Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Categoria

feminicídio

Quantas Anas, Joanas, Marias…DA Penha?

QUANTAS ANAS, JOANAS, MARIAS… DA PENHA?

Quantas Anas, Joanas, Marias… Marias da Penha? 
Famosas ou anônimas, presas a uma relação abusiva…
Quantas se culpam, se inferiorizam, se entristecem, se escondem?
Medo de morrer, de ficar só, vergonha em se mostrar frágil…
Temor de ser julgada, culpabilizada, intimidada, exposta.
Mulher acredita que a responsabilidade da relação dar certo é dela.
“Ah, ele gritou porque o deixei nervoso…logo ele melhora.”
“Ele me ama, se importa, é seu jeito de cuidar de mim… A bebida que atrapalha…”
“Não me deixa ir porque diz que sou dele, ciúme é natural, né, só quer me proteger…”
“Controla e vigia tudo, sabe que não se pode confiar em ninguém…tanta gente má!”
“Não me importo em me arrumar para ele, não me custa…”
“A personalidade dele é mais explosiva, não vai mudar… Posso ceder um pouco em nome da família…”
“Ele diz que eu não saberia viver sem ele, dois filhos, ninguém quer mulher com mala…”
E ela tenta salvar uma relação que já morreu de inanição…
Já se afogou em tantas lágrimas amargas, sufocadas!
Filhos não crescem bem entre violentos e violentadas… mas querem fazê-la crer no contrário!
E, assim, muitas Anas, Joanas e Marias, por medo de nem se sabe mais o quê, se matam aos poucos…
Já não se identificam mais nessa  relação, já não sabem quem são!
Por medo de solidão, de recomeçar, vivem total e mascarada submissão!
O sorriso é amarelo, o brilho é falso, a alegria é só coisa de romance…
E, a cada dia mais um grito, uma ameaça,  um empurrão!
O que era vez ou outra é rotineiro, corriqueiro, não há salvação!
A dor se esconde atrás dos hematomas que pintam o corpo…
Que tingem a alma de preto, escondem os olhos nos óculos!
Quando chega à agressão física, a uma denúncia policial, já extrapolou o “natural”.
Muito já foi tolerado ali, bem mais do que se pode imaginar…
Além do que a turma defensora dos bons costumes poderá julgar!
Os Antônios, Pedros, Alexandres, Josés e Manés…
Os homens bons, provedores, defensores da fé! 
Mutilam, roubam, torcem braços, distorcem emoções, inferiorizam, violentam, matam…
Em nome da família, dos filhos, da posse, de um amor doente…
Até quando, gente?

Alda M S Santos
#mariadapenha #feminicidio #relaçãoabusiva

Somos água, somos ilha

SOMOS ÁGUA, SOMOS ILHA
Água, sempre água, por todos os lados
Corrente, fluida, represada,
Doce, sobre pedras, oceânicas, salgadas
Na garganta, escorrendo dos olhos
Em nosso entorno, sobre ou sob nós
Não importa, todas têm seu ciclo
Sobe e desce, evapora, “some”, condensa
Mas sempre volta, ora calma, ora bravia
Ensinando a viver essa magia
A superarmos os momentos letargia
Com calma, alegria, sem muito nos preocupar
A circularidade da água é prova dos ciclos vitais
Somos água, somos ilha, somos ciclo
Somos poesia…
Alda M S Santos

E o amor?

E O AMOR?

Crise de ciúmes, um dedo apontado, uma voz alterada, um susto

Aí vem um pedido de desculpas, um beijo, um “tudo bem”

E o amor?

Um descaso qualquer, uma indiferença, um grito, uma grosseria

Lágrimas, decepção, perdão

E o amor?

Um empurrão, uma ordem, uma cobrança, um tapa

Um abraço, “surtei, eu te amo, não vai mais se repetir”

E o amor?

Um tanto faz, “não vivo sem você”, uma surra

Uma ameaça, “se não for minha não será de mais ninguém”

Falta coragem, sobra vergonha, tristeza, solidão

E o amor?

Boletim de ocorrência, caso de polícia, medida de proteção

E o amor?

Morreu de inanição, de sede, por falta de alimento, de cuidado

Estrangulado pelos gritos presos na garganta

Sufocado pelas mágoas e decepções

Amor não morre de morte natural

Amor morre assassinado, morte lenta e dolorosa

Subjugado pelo sentimento de posse, de propriedade

Fica em tratamento intensivo muito tempo

E acaba entrando em falência múltipla

Falta ar, falta oxigênio, falta liberdade de ser

Falta prazer de viver…

A morte do amor não precisa ser a morte do indivíduo

Feminicídio é crime, a mais pura covardia e crueldade

É a prova de que se houve amor

Foi um amor doente desde o princípio

Se não faz bem não é amor…

Salve-se, salve uma vida, denuncie qualquer agressão

Se puder ajudar, estenda a sua mão…

Alda M S Santos

#feminicidio

Sexo forte versus sexo frágil

SEXO FORTE VERSUS SEXO FRÁGIL

Mudam os modos de se conhecer

Mudam os modos de se relacionar

Tudo “evolui”, sofre “avanços”

Mas não muda a covardia de muitos membros do “sexo forte”

Sobre tantos membros do “sexo frágil”

Não importa o motivo, a causa

A desculpa esfarrapada que se use

A mulher acaba sendo sempre a subjugada, sobrepujada

A que sofre as agressões físicas ou psicológicas

A que acaba por ser ainda culpabilizada!

Carência, descuido, ingenuidade, personalidade

Confiança, independência, coragem ou pouca inteligência

Nunca podem ser apontados como detonadores do mal sofrido

A culpa do mal é do malvado, do covarde, do violento

Nunca da vítima!

Buscar na vítima as razões da violência

É transferir para ela um ônus que não lhe cabe

Um crime que só pertence à má índole e perversidade do réu!

Façam- nos o favor!

Alda M S Santos

Morrer não é natural!

MORRER NÃO É NATURAL!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem de onde se espera o engrandecer, o perpetuar da vida

Morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem pelas mãos da mãe e do pai que abortam uma vida ainda no ventre

Não, morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem pelo abandono e descaso dos progenitores

Aqueles que são os monstros, ao invés de vencê-los

Não, morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte vem pela negligência ou ação de médicos

Que deveriam prolongar ou “salvar” a vida

Não, morrer não é natural!

Morrer é natural,

Mas quando a morte chega pelas mãos no pescoço daquele em quem se confiou

Daquele que foi seu oxigênio um dia e agora lhe tira o ar

Daquele que foi porto seguro e agora lhe rouba o chão

E lança pela janela todos seus sonhos, literalmente

Não, morrer assim não é natural!

Morrer é natural, sim, ciclo final da vida!

Mas morrer desse modo não é natural

Quando a morte vem de onde se esperou sempre proteção e cuidado

Seja pai, mãe, irmãos, filhos, cônjuges, namorados ou amigos …

Não é natural, é covardia!

Morrer assim é antinatural, é assassinato

Jamais deveria ser aceito por ninguém

Em nenhuma circunstância, sob nenhuma atenuante!

Alda M S Santos

Assassinato!

ASSASSINATO!

A mulher é a que mais sofre em qualquer tipo de relacionamento abusivo

Antes, durante ou depois!

E nessa sociedade machista ela sempre será responsabilizada:

“Se ele a agredia, ela deveria ter ido embora”

“Se ele a maltratava, algo ela fez para merecer”

“Se ele agia assim ela poderia tê-lo mudado, não foi boa esposa”

E ela, junto dele ou não, não importa quais vidas estaria protegendo,

Ninguém considera!

A mulher é sempre a responsável por um relacionamento falido que envolve dois

Por que ela não saiu?

Considerando em qual situação seria menos culpabilizada, oras!

Mas se quiser ter um depois, e tiver consciência para tanto,

O ideal sempre é sair desse tipo de relacionamento

Pois uma hora ela pode “pular” pela janela

Fugindo a tantas agressões, fugindo para outra vida

E ainda ser considerada mulher de bandido que gosta de apanhar…

Alda M S Santos

Feminicídio: quando o amor adoece e mata

FEMINICÍDIO: QUANDO O AMOR ADOECE E MATA

Amor adoece, morre, tem fim

Ou se morrer nunca foi amor?

Mais sério ainda: amor adoece, mata, se mata?

Crimes passionais, feminicídios ou simplesmente falta de amor?

Tudo que tem vida pode adoecer, morrer.

Nessa perspectiva, amor nasceria, cresceria, multiplicaria, definharia e morreria.

Mas amor precisa de um habitat para viver, um coração para o acolher.

Necessita de um ninho quentinho e aconchegante para ser protegido e alimentado.

Para crescer e gerar bons frutos precisa de uma alma receptiva.

E se esse habitat não for apropriado, se estiver doente,

Ele infecta o amor, o adoece, ameaça, violenta

Agride, mutila, mata, se mata…

Não é o amor que morre ou mata!

Somos nós, como habitat, doentes, que o matamos ou morremos…

Amor não é doença, não é patologia!

Amor é medicação, é vacina, é cura!

E se não houver em nós força, fé e bondade suficientes,

O efeito pode não ser o esperado e morrermos na tentativa,

Ou matarmos!

Amor é saúde, é proteção, é cuidado de si e do outro,

Amor é vida!

Feminicídio é o mais alto grau da doença do amor: a posse!

E como toda doença, apresenta sinais e sintomas para ser combatido a tempo.

Cuidemos da saúde de nossos corações, de nossa alma,

Cuidemos da saúde de nosso amor!

Alda M S Santos

#feminicidio

Blog no WordPress.com.

Acima ↑