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poemas e reflexões da vida cotidiana

A ÁRVORE DO TEMPO
Na árvore frondosa do tempo folhas e frutos caem
Novas flores, novos frutos nascem continuamente
Quando preciso, alguns galhos secos são cortados
Ou caem por si só, por inatividade
Enfrenta tempestades, intempéries mil
Há momentos de aparente repouso
E outros de intenso trabalho
Ela segue, ano após ano, estação após estação
Confiante de ser sombra, ser alimento, ser oxigênio
Ser a beleza que encanta toda a natureza
Quanto mais idosa, mais frondosa
E o tempo passa, suas raízes se aprofundam
E já não é qualquer tempestade que a abala
Sabe que tudo passa…
E não estamos falando de árvores!
Alda M S Santos

Qual sua arma?

QUAL SUA ARMA?
Para todo lado só se vê gente armada
Pronta para desferir um golpe
Ou para se proteger dos disparos
Acidentais ou não, munições são lançadas
E a gente já não sabe bem viver
Constante estado de alerta
Tensão além do normal, a corda estica…
Urge escolher bem nossas armas
Não quero armas brancas, de fogo
A palavra mal colocada ou a canetada
Quero bem usar as armas do coração
Silêncio, fé, confiança total na criação
Paciência, benevolência, caridade
Esperança, bondade, amor, fraternidade
A arma mais poderosa é Deus no coração
Guiando toda e qualquer ação
Alda M S Santos

Jardinagem

JARDINAGEM

Posso promover mudanças por aqui
Plantar ou replantar meu jardim
Posso podar alguma flor, arrancar outras
Estabelecer prioridades de sol e sombra
Luz direta ou indireta, escuridão
O bom jardineiro conhece cada rosa ou folhagem
O tempo de adormecer e de desabrochar
A quantidade da rega, a qualidade do adubo
As mudas que podem ser feitas e distribuídas
Ou aquelas que já morreram, tempo esgotado
Natureza tem seus tempos, sua circularidade
Nascer e morrer fazendo parte do mesmo viver
Olho para meu jardim interno
É tempo de cuidar de minha plantação
Coloco meu avental, minhas luvas
E de coração aberto começo a jardinagem
Não importa a estação, sempre é tempo de renovação

Alda M S Santos

O olhar do Pai

O OLHAR DO PAI

Qual será o olhar de Deus
Para Sua Criação, esse povo seu?
Será que se arrepende
Ao ver o caminho que trilharam?
Ele pregou amor a todas as criaturas
E nota-se por aqui tanta amargura
Destruição de nossa casa, nosso mundo
Gente má, amarga, sempre em guerras
Por motivos vis: Prendem, matam, torturam
Alegando ouvir a Deus:
Excluem, alienam, descartam
O que o Pai espera de nós?
Será que quer mesmo voltar,
Ou é aquele Pai que vai deixar o filho cair
Aprender com os próprios erros
E, diante da destruição causada,
Entender Sua mais preciosa lição:
Daqui só se leva o amor…
Pai, quanto ainda falta para tudo isso acabar
Podermos recomeçar sob um novo olhar
Uma nova maneira de entender esse belo lugar?
Quanto?

Alda M S Santos

Não sei!

NÃO SEI

Não sei em qual parte do caminho eu estou
Sei que o que vivi já é bem mais do que restou
Quantativa ou qualitativamente
Não dá para saber acertadamente

Sei que por muito já passei, alegrias vivenciei
Trouxe vidas ao mundo, trabalhei, magoei, amei
Já ganhei, perdi, tive momento frustrante
Já fui amada, necessária, importante

Não sei se cumpri o script a mim designado
Se fiz ao menos boa parte do combinado
Ou se ficarei devendo algo para momento mais afortunado

Uma coisa afirmo com toda certeza, eu me entreguei
Sou humana, errei, acertei, desanimei, continuei
Mas em tudo dedicação e amor coloquei, nisso não falhei

Alda M S Santos

Primeira classe?

PRIMEIRA CLASSE?
Quando se aproximar a hora de partir
Que a gente possa chegar do outro lado
E entrar pela porta da frente
E poder seguir em primeira classe
Não importa se aqui viajamos na executiva
Se entramos pelo elevador de serviço
Ou se saímos pela porta dos fundos
O que importa é nossa postura de coragem
De fé, amor, luz e solidariedade
Diante de todas as viagens por aqui
Essa é a moeda a ser usada
Na compra da passagem mais importante:
A que dá entrada para a eternidade
Alda M S Santos

Mal aos maus?

MAL AOS MAUS?
Na mesma medida que gostaríamos de ser avaliados
Devemos observar e avaliar
Do mesmo modo que esperamos empatia e misericórdia
Ofereçamos compreensão e perdão
Da mesma maneira que não queremos estar na escuridão
Desejemos luz, paz, benevolência
Se quisermos perdão e indulgência em nossas falhas
Sejemos os primeiros a ofertá-la
Desejar o mal aos maus não nos torna bons!
Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

De nada adianta negar, fugir ou temer
As mudanças sempre irão acontecer
Na natureza, no espaço, dentro do ser
Felizmente isso faz parte do viver

A Lua, o vento, as marés são grandes agentes de mudanças
Derrubam, constroem e destroem em suas andanças
Formam dunas de areia, unem ou separam localidades
E atingem a todos nós em qualquer idade

Bom mesmo quando decidimos o que mudar
Ou o que devemos não mais aceitar, permitir
O que vale a pena manter, investir
Ir fundo em nós mesmos, crescer, evoluir

Somos um barco e não devemos ficar à deriva
Assumir o controle para onde ir é essencial
Essa é a mudança mais importante, fundamental
Um ser que muda a si mesmo faz do mundo um lugar bem especial

Alda M S Santos

Paciência

PACIÊNCIA

Mundo que gira tão rápido,  tensiona
Noutros momentos ele para, estaciona
Mundo que nos exige paciência, resistência
Calma, alma, fluência, resiliência

Mundo que traz sofrimento,  crescimento
Evolução a cada dor ou descontentamento
Mas a vida segue sempre em frente
Não para nunca, ainda que pareça indiferente

Viver é de uma incrível grandiosidade
Nem sempre percebida na dura realidade
Peçamos a nós mesmos mais paciência
Tudo, tudo passa, é preciso sapiência

Alda M S Santos

O que sobra?

O QUE SOBRA?

De tudo que trazemos em nós
Pós-análise dos contras e prós
O que fica, o que sobra
Que nos impele a agir, nos desdobra?

Se foi grande a tempestade
Ventos fortes mostrando nova realidade
Separando o aproveitável do que é lixo
Dá pra juntar o que sobra com algum capricho?

O que sobra de uma noite de lágrimas e dores
O que fica depois de grandes amores
Sabemos que nem tudo por aqui são flores
Será que podemos ser autoprotetores?

Sei que a vida pode ser vivida em plenitude
Mas é preciso se entregar, ter atitude
Nossa alma tem verões, invernos, mistérios
Urge acolher a ambos sem sermos muito sérios

Alda M S Santos

Elasticidade

ELASTICIDADE
O quanto nossa moral se estica
Para caber o que não se explica?
O quanto nossas certezas se moldam
Para justificar o que não se justifica?
O quanto as margens de nossos rios se alargam
Para deixar correr o que não é fluido?
O quanto de trincas surgem em nossa estrutura
Para aguentar o peso dos muros sob ruptura?
O quanto tanto adequar da elasticidade
Prejudica a verdade, a nossa autenticidade?
Alda M S Santos

Espinhos

ESPINHOS

Eles sempre vão existir
Fazem parte da vida, da natureza
Com os espinhos vamos aprendendo
A curtir o que há de encanto, de beleza

Não adianta deles fugir
Sempre estarão por aqui
Estamos de passagem por essa nau
E devemos descobrir o bom em cada mau

Bom é enxergar a luz em cada ponto de escuridão
A pétala macia em cada espinho que machuca a mão
O amor que se esconde em cada coração

Somos privilegiados, abençoados
Tudo isso nos foi doado, presenteado
Não há mal que não possa ser remediado

Alda M S Santos

Quando vamos entender?

QUANDO VAMOS ENTENDER?
Quantos gols contra temos direito de fazer
Sem sermos taxados de pernas de pau?
Quantas jogadas boas podemos deixar passar
Sem sermos irremediavelmente colocados no banco?
Quantas vidas podemos perder nessa batalha
Sem comprometer a integridade para seguir?
Esse não é um vídeo-game!
Quando vamos entender que toda arma
Branca, de fogo, química, de longo alcance
Volta, inevitavelmente, para o emissor?
Quando?
Alda M S Santos

Questionável humanidade

QUESTIONÁVEL HUMANIDADE
Há vários meios de matar, de morrer
De fazer inexistir, de ferir, de ensandecer
Normalizar uma exclusão, uma cruel situação
Validar, aplaudir ou se calar diante do abominável
Independente de cor, raça, origem, credo
Orientação sexual, política ou cultural
É tornar patológica
nossa já questionável  humanidade…
Alda M S Santos

Dói na pele negra

DÓI NA PELE NEGRA

Dói na pele negra que disfarça o rubor
Dói na raça negra que carrega esse andor
Dói a discrimininação clara ou velada
Doem as brincadeiras, as bobas piadas

Dói o preconceito, não ser aceito como se é
Dói saber que nem todos disso dão fé
Do quanto a luta é diária nessa batalha
Na tentativa de vencer, a alma se retalha

Dói que não entendam que a vida é colorida
O preto faz parte dessa lida também sofrida
No peito pulsa amor preto, branco, multicor
Cor de pele não faz alguém inferior ou superior

A pele é negra, a mente resiste, a raça é forte
Nunca fugiram da luta, de encontrar seu norte
Para quem não entende, fica a explicação
A cor da pele não dita o que vai no coração

Alda M S Santos

Só o negro pode dizer!

SÓ O NEGRO PODE DIZER!
Só quem tem a pele negra pode dizer
Só quem tem traços negros pode medir
Só quem percebeu os olhares excludentes
Ou a postura superior do branco
Só quem se sentiu inferiorizado pela cor da pele
Pode dizer o quanto é doloroso ser preto, ser gente!
Não minimizemos a luta por uma Consciência Negra!
Alda M S Santos

Grande Maestro

GRANDE MAESTRO
Buscando uma bela sinfonia
Todos tentando afinar seus instrumentos
Ouvidos atentos  aos ensinamentos do Mestre
Olhos abertos ao Grande Maestro
Alguns não conseguem seguir, acompanhar
Desafinam, atrapalham, destoam
Não querem aprender os lindos acordes
Se rebelam, não há sintonia
E a canção não fica como deveria
Nessa orquestra  só fica quem se afina
Quem vibra no mesmo tom
Gera harmonia, o mesmo som
Quem toca a melodia do amor e da fraternidade
Demais músicos nessa orquestra já não estarão 
Encontrarão outra mais adequada
A sua afinação, a seu repertório…
Quem fica, quem vai?
Alda M S Santos

Desastres mandam avisos!

DESASTRES MANDAM AVISOS!
Primeiro uma goteira intermitente
Em seguida, as telhas quebradas
Uma trinca na parede que se alarga
O piso cujas cerâmicas desprendem
Buracos no entorno que vão aumentando
Vários avisos de que a casa precisa de cuidados!
E a gente pensa, “isso é normal”
“Coisas do uso, a casa é forte”
Uns paliativos aqui, outros ali
Acumula lixos, entulhos, sujeira tóxica
Até que a parede cai, o chão se abre
O teto desmorona sobre a cabeça
A tempestade já invade todo o imóvel
“Mas, como isso foi acontecer”?
As maiores destruições não chegam sem aviso!
E não estamos falando de nossa casinha
Estamos falando do nosso Planeta!
Alda M S Santos

As incertezas são boas!

AS INCERTEZAS SÃO BOAS!

Colecionamos dúvidas e  incertezas
Em meio a tantos sofrimentos no mundo
E isso é bom!
Sim, as incertezas geram questionamentos
Questionamentos geram buscas, ativam a razão 
Busca de entendimento, de autoanálise, autoconhecimento
As certezas impedem aprendizados
As certezas “absolutas” causam inércia ou guerras
As certezas afastam o livre raciocínio
As certezas não deixam páginas em branco a preencher
As certezas, as nossas verdades
São, muitas vezes, a causa do caos
Porque confrontam com a verdade do outro. 
Por mais incertezas ativas
Por mais humanidade emotiva e raciocinada
Esse é o melhor meio de ler esse mundo e entender!
Alda M S Santos

E se…

E SE…

E se a Terra se rebelasse
A Natureza se revoltasse
O céu as estrelas não enfeitassem
Os namorados sob a Lua não se animassem

Será que iríamos acordar?

E se as cachoeiras secassem
As fadas ali não mais voltassem
As ondas do mar estacionassem
Os rios dos obstáculos não desviassem

Será que iríamos acordar?

E se as flores se fechassem
As árvores, tristes, tombassem
O sol de nascer se esquecesse
A chuva de nós se escondesse

Será que iríamos acordar?

E se o amor não mais nos alimentasse
Dia e noite por aqui se misturassem
A beleza e delicadeza não nos encantassem
A poesia não mais da tristeza nos salvasse

Será que iríamos acordar?

A vida no planeta Terra pede socorro
Quando iremos acordar?

Alda M S Santos

A Grande Batalha

A GRANDE BATALHA
A briga maior não é externa
A batalha gigante a se travar é interna
É guerra para ajeitar os próprios valores
É luta para não se deixar dominar por pavores
Cuidado para se preservar das dores
Tudo está sendo remexido, questionado
É preciso estar na paz, esse é o lado
Ainda que precisemos de inúmeras armas
Bondade, caridade, fraternidade
Amor e empatia devem ser nossa verdade!
Alda M S Santos

Ela permite

ELA PERMITE

Ela permite quase tudo
A silenciosa e calma admiração
O grito alto, que alivia, surdo
O encanto, a paixão, a veneração

Ela permite ir a qualquer lugar
Para o saudoso ontem ou o amanhã a despontar
Ainda que não saiba aonde chegar
Mesmo no mais íntimo sonhar

Ela permite quebrar fechaduras, abrir janelas
Arrombar portas, estourar taramelas
Despir-se de tudo, pular cancelas

Ela quer mesmo é uma vida de magia
De amor, de paz, de fantasia
Ela permite tudo, ela é a poesia…

Alda M S Santos

Agradeça!

AGRADEÇA!
Se a alegria chegar, aproveite e agradeça
Se a saudade bater, curta-a e agradeça
Se o desânimo tomar conta, levante-se e agradeça
Se a descrença invadir a mente, avalie e agradeça
Se a tristeza tomar conta, chore, permita-se…
Mas retome a fé, ore e agradeça
Porque tudo nessa vida
Tem razão de ser
Só ficam sem propósito
As coisas das quais
Não extraímos o melhor.
A alegria, o sorriso, a fé
A esperança, o carinho,
A amizade e o amor,
Têm mais valor quando
Sentimos sua falta!
Alda M S Santos

Vai ignorar?

VAI IGNORAR?

A Terra treme, geme, mexe e remexe
Ventanias, tempestades, geadas, furacões
Secas, incêndios, terremotos e vulcões
A natureza grita a seu modo, sacode
Na tentativa de nos despertar, implode
Alguém consegue escutar, perceber
Ou prefere ignorar, se esconder?
Não é chatice de ambientalistas
Não é loucura ou excentricidade de cientistas
É a vida do planeta que pede atenção
E nos dá oportunidade de reverter tal situação
Consegue ouvir o pulsar desse coração?
Alda M S Santos

Tão difícil!

TÃO DIFÍCIL

Tão difícil o mundo assim dividido
Como será que Ele olha seu filho combalido
A Terra tomada pelas guerras, pelo degredo
Famílias desunidas, isoladas em seus medos

Tão difícil a briga dentro de si, interna
Por autenticidade, verdade, alheio à baderna
A confusão quer abarcar a todos, quer aliados
Manter-se são é tantas vezes complicado

Quiséramos olhar para o céu como grande tela
A transmitir o caminho, luz sobre nossas mazelas
Sem nada a nos ser forçado ou empurrado pela goela

Busquemos essa tela dentro da gente
Somos capazes de achar essa semente
Nossa essência, nosso bem, efetivamente

Alda M S Santos

Bruma Leve, Brumadinho

BRUMA LEVE, BRUMADINHO

Um monumento, uma arte,
Bruma Leve,  Brumadinho
Cada peça um dos 272 seres humanos que se foram
Tragédia, ganância, descuido… há reparação?
Que não vire paisagem, que seja um alerta
Para sermos mais humanos
Entre minérios e mineiros
Lembrar que a vida é preciosa
Nossa riqueza, nosso bem maior…
Alda M S Santos

Ar-mando um arsenal

AR-MANDO UM ARSENAL

Quero uma gente bonita e armada
Mais que isso, uma população amada
De luz, de paz, de bem-aventurança
No peito a alegria do amor e da esperança

Montar para nós um grande arsenal bélico
Capaz de combater todo mal maquiavélico
Saúde, alimento do corpo para toda população
Escolas para a mente, poesia e educação

Quero uma blindagem de sabedoria e respeito
De fé, de espiritualidade pulsando no peito
E no olhar o amor sendo lançado de todo jeito

Quero entender o que vem da Criação
Os ensinamentos de amor, a grande lição
Amar a Deus, a todos, a si, sem alienação

Alda M S Santos

Mi-mi-mi

MI-MI-MI

Vi a definição outro dia: o que é mi-mi-mi?
É aquela dor que não dói em mim
Achei tão perfeito, não se tem a dimensão
Aquilo que dói no outro carece compaixão

Posso tentar imaginar, me colocar no lugar
Se minha alma for terna, souber avaliar
Mas a exata complexidade do que ele sente
Só cabe a ele dimensionar, sejamos prudentes

Se é dor no corpo, na alma, no coração
Se é algo que fere com força a emoção
Se machuca, remexe feridas, martiriza
Não cabe ser algoz quando a ele traumatiza

Não é mi-mi-mi dar voz a sua dor
Quem faz pouco caso já perdeu o valor
Cabe a cada um de nós total respeito
O que é do outro, é do outro, vamos agir direito!

Alda M S Santos

Não vamos brigar!

NÃO VAMOS BRIGAR!

Cansada desse mundo que só sabe brigar
Não sabe conversar, dialogar, quer guerrear
Pessoas querendo se impor a todo custo
Sem se importar com o que é mais justo

Não quero brigar, prefiro uma boa prosa
Ranço de gente que anda sempre furiosa
Esquece o que é parceria ou respeito
Usa de hipocrisia, esconde o mal feito

Vamos fazer assim: eu sou eu, você é você
O que amo e acredito tem meu porquê
O que você valoriza tem sua razão de ser

Amigos, colegas, famílias, amores
Grupos feitos de indivíduos, abrigos, favores
Nada vale brigar ou guardar rancores

Alda M S Santos

Poeta salva o mundo

POETA SALVA O MUNDO

Diz que para salvar esse mundo desgovernado
Só os poetas, os loucos ou os apaixonados
A verdade é que quem salva são os poetas
Eles já são meio loucos e apaixonados

Poeta lida com tudo nessa vida
Com alegria, dor, prazer, alma sofrida
Poeta capta a beleza da natureza
Até o cheiro da flor em sua delicadeza

Poeta tem certa responsabilidade social
Rasga o verbo, o verso, provoca vendaval
Tira tudo do lugar, bagunça, (re)organiza
Poeta é luz na escuridão, uma leve brisa

Poeta grita por paz, por espaço e liberdade
Por um amor que clama por reciprocidade
Poeta mergulha em terreno sombrio, chora
Poeta sorri, conquista, atrai, se enamora

Poeta é aquele que fica quando tudo vai embora…

Alda M S Santos

De que lado?

DE QUE LADO?

De que lado você está?
Respondo convicta: do lado da paz!
Mas a garantia da paz por vezes exige guerra- retrucam.
Uma paz que exige guerra é uma paz questionável!
Certamente é uma paz unilateral, excludente.
Que segrega os mais simples, os inocentes.
A verdadeira paz pensa no bem coletivo
Não somente na dos aliados e amigos!
A paz que se propaga vem da fé na humanidade
Na crença de que somos todos filhos da mesma criação
E que matar a criatura é ferir de morte a mesma Criação!
Eu estou do lado da paz!

Alda M S Santos

Através da janela

ATRAVÉS DA JANELA

Uma janela aberta, um mundo de possibilidades
O olhar vai longe, em busca de verdades
Lá fora a vida convida, nos chama
Quer nos levar para o novo, o viver proclama

Janela aberta para o mundo, dentro da gente
Queremos passar, seguir em frente, na corrente
Não podemos viver sempre por um fio
É preciso vencer os medos, os desafios

Chega até nós o brilho e calor do Sol
Nos viramos para ele feito girassol
Cores e perfumes das rosas seduzem
Lua e estrelas na escuridão reluzem

Há um ímã, através da janela há atração
Um viver além de nós mesmos, mais emoção
Pode ser de bondade, estender de mãos
Também de amor, paz, um viver mais irmão

Alda M S Santos

Você diz?

VOCÊ DIZ?

Você diz tudo que pensa
Pensa em tudo que diz
Ou se esconde atrás da verdade
Por medo de alguma maldade?

Você diz tudo que sente
Ou fica na sua, reticente
Sem saber se vai magoar um inocente
Ou deixar sua vida mais aparente?

Mete-se onde não é chamado
Na tentativa de ajudar um amigo, um aliado
Ou prefere ficar num canto calado
Aguardando melhor hora, ser convidado?

Você diz o que te faz feliz
Ou se preserva para não ficar infeliz
Partilha seus sonhos, desejos e vontades
Ou deixa a vida seguir em sua tranquilidade?

Você diz?

Alda M S Santos

A roda da vida

A RODA DA VIDA
Se desejo misericórdia e benevolência
Devo oferecê-las a quem me cerca
Se reclamo e almejo um mundo melhor
Preciso cultivar meu mundo interno
Para que meu pequeno universo seja bom
Não posso exigir ou esperar
Algo que não posso oferecer
A lei do universo é justa,  harmoniosa
Se algo não está bem na roda da vida
É necessário colocar amor para girar
E ele retornará para nós!
Alda M S Santos

DE ONDE VEIO, PARA ONDE VAI?
De onde veio esse barco
Em quais portos foi abastecido
De quais reservas foi carregado?
Haverá sabedoria para tudo usar
Ou ficará no porto parado
Sem saber o que fazer, como trabalhar?
O barco da nossa vida não veio vazio
É preciso realizar boa obra
Em águas calmas ou turbulentas navegar
Acolher, doar, ajudar outros navegantes
Quando chegar a hora de partir
De volta para casa, qual será sua carga?
Toda a bagagem original resultou em quê?
Bom é saber transformar em amor tudo que chegou
E retornar leve e tranquilo a seu destino…
Como anda seu barco?
Alda M S Santos

Eu posso!

EU POSSO!

Não posso parar as guerras ou os conflitos
Tampouco os bombardeios diversos nessa nau
Eu posso ser a barricada que protege os aflitos
Quando não dissemino a discórdia e o mal

Nem sempre posso organizar o caos
Ou evitar a escuridão que cai sobre nós
Eu posso manter minha luz, meu sol
Um ponto de apoio, no silêncio, a voz

Não posso impor o melhor caminho
Tampouco abrir trilhas, tapar buracos
Eu posso ser companhia a quem está sozinho
E um resquício de força aos mais fracos

Não posso acalmar os oceanos internos
Acender o arco-íris ou parar as tempestades
Eu posso ser o cobertor nos frios invernos
E rememorar o alimento das boas saudades

Não posso sequer imaginar o porvir
Ou entender a galáxia, o espaço sideral
Eu posso ser o porto seguro, o cais
Nas brisas suaves ou nos fortes vendavais

Eu posso! E você?

Alda M S Santos

Perdida

PERDIDA
A natureza está confusa, perdida
Envolta em nossas loucuras, nossas brigas
Ela já não identifica bem as estações
Seca, chuva, sol, neve ou tempestades
Os oceanos invadem espaços
Terra, ar, fogo, água fora de compasso
As flores já não sabem quando chegar
A chuva perdeu a bússola, onde ir, quando parar
Também grita por paz nossa natureza interior
De onde virá o socorro Salvador?
Alda M S Santos

Não deixe esfriar!

NÃO DEIXE ESFRIAR!
Não deixe esfriar a capacidade de amar
De acreditar que tudo pode melhorar
Apesar do tanto que há fora do lugar
Mantenha aquecido o coração no bem
Independente da iniquidade que se mantém
Conserve em banho-maria a esperança
Conectar-se comJesus aumenta nossa confiança
Fazer nossa parte em qualquer tempo
E não nos deixar levar pela correnteza
Firmes na fé, Deus é nossa fortaleza!
Alda M S Santos

Instrumentos da Vossa Paz

INSTRUMENTOS DA VOSSA PAZ

Ser instrumentos do bem
Da paz, do amor e da concórdia
Da luz, da fé e da esperança
Num mundo em que tudo parece do avesso
Manter a confiança no Mestre é um desafio
Nos permitir sermos usados por Ele
Refletir sua bondade e misericórdia sempre
Parafraseando São Francisco de Assis
Tão antigo, tão atual…
Que possam ver Seu evangelho em nossas atitudes
Mantendo a sintonia com o Alto.
Alda M S Santos

Rosa por dentro e por fora

ROSA POR DENTRO E POR FORA
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Delicadeza e firmeza que bem interagem
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Ternura, carinho e força numa só imagem
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Alertando para o cuidado da saúde feminina, sem rodeios
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Abordando a necessidade de tocar os seios, sem receios
Estamos de rosa por fora e por dentro
Para sensibilizar a todos da necessidade de cuidar das mulheres queridas de suas vidas
Estamos de rosa, por fora e por dentro
Acreditando que o amor atento e cuidadoso vence todas as partidas
Estamos de rosa por fora e por dentro
Rosa bebê, rosa pink , rosa choque, nesse outubro rosa
Para nunca esquecermos: câncer de mama mata, mas tem cura!
Previna-se!
Quando você fez sua última mamografia?
Esse é nosso alerta, essa é nossa prosa
Em rosa…e em todas as cores do arco-íris…
Alda M S Santos

Seca, seca, seca

SECA, SECA, SECA…
Seca que tem para todo lado
No ar, na terra, nos lagos
Seca na mente, no coração atribulado
Seca no planeta que morre asfixiado
Seca na garganta com um grito sufocado
Seca na alma, no espírito sobrecarregado
Seca num corpo que se sente culpado
Seca nas relações, no olhar magoado
Seca, seca, seca…
Será que um dia seremos novamente hidratados
Por fora e por dentro haverá irrigação
De amor, carinho, caridade e proteção?
Alda M S Santos

Mundo largado

MUNDO LARGADO

O tempo está passando, vidas indo, outras chegando
A ciência evoluindo, a politicagem aumentando
Gente boa sendo enganada, ruim sendo aplaudida
O caminho parece cansativo e longo, trilha comprida
O desejo de conquistar o mundo ora domina
Em contraponto com vontade de desaparecer numa esquina
Horas em que tudo parece ter um significado
E outras em que nada faz sentido, mundo largado
Vontade de nos misturar a tudo, não mais pensar
Apenas nessa viagem louca nos deixar levar
Porque há momentos em que se for parar para refletir
Só prevalece o desejo insano de fugir
Fechamos a conta, jogamos a toalha
O coração aperta, a vista embaralha
E ainda há quem acredite nessa humanidade
Que investe em nós, parece mesmo insanidade
Guerras, abusos, corrupção, doencas, demagogia
A mente sofre, coração aperta, o que alivia?
Saber que Deus ainda nos mantém por aqui, acredita
Não adianta desistir, se entregar ou fazer fita
Acordar, levantar da cama, abrir a janela, chuva ou sol, frio ou calor
Melhor seguir nesse caminho…e investir no amor
Só ele é capaz de fazer tudo isso ser mais leve e verdadeiro
Nas idas e vindas desse trem nos mantermos passageiros
Só ele. Só Ele!

Alda M S Santos

A conta do universo

A CONTA DO UNIVERSO

Quando o Universo chegar com a conta
Que você esteja ocupado, bem atarefado
Se te encontrar trabalhando no bem
Semeando amor, podando discórdias
Ele seguirá em frente, vai para o próximo
Você ganha tempo, está quitando suas dívidas
Amorosamente…

Alda M S Santos

Caminhos controversos

CAMINHOS CONTROVERSOS
Para se encontrar talvez o melhor caminho
Seja esconder ou ignorar certas partes de si
Bloquear algumas trilhas ou atalhos
Fechar algumas caixas secretas que insistem em se abrir.
Há caminhos que se apresentam para confundir,
Quando não se está preparado para trilhá-los.
Há peças que não se encaixam no jogo.
Há encaixes que no momento não parecem se adequar.
Há jogos feitos para ganhar, outros para perder
E aqueles feitos apenas para jogar…
Alda M S Santos

Prioridades

PRIORIDADES

Na vida é muito bom ter certas habilidades
Particularmentes saber estabelecer prioridades
Naqueles momentos em que parece haver tantas opções
Quando na verdade muitas são enganações

Nem sempre aquele sorriso pode ser amigo
Ou quem te puxa as orelhas é inimigo
Entender que nunca seremos unanimidade
Acreditar nisso é, no mínimo, infantilidade

Hoje posso priorizar a chuva, amanhã o sol
Num momento querer praia, no outro cachecol
Saber ser sombra ou um majestoso farol

Preciso na verdade ser minha prioridade
Não deixar que tolham minha liberdade
Por aqui ser amor, luz, paz e solidariedade

Alda M S Santos

Ele está dentro de nós!

ELE ESTÁ DENTRO DE NÓS!
Onde está Deus que permite tantos sofrimentos?
Ao nosso lado, como um Pai,
Sofrendo ao ver o filho fazer más escolhas
Orientando, aconselhando, chorando junto
Por que Ele não impede tanta tragédia?
Assim Ele nos mostra respeito e permite crescimento
Quer que evoluamos enquanto seres humanos
Sendo luz, união, compaixão, solidariedade
Tudo foi ensinado, na didática do amor
Quem não aprende a lição assim
Deus, como bom Pai, muda os métodos
Alguns são mais dolorosos e sofridos
Na recuperação dos alunos mais rebeldes
Mas todos visam nossa paz e felicidade
Ele está dentro de nós, basta sentir!
Alda M S Santos

Respira!

RESPIRA!
Está difícil respirar
Penosa tanta toxicidade no ar
E não é só o oxigênio que está carregado
De fumaça, de agentes nocivos
Está difícil levar aos pulmões, ao coração
A negatividade, a maldade, a desesperança
A falta de cuidado, conservação e bondade
Todos podemos fazer algo por aqui
Perto de nós, dentro da gente
Ou em cobrança a quem possa regular tudo isso
Ainda dá tempo?
Sempre é tempo!
Alda M S Santos

Já me faltou!

JÁ ME FALTOU
Já faltou a luz, o norte, a direção
Mas nunca faltou o caminho, a oração
Já faltou o ânimo, o desejo, a vontade
Mas nunca faltou a esperança de felicidade
Já faltou a força,  a energia, a coragem
Mas a fé sempre foi bela paragem
Já faltou a crença na humanidade
Mas Deus sempre renovou em mim a bondade
Em alguns momentos sobraram medo e solidão
E me abasteci de sonhos e renovação
Já faltou autoestima, o amor-próprio
Na literatura, na poesia encontrei meu ópio
Já não me senti esperançosa e amparada
Mas quem nunca pensou em abandonar essa parada?
Já tive a fé estremecida, a esperança perdida
Mas nunca faltou amor à vida
No amor e em mim mesma busquei guarida
Já me faltou o ar, o gás, o chão
E os sonhos foram meu céu, a rima do meu coração
Que já te faltou?
Alda M S Santos

É melhor!

É MELHOR
Às vezes é melhor ficar quietinho em nosso canto
Aboletada lá naquele espaço nem sempre aconchegante de nossa alma
Quando olhamos para um lado e vemos silêncio
Para o outro indiferença ou pranto
Para a frente só desânimo ou desencanto
Nem todo dia é brilho ou luz
Nem todo caminho está sempre aberto
Nem todo o tempo somos alegria, energia
Às vezes é tudo tão cru, frio, incerto
Melhor entrar para dentro da gente
Fechar a porta, trancar, passar a chave, a corrente
Rezar, nos abraçar, sorrir ou chorar, extravasar
E esperar essa corrente negativa passar
Quando ela se for, a gente sai devagar
Mais fortalecidos e dispostos a tudo enfrentar…
Nem todo dia o sol brilha
E precisamos aceitar nossos nublados
Nossas garoas e chuviscos
São eles que fazem florescer a trilha
E nos tornam dispostos, menos ariscos
É melhor…
Alda M S Santos

Solidão

SOLIDÃO
Solidão não é ausência  do outro ao seu lado
Pessoas vão e vêm todo o tempo
Solidão é não encontrar-se consigo mesmo
Quando mais precisa de si
É buscar-se nas batidas frágeis de seu coração
Na infinitude da grandeza de  sua alma
E não se ver, não se achar
Encontrar apenas escombros
Solidão mais doída não é ausência de pessoas
Solidão dolorosa mesmo é ausência de si mesmo
Porque a partir do momento que nos encontramos
Nos enxergamos e nos resgatamos
De nossos próprios escombros
É que passamos a enxergar quem está perto
E não notávamos, sequer percebíamos a presença
Para enxergar e valorizar a presença do outro
É preciso vermos a nós mesmos primeiro
Aí a solidão será escolha
E apenas um momento de paz…
Alda M S Santos

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