NO FIM
Se nem a possibilidade da extinção
Acende a centelha na alma
Para acolher os solitários desse caminho
Urge ouvir o sussurro da mãe Terra
Que em sua sabedoria ensina
Que na iminência do fim
É que se percebe o que é verdadeiramente essencial:
Amar e proteger!
Alda M S Santos
FIM
Do princípio ao fim
Ou do fim ao princípio
Tantas questões dentro de mim
Chego só, volto só
Enfim, qual é o propósito
Disso tudo, Serafim
Será o fim?
Aterrisso sem nada saber
Tenho tanto ainda para aprender
E já começo a voltar
Para casa regressar
Perco a mobilidade, a habilidade
A memória e, por vezes, a consciência
Não é uma incongruência
Disso tudo, Serafim?
Tudo que amealhei por aqui
Não mais me pertencerá
O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi
Conquistei ou doei, e que poderei também deixar
Com quem esteve comigo do princípio ao fim
Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim
Várias fases, brilho e luz…
Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…
Alda M S Santos
FIM
Do princípio ao fim
Ou do fim ao princípio
Tantas questões dentro de mim
Chego só, volto só
Enfim, qual é o propósito
Disso tudo, Serafim
Será o fim?
Aterrisso sem nada saber
Tenho tanto ainda para aprender
E já começo a voltar
Para casa regressar
Perco a mobilidade, a habilidade
A memória e, por vezes, a consciência
Não é uma incongruência
Disso tudo, Serafim?
Tudo que amealhei por aqui
Não mais me pertencerá
O que me acompanhará é aquilo que ganhei ou perdi
Conquistei ou doei, e que poderei também deixar
Com quem esteve comigo do princípio ao fim
Chego nua, volto vestida de Lua, perfume de jasmim
Várias fases, brilho e luz…
Um ciclo que se fecha em mim e me conduz…
Alda M S Santos
ORIGENS
A linha de largada é, quase sempre, muito próxima da chegada
O fim tem muitas características similares ao começo
Ambos carregam expectativas diversas
Dependência grande do externo
Emoções afloradas, desejos a se satisfazer, limitações físicas
O olhar que se lança é que é diferente
Um olha para a estrada longa a percorrer, para a frente
O outro para a estrada longa percorrida, para trás
Um vê muito, o outro apenas imagina
E o olhar sonha, se perde…
Ambos sonham com o caminho
Onde toda a vida se concentra: no trajeto entre a largada e a chegada
Nela é onde algo sempre pode ser feito!
Alda M S Santos
CERTEZA DO FIM
Se houvesse a certeza de que amanhã seria o fim de tudo
Por qualquer dos métodos escabrosos de auto-destruição que nós mesmos criamos
Qual seria nosso maior arrependimento?
Qual seria nosso maior orgulho?
Existe algum lugar especial em que gostaríamos de estar?
Algo específico que gostaríamos de fazer?
Ou alguém especial para estar junto, abraçadinho?
As respostas a essas três perguntas
Também responderá qual o arrependimento e o orgulho
E poderá direcionar nossos passos seguintes
Qual seria nosso cartão de visitas no céu?
Sempre há os crédulos na proximidade do fim
Isso pode ser ideia de algum insano
Ou de alguém bastante lúcido
Podemos escolher em qual acreditar…
Alda MS Santos
BOMBA-RELÓGIO
Vida contada, morte anunciada
O que é viver sob uma espada
Na expectativa do fim, e nada temer?
Tantos vivem assim, esperando apenas
Que o relógio chegue a 00:00:00
Se dói, a dor irá embora.
Não temer o fim é sinal que a vida valeu
Ou que de nada vale?
Alívio total!
Alda M S Santos
FIM
Se existe algo pelo qual ninguém passa inerte, incólume, é o fim.
Qualquer fim. Coisas maravilhosas ou coisas ruins.
Sempre deixarão um vazio, um vácuo, algo a preencher.
Um trabalho cansativo ou prazeroso, o curso na faculdade,
Uma amizade espontânea, uma visita inesperada,
Um amor possessivo, impossível ou irreal,
Uma viagem na imaginação, um sonho, uma esperança, uma expectativa…
Quanto maior o espaço ocupado em nós,
Quando chega o fim,
Maior será o vazio, maior a necessidade de preenchimento.
Não precisa ser ruim, é preciso saber lidar com os finais.
Alguns ofendem, magoam, maltratam, ameaçam,
Decepcionam, morrem, matam, deixam de viver.
Muitas vezes algo que foi prazeroso, vivo, verdadeiro, mas que mudou,
É jogado no mesmo lixo, sem coleta seletiva, tudo no pacote do fim.
Urge saber que há “lixos” aproveitáveis,
Particularmente o que envolve sentimentos.
Sentimentos se transformam e o fim pode ser apenas um recomeço.
Basta fazer uma boa reciclagem, reduzir a bagagem, reutilizar, reaproveitar
Manter um bom foco e voltar a viver.
Alda M S Santos
UM BOM DIA PARA MORRER
Qual seria um bom dia para morrer?
Parece óbvio, nenhum, visto que ninguém quer morrer.
Mas, sabendo que é a única certeza da vida, não seria “justo” que pudéssemos escolher?
Tanta gente vai embora depois de muita luta, doenças e sofrimentos. Quase até podem imaginar o momento da partida.
Outras são subtraídas da vida no auge dela, em plena alegria e vigor, independente da idade.
Quando criança ouvia e me impressionava muito sobre o quase fim do mundo com o dilúvio, e profecias sobre o próximo fim ser com fogo. Tinha muito medo! Falava que queria morrer dormindo e logo me arrependia pois, se Jesus, sendo perfeito, tinha morrido sob tortura, quem era eu para desejar moleza?
Mas qual seria o melhor momento?
Depois de adquiridos todos os bens? Ter viajado muito? Gargalhado até a barriga doer? Trabalhado incansavelmente? Feito incontáveis amigos? Filhos independentes e criados? Ajudado aos mais necessitados? Vivido plenamente o amor que sentiu, que se apresentou?
Seria melhor ir em plena saúde e energia, ou depois de ter corpo e mente definhados?
Logo após uma grande alegria e conquista, ou num momento de perda e dor?
Quando estamos no auge da alegria, amor, prazer, sequer pensamos nela. Tudo é vida! Pareceria injusto sair no melhor da festa!
Quando sofremos por qualquer mal, nos entristecemos, não temos perspectivas, estamos doentes, pensamos nela com mais frequência. Não parece injusta ou assustadora. Até a encararíamos como uma amiga bem vinda!
Sem fatalismos ou mau agouro, se ela chegasse hoje, o que pensaríamos? O que “diríamos” em nossa defesa? Ou a seguiríamos tranquilos?
Verdade é que, salvo exceções, não estamos preparados para ela.
Apesar de ninguém querer ficar entrevado numa cama, dependente dos outros, sempre pensaremos que ainda nos falta muito a viver.
Fomos criados para defender a vida em qualquer circunstância, com ou sem sofrimentos, com 8, 18, 50 ou 80 anos!
Ainda que em vários momentos tenhamos vontade de jogar a toalha, dizer que cansamos dessa brincadeira, que não está tão divertido assim, que queremos voltar pra casa…
Olhando por esse ângulo não é injusto não termos poder de escolha! Não saberíamos fazê-lo.
Sendo assim, seja qual for o momento que estivermos vivendo, melhor fazê-lo da melhor maneira possível. Se bom ou produtivo, intensamente, se triste ou ruim, fazendo nossa parte e torcendo para passar logo, pois, mesmo que não pareça, sempre passa.
Ideal seria que vivêssemos de tal modo a não temê-la, sequer lamentá-la!
Ir, ou deixar ir, permitir que a luz se apague, de bom grado e com a certeza de ter feito o melhor que pudemos.
Um bom dia para morrer? Qualquer um! Só Ele sabe!
Alda M S Santos
EPITÁFIO
No dia seguinte ao meu aniversário
Pedem-me, numa formação em serviço
Para escrever meu epitáfio
Parece meio mórbido
Mas nos leva a refletir
Na nossa finitude
E no quanto tudo é vago
Se não houver amor e perdão.
Alda M S Santos