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poemas e reflexões da vida cotidiana

Sem eira nem beira

SEM EIRA NEM BEIRA

Perdidos por aqui nesse espaço, sem eira
Já não sabemos por onde ir, sem beira
Sem eira e nem beira dá tanta canseira
Urge um propósito para afastar a leseira

Não são só bens materiais a razão
Desse inexistir, dessa frustrada sensação
O que fere o corpo, fere mais a emoção
Sem perspectiva segue nosso povão

Falta a tantos de nós bons sentimentos
Que sejam a borracha a apagar os sofrimentos
A viagem nessa nau implora contentamentos

Naquele livro da vida que por aqui escrevemos
Há páginas rasuradas, apagadas, arrancadas
Busquemos por aquelas mais abençoadas..

Alda M S Santos

E o barco da vida parte…

E O BARCO DA VIDA PARTE…

E o barco da vida parte
Leva quem tem coragem
Leves e com espaços a preencher
Ou pesados de tanta bagagem

E o barco da vida parte
Deixa a segurança do cais
Em busca de novas aventuras
Talvez de um novo caos

E o barco da vida parte
Vários rumos, vastos oceanos
E o que fica é a vontade
De ser feliz também nesse plano

E o barco da vida parte
Leva alguns, deixa outros
Na saudade do vivido
Do que ficou por viver
Do que há ainda para viver

E o barco da vida parte
Todos os dias, todo o tempo
Com ou sem passageiros e tripulantes
Nem sempre a contento
Ele parte…

Alda M S Santos

Reflexo

REFLEXO
Somos reflexo daquilo que vivemos
Das vitórias alcançadas, das batalhas travadas
Das negações recebidas, das derrotas sofridas
Das pessoas que nos cercam
Do amor que conosco compartilham
Sofremos influências do meio todo o tempo
Positivas ou negativas
Mas não precisamos ser esponjas
Não devemos absorver tudo que se apresentar
Podemos repelir o que fizer mal
Tentar ser mais ímã, atrair mais o que nos é afim
Quem olha para nós enxerga apenas parte do que refletimos
A outra parte fica muitas vezes camuflada pelo que ela é ou sente
Por isso o que somos verdadeiramente nunca é visto totalmente
O brilho nos olhos, o sorriso espontâneo
O carinho que se doa, a autenticidade,
Muitas vezes não passa no filtro “carregado” do outro…
Vamos refletir mais amor
Ele atravessa qualquer filtro!
Alda M S Santos

Leve-me com você

LEVE-ME COM VOCÊ

Leve-me com você
Não importa para onde
Apenas leve-me para onde for
A direção a seguir fica a cargo do amor

Leve-me com você
Coloque-me no colo, mas se isso não for possível 
Nunca me tire do coração
Só assim poderei segui-lo 
Só assim vale a pena ir contigo

Leve-me com você
Ouça minha voz, sua companheira de todas as horas
Ouça meus desejos, sintonize-os com os seus
Guie-se por eles, acolha-os
E nunca estará sozinho

Leve-me com você
Como marca digital na sua pele
Como emoção boa no coração
Como uma luz acesa na alma
Eternizados um no outro
Não importando aonde estejamos
 
Leve-me com você,
Levo-o comigo…

Alda M S Santos

Depois da ventania

DEPOIS DA VENTANIA

Sabe quando você se organiza
Arruma tudo direitinho, prioriza
Ajeita a mesa, as gavetas, planeja
Quer conquistar aos poucos o que deseja
E vem o vento do existir, bagunça tudo, sacode
Tira tudo do lugar, você quase explode?
E a vontade é de entrar numa das gavetas
E ali ficar quietinho até o vendaval passar…
Nada errado em querer se aquietar
Parar um pouco, reavaliar, se possibilitar
As gavetas muitas vezes precisam ser remexidas
E a ventania é só uma desculpa nessa lida
Para tirar o pó e o bolor do corpo, da alma
Tantas vezes o mundo parece brincar com nossa calma
É dá-lhe ansiedade, angústia e frustração
Até perceber que cada vento traz consigo renovação
Na marra ele apressa o que precisa ser descartado
E insistia em ficar ali guardado, embolorado
E dá novo brilho a um sonho, um desejo
Que talvez já tenha quase sido deixado de lado
Nada mais é o mesmo depois da tempestade
Mas quem disse que precisa ser?
Bom é aproveitar os novos ares, o novo amanhecer
E fazer a vida de novo acontecer…
Vamos lá?

Alda M S Santos

Bônus da maturidade

O que você acha que melhora com a idade?

BÔNUS DA MATURIDADE

Sempre se tem uma ideia meio romantizada
Do tempo que se foi, da chegada da maturidade
Dá para saber melhor o que é bônus
E não supervalorizar tanto o que é ônus
Se angariou sabedoria saberá em que focar
E descartar o que já não vale a pena conservar
As questões físicas são assim, irreversíveis
Mas dá para se cuidar, valorizar as cicatrizes
Marcas no rosto, na pele, são a vida tatuada
Cada risco nos olhos, ou frisos na testa
São escritas, arte, dores, sorrisos, alma em festa
Saber que deu o seu melhor quando o olhar passear lá atrás
E se perdoar as falhas, desenhar um presente eficaz
Tempo não é estático, é um eterno vai e vem
Ondas no grande oceano do viver que faz bem
As emoções são bastante potencializadas
Mas urgência só de aproveitar bem, dar gargalhadas
Quer seja numa cadeira de balanço ao entardecer
Ou num voo de asa delta ao alvorecer
A maturidade tem essa prerrogativa
Os corações são livres, almas não cativas
Cada qual tem a liberdade de escolher sua prisão
E isso, a opinião dos outros já não importa não!

Alda M S Santos

Com espinhos

COM ESPINHOS

Não precisa eliminar os espinhos
Basta ter cuidado, ir com jeitinho
Rosas são belas mesmo assim
Têm cor, perfume, espetam, enfim

Não adianta exigir que seja perfeito
Todos temos nosso lado imperfeito
Somos um misto de defeitos e qualidades
É sábio conseguir priorizar o que traz felicidade

Nessa viagem escolhemos nossos caminhos
E as companhias para não seguir sozinhos
Tão importante quanto saber para onde ir
É escolher quem nos acompanhará sem fugir

As rosas nos ensinam a lidar com os espinhos
Nas estradas a saltar as pedras do caminho
A grande lição é amar o outro em sua essência
No bem, no mal, sempre, não só de aparência

Alda M S Santos

Intimidade

INTIMIDADE

Intimidade é aquela relação prazerosa que cultivamos
Com quem nos é especial
Onde tudo podemos dizer, fazer, trocar
Sem nos envergonhar e, com isso, aliviar todo mal

Quem tem boas relações de amor, de amizade
Quase nunca é acometido pela solidão
Encontra nessa pessoa a disponibilidade
E a intimidade que complementa toda boa relação

A intimidade pede reciprocidade
Confiança que se abastece na troca, conexão
Nudez em sua totalidade
Intimidade não só de corpos, mais conhecida como paixão,
Mas intimidade de mente, sintonia
Principalmente, intimidade de almas, magia…

Uma boa intimidade de almas nunca se acaba
Vai além da vida…

Alda M S Santos

O que se propaga

O QUE SE PROPAGA…

Tanta coisa ruim tendo espaço
Tanta maldade desfazendo laço
O mal sendo por todo lado propagado
O bem pede passagem, merece ser divulgado

A mão esquerda quer saber o que faz a direita
E que ela diga a todos dessa bela feita
Assim será capaz de se sobrepor ao mal
Contágio do bem é necessário, é essencial

Ainda há muitas coisas belas por aí
Em versos, em prosas, no modo de agir
Urge que o bem seja uma opção a seguir

Quero ler coisas bonitas, ficar encantada
Não ignorar o mal, não ser alienada
Mas alimentar as almas de coisas abençoadas

Alda M S Santos

Ah, o tempo…

AH, O TEMPO…

Dizem que cura tudo, torna curtido
Basta estar aberto, tempo curto ou comprido
Não sei disso não, penso que machuca
Se ficar remexendo muito, alma fica maluca
Querendo voltar lá atrás, momento bem vivido
Ou dar um salto para a frente, algo sonhado e querido
No espelho ele é meio cruel, atroz
Se observarmos bem pode ser até um algoz
É preciso ter com ele mais benevolência
As marcas no rosto têm histórias, completude ou carência
Mas são únicas, especiais, são estradas de vida
Grafadas ali em suave relevo a nossa lida
No olhar estão as maiores marcas do tempo
Se alguém souber observar com o coração
Tudo ali diz: valeu cada emoção
Tempo pode tirar o viço, a energia
Mas o desejo de ser e fazer feliz
Tempo só potencializa esse desejo, essa magia
Olhe o tempo através do espelho, do olhar
Lá terá paz, serenidade, em si mesmo um bom lugar …

Alda M S Santos

Juquinha da Serra do Cipó

JUQUINHA DA SERRA DO CIPÓ

Em cada cantinho das nossas Minas Gerais
Um personagem, um alguém, contos especiais
Na Serra do Cipó o querido Juquinha da Serra
Marcante andarilho, história de nossa terra

Toda boa história passa de canto a canto
Quem viu admirou, guardou, caiu de encanto
Um moço simples que zanzava naquela região
Distribuía flores a quem pedia seu coração

Vida cercada de mistérios e lendas
A idade ninguém sabia, gostava de oferendas
Morreu e ressuscitou, surpreendiam, tinha catalepsia
Isso aumentava em torno dele a magia

Viveu e morreu naquele lugar, dali fazia parte
Todos têm algo a dizer, hoje ele é arte
Sua imagem em escultura da serra zela
Cercada de cachoeiras e flores, atrai donzelas

Quem passeia na Serra do Cipó ali faz parada
Essa é obrigatória ao longo da jornada
Ele fica em posição única, privilegiada
Não há quem não sinta a região abençoada

Alda M S Santos

Nada por viver

NADA POR VIVER

Não quero deixar nada por viver
Tanta gente indo embora tão cedo, deixando muito por fazer
Que aumenta em nós a necessidade de nada deixar por viver
Com o cuidado de, com isso, nada no outro fazer morrer

Parece que há tanto ainda por aprender
Tantos lugares a passear, a conhecer
Muito ainda a doar, a ajudar, a nos compadecer
Tanto amor ainda por fazer…

Não quero deixar nada aqui para viver
Quero brincar mais, sorrir mais, sem reclamar quando doer
Porque tudo isso faz parte do viver
Extraí da vida tudo o que ela oferecia, quero poder dizer

Quero em tudo intensidade, interação, paixão
A vida do outro lado haverá afazeres diferentes, outra distração
Daqui levarei lembranças, emoção, satisfação
E, se Deus quiser, nada deixarei
Além de marcas boas de saudade em cada coração…

Não quero deixar nada por viver…

Alda M S Santos

Sobre filhos, árvores e livros

SOBRE FILHOS,  ÁRVORES E LIVROS …

Uma forminguinha nesse imenso formigueiro
Uma letra, um verso, nesse imenso livreiro
Um universo de opções literárias
Vai tornando nossa alma menos precária

Plante uma árvore escreva um livro, tenha um filho
Talvez a vida assim já tenha seu brilho
Tenho lindos filhos,  plantei árvores  maravilhosas
Quanto aos livros, é uma experiência… gostosa

Altos e baixos, momentos de luz ou obscuridade
Têm filhos, árvores e livros, cada qual com sua prioridade
Não desistimos de seguir com alegria e lealdade 

Sigo amando os filhos que gerei
Admirando e cuidando das árvores que plantei
Divulgando os livros em versos que poetizei

Alda M S Santos

Viver ou morrer

VIVER OU MORRER

Nossa vida anda no ritmo que a gente imprime
Ora vai rápido, ora devagar, alegra, oprime
Mas ela tem por aqui a extensão necessária
Seguimos a trilha acompanhada ou solitária

A hora de voltar para casa, para o lar eterno
Pode ser na primavera ou no inverno
Sabemos que temos por aqui nossa missão
E dela não dá para desistir ou abrir mão

Vai nosso corpo e alma para a nova morada
Mas em cada um fica nossa marca tatuada
Quem amamos, quem nos amou nessa viagem
Nos eternizamos nos corações com coragem

Vamos nos embrenhando em cada caminho
Lá fora, cá dentro, com afeto e jeitinho
Bom termos amigos, sermos estimados
Não sabemos quando seremos chamados

Alda M S Santos




Cristão de atitude?

CRISTÃO DE ATITUDE?

Você é uma pessoa religiosa?
É daqueles que acreditam num poder maior?
Tem fé em Deus, aceita seus desígnios?
Sabe que muito por aqui depende de suas atitudes?
Você é daqueles que vivem na e pela igreja?
Ou prefere ser aquele que age, que trabalha?
E o padre dizia que Paulo se sentia feliz seguindo a Cruz…
E nos exortava a refletir: o que te faz mais feliz?
O que te faz mais Cristão, além de frequentar a igreja?
Quais as obras que realiza?
Não basta rezar, rezar e rezar, na igreja ajoelhar!
É preciso saber estender a mão, o colo, abrir seu coração!
Um Cristão de verdade tem o olhar iluminado e bondoso!
Cuida da vida dos outros sem julgar, só visa ajudar!
Os outros podem ver Cristo em você?
Sentem-se felizes na sua presença?
Você é um Cristão de atitude, de ação?
Essa é uma boa reflexão!!!

Alda M S Santos

Pérolas e mulheres

PÉROLAS E MULHERES

A mais linda produção gerada pela dor, pelo atrito
Pelo sofrimento, ostra protegida, machucada
Uma obra de arte que encanta a mulherada
Mulher entende de sofrimento, de superação
Entende de dor, de alegria, de beleza e proteção
É parceira e admiradora infinita dessa joia
Uma relação de atração, de sedução e amor
Que se explica na essência que ambas trazem consigo
Produzir maravilhas, encantar, ignorar o castigo
Serem aos olhos do mundo a fragilidade e a força
O encanto, o brilho, a luz e a opacidade
Sem nunca perder o que trazem de mais belo, a naturalidade
Mulheres são pérolas raras que carregam em si a felicidade

Alda M S Santos
XLVIII ENCONTRO PÔR DO SOL
TEMA: Pérolas e mulheres, uma longa história  de amor

Sou amante

SOU AMANTE

É frio, é calor
É cachoeira, é cobertor
É a vida em fúria, em extremos
Em busca de mais amor

É frio lá fora
É aquecimento aqui dentro
Porque ela é atrevida
E a vida só vale se faz sentir, se faz sentida

É frio, é calor
Tanto faz, proibido é proibir
É preciso trair o tempo
Com a alegria de existir
Que alonga todo momento…

É frio, é calor
É lareira, é fervor
Em inverno gelado ou verão escaldante
É preciso viver com ardor
Nessa vida da qual sou amante…

Alda M S Santos

Onde carregas?

ONDE CARREGAS?

Onde carregas o que amas?

No pulso a contar o tempo
A te enternecer todo o momento?
Na carteira bem guardado
Onde proteges o valorizado? 

Onde carregas o que amas?

Naquela imagem no celular estampada
Num cartão na página do livro marcada
Na camiseta em coração silkada
Ou numa declaração no corpo tatuada?

Onde carregas o que amas?

Na pele tal qual fragrâncias impregnadas
Na mente em muitas memórias ativadas
No coração em todos os espaços demarcados
Na alma, enfim, o amor eternizado…

Onde carregas o que amas?

Alda M S Santos

Mesmo peso, mesma medida

MESMO PESO, MESMA MEDIDA

Se fosses amado como amas
Acolhido como acolhes
Compreendido como compreendes
Respeitado como respeitas
Seria o bastante para você?

Se fosses colher o que plantas
Se pudesses ouvir o que falas
Se recebesses a atenção que ofertas
O carinho que doas, o trabalho que produzes
Seria envenenado ou abençoado?

Se fosses cobrado pelo que recebeu
Aquele dom que nao usou como prometeu
Se fosses avaliado no peso que avalias
Julgado na mesma medida que julgas
Serias inocentado ou condenado?

Sorte nossa que o Criador é mais benevolente
Nos dá chances de aprender constantemente
Se Ele que é perfeito nos ama e aceita
Deixemos de ser almas tão imperfeitas
Vamos evoluir, nas lições a gente se endireita

Alda M S Santos

Quer que desenhe?

QUER QUE DESENHE?

Não basta não fazer o mal
É preciso que faça o bem
Não basta não incitar o ódio
É preciso que se propague o amor
Não basta não excluir ou discriminar
É preciso acolher e respeitar
Não basta ser bondoso com os iguais
É preciso ser compreensivo com os diferentes
Não basta não extorquir ou não roubar
É preciso saber bem dividir o que conquistar
Não basta alcançar o topo de uma montanha
Se deixou tantos para trás nessa façanha
Não basta usar o nome de Deus
Aliás, melhor até que não use mesmo
Se for para deturpar Sua fala de amor
E de aceitação de todas as criaturas…
Humanidade que não se envergonha por seus atos
Cidadãos que se julgam superiores, uns ingratos
De nada valerá ter tanto, tanto por aqui
Se não souber bem usar ou distribuir
O Maior Humano que viveu entre nós
Foi claro: Amar a Deus sobre todas as coisas
E a teu próximo como a si mesmo!
Quer que desenhe?

Alda M S Santos

Se um dia eu me perder

SE UM DIA EU ME PERDER
Se um dia eu me perder
Procure-me onde haja muito verde, muita mata, ar puro,
Se um dia eu me perder
Procure-me onde as águas sejam límpidas a refletir o céu,
Se um dia eu me perder
Procure-me num roseiral, em meio às borboletas azuis,
Se um dia eu me perder
Procure-me na alegria inocente de um grupo de crianças,
Se um dia eu me perder
Procure-me nos grãos de areia da praia ao pôr do sol,
Se um dia eu me perder,
E ainda assim não me encontrar,
Não busque em mim, olhe dentro de você,
Se me procuras, é porque me amou,
Se me amou de verdade, eu também te amei,
Certamente uma parte bonita de mim estará gravada em você,
Uma parte grande de você estará presa em mim,
E poderá levar-me a me encontrar…em você, em mim,
Comigo, com você!
Se um dia eu me perder de mim…
Alda M S Santos

Nesse friozinho

NESSE FRIOZINHO

Nesse friozinho gosto de me enroscar
Como gata me aconchegar, ronronar
Só levantar se for para pegar uma taça de vinho
E voltar em busca de mais atenção e carinho

Nesse friozinho gosto de ver a janela embaçada
O Sol brilhando, invadindo espaços, alma lavada
Uma lufada de vida e luz, uma bela cantada
Dizendo para a vida lá fora não ser abreviada

Nesse friozinho gosto de café, chá e banho quentes
Aquele amor que alegra e aquece a vida da gente
Uma fogueira acesa à noitinha no quintal
Outra acesa no coração, num vendaval por o amor num pedestal

Nesse friozinho gosto de hibernar
Cuidar do terreno emocional, bem adubar
Lá dentro de mim reabastecer a energia
Luz, calor, água e afeto fazendo florescer a alegria

Alda M S Santos

Ora sóbrio, ora ébrio

ORA SÓBRIO, ORA ÉBRIO

Sigo, paro, espero, subo nesse trem
Sinto, penso, avalio, será que convém?
Sombras, fumaça que sobe para o céu
Tanto por aqui, verdadeiro escarcéu

Tic-tac do relógio do tempo
Indiferente a qualquer contratempo
Segue ora parceiro, ora algoz
Tão difícil desfazer certos nós

Penso dormir, não acordar, desistir
Como a fumaça… para o céu subir
E o trem segue… piuíííí…piuiííí
Ainda há o que fazer por aqui?

Gente que chega, gente que vai
Envelhecendo a cada dor, a cada ai
Na balança da vida há desequilíbrio
Ora estou sóbrio, ora estou ébrio

E o trem indiferente avança na linha
Para onde vai, quem caminha?
Melhor curtir a viagem sem esmorecer
Ninguém sabe quando irá descer…

Alda M S Santos

Assim somos feitos

ASSIM SOMOS FEITOS

Do barulho das gargalhadas de alegria
Do colo quentinho que doamos, pura magia
Da luz de cada olhar que o bem irradia
Do mel de um beijo de bom dia

Assim somos feitos…

De uma oração no tapete ajoelhados
Dos gritos de medo na garganta sufocados
Dos abraços na ponta dos pés, apertados
Do adormecer no travesseiro de lágrimas molhado

Assim somos feitos…

Do passado que ficou na saudade
Do hoje que se impõe sem piedade
Do amanhã que aguardamos com ansiedade
Do viver sempre em busca da felicidade

Assim somos feitos…

Alda M S Santos

Quando olho para dentro

QUANDO OLHO PARA DENTRO

Quando olho para dentro a visão se amplia
Entendo o que se passa lá e cá, boa sinergia
O que sinto, o porquê, as faltas e os excessos
Fica mais fácil avaliar todo o processo

Quando olho para o interior, me encontro
Pergunto, respondo, silencio, confronto
Pode doer, fazer sofrer, fazer chorar
O caminho se descortina para poder continuar

Quando olho para aquele cantinho especial
Descubro o que me faz bem ou faz mal
Melhor, entendo o que não é primordial
Posso dispensar sem medo de vendaval

Quando mergulho em mim, saio da superfície
Busco pureza, claridade, afasto toda imundície
Vem a certeza que tudo que se quer resolver
Começa de dentro para fora, novo florescer

Alda M S Santos

Cabe direitinho

CABE DIREITINHO

Gosto de coisas que cabem direitinho
Que parecem ter sido feitas sob medida
Como minha cabeça em seu ombro acolhedor
Ou nossos pés entrelaçados sob o cobertor 

Gosto de coisas que cabem direitinho
Como minhas mãos dentro das suas
Meu sorriso sob seu terno olhar
Minha segurança em seu modo de amar

Gosto de coisas que se harmonizam
Como um beijo suave ao amanhecer
Ou um caloroso e intenso abraço ao anoitecer

Gosto de me encaixar, me completar em você
Ou do modo como você se completa em mim
Caber direitinho faz muito bem, ah, faz sim

Alda M S Santos

Bom mineiro

BOM MINEIRO

O bom mineiro é aquele que chega devagar
Tem doçura, calma e sensibilidade no olhar
Com jeitinho especial vai comendo pelas beiradas
Não desiste fácil, enfrenta qualquer parada

Simples por natureza, é bem hospitaleiro
Gosta de gente sincera, coração verdadeiro
Canjiquinha, tropeiro, doce de leite, pão de queijo
Junta tudo numa prosa regada a abraços e beijos

Gosta de praia,  roda de conversa e violão
Passeio na serra, na cachoeira, missa com sermão
Com verdade e bondade ganha seu coração

Alma feita de boa mistura de urbano e rural
Dentro do peito dele só cabe o que é natural
Se quiser morar ali, seja você, seja real

Alda M S Santos

Era uma casa

ERA UMA CASA

Que tipo de casa você é?

Daquelas que têm as portas sempre abertas
Jardineiras na janela com flores amarelas
Cortinas coloridas, na varanda uma rede
Capacho de boas-vindas, fotos na parede?

Que tipo de casa você é?

Daquelas com vigilância eletrônica
Alarmes que soam a qualquer irregularidade
Espaços amplos e iluminados artificialmente
Puro luxo e beleza, nada de simplicidade?

Que tipo de casa você é?

Daquelas em que todos ficam à vontade
Trânsito livre em todos os espaços
Ao ponto de restringir sua liberdade
Sentindo-se invadido em sua intimidade?

Que tipo de casa você é?

Sabe deixar a porta entreaberta
Para entrar quando quiser a pessoa certa
Aquela que fica e te deixa confortável
Morando em si mesmo, lar adorável?

Nossa alma é nossa casa!
Que tipo de casa você é?

Alda M S Santos

No meio do caminho

NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho
Tinha buracos, tinha espinhos
Tinha amigos, tinha amores
Tinha poeira, tinha carinhos
E tinha você…

No meio do caminho
Tinha pedras, tinha árvores
Tinha rampas, tinha escadas
Tinha trabalho, tinha preguiça
E tinha você …

No meio do caminho
Tinha aviso, tinha perigo
Tinha desamparo, tinha abrigo
Tinha gritos, tinha silêncio
E tinha você …

No meio do caminho
Tinha sol, tinha chuva
Tinha luz, tinha escuridão
Tinha desânimo, tinha perseverança
E tinha você…

No meio do caminho
Tinha dor, tinha ansiedade
Tinha sorrisos, tinha lágrimas
Tinha medos, tinha afinidade
E tinha você…

Mas no meio do caminho
Tinha o mundo todo perfeito
De belas escolhas recheado
Da saudade acompanhado
Mas era insignificante, pois não tinha você!

Qualquer caminho só será bonito
Se tiver você!
Valorize-se!

Alda M S Santos

Dez em dez

DEZ EM DEZ

De dez em dez tudo muda
A cada década a vida carece de ajuda
O corpo evolui, se refaz, se modifica
Algo se desfaz, algo se solidifica

Brincadeiras e artes de criança
Tudo é motivo de alegria e segurança
Adolescência alimentada de esperança
Vida adulta que exige perseverança

Antes ser cuidado com amor e carinho
A vida vai passando feliz, devagarinho
Mais tarde o tempo passa veloz
Se a gente não cuidar ele vira nosso algoz

Confiança, rebeldia, força, letargia
Adjetivos que perpassam, são magia
Jovem, adulto, idoso, criança
Convivem em nós, sem cobrança

A cada década aprendizado e gratidão
Olhar lá atrás, lá na frente, aceitação
De dez em dez fica preciosa lição
Amar, ajudar, se doar, eterna (re)construção

Alda M S Santos

Na vida da gente

NA VIDA DA GENTE

Há gente de todo tipo na vida da gente

Gente com quem a gente ri, pura amizade
Gente com quem a gente briga, pura falsidade
Gente que a gente quer distante, falta reciprocidade
Gente que nos põe para baixo, pura maldade

Há gente de todo tipo na vida da gente

Gente que nos instiga a superar e afastar o pranto
Gente que nos abraça com o olhar, puro encanto
Gente que foi embora, por desencanto
Gente que veio para ficar, se fazendo nosso recanto

Há gente de todo tipo na vida da gente

Gente com quem a gente faz amor, pura sensualidade
Gente que está longe da gente, muita saudade
Gente que nos ama desse jeitinho, pura intimidade 
Gente que faz melhor a vida da gente, pura felicidade…

Com tanta gente na vida da gente
Será que ainda falta mais gente?

Há gente de todo tipo na vida da gente…

Alda M S Santos

Viajo

VIAJO

Ah, como é bom viajar
Poder ir para qualquer lugar
No bairro vizinho ou além-mar
Viajar é um meio de se encontrar

Viajo para manter sentidos em alerta
Atiçar a alma que às vezes anda incerta 
Sacudir o pó da rotina estacionante
Fazer brilhar o que já está maçante

Viajo para me encontrar fora de mim
Trazer para dentro o que é bom, afastar o ruim
Lustrar minha vitrine que por vezes fica opaca
Apurar o olhar, me demorar, sair dessa fuzaca

Viajo de malas cheias, pesadas
Volto com elas leves, recheadas
O que é valioso não sobrecarrega
Como luz que se alastra, só agrega

Alda M S Santos

#viagem

Queria voar

QUERIA VOAR

Queria tanto voar…

Não a bordo de um avião
Ou dentro de máquina de aço qualquer
Queria bater minhas asas
Como águia, ou um gavião
Poder ir a qualquer canto
Onde não houvesse nenhum pranto

Queria tanto voar…

Lá do alto observar a tudo
Vista privilegiada desse mundão
Liberdade de ir e vir, sem prisão
E poder a quem precisar estender a mão

Queria tanto voar…

Mas sou um ser humano
A nós foram dadas outras habilidades
Podemos andar, pensar, falar, menos voar
Pensando bem, eu trocaria qualquer uma delas
Pela capacidade de subir, voar, plainar…

Queria tanto voar…

Já que isso não é possível
E confio no Senhor da Criação 
Daqui fico curtindo e acenando
E voando apenas na imaginação…

Vamos voar?

Alda M S Santos

Dói

DÓI

Dói se perceber num mundo cruel
Onde o individualismo é amargo como fel
Dói saber que nem todo sorriso é de verdade
E que há gente má em qualquer idade

Dói ter que ingerir vida sem tempero
Pratos vazios, fome e desespero
Falta doçura, sobra sal, acidez
Tanto azedume que causa embriaguez

Dói ver a mentira e falsidade alçando voos
E a verdade que cura apenas causando enjoos
Dói notar que não é importante o sentimento
Demonstrar emoção parece sem fundamento

Dói notar que se prioriza o ter
Quase ninguém quer saber de ser
Adquirir bens, títulos, carro, um casarão
Vale mais que conquistar um coração

Queria a leveza de uma borboleta
Estar entre cores, beleza, natureza
Entender que é melhor a simplicidade
E num abraço afastar a dor, ser felicidade

Alda M S Santos

A arte de conviver

A ARTE DE CONVIVER

Viver é mágico, conviver é arte
Consigo mesmo, em toda parte
Sorrindo, chorando, brigando, lamentando
Na paz ou na guerra, sempre lutando

Viver é arte de conviver, dizia Quintana
É interagir e seguir nessa caravana
Num castelo, barraco ou cabana
A vida se impõe, deveras soberana

Conviver bem nos porões internos
Tão importante quanto acolher o externo
Se sei respeitar minhas tempestades
Logo o arco-íris chega, sem vaidades

Se aprendo a respeitar minhas emoções
Ouvindo com carinho o bater dos corações
O conviver é só um jeito leve de ser
E deixa tantas vezes de nos fazer sofrer

Alda M S Santos


Eu posso, sim, escolher!

EU POSSO, SIM, ESCOLHER!

Sou eu quem decido se rio ou se choro 

Se não ligo, não me importo, se ignoro 

Sou eu quem opto pelo azul ou rosa

Se calo, silencio ou se fico toda prosa 

Eu posso, sim, escolher! 

Posso escolher  entre seguir ou parar 

Sentar, deitar, descansar, relaxar 

Sou eu quem escolho meus caminhos 

Se quero companhia ou se vou sozinha 

Eu posso, sim, escolher! 

Sou eu quem faço a opção pelo amor 

Por acolher só o que não cause dor 

Sou eu que seleciono o que abraçar 

Também o que não serve, descartar 

Eu posso, sim, escolher! 

O que olhar ou admirar, me encantar 

Aquilo que prefiro não ver, apagar 

Sou eu quem escolho o que dançar 

Ou a música que quero tocar 

Eu posso, sim, escolher!

E asslm dou o tom do meu viver! 

Alda M S Santos 

Nublado

NUBLADO

Se o mundo lá fora está nublado
Se tudo parece meio triste, deixado de lado
Vamos tentando acender cá dentro nosso sol
Não deixando escondido nosso melhor farol

Mexe e remexe buscando algo de bom
Aquela lembrança doce, um cheiro, um tom
Alguma coisa que aqueça nessa friagem
E não nos deixe sentir na desvantagem

Ainda que o desejo seja de não sair da cama
Voltar a dormir, ignorar que a vida chama
Bom lembrar que somos como a lua
Somos feitos de fases, avança e recua

Saber que atrás de toda nebulosidade
Há brilho e cor, há luminosidade
Reacender os ânimos, atiçar a esperança
Brincar sem medos, saber ser criança

Alda M S Santos

Artificial

ARTIFICIAL?

Dispenso essa inteligência artificial
Não quero, prefiro o “peso” do natural
Bem melhor um olhar que aquece
Aquele abraço que acolhe e rejuvenesce

Não compro a ideia robótica
Sei que há por aí outra ótica
Benefícios podem até nos trazer
Mas somos nós que podemos fazer acontecer

Uma máquina pode ser nossa auxiliar
Sob nosso controle é capaz de nos ajudar
Não entregar nossa vida aos algoritmos
Inteligência emocional, cada qual em seu ritmo

Nossa humanidade anda tão só e carente
Que abraça essa situação tão dormente
Entender o que precisa nosso coração
Basta olhar demorado para nosso irmão

Alda M S Santos

Vou seguir viagem

VOU SEGUIR VIAGEM

E se já viéssemos para essa viagem
Com o tempo contado de passagem
Dia certo de chegar, hora marcada de voltar
Será que já viemos com roteiro pronto
Lugares a conhecer, passear, onde morar
Pessoas com quem conviver, a quem amar
Com uma lista de coisas a fazer, realizar
Será que ainda falta muito para retornar?
O quanto da minha lista já está com ok
Quanto ainda está em aberto, pendente
Fico imaginando se os desvios de rota fazem parte
Ou se nada é desvio, tudo faz parte do pacote
Foi feito check-in,  será feito check-out
Haverá dívidas a pagar, como negociar?
Olho para trás… tanta coisa lá ficou
Miro lá na frente…até onde poderei ir?
Queria ver meu contrato inicial
Refazer algumas rotas, repetir alguns momentos
Sem contudo prejudicar o que ainda falta pra consumar
Sei que é uma viagem por vezes cansativa
Há dias que simplesmente dá vontade de parar
Deixar o vento levar tal qual ondas no mar
Penso que ele deve saber onde me fazer pousar
Será?
Se eu pudesse ver o que tem pela frente
Ficaria mais animada ou seria deprimente?
Ah…sei lá! Faz de conta que o melhor está por vir…
Vou alegremente seguir…

Alda M S Santos

Um encanto qualquer

UM ENCANTO QUALQUER

Nas vias curvas dessa vida por vezes sofrida
No alto da serra, final de vielas compridas
Um mirante, uma bela vista definitiva
Faz lembrar do quanto ela pode ser impeditiva

Olhar alcança longas distâncias, belo horizonte
Desejo de voar, ir longe, atravessar pontes
Descobrir a que veio, perdoar-se, sem rodeios
Derrubar os muros, seguir, descartar os freios

É preciso buscar em tudo o que há de magia
Tentar ativar em nós o que gera harmonia
Deixar ir se apagando qualquer dor ou agonia
Depende de nós fazer brilhar nosso dia

Tão bom encontrar alegria, ser sorriso, ser mulher
Independente de onde, quando e com quem estiver
Do modo de agir ou do que se fizer
Sempre enxergar em tudo um encanto qualquer

Alda M S Santos

Quando o mundo acabar

QUANDO O MUNDO ACABAR

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Vou sentar num canto, refletir, analisar
Será que fiz tudo que me cabia
Sem esmorecimento, preguiça ou letargia?

Quando o mundo acabar, voltarei para casa
Livre de todos os pesos, leves asas
O quanto ficará de mim nesse espaço
Ao menos deixarei algum forte laço?

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Serei grata, penso que o pranto vai chegar
Seja saudade, não arrependimenro ou pesar

Mas enquanto o mumdo não acabar por aqui
Assumirei minha parte, vou amar, vou agir
O voo de volta por hora pode seguir sem mim

Alda M S Santos

Inverno, sol preguiçoso

INVERNO, SOL PREGUIÇOSO

O dia demora para chegar, preguiçoso
Será que o Sol estava num abraço gostoso
Dormiu tranquilo, calmo, de conchinha
E esqueceu de abrir o dia de manhãzinha?

O jardim aguarda seu brilho, seu calor
Precisa de sua luz para ter mais cor
As flores são puro orvalho, estão molhadas
Lembrando da noite longa de brisa gelada

E a gente levanta meio ressabiado
Buscando um cantinho para ser esquentado
Queremos pelo rei ser abraçados

Logo a vida tem início, a lida começa
Um calorzinho chega sem pressa
Acolhemos com carinho, antes que se despeça

Alda M S Santos

Teimosia

TEIMOSIA

Ela é teimosa, não desiste, é insistente
Mergulha fundo, faz cócegas na alma da gente
É um sol que ora aquece ora queima
Uma estrela que em nosso céu teima

Ela é teimosa como chuvinha fina
Nos faz entender e seguir nossa sina
Traz nuvens escuras que nos abraçam
Também arco-íris que nos enlaçam

Ela é teimosa feito queda d’água da cachoeira
Forte, bela, envolvente, não tem canseira
Segue seu caminho, te leva junto, até o mar
Sabe que seu coração gosta de navegar

A teimosia da vida nos conquista, nos seduz
Tal qual namorada apaixonada sabe ser luz
Cada dia abre nossa janela, nos convida a dançar
E a gente baila bonito, sem pestanejar

Alda M S Santos

Pedidos de socorro

PEDIDOS DE SOCORRO
O mundo pede socorro
Quem é capaz de ouvir?
Pedidos tão barulhentos quanto uma sirene
Ou tão silenciosos como uma lágrima que cai
Crianças precoces sempre de agenda lotada e irritadiças
Jovens perdidos em tantas “opções” de vida moderna
Trancados em seus quartos, “góticos”, marcas roxas debaixo de lenços
Idosos “protegidos” em suas fantasias e remédios
Sorrisos, lágrimas, saudades, abandono
Adultos espremidos entre a infância e a velhice
Solitários entre tantas obrigações e cobranças, entre tanta gente necessitada
Escondidos em suas tarefas, fugindo em seus smartphones
Atrás de amigos virtuais nas telas dos PCs na solidão da madrugada
Todos “gritando” por socorro
Quem é capaz de ouvir?
Cada qual gritando sua dor de um modo
No andar, no olhar, no se esconder, no se mostrar
Na solidão autoimposta, nas atividades excessivas
Nas rebeldias constantes, nas drogas lícitas ou ilícitas
Na irritação desmedida, nos vícios diversos
Quem é capaz de ouvir?
A dor atinge a todos, o grau é variável, de “normal” a patológico
No sentir e no demonstrar
Mas há sempre uma “droga” a nos salvar
Até que não haja mais salvação
Quem é capaz de ouvir?
“Ouvir” a dor do outro é um modo de nos enxergarmos também
E, talvez, conseguirmos nos salvar…
É preciso olhar devagar, demorar-se na dor do outro
Mergulhar fundo na própria dor
Até não mais temê-la, até conseguir diluí-la…
É preciso a pureza e confiança de uma criança para “herdar o reino do céu”
O mundo pede socorro
Quem é capaz de ouvir?
Alda M S Santos

Solidão

SOLIDÃO

Não dá pra viver bem sozinho
Sempre iremos querer alguém
Que preencha bem nosso ninho
Que nos cuide com atenção e carinho

Não dá pra viver na solidão
Ela pode até fazer bem para reflexão
Mas não pode durar muito, não
Precisamos de alguém que ocupe o coração

Forte ou frágil não faz diferença
Todo ser humano precisa de gente
Que o faça melhor, menos carente

O corpo pede, a mente solicita
O olhar implora, o coração grita
Um abraço é tudo que precisamos

Alda M S Santos

Linda menina

LINDA MENNA

Livros, livros e mais livros
Nas mãozinhas pequenas, olhar atento
Qual será a percepção que se tem?
Essa viagem sempre faz bem!

Não importa se é História ou Geografia
Matemática, Romance ou Poesia
Uma criança que lê sabe ser a magia
Que o mundo precisa para afastar a arrelia

Tempo para brincar de jogar, de pular
De cozinhar, de navegar na rede, de sonhar
Livros são fantasia, a mais linda oportunidade
De poder escolher o caminho da felicidade

Linda menina, linda criança
Que o mundo renove sua esperança
De preencher seu livro da vida com ousadia
Com cores, flores, amores e muita alegria

Alda M S Santos

Ainda acredito

AINDA ACREDITO
A despeito de toda desunião
Da falta de fé e de amor Cristão
Eu ainda acredito na humanidade
A despeito de tantas mortes vãs e tamanha crueldade
Das falhas em estender a mão
Eu ainda acredito na humanidade
A despeito de tantos preconceitos e mania de superioridade
Da primazia da razão sobre o coração
Eu ainda acredito na humanidade
A despeito das vezes em que fraquejei
Em que me deixei levar pela decepção
Ou daquelas em que quase desisti, não superei
Eu ainda acredito na humanidade
Se Aquele que a criou ainda não desistiu de nós
Como podemos nós mesmos desistir?
Vamos abrir os braços para a vida e lutar por ela, pela humanidade …
Alda M S Santos

Santo Antônio casamenteiro

SANTO ANTÔNIO CASAMENTEIRO

Nosso Santo Antônio, o Santo casamenteiro
A ele todos recorrem pedindo um companheiro
Colocam o coitadinho de cabeça para baixo
E fazem muitas coisas, não sossegam o facho

Santo Antônio de Pádua, milagreiro sacerdote
Intelectual que pregou a palavra aos consortes
Santo dos pobres e dos mais sofridos
A ele todos recorrem quando oprimidos

Um milagre feito a uma moça solteira
O dote foi multiplicado e garantiu a união
Tornou-se o preferido de quem está na solidão

Uma vida de amor e abnegação
A Deus toda obra e devoção
Tem devotos e seguidores em toda nação

Alda M S Santos

Santo Antônio

SANTO ANTÔNIO

Tá quase na hora da festança começar
Tem moça bonita, enfeitada, perfumada
E moço garboso procurando um par
Logo vão tomar quentão para esquentar

A fogueira queima, começa a trepidar
A quadrilha não irá muito tardar
As barracas de canjica para alimentar
Um povão que veio Santo Antônio saudar

Começa o arrasta-pé, vem nesse balancê
Há um par perfeito só para seu prazer
Santo Antônio está de olho, não adianta se esconder
Daqui você só sai quando o amor pegar você

Alda M S Santos

Namorar…

NAMORAR…
Namoro não é só beijo, só abraços
Namorar não é só viver de amassos
Namorar é se aproximar, se conhecer
Namorar é todo um bem-querer
Namoro pede aconchego, chamego
Mas namoro também pede espaço
Espaço para se encantar, para descobrir-se no mesmo compasso
Namoro pede exclusividade
É benéfico em qualquer idade
Namoro não é só sexo
É conversa séria ou papo sem nexo
É entender os silêncios tanto quanto assunto complexo
É dengo, briguinhas tolas, pieguismo
É também puro romantismo
Namoro é estar junto mesmo distante
É sentir-se leve, confiante
Mesmo no momento mais inconstante
Namorar é surpreender-se sendo elevado do chão
E nada temer, sentir vibrar o coração
Namorar é sentir-se sem ar, sem lugar
Mas descobrir no coração do outro um novo lar
Porque quem namora, paradoxalmente
Perde um pouco de si para poder se completar
Abre espaço para o outro se achegar
E, feliz, se sentir transbordar, efervescer
Não há modo mais belo de viver…
Alda M S Santos

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