DE PEITO ABERTO
De peito aberto, cara lavada, coragem
A melhor maneira, o jeito certo de enfrentar a vida
Mesmo que não haja tanta coragem assim
Nem sempre é o “ser alguma coisa” que resolve
Acreditar que se é, pode valer tanto quanto
Cabeça baixa, medos e covardias
Não nos ajudam em nada!
Acreditar-se lindo, forte, amado
Cheio de energia, saúde e sabedoria
Nos leva ao menos até a metade do caminho.
E tendo descoberto o trajeto
O restante torna-se bem mais leve e prazeroso.
Descobri que só nós mesmos podemos barrar nossos passos!
Alda M S Santos
O QUE TIRA SEU SONO?
Sempre fui boa de cama, de sofá, de rede, de cadeira de balanço…
Deito e apago!
Acordo descansada e cheia de energia na manhã seguinte.
E sonho. Sonho muito mesmo!
Pra me tirar o sono tem que ser algo de grandes proporções,
Ao menos para mim.
Preocupações: essas são as primeiras da lista.
Quero “resolver” tudo de madrugada
Acordar com a equação, senão resolvida, ao menos destrinchada.
Mágoas e decepções: aquelas causadas por quem a gente ama
Daquelas que nos fazem dormir chorando, acordar à noite chorando.
Levantar chorando, querer sair porta à fora, ir embora, mandar embora…
Doenças e males físicos: aqueles crônicos que nem todo remédio resolve.
Tomamos toda a variedade possível, chás e unguentos diversos.
Doenças da alma: tristeza, insatisfações diversas, desamor, falta de perspectivas.
Esses, os mais difíceis de resolver. Precisam da ajuda externa.
Uma atenção, um abraço, um carinho.
Necessitam de amor.
Fora isso, NADA me tira o sono.
E você? O que tira seu sono?
Alda M S Santos
EM PRETO E BRANCO
Quando não conseguirmos ver as cores da vida
Apreciemos o preto e o branco
São únicos, extremos
Têm suas belezas, seus tons, suas escalas…
Nosso olhar pode ver o encanto, o brilho
Em preto e branco, em sua mesclagem
Em todas as suas matizes
Porque somos nós que damos o tom que queremos
Ao que nos é apresentado…
E os tornamos belos!
Alda M S Santos
SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE
Um garotinho chorava e andava atrás da mãe apressada no supermercado.
Pequeno, uns dois anos, no máximo. Passos ainda inseguros.
Uma menininha, pouco mais velha, aguardando o pai que estava na fila do açougue, onde eu me encontrava, cutucou o pai, apontou para a criança. O pai não notou. Fiquei observando. Adoro ver as atitudes infantis.
Olhou para o pai e saiu devagarzinho, sempre olhando para trás para conferir se o pai não iria impedir seu afastamento.
Chegou perto do garoto que chorava, fez-lhe um carinho limpando as lágrimas e o abraçou.
Não ouvi o que dizia. A menininha falou algo e estendeu o bichinho de pelúcia que carregava.
O garotinho o segurou, deu aquela suspirada funda e parou de chorar. A menininha voltou saltitante para perto do pai.
Pouco depois, vem a mãe com o garotinho no colo e fala para o pai: “acho que é da sua filha”!
A menininha mais do que depressa: “é porque ele estava triste”!
Todos ao redor se emudeceram! Sorrisos amarelos, até meio envergonhados.
Será que pensaram no quanto também precisavam de um ursinho de pelúcia?
Quem sabe refletiram em quantas vezes poderiam ter feito o mesmo por alguém?
Cá entre nós, quantos ursinhos de pelúcia mantemos guardadinhos dentro de nós?
Vale lembrar que carinhos foram feitos para circular.
Guardados perdem o efeito!
Amo “ursinhos de pelúcia”!
Dar ou receber.
Alda M S Santos
POR AMOR
Morreu por amor… Deu a vida por amor.
Qualquer outro ato por amor pode parecer insignificante perante esse.
Claro, ele veio do Mestre do Amor, ninguém se igualaria, mesmo tendo sido feito à Sua imagem e semelhança.
Mas o que realmente somos capazes de fazer por amor? Sinceramente!
Pelos nossos filhos, pais e até por alguns familiares ou amigos é fácil imaginar.
Poderíamos até chegar ao ponto de dar nossas vidas.
Mas, simplificadamente, no nosso dia-a-dia, o que temos feito por amor?
Tolerância? É um ato de amor! Ah, mas nem sempre conseguimos!
Respeito aos diferentes? Tentamos! Mas eles são tão estranhos!
Atenção? Conversamos com muita gente! Mas algumas pessoas, as que mais precisam, nos metem medo!
Delicadezas? Um simples “bom dia”, ceder o lugar no transporte, aguardar um idoso no caixa eletrônico, pacientemente, dar a preferência no trânsito… Mas temos tanta pressa!
Um sorriso ou um abraço? Sim, bem, seletivamente. Afinal, não é todo mundo que é de confiança!
Disponibilidade? Temos! Para alguns, é claro. Não podemos resolver tudo.
Na maioria das vezes nos calamos ou nos omitimos em situações tão simples e corriqueiras.
São situações simples de amor! E nos fechamos em nosso silêncio e (des)conforto interno.
Quando indagados, respondemos convictos: “Por amor? Ah, por amor sou capaz de tudo!”
Enquanto aguardamos o momento de fazer “tudo” por amor, as oportunidades se esvaem pertinho de nós, todos os momentos…
Vamos lá! Por amor!
Alda M S Santos
Carinhólogos Solidários de BH
carinhologos@gmail.com
ABRAÇOS GRÁTIS?
Abraços grátis?- perguntamos com um sorriso de palhacinhas, ou mostramos nossos cartazes.
Assim começa nossa tarde de carinho na região hospitalar de BH com o grupo Carinhólogos Solidários.
– Grátis? Tem certeza?-dizem alguns.
– Claro! Há muito tempo precisava de um abraço!- respondem outros.
– Quem é que quer abraçar um preto velho como eu? -diz um senhor negro e de olhar sofrido.
– Abraço você e vejo meu irmão! Ele foi palhaço por vinte anos! – e chora de soluçar no meu abraço.
– Poderia ficar muito tempo num abraço. Estou muito sofrida!-diz a mãe com o filho internado.
– Abraço você e pego energia boa para levar para meu filho que está lá em cima. É um aviso de Deus que tudo ficará bem.- fala um pai preocupado.
Uns se recusam, outros nos procuram e se oferecem, uns demoram a se entregar ao abraço, outros não querem dele se soltar.
Contam suas histórias sofridas. Reconhecem o valor daquele abraço “enviado por Deus” e agradecem.
Há aqueles que estendem apenas a mão, olhares carentes de abraço, mas coração duro, machucado.
Histórias de dor e sofrimento nas recepções e portarias de hospitais.
Porteiros, recepcionistas e funcionários recebem felizes, com gracejos e abraços o nosso grupo.
Crianças e idosos são mais receptivos, mais emotivos. Adultos os recebem mais ressabiados.
Em cada um dos mais de 500 abraços de hoje, muito carinho e conforto foi levado.
Cada uma de nós recebeu aquilo tudo em dobro.
Abraços grátis?
Claro! São os melhores!- resumiu um senhor todo feliz!
Alda M S Santos
Carinhólogos Solidários de BH- facebook
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Instagram: http://www.carinhologos.com
CONFUSÃO INTERNA, CARINHO EXTERNO
Ela acordou meio down. Um dia cheio a aguardava. Adorava dias cheios, mas nem isso a animava a sair da cama.
Espreguiçou-se longamente e levantou. Escovou os dentes e nem quis se olhar no espelho. Seria assustador! A bagunça interna estaria em seus olhos.
Resolveu fazer o que toda mulher faz nessas ocasiões: cuidaria do exterior primeiro. Seria mais fácil. Aumentaria a autoconfiança e a atenção poderia ser total à bagunça interna.
Unhas, cabelos e pele tratados, partiu para a mente e o coração.
Conversou com amigos e familiares queridos.
Leu um livro que gostava, escreveu um pouco.
Partiu a ajudar os outros…
Talvez quando terminasse, a bagunça nem seria mais tão importante!
Alda M S Santos
O QUE MATA O AMOR?
O que mata o amor? Quem disse que amor não morre?
Morre sim, definha, sofre de inanição, desidratação.
Amor é algo vivo, e tudo que é vivo pode um dia morrer.
Alguns ficam em fase terminal no CTI por anos a fio,
E morrem…
Outros sofrem morte súbita, violenta, trágica.
Uma palavra mal dita aqui, um descaso ali, um esquecimento acolá,
Uma pequena indiferença, um olhar sem ver, uma desconfiança,
Uma dúvida não esclarecida, discussões inoportunas e sem tato,
Um silêncio fora de hora, uma impaciência a qualquer hora,
Um abraço que não toca, uma pessoa que não se toca!
O amor nasce nas pequenas coisas, quando percebemos, amamos
E não sabemos explicar porque, normalmente listamos inúmeras coisinhas…
Sua morte também se dá da mesma maneira,
De pequenas em pequenas coisinhas,
Quase sempre as mesmas de outrora, que amamos, e foram-se embora.
Aquele sorriso cativante, aquele olhar carinhoso, aquele abraço terno,
As palavras doces, calmantes e oportunas,
A atenção que se esqueceu de prestar atenção…
Desidratando, desnutrindo, definhando, morrendo…
A boa notícia é que mesmo pacientes no CTI podem se recuperar e sobreviver!
Alda M S Santos
CERCAS ELÉTRICAS
Como o ser humano está evoluído! Estão construindo cerca elétrica para barrar a entrada de imigrantes na Hungria. Sensores de calor, autofalantes com mensagens intimidatórias multilíngue, descargas elétricas…
Tecnologia de ponta usada contra refugiados das guerras e miséria que chegam à Europa, maioria de mulheres e crianças!
Outras planejam construir muros! Num mundo criado por Deus para todos nós! Que inteligência é essa? Que coração é esse?
Como podemos nos sentir diante de uma situação dessas? Envergonhados por sermos humanos?
Quem comete pior crime? Aqueles que guerreiam, expulsam e matam outros seres humanos, ou quem recusa a eles asilo e uma chance de sobrevivência?
Não sou ingênua, sei dos problemas que podem advir de populações de imigrantes, principalmente refugiados de guerra, em outras nações.
Superpopulação, miséria, desemprego, fome, doenças…
Mas a maioria não quer é abrir mão do conforto, dos desperdícios, da ociosidade.
Sei que não é fechando as portas de modo tão grosseiro e cruel que o problema será resolvido.
Somos todos humanos, afinal! Mesma espécie! Ou não somos?
Recebê-los, na medida em que cada nação pudesse absorver, não custaria tanto a ninguém, tampouco às nações de primeiro mundo.
“O que vocês fizeram com as criancinhas que eu lhes confiei”?
Seríamos capazes de olhar nos olhos Dele e dizer, “fechei-lhes as portas”.
Sequer as mandam voltar para casa, visto que não possuem mais casa.
Uma descarga elétrica é mais “limpa” para fazer o trabalho “sujo”.
A cerca já foi construída em seus corações faz tempo.
Alda M S Santos
ESTAREI CONTIGO
Quantas vezes ouvimos essa frase ou as similares: conte comigo, não vou te deixar, estaremos sempre juntos, não vou a lugar algum…
Talvez o mesmo número de vezes em que precisamos e os autores não estavam mais lá.
Não estamos fazendo nos entender, ou são desentendidos mesmo?
A quem fiz essas mesmas promessas? Tenho estado atenta?
Minha avó de 94 anos, que vive sozinha, sempre diz: “nascemos sozinhos e pelados, morremos também sozinhos, o que vier no intervalo é lucro”.
E ainda completa: “não espere nada de ninguém”!
Algumas pessoas lidam melhor com a individualidade, gostam de se isolar, não compartilhar, sabem e até preferem se virar melhor sozinhas.
Outras, porém, precisam de gente, necessitam sentir que têm apoio por perto, ainda que não os utilize!
E ainda há aquelas que partilham apenas os bons momentos e alegrias. Nas tristezas e baixo astral preferem se isolar.
Não sou pessimista como minha avó, mas, a cada dia mais percebo que, por mais promessas que recebamos, por mais gente que tenhamos por perto, o que vale mesmo é que nós nos ajudemos.
Poder buscar e encontrar dentro de nós, pois sempre estará lá, o que se faz necessário, é a maior dádiva.
Podemos contar com Alguém que nos prometeu ajuda, “que estaria conosco até o fim dos tempos”…
Ele não nos abandonará nessa busca.
Que possamos senti-Lo!
Alda M S Santos
ESPERANDO PARA SER FELIZ
“Depois de uma vida de trabalho, quando chega a hora de curtir, de viver, adoece”-ouvimos tantas vezes!
Ou “dedicou a vida aos outros, quando poderia ocupar-se de si mesma, perde tudo”…
Muitas são as histórias parecidas, mudam os protagonistas!
Não quero fazer uma apologia ao egoísmo, ao modo inconsequente de vida, mas deixar de curtir, de viver, de ocupar-se de si, de se divertir, esperando o momento “ideal” não é boa pedida!
Esperar para ser feliz depois de qualquer momento: formatura, casamento, divórcio, um novo emprego, nascimento ou casamento dos filhos, uma herança, um salário melhor, aposentadoria, é contar com os ovos no fiofó da galinha.
Nossa felicidade não pode ser depositada na conta de um evento ou momento. Ela precisa ser contínua. Debitada dia-a-dia em nossa conta-corrente. Enquanto há saldo.
Todos os momentos são ideais!
Necessário é encontrar um modo de ser feliz todo o tempo com o que tem, com o presente. Apenas ele é certo.
Esses momentos “especiais” podem maximizar nossa felicidade, mas colocar todas as nossas fichas e esperança neles é dar um tiro pro alto, é nublar o sol dos momentos atuais!
Não esperemos! O amanhã é apenas expectativa.
E expectativas quase sempre são frustrantes!
Alda M S Santos
RELAÇÕES LIGHT, DIET OU ZERO?
Qual seu amor ou amigo mais antigo?
Num tempo de relações fugazes nos apegamos a quem?
Quem ainda tem um amigo de infância, da adolescência?
Quem ainda está com o amor da juventude?
Talvez mais recentes: quem convive com amigos da faculdade,
Os padrinhos de casamento, os compadres?
Até o convívio prazeroso com primos e irmãos muita gente não tem.
Quase sempre temos colegas ou conhecidos
Aqueles amigos confidentes ficaram nos meio-fios do passado
Os passeios de bicicleta viraram gifs nos smartphones
Os amores quentes, de beijos ardentes e amassos furtivos,
Ficaram nos alpendres das casas ou nos bancos da praça da igreja
E não vale culpar apenas o tempo, ou a falta dele.
A questão é que as relações são mesmo difíceis.
Nada é tão perfeito! São relações humanas!
Humanos são imperfeitos! E relacionar-se envolve dedicação, empenho.
Cada relação é construída dia-a-dia nas diferenças
Abraçando as semelhanças, aparando algumas arestas
Aceitando alguns pés ou olhares tortos,
Um sorriso murcho, uma gargalhada escandalosa
Um compromisso ou uma memória mais ou menos
O que não pode é carinho, afeto ou amor mais ou menos
São eles que dão a liga a toda relação feita para durar.
Relação exige alimento, coisas que deem substância
Num mundo onde tudo é light, diet ou zero
Uma relação de abraço forte, sorriso doce
E amor integral é quase uma ofensa!
Prefiro uma refeição completa, demorada, nada de fast food!
Antes viver “obesa” de amor e feliz!
Que ter que me contentar com amor “light” e amizades “zero”
FORA DIETAS!
Alda M S Santos
SIMPLES LIVROS?
Todo bom leitor tem um jeito particular de ler
Sentado, deitado na cama, na rede, no ônibus.
Rápido, lentamente, grifando, voltando atrás
Dando umas puladas por curiosidade…
Quer interagir, sugerir, interferir, participar.
Dependendo do livro, fica triste com o final
Continua imaginando a história em sua mente
Cria outros finais mais felizes, retira personagens, acrescenta outros.
Quase sempre quer que outros leiam, empresta, doa
Ou sente ciúmes daquela história e quer guardá-la só para si.
Alguns livros ficam esquecidos num canto empoeirado da estante
Sob as almofadas do sofá, numa gaveta qualquer,
Ou, mais queridos, ficam na cabeceira da cama, na bolsa
Alguns, cuja história é especial, ficam guardadas na mente,
Na alma, no coração, para sempre.
Não precisam da versão impressa, estão impressos em nós.
Cada pessoa de nossa vida é como um livro que lemos.
Há histórias grifadas, mexidas e remexidas,
As complexas e densas, que não se deixam ler facilmente
As fáceis e agradáveis de ler e interagir, as engraçadas, as tristes.
Nossa mente e nossos corações são nossas estantes
Alguns desses livros não queremos mais ler, outros estão guardados com carinho,
Há aqueles que são revisitados no fundo das gavetas,
Outros se confundem com nossa própria história, se mesclam, se fundem.
E, os mais interessantes, ainda estão sendo escritos
Ainda que a gente não se dê conta, a história continua
E é uma obra aberta com participações especiais.
E quem disse que não gosta de ler?
Alda M S Santos
ACEITA UMA MÁSCARA?
Nós, humanos, temos o dom do aprendizado constante
Nascemos aprendendo e vamos fazê-lo até a derradeira hora
Mesmo os mais turrões.
Eu mesma tenho aprendido muito nos últimos tempos
Nos últimos meses bati meu recorde
Após esse carnaval, então, aprendi a última
Vendo tanta gente retirar as máscaras de foliões
E recolocar as máscaras do dia-a-dia
Esconder-se atrás de máscaras gélidas, sorrisos botox
Percebi o quanto elas são úteis em várias ocasiões
Podem evitar certos desgastes e estresses.
A máscara do sorriso, da satisfação, do “dane-se”
A máscara da simpatia, a máscara da aprovação…
Nunca fui dessas! Só de olhar para mim percebem o que vai lá dentro.
Mas isso traz sofrimento, angústias, tristezas.
Nem sempre estar abertos e de cara lavada nos livra do mal.
É a munição que o inimigo usa contra nós.
Para os jogadores, mostrar todas as cartas não é muito inteligente.
Ao verem meu rosto e minhas palavras viam o baralho inteiro.
Viam!… A partir de hoje usarei algumas máscaras e maquiagens.
Disfarçar alguns sentimentos, bons ou ruins, é autopreservação.
Não se assustem! Provavelmente demorarei a me adaptar a elas.
Só sairei às ruas quando estiver bem “trajada”.
Quem precisa que eu use não notará diferença.
Quem realmente me conhece não será “enganado”.
Estarei “escondida” em meus olhos, em meu sorriso.
Neles não cabe máscara alguma.
Quem se ocupar de olhá-los merecerá a verdade.
Alda M S Santos
NOSSO LUGAR
Num jardim, como deveria ser, havia várias flores, todas lindas!
Numa parte reservada, algumas rosas recebiam água, nutrientes e eram protegidas das intempéries, de visitantes e invasores.
Eram perfeitas, poucas, lindas, mas qualquer vento as destruía.
Outras, mais à mostra, também eram cuidadas, podadas, adubadas, mas não se misturavam.
Só ficavam entre suas iguais. Enfeitavam parte do jardim e tinham seus admiradores.
Havia ainda outras que recebiam menos cuidados, estavam mais pro centro do jardim, enfrentavam o sol escaldante, a chuva, visitantes e algumas “pragas”.
Todos podiam tocá-las, sentir seu perfume, admirar sua forma e cores.
Qualquer observador poderia ver que essas eram flores fortes, meio selvagens, que além de belas, cresciam e se alastravam.
Conosco também é assim.
Quem muito se preserva, fica lindo, perfeitinho, mas, escondidos, falta-lhes algo, perde o melhor da festa.
Não se misturar mantém a pureza, mas perde-se a possibilidade de crescimento com os demais.
Quem está no meio da “bagunça”, no centro do canteiro, interage, perde folhas, flores, se espeta, espeta os outros, sofre nas tempestades, mas vive tudo de melhor que o jardim oferece.
Cada qual escolhe o lugar que melhor se adapta nesse jardim.
Alda M S Santos
PONTO DE EQUILÍBRIO
Quando tudo parecer desabar, pode procurar!
Um, ou vários, dos pontos de equilíbrio, nosso centro de apoio
Estará empenado, ruindo ou já despencou.
É preciso observar e nos perguntar:
Em quais pontos se apoiam nossa segurança?
Nossa alegria, nosso sorriso, confiança, fé, prazer de viver?
O que ou quem perdemos?
Em quem ou em que não podemos mais confiar?
Precisamos identificar e reconstruir as bases desse tripé:
Amigos? Amores? Família?
Trabalho, saúde, fé?
Cada qual tem o seu.
Ainda que precisemos nos apoiar em dois pés desse tripé por um tempo.
Sobrecarregá-los temporariamente nos ajudará a reconstruir o outro.
É preciso recuperar a alegria de viver, a autenticidade, a autoestima,
Sem elas, o restante corre sério risco de desabar tudo de uma só vez!
Alda M S Santos
DESPERTAR
Despertar…soninho depois do almoço.
Não basta acordar, abrir os olhos, ouvidos, Atenção! shshshsh…
É preciso acordar a alma!
Tudo se ouve, tudo se vê, tudo se sente…
Família de canários que canta agitada sobre mim, batendo as asinhas,
Uma motosserra cruel ao longe,
Um bando de maritacas escandalosas que sobrevoa pertinho,
Uma mãe que grita “Pedroooo”!
“Um dia a areia branca, seus pés irão tocar…”, Roberto Carlos canta romântico no sítio afastado,
Por aqui, um assiste baixinho, ao mesmo tempo, um filme no tablet e ao compacto do desfile das Escolas de Samba do carnaval,
Outro treina músicas no teclado usando fones,
Há aquela que, dedicada, cuida do jardim com seu alicate de poda,
Um galo canta forte no quintal ao lado,
O vento que anuncia chuva balança as árvores,
Mangas caem do pé num som seco,
Calangos disputam corrida no telhado,
Galinhas d’angola propagam sua fraqueza,
A cadelinha de todo mundo tenta lamber meus pés e emite ganidos querendo atenção,
Cigarras nervosas cantam anunciando- será sol ou chuva?
Um beija -flor barulhento e lindo beija a flor ao lado da minha rede.
Isso aqui é um local de silêncio.
Quietinha e recém desperta, pude identificar cada som, em poucos minutos de observação,
Inclusive os silêncios que se agitam em mim.
Exercício de atenção!
Ao identificar os barulhos à nossa volta,
Treinamos para identificar os barulhos internos.
Fazemos sua classificação: descartar, ignorar, reavaliar, melhorar, dar mais atenção…
Alda M S Santos
CULPAS E RESPONSABILIDADES
Todos nós somos acometidos por elas em algum momento da vida.
Quanto mais regras e normas de conduta carregamos,
Quanto mais corretos e precavidos tentamos ser, mais o risco de as carregarmos em nossas bagagens.
Ninguém está livre ou isento, posto que somos humanos!
Errar, machucar, machucar-se, consertar, tentar de novo, errar outra vez, sempre fará parte de todo aprendizado.
Análises, julgamentos, veredictos: culpados!
Nós mesmos prevemos grandes punições e sanções.
Acreditamos que os outros merecem,
Acreditamos merecê-las!
Temos em mente a lei do retorno, da colheita, do “aqui se faz, aqui se paga.”
Vale lembrar que o grande Mestre do amor apregoa o perdão.
Se Ele é capaz de nos perdoar, após arrependimentos e mudança de atitudes,
Deveríamos ao menos ser mais complacentes com os erros dos outros,
E, particularmente, com os nossos, e tentar de novo, sempre.
O tempo vai nos ensinando de quais perigos nos manter afastados ou vigilantes: animais, situações, pessoas…
Por mais bonitos ou convidativos que possam parecer.
Bagagens carregadas de culpas atrasam nossa caminhada,
Não são bons materiais de construção,
Impedem vivências ricas e maravilhosas.
Peso inútil, descartável!
Alda M S Santos
CAÇA E CAÇADOR
Aprender a sentir a direção do vento,
A perceber a luz, a aproveitar a sombra
A desviar-se dos obstáculos, a usar a força do outro contra si mesmo
A andar leve e atento sobre terrenos perigosos,
A ser silencioso e se camuflar quando necessário,
A fazer barulho para se proteger
A considerar o medo como alerta, a nunca subestimar o inimigo
A ser ágil e veloz na fuga ou busca de algo
A saber focar seu alvo, ou desviar-se de sua mira,
A não desconsiderar as próprias fragilidades e respeitar os próprios limites,
A adquirir força e resistência nessa empreitada, pois
Ora somos caça, ora caçadores,
E a mesma luz do luar ou vento leve que favorece a caça,
Também favorece o caçador.
Vence o mais hábil e melhor preparado.
Alda M S Santos
MEDITAÇÃO
Simples ato de afastar qualquer pensamento da mente
Voltar-se para a própria respiração
Para dentro de si mesmo.
Aparentemente simples, básico e natural,
Não é tão fácil assim!
Nossa mente está sempre carregada
Com os ruídos de fora
Com os movimentos constantes de dentro.
Necessário, porém, principalmente quando se busca algo.
Entendimento, discernimento, calma, soluções, aceitação.
Desenvolve a concentração, melhora a disciplina, reduz o estresse.
Esse “esvaziar-se” de tudo
Abre espaço para novos brotos germinarem
Mais fortes, mais vivos…
É uma questão de acreditar e praticar.
Pode ser muito prazeroso e benéfico.
Pode crer!
Alda M S Santos
A ARTE DA COMUNICAÇÃO
Todo ser vivente possui habilidades de comunicação.
Ser capaz de entender, de fazer-se entender.
Variáveis, porém, são os níveis dessa habilidade.
Palavras ditas ou escritas transmitem muito, mas pode haver uma interpretação cruzada.
Expressão corporal é fiel, mas de difícil análise, se não houver certa intimidade.
Olhares falam muito, praticamente tudo, mas numa linguagem que não é qualquer um que sabe ler.
Sorrisos espontâneos dizem tudo, mas há muitos forçados por aí.
Lágrimas passam imagens de dor extrema, nem sempre reais.
Um toque é um complemento importante de comunicação, ameniza a “força” das palavras ou as complementa.
Um abraço ou um beijo dispensam quaisquer outros recursos.
No silêncio e intensidade de um abraço ou de um beijo somos capazes de dizer tudo que queremos.
Quanto mais demorados e mais silenciosos, maior a comunicação.
Não são sempre utilizados, pois desnudam o transmissor e receptor.
Não é admissível dizer que não se conhecem, duas pessoas que trocaram entre si um abraço ou um beijo sinceros.
A arte de se comunicar é desenvolvida: palavras, expressões corporais, olhares, sorrisos, lágrimas, toques, beijos e abraços…
Lamentável que muitos tentem disfarçá-las.
Isso torna o mundo mais confuso e triste.
Alda M S Santos
APENAS UMA GOTINHA
Somos apenas uma gotinha infinitesimal
Em meio aos mais de sete bilhões de habitantes desse planeta.
Somos apenas mais um em meio a povos famintos de alimentos, de água, de saberes, de saúde.
Somos apenas mais um em meio a povos “evoluídos” intelectualmente, financeiramente, culturalmente…
Somos apenas mais um em meio a povos “religiosos” que se matam em nome de um Deus que acreditam obedecer.
De uma ponta a outra dessa Terra, podemos ser tão diferentes que nem pareceremos humanos uns perante os outros.
Mas uma coisa nos iguala: a necessidade de ser importante na vida de alguém.
Todos, todos nós buscamos isso, queremos isso, fazemos qualquer coisa por isso.
Passar por aqui e não ficar impresso na alma de alguém é ser finito.
Essa característica básica deveria ser capaz de nos aproximar mais uns dos outros, ao invés de nos afastar.
Selecionamos tanto, escolhemos tanto, afastamos muitos!
Uma coisa é certa: não somos melhores que ninguém!
Apenas uma gotinha num vasto oceano.
Mas ser importante para alguém nos torna o próprio oceano.
Alda M S Santos
NA MENTE…
Será quantos possuem a habilidade de criar mentalmente o que desejam?
Capazes de antever o que se quer, se busca?
Projetar, mentalmente, ideias, pensamentos, objetivos, sonhos?
Esse “dom” antecipa de certa forma o futuro
Satisfatório e estimulante até certo ponto
Pode se tornar frustrante se gerar estagnação.
Por mais “real” que uma imaginação seja, rica e fértil
Estará sempre aquém do real.
Ideal é a união de ambas: imaginação e realidade.
Alda M S Santos
PÍLULA COLORIDA!
Capazes de aumentar o interesse,
E promover bem estar a dois, ativar os relacionamentos
Muitos se apresentam como opções
Catuaba, ginseng, mel, castanhas,
Canela, pimenta, chocolate, gengibre
Até uma milagrosa pílula azul surgiu.
Há os tradicionais e infalíveis:
Beleza, sorriso, alegria, atenção, dedicação…
Uma boa conversa e inteligência têm também seu lugar
Mas não existe afrodisíaco maior que o amor e a confiança
Essa é a pílula colorida
Não se engarrafa, não se comprime, não há contra indicações, nem risco de super dosagem.
E o sabor é doce…
Não se vende, se conquista!
Cuidado com os genéricos!
Alda M S Santos
AMAR É…
Amar é respeitar…
Respeitar o tempo do outro, as fases,
Os momentos de alegria, de exposição de ideias, de sorrisos
De palavras, de autoconfiança, de fé.
Amar é aceitar, ainda que doa
A necessidade de introspecção,
De silêncio, de mergulho em si mesmo,
De recusas, de certas ausências,
De baixa autoestima, de dúvidas ou descrenças.
Amar é entender, compreender
Que cada modo de ser carrega um modo de amar
Que a sinceridade é essencial, sempre
Que as palavras têm peso, as atitudes, idem.
Amar é querer reciprocidade, sim,
Pois é ela que abastece, que nutre, que aduba,
Que irriga, que faz crescer o amor.
Amar é, acima de tudo, confiar
Confiar na eternidade do amor do outro
De longe ou de perto,
Pois mesmo que pareça adormecido em alguns períodos,
Ele apenas hiberna para romper mais belo e forte.
Alda M S Santos
SIMPLESMENTE, PESSOAS
Algumas pessoas são tranquilas, absortas em si mesmas, mundo particular, aparentemente desligadas do cosmo ao redor delas.
Quase nada as atinge.
Outras, sérias, demonstram aparente repugnância por tudo à sua volta. São nobres, “superiores”.
Não se misturam aos mortais.
Há aquelas que, alegres, se envolvem com todos. Empáticas, simpáticas, sorridentes, extrovertidas. Exalam amor.
Querem abraçar o mundo. Atraem a todos.
Também existem aquelas que são “astros”, possuem brilho próprio, encantam, encantam-se.
Muitos se sentem como satélites orbitando em volta delas.
Causam atração em muitos, inveja à maioria.
Todos querem, de algum modo, como todo satélite, refletir parte de seu brilho.
Finalmente há aquelas de fases, como a lua.
São todas pessoas, afinal!
Nessa imensa galáxia, há lugar para todos.
Todos têm importância e valor para a beleza e amplitude cósmica.
Interação aumenta a beleza.
Perceber o lugar dos outros nos faz encontrar o nosso próprio espaço mais facilmente.
Alda M S Santos
SOB MEU TELHADO
Vida que nasce, cresce, se desenvolve
Absorve tudo de bom à sua volta
Aprende, junta forças, coragem,
E se prepara para o primeiro voo.
Medos? Receios? Poucos.
Procura ignorar a imensidão lá fora
Tão convidativa, tão amedrontadora!
Quantos pássaros temos em nós
Encantados com o novo, desejosos de aventurar-se
Buscar aquilo que faz bem,
Mas com receio de voar?
Quantos ainda estão presos sob nossos “telhados”?
Alda M S Santos
SOBRE O AMOR
O amor é o sentimento mais complexo que existe.
Tanto que muitos não escolheriam vivê-lo, se pudessem.
Ele carrega consigo a carga da perfeição. E isso é muito difícil de lidar.
Além do mais, há vários tipos, intensidades, além da necessidade de aliados para se manter.
Outros são bem mais fáceis.
Ódio é ódio e pronto! Feio, mas “puro”! Sem misturas. Não há tipos de ódio. Apenas um, e mortal.
Amizade é amizade, linda, leve, plural, recíproca, verdadeira. Não exige nada. Quanto mais, melhor.
O amor tem vários tipos e é exigente.
Há amor declarado, possessivo, amor secreto, amor platônico, amor duplo, egoísta.
Pode ficar letárgico uma vida inteira, esperando um sopro de vida para acordar. Pode ser assassinado pelo descuido.
Amor exige reciprocidade, exige fidelidade, exige beleza, sensualidade, confiança, respeito, presença constante.
Amizade pode ser muitas ao mesmo tempo, o amigo pode ser feio, rabugento, desde que te faça sorrir, fica lindo.
O amor exige atenção direta, que desperte paz de espírito e solte borboletas no estômago.
Exige que tenhamos gostos parecidos, romantismo, que caminhemos pro mesmo lado, que coloquemos o outro como prioridade e que nossos olhos tenham apreciação única.
Confunde a mente, aperta o coração, deixa a alma vazia, se não correspondido.
Tão imperfeito, porque vive dentro de seres imperfeitos!
Enquanto quisermos sua perfeição, sofreremos.
Essa é nossa falha!
Apesar disso, é lindo e poderoso.
Frágil e delicado como uma borboleta, insistente e barulhento como um grilo, forte e feroz como um leão.
Pode estar à mão ou distante do nosso toque.
Uma vez sentido, nunca mais iremos querer dele abrir mão.
Uma vida sem amor é uma vida sem cor e sem brilho.
Alda M S Santos
QUE MAL PODE HAVER?
Que mal pode haver em se fazer escolhas óbvias?
É bom mesmo ficar num ambiente conhecido, onde todos são amigos,
Ao invés de ter que debater, discutir, conquistar e se promover todo o tempo.
Delícia poder dormir a hora que der sono, acordar sem despertador,
Ao invés de ter horário para acordar, afetando, indiretamente , o horário de dormir.
Satisfação pura num banho quentinho, num lago calmo, ou uma rede na varanda,
Ao invés de um mar turbulento, um rio com correnteza ou um salto de paraquedas.
Prazeroso ficar onde o amor é recíproco, mansinho, as dúvidas inexistem, a confiança é mútua, o abraço é doce, as lágrimas são de emoção,
Ao invés de precisar garimpar carinho, pedir atenção, exigir transparência, chorar de saudade ou incerteza.
Que mal pode haver em optar pela zona de conforto?
De vez em quando, nenhum.
Porém, se o que se deseja é novidade, aventuras, ela não possibilita crescimento, inovações, descobertas.
A zona de conforto é lugar do calmo, do pacífico, do tranquilo, do morno. Nada nela é “demais”.
Não há tristeza demais, dores demais, dúvidas demais, ansiedades demais.
Em contrapartida, também não há alegrias demais, tampouco amor demais, êxtase demais, vida demais!
Na zona de conforto nao há surpresas, nem calor no coração, nem frio na barriga.
Que mal pode haver?
Apenas o de se viciar numa vida monótona e mais ou menos. Ao menos aos olhos dos mais aventureiros.
Zona de conforto é lugar para se visitar, não para morar…
Mesmo que, às vezes, a gente fique tentado a não sair mais de lá!
Bom mesmo é respeitar o que o coração pede. Mesmo que isso signifique ficar em trânsito! Lá e cá!
Nisso não há mal algum!
Alda M S Santos
ENCONTRO
Ele a aguardava no início de um longo caminho
À frente descortinava-se paisagem paradisíaca
Céu azul e nuvens branquinhas, um por-do -sol de tirar o fôlego, gramíneas e árvores frondosas no caminho.
Ela chega, ele estende a mão para recepcioná-la, olhos nos olhos, falam silenciosos
Mãos dadas iniciam lentamente aquele longo caminho.
Às vezes se olham, sorriem, se entendem.
Qualquer dúvida, receio ou problema tinha ficado para trás.
Vestes leves, esvoaçantes, pés descalços
Os dela estavam machucados, ele se abaixa, faz um carinho em seus pés feridos.
Levanta-a no ar num longo abraço…
Poderiam ficar sem respirar, a energia fluía de um corpo ao outro, de uma alma à outra.
Parece querer absorvê-la, não deixá-la nunca mais sair de perto.
Cabeça encaixada em seu ombro, ela sorri e chora ao mesmo tempo.
Enfim, estão no lugar certo, tão desejado!
Cenário cinematográfico: silhuetas abraçadas ao por-do-sol.
Hora das letras FIM aparecerem,
Porém, o que aparece é
RECOMEÇO
E vão desaparecendo lentamente, abraçados, juntos, ao longe.
Alda M S Santos
BAILE DE MÁSCARAS
O quanto de nosso modo de ser pode ser captado pelo outro?
Tantas máscaras, tantas maquiagens, perucas, fantasias…
Escondem olhares, disfarçam sentimentos, escondem o essencial
Em pleno carnaval é aceitável.
Porém, a quarta-feira de cinzas chega e o desfile de máscaras e fantasias continua.
Para quê? Autoproteção?
Quem consegue ver através de tantas camadas?
Não superficialmente, mas perceber a essência?
Somos sensíveis e observadores o bastante?
E aqueles tão transparentes?
Quantas críticas! Autenticidade é crime!
Pedras e pedras são lançadas!
Críticas, juízos, muitas opiniões!
Quase sempre, o número de pedras nas mãos dos “carrascos” é proporcional às máscaras que usam.
Para mim, carnaval dura quatro dias, se tanto.
Fora isso, cara lavada.
“Pedras? Junto todas. Um dia vou construir um castelo!”, já dizia Fernando Pessoa.
E completo: guardarei as lágrimas também.
Podem ser úteis na construção.
Alda M S Santos
PAIS E FILHOS
Pais e filhos: uma relação única, especial, abençoada
Nasce do ventre, mas se alimenta do coração
Carinho que sobrevive e resiste a atritos, excessos, exageros, mágoas
Amor que, se faltar, deixa um vazio que não se preenche por nenhum outro amor.
Amor que se alia a respeito, perdão, união.
Compreendemos melhor o amor dos nossos pais, sendo pais
Na grande roda giratória da vida, “transferimos” aos poucos
O cuidado aos nossos filhos, para o cuidado aos nossos pais.
Esses, cada dia mais dependentes, aqueles, cada vez mais independentes e autossuficientes.
Se pudermos olhar para nossos pais com menos crítica, com mais gratidão,
Se pudermos olhar para a vida de nossos filhos, com mais compreensão, menos imposição,
Certamente teremos uma vida mais amorosa, mais leve e feliz.
Afinal, estamos na roda da vida e ela gira todo o tempo até a última parada para descermos.
Remorso e culpa são bagagens muito pesadas e dispensáveis!
Filhos, pais, avós são apenas fases do mesmo amor.
Que possamos viver cada uma da melhor maneira possível.
Alda M S Santos
ONDE ESTÃO?
Onde estão os abraços que precisamos?
Aqueles, cujo único interesse é ser e fazer alguém feliz?
Onde estão nossos sorrisos, nosso brilho?
Aqueles, que vêm de dentro e saem invadindo tudo?
Onde estão nossa empatia, nossa alteridade?
Aquelas, que nos tornam capazes de sentir o que o outro sente?
Onde estão nossa compaixão e solidariedade?
Aquelas, que nos fazem ser mais gente, mais humanos?
Onde estão o amor, a amizade?
Aqueles, sem os quais não há vida?
Onde estão nosso sossego, nossa paz?
Aqueles, que buscamos nos outros, mas só encontramos em nós mesmos?
Buscando em nós mesmos encontraremos todas as respostas!
Os abraços eu encontrei, e como é bom!
Alda M S Santos
SOLITUDE
Reclusão e introspecção voluntária, benéfica
Disso precisamos quase tanto quanto água
Silêncio acolhedor, analítico, questionador
A capacidade de ouvir nosso interior, rasgar-nos, ao menos para nós mesmos
Encontrar nossos lagos, sombras, luzes e oásis internos
Sem buscar tantas respostas nos outros, nas palavras alheias
Quase sempre elas se encontram no silêncio, nas atitudes
As palavras podem ser duras, cruéis, ofender, magoar, matar
É preciso ausência de ruídos, de barulhos
No silêncio de nós mesmos
Em nossa companhia mais íntima estarão as respostas.
Antes de sermos de qualquer um, somos de nós mesmos.
Alda M S Santos
LOUCURAS?
Quero ser um caracol, fechar-me dentro de mim mesma
Sair apenas quando a luz de fora entrar
Ou a de dentro conseguir iluminar tudo lá fora
Quero brincar de esconde-esconde
Encontrar um esconderijo bem original
E lá ficar até ser encontrada por alguém com a mesma ideia.
Quero inspirar fundo, bem fundo, sufocar-me em coisas boas
E expirar, jogando fora tudo que faz mal
Quero correr, correr muito, sem direção, até esgotar todas as forças e não sentir mais nada.
Quero ser uma bolha de sabão, subir, subir nas árvores, nas nuvens, encantar e desaparecer.
Quero mergulhar, sem máscaras ou snookers, sentir tudo, descobrir tudo
Afogar-me, se preciso for, e renascer.
Loucuras?
Às vezes são necessárias para se manter a sanidade.
Alda M S Santos
CONTRADIÇÕES
Frágil em sua força, forte em sua fragilidade
Sorriso que ilumina ou que se apaga,
Lágrimas de alegria ou profunda tristeza
Palavras que nem sempre conseguem expressar o que quer, gritando ou sussurrando
Silêncio que grita o que vai no fundo, mas não é compreendido
Ora sozinha entre tantos,
Tantas vezes acompanhada de si mesma.
Um baú de possibilidades, de emoções,
Cheia de “vazios”, vazia de espaços.
Amor sem medidas, amor em excesso
Mas que tantas vezes não é o bastante.
Um poço de contradições, como todo ser humano.
Só quer viver e amar!
Alda M S Santos
ENTRE ELES
Estar entre, no meio, comprimida, espremida
Mesmo com todas as habilidades adquiridas
Nunca é confortável!
Ora é o amor que espreme, ora é a dúvida,
As cobranças, ou a insensatez que comprimem.
Num puxa e repuxa, evita tomar partido
Maleável, flexível, resiliente, tenta sempre
Dialogar, falar, pedir com os olhos
Com as palavras, com os gestos,
Com o silêncio, com as lágrimas…
Ainda que tudo que precise e queira
Seja fazer parte, manter as partes unidas.
Mas se fere, se cansa, se machuca,
Dói!
A cada ferida que cicatriza sai mais forte.
Qual é o saldo?
O quanto perde de si mesma?
Será que sai mais feliz?
Alda M S Santos
JARDINS
Não há quem não se encante com jardins
Quem não dê uma paradinha, tire uma foto
Faça um carinho ou aspire seu perfume.
Quanto mais cores, perfumes, formas, variedades
Raridade, espessura e textura das flores e folhas
Mais belo e encantador ele será.
Consequentemente, mais visitantes atrairá.
Para um observador casual tudo parece perfeito:
Um excelente jardineiro cuida e dedica seu tempo àquele jardim
Rosas viçosas, hortênsias carregadas, orquídeas singelas
Ervas daninhas e pragas controladas, húmus na medida certa
Borboletas, beija-flores e joaninhas vivem felizes ali.
Já um visitante mais sensível e detalhista notará diferenças.
Claramente perceberá as flores que recebem mais adubo,
Mais água, maior incidência de raios solares, terra mais fofa
Saberá quais as preferidas do jardineiro, com quais ele não se importa,
E quais ele prefere esconder…
Por não compreender, por não saber lidar bem com elas
Ou por saber que atrairiam atenção excessiva, ofuscando as demais,
Pondo em risco até seu próprio trabalho.
Um bom jardineiro cuida bem de todas as espécies de seu jardim
Estuda, dedica-se, faz com que floresçam e apareçam
Não irá deixar uma espécie rara relegada a segundo plano
Sabe que ela poderá se fortalecer e colocar em risco todo o jardim
Essa é a essência de todo jardim: ser belo e encantar com todas as suas espécies.
O jardineiro que entende isso e as ajuda será sempre querido e necessário.
Sabe que como não vive sem seu jardim,
Suas flores também não sobreviveriam longe dele.
Alda M S Santos
OS OUTROS E NÓS
Quando quero saber de um amigo o que ele gosta de ler
Se gosta de esporte, de poesia, de filme, de jogos
Quais passeios aprecia, como lida com a introspecção,
Que tipo de música curte, como reage às frustrações
Como aceita as perdas, com quais sentimentos interage melhor
Porque eles são tão rígidos e até duros com algumas coisas,
Tão extrovertidos, brincalhões ou “infantis” com outras
Descobrimos que há muitas coisas que admiramos e outras não.
Sem querer passar por psicóloga de botequim,
Apenas, sozinha, avaliando experiências próprias e observando os outros,
Percebo que quando analisamos o que não apreciamos em nossos semelhantes
E buscamos em nós a resposta para essa “aversão”,
Quase sempre descobrimos que parte do problema está em nós também.
Muitas vezes temos dificuldade em lidar com determinado sentimento
Não porque ele existe no outro, mas por seu antagonismo em nós.
O que o outro é desperta reações negativas em nós
Talvez porque nos alerte para alguma falta, ou nos aponte alguma falha.
Coisas que gostaríamos que não fossem expostas nem para nós mesmos.
Queríamos ser diferentes? Iguais a eles? Talvez sim, talvez não.
E ninguém é completo, melhor ou perfeito.
Somos todos diferentes, e isso é extremamente rico.
Vale lembrar que todos temos algo a desenvolver.
Conviver com o diferente de nós possibilita receber algo, oferecer algo.
E nessa troca se dá o autoconhecimento, o mergulho em nós mesmos.
A melhor maneira de conhecermos e aceitarmos a nós mesmos
É buscar conhecer e aceitar o outro.
A verdadeira aceitação do que somos e do que o outro é com respeito.
“Aceita-me tal como eu sou. Só então poderemos descobrir-nos um ao outro.”(Federico Fellini)
Aprendizagem longa, difícil, nem sempre vitoriosa, porém necessária e prazerosa.
Alda M S Santos
CONFIANÇA
Um dos vários sentimentos aliados do amor e da amizade: a confiança.
Ela que nos dá a leveza, a tranquilidade, a paz
A certeza de podermos ficar “nas mãos” do outro e não nos decepcionarmos
Saber que aquele amigo, aquele amor, aquele familiar
Sempre irá nos defender, acreditar em nós, na nossa índole.
E, mesmo que não concorde conosco, estará do nosso lado nos ajudando.
Quantos de nós podemos encher duas mãos de pessoas de confiança?
Para confiar no outro, precisamos confiar em nós mesmos.
É uma dádiva confiar, ser de confiança.
Quem confia é mais leve, mais feliz!
“Você pode ser enganado se confiar demais, mas viverá atormentado se não confiar o suficiente”. (F. Crane)
Alda M S Santos
ANTECIPAÇÕES
Dizem que o melhor da festa é esperar por ela
As expectativas que criamos,
Nosso figurino, nossa companhia,
Quem poderemos rever para matar as saudades
A playlist que será tocada
Com quem iremos dançar, as boas conversas
O vislumbre do que poderá vir a ser,
Torna tudo mais agradável, prazeroso
Cria uma ansiedade boa.
Aguardamos uma festa, antecipamos um feriado
Esperamos pelas férias, ansiamos por um encontro
Organizamos uma viagem de fim de semana,
Aquele happy hour com as amigas…
Tudo baseado nessas sensações antecipadas.
Muitas vezes o que antecipamos é melhor do que o real.
Benéfico na medida que prolonga a sensação prazerosa
Prejudicial se fizer sombra à realidade.
Mas ninguém pode nos tirar essa capacidade imaginativa
Tão nossa, tão singular, tão necessária!
Que possamos dar asas a ela e ser felizes,
Afinal, só pode haver sombras onde a luz brilha!
Alda M S Santos
PEQUENOS PRAZERES
Um beijo de “bom dia, princesa”,
A roseira que desabrocha pela primeira vez
O pão quentinho e o café fresquinho
O abraço gostoso de uma amiga
O sorriso gentil de um desconhecido qualquer
O ônibus que passa na hora certa
A música preferida bem alta
Aquele lindo filme tantas vezes reprisado
Andar semi nua pela casa sem se preocupar com olhares curiosos
A gargalhada de uma criança sapeca
A satisfação de um velhinho que se distrai com o plástico bolha
O fim de um livro perfeito
A soneca depois do almoço
O balançar na rede debaixo de uma árvore
A canção entoada pelos pássaros
Pessoas que nos amam ao nosso lado…
São tantos os pequenos prazeres…a todo o tempo.
Eles fazem a alegria de nossas vidas.
Quem muito espera pelos grandes acaba por perder os pequenos prazeres,
Deixa a vida ir e fica para trás com sua rabugice.
Alda M S Santos
OBRA-PRIMA
A eles foi dada a intensidade das cores
A suavidade do canto, a delicadeza do voo
A ternura do convívio, a parceria entre os sexos
A proteção e cuidado da prole
Tudo pensado, planejado e criado sem rascunho
Uma obra-prima de primeira
E a cada uma de suas criaturas, o mesmo cuidado, o mesmo amor.
Tudo em nós foi feito com Sua perfeição
Somos criaturas Dele, especiais para Ele
Cercados por outras tantas dádivas,
Valorizemos!
Alda M S Santos
NO PALCO
Todos gostamos de apreciar os grandes espetáculos que acontecem continuamente nos palcos por aí
Satisfação, surpresa, admiração, desgosto, sustos, sorrisos, lágrimas…
Várias são as emoções vivenciadas.
Mas os espetáculos da vida não acontecem só nos palcos.
Bastidores, camarins e plateias também têm suas histórias
Muito ricas e admiráveis!
Esperar estar no palco para viver
Ou acreditar que só se é feliz sob aplausos é ilusão
Podemos também ser protagonistas estando na plateia
Valorizar e aplaudir nosso próprio show
Fora de foco, das luzes da ribalta, grandes emoções acontecem
Quem está atento as aproveita em sua totalidade.
Alda M S Santos
VIAJAR
Quer seja sobre duas ou quadro rodas
Sobre as águas, hélices ou turbinas
Ou nas asas da imaginação…
Não importa o meio de transporte,
Importa que queiram estar com a gente
Que apreciem estar conosco,
Que valorizem e lutem para estarmos juntos.
Família, amigos, amores…
O que todos queremos,
O que todos precisamos…
É ir longe, bem longe…
Sem perder o próprio chão
Alda M S Santos
ORQUESTRA
Somos um instrumento tocando todo o tempo
Inúmeros são os sons e as melodias que irradiamos
Não é qualquer um que entende e aprecia nossos acordes,
Tampouco somos capazes de compreender sempre a música que emana da alma dos outros…
Compreendendo ou não, podemos apreciar
Como apreciamos a música dos pássaros
Se houver sintonia dá-se uma maravilhosa orquestra,
A vida consiste em acompanhá-las,
E dançar, se possível!
Alda M S Santos
BOLSA DE MULHER
Dizem que bolsa de mulher é só bagunça, nada se encontra ali
Território desconhecido, perigoso, melhor nem mexer!
Verifiquei a minha, há pouca coisa!
Um pente, pouco usado, um batom rosa, um rímel e um perfume,
Um desodorante, um hidratante e um protetor solar.
Uma lixa, cortador, acetona e uma base de unhas.
Escova, fio e creme dental.
Um pequeno kit-costura: agulha, linhas e alfinetes.
Kit-escritório: canetas, lápis, tesoura, durex e apontador.
Primeiros socorros: termômetro, analgésico, band aid, antiácido, antialérgico e absorvente.
Chaves, celulares, carregadores, fones, pinça.
Balas, amendoins, chicletes…
Documentos, vários, cartões de crédito e dinheiro.
Um terço, uma Nossa Senhora, uma mini lanterna, lenços.
Um espelho, um brinco, uma foto querida.
Alguns cartões de amigos…
Acho que acabou…
Bolsa e coração de mulher são iguais
Bagunçados, mas tudo se encontra ali
Pode-se encontrar também um olhar, um sorriso, uma palavra, um colo, um abraço, um carinho..
Para salvar um/a amiga/o, um amor,
Desde dor de cabeça até alma triste.
Alda M S Santos
QUANTO CUSTA?
Vivemos num grande, maravilhoso e, por vezes, enganador comércio.
Quase sempre o preço a pagar é em dinheiro, nas várias modalidades que ele se apresenta.
E vivemos comprando: alimento, vestuário, teto, estudo, medicamentos, lazer…
Outros, a aquisição se dá pela troca, o bom e velho escambo.
Um olhar por um sorriso, um abraço por um beijo,
Uma palavra amena por outra bem sábia
Lágrimas por ombro, ombro por colo…
Há outras trocas que se equiparam: amigo por amigo, cuidado por cuidado, ternura por ternura, amor por amor…
No comércio, atenção é fundamental a três coisas:
Estamos comprando o que precisamos?
Pagamos um preço justo?
Não nos endividamos além da conta?
Muitas vezes, compramos sem necessidade, por capricho!
Outras tantas, pagamos além, ou aquém, do real valor. Alguém ficará insatisfeito!
Há itens nesse maravilhoso comércio que não temos cacife para comprar! Simples!
Se o preço a pagar, por mais desejado e importante que seja o produto, for nossa consciência, nossa paz de espírito ou daqueles que amamos, não é um preço justo! Não podemos arcar com essa despesa.
Melhor fazer como uma criança que olha na vitrine um brinquedo que não pode ter: brinca com outra coisa, tenta esquecer.
Aquele brinquedo sempre será desejado, será sempre especial.
Ficará na caixa dos sonhos e desejos lindos.
Talvez uma fada um dia o tire de lá e a gente perceba que já pode pagar por ele.
No comércio é preciso paciência e perseverança, como na vida…
Quanto custa ser feliz?
Alda M S Santos
VAZIOS
Vazio é incompletude, falta, desocupação
Espaço livre, desabitado, desprovido de conteúdo.
Tão cheio, nada falta, tudo tem…
É possível haver vazios onde há total preenchimento?
A falta de um espaço a preencher pode ser também um vazio?
Abarrotado, completo!
Mas será que ainda cabe mais alguma coisa?
Podemos condensar conteúdos, realocar ocupações.
São vazios ou apenas necessidades?
Vazios só nós preenchemos
Necessidades podem nos ajudar a atender.
Mas, o mais importante, é verificar o coração
Vazio ou completo é relativo
Num coração cheio sempre cabe mais um.
Coração vazio não cabe nada, não é boa morada,
Impróprio para a vida!
Alda M S Santos