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Jardim (des)humano

JARDIM (DES)HUMANO

Um dia Deus quis encher a Terra de jardins
Num colocou rosas, cravos, violetas e jasmins
Tantas flores lindas, coloridas, perfumadas
Todas elas por beija-flores e abelhas apreciadas
Num outro jardim gigante colocou pessoas, humanos
Pretos, brancos, amarelos e vermelhos
Mas o que aconteceu foi (des)humano
No jardim das flores havia diversidade, harmonia
Quanto mais perfume, maior a magia
Quanto mais cores, mais insetos atraía
Mas no jardim dos humanos havia primazia
Brancos se achavam superiores
Excluíam as demais cores, covardia
Matavam, do poder abusavam, picardia
O jardim humano nem parecia divino
Se quiser aprender algo seja das flores inquilino…

Alda M S Santos.

Qual a cor da sua consciência?

QUAL A COR DA SUA CONSCIÊNCIA?
Consciência branca, negra, amarela, multicor?
Qual a cor da sua consciência?
Enquanto essa pergunta for feita
É sinal que alguma delas está sendo preterida
Excluída, discriminada, maltratada
Qual a cor da sua consciência?
Minha consciência tem a cor do amor
Aquele que, se verdadeiro, nada exclui
Minha consciência tem a cor da saudade
Aquela de algo ainda não vivido
Aquela em que todos são diferentes e belos
Iguais no jeito de ser diferentes!
E amados principalmente por suas diferenças.
Minha consciência é multicor, como o amor!
Alda M S Santos
#carinhologos

Histórias de Pataxós?

HISTÓRIAS DE PATAXÓS? 

Humanos que se sobrepõem a humanos

Brancos sobre negros, brancos sobre índios,

Brancos sobre brancos, negros sobre negros, 

Ricos sobre pobres, pobres sobre miseráveis,

“Cultos” sobre incultos, um religioso sobre o ateu,

Um pagão sobre o outro… 

Homens sobre mulheres…

São muitas as “supremacias”!

Até quando seremos tão desumanos?

Até quando cometeremos os mesmos erros com nova roupagem? 

Exclusão será sempre exclusão!

Não importa do que venha travestida! 

Quantas gerações de curumins Pataxós terão que nascer, ou qualquer outro excluído, para sonharmos com inclusão social, cultural, religiosa, financeira? 

Quando seremos verdadeiramente humanos?

Quando?

Alda M S Santos

Preconceitos? Canseira!

PRECONCEITOS? CANSEIRA!
Preconceito hoje em dia virou palavra da moda, aquele que se forma sem fundamento, um pré-conceito, ou seja, formado sem exame crítico e sem conhecer algo do que se examina antes de defini-lo.
Sempre existiram, os mais diversos: de gênero, de opção sexual, de condição financeira, culturais, religiosos, contra os deficientes, de raça…
Hoje em dia, a lei “protege” as vítimas de preconceitos, mas isso, definitivamente, não garante que ele seja eliminado, sequer diminuído.
Os que estão sempre em “alta” são os raciais e os de opção sexual: racismo e homofobia.
A última manchete é: “advogado de 70 anos agride e chama cabeleireira de macaca em BH”.
“Pessoas próximas queriam dar uma surra nele, advogados queriam minimizar o problema.”
Nunca consegui conceber o que leva uma pessoa a julgar a outra inferior por qualquer razão que fosse, mas a questão racial é a mais revoltante e inconcebível.
Acredito ser de uma baixeza profunda: de caráter, de coração, de alma.
Vindo de uma pessoa de boa formação (?), vivida (!), conhecedora das leis terrenas (?) é ainda mais inaceitável.
Muitos diziam: não sabe que é contra a lei?
A questão não é essa! A lei maior não deve ser a dos homens, mas a de Deus: somos todos iguais perante Ele, irmãos entre nós.
Somos um país “liberto” da escravidão há 135 anos, mas continuamos escravizados por pensamentos mesquinhos e desumanos.
Ainda somos “senhores”, “capatazes”, ainda que em nossas veias corra o sangue mestiço de uma raça lutadora e guerreira.
A cada vez que a mídia divulga um caso desses, mais gente se amedronta, outros se revoltam dizendo que “não se pode fazer mais nada que é preconceito”.
Não consideram o quanto nossa dívida histórica com os negros é gigante, vergonhosa.
Enquanto nossa mente for pequena e limitada precisaremos de leis para coibir certas desumanidades.
O preconceito está entranhado em nós e da pior forma, velado.
Quando olharmos para os diferentes de nós e não julgá-los inferiores pelo que quer que seja, poderemos nos ver livres dessas leis.
Enquanto isso, prisão, ônus financeiro, vergonha para quem tiver essas atitudes. É o mínimo!
Alda M S Santos

Eu escolho o amor

EU ESCOLHO O AMOR

Duas garotas se beijavam no meio da rua, sentadas no passeio, encostadas no muro, alheias ao que se passava à sua volta. Não passavam de 17 anos. Pareciam em completa sintonia. 

Os comentários de dois homens que caminhavam a minha frente: “pouca vergonha”, “não há mais decência”, “falta de homem”, “uma surra daria jeito”, “mundo perdido”, entre coisas piores. 

Observei as garotas. Sequer notavam quem passava por elas. Carinho imenso. Completavam-se, ao menos naquele momento. Imaginei as lutas interiores e exteriores para se exporem daquela maneira.

Mais à frente, vi os dois senhores saltarem sobre um mendigo maltrapilho, sujo, mal cheiroso, odor nauseabundo e de álcool. 

Ali, diante de uma visão de exclusão, um ser humano marginalizado, maltratado, sem amor, não demonstraram revolta, sequer piedade. 

Não deram um segundo olhar, a mínima atenção! 

Que mundo é esse que critica o amor, apenas por não seguir o padrão, e não se indigna com a marginalização, a mendicância, a fome, a miséria, o alcoolismo? 

Quais nossos valores, nossos parâmetros? 

Quis me abaixar, levantá-lo, oferecer ajuda. 

Porém, para uma mulher é complicado até ajudar. Somos frágeis física e moralmente nesses casos. Até ao ajudar podemos correr riscos e sermos mal interpretadas.

Ajudei como podia. Pedi a um amigo do AA que alertasse o grupo de abordagem a alcoólicos.

O amor das garotas choca pela força, por ser diferente, mas não me revolta. 

A miséria e exclusão me revoltam. Não poder ajudar como gostaria me entristece!   

Observar críticas e deboches de seres que se acham superiores, que julgam o amor, mas se omitem no desamor, me envergonha da raça humana. 

Eu escolho o amor, seja de que tipo for.

Alda M S Santos

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