RUÍDOS
Entre tantos ruídos ensurdecedores
A impedir a audição de nós mesmos
O mundo gira freneticamente
Sem lugar, sem norte, sem pouso
Como tocar o grito que pulsa
Dentro de cada coração que dorme
Como calar o barulho lá de fora
Para despertar do silêncio sufocante
A alma habitada por tantas mazelas
Desejosa de brotar no perfume
E no suave zumbido da abelha que voa
De flor em flor num jardim de lindas rosas amarelas?
Alda M S Santos
BARULHOS DE DENTRO
Eta mundo barulhento!
Muitos e muitos decibéis a invadir nossos tímpanos
De todos os tipos, timbres, inúmeros ruídos
Graves, agudos, verdadeira poluição sonora.
Nossa percepção acústica acaba por se confundir.
Frequências sem padrão,
E o efeito é um sinal complexo.
Difícil de ser caracterizado com exatidão.
Tantas vezes são bem vindos!
Principalmente quando os escolhermos
Com o intuito de confundir outros ruídos de fora
Ou, particularmente, para abafar os barulhos de dentro.
Aqueles que gritam, confusos, não os entendemos, não aceitamos,
Tampouco conseguimos silenciá-los!
Cantamos alto, desafinados, rimos, choramos, dançamos
Aquela linda canção, no volume máximo, repetidas vezes.
Que nos isola lá de fora, nos isola cá de dentro
E, em transe, no meio do caminho, ficamos.
Aguardando quem sairá vitorioso:
O barulho de fora ou o barulho de dentro…
Alda M S Santos