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Metamorfoseando

METAMORFOSEANDO

Ela está ali, quietinha, ignorando o Carnaval
Abrindo suas asas coloridas devagarinho
Pedindo espaço para seu voo solo
Até ali foi aceitando as mudanças, sua essência
Ou será que se sentiu perder na ambivaléncia?
Ovo, lagarta, casulo, borboleta, metamorfose..
Lá fora há todo tipo de presas e predadores
Um mundo vasto, brilhante e colorido
Será que em algum momento cogitou desistir?
Lagarta faminta, se nutrindo, devorando folhas
Casulo escuro, corpo estranho, se modificando
O quanto será que foi assustador?
Seguiu o curso da natureza, deixou-se levar
Quis voltar atrás, ao início, não crescer, se rebelar
Ou conscientemente fez sua parte, sem acelerar?
Será quantas vezes se sentiu estacionada
Acreditando que a fase casulo estava demorada
Ou querendo ficar ali para sempre fechada
Reclusa naquele mundo escuro e apertado?
Nossas metamorfoses também são assim
Há alegrias e dores, dúvidas e certezas
Mas a vida se impõe quase sempre, felizmente
Lá fora muitas vezes o Sol brilha ou chove
E quando não for assim, já sabemos que há fases escuras
E que há transmutação, metamorfoses
E está tudo bem querer estar quieto e só, se fortalecendo
Até ter vontade de ir lá fora inspecionar o tempo
Para seguir nos abrindo para o voo, solo ou acompanhado
E quem quiser, será bem-vindo para nosso lado…

Alda M S Santos

Metamorfose

METAMORFOSE

Vivemos em constante metamorfose

Somos como as borboletas

Mas nossas fases se alternam infinitamente

Tantas vezes como lagartas

Figurativamente, comendo tudo do mundo

Absorvendo, aprendendo, crescendo

Outras vezes nos encapsulamos

Estamos digerindo, abstraindo,

Transformando-nos dentro dos casulos

Protegidos do exterior, introspectivos

E, finalmente, borboletas

Livres, leves, coloridas e lindas a enfeitar jardins

Até chegar o fim…

Mas somos multi-fásicos, complexos

Umas partes de nós ainda são lagartas, agitadas

Outras eternos casulos, adormecidos

Em algumas já somos borboletas, livres e belas

Puro encanto!

Esse ir e vir nas nossas metamorfoses

Lagarta, casulo, borboleta

É que nos mantém vivos por aqui

Sempre há algo a absorver, a crescer

A nos metamorfosear…

E não adianta acelerar o processo

Ou ficar estacionado numa fase só

Sob pena de morte…

Não há borboletas sem lagartas famintas

Ou sem presas inertes num casulo

Respeitemos nossas fases…

Alda M S Santos

Quando lagartas

QUANDO LAGARTAS

Difícil quem ache nelas beleza

Nas atemorizantes e assustadoras lagartas…

Amam as borboletas, matam as lagartas

Sem elas, contudo, não há o leve voo de extrema delicadeza

Das lindas e coloridas borboletas…

Somos muito assim

Nossa fase lagarta muitas vezes amedronta

Aos outros, a nós mesmos

Outras vezes não queremos sair, como afronta

E estacionamos na fase lagarta, no estágio casulo nos prendemos

Sentimos falsa proteção no “conhecido”

Não deixamos a vida fluir

Impedimos a metamorfose

E perdemos a beleza que cada fase tem

Se quisermos apreciar uma borboleta, sermos uma borboleta

Precisamos encarar de frente e com coragem nossas lagartas…

Alda M S Santos

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