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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Amizade

Laços

LAÇOS

Em qualquer circunstância, 

Duas linhas não se cruzam por acaso. 

É preciso cuidar de nossos relacionamentos 

De amor, de amizade, cuidar de nossos corações, 

Desfazer nós, criar mais laços, 

Montar essa bela trilha que nos cabe todos os dias…

Alda M S Santos

Bem-me-quer, malmequer

BEM-ME-QUER, MALMEQUER 

Bem me quer ou mal me quer? 

Quem é que poderá avaliar além de meu próprio sentimento?

Mal me quer quem me produz lágrimas ou as ignora,

Bem me quer quem, produzindo-as ou não, as identifica e as enxuga.

Mal me quer quem não vê o que se passa comigo,

Bem me quer quem se interessa, vê além da superfície e, se não vê, investiga.

Mal me quer quem não me inclui no que faz, não se interessa pelo que faço, não participa do meu dia.

Bem me quer quem, de perto ou de longe, participa da minha vida, me incentiva, me completa, me anima, faz parte de mim! 

Mal me quer quem quase não me nota, exceto quando conveniente,

Bem me quer quem, ainda que não me veja, me sente em todos os momentos de sua vida. 

Mal me quer quem não valoriza e aceita o que sou,

Bem me quer quem, nem sempre me aplaude, mas me incentiva a ser cada dia melhor, sem imposições! 

Mal me quer quem, proibitivo, me diz, “não vá”! 

Bem me quer quem segura minhas mãos e, cuidadoso, diz, “vá com cuidado”! 

Bem me quer melhor ainda quem me dá as mãos e diz, “vou contigo”! 

Mal me quer quem é incapaz de demonstrar amor, por palavras ou ações, 

Bem me quer quem diz “amo você” com os olhos, as palavras, as atitudes. 

Bem me quer ou mal me quer?

Não há quem bem me queira ou mal me queira todo o tempo,

Mas sempre haverá quem se sobressaia por um ou por outro querer. 

E isso sempre determinará quem será especial em minha vida.

Alda M S Santos

Vício trocado não dói

VÍCIO TROCADO NÃO DÓI
-“Você tá viciado nisso hein, cara? Músculo demais mata!”
-“Tô nada! Vício é por coisa ruim. Tava viciado naquela “mina” e ela me ferrou… Ferro por ferro, puxo esse que me faz bem”.
Observando o debate, concluí que tendemos a achar que só coisas negativas sejam viciantes como drogas, álcool, jogos.
Porém, o hábito repetitivo de algo, por melhor que seja, pode ser degenerativo ou prejudicial para nós ou para quem nos cerca.
Coisas boas em excesso também viciam e podem ser prejudiciais: trabalho, esportes, religiosidade, sexo, amor…
Vício é dependência e dependência é negativa. Sempre.
Há pessoas dependentes de determinadas pessoas! Dependência “química” e/ou emocional.
O amor não deixa de ser um vício também, quando nos faz crer que não sobreviveríamos sem o outro.
E como disse o rapaz na academia, “todo mundo tem algum vício, o melhor é escolher o que causa menos mal!”
E em matéria de pessoas, de amizade, de amor, só vale o vício trocado.
Vício trocado não dói!
Alda M S Santos

Banho

BANHO
Quero um banho profundo e demorado
De banheira, chuveiro, rio, mar, lago ou cachoeira.
Mas quero um banho que me lave por dentro
Que saiba o que levar e o que deixar
Que saiba o que renovar, hidratar, dar brilho
E deixar um delicioso perfume de gente boa
E de vida nova…
Alda M S Santos

Num abraço tudo se resolve

NUM ABRAÇO TUDO SE RESOLVE
Abraços: muitas vezes tidos como o último recurso
Utilizados apenas quando as palavras foram ineficazes,
Excessivas, insensíveis ou inadequadas,
Acabam por serem subestimados.
Se fossem usados com mais frequência,
Evitariam muitos momentos desgastantes,
Pois quase tudo se resolve
Quando duas almas se tocam
No calor de um abraço sincero.
Alda M S Santos

Como saber?

COMO SABER?
Vidas que caminharam juntas, em paralelas, se entrelaçaram.
Como saber significados que deixaram uma para a outra?
Como saber a importância que tiveram entre si?
Basta olhar o que ficou em cada uma delas, o que foi deixado no outro.
Vidas que se tocam, se amam, não se entrelaçam, e se vão, sem deixar sua marca.
Fica um jeito de ser do outro, um sorriso, um carinho, um conselho, uma palavra, uma lembrança…
Algo de pessoas que se amaram ficará sempre impregnado uma na outra, como um perfume suave…
Mas o melhor jeito de saber a importância que tiveram,
É a capacidade de se fazerem presentes, sempre, de alguma forma, principalmente nas adversidades,
Guardadinhas no coração…
Alda M S Santos

Joias

JOIAS
Nunca fui muito fã de joias!
Claro, sou mulher, acho lindas!
Mas nunca fiz questão de ganhar uma joia,
De ter uma joia de pedras preciosas.
E não é porque sou boazinha, simplória ou melhor que ninguém!
Sempre preferi ter uma pessoa-joia para mim.
E ser uma joia para alguém!
Forte, resistente, bela e preciosa.
E isso não é qualquer um que se dispõe,
Ou que saiba fazê-lo.
Exige muito mais que ter dinheiro e ir à joalheria.
É pagamento para a vida toda!
Parcelado em dias e dias infinitos de carinho.
Pagamento que se faz com imenso prazer,
Ou não se faz…
Ambos sendo credores e devedores.
É assim que somos joias!
Alda M S Santos

Carinhos

CARINHOS 

Qualquer dor torna-se menos doída

Se vier acompanhada de um toque

Um abraço, um olhar, um beijo…

Qualquer dor se desfaz aos poucos
No calor de um colo ou palavra amiga.

Alda M S Santos

Abrigos

ABRIGOS

Uma mansão num paraíso tropical,

Uma cobertura num país europeu,

Uma casinha branca na serra,

Uma choupana num vale no outono,

Uma cabana numa montanha bem alta,

Um barraco num aglomerado qualquer…

Todos são residências! Todos!

Não importa em qual delas estaremos,

Pois o verdadeiro abrigo é aquele que encontramos

No coração daqueles que trilham conosco essa estrada.

Esses, podemos encontrar num barraco ou numa mansão.

Sem qualquer distinção!

E fazer ali nossa verdadeira morada.
Alda M S Santos

De que adianta?

DE QUE ADIANTA?
De que adianta uma linda voz
Se quando é preciso, ela se cala?
De que adianta um belo sorriso, se apenas se abre para alguns,
E tantos necessitados são excluídos?
De que adianta tamanha inteligência,
Se não sabe agir ao sabor da emoção?
De que adianta tanta beleza, se não é possível mergulhar mais fundo,
Sob pena de “bater a cabeça” em rasa profundidade?
De que adianta tanta “cultura”,
Se as palavras mais doces não fazem parte de seu vocabulário?
De que adianta braços fortes e ombros largos,
Se não servem de abrigo ou de colo a quem precisa?
De que adianta o amor preso dentro de si,
Se ele é uma flor que precisa do sol
Que existe no outro,
Para crescer, se abrir e encantar?
De que adianta?
Alda M S Santos

Reféns

REFÉNS

Num mundo onde a liberdade é tão valorizada

Muitos prisioneiros se fazem à sua revelia

Reféns de pessoas, de medos, de traumas,

Reféns da inércia de alguns sentimentos.

Que impedem qualquer negociação,

E impossibilitam a alegria.

Alda M S Santos

 

Nunca se esgota

NUNCA SE ESGOTA

Melhores são aqueles amigos,

Novos ou antigos,

Com os quais nunca nos esgotamos

Sempre há algo a fazer, a dizer

A contar, a pedir, a doar, a confidenciar…

Risos, sorrisos, gargalhadas,

Abraços, beijos, café e queijo.

E aquela saudade e desejo constante

De estar sempre juntos,

Mesmo havendo lágrimas, atritos e pendengas,

Cada encontro é sempre único, especial,

Pois possui a liga mais forte do mundo: o amor.

Alda M S Santos

Definir pra quê?

DEFINIR PRA QUÊ?
Definir pra quê?
Entender pra quê?
Se o sentimento, seja ele qual for, bom ou ruim,
Não depende da lógica?
Se brota tal qual flor, cresce, resiste?
Se tudo que vale no final das contas é sentir,
Se tudo que vale é amar…
Na tentativa infinda de ser feliz?
Alda M S Santos

Cheiro de Amor

CHEIRO DE AMOR
Olfato cria lembranças marcantes e eternas
Mais que qualquer outro sentido
Cheiro de mãe, cheiro de colo, de casa de vó,
De infância, de escola, de domingo, de Natal,
Cheiro de praia, de roça, de rio, de mata,
De namoro, de amigos, de filhos,
De abraços quentinhos, de cheiro no cangote,
De beijos molhados de chuva, de suor…
De muitos cheiros se faz minha memória.
Um único comum a todos:
Cheiro de amor.
Alda M S Santos

Quando eu descrescer

QUANDO EU DESCRESCER
Uma linda criança de sete anos
Fazia planos para quando descrescesse.
Aparentemente, havia crescido tão pouco!
Mas já sabia que não valia a pena crescer tanto!
Queria voltar!
O que eu gostaria de ser se pudesse descrescer?
Colocando na balança, os ônus do crescimento
São muito superiores aos bônus!
Se eu pudesse ter a pureza, alegria, paz
A satisfação nas mínimas coisas,
A capacidade de amar e me entregar integralmente,
Sem cobranças ou medos,
Já teria descrescido o bastante.
E vocês? O quanto gostariam de descrescer?
Alda M s Santos

Copiloto

COPILOTO
Copilotos, vice-líderes, substitutos,
Ajudantes, auxiliares, corresponsáveis,
Ou, simplesmente, parceiros.
Precisam ser bem escolhidos!
Não há voo seguro e feliz sozinho,
Tampouco mal acompanhado.
Alda M S Santos

Valor

VALOR

Nossa vida passa a ter

Muito mais valor

Quando o sorriso dos outros

Depende dela.
Alda M S Santos

Ovos de Páscoa

OVOS DE PÁSCOA

Dentro da sacola enorme, uma caixa grande

Dentro da caixa, água com açafrão, chá e vinagre,

Mergulhados na água, cascas inteiras de ovos, sem o conteúdo.

Depois de andar 2km, com muito cuidado,

Tudo isso do colo pro chão no metrô lotado.

Ao final, serão ovos coloridos recheados de brigadeiro.

Uma pequena “arte” para alegrar a Páscoa no Lar dos Idosos.

Se interceptada, pode ser acusada de “bruxaria” ou terrorismo…

Imaginar a alegria deles vale qualquer “esforço”.

Alda M S Santos

Marcas impressas

MARCAS IMPRESSAS

Sempre vemos algo que dizemos: isso me lembra fulano…

Pode ser o jeito de sorrir, de jogar o cabelo

O modo de andar, de se vestir

A delicadeza das atitudes, o abraço, o beijo,

A voz, as palavras doces,

A fisionomia sisuda, o mau humor, a ansiedade.

A atenção, o carinho, a preocupação, 

A criatividade, a intensidade, as bochechas coradas

A animação ou desânimo, o jeito lento ou acelerado.

O modo de dançar, cantar ou encantar,

A fé, a coragem, a força de vontade, 

O perfume, o olhar, o batom rosa, a barba por fazer, aquela bebida…

Quais serão as marcas que deixamos impressas por aí?

Podem ser infinitas! 

Preferiríamos que fossem apenas as agradáveis!

Caminhemos com esse intuito!

Alda M S Santos

E quando tudo parecia perdido

E QUANDO TUDO PARECIA PERDIDO
E quando tudo parecia desabar
Surge aquela presença querida, que ilumina
Aquele sorriso entre lágrimas que diz:
“Tenho nada não, mas estou aqui”.
E quando tudo parecia escuro, frio
Surge aquele abraço amigo, apertado
Forte, que enlaça o corpo todo, que aquece a alma.
E quando tudo parecia perdido
Surgem amigos, que ouvem, que se solidarizam,
Que riem, que choram, que se calam,
Que, sobretudo, falam, e percebemos que Ele nos fala.
É quando tudo parece perdido que Ele mais nos aparece
E nos mostra uma constelação de estrelas e possibilidades
Aí percebemos tudo de maravilhoso que temos.
Alda M S Santos
Foto Everaldo Alvarenga

Tão longe, tão dentro!

TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos

Apenas um pouquinho de afeto

APENAS UM POUQUINHO DE AFETO
Repetidas vezes pergunta meu nome completo. Eu respondo. E recita o seu.
Sento-me ao seu lado, seguro suas mãos, faço carinho.
E completa: “Nascida a 22 de março de 1922. Tenho 90 e muitos anos.”
“Você sabe quem descobriu o Brasil? Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500.”
“Tem que decorar, senão a professora briga e a mãe bate.”
“Cadê o banheiro? Não posso fazer xixi na calçola. Você me leva?”
“Que dia é hoje? Ah! Amanhã é domingo, dia de Jesus! Gosto de Jesus, nascido em Belém da Judéia, crescido e criado em Nazaré, por isso era chamado de Jesus Nazareno.”
“Aprendi na escola dominical. Ah, domingo é quando meus filhos vêm me ver.”
“Faz muito tempo que não aparecem. Que dia é hoje? A gente não pode obrigar, né?”
“Você é baiana? Chapéu de Maria Bonita. Parece baiana. Eu sou baiana, mas me trouxeram para cá. Mãos macias, eu gosto das suas mãos.”
“Meu marido voltou para lá. Será que levou meus filhos embora também?”
“Você tem mãe? Eu tinha! E tem filhos? Traz seus filhos aqui.”
“Vamos cantar música de louvor? Eu gosto, senão fico brava.”
E ela fala sem parar com poucas interferências minhas, exceto o carinho.
Cantamos Maria de Nazaré. Voz forte. Diz que cantou no coral da igreja. Sabe a música de cabo a rabo.
Levanto-me, sento ao lado de um senhor e começo a conversar com ele.
“Senta aqui! Você estava aqui! Fica perto de mim.”
Ao que ele responde: “Baiana, ela agora é minha, tem que dividir!”
Ela se cala e fica emburrada. Jogo beijos. Faz beicinho.
Deixo uma mão com ele, levanto, vou lá e a aperto.
São crianças brigando por um pouquinho de afeto.
Apenas um pouquinho de amor…
Alda M S Santos

Coração, dez?

CORAÇÃO, DEZ?
Supondo que nosso corpo fosse uma grande sala de aula,
Cujo cérebro seria o professor e as demais partes seriam os alunos,
Quem seria digno da nota dez?
Os músculos fazem bem seu papel,
Membros superiores e inferiores, idem.
A pele protege os tecidos, mantém a temperatura, é órgão do tato.
Ouvidos, olhos, boca, nariz, todos executam sua tarefa com perfeição.
Os órgãos internos também dão conta de suas obrigações.
Vez ou outra necessitam de uma medicação para expulsar invasores, mas se dão bem.
Mas e o coração? Esse é problemático.
Tudo bem! É o músculo mais importante, bombeia o sangue para todos os demais, inclusive o cérebro.
Porém, é o que mais traz problemas ao corpo todo.
Não costuma “ouvir” o cérebro, não aprende as lições e se envolve em inúmeras confusões.
É um aluno que causa mal estar aos diversos companheiros, quando gera lágrimas, mágoas, angústias, decepções e saudades.
É aventureiro, se arrisca, acredita, se envolve, se apaixona.
Mereceria a nota zero.
Porém, é ele que traz vida à classe toda, sem ele não haveria alegrias,
Emoções, prazer, bondade, compaixão…
O coração acredita no seu maior inquilino, o amor.
E faz um trabalho de equipe perfeito, pois convoca o corpo inteiro para o trabalho.
Desobediente, aventureiro, autônomo, corajoso, fiel a si mesmo, persistente, capaz!
A ele dou nota dez! Até sugeriria uma troca de lugar com o professor.
Alda M S Santos

Eternidades

ETERNIDADES
“Até que a morte nos separe”, “Love you forever”,
“Você vai estar para sempre dentro do meu coração”,
“E cada verso meu será, pra te dizer que eu sempre vou te amar, por toda a minha vida.”
“Te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar”…
São tantas as promessas de eternidade! Tantas!
Basta ligar o rádio e ouvir algumas canções.
Ou ouvir algumas histórias por aí…
Mas elas se esvaem na fumaça do fogo, ou do gelo, que as consome.
Mudemos a sintonia do rádio para um canal de notícias,
E perceberemos como terminam muitos amores eternos.
Ou nas próprias canções:
“Você jogou fora o amor que eu te dei, os sonhos que sonhei,”
“Saiu sem dar razão, ficou na solidão, alguém que só te deu valor,”
“Não aprendi dizer adeus, mas tenho que aceitar que amores vêm e vão”…
Valem para qualquer tipo de amor ou amizade.
Amizades e amores verdadeiros não precisam de juras, promessas,
Palavras são lindas, mas são apenas palavras!
Atitudes é que são eternas e conquistam o amor dia-a-dia.
Alda M S Santos

Dores na simplicidade e no luxo

 DORES NA SIMPLICIDADE E NO LUXO

Numa semana, num lar de idosos de classe baixa, na outra, num núcleo luxuoso para a maturidade.

Ambos com idosos colocados ali para serem cuidados, tratados, terem sua dignidade preservada.

Espaços limpos, pequenos e simples de um, destoam dos espaços amplos, muito bem decorados e bem aproveitados de outro.

Idosos em seus melhores trajes para receberem as visitas.

Um banho e roupas simples e ausência de acessórios de um, roupas e calçados finos, colares, brincos, maquiagem, chapéus, penteados, cabelos bem pintados e unhas bem feitas do outro.

No primeiro, poucas atividades além da rotina diária: refeições, banho, TV, pátio, sono, medicamentos.

No segundo, agenda cheia: leituras, músicas, visitas agendadas, apresentações, artes, convidados de todo tipo.

Mulheres interagem mais. Os homens, ou são galanteadores ou ranzinzas, muito calados, ou quase incapazes.

O que há de semelhante além de serem homens e mulheres idosos entre 70 e 100 anos de idade?

São como crianças! Olhos sem muita vivacidade, mas com brilho úmido, carentes de afeto. Todos eles!

Abraçam-nos e agradecem a nossa atenção e dedicação como algo precioso.

Querem ser tocados, ouvidos, compreendidos. Precisam do nosso tempo.

Cantamos músicas da sua época (com nossas vozes maravilhosas), deixamos a vergonha em casa, dançamos, tentamos ignorar os mais rabugentos, trazê-los para nós. Quase sempre conseguimos.

Em ambos, poucas visitas recebem. Alguns, ninguém os procura.

O mais triste é que, mesmo aqueles cercados de gente, de atividades, de “amigos”, de tarefas, falta-lhes algo.

Recebem amor, mas querem aquele amor especial, aquele amor específico, aquele que grudou na alma e dói a ausência.

Como me disse uma idosa sabiamente, eles têm muitas presenças, mas uma ou duas ausências impedem definitivamente a felicidade.
Concordo com uma senhora trovadora, residente do lar, autora de livros de outrora:

“Saudade, com tanto lugar lá fora, porque você insiste em doer aqui dentro?”

Divirto-os, me divirto e agradeço a cada um deles a oportunidade de me tornar uma pessoa melhor.

Alda M S Santos

Amor/amigo

AMOR/AMIGO

O que se espera de um amigo/a?

Mais ainda do que se espera de um amor.

Pois a amizade é um amor especial, diferente, mais leve,

Sem tantas cobranças, ciúmes ou desatinos.

Amizade tem confiança, confidências, lamentos, congratulações.

Não há necessidade de impressionar, há naturalidade, transparência.

Há ouvidos atentos, braços abertos, ombros largos, expressão calorosa.

A alegria na companhia do outro salta aos olhos de qualquer um, por mais diferentes que sejam entre si.

Onde há ao menos dois amigos/as juntos há risadas, gargalhadas, zombarias. 

Também há papos sérios, conselhos, 

puxões de orelhas, lágrimas, logo enxugadas pelo outro. 

Há carinhos, abraços, toques, sorrisos…

Acima de tudo, os amigos acreditam uns nos outros.

Defendem-se perante tudo e contra todos. 

Conhecem todos os seus defeitos e qualidades.

E tudo faz parte do mesmo pacote de amor. 

Qualquer coisa boa ou ruim que lhes aconteça pensam logo nos amigos/as. Sabem que nunca os decepcionarão. 

Torcem pelo sucesso um do outro e as competições, se houver, são saudáveis! 

Um amor para ser completo precisa ser um amor/amigo.

Já a amizade basta por si só, pois o amor incondicional é sua essência.

Amizade verdadeira assim é coisa de alma!

Muito raro de encontrar!

Alda M S Santos

Tá tudo bem?

TÁ TUDO BEM?
Quantas vezes ouvimos essa pergunta?
Quantas vezes a formulamos?
Praticamente 100% das vezes a resposta é: “sim, e você”?
Na maioria delas não passa de pro forme.
Quase nunca respondemos sinceramente.
Não nos dão, ou não damos tempo para uma resposta sincera.
Aquela que demandaria explicação, tempo, atenção, ouvidos, talvez ombros.
As palavras dizem uma coisa e os olhos dizem outra.
Mas quem tem tempo ou disposição para investigar, sequer perceber?
Os olhos dizem “não, estou no meu limite”, “não, estou muito down”!
“Não, preciso de ajuda”, “não, quero colo” ou “não, gostaria de sumir do mapa”.
Se realmente respondêssemos assim, qual seria a reação de nossos interlocutores?
Qual seria a nossa reação, se ouvíssemos respostas como essas?
Certo é que se a pessoa é amiga, próxima, íntima, nem precisaremos perguntar.
Basta notar suas ausências, seu silêncio, seu olhar.
Em todos esses casos, apenas um carinho, um abraço resolveria.
Ou ao menos amenizaria bastante o problema.
Queremos estar bem!
Alda M S Santos

Marcado a ferro

MARCADO A FERRO

Estava de camiseta estilo nadador

Ombros e braços à mostra,

Uma bela tatuagem de uma garota de longos cabelos nas costas

E um nome que não pude ver.

Malhava no aparelho ao lado do meu

“Nem precisa registrar assim, não é?”

O quê?

“A tatoo. É minha garota!”- disse aquele senhor mais velho.

Há outros tipos de registros, concordei.

 “As pessoas escrevem suas histórias em nós de diversas formas”. – disse sorrindo.

Certamente! Umas escrevem a lápis, logo se apaga e não deixam marcas.

Outras escrevem à caneta, demora um pouco mais, mas também desmancham e deixam algumas marcas.

“E há aquelas que registram a ferro. Nunca mais conseguimos apagar”- ele completou.

Sim. Ficam impregnadas em nós. Registradas na pele, no coração e na alma. Nem que a gente queira consegue extirpar.

“É o caso dessa garota, minha filha, nem precisaria estar nas minhas costas. Ela se foi, mas está registrada a fundo lá dentro”.

Todos temos histórias registradas em nós!

“Você tem a pele limpa, mas certamente tem muitas histórias marcadas a ferro”.

Todos nós, senhor! Todos nós!

Alda M S Santos

Ai, que vontade que dá!

AI, QUE VONTADE QUE DÁ!

Uma fonte numa linda praça no centro da cidade 

Um calor de lascar, uma criança seminua a correr na água e voltar

Um ciclista a se refrescar

Jovens “malucos” a correr na água e a sorrir…

Ai, que vontade que dá!

Uma senhora que te abraça e te aperta

Que segura sua mão, conta sua história e se lamenta, carente de afeto

Quer você, precisa de você, confia em você,

Como se te conhecesse a vida toda.

Ai, que vontade que dá! 

Uma criança que te sorri, te chama a brincar, a pular, a contar-lhe uma história.

Ai, que vontade que dá!

Um amanhecer claro, ensolarado, poucas nuvens brancas a correr no azul do céu, 

Deitar-se no chão, sentir o calor do sol aquecer cada parte de seu corpo e agradecer a vida. 

Ai, que vontade que dá! 

Um domingo inteiro pela frente, sem nenhuma programação, livre, a ser preenchido como quiser…

Ai, que vontade que dá! 

Alda M S Santos

Num lar

NUM LAR

A vida inteira num lar

Com pais, irmãos, avós, primos

Companheiros, filhos, sobrinhos…

Ou uma vida dedicada à família dos outros, 

Que cresceram, se foram, não precisam mais deles

De repente, não há mais lar, ou familiares, ou amigos…

A solidão é a fiel companheira

E surge um novo lar…

Cuidados, novas pessoas, talvez novas amizades…

Algumas atividades, visitas esporádicas…

Pra que ainda estou vivendo?- alguns se perguntam.

Tenho onde morar, estou aqui porque quero!-dizem outros.

Meu sobrinho quer vir me ver, a mulher dele que não deixa! – afirma outra.

Gosto de vocês aqui, alegram nosso dia!- diz outra sorridente a cantar.

E assim a vida segue…

85, 99, 102 anos de idade.

O que querem? O que esperam? 

Algo que o dinheiro não compra:

Atenção, um toque, um carinho, ouvidos, ombros… 

Só isso! 

Que possamos cuidar de nossos idosos!

Que tenhamos quem cuide de nós quando chegar nossa vez.

A maior pobreza é a falta de carinho. 

Alda M S Santos 

Outro olhar

OUTRO OLHAR

Outro dia li que devemos ver as coisas que não nos agradam sob uma nova perspectiva.

Sempre deveríamos tentar um ângulo novo, outro olhar, uma nova possibilidade.

Tentei aplicar esse “conselho” ao que via naquele momento.

Um ser humano jazia no asfalto, virava e se ajeitava, fazia-o de cama.

Passei, olhei, pensei: “tristeza viver assim, dói na gente”.

Uma avenida perigosa, carros, motos, ônibus e caminhões para todo lado.

Pessoas passavam apressadas, como eu.

Retornei, quis tentar um novo olhar.

Deve ser uma possibilidade para eu fazer algo, pensei.

Bem assim na minha frente! E não é a primeira vez!

Pensei no meu marido a dizer para não me meter, tomar cuidado, que tudo é perigoso!

Cheguei mais perto, devagar. Abaixei-me, chamei, cutuquei.

Ele se virou, se ajeitou, como se estivesse sobre seus travesseiros macios.

Chamei outra vez. Ele abriu os olhos, mas não parecia me ver.

Perguntei se precisava de algo. Claro que precisava!

Mas a gente fica meio impotente, sem saber o que dizer.

Ele riu meio sem entender e tentou se levantar.

Perguntei se queria que o ajudasse a ir para casa, onde morava.

“Por aí! Pode me pagar uma branquinha, branquinha?”

Riu da própria associação e repetia: uma branquinha, branquinha!

Falei: “Pago um prato de comida, te ajudo a ir pra casa, mas pinga não pago.”

“Então, não quero nada, branquinha! Me deixa dormir quieto aqui!”

Resmungando enrolado se ajeitou de novo em sua “cama”.

Segui meu caminho meio inconformada.

Ouvi ainda umas pessoas dizerem: “é bêbado, deixa para lá, moça!”

Mas venci meu medo e tentei ver com outro olhar.

Um dia dá certo! Pra mim e pra eles.

Alda M S Santos

Molecagem

MOLECAGEM
Um casal andava à minha frente
Um bebê gorducho no colo da mãe
O pai carregava bolsas e sacolas
Estava muito quente!
O garotinho usava um chapéu redondinho
Pura fofura! Sorri pra ele e fiz gracejos.
Ele sorria e se remexia no colo da mãe.
Balancei meu rabo de cavalo!
Ele gargalhou e pulou de novo.
A mãe olhou pra ele e pra trás.
Fiquei séria, olhei pro lado e fiz cara de paisagem!
Ele parou de sorrir. Isso se repetiu umas três vezes.
Parávamos de sorrir e brincar. Molecagem com os pais!
Até que ele riu muito alto e saltou no colo da mãe
O pai olhou e me viu sorrindo pro bebê.
“Que espertinho, meu filho, tá mexendo com a moça, né?”
Ficamos a rir, pai, mãe, o lindo bebê e eu!
Contaram suas travessuras…
A vida pode ser muito divertida!
Basta querer!
Alda M S Santos

De quantas histórias se faz nossa história? 

DE QUANTAS HISTÓRIAS SE FAZ NOSSA HISTÓRIA?

Rimos de chorar esses dias, minhas irmãs e eu!

Extremamente prazeroso lembrar episódios da infância

As artes, as birras, as surras, a cumplicidade de irmãos

As rixas, os ciúmes, as dificuldades, o amor acima de tudo.

Ou da adolescência, as incertezas, os medos, a baixa autoestima,

A incerteza do ser adulto ou ser infantil, espremido entre ambos.

Os amigos confidentes, os primeiros beijos e paixonites

A vida adulta, os compromissos, as responsabilidades…

Tantas são as histórias! Tão ricas de emoções!

Relembrá-las é viver de novo, com uma nostalgia boa

Sem os sofrimentos! Se possível com quem as viveu conosco.

Estes, mesmo se lembrados, já não doem tanto.

O que ficou foi a certeza de ter vivido algo especial

Com pessoas especiais,

Ainda que não façam mais parte do nosso convívio!

Minha história é feita de muitas histórias,

E muitos e valiosos personagens!

E a de vocês?

Alda M S Santos

Apenas o que temos

APENAS O QUE TEMOS

O que somos capazes de doar?

Oferecer gratuitamente a conhecidos ou desconhecidos?

A familiares, amigos, amores?

Um sorriso acolhedor, um olhar compreensivo?

O ombro, o colo, o silêncio? 

Um abraço, um beijo, um pão com queijo?

Palavras de conforto e estímulo?

Um chocolate, um beijinho melado, uma rosa, uma oração?

Um teto, uma cama, um lar, um coração onde morar?

Tudo isso, nada disso? Apenas dinheiro?

Por mais desejo que a gente tenha

Só podemos doar aquilo que temos em nós.

Risco de ficar desabastecido não há. 

O que se doa, multiplica-se!

Alda M S Santos

Relações light, diet ou zero? 

RELAÇÕES LIGHT, DIET OU ZERO?

Qual seu amor ou amigo mais antigo?

Num tempo de relações fugazes nos apegamos a quem?

Quem ainda tem um amigo de infância, da adolescência?

Quem ainda está com o amor da juventude?

Talvez mais recentes: quem convive com amigos da faculdade,

Os padrinhos de casamento, os compadres?

Até o convívio prazeroso com primos e irmãos muita gente não tem.

Quase sempre temos colegas ou conhecidos

Aqueles amigos confidentes ficaram nos meio-fios do passado

Os passeios de bicicleta viraram gifs nos smartphones

Os amores quentes, de beijos ardentes e amassos furtivos,

Ficaram nos alpendres das casas ou nos bancos da praça da igreja

E não vale culpar apenas o tempo, ou a falta dele.

A questão é que as relações são mesmo difíceis.

Nada é tão perfeito! São relações humanas!

Humanos são imperfeitos! E relacionar-se envolve dedicação, empenho.

Cada relação é construída dia-a-dia nas diferenças

Abraçando as semelhanças, aparando algumas arestas

Aceitando alguns pés ou olhares tortos,

Um sorriso murcho, uma gargalhada escandalosa

Um compromisso ou uma memória mais ou menos

O que não pode é carinho, afeto ou amor mais ou menos

São eles que dão a liga a toda relação feita para durar.

Relação exige alimento, coisas que deem substância

Num mundo onde tudo é light, diet ou zero

Uma relação de abraço forte, sorriso doce

E amor integral é quase uma ofensa!

Prefiro uma refeição completa, demorada, nada de fast food!

Antes viver “obesa” de amor e feliz!

Que ter que me contentar com amor “light” e amizades “zero”

FORA DIETAS!

Alda M S Santos

Onde estão?

ONDE ESTÃO?

Onde estão os abraços que precisamos?

Aqueles, cujo único interesse é ser e fazer alguém feliz?

Onde estão nossos sorrisos, nosso brilho?

Aqueles, que vêm de dentro e saem invadindo tudo?

Onde estão nossa empatia, nossa alteridade? 

Aquelas, que nos tornam capazes de sentir o que o outro sente? 

Onde estão nossa compaixão e solidariedade? 

Aquelas, que nos fazem ser mais gente, mais humanos?

Onde estão o amor, a amizade?

Aqueles, sem os quais não há vida?

Onde estão nosso sossego, nossa paz?

Aqueles, que buscamos nos outros, mas só encontramos em nós mesmos? 

Buscando em nós mesmos encontraremos todas as respostas! 

Os abraços eu encontrei, e como é bom!

Alda M S Santos

Os outros e nós

OS OUTROS E NÓS

Quando quero saber de um amigo o que ele gosta de ler

Se gosta de esporte, de poesia, de filme, de jogos

Quais passeios aprecia, como lida com a introspecção,

Que tipo de música curte, como reage às frustrações

Como aceita as perdas, com quais sentimentos interage melhor

Porque eles são tão rígidos e até duros com algumas coisas,

Tão extrovertidos, brincalhões ou “infantis” com outras

Descobrimos que há muitas coisas que admiramos e outras não.

Sem querer passar por psicóloga de botequim,

Apenas, sozinha, avaliando experiências próprias e observando os outros,

Percebo que quando analisamos o que não apreciamos em nossos semelhantes

E buscamos em nós a resposta para essa “aversão”,

Quase sempre descobrimos que parte do problema está em nós também.

Muitas vezes temos dificuldade em lidar com determinado sentimento

Não porque ele existe no outro, mas por seu antagonismo em nós.

O que o outro é desperta reações negativas em nós

Talvez porque nos alerte para alguma falta, ou nos aponte alguma falha.

Coisas que gostaríamos que não fossem expostas nem para nós mesmos.

Queríamos ser diferentes? Iguais a eles? Talvez sim, talvez não.

E ninguém é completo, melhor ou perfeito.

Somos todos diferentes, e isso é extremamente rico.

Vale lembrar que todos temos algo a desenvolver.

Conviver com o diferente de nós possibilita receber algo, oferecer algo.

E nessa troca se dá o autoconhecimento, o mergulho em nós mesmos.

A melhor maneira de conhecermos e aceitarmos a nós mesmos

É buscar conhecer e aceitar o outro.

A verdadeira aceitação do que somos e do que o outro é com respeito.

“Aceita-me tal como eu sou. Só então poderemos descobrir-nos um ao outro.”(Federico Fellini)

Aprendizagem longa, difícil, nem sempre vitoriosa, porém necessária e prazerosa.

Alda M S Santos

Confiança

CONFIANÇA

Um dos vários sentimentos aliados do amor e da amizade: a confiança.

Ela que nos dá a leveza, a tranquilidade, a paz

A certeza de podermos ficar “nas mãos” do outro e não nos decepcionarmos

Saber que aquele amigo, aquele amor, aquele familiar

Sempre irá nos defender, acreditar em nós, na nossa índole. 

E, mesmo que não concorde conosco, estará do nosso lado nos ajudando.

Quantos de nós podemos encher duas mãos de pessoas de confiança?

Para confiar no outro, precisamos confiar em nós mesmos.

É uma dádiva confiar, ser de confiança. 

Quem confia é mais leve, mais feliz!

“Você pode ser enganado se confiar demais, mas viverá atormentado se não confiar o suficiente”. (F. Crane)

Alda M S Santos

Viajar

VIAJAR

Quer seja sobre duas ou quadro rodas

Sobre as águas, hélices ou turbinas

Ou nas asas da imaginação…

Não importa o meio de transporte, 

Importa que queiram estar com a gente

Que apreciem estar conosco,

Que valorizem e lutem para estarmos juntos. 

Família, amigos, amores…

O que todos queremos, 

O que todos precisamos…

É ir longe, bem longe…

Sem perder o próprio chão

Alda M S Santos

Orquestra 

ORQUESTRA

Somos um instrumento tocando todo o tempo

Inúmeros são os sons e as melodias que irradiamos

Não é qualquer um que entende e aprecia nossos acordes, 

Tampouco somos capazes de compreender sempre a música que emana da alma dos outros… 

Compreendendo ou não, podemos apreciar

Como apreciamos a música dos pássaros 

Se houver sintonia dá-se uma maravilhosa orquestra,

A vida consiste em acompanhá-las,

E dançar, se possível!

Alda M S Santos

Bolsa de Mulher

BOLSA DE MULHER

Dizem que bolsa de mulher é só bagunça, nada se encontra ali

Território desconhecido, perigoso, melhor nem mexer!

Verifiquei a minha, há pouca coisa! 

Um pente, pouco usado, um batom rosa, um rímel e um perfume,

Um desodorante, um hidratante e um protetor solar. 

Uma lixa, cortador, acetona e uma base de unhas. 

Escova, fio e creme dental.

Um pequeno kit-costura: agulha, linhas e alfinetes.

Kit-escritório: canetas, lápis, tesoura, durex e apontador.

Primeiros socorros: termômetro, analgésico, band aid, antiácido, antialérgico e absorvente.

Chaves, celulares, carregadores, fones, pinça.

Balas, amendoins, chicletes…

Documentos, vários, cartões de crédito e dinheiro.

Um terço, uma Nossa Senhora, uma mini lanterna, lenços.

Um espelho, um brinco, uma foto querida.

Alguns cartões de amigos…

Acho que acabou…

Bolsa e coração de mulher são iguais

Bagunçados, mas tudo se encontra ali

Pode-se encontrar também um olhar, um sorriso, uma palavra, um colo, um abraço, um carinho..

Para salvar um/a amiga/o, um amor,

Desde dor de cabeça até alma triste.

Alda M S Santos

Ecos

ECOS

Ecos são a resposta sonora que chega até nós depois de emitirmos qualquer som.

Há ecos bem vindos como os emitidos pelos radares e sonares,

E outros indesejáveis, como aqueles que recebemos nos aparelhos telefônicos.

Nossos relacionamentos são como os radares ou sonares,

Eles desejam emitir eco, precisam receber eco.

Se possível, reverberados, em muitas reflexões “sonoras”.

Nas nossas relações de amizade, de amor, familiares ou de trabalho,

Precisamos que nossas ações produzam ecos

Que sejam ouvidas e atendidas na mesma medida

Que produzam efeito positivo no outro. Esse é o eco.

Gostamos quando nossas palavras, beijos, abraços e carinhos

Obtêm ecos de palavras, beijos, abraços e carinhos…

Eco é correspondência, eco é reciprocidade.

Se se joga flores, o eco não pode ser de pedras.

Uma relação sem ecos é uma relação incompleta, vazia

Uma relação onde sempre alguém estará insatisfeito

Onde alguém acabará por “gritar” mais em busca deles,

Ou, por fim, se calar…

Alda M S Santos
 

Entrega

ENTREGA 

A maioria de nós é muito dona de si mesma.

Autoconfiante, sabe de seus próprios valores, não se deixa intimidar facilmente pela opinião alheia. 

Muitas vezes tida como uma qualidade, pode vir a se tornar um limitador de alegrias, de prazer, de vida.

Os autoconfiantes têm muita dificuldade para confiar em algo além si mesmos. 

Normalmente, os donos de si não adquirem a capacidade de entrega, tão necessária em momentos de prazer, de êxtase.

Fechados em si mesmos, incapazes de se abrir, impedem que o outro chegue, se aproxime, entre.

Acreditam ser um ato de fraqueza precisar ou depender do outro.

Temem se expor à avaliação, à crítica, à dor.

Pode também ser o contrário. Autoestima tão baixa que preferem não se arriscar. 

Um pouco de autocuidado e autopreservação não fazem mal a ninguém.

Porém, uma das maiores alegrias da vida consiste em compartilhar o que temos, o que somos…

Entregar-se, abrir-se para o outro, para o mundo, para a vida pode realmente trazer dores, mágoas e decepções, mas também traz muito amor e alegrias.

A outra alternativa pode ser tranquila demais, morna demais, uma quase morte, uma semivida.

Que tenha sorrisos e lágrimas, amor e decepções…

Que tenha vida!

Alda M S Santos

 

Ping-pong

PING-PONG

Nossa vida se assemelha a um jogo de ping-pong ou frescobol. 

Mas um jogo por brincadeira, não por competição. 

Divertido é manter a bola no ar. Lancá-la de um modo que o outro receba e rebata de volta para nós, assim sucessivamente.

É frustrante quando não atinge seu objetivo, não volta.

Prazeroso é acertar o alvo, ser o alvo.

Vencem ambos se a bola é rebatida e se mantém no ar.

Perdem ambos se ela for mal lançada e cair ao chão.

Se não a lançarmos bem, o outro terá dificuldade para receber e relançar. A recíproca também é verdadeira. 

Se cair ao chão sucessivamente cansamos da brincadeira e partimos para outra.

Somos assim. Muitas vezes lançamos palavras, boas ou ruins, carinhos, sentimentos. 

Algumas vezes voltam, outra não.

Iremos preferir a brincadeira correspondida. 

Brincar sozinho não tem graça! 

Pensemos nisso! 

Alda M S Santos

Please, dont’go!

PLEASE, DONT’GO

Bastaria uma análise preliminar

Para percebermos quantas pessoas perdemos ao longo da vida. 

Muitas se foram de nosso convívio…

Independente do motivo, fizeram falta.

Pessoas importantíssimas:

Um amigo da infância, 

Do amanhecer ao anoitecer.

Amigos/irmãos da adolescência,

Que aturavam nossas paixonites e segredos.

Colegas de faculdade, namorados grudados.

Amigos de todas as horas.

Pais, irmãos, cônjuge, filhos, familiares…

Quantos foram?

Imaginávamos o afastamento?

Que um dia não contaríamos mais com eles? 

Se tivéssemos pedido, teriam ficado? 

Quisera poder revisitá-los.

E aqueles ao nosso redor hoje?

Por quanto tempo ficarão? 

Ou também se perderão no tempo, nas lembranças? 

Qual a finalidade de cada um deles? 

Será que já vêm com tempo pré-estabelecido? 

Ou se pedíssemos,

Please, dont’go!

Eles ficariam?

Alda M S Santos

Transbordando 

TRANSBORDANDO 

Quando não cabe dentro, enche
Quando está cheio, transborda

Seja o que for; bom ou ruim
Sai nos olhares, nos sorrisos
Nas lágrimas, nas expressões corporais
Nas palavras ditas ou escritas
Em telas, papéis ou muros…
E invade o mundo alheio.
Cada um percebe e se apodera do que quer
Do que precisa,
Do que melhor lhe aprouver.
E recomeça o ciclo…
Assim vamos enchendo o mundo de poesia…
Alda M S Santos

Um, dois, três…Lá vou eu! 

UM, DOIS, TRÊS…LÁ VOU EU! 

Caminhando, fim de tarde, estradinhas de terra, cheiro de mato, brisa suave, sons de pássaros, vista de muito verde. 

Uma cadelinha de “todo mundo” nos acompanha feliz. 

No caminho nos deparamos com várias crianças correndo. Ouço uma delas contar: 1, 2, 3, 4… Procuro de onde vem o som. 

Vejo-a agachada sobre um tronco, olhos tapados, ela é o pegador da vez. 

Parei pra observar. Havia umas dez delas. Blusas e shorts simples, descabeladas, descalças, suadas, sorridentes e felizes. 

Deviam ter entre 7 e 13 anos. O sítio de onde saíram tinha meia dúzia de cachorros agitados. Uma senhora estendia roupas nos varais.

A menininha grita a plenos pulmões: “30, lá vou eu, quem escondeu, escondeu…”.

Há quanto tempo não via crianças brincando de esconde-esconde na rua, como eu fazia! Nostalgia gostosa! 

A modernização, a tecnologia, os avanços urbanos trouxeram muitas melhorias para a vida de todos, mas a perda para a segurança e a liberdade de adultos e, principalmente das crianças, foi devastadora! 

Essa alegria de brincar na rua, ter muitos amigos “reais”, jogar bola, soltar pipa, andar de bicicleta, bater papo sentado no meio-fio, acender fogueira, brincar de jogo da verdade, as crianças de hoje não têm! 

Não há vídeo-game, smartphones, TVs, computadores, tablets ou academias que substituam! 

Falta contato humano!

Vivemos presos em prédios, blocos de concreto, atrás de grades e de medos! 

Meus filhos já não tiveram tanto como eu tive. O que será de meus netos quando vierem? 

Quem pode proporcionar aos seus, e valoriza, faz um esforço e leva-as aonde as brincadeiras e a vida acontecem “de verdade”.

Um deles grita: “1, 2, 3, salvo todos!”. Outra responde: “Mais umas só, que logo vai escurecer e não vai dar”. 

Aqui não tem iluminação pública. Ficar na rua, à noite, só na lua cheia ou com fogueiras. 

Retomo meu caminho, pensativa e faço uma prece silenciosa. 

Que possamos reavaliar o que temos feito de nossas crianças, acreditando estar fazendo o melhor. 

E que Deus permita que os danos não sejam muitos! 

Alda M S Santos

Estacionamento

ESTACIONAMENTO

Estacionamento permitido: 

Longe de nós: “veículos” de carga pesada ou negativas, policiamento ou cerceamento do movimento. 

No nosso entorno: “veículos” de passeio, utilitários, de socorro ou salvamento, que nos tragam segurança.

Dentro de nós, estacionamento interno, apenas aqueles de plano especial, duradouros, que tornem o interior mais belo, organizado e completo. 

Penalidade: Sujeito à multa e risco de reboque. 

Alda M S Santos

Tentei, valeu!

TENTEI, VALEU!

Tentei aproveitar o máximo que pude aqueles que conviveram comigo:

Compartilhei alegrias, distribuí abraços

Cativei amigos, doei sorrisos

Cedi meus ombros para as lágrimas de uns, chorei em outros

Dividi minhas forças, recebi levezas

Fui flor, onde havia espinhos

Fui espinhos, onde havia necessidade de instigar mudança…

Fui a mão estendida, recebi conselhos amigos

Trabalhei muito, amei mais ainda!

Ofereci muito, recebi bastante.

Também me afastei, não vi, me neguei, fugi.

Errei, tropecei, caí, chorei… Levantei!

Tive amigos, família, Deus… 

Não tem como estar só com aliados assim! 

A cada um de vocês que cruzou comigo essa caminhada 2016, meu abraço carinhoso!

Todos foram fundamentais em minha evolução.

Que 2017 seja de flores, águas tranquilas, horizonte magnífico, amores ternos e amizade sinceras…

E Deus, sempre Deus conosco!

Mas contem comigo também se acaso os espinhos machucarem, a água salgar demais, o horizonte escurecer, a amizade não aparecer ou o amor arrefecer…

Feliz Ano Novo pra todos nós, amores! 

Alda M S Santos

Amigo Oculto?

AMIGO OCULTO?

Estamos em tempo de amigo oculto, amigo secreto, amigo da onça…

Muitas são as variações.

Você sorteia, é sorteado, fala características de seu amigo, presenteia, abraça, esquece.

Isso se não ganhou algo de extraordinário: bom ou ruim. Assim, lembra pra sempre!

O que vale mesmo é a brincadeira, a confraternização com pessoas que dividiram espaços de trabalho, de estudo, de vida.

Brincadeiras à parte, gosto mesmo é de amigos declarados, às claras, revelados.

Amigos de verdade nem conseguem se esconder, não precisam.

Basta um olhar que todos já sabem: são amigos.

E presenteiam-se todos os dias com aquele abraço gostoso, aquele olhar que compreende nosso interior.

Aquele puxão de orelhas, alertas de perigo, sinal de fogo.

Amigo que grita, que sussurra, que gargalha, que chora junto.

Amigo que passa sms, que conta que sonhou contigo, que perde no jogo pra gente, ou ganha e a gente nem se importa.

Amigo que sabe seu número de roupas e calçado, que diz que você emagreceu ou que está com o cabelo desgrenhado… E você sabe que tudo é carinho.

Amigo que a gente empresta o marido ou esposa…bem, nem tão amigo assim.

Até aceito um amigo oculto de vez em quando…

Mas bom mesmo é brincar de amigo declarado a vida toda.

Alda M S Santos

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