MELHOR COMPANHIA DO MUNDO
Viver é a habilidade de nos refazer sempre
Curtir cada momento, eternizando-os
Ou transformando-os em algo tolerável,
Que não nos machuque, não nos domine.
Viver é a capacidade de mergulhar em todos os sentimentos,
De neutralizar alguns, refazer outros, transformar outros tantos.
É manter-nos de pé, enquanto a roda da vida gira forte
Ou levantar, quando cair, mesmo que ainda tonto.
Viver é, principalmente, quando se está no chão, sofrido,
Ainda ser capaz de estender a mão e ajudar.
Viver é saber valorizar as companhias que se tem, todas elas,
Mas, essencialmente, estar acompanhado, ainda que só,
É encontrar em si mesmo a melhor companhia do mundo.
Alda M S Santos
ORIGINAL
O que é ser diferente, ser original?
É se destacar entre iguais?
Quem determina o que é igual ou diferente?
Quem estabelece o que é original e o que é comum?
Depende sempre do referencial de cada um.
Pode-se ser muito original para alguém,
Muito comum para a grande maioria.
O temível e terrível é estabelecer valores,
Melhores ou piores, pelas diferenças que se percebe.
Todos podemos ser diferentes ou iguais, depende sempre do olhar que nos observa!
Vale mesmo é ser autêntico, respeitar a si mesmo, sem desrespeitar os demais.
E sempre consideraremos especiais quem nos admirar da forma que somos.
Alda M S Santos
ESPELHOS
Nossa vida parece aqueles espelhos de parque de diversões.
Aquele que chamam Palácio do Riso.
Onde aparecemos distorcidos: muito gordos, muito magros, deformados, superestimados…
Sorrimos, nos divertimos.
A diferença é que aqui fora não tem graça.
Esses espelhos que tanto nos distorcem são os olhares que recebemos.
Olhares que nos enaltecem, que nos depreciam,
Que nos fazem melhores, esperando muito de nós.
Ou que nos fazem piores, nos desencorajando.
Quando encontramos um olhar real, verdadeiro, até estranhamos.
Queremos guardar esse espelho só pra nós.
Espelho, espelho meu, existe alguém mais tola do que eu?
O segredo é fazer da vida nosso palácio do riso
E sorrir, sempre…
Até encontrar um espelho fiel!
Alda M S Santos
NA MESMA MORADA
Eram várias e bem diferentes entre si,
Moravam juntas, viviam bem, quase sempre.
A mais sapeca ria e brincava com tudo,
Sorriso cativante, alegria contagiante.
Atraía amigos e alguns invejosos.
Costumava implicar com a introspectiva,
Que queria ficar reclusa, pensativa, nem ser vista.
A mais liberal não temia quase nada.
Queria tudo que tinha direito e o que não tinha também,
Seria capaz de enfrentar o mundo, sozinha ou acompanhada.
A “certinha” criticava, ameaçava, fazia terrorismos com ela. Difícil de aguentar.
A ponderada e mais vivida compreendia, avaliava, aconselhava. Sempre com um sorriso terno e um abraço carinhoso.
A caseira queria se enroscar nos lençóis, comer pipoca e assistir um filme na Netflix. Ora organizava tudo em modo turbo, ora não lavava nem um copo.
A aventureira queria atravessar o oceano em grandes projetos. Junto com a festeira, gostava de se arrumar, dançar e se divertir.
A cheia de energia, eletricidade pura, amava dias de sol, caminhar, pedalar, nadar…
Andava rápido, cabelos ao vento, vestidos esvoaçantes…
Amava boas conversas, gente inteligente, interação.
A tranquila era fã de dias de chuva e nublados para mergulhar num livro, na poesia.
Ficar o dia todo de pijama, de short, cabelos revoltos, deitar na rede, olhar o céu. Gostava também de roça, de bichos, de mato.
A mais filósofa questionava a vida e suas vicissitudes, se contrapondo à toda light que deixava a vida a levar…
A mais amorosa, que era extremamente dedicada a todos, à família, aos amigos, a Deus. Era muito querida.
A profissional, pontual, correta, trabalhava mesmo doente, muito dedicada e perfeccionista.
A mais “mulher” que gostava de se enfeitar, perfumar, maquiar, ser carinho, dar carinho, namorar.
Moravam juntas, num mesmo corpo, brigavam, às vezes, mas aprenderam a conviver entre si.
Todas tinham algo em comum: a extrema necessidade de amar e ser amada.
A vontade louca de abraçar o mundo com apenas dois braços e um grande coração, de ajudar, de estar presente. A tristeza e angústia em não ser capaz de fazê-lo.
Isso, por si só, as tornava uma, única, unidas num mesmo propósito: viver e ser feliz.
Alda M S Santos
CORAGEM
É preciso coragem para ser autêntico
Para se assumir como é, para se amar.
É preciso coragem para dizer, mesmo sem palavras,
A alguém que se ama: “eu sou assim”!
“Será que tem coragem para me amar assim?
Ou se acovarda e se esconde em medos,
Em padrões pré-estabelecidos
Que já provaram nada valer”?
É preciso coragem para crer, aceitar
Que não existe um único e correto modo de ser,
Que existem infinitas maneiras de ser gente,
De ser e fazer feliz!
A vida exige coragem!
Alda M S Santos
SOBRE AREIAS E CAMINHÕES
Muita areia para o pequeno caminhãozinho?
Ajeite, acomode, faça várias viagens!
Uma montanha de areia pode atrair e assustar
Mas, ao enfiarmos os pés, percebemos
Que ela não é tão densa ou pesada quanto parecia
E, se bem compactada, é a carga ideal
Para certos tipos de caminhãozinho.
Autoconfiança é fundamental!
Alda M S Santos
imagem: google imagens
CONTRADIÇÕES
Frágil em sua força, forte em sua fragilidade
Sorriso que ilumina ou que se apaga,
Lágrimas de alegria ou profunda tristeza
Palavras que nem sempre conseguem expressar o que quer, gritando ou sussurrando
Silêncio que grita o que vai no fundo, mas não é compreendido
Ora sozinha entre tantos,
Tantas vezes acompanhada de si mesma.
Um baú de possibilidades, de emoções,
Cheia de “vazios”, vazia de espaços.
Amor sem medidas, amor em excesso
Mas que tantas vezes não é o bastante.
Um poço de contradições, como todo ser humano.
Só quer viver e amar!
Alda M S Santos
ESPELHOS
De vez em quando aparecia em minha sala de aula alguma colega a se olhar no grande espelho.
Diziam: “gosto desse espelho, ele me emagrece”.
Nós sabemos o que somos, mas por alguma “deficiência” qualquer, gostamos de ver refletida no outro uma imagem positiva de nós, que corrobore nossos pensamentos e ideias.
Os outros são nossos espelhos. Nós nos mostramos diante deles. E aguardamos o reflexo.
O que for refletido pelo outro ajudará na construção de nossa identidade, de nossa autoimagem, de nossa autoestima.
Obviamente, nem sempre gostaremos do reflexo que iremos receber.
Ninguém quer o espelho da madrasta da Branca de Neve, mas também não precisa ser um espelho de parque de diversões.
Há espelhos côncavos ou convexos demais, que irão distorcer nossa imagem.
Também há aqueles espelhos que refletem apenas nossas rugas, assimetrias, falhas. Ou que nos mostram coisas de um modo que nos farão sentir vergonha.
Eles são importantes, mas não são agradáveis.
Espelhos humanos têm que ter equilíbrio e sensibilidade.
Como humanos, falhos e carentes de aprovação, acabamos por nos afastar dos espelhos irreais ou reais em demasia.
Como diz outra colega, “Gosto desse espelho, porque ele ao menos não me engorda mais. Já sou gorda o bastante.”
O espelho não precisa ser “bonzinho”, não sendo “mentiroso” já gostaremos dele.
E, mesmo inconscientemente, seremos atraídos por espelhos que emitem os melhores reflexos de nós.
Rubem Alves está certo: “Amamos as pessoas não pela beleza que existe nelas, mas pela beleza nossa que nelas aparece refletida. Por isto, somos mendigos de olhares. Olhos são espelhos…”
Alda M S Santos
SOMOS INSUBSTITUÍVEIS!
Ninguém é insubstituível, sempre ouvimos. Dizem isso com o intuito de nos fazer despreocupar com determinadas tarefas, ocupações ou pessoas.
Mas eu acredito que somos insubstituíveis. Sem presunção!
Não falo apenas dos grandes nomes, grandes personalidades, gênios e tal.
A marca desses é eterna. Atravessam gerações e gerações.
Porém, cada um de nós é um ser único e, por mais rotineira que seja nossa ocupação, nela deixamos nossa marca.
Outros podem ocupar o lugar físico deixado por nós, mas o modo único com que a realizamos não haverá substitutos.
Podemos também ocupar lugar num coração por um tempo, irmos embora e outro chegar.
Porém, não é o nosso lugar que o outro ocupará. Ele terá novo espaço. Nosso lugar sempre será nosso.
Quanto mais coração, quanto mais emoção, quanto mais de nós colocarmos naquilo que realizamos, mais profundas serão as marcas e o espaço que ocuparemos.
Se fosse possível scanear nossas emoções com tudo que vivenciamos, teríamos uma imagem espetacular: pais, irmãos, amigos, colegas, desafetos, amores…
Como um HD de capacidade ilimitada.
Se plugassem em nós um cabo e transmitissem numa tela, veríamos que tudo está lá: alegrias, tristezas, saudades, raivas, amor, decepções, frustrações, sonhos, companheirismo e seus respectivos autores.
Quem passou por nós está registrado ali.
Por onde passamos, também deixamos nossa marca impressa.
A lei da física é implacável: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Não se sobrepoem.
Mas nada diz que um apaga ou elimina o outro. Podem até se comprimir, apagar não.
Gravação ilimitada e infinita.
Muitos querem excluir algumas marcas. Tentar apagá-las é um modo de acessá-las e torná-las mais fortes.
Quanto “pesa” nosso HD emocional?
O quanto de espaço ocupamos nos HDs alheios?
Se realizarmos uma busca com nosso nome, quantos links aparecerão no “google” da vida?
Somos insubstituíveis!
Façamos com que nossa marca seja bonita e prazerosa!
Alda M S Santos
MEDIDA EXATA
Faço na medida exata
Que determina meu modo de ser
Sinto na intensidade devida
Que pede meu coração…
A magia só acontece quando acreditamos em milagres…
Meu céu sou eu quem faço
Escolho o que quero ver
Uso o filtro que me cabe
Com a sutileza da alma…
O que se for, não era para ficar
O que ficar, valorizo
Na certeza de que quem mais ama, mais vive.
Alda M S Santos
QUE SEJA O BASTANTE
Para uns, pura energia, para outros, espevitada
Para uns, piegas, sentimental, para outros, carinho e emoção.
Para uns, encrenqueira, para outros, inteligente, questionadora.
Para uns, amiga, atenciosa, para outros, xereta e meio atrevida.
Audaciosa ou covarde, insegura ou dona da verdade,
Egoísta ou altruísta, fria ou sensual,
Seca ou amorosa, bondosa ou “aparecida”,
Extrovertida ou tímida, forte ou chorona…
Todo o tempo, não sou nem um, nem outro.
Dispenso rótulos.
Eternamente em mudança, aprendendo, crescendo…
Nunca serei o que esperam de mim
Sequer serei o que espero de mim
Cada um vê em mim o que sua percepção permite captar
Cada um recebe de mim aquilo que conseguiu conquistar…
Enquanto estiver por aqui
Tentarei ser mais que ontem, menos que amanhã…
Parafraseando Carl Jung, “quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, acorda.”
Tentando sempre ambos…
Espero que seja o bastante.
Alda M S Santos
BUSCA PELA AUTENTICIDADE
Uns preferem nosso bom humor constante, outros se irritam com isso.
Uns gostam de nosso jeito expansivo e comunicativo, outros nos consideram exagerados.
Alguns apreciam nosso jeito jovial e prático de ser e nos vestir, outros acham que queremos chamar atenção.
Sempre haverá quem prefira algo totalmente diferente do que somos.
Jamais conseguiremos agradar a todos. Acabaríamos por nos tornar uns mascarados, representando um papel em cada espaço ou situação.
Somos humanos, nos importamos com a opinião alheia, sim. Ninguém quer ser mal visto. Mas devemos selecionar a quem ouvir.
O que pensam os amigos a nosso respeito sempre é valioso. A esses devemos agradecer, ouvir, avaliar, considerar, negociar. Nos amam, se importam conosco.
Porém, o que vale mais, o que realmente importa é uma consciência tranquila, em paz e o que Deus sabe sobre nós.
A preocupação excessiva com a opinião dos que não nos amam, sequer nos conhecem, nos leva a ser apenas sombras de nós mesmos. Perda da naturalidade e autenticidade!
Acredito que “a busca pela autenticidade consiste em fazer a verdade pessoal prevalecer sobre as opiniões alheias” ( Pe Fábio de Melo).
Isso é um aprendizado diário!
Alda M S Santos
AUTOIMAGEM
O que move nosso existir? O que se fosse tirado pesaria mais?
A saúde, a lucidez, os filhos, os pais, o cônjuge?
Talvez a família, a paz, o respeito e admiração dos amigos, o amor, o trabalho, a casa, a fé em Deus?
Fazer esse exercício nos dá a verdadeira dimensão do quanto temos, do quão valioso é nosso existir.
Quando algo vai mal, temos a tendência a listar todas as coisas negativas para justificar nosso mau humor, mal estar, raiva ou desprazer.
Pensando nas coisas boas, estabelecemos prioridades, valorizamos o que tem verdadeiro valor, tiramos o foco do que não é tão importante.
Não é que o problema vá desaparecer, mas deixará de ser o mais importante, deixará de nos tirar o sono.
Respondendo a pergunta inicial, de tudo que podemos perder, penso que o mais grave é o amor próprio, o autorrespeito, a autoestima. Isso é saúde mental.
A autoimagem, a coragem de se olhar nos olhos no espelho, não sentir vergonha de si mesmo, isso nunca podemos perder.
Tais coisas são essenciais para nos manter de pé para enfrentar qualquer problema e manter ou conquistar qualquer objetivo.
Cuidemos de nossa autoimagem!
Alda M S Santos
AINDA NÃO SEI…
Ainda não sei…
Sou apenas um ser errante perdido nessa galáxia. Talvez fosse perfeita noutra dimensão.
Ainda não sei …
Se inferior ou superior a esta. Sei apenas que tantas vezes me sinto perdida por aqui.
Ainda não sei…
Sobra-me algo? Falta-me algo? Sei apenas que minha “kriptonita” não vale de nada por aqui, exceto como arma contra mim mesma.
Ainda não sei…
Tantas diferenças com meus iguais, tantas semelhanças com meus desiguais! Onde está o “erro”?
Ainda não sei…
Igualo-me a eles? Peço que se igualem a mim?
Ainda não sei…
Precisamos ser iguais?
Sei apenas que não saber, dói! Angustia!
Mas sei de uma coisa importante: sendo ou não daqui, é aqui que estou.
Enquanto estiver por aqui, darei o melhor de mim. E tentarei obter o melhor dos outros.
Alda M S Santos