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Vamos brincar?

VAMOS BRINCAR?

Dia das crianças chegando

Vamos brincar?

De bola, de pique-cola, de Maria viola

De finca, bolinha de gude ou mola maluca

Não importa, vale a diversão

Impera é o correr de pé no chão

Quer nadar no rio, escalar árvores, bambolear?

De cantigas de roda, esconde-esconde, gangorrar

Quer pedalar ou cair no poço

Quem te tira? Meu bem!

Pera, uva ou maçã, beijos ou abraços também

Pé de lata, pé de pano, sapatinho de algodão

Quem será a dona do seu coração?

Passando o anel, parando nas mãos de seu doce mel…

Vamos brincar?

De correr, de cantar, de dançar, de amar…

De amar?

Sim, essa brincadeira é pra vida inteira

E como toda brincadeira boa

Não dá para brincar sozinho de qualquer maneira

Vamos brincar?

Alda M S Santos

Esconde-esconde

ESCONDE-ESCONDE

1,2,3,4….20!

Lá vou eu, quem escondeu, escondeu…

Tão divertida brincadeira de criança

Já não tem mais tanta graça assim

Não temos paciência para nada procurar

Sequer sabemos por onde começar

Quando sabemos, não queremos perder tempo

Optamos pelo mais fácil, à mão, debaixo do nosso nariz

Perdemos o prazer da brincadeira

O encanto da descoberta, da partilha

A alegria de brincar coletivamente…

Mas continuamos a nos esconder

Escondemos sentimentos, desejos, angústias

Escondemos o que somos de verdade

Escondemos dores e mágoas

Escondemos até amor e alegrias

Por medo de compartilhar e perder

Escondemos nosso verdadeiro eu

Tantas vezes até de nós mesmos

Para viver bem num mundo de hipocrisias

Assim, abrimos mão da saúde física e mental …

Saudade do tempo das brincadeiras de esconde-esconde

Aquelas em que um podia salvar a todos

Aquelas em que os maiores danos eram joelhos esfolados

E no outro dia tudo estava bem…

Alda M S Santos

Pedra, papel e tesoura

PEDRA, PAPEL E TESOURA

Pedra, papel e tesoura

Nessa divertida brincadeira de criança

Que aprendemos no grande quintal da infância

E, gostando ou não, levamos para os “tabuleiros” da vida

Buscando sempre o aliado mais forte

Para poder vencer e cantar vitória

Melhor é não ficar de bobeira, pois a vida é passageira

A sorte conta um pouco, a sabedoria vale mais

No vai e vem, no se esconde e se mostra

Vence aquele que não acredita-se invencível

Que não subestima o adversário

Que sabe que todos têm pontos fortes e frágeis

E que a vitória é transitória e temporária como brisa

Depende do adversário a enfrentar

E, muitas vezes, não vale o preço a pagar

Se custa nossa paz de espírito ou se destrói a de alguém

Pedra, tão dura, tão forte

Destrói a tesoura, que corta o papel

Mas perde para o papel que, maleável, a embrulha…

Todos podemos vencer

Todos podemos perder

Nada nem ninguém é tão forte

Que nunca possa perder

Nada nem ninguém é tão frágil

Que nunca possa vencer

Pedra, papel ou tesoura?

Tudo vai depender de você!

Alda M S Santos

A bola é minha!

A BOLA É MINHA!

Emburrado, saía pisando duro com a bola debaixo do braço

E voltava sozinho para casa

– A bola é minha!- dizia sentindo-se superior

Não podendo ser contrariado ou aborrecido

Sem saber perder o que quer que fosse

O garoto “riquinho”, dono da bola, não sabia ceder

Encerrava a brincadeira em que todos se divertiam juntos

Sem saber negociar, não percebia

Que ao apelar para o recurso do “dono do brinquedo”

Com o intuito de punir os companheiros, de mostrar quem mandava

Ele também se punia…

“Brincar sozinho não tem graça! “- concluía

Os outros, muitas vezes, substituíam a brincadeira e continuavam a se divertir…

Quanto mais cedo descobrirmos que mais vale saber brincar,

Aceitar os outros como são, com suas falhas e excessos

Que ser o dono da bola ou da verdade

Mais vamos aproveitar os bons momentos

Quanto antes percebermos que é mais divertido oferecer o que temos

Quando aceitamos o que os outros podem nos dar também

Mais amigos verdadeiros faremos

Mais felizes seremos…

Com a bola e com a vida, mesmo sendo os donos, não se brinca sozinhos…

Alda M S Santos

Caí no poço

CAÍ NO POÇO

-Caí no poço!

-Quem te tira?

-Meu bem!

-Seu bem é esse? É esse?

-Que você quer dele? Maçã, pera, uva ou salada mista?

E as crianças brincavam na rua, felizes, escolhendo seus “pares”

Ganhando beijos, abraços, apertos de mão

Sem saber que a brincadeira era “preconceituosa e sexista”

Que formava pessoas dependentes, inseguras e frágeis

Hoje, para ser politicamente correto, seria mais ou menos assim:

– “Caí no poço!”

– Tem certeza? Ninguém cai assim! Quem te jogou? Não aceite! Denuncie!

– “Quem te tira?”

– Seu “bem” que nada! Não dependa de ninguém, aprenda a se virar, empodere-se!

– “Seu bem é esse?”

– Nada isso! Você é seu próprio bem! Abra os olhos! Veja bem onde está se metendo! Não se iluda!

– “Que você quer dele?”

– O quê? Ninguém dá nada para ninguém! Devemos conquistar o que queremos e não esperar nada do outro, além de respeito!

Assim, o mundo vai ficando cada dia mais sem graça

Cessam as brincadeiras de rua, com amigos reais, que nos divertiam

Nos faziam crescer, nos ensinavam a lidar com diversidades e adversidades

E nos preparavam para enfrentar um mundo, cada dia mais chato e cruel

E não recebemos nada melhor em troca…

Com pretensões de não ser excludente, de se tornar mais justo e igualitário

O “novo mundo” exclui, e muito, nossa capacidade de lidar com ele

E com aqueles que o habitam, independente de gênero, cor, raça, cultura ou sexo…

-Caí no poço! Quero ajuda! Quem me tira?

E quero salada mista!

Alda M S Santos

Brincar de ser feliz

BRINCAR DE SER FELIZ

Brincar…de ser feliz

Dançar, pular, correr

Chupar picolé até se lambuzar

Sorrir até a barriga doer

Despertar um sorriso em alguém

Brincar…pra ser feliz

Sentar no chão, gargalhar

Voltar a ser criança, confiar

Agarrar um bichinho de estimação

Aspirar o perfume de uma rosa

Brincar…de ser feliz

Namorar, abraçar, beijar, amar

Pedir colo, ser colo, fazer amor

Ser o amor de alguém

Chorar se der vontade, inútil engolir o choro

Dormir de conchinha, sonhar

Ler um livro, escrever um poema, ser a poesia

Brincar… pra ser feliz

Mergulhar numa cachoeira gelada

Cantar alto, rezar baixinho

Tomar um banho quentinho

Assistir filme no tapete, debaixo de edredom

Se empanturrando de pipoca

Brincar… de ser feliz

Declarar o amor, apaziguar a dor

Responder a um bom dia, contar uma piada

Rir de si mesmo, sorrir para o outro

Retirar os pesos das costas, ser leve

Perdoar, acreditar que ainda vale a pena…

Brincar de ser feliz…

Brincar pra ser feliz…

Brincar para fazer feliz…

Alda M S Santos

Cadê o sorriso que tava aqui?

CADÊ O SORRISO QUE TAVA AQUI?

Vamos brincar?

Cadê o sorriso que tava aqui?

A angústia levou.

Cadê a angústia?

Amigou com a tristeza.

Cadê a tristeza?

Foi dormir com a escuridão.

Cadê a escuridão?

Foi aliciar a alma.

Cadê a alma?

Acendeu uma luz.

Cadê a luz?

Iluminou o sorriso.

Cadê o sorriso?

Encontrou o amor.

Cadê o amor?

Tá procurando você…

Então lá vai o amor pegar você

Lá vai o amor pegar você…

Pegou! ❤️😇

Alda M S Santos

Anjinhos meus

ANJINHOS MEUS

Neles a gente encontra alegria

Com eles qualquer dor pede colo

Qualquer esfolado cura com beijinho

Desânimo se transforma em pega-pega

Lágrimas se enxugam na manga da blusa

Um sorvete é bálsamo da vida

Uma bola, mil possibilidades…

Qualquer história lida, contada ou escrita tem final feliz!

Em que parte pedimos para mudar de fase?

Que botão apertamos para voltar?

Alda M S Santos

No metrô

NO METRÔ

Gentilmente, um rapaz se levanta do assento no metrô 

Cede o lugar para duas senhoras

Elas olham uma para a outra, 

“Pode se assentar”,

“Não, senta você que é mais velha”,

“Não sou mais velha que você!”

Enquanto isso, o trem cheio, 

Várias pessoas a olhar, a sorrir,

O lugar vazio e o rapaz provavelmente a lamentar…

Certamente queria dizer,

“Vou me assentar de novo enquanto vocês fazem as contas”. 

Enfim uma se assenta, o rapaz se encosta na porta

E todos ficam a especular se elas fizeram as contas direito.

Coisa de trem de mineiros. 

Alda M S Santos

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