SEM EIRA NEM BEIRA
Perdidos por aqui nesse espaço, sem eira
Já não sabemos por onde ir, sem beira
Sem eira e nem beira dá tanta canseira
Urge um propósito para afastar a leseira
Não são só bens materiais a razão
Desse inexistir, dessa frustrada sensação
O que fere o corpo, fere mais a emoção
Sem perspectiva segue nosso povão
Falta a tantos de nós bons sentimentos
Que sejam a borracha a apagar os sofrimentos
A viagem nessa nau implora contentamentos
Naquele livro da vida que por aqui escrevemos
Há páginas rasuradas, apagadas, arrancadas
Busquemos por aquelas mais abençoadas..
Alda M S Santos
BATAM PALMAS
Numa praia cheia, vez ou outra ouvimos palmas
Vindas de todos os lados chamam a atenção
Vão aumentando gradativamente
E uma criança é suspensa nos braços de alguém
Estava perdida e logo os pais aparecem
Uma salva de palmas em comemoração…
Bom seria que a cada vez que ficássemos perdidos
Do mundo ou de nós mesmos
Alguém batesse palmas, assobiasse
Um tambor tocasse, sinal de fumaça lançasse
E quando de volta a nós mesmos fôssemos resgatados
Uma salva de palmas, um beijo, um abraço apertado
Fossem-nos dados em sinal de amor e comemoração
Tem alguém perdido por ai?
Batam palmas!
Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com
LOCALIZAÇÃO POR SATÉLITE?
Em tempos de GPS de todo tipo
Nos veículos, nos celulares, nos cartões de crédito
A nos proteger de roubos, assaltos, sequestros
Objetivando nos dar uma (pseudo)segurança
Intimidando todo tipo de meliante
Ao nos mostrar a localização de quem quer que seja
Em todo tempo e lugar, no mato, no mar
Na Terra ou no espaço…
Até onde podemos mesmo dizer que há segurança?
GPS que nos levam aonde a gente quiser
Ninguém fica mais escondido ou perdido
Há “olhos-vivos” por todos os lados e tudo veem
Mas o grande paradoxo desse mundo tão bem “localizável” digitalmente
É que nunca houve tantas pessoas perdidas de si mesmas…
Alda M S Santos
ROUBOS E ARROUBOS
Quanto mais caminhamos para longe de nós mesmos
Quanto mais rápido o fazemos, vislumbrando um destino sonhado
Quanto mais arroubos há, mais roubos são realizados, “autorizados”
Mais difícil e necessário se tornará o caminho de volta
Mais longo e doloroso será o retorno
Dívidas deverão ser quitadas, débitos pagos com juros
Sorrisos resgatados, lágrimas enxugadas, flores arrancadas devolvidas a seus canteiros
Cristais frágeis que forem quebrados novamente colados
Fé e autoconfiança recuperadas…
É bom ir, mas todo cuidado é pouco para não nos perdermos de nós
Para não nos afastarmos e caminharmos perto de quem nos mantém inteiros e acende nossa luz
Para não fazermos com que quem amamos se percam de si mesmos…
Alda M S Santos
LABIRINTOS
Não encontrar a saída
Não conseguir voltar ao início
Andar em círculos, avaliar
Revisitar espaços, tontear
Buscar a infância perdida
Ora estar feliz, ora triste
Até esse labirinto se tornar
A única realidade palpável
A morada mais próxima de um lar
Que existe dentro de si mesmo!
Alda M S Santos
À DERIVA
Diante da imensidão das águas,
De céu, de ar, de sol
À deriva…sozinhos,
Num pequeno barco a remo.
Poucas são as opções a seguir
Mergulhar na escuridão desconhecida das águas lá fora,
Deixar-se aquecer ao sol, a admirar o céu, a seguir sem rumo,
À deriva,
Ou mergulhar na turbulenta nau interior, não menos escura e densa
Em busca de luz…
Alda M S Santos