SEM PLANO DE VOO

Na escuridão da noite que chega lentamente

Ela se despede temporariamente do sol

Tenta encontrar novas luzes brilhantes

Reacender outras já meio apagadas

Um vagalume que aparece meio receoso, certo de seu caminho

Mesmo sem plano de voo

Vênus que se apresenta radiante ao longe no céu

A Lua, orgulhosa e bela, que inspira os amantes

Mas também, solidária, acolhe os solitários

Quase pode ouvir o som de cada estrela que brilha no firmamento

Concentra-se nos sons diferentes do anoitecer

Esfria, abraça a si mesma se aquecendo

Fecha os olhos e, como os cegos, vê com o olfato, com a audição

Enxerga as doces lembranças guardadas na escuridão dentro de si, revive

Como vagalume, está acostumada a acender-se e enxergar a vida no escuro

Inspira fundo, expira, respira, suspira

Tenta não pirar…

Segue…não há necessidade de plano de voo

O destino é um só, o caminho a gente cria

Sabe que a luz é mais valiosa onde antes foi escuridão…

Alda M S Santos