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No amor e na guerra

NO AMOR E NA GUERRA

No amor e na guerra vale tudo

Afirma a “sabedoria” popular

Uma vez que “tudo” pode não ser bom

Não dá para nisso se fiar…

Na guerra é disputa por territórios

Petróleo, religião ou pedaço de pão

No amor é “disputa” também por território

Espaço dentro da alma, do carinho, da emoção

Por um cantinho especial no coração…

Na guerra sempre há perdedores

Ainda que alguém pense ter vencido

No amor só há vencedores

Ainda que alguém pense ter perdido…

Não, no amor e na guerra não vale tudo…

Só vale aquilo que sejamos capazes de carregar

No bolso, na mente ou no coração

Na “derrota” ou na “vitória” …

Alda M S Santos

Com as mesmas armas?

COM AS MESMAS ARMAS?

Se quisermos vencer o que nos faz mal

Não será usando as mesmas armas que conseguiremos

Armas carregadas e recarregadas

Pentes repostos, violência sem fim

Mesmo que a arma seja o verbo desenfreado

A intolerância, a impaciência, o desamor

A palavra má e cortante que flui infinitamente

O bate-boca maléfico e improdutivo

Acusações e calúnias paralisantes

São tão fatais quanto um fuzil

O bom combate é feito no antagonismo

Silêncios em resposta a gritos

Paciência e sabedoria se contrapondo a ignorância

Tolerância e resiliência para enfrentar a rigidez e radicalismo

Bem nos ensina a oração de São Francisco de Assis

“Onde houver ódio que eu leve o amor”

Oh, mestre, ajudai-nos!

Alda M S Santos

Eu versus eu

EU VERSUS EU

As grandes batalhas da vida

Não são aquelas lutadas lá fora

As maiores batalhas do existir

São aquelas travadas no front de nosso interior

As vezes em que não eliminamos nossos monstros

Por medo, covardia ou compaixão

As vezes em que não neutralizamos um mal

Dando tempo para ele crescer e se fortalecer

E voltar a nos atingir em cheio

As vezes em que nos escondemos atrás de barricadas

Sabendo bem qual era nosso calcanhar de Aquiles

As vezes em que demos munição para “adversários” já conhecidos

E não usamos as armas que sabemos que seriam as mais potentes

Não importa se o oponente é um mal físico, mental, psicológico ou emocional

Uma doença crônica, um diabetes, uma dificuldade com números ou de expressão de sentimentos

Problemas de autoestima, ciúme, confiança ou bondade excessiva

Ou aquela pessoa a quem “damos” o poder de nos irritar ou fragilizar

E ficamos expostos nas trincheiras, de peito aberto

Ferida aberta, reaberta, sangrando

Nosso oponente sempre está em nós mesmos

Só nós podemos deixá-lo nos atingir

Só nós podemos enfrentá-lo

Uma batalha já é perdida ou ganha em nosso interior

Aqui fora é só um detalhe a mais

Muitos campos abertos aos quais nos expomos sem necessidade

Viemos para essa “guerra” para vencer nossos próprios “inimigos”

Sermos melhores a cada dia

Evitando sermos atingidos por fogo “amigo”

Ou atingindo adversários imaginários

Como sabemos se estamos vencendo?

Quando estamos bem conosco mesmos, em paz física e emocionalmente

E com aqueles que nos cercam

É sinal que estamos vencendo

Mas essa é uma batalha que só termina quando somos chamados de volta para casa

Para nosso território de origem…

Como estamos nos saindo em nossas guerras particulares?

Alda M S Santos

O bom soldado

O BOM SOLDADO

“O bom soldado não deixa seus feridos para trás”

Independente se está ou não em risco

Se se preocupar apenas com a própria integridade física

Ainda que com vários danos emocionais comuns nas “guerras”

Se seguir em frente sem socorrer aquele ferido que lutou a mesma batalha

Deixando-o à própria sorte, visando salvar apenas a própria pele

Atitude essa que denota falta de caráter, de hombridade

Ausência de humanidade, compaixão e amor

Quem abandona um ferido em “guerra”

Não é apto para as batalhas da vida

Não terá forças emocionais para seguir em frente

Sentirá sempre na alma o peso daquele ferido que poderia ter carregado nos ombros

Nunca será um “vitorioso” de verdade

Estamos todos numa “guerra fria”

Soldados vários lutando por espaço, por pão, por água, por diversão

Por emprego, por amizade, por amor…

Nessa disputa, um que se perde, um que é deixado para trás

Afeta toda a humanidade contida em cada um de nós…

Somos todos soldados de um grande exército escolhidos para estar aqui

Desviando dos obstáculos, caminhando nessas trincheiras, curando feridas

O que diremos quando formos questionados onde está aquele irmão que deixamos para trás

Machucado por nós, pelo “inimigo”, ou por si mesmos

E sequer percebemos que estava ferido tão perto de nós?

Sairemos todos vitoriosos quando percebermos que, ao abandonar seus feridos

Um exército não chega mais rápido e mais honradamente em casa…

Alda M S Santos

Fogo amigo

FOGO AMIGO

Numa guerra, fogo amigo é ser atingido por aliados.

Certamente, nunca proposital, ou não seriam aliados.

Nas guerras cotidianas, recebemos muito fogo amigo.

Pode ser despreparo, boa pontaria, proposital…

Fogo sempre dói, pode matar, não importa de onde venha.

Ao sermos atingidos, nem sempre conseguiremos avaliar a intenção do atirador.

Primeiro nos concentramos em nossa dor, em nossos ferimentos,

Só depois nos preocuparemos de onde vieram os projéteis e o porquê.

Ao “atirarmos” devemos sempre saber se o alvo é mesmo aquele,

Se a munição não atingirá órgãos vitais, se o fogo não é forte demais.

Bom mesmo é atirar amor, qualquer alvo é bom, amigo ou inimigo,

Nunca mata, sempre traz vida nova, e vida boa!

Alda M S Santos

Em guerra

EM GUERRA
Nosso mundo em constantes guerras:
Religiosas, raciais, culturais, territoriais…
De um povo contra o outro, de uma nação contra a outra,
De uma alma contra a outra.
De uma alma contra seu habitat: o próprio corpo.
Esta, subestimada, a mais duradoura e terrível.
Aquela em que apenas nós mesmos
Poderemos levantar a bandeira branca.
Alda M S Santos

Abrir mão

ABRIR MÃO
Desde pequenos, somos ensinados a lutar pelo que queremos
Mas pouco nos ensinam a abrir mão, a desistir, a deixar pra lá.
Nossa natureza é, quase sempre, lutadora, guerreira.
Porém, isso não elimina a necessidade de aprendermos a abrir mão.
Em retrospecto, podemos calcular quantas vezes, ao longo da vida,
Tivemos que lutar bravamente após várias quedas ou quase nocautes,
E outras, em que fomos obrigados pelas circunstâncias a abrir mão do que queríamos.
Sabemos que recuar, dar um passo atrás, pode ser um modo de reabastecer as energias.
Dar uma trégua, reavaliar estratégias ou planos de combate faz parte de toda luta.
Guerreiros natos afirmam que é preciso perder uma batalha para ganhar a guerra.
Ou que em toda luta alguns soldados acabam por ser sacrificados.
Porém, atrás de uma barricada segura, precisamos saber quais combates vale a luta.
Muitas estratégias boas vão para o brejo por causa de táticas mal aplicadas ou de soldados mal preparados.
Saber a hora de desistir é tão importante quanto a hora de prosseguir.
Abrir mão de uma conquista de território, de espaço ou de qualquer bem precioso,
Exige muita perspicácia, intuição, treino, sabedoria e abnegação.
Voltar para o quartel, para a base de controle, pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Duas questões se fazem necessárias: Pelo que temos lutado? Do que temos abrido mão?
A primeira delas deve ter um número maior de itens.
A segunda não deve causar tanta dor, sob pena de voltar pra linha de combate.
Alda M S Santos

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