(RETRO)VISÃO
Diante do vidro para-brisa se descortina o caminho
O olhar o tem à frente, independente se o vemos limpo ou embaçado
Claro, escuro, livre ou interrompido por desvios
Ele esta lá, quer pisemos fundo no acelerador da vida
Ou brequemos forte nos freios, desanimados
O olhar volta para o retrovisor, vê o caminho lá atrás
Ora bonito, florido, iluminado, feliz
Com abraços apertados e beijos doces
Ora escuro, empoeirado, esburacado, triste
Com dores, lágrimas, medos e decepções
Sentimos saudades, por vezes queremos voltar
Mesmo passado, nem sempre bom, ele carrega em si a prerrogativa de ser conhecido
Mas o caminho à frente se impõe no grande para-brisa, o novo
Desconhecido, apenas imaginado, gera insegurança e expectativas
E nesse vai e vem de olhares, a visão precisa se manter à frente
As dimensões desproporcionais entre retrovisor e para-brisa
Significam que é bom olhar para trás, vez ou outra
Trazer grudado no coração e na alma o que o passado agregou
O amor recebido ou perdido, os afetos doados, os aprendizados
Os buracos em que caiu ou que “jogou” alguém
As vidas que salvou, ou as que não conseguiu
Mas sabe que a vida segue é para frente…
Pisa mais calmamente no acelerador e segue
Todo cuidado é pouco,
Luz forte cega tanto quanto escuridão
Não quer deixar quem queira seguir junto sozinho no caminho
Não há pressa…
O presente acontece para quem não fica parado
E o futuro, se chegar, já será presente …
Alda M S Santos
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