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Garoa ou tempestade

GAROA OU TEMPESTADE
A vida é feita de chuvas, numa bela analogia com a natureza
Ora sereno, garoa, chuvinha constante
Ora tempestades fortes e passageiras
Assustam e encantam por sua grandeza
Mas, como toda tempestade, muitas vezes trazem destruição
Trazem também sabedoria, despertam em nós o desejo de reconstrução
Todas elas têm seu propósito renovador
Mas bom mesmo é a chuvinha calma e constante
Aquela que nos mantém irrigados todo o tempo
Aquela que abastece nossos lençóis freáticos
Aquela que é aconchego e repouso no inverno seco
Aquela que nos salva sem destruir, sem nada derrubar
Há empregos, amizades, amores, situações tempestade
Cumprem seu propósito de alerta e ensinar e se vão
O que fica é o que é verdadeiramente duradouro
Nossos dons, nossa família, nossas amizades, nossa fé
Esses são a chuvinha fina que vale toda uma vida
Alda M S Santos

Escolho o amor

ESCOLHO O AMOR

Num mundo tão dificil, complicado
Onde nossas escolhas envolvem tantas vidas
Implicando até mesmo no futuro ou passado
Não dá pra ser tolo, ficar alienado

Escolher entre o agir ou se omitir
Entre o sentar, ficar ou partir
Entre o se calar ou o amor gritar
Entre sorrir ou chorar, tudo irá nos afetar

As escolhas precisam ser conscientes
Entre muitas, ou não, sempre faremos uma opção
Envolvendo alegria, dor, esperança ou solidão

É preciso escolher a si mesmo, escolher o amor
Quem não escolhe amar a si mesmo primeiro
Não terá nada a oferecer a um terceiro

Alda M S Santos

Porteira fechada

PORTEIRA FECHADA

A vida nos é dada de porteira fechada

Como propriedades negociadas com tudo que carregam porteira para dentro

Recebemos ao nascer um pacote pronto, sem escolhas

Mas não precisa ser assim para sempre

Aos poucos vamos “negociando” o que ela nos deu

Fazendo trocas, descartes, novas aquisições

Vamos fazendo valer nossas escolhas, desejos

Descobrindo o que nossa “terra” produz melhor

Ou aquilo que ela não é boa em cultivar

Adubando o que cresce, enriquece, matando pragas

E dando a essa “propriedade” chamada vida

Que é só nossa, querendo ou não

A nossa cara, nossas características

Tudo que temos ou somos é resultado de nosso trabalho

Na propriedade que recebemos a princípio

Há alguns anos ou décadas…

A porteira veio fechada

Abri-la e fazê-la crescer cabe a cada um de nós…

Alda M S Santos

Talvez

TALVEZ

Talvez um dia eu possa me arrepender

Talvez no futuro tudo venha a ser diferente

É até bom mesmo que seja, que mude

Mudança gera força, crescimento

Mas, hoje, é o que tenho

E, hoje, posso agir, escolher um caminho do qual me orgulhe

Talvez não saiba ao certo como agir

Mas sigo minha intuição, meu coração

Se ele dói, se aperta, é porque o caminho não é o melhor

Tem pedras, buracos, posso cair, me machucar

Ou não conseguir impedir a queda de alguém querido

Mudo a rota, a altitude, o voo

Balanço, fico insegura, nem sempre tranquila, tenho medos

Mas sigo em frente no hoje, mantendo o equilíbrio

Talvez amanhã nem esteja mais aqui

Mas quero levar comigo e deixar por aqui

A lembrança de alguém que fez tudo que pôde por amor

Talvez o amanhã mude, ou seja ainda melhor

Creio nisso e sigo…

Talvez…

Alda M S Santos

Se eu puder escolher

SE EU PUDER ESCOLHER

Se tudo na vida nos rouba tempo

Que eu possa escolher como ser roubada

Que meu tempo seja subtraído

Fazendo coisas que me dão prazer

Que dão prazer aos outros, aos que me fazem bem

E quando eu não puder impedir lágrimas e decepções

Que ao menos possa ter quem enxugá-las

E, para cada lágrima que porventura eu venha despertar em alguém,

Que tenha, em contrapartida, deixado a lembrança de um sorriso, um abraço, um beijo, um cuidado

Que logo roube seu lugar e faça o tempo ser precioso

Se eu puder escolher

Escolho focar e ficar no que fez e faz bem

De perto ou de longe…

Alda M S Santos

Humanos aranhas

HUMANOS ARANHAS

Somos humanos aranhas a tecer

Alguns tecendo teias fortes como o aço

Outros teias frágeis, mas impregnantes

Há os que tecem, sem objetivos de captura, apenas proteção

E ainda aqueles que sequer são capazes de construir teias

Esses, especialistas em se tornar presas de outras aranhas

Grudados em outras teias…

Há também as “aranhas” que buscam presas em outras teias

Já capturados por outras aranhas

Estamos, de todo modo, presos em alguma teia

De seda ou de aço, não importa

Cuidando da que construímos e de quem “capturamos”

Ou nos adaptando à teia em que fomos capturados

A liberdade consiste em escolher a “prisão”

A teia na qual estaremos nos fazendo de livres…

Alda M S Santos

Destinos

DESTINOS

Destinos: pré-estabelecidos ou construídos?

Um caminho que vem definido a priori

Do qual passamos a vida a buscar ou desviar

Ou um ponto de chegada que nem sempre podemos identificar?

Destino: o objetivo final dessa jornada, imutável

Ou o caminho que por nós é construído, aleatoriamente

Nas lutas e labutas diárias de nossas vidas entrelaçadas às dos outros

Buscando o que acreditamos ser o melhor para todos

Destinos: uma justificativa para o mal e a inércia

Ou um motivo a mais para abrir trilhas melhores na mata densa do viver?

Destino: nos paralisa ou nos move?

É possível evitá-lo ou qualquer caminho leva a ele, sem escapatória

Sendo tudo aquilo que vivemos por escolha?

Parafraseando Jean de la Fontaine

“Muitas vezes, encontramos o nosso destino por caminhos pelos quais enveredamos para o evitar”…

Qual tem sido nosso destino?

Alda M S Santos

Marcas do caminho

MARCAS DO CAMINHO

Há caminhos que escolhemos

Bonitos, diversos, floridos, claros, com fontes refrescantes

Mas que apresentam pedras e buracos a transpor

E há caminhos que nos escolhem, se impõem

Por vezes tranquilos, em outras verdadeiras provações

A ambos imprimimos nossas marcas, deixamos nossas pegadas

Leves, fáceis ou nem tanto para quem vem atrás

Ou pisamos nas pegadas alheias, apagando-as

Preguiça de construir as próprias marcas, dar os próprios passos

Destruindo o que outro construiu com sacrifício

Ou, ao contrário, completando as pegadas alheias

Com sabedoria, amor, perdão e generosidade

Construindo um mundo melhor…

Esses caminhos são os mais gratificantes!

Alda M S Santos

Livre arbítrio

LIVRE ARBÍTRIO

Ver alguém querido cometendo os mesmos erros seguidamente

Erros que sabemos onde vão dar, e o que vão levar

Por experiência própria, por vivências de outros

Por conhecimento dos obstáculos da vida, por maturidade

Dói!

Interferir é uma opção: falar, orientar, guiar

Até tentar desviá-lo dali, levá-lo pelas mãos a outro lugar

Impedi-lo de destruir a saúde física, mental, social, amorosa

Profissional, familiar, sua e dos outros

Até mesmo usando de autoridade e imposições

Mas onde fica o livre arbítrio?

Até que ponto podemos interferir na vida dos outros

Sem ferir o livre arbítrio, direito de todos?

Até que ponto podemos nos eximir de um posicionamento

Sem caracterizar abandono, covardia, fraqueza, comodidade?

Até que ponto o outro pode responder por si ou deveria ser “interditado”?

Até que ponto somos responsáveis devido ao conhecimento que temos?

Até onde o respeito pode ir sem se transformar em omissão?

Onde fica a linha tênue que separa o carrasco do Pilatos?

Podemos lavar as mãos?

De todo modo, dói!

Alda M S Santos

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