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Amor

Olhar de amor

OLHAR DE AMOR

Diferente de qualquer outro olhar

O olhar de amor é único e inconfundível.

Alguns olhares até tentam se passar por ele:

De respeito, de admiração, de inveja, de ciúmes,

De desejo, de carinho, de compaixão, de solidariedade.

Mas o olhar de amor junta todos eles num só.

É um olhar profundo, úmido, brilhante, acolhedor

Penetrante, corajoso, terno, que não se desvia.

Não se embaraça por ser amor,

Pois amor de verdade não se envergonha,

Quer mesmo é se mostrar.

Quer mesmo é ser amor.

Alda M S Santos

Que bagunça!

QUE BAGUNÇA!

Dizem que nossa casa é reflexo do que somos.

Alguns, independente do tamanho, a mantêm arrumadinha.

Vou além: nosso interior é uma casa, e o tratamos como tal.

Como em nossas residências:

Temos moradores fixos ou temporários, desejados ou não.

Temos apenas transeuntes e observadores esporádicos.

Temos visitas desejadas e indesejadas, umas mais frequentes que outras, com pretensão de moradoras.

Temos pseudo moradores que se assemelham a algumas visitas, nada contribuem.

Temos alguns inquilinos temporários, ajudam por um tempo, mas deixam estragos.

Temos admiradores que gostaríamos de convidar para a sala de visitas, mas não passam da porta.

Outros que nem queremos tanto, entram, vasculham cada espaço sem convite e se vão.

Há os que chegam de supetão, barulhentos, alegres e bagunceiros, e que acabamos por nos encantar e deixá-los ficar, apenas na sala de visitas. Dão cor e movimento ao espaço.

E há ainda aqueles que chegam devagar, primeiro na porta, depois de um tempo na sala, batendo papo, na cozinha, tomando um café ou lavando uma xícara…

Quando assustamos já estão no quarto, ajeitando nossa bagunça, segurando nossas mãos e ouvindo nossos traumas, chorando com nossas dores, rindo de nossos desastres, aplaudindo nossas poucas vitórias, refrescando-se em nosso banheiro, tomando um vinho conosco.

Acabam por tornar-se moradores indispensáveis. Alegram, dão vida, perfumam, colorem, renovam o oxigênio, tiram teias de aranha, clareiam tudo. 

Como em nossas residências, mantemos em nós alguns espaços mais arrumados que outros, mais visitados que outros, alguns até secretos.

Como em nossas residências, essa seleção de visitantes e moradores é essencial para a limpeza, conservação e saúde do espaço em que vivemos.

Bom lembrar que fechar portas e janelas não é uma opção!

Nossa casa-mente-alma agradece!

Alda M S Santos

Quero colo

QUERO COLO

Quero colo, mas não qualquer colo

Quero colo que me aqueça, que eu me sinta protegida.

Quero colo que me faça cócegas, que me desperte risadas.

Quero colo, que me traga palavras doces e sábias, que me convença que tudo vai passar, ficar bem.

Quero colo que me conheça, que beije minha testa, que me despenteie os cabelos e que aceite quando eu “reclamar”. 

Quero colo que me abrace forte, que me enlace, que não me deixe escapar.

Quero colo que me desconheça, que me descubra, que me torne especial, única. 

Quero colo que me beije o nariz, a boca, o rosto todo, que se lambuze de mim.

Quero colo que me acalme, que me faça cafunés, e que me faça, confiante, adormecer. 

Quero colo que lá esteja quando eu despertar…

Quero esse colo! Tenho esse colo!

Alda M S Santos

Tu, que és professor

TU, QUE ÉS PROFESSOR
Tu, que és professor, ensina-me a fugir dos holofotes, sem contudo, ficar na escuridão.
Tu, que és professor, ensina-me a brincar com a vida, sem contudo, desvalorizá-la.
Tu, que és professor, ensina-me a priorizar as lições, a me esforçar, a não desistir.
Tu, que és professor, mostra-me os caminhos, ajuda-me a dar o primeiro passo.
Tu, que és professor, pega na minha mão quando eu tiver muitas dificuldades.
Tu, que és professor, deixa-me caminhar, meio trôpego, às vezes, mas caminhe comigo um pouco!
Tu, que és professor, mostre-me a maravilha do novo, sem contudo, descartar o velho.
Tu, que és professor, mostre-me as janelas das possibilidades, ajuda-me a fechar as que não mais renovam o ar.
Tu, que és professor, ensina-me a usar minhas asas, e que voar não é só teoria.
Tu, que é professor, ensina-me a aceitar que retroceder pode ser uma boa estratégia, que chorar pode clarear caminhos.
Tu, que és professor, ensina-me que problema que se resolve junto, a solução é mais rápida e mais confiável.
Tu, que és professor, ensina-me a ter amigos, parceiros, mas a valorizar sempre minha própria companhia.
Tu, que és professor, ensina-me a sonhar, encoraja-me a realizar.
Tu, que és professor, ensina-me a aceitar o amor em todas as suas vestes, sem contudo, torná-lo démodé.
Tu, que és professor, ensina-me a ser independente de você, sem contudo, deixar de amá-lo.
Tu, que és professor, sendo grande, aprenda suas próprias lições.
Alda M S Santos

Um amor leve

UM AMOR LEVE

Todos queremos um amor,

Mas não aquele amor pesado, que entristece, 

Que mais causa lágrimas que sorrisos.

Queremos um amor leve como as asas de uma gaivota,

Que flutue sobre os pesos e reveses,

Que pouse apenas onde queira. 

Que caminhem de mãos dadas na praça,

Que se lambuzem de pipocas e beijos no cinema,

Que corram juntos na praia, que se molhem na chuva,

Ou que se escondam abraçadinhos no mesmo guarda-chuva…

Um amor que entenda o olhar, frio ou quente, que nunca seja indiferente, 

Que dancem na sala, que festejem com champagne qualquer coisa e, de “pilequinho” caseiro, apaguem grudados no sofá.

Que dialoguem, que riam das próprias bobagens, que compartilhem silêncios tranquilos, 

Que troquem num beijo uma bala de hortelã, 

Que se aqueçam debaixo de um cobertor de lã.

Que joguem paciência, que se joguem nos abraços, 

Que leiam juntos, que escrevam poemas, ou sejam a própria poesia, a inspiração.

Que lavem juntos o banheiro, que se banhem juntos no chuveiro, 

Que o amor encha nosso dia, que não nos abandone nos sonhos,

E que aguarde nosso amanhecer pra dizer “bom dia, com você! 

Alda M S Santos

Bem-me-quer, malmequer

BEM-ME-QUER, MALMEQUER 

Bem me quer ou mal me quer? 

Quem é que poderá avaliar além de meu próprio sentimento?

Mal me quer quem me produz lágrimas ou as ignora,

Bem me quer quem, produzindo-as ou não, as identifica e as enxuga.

Mal me quer quem não vê o que se passa comigo,

Bem me quer quem se interessa, vê além da superfície e, se não vê, investiga.

Mal me quer quem não me inclui no que faz, não se interessa pelo que faço, não participa do meu dia.

Bem me quer quem, de perto ou de longe, participa da minha vida, me incentiva, me completa, me anima, faz parte de mim! 

Mal me quer quem quase não me nota, exceto quando conveniente,

Bem me quer quem, ainda que não me veja, me sente em todos os momentos de sua vida. 

Mal me quer quem não valoriza e aceita o que sou,

Bem me quer quem, nem sempre me aplaude, mas me incentiva a ser cada dia melhor, sem imposições! 

Mal me quer quem, proibitivo, me diz, “não vá”! 

Bem me quer quem segura minhas mãos e, cuidadoso, diz, “vá com cuidado”! 

Bem me quer melhor ainda quem me dá as mãos e diz, “vou contigo”! 

Mal me quer quem é incapaz de demonstrar amor, por palavras ou ações, 

Bem me quer quem diz “amo você” com os olhos, as palavras, as atitudes. 

Bem me quer ou mal me quer?

Não há quem bem me queira ou mal me queira todo o tempo,

Mas sempre haverá quem se sobressaia por um ou por outro querer. 

E isso sempre determinará quem será especial em minha vida.

Alda M S Santos

Quando se ama…

QUANDO SE AMA…

Quando se ama, o sorriso do outro aciona o interruptor do nosso mundo interior, para acender ou apagar.

Quando se ama, o olhar do outro tem mais brilho, mais calor, aquece nosso coração.

Quando se ama, nosso corpo nos abraços do outro se aconchegam, pois eles são capazes de afastar qualquer mal que nos acometa,

Quando se ama, os beijos tocam muito além dos lábios, atingem fundo o corpo, a alma, 

Quando se ama, a presença ou ausência do outro determinam nosso estado de espírito,

Quando se ama, as atitudes do outro, boas ou más, têm peso gigante,

Quando se ama toda realidade compartilhada é um sonho, todo sonho é real.

Quando se ama, as palavras do outro, como tudo que se faz, podem restaurar ou destruir nosso mundo…

Quando se ama, fica-se, de certa forma, à mercê do outro, 

Quando se ama, apenas quer também ser amado. 

Amar exige entrega, exige coragem,

Amar não é para qualquer um. 

Alda M S Santos

Na mesma morada

NA MESMA MORADA
Eram várias e bem diferentes entre si,
Moravam juntas, viviam bem, quase sempre.

A mais sapeca ria e brincava com tudo,

Sorriso cativante, alegria contagiante.

Atraía amigos e alguns invejosos.

Costumava implicar com a introspectiva,

Que queria ficar reclusa, pensativa, nem ser vista.

A mais liberal não temia quase nada.

Queria tudo que tinha direito e o que não tinha também,

Seria capaz de enfrentar o mundo, sozinha ou acompanhada.

A “certinha” criticava, ameaçava, fazia terrorismos com ela. Difícil de aguentar.

A ponderada e mais vivida compreendia, avaliava, aconselhava. Sempre com um sorriso terno e um abraço carinhoso.

A caseira queria se enroscar nos lençóis, comer pipoca e assistir um filme na Netflix. Ora organizava tudo em modo turbo, ora não lavava nem um copo.

A aventureira queria atravessar o oceano em grandes projetos. Junto com a festeira, gostava de se arrumar, dançar e se divertir.

A cheia de energia, eletricidade pura, amava dias de sol, caminhar, pedalar, nadar…

Andava rápido, cabelos ao vento, vestidos esvoaçantes…

Amava boas conversas, gente inteligente, interação.

A tranquila era fã de dias de chuva e nublados para mergulhar num livro, na poesia.

Ficar o dia todo de pijama, de short, cabelos revoltos, deitar na rede, olhar o céu. Gostava também de roça, de bichos, de mato.

A mais filósofa questionava a vida e suas vicissitudes, se contrapondo à toda light que deixava a vida a levar…

A mais amorosa, que era extremamente dedicada a todos, à família, aos amigos, a Deus. Era muito querida.

A profissional, pontual, correta, trabalhava mesmo doente, muito dedicada e perfeccionista.

A mais “mulher” que gostava de se enfeitar, perfumar, maquiar, ser carinho, dar carinho, namorar.

Moravam juntas, num mesmo corpo, brigavam, às vezes, mas aprenderam a conviver entre si.

Todas tinham algo em comum: a extrema necessidade de amar e ser amada.

A vontade louca de abraçar o mundo com apenas dois braços e um grande coração, de ajudar, de estar presente. A tristeza e angústia em não ser capaz de fazê-lo.

Isso, por si só, as tornava uma, única, unidas num mesmo propósito: viver e ser feliz.

Alda M S Santos

Amar é…

AMAR É…

Amar é sentir-se junto, mesmo distante,

A um cômodo de distância ou a um oceano.

É ocupar espaços ociosos, é estar dentro.

Dentro dos pensamentos, da imaginação, da emoção,

Sem, contudo, ser invasão, apenas ser bem-vindo.

É ter necessidade, é tornar-se necessário, imprescindível.

Amar é compartilhar, partilhar, ser parceiro.

De momentos sérios ou bobos, de qualquer coisa.

É Matemática emocional: dividir o tudo ou o nada.

Amar é não sufocar o outro, não se sentir sufocado, tampouco limitar.

Amar é estar disponível, é encontrar disponibilidade no outro,

Por prazer, com prazer, para um sorvete, um filme,

Para fazer amor ou para mudar o mundo.

Amar é aquecer o outro, é aquecerem-se juntos,

As mãos, o abraço, o corpo todo…

Mas, principalmente, aquecer a alma.

Amar é ser indivíduo, é sentir-se ímpar,

Mas saber que nosso melhor se encontra quando somos pares.

Alda M S Santos

 

 

 

Apêndice emocional

APÊNDICE EMOCIONAL

Todos nós temos em casa aquele espaço

Onde tudo que não tem lugar,

Ou que não ficaria tão bem se exposto

É lançado: o quartinho da bagunça.

Ferramentas, utensílios inúteis, objetos pouco utilizados,

Pequenos móveis, papéis, tudo aquilo que queremos “esconder”.

Dizem que quem não tem esse espaço em casa,

Toda ela se torna uma verdadeira bagunça.

Devemos utilizar esse critério para nossos sentimentos também.

Separar dentro de nós um cantinho da bagunça,

E deixar lá aqueles sentimentos que não são tão bonitos,

Ou que não seriam convenientes que se tornassem públicos,

Ou que são apenas nossos mesmo, muito íntimos.

Lá entraríamos de vez em quando para dar uma ajeitada,

Reorganizar, promover alguns deles para a sala de visitas,

Lançar outros fora, descartar mesmo, enterrar,

E ainda deixar outros em modo de espera, em evolução.

Ali, levar só quem puder ajudar ou for de extrema confiança.

Alguém que não se importe com a desordem,

Que sente-se num cantinho conosco e clareie alguns deles.

Para nossa alma manter-se saudável e arejada,

Precisamos desse apêndice emocional em nós.

Alda M S Santos

Voo leve

VOO LEVE
Somos um ser de uma asa só voando por aí,
Voamos bem, voamos muito, ora baixo, ora alto…
Quando encontramos uma asa que nos pareia, tudo se encaixa.
Voamos bem, voamos alto, voamos leve, voamos felizes.
Mas se nos unimos a uma asa que não combina,
Melhor seria continuar voando bem, ora baixo, ora alto,
Mas com a própria asa…
Pior que voar sozinho é voar com asas que pesam,
Com asas que desequilibram, que geram turbulências.
O voo precisa ser leve, livre, solto e feliz,
Sozinho ou acompanhado.
Alda M S Santos
Foto Google imagens

Passagem comprada

PASSAGEM COMPRADA

Viemos para esse mundo com a passagem de volta comprada.

Falta apenas o carimbo com a data de retorno.

E quando acontecerá nós não sabemos.

Podemos fazer inúmeras viagens por aqui antes dela, 

E acompanhados!

Muitas são as possibilidades!

Concentrar-nos na derradeira viagem impede que aproveitemos o passeio.

Ela chegará, quer a gente queira, quer não. 

E nela iremos sozinhos!

Podemos escolher aproveitar bem todas elas.

Alguma delas pode ser nosso retorno, de avião, de trem, a pé…

 E iremos felizes de volta para casa! 

Alda M S Santos 

Suspiros

SUSPIROS

Suspiros dizem tanto!

Insatisfações, cansaços, frustrações,

Esperanças, saudades, desejos…

São uma pausa para abastecer o tanque da emoção

Que inspira e traz oxigênio para o lado de dentro 

Expira e joga gás carbônico na atmosfera lá fora

Gemidos, inspiração profunda, dolorosa ou melodiosa,

Nossas “conversas” conosco mesmos…

Quase sempre produzem algo de bom!

Alda M S Santos

Prova de amor

PROVA DE AMOR

Prova de amor não se pede

Mas o verdadeiro amor se prova a todo momento

Algumas vezes com palavras

Mas a maioria delas nas pequenas atitudes:

De carinho, de cuidado, de desejo de estar junto.

O amor verdadeiro e recíproco

Nota-se e se faz notar,

Não se questiona,

Apenas se ama e se faz amar.

Com e por prazer. 

Infinitamente…

Alda M S Santos

Num abraço tudo se resolve

NUM ABRAÇO TUDO SE RESOLVE
Abraços: muitas vezes tidos como o último recurso
Utilizados apenas quando as palavras foram ineficazes,
Excessivas, insensíveis ou inadequadas,
Acabam por serem subestimados.
Se fossem usados com mais frequência,
Evitariam muitos momentos desgastantes,
Pois quase tudo se resolve
Quando duas almas se tocam
No calor de um abraço sincero.
Alda M S Santos

Matas ciliares

MATAS CILIARES
Degradando nossas matas ciliares, que nos amparam e protegem,
Diminuindo nosso espelho d’água, que recebe e reflete luz,
Aumentando os obstáculos no leito do rio que chamamos Vida,
Ficamos represados num mesmo lugar, causamos grandes erosões internas…
Não há curso d’água, não há flora ou fauna,
Não há atrativos quaisquer,
Há apenas mágoa (má água),
Sem proteção, sem água corrente, sem luz, sem vida!
Faz-se necessário o equilíbrio!
Para que nosso reflexo seja visível e real.
Alda M S Santos

Como saber?

COMO SABER?
Vidas que caminharam juntas, em paralelas, se entrelaçaram.
Como saber significados que deixaram uma para a outra?
Como saber a importância que tiveram entre si?
Basta olhar o que ficou em cada uma delas, o que foi deixado no outro.
Vidas que se tocam, se amam, não se entrelaçam, e se vão, sem deixar sua marca.
Fica um jeito de ser do outro, um sorriso, um carinho, um conselho, uma palavra, uma lembrança…
Algo de pessoas que se amaram ficará sempre impregnado uma na outra, como um perfume suave…
Mas o melhor jeito de saber a importância que tiveram,
É a capacidade de se fazerem presentes, sempre, de alguma forma, principalmente nas adversidades,
Guardadinhas no coração…
Alda M S Santos

Quando até respirar dói

QUANDO ATÉ RESPIRAR DÓI

Quando a alma está machucada

E até respirar dói

Só as lágrimas limpam e lavam o caminho

Para encontrarmos o remédio

No silêncio de nós mesmos. 

Alda M S Santos

Joias

JOIAS
Nunca fui muito fã de joias!
Claro, sou mulher, acho lindas!
Mas nunca fiz questão de ganhar uma joia,
De ter uma joia de pedras preciosas.
E não é porque sou boazinha, simplória ou melhor que ninguém!
Sempre preferi ter uma pessoa-joia para mim.
E ser uma joia para alguém!
Forte, resistente, bela e preciosa.
E isso não é qualquer um que se dispõe,
Ou que saiba fazê-lo.
Exige muito mais que ter dinheiro e ir à joalheria.
É pagamento para a vida toda!
Parcelado em dias e dias infinitos de carinho.
Pagamento que se faz com imenso prazer,
Ou não se faz…
Ambos sendo credores e devedores.
É assim que somos joias!
Alda M S Santos

Passageira

PASSAGEIRA

Nossa vida pode muitas vezes ser

Tal qual fogo de palha, tempestade de areia,

Chuva de verão, a luz de um raio,

O barulho de um trovão, as ondas do mar,

Um trem bala ou um avião a jato.

São rápidos, passageiros,

Mas sempre deixam seus rastros.

Gravam suas marcas indeléveis,

Nos outros, em nós mesmos.

Alda M S Santos

Atadura

ATADURA

Não importa se o problema é:

Tontura, amargura, casca dura,

Assadura, lonjura, chatura, má postura,

Feiura, loucura ou cabeça-dura

A atadura que cura é uma só, criatura:

O AMOR: sem frescura!

Alda M S Santos

No rancho raso

NO RANCHO RASO

Não precisa ser fundo, basta ser rancho,

Tampouco pra lá do fim do mundo, pode ser logo ali.

Não precisa haver dor ou saudade,

Mas se houver, que sejam passageiras.

Que a natureza seja sempre fiel companheira,

Pássaros, árvores, bichos, gente,

Mantenham sempre a harmonia.

Nem precisam ser abundantes,

Mas que a beleza e o amor,

Da Lua e dos companheiros,

Não sejam por esmola.

Com ou sem segredos,

Com ou sem viola,

Que a cantoria e a alegria sejam constantes,

Nesse rancho raso no meio do mundo.

Alda M S Santos

Carinhos

CARINHOS 

Qualquer dor torna-se menos doída

Se vier acompanhada de um toque

Um abraço, um olhar, um beijo…

Qualquer dor se desfaz aos poucos
No calor de um colo ou palavra amiga.

Alda M S Santos

Amor maior do mundo

AMOR MAIOR DO MUNDO

Um amor puro, sem exigências ou condições.  

Amor maior do mundo… Amor que se doou, que morreu por nós…  

Um amor de esperança, de fé, de perdão…  

Amor que viveu por nós! E, porque VIVE, quer para nós o que sempre nos ensinou:  

O AMOR a todos. Amor de luz, amor de paz, AMOR DE JESUS! 

Jesus renasce todos os dias nos corações daqueles que se levantam dispostos a amar.

 Feliz Páscoa, amigos! 

Alda M S Santos

Abrigos

ABRIGOS

Uma mansão num paraíso tropical,

Uma cobertura num país europeu,

Uma casinha branca na serra,

Uma choupana num vale no outono,

Uma cabana numa montanha bem alta,

Um barraco num aglomerado qualquer…

Todos são residências! Todos!

Não importa em qual delas estaremos,

Pois o verdadeiro abrigo é aquele que encontramos

No coração daqueles que trilham conosco essa estrada.

Esses, podemos encontrar num barraco ou numa mansão.

Sem qualquer distinção!

E fazer ali nossa verdadeira morada.
Alda M S Santos

Oásis

OÁSIS 

Para os caminhantes do deserto

A simples “alucinação” com o oásis

Mantém ativo o fio da vida, 

Até que se torne real! 

Alda M S Santos

Seja!

SEJA!

Seja semente, seja raiz, 

Seja tronco, seja galhos

Seja flor, seja fruto…

Seja a água que hidrata,

Seja o sol que aquece, 

Seja a seiva que tudo alimenta,

Mas faça parte! 

Alda M S Santos

Coração na mão

CORAÇÃO NA MÃO

Onde bate seu coração?

No próprio peito, tranquilo e em paz?

Na mão, temeroso e ansioso? 

Em trânsito, corajoso e perdido, em busca de abrigo?

Noutro peito, como inquilino provisório, sempre em dívida?

Dividindo morada, batendo aqui e lá, ao mesmo tempo, em sintonia, em uníssono?

Coração é forte, mas quando bate junto é insuperável! 

Escolha onde quer deixar que o seu bata! 

Alda M S Santos

Fogo!

FOGO!

À beira de uma fogueira rústica
De uma lareira sofisticada

Ou de uma alma encantadora

Todo cuidado é pouco

Muito longe não nos aquece

Muito perto pode nos queimar.

Mas, chegando aos poucos na posição devida,

Conhecendo ônus e bônus

Sempre irá nos contentar.

Alda M S Santos

Receita

RECEITA

Todos chegamos aqui com o mesmo propósito

Com o mesmo pedido: fazer um bolo e distribuí-lo

Porém, as receitas são variáveis, ingredientes, idem.

Nem todos têm a manteiga, ou o açúcar é escasso.

Outros não gostam de ovos ou o leite azedou…

A farinha é grossa, o fermento está vencido.

Alguns nem gostam de bolo,

Outros não gostam de distribuí-lo.

Num mundo onde há tantos famintos,

Há aqueles que, sabiamente, substituem ingredientes,

Enquanto há também quem desperdice o que possui.

E, mesmo possuindo todos eles, I 

O modo de fazer será determinante para essa receita

Chamada VIDA crescer e satisfazer a todos.

Bom apetite!

Alda M S Santos

Lente de aumento

LENTE DE AUMENTO

Amor é aquela lente de aumento 

Que nos identifica e diferencia numa multidão de iguais,

Nos destaca, nos separa e nos faz sentir especiais, melhor do que somos.

Ainda que estejamos tortos ou faltando pedaço,

Ele nos enxerga, mas não se importa! 

Endireita-nos, nos complementa, nos restaura! 

Nos abriga, nos coloca em lugar de destaque,

Não num trono de reis ou rainhas, separados,

Mas ao lado de si, caminhando juntos, de mãos dadas.

Alda M S Santos

De que adianta?

DE QUE ADIANTA?
De que adianta uma linda voz
Se quando é preciso, ela se cala?
De que adianta um belo sorriso, se apenas se abre para alguns,
E tantos necessitados são excluídos?
De que adianta tamanha inteligência,
Se não sabe agir ao sabor da emoção?
De que adianta tanta beleza, se não é possível mergulhar mais fundo,
Sob pena de “bater a cabeça” em rasa profundidade?
De que adianta tanta “cultura”,
Se as palavras mais doces não fazem parte de seu vocabulário?
De que adianta braços fortes e ombros largos,
Se não servem de abrigo ou de colo a quem precisa?
De que adianta o amor preso dentro de si,
Se ele é uma flor que precisa do sol
Que existe no outro,
Para crescer, se abrir e encantar?
De que adianta?
Alda M S Santos

A fé que me move

A FÉ QUE ME MOVE

“Tenho muita fé em Santa Zita! Sabia que ela é a santa das domésticas?

Faço muitas orações pra ela. Essa aqui é ela. Olha que linda!

Quer saber? Às vezes, eu perdia a hora rezando na igreja e voltava apavorada pra casa!

E grande era minha supresa ao chegar lá e encontrar tudo arrumadinho!

Santa Zita que arrumava para mim! Era pobre, sem estudos, empregada do lar e consagrou-se ao Senhor. Ela é a protetora das domésticas! 

É a fé nela e em Nosso Senhor que me move!”

Contou-me ela em seu pequenino quarto onde notava-se a fé em cada cantinho e objeto.

Sempre aprendendo com a força e fé de meus amores idosos! 

Alda M S Santos

O prazer de aprender

O PRAZER DE APRENDER
Em casa, na escola, na igreja
No trabalho, num lar de idosos
Não importa onde ou quando
Com 8, 18 ou 80 anos,
Descobrir as letras, alfabetizar-se,
Aprender sempre será uma descoberta prazerosa
Presenciar esse prazer é extasiante.
Alda M S Santos
#carinhólogos

Reféns

REFÉNS

Num mundo onde a liberdade é tão valorizada

Muitos prisioneiros se fazem à sua revelia

Reféns de pessoas, de medos, de traumas,

Reféns da inércia de alguns sentimentos.

Que impedem qualquer negociação,

E impossibilitam a alegria.

Alda M S Santos

 

Nunca se esgota

NUNCA SE ESGOTA

Melhores são aqueles amigos,

Novos ou antigos,

Com os quais nunca nos esgotamos

Sempre há algo a fazer, a dizer

A contar, a pedir, a doar, a confidenciar…

Risos, sorrisos, gargalhadas,

Abraços, beijos, café e queijo.

E aquela saudade e desejo constante

De estar sempre juntos,

Mesmo havendo lágrimas, atritos e pendengas,

Cada encontro é sempre único, especial,

Pois possui a liga mais forte do mundo: o amor.

Alda M S Santos

Definir pra quê?

DEFINIR PRA QUÊ?
Definir pra quê?
Entender pra quê?
Se o sentimento, seja ele qual for, bom ou ruim,
Não depende da lógica?
Se brota tal qual flor, cresce, resiste?
Se tudo que vale no final das contas é sentir,
Se tudo que vale é amar…
Na tentativa infinda de ser feliz?
Alda M S Santos

Fantasmas

FANTASMAS

Fantasmas…

Não há portas, fechaduras ou trancas

Guardas, sentinelas ou vigilantes

Que os mantenha do lado de fora,

Quando “queremos” mantê-los do lado de dentro

Criando-os como bichos de estimação…

Fantasmas…

Talvez uma vigília interna, ou um auxílio externo

Tornem o ambiente impróprio para eles.

Quem sabe se a abertura de uma janela

Mostre a eles o encanto do lado de fora,

E não queiram mais morar dentro da gente?

Alda M S Santos.

Cheiro de Amor

CHEIRO DE AMOR
Olfato cria lembranças marcantes e eternas
Mais que qualquer outro sentido
Cheiro de mãe, cheiro de colo, de casa de vó,
De infância, de escola, de domingo, de Natal,
Cheiro de praia, de roça, de rio, de mata,
De namoro, de amigos, de filhos,
De abraços quentinhos, de cheiro no cangote,
De beijos molhados de chuva, de suor…
De muitos cheiros se faz minha memória.
Um único comum a todos:
Cheiro de amor.
Alda M S Santos

Analfabetos emocionais

ANALFABETOS EMOCIONAIS
“Entre sem bater”
“Mantenha organizado”
“Ao sair, NÃO apague a luz”
Porém, batem, bagunçam, machucam, apagam a luz
E ainda levam partes que não lhes pertence.
E reclamam ao encontrar nova placa:
“Fechado para balanço”
Ou depois de um tempo
“Sob nova direção”.
Analfabetos emocionais=espaços desabitados.
Alda M S Santos

Desatinos

DESATINOS
De quantos desatinos se faz uma loucura?
De quantas loucuras se faz uma alegria?
De quantas alegrias uma vida precisa para ser feliz?
Alda M S Santos

Quando eu descrescer

QUANDO EU DESCRESCER
Uma linda criança de sete anos
Fazia planos para quando descrescesse.
Aparentemente, havia crescido tão pouco!
Mas já sabia que não valia a pena crescer tanto!
Queria voltar!
O que eu gostaria de ser se pudesse descrescer?
Colocando na balança, os ônus do crescimento
São muito superiores aos bônus!
Se eu pudesse ter a pureza, alegria, paz
A satisfação nas mínimas coisas,
A capacidade de amar e me entregar integralmente,
Sem cobranças ou medos,
Já teria descrescido o bastante.
E vocês? O quanto gostariam de descrescer?
Alda M s Santos

Perdido

PERDIDO

Se há muito busca encontrar-se

Refazer-se, tornar-se de novo inteiro

E de tantas partes

Encontrou apenas algumas

Busque-se em sua última morada

Junto à escova de dente, perfume, roupas íntimas

E alguns utensílios dispensáveis esquecidos,

Pode ter deixado algo mais valioso

Que reconstitua seu quebra-cabeça particular.

Se lá houver mais partes que cá,

Mude-se de vez para lá.

Alda M S Santos

 

 

Ser amor

SER AMOR
Ser amor é ser sorriso
Sem desvalorizar as lágrimas
É ser abraço, beijo,
Quando tudo parecer ruir.
É ser estímulo, sem negar o colo.
É ser companhia, participação, interatividade,
Sem negar-se a si mesmo e às suas vontades.
É ser admiração, respeito, confiança, intimidade,
Sem fechar os olhos para os defeitos,
Mas mantê-los bem abertos para o essencial
Que encanta, aquece e amortece qualquer mal
Simplesmente por existir e estar ali.
Alda M S Santos

Copiloto

COPILOTO
Copilotos, vice-líderes, substitutos,
Ajudantes, auxiliares, corresponsáveis,
Ou, simplesmente, parceiros.
Precisam ser bem escolhidos!
Não há voo seguro e feliz sozinho,
Tampouco mal acompanhado.
Alda M S Santos

Não há garantias

NÃO HÁ GARANTIAS

Que a fé não arrefeça

Que o mal desapareça

Que a esperança não desfaleça

Que o amor prevaleça

Não há garantias!

Mas que a vida sempre aconteça,

E a gente se fortaleça!

Alda M S Santos

Valor

VALOR

Nossa vida passa a ter

Muito mais valor

Quando o sorriso dos outros

Depende dela.
Alda M S Santos

Ovos de Páscoa

OVOS DE PÁSCOA

Dentro da sacola enorme, uma caixa grande

Dentro da caixa, água com açafrão, chá e vinagre,

Mergulhados na água, cascas inteiras de ovos, sem o conteúdo.

Depois de andar 2km, com muito cuidado,

Tudo isso do colo pro chão no metrô lotado.

Ao final, serão ovos coloridos recheados de brigadeiro.

Uma pequena “arte” para alegrar a Páscoa no Lar dos Idosos.

Se interceptada, pode ser acusada de “bruxaria” ou terrorismo…

Imaginar a alegria deles vale qualquer “esforço”.

Alda M S Santos

Amar é…

Amar é…
Desafiar a lei da gravidade
É viver em constante suspensão
É tornar o sonho, realidade
Ignorando a força que vem do chão.
Alda M S Santos

Saudade é…

Saudade é …

Quando a alma vai para onde quer 

E deixa o corpo para trás. 
Alda M S Santos

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