que chega de mansinho

Como uma pluma flutuando e pousa.

Há amor que faz que não quer, luta, briga

Acaba por “perder” a briga, nocauteado.

Há amor medroso, que foge, se esconde, não vê, não fala, inerte

Até vencerem seu medo e tornar-se de uma coragem de guerreiro ninja.

Há amor que invade com toda sua fúria,

Como um tsunami, abre espaços à força

Mas só conquista quando as águas baixam e vê o que restou.

Há amor roubado, pirateado? 

Não!

Amor não é obrigação, desprazer, insatisfação.

Amor é doação, alegria, êxtase!

Amor é conquista!

Se foi roubado ou pirateado

Certamente não foi amor, não é amor! 

Alda M S Santos

Música e Amor

MÚSICA E AMOR

Música boa é como o amor

Seja qual for o ritmo

Doce, delicada, tocante ou forte

O que vale é que toque o coração

Comece num ritmo calmo

Ou numa batida forte

Que aqueça e leve todos a dançar

Num ritmo lento ou alucinante

Numa explosão de alegria e prazer

E deixe a sensação de tranquilidade e relaxamento.

Perfeita harmonia…

E a vida se faz poesia.

Alda M S Santos

Pares perfeitos

PARES PERFEITOS

Há coisas que são boa pedida :

Pão com manteiga, frango com quiabo, 

Queijo com goiabada, arroz com feijão.

São a dupla ideal:

Roberto e Erasmo, Sandy e Júnior, 

Vinícius e Ipanema, Tonico e Tinoco

Atraem-se como ímãs:

Dedo do pé e quina dos móveis, carro lavado e chuva

TV e sono, rede e livro.

Não vivem uma sem a outra: 

Cão e gato, Tom e Jerry,

Cinema e pipoca, muros e amassos.

São sinônimos:

Segunda-feira e preguiça, sexta e chopp

Sábado e balada, domingo e pelada. 

São belezas naturais:

Criança e bola, dor de cotovelo e música brega

Praia e pôr-do-sol, viagem e romance. 

Simples e gostosos:

Papai e mamãe, chuva e caminhada

Férias e cama, amigos e risadas

Inexistem um sem o outro:

Remédios e caretas, dentistas e frio no estômago

Apertos e orações, prova e dor de barriga.

São pares perfeitos: 

Jesus e a humanidade, mãe e filho, 

Trabalho e descanso, você e eu…

Alda M S Santos

Amor graduado

AMOR GRADUADO

Amo mais que você

Possa dizer que me ama

Porque te aceito assim

Do jeitinho que és: 

Ora falante, ora calado,

 Sempre ciumento, 

Sorridente, carinhoso, 

Cricri, meio possessivo,

Cuidadoso, amoroso, 

Meio radical, às vezes intransigente.

Desligado de certas coisas

Muito preocupado com outras…

Nunca desligado de mim.

Mas aprendi que não tem como medir sentimentos.

Não tem como graduar o amor,

Pois não há referencial.

Pessoas não são iguais!

Elas sentem de modos diferentes, inclusive o amor,

Principalmente o amor. 

Meu 100% nunca será igual ao seu.

O que vale é que estejamos, ambos, entregues 100%. 

Essa é a medida ideal: 

Eu inteira, você inteiro.

Isso é amor! 

Alda M S Santos

Se eu deixar de existir

SE EU DEIXAR DE EXISTIR

Se um dia eu deixar de existir

Busque-me na natureza

No perfume das flores

Nas asas das borboletas azuis

Na chuva forte que cai

Numa cachoeira barulhenta

Num rio tranquilo e caudaloso

No bico de um beija-flor

Se um dia eu deixar de existir

Ouça-me no sorriso de uma criança

Veja-me no olhar sábio de um idoso

Sinta-me no amor de uma mãe que amamenta

Se um dia eu deixar de existir

Busque-me dentro de você

Procure-me no seu coração bagunçado

Parte da bagunça ou da organização

Certamente lá eu estarei

Só deixarei de existir

Quando você não mais me procurar dentro de si…

Aí, morrerei!

Alda M S Santos

Quando olho pra você

QUANDO OLHO PRA VOCÊ
Quando olho pra você, enxergo a tristeza além do sorriso de capa de revista.
Quando olho para você, além dos passos trôpegos, caminhar vacilante, enxergo um objetivo, um destino.
Quando olho pra você, enxergo o que a alma diz em silêncio, não apenas o que a boca fala desenfreadamente.
Quando olho pra você, vejo além de um corpo com imperfeições, enxergo um coração que sabe amar.
Quando olho pra você, não vejo apenas um ser humano qualquer, procuro ver uma obra de Deus!
O que vês quando olhas para mim?
Sou apenas uma obra do Criador que busca melhorar a cada dia.
Simplesmente.
Alda M S Santos

Não basta

NÃO BASTA

Não basta olhar, tem que enxergar além, sorrir, encantar.

Não basta tocar, tem que fazer sentir, arrepiar.

Não basta falar, tem que dizer algo que emocione, saber silenciar. 

Não basta abraçar, é preciso enlaçar a alma com doçura, aquecer.

Não basta beijar, é preciso trocar bons fluidos, mergulhar.

Não basta provar o amor, é preciso despertar o amor no outro…

O amor que caminha lado a lado, no mesmo compasso e sintonia, se basta…

Alda M S Santos

Quando o amor não é o bastante

QUANDO O AMOR NÃO É O BASTANTE

Quando vemos tantas pessoas que amam e, ainda assim, sofrem, podemos chegar a uma difícil conclusão: o amor é supervalorizado.

Vejamos uma mãe que luta dia após dia por um filho dependente químico, que o ama, acredita, investe, recomeça incansavelmente e, ainda assim, ele retorna ao vício, maltrata-a, maltrata-se. O amor dela se mantém, porém, nem sempre alcança seu objetivo.

O amor de um filho pelos pais que o ignoram, que não assumiram a função tão sublime recebida de Deus, deixando-os crescer à própria sorte. Mesmo assim, tantos filhos tentam, pelo amor, tirar os pais de vidas desregradas e infelizes.

Uma esposa que, independente dos adjetivos que receba de todos, insiste no amor ao marido que em nada a dignifica, que trai, que ofende física e psicologicamente, que não a completa, ou em nada ajuda relacionado aos filhos, ao lar ou à família.

Uma pessoa que trabalhe num asilo, que dedique seus dias a dar amor, atenção, carinho, e só vê simples rasgos de brilho naqueles olhos cansados e nebulosos pela tristeza do abandono.

Finalmente, talvez o maior de todos, alguém que ame outro alguém, romanticamente, e espera que esse amor seja o bastante para fazê-los estar juntos, porém, não é o que acontece. Muitas vezes não há reciprocidade, noutras há empecilhos diversos que impedem a aproximação. Tantas vezes o momento não é o adequado, ou a distância, a saúde, as famílias, o trabalho…

Certo é que o que mais vemos, até mais que amores plenos, são amores frustrados. Será que isso acontece porque supervalorizamos o amor, ou porque esperamos que ele faça milagres?

Avaliando essas situações chego a três conclusões.

Primeiro, o amor não poderia resolver tudo sozinho. Não salva um filho das drogas, os pais da infelicidade, os idosos do abandono, a esposa amargurada ou os amantes frustrados.

Segundo, o amor faz, sim, muitos milagres. O filho drogado, os pais desregrados, os idosos abandonados, os amantes, todos estariam muito piores se não fosse o amor que recebem, sentem ou distribuem.

E terceiro, quem recebe amor é privilegiado, mas quem é capaz de senti-lo ou doá-lo é quem sai no lucro, verdadeiramente. Pode até não obter grandes resultados, pois depende de vários sentimentos que estão no outro, dos quais não tem controle, mas impede que a situação do outro seja ainda pior.

Há também muitos que se salvaram com o amor recebido; pais, filhos, cônjuges, idosos, amantes. O amor é incansável!

Jesus sempre pregou o amor acima de tudo. Sempre sofreu e deu o máximo do amor por nós: Sua Vida.

O amor que se doa sempre retorna em dobro. Coração que ama está sempre cheio, vivo, vibrante, ainda que seja de lágrimas ou saudades.

Supervalorizar o amor pode parecer ingênuo, porém, subestimar sua força e seu poder certamente não é muito inteligente!

Alda M S Santos

Mais no meu blog http://www.vidaintensavida.wordpress.com

Só o Amor

Trocas

Cenas de Amor

Bom dia!

Eu amo você!

Eu amo: Uma expressão tão bonita, mas tão indevidamente utilizada que tem se tornado sem sentido, descartável, desvalorizada. Tornou-se corriqueira, trivial. Eu amo dormir, amo viajar, amo pizza, amo ginástica, amo vinho, amo dançar, amo Denzel Washington e amo você! Será que poderíamos colocá-los assim, no mesmo grau de importância? 

Para mim, coisas e situações a gente gosta. Pessoas a gente ama. E não são todas também não. Algumas a gente apenas gosta, aprecia, outras nem isso, são indiferentes ou até desgostamos. 

Nesse caso não sei se Denzel Washington seria pessoa ou coisa! 

Já parou para pensar a quantas pessoas poderíamos verdadeiramente dizer “eu amo você”? Confesso, já disse que amo, quando deveria dizer que gosto, para coisas, tipo amo aquele livro ou filme. Mas nunca disse que amo para uma pessoa sem verdadeiramente amá-la. 

Como saber se realmente amamos alguém? Claro, tem aquelas máximas: quando ela está sempre no nosso pensamento, viver sem ela é um tormento, a distância machuca e a presença torna tudo brilhante, queremos contar tudo pra ela, precisamos que nos conte sobre si, necessitamos fazer parte de sua vida, a urgência de tocar e ser tocado é grande… Esse “amor” mais passional, que quase todos conhecem, pode até nem ser amor, só o tempo é capaz de dizer. 

Às pessoas que eu amo, sempre tenho necessidade de dizer que amo, mesmo que não consiga! Apenas um bate-papo, um encontro, um alô, sempre têm que terminar com um “eu te amo”, “Deus te abençoe”, “se cuida”. Se isso não for feito, fica faltando algo. A elas desejamos o melhor, lutamos por sua vida, caminhamos juntos. São aquelas que nos despertam sorrisos facilmente, sentimos aquele bem-estar só de estar em sua presença. Mas também são as capazes de provocar as dores mais profundas, de nos arrancar lágrimas. Quando o mal as atinge é como se atingisse a nós mesmos. Quando nos magoam, dói, sofremos. E fazemos por elas coisas inimagináveis. 

Esse, de certa forma, é um amor condicionado à reciprocidade. É preciso retorno para se manter. Pode haver entre pessoas próximas ou distantes, mas precisa de alimento. 

Há ainda o amor soberano, o amor incondicional, aquele que não espera nada em troca, nem perfeição, nem reciprocidade. Aquele que Jesus tem por nós. O amor que nos permite dar a vida pelo outro. Literalmente, morrer no lugar do outro, se preciso for, ou não, apenas dando tudo que temos de melhor. 

 Nós, humanos, somos capazes de sentir tal amor? Se o verdadeiro amor fosse apenas esse, a quantas pessoas poderíamos dizer realmente, sem exageros, “amo você”?

Independente disso, somos humanos, falhos, e o amor que somos capazes de sentir não deve ser escondido ou aprisionado. Se sentimos que amamos de verdade, devemos dizê-lo. 

Ah, e Denzel Washington é uma pessoa que gosto!  

A vocês que eu amo, certamente sabem, pois digo sempre: eu amo vocês! 

E você, já disse a alguém hoje “eu amo você”?

Alda M S Santos

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