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Entre rosas e espinhos

DUETO POÉTICO

ANGOLA & BRASIL

ENTRE ROSA E ESPINHOS

Quem ama rosas, quem ama jardins
Sabe que entre tantas cores, perfume e suavidade
Há espinhos que fazem parte, são afins
Como a vida com seu pacote de maldade e bondade (AMSS)

Rosa encarcerada nos espinhos
que se vergam nos seus contornos
vive caçando orifício para sair
almeja turistas lá fora atrair (MK)

Não pode dizer que ama a rosa se não aceita seus espinhos
Não pode dizer que ama a vida e só aceita seus carinhos
Na rosa espinhos machucam, afastam invasores, são proteção
Na vida os espinhos servem de aprendizado, são lição para evolução(AMSS)

Espinhos seduzem raios ardentes do sol
para a rosa da vida murchar
a água nasce para a rosa regar
sorvando suas gotas sempre vai se erguer(MK)

A rosa é encanto, fala de amor, de atração
O jardim é seu espaço, mas pode estar em cada coração
Na vida é presente, é beleza, com espinhos ou não
É ofertada a quem se tem amor, admiração e devoção (AMSS)

Rosa inserida nos espinhos
enfrenta raios ardentes
com gotas refrigerantes
não enterra sua fé
de algum dia se solevar (MK)

Amizade pode ferir, amor pode machucar
A vida é mesmo assim, tudo vem para nos ensinar
Se se aprende com beijinhos, também se aprende com espinhos
Tudo vale por aqui, nessa vida de (des)caminhos (AMSS)

Rosa que inocente é
é esmagada por espinhos
lírio que se abre como
boca que aufere um beijo
suga tanto e tanto fumo
não negreja o seu queijo
é rosa que sufoca espinhos
e está perto da mercê (MK)

Alda Maria Silva Santos
Moisés Kudimuena

Muitas vezes…

MUITAS VEZES…

Muitas vezes, os caminhos difíceis que evitamos

E dos quais fugimos todo o tempo

São atalhos a nos levar para um lugar há muito sonhado

Muitas vezes, os ventos dos quais nos abrigamos

Por medo de destruição e perdas

É o que falta para levar embora o que machuca

E trazer o que falta para nos tornar mais felizes

Muitas vezes, as pedras que tememos

E das quais nos desviamos

São degraus a nos levar para o topo

Não o topo do mundo

Mas o topo de nós mesmos

Muitas vezes, enquanto lamentamos

Reclamamos, choramos e criticamos

Deixamos de estar atentos

Para aproveitar tudo que se apresenta…

Alda M S Santos

Barreiras que nos salvam de nós mesmos

BARREIRAS QUE NOS SALVAM DE NÓS MESMOS

Uma hora são as sombras que turvam a visão

Noutra a claridade excessiva que dificulta o trajeto

Chuvas fortes, granizo, neblina, tempestades

Buracos na via, lama, alagamentos

Um quebra-molas gigante nos obriga a reduzir a velocidade

Um desvio sugerido, convidativo, e insistimos em ignorar

Uma árvore caída que impede quase toda a passagem nos atrasa

Um acidente com alguém interrompe nossa viagem por um tempo

Vários obstáculos no caminho para chamar nossa atenção

Muitas, muitas pedras a transpor

Vários alertas! E ignoramos…

Até que o acidente ocorre conosco mesmos

Forte, doloroso, destruidor

O trilho se parte, o trem descarrilha e ficamos perdidos

Aí somos obrigados a parar, a refletir, a avaliar o que fizemos

Será que é esse mesmo o destino, o melhor caminho?

É preciso recalcular a rota, o veículo utilizado, os companheiros de viagem

Aquele obstáculo no caminho nem sempre é ruim

É apenas algo Superior querendo nos salvar de nós mesmos

De trajetos ruins que não levam a lugar algum

De transporte inadequado, de trilhas defeituosas

De más companhias, do modo de dirigir muito afoito

Das prioridades que temos colocado em nossa viagem

É bom sempre prestar atenção nas estradas, na sinalização

Principalmente nos obstáculos que dificultam de certo modo o seguir

Sentar, ainda que na beira da estrada sem fim

Reavaliar, redirecionar, repensar, recalcular o caminho…

Agradecer tudo de bom, quem nos ama e ora por nós mesmo de longe

Aquelas barreiras que tanto reclamamos

Físicas, mentais ou do coração

Podem ter vindo para salvar não só nossas vidas

Mas várias outras vidas também…

Alda M S Santos

Muros e flores

MUROS E FLORES

Muros, duros, íngremes, sem vida, arames farpados

Criam obstáculos, impõem limites, machucam

Separam, demarcam espaços

Flores, cores, leveza, beleza

Desconhecem limites, brotam em bons terrenos

Crescem, encantam, invadem, enfeitam

Formam uma cortina harmônica e perfumada

E até os muros ficam bonitos

Ainda que continuem muros

Mesmo ainda delimitando espaços…

Flor e amor são assim, transformam onde passam

Vencem pelo carinho, persistência, boa essência

Bem cuidados, têm o dom de tornar tudo belo e se eternizar…

Alda M S Santos

Nas pedras

NAS PEDRAS

Nas pedras, obstáculos

Limites de nosso ser, do nosso querer

Impedimento da liberdade, cerceamento

Nas pedras, escadas

Acesso à escalada , incentivo ao topo

Busca de coragem, de ir sempre mais, para o alto

Ainda que no alto encontremos apenas nós mesmos

E nos abracemos felizes…

Alda M S Santos

Barreiras

BARREIRAS

Quantos muros construímos em torno de nós?

Quantas muralhas mantêm afastados os “inimigos”?

Quantas barreiras impedem que nos vejam como realmente somos?

Atrás de quantos sorrisos se esconde uma tristeza?

No fundo de quantos olhares ternos está entocada uma angústia?

O quanto a simpatia aparente é capaz de esconder?

Brechas se abrem por uns tempos, não entendidas, logo se fecham.

Não somos habituados a tentar transpor barreiras, derrubar muros ou enxergar além deles.

As maiores muralhas que nos afastam dos outros e de nós mesmos

São aquelas invisíveis ou disfarçadas de porteiras abertas.

Alda M S Santos

Matas ciliares

MATAS CILIARES
Degradando nossas matas ciliares, que nos amparam e protegem,
Diminuindo nosso espelho d’água, que recebe e reflete luz,
Aumentando os obstáculos no leito do rio que chamamos Vida,
Ficamos represados num mesmo lugar, causamos grandes erosões internas…
Não há curso d’água, não há flora ou fauna,
Não há atrativos quaisquer,
Há apenas mágoa (má água),
Sem proteção, sem água corrente, sem luz, sem vida!
Faz-se necessário o equilíbrio!
Para que nosso reflexo seja visível e real.
Alda M S Santos

Não fui convocado! 

NÃO FUI CONVOCADO!

Vida injusta, acusamos nós!

Não nos convidou para o baile, 

Fomos esquecidos

Não nos chamou para o passeio

Fomos preteridos

Não nos escolheu para o amor

Fomos marginalizados

Não nos convocou para o jogo da final 

Fomos descartados

Quantas vezes reclamamos?

Difícil entender uma recusa.

O não pode ser sim

O sim pode ser não.

Convocação pode ser vida, vitória!

Pode também ser morte, fim de jogo…

Entender nossos limites

Lutar pelo que vale a pena

Não se aborrecer pelo que não temos controle

Fazem toda a diferença em nosso viver. 

As águas do rio encontram obstáculos, mas nunca param, seguem em frente.

Cedo ou tarde, compreendemos. 

Alda M S Santos

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