COISAS MIÚDAS
Enquanto se espera pelas grandezas
E busca-se algo imperioso, arrebatador,
Ofusca-se a visão, perde-se o foco,
E não se percebe que de miudeza em miudeza
Se constrói, ou se destrói, um grande amor…
Alda M S Santos
COISAS MIÚDAS
Enquanto se espera pelas grandezas
E busca-se algo imperioso, arrebatador,
Ofusca-se a visão, perde-se o foco,
E não se percebe que de miudeza em miudeza
Se constrói, ou se destrói, um grande amor…
Alda M S Santos
AGASALHOS
Todos entendem quando agasalhamos nossa pele,
E nos questionam quando agasalhamos nossa emoção.
Corpo e alma podem estar com calafrios, necessitando aquecimento.
Quem dirá qual mais necessita do agasalho?
Quem poderá nos criticar se preferirmos aquecer a alma?
Corpo e alma pedem agasalhos diferentes.
Quem poderá dizer qual o agasalho mais adequado além de nós mesmos?
Alda M S Santos
É MELHOR…
Melhor que adormecer é fazê-lo suavemente nos ombros de alguém
Melhor que sorrir, é ter alguém especial para oferecer nosso sorriso
Melhor que acordar, é ter a luz do olhar de alguém a nos desejar bom dia
Melhor que nos aquecer numa xícara de chá quente, é ter alguém que nos aqueça num abraço
Melhor que não correr riscos, é ter alguém que nos ofereça proteção e cuidados,
Melhor que ser forte, é nos dar o direito de fragilizar, de ter onde nos apoiar
Melhor que não cair, é encontrar um ponto de equilíbrio em qualquer situação
Melhor que levantar para a vida, é ter alguém que nos dê um bom motivo para viver…
Mas melhor mesmo que tudo isso,
É termos a nós mesmos,
Sermos nosso melhor motivo para viver…
Alda M S Santos
BEIJA-FLOR
O que te alimenta beija-flor?
Por que voa de flor em flor a sugar?
Uma flor não lhe basta em néctar,
Ou é a variedade que te satisfaz?
Talvez permaneça insatisfeito
E fique sempre a se empanturrar,
Gota em gota, doçuras, encantos…
De hibiscos para camarões e para flamboyants
Volta para os hibiscos e assim sucessivamente…
Quem sabe não se encanta com tantas flores
Cores, perfumes e sabores?
Tão volúvel, tão maravilhoso
Tão maravilhado, tão perdido!
Ou seu destino é se agradar de todas, polinizar, se refestelar
E encontrar seu pouso em todo o jardim?
Lindo e encantador beija-flor!
Alda M S Santos
A CRIANÇA QUE EU FUI (SOU?)
Flashs de um tempo passado
Com cheiro de suor, de pega-pega na rua,
Com sabor de bala Jujuba e som das cantigas de roda,
Curta duração dos dias que pareciam longos,
De amigos para sempre e brincadeiras na enxurrada,
De joelhos esfolados e brigas “de mal pra sempre”, que duravam 2 horas…
“Caindo no Poço” e nosso bem,
Ao sabor de pera, uva ou maçã,
Sempre nos tirando de lá…
Sempre…
Namoradinhos de mãos dadas, amigos de pacto de sangue…
De bem com o corpo e livre das armadilhas da mente…
Bom lembrar da infância,
Melhor ainda é ser uma criança de qualquer idade…
Alda M S Santos
SAUDADE DOLORIDA
Saudade dolorida, tão redundante!
Acaso existe saudade que não doa?
Há saudade energizante, saudade paralisante,
Saudade que tem pretensões de alegrar,
Suspiros, nostalgias, lágrimas…
Saudade do que não houve,
Tantas vezes nítida, outras nebulosa…
Mas saudade que não cause dores, não há!
Remetem a algo que não mais temos…
A algo que gostaríamos de resgatar.
A pior delas é a saudade de nós mesmos,
Aqueles que fomos outrora e não mais somos,
Não mais nos identificamos em nosso modo de ser,
De fazer, de agir, de querer, de se querer…
Olho em meus olhos, exploro-os, busco-me,
Saudades de mim…
Alda M S Santos
NOSSAS CAIXAS
Construímos caixas ao longo de nossas vidas
E as deixamos guardadas em nós.
Umas ficam na mente, outras no coração, outras na alma.
Há pessoas que encaixamos facilmente nas caixas rígidas da mente,
Se não cabem, descartamos.
Outras, vão direto para a caixa do coração, mais maleáveis.
Às vezes deixam umas partes para o lado de fora,
Mas se a caixa não se mexe, ou se a pessoa não flexibiliza,
Não cabem, não encaixam, vão embora, lamentavelmente.
Agora, há aquelas pessoas que ficam,
E ajudam a construir uma caixa própria na alma.
Caixas da alma são construídas em conjunto, são personalizadas,
Essas encontram morada eterna,
Uma caixa-ninho que aquece e protege
E que faz bem à morada e morador.
Alda M S Santos
CONVITES
A vida nos manda vários convites
E tantas vezes declinamos sem sequer abrir o envelope.
É porque muitos convites vêm disfarçados de cobranças
De contas a pagar, de ônus antigos, de previsões ruins.
Nossos olhos viciados enxergam apenas o lado negativo
Não se habituaram a ver além do feio envelope.
Quantas coisas boas já ocorreram naquele ônibus lotado
Que insistimos em reclamar e dele fugir?
Quantas delícias não já aconteceram em dias chuvosos
E nublados que “amaldiçoamos”?
Quantas vezes aquela tempestade não trouxe em suas águas
Aquele tesouro sujo de barro que mudou nossa trajetória?
Quantas vezes aquela pessoa briguenta que “odiávamos”
Nos trouxe a maior de nossas alegrias?
Quantas vezes o feio não acabou se tornando
O mais lindo e maravilhoso espetáculo de nossas vidas?
Vamos acordar, abrir os envelopes da vida,
E parar de jogar no time adversário.
Alda M S Santos
HÁ-BRAÇOS
Há-braços! Tem que haver, mas não só eles.
Tem gente que pensa que abraços são só braços!
Não é qualquer um que sabe abraçar!
Alguns abraços não passam de aperto de mão.
Aliás, muitos apertos de mão são mais sinceros.
Abraçar é enlaçar devagar, encostar, segurar um tempo
Normalmente acompanhado de palavras doces.
Tanto que não dá para abraçar qualquer um.
É preciso certa intimidade!
Mas se o abraço for mesmo perfeito,
Que conecta corpo e mente,
Daqueles que enlaçam os fios da alma,
Que se não curam, ao menos amenizam qualquer mal,
Palavras tornam-se dispensáveis…
Há-braços que parecem ter lábios, são melhores que beijos.
Há-braços que parecem ter colo, tanto que acalentam.
Todos precisamos e merecemos um abraço assim.
Todos podemos dar um abraço assim.
Alda M S Santos
MAR, RIO OU LAGO?
Pessoas mar, revoltas, sons inebriantes, agitadas, vão e vêm, marés que dão o incansável movimento da vida. Meio incertas do que querem, volúveis, sempre buscando algo novo.
Pessoas rio, água corrente, cercadas de “mata”, protegidas, metas definidas, seguindo em frente, a despeito dos obstáculos que surgirem. Incansáveis, buscam o que querem com persistência e sabedoria.
Pessoas lago, calmas, serenas, paradas, aparente ausência de vida, mas é nas profundezas de suas águas que a vida acontece. Encontraram o que queriam ou, tranquilas, esperam que chegue até elas o que precisam.
Podemos ser mar, rio ou lago em diferentes fases da vida, ou uma leve misturinha deles todos, mas nossa essência é de um só e devemos nos respeitar.
Todas, mar, rio ou lago, a seu modo, convidam ao mergulho.
Há nadadores para cada um deles, basta serem receptivos.
Alda M S Santos
GRUDADOS
Sabem aquelas coisas ou pessoas que grudam em nós?
Aquele chá quentinho de capim-cidreira que nos aquece e acalma?
Aquele edredom com nosso cheiro que mais parece um pedaço de nós?
Aquela amiga cuja risada gostosa sentimos falta?
Aquele amor cujos ouvidos atentos e palavras de carinho não esquecemos?
Aquele amigo que liga e oferece colo, mesmo de longe?
Parecem ocupar espaços em nossa mente, em nosso corpo,
Fazer parte de nossa pele,
Ser parte de nossa essência.
Parece uma vista do alto, onde tudo é uma coisa só!
Aquilo que gruda em nós, passa a fazer parte de nossa “massa”, homogeneíza em nós,
Passa a agregar valores à nossa alma,
Não tem como desgrudar sem nos deixar com graves falhas, espaços ociosos, buracos,
E levar partes fundamentais com eles.
Funciona assim: grudou, tá grudado! Aceitar dói menos.
Alda M S Santos
RIR OU CHORAR?
Qual a melhor canção, a que faz rir ou chorar?
Qual o melhor livro ou poema, o que faz rir ou chorar?
Qual o maior e mais sincero amigo, o que faz rir ou chorar?
Qual o maior e mais verdadeiro amor, o que faz rir ou chorar?
Sorriso e lágrimas são expressões de fortes emoções.
Se a emoção despertada for boa, não importa
Se é demonstrada por sorrisos ou lágrimas!
O que não vale são emoções mais ou menos
De sorrisos amarelos e lágrimas de crocodilo.
Viver é uma emoção forte e maravilhosa!
Ria, chore, mas viva!
Alda M S Santos
#carinhologos
CHORAR PARA QUÊ?
Choro de tristeza, choro de alegria
Choro de dor, choro de prazer
Choro de decepção, choro de raiva
Choro de medo, choro de susto
Choro de solidão, choro de saudade
Choro de expectativas frustradas, choro de mágoas acumuladas
Choro de admiração diante da beleza,
Choro de amor debaixo do cobertor.
Choro sem porquê, choro porque sim!
E porque choro alivio a pressão
Aliviando a pressão, cabem mais coisas dentro de mim
Preferencialmente, sorrisos…
Alda M S Santos
ISSO É MOTIVO, SIM!
Se tem uma coisa que irrita qualquer pessoa que chora,
É alguém dizer “Só isso? Mas isso não é motivo para chorar”!
Quem chora sofre de alguma dor intensa, ou alegria, sei lá!
Mas quem chora sabe! E muito bem!
Pode ser dor de dente, falta de dinheiro, doença, saudade,
Unha encravada, comercial de margarina, filme romântico,
Um jardim bonito, uma palavra mal dita, um sonho frustrado,
Ônibus lotado, amizade falsa, cabelos rebeldes, coração partido…
A quem observa cabe abraçar, dar colo, chorar junto…
O dia de todo mundo chega.
Num dia a gente sorri, em muitos outros a gente chora…
E vamos querer um abraço também!
Alda M S Santos
O QUE NOS DERRUBA?
O que é capaz de nos vencer mais facilmente?
Uma torrente de lágrimas ou um sorriso largo?
A completa miséria ou a riqueza extrema?
A ignorância completa ou a sabedoria sutil?
Uma criança saltitante ou um idoso cansado?
A simplicidade ou a sofisticação?
Uma música lenta e apaixonante ou uma bem quente para pular muito?
Um discurso intenso ou um silêncio que diz tudo?
Um lago calmo ou um mar agitado?
Uma fogueira no inverno ou uma cachoeira no verão?
Um sol escaldante ou uma chuva torrencial?
Um filme no telão ou um livro na rede?
Um abraço amigo ou um beijo apaixonado?
Uma madrugada na “balada” ou um violão sob a luz da Lua no sertão?
O ódio ou o amor?
O que atinge mais rapidamente nossa emoção?
O que é capaz de nos tirar do eixo, nos derrubar?
Alda M S Santos
FORA DO JARDIM
Sabem aquelas flores rebeldes?
São conhecidas como regateiras,
Não se contentam com os limites do canteiro.
Aquelas que você poda, arranca, transplanta,
Volta com elas para dentro dos canteiros,
E quando se apercebe, já nasceram nos limites da cerca.
Brotam fácil, crescem fácil, encantam fácil!
Comuns, muito comuns, coloridas, cheirosas…
Dão a graça e encanto em qualquer jardim, cerca ou passeio.
Muita gente é assim, muitos sentimentos são assim…
Não cabem dentro de si…não adianta transplantar, podar
Sequer arrancar…são mais fortes que qualquer tempestade,
Resistem a qualquer intempérie!
Eles necessitam aparecer, crescer, se alastrar por aí…
E sentimos falta quando não percebemos seu encanto, sua graça, sua cor, seu perfume…
Quando aprendemos isso, fica mais fácil conviver com eles.
Alda M S Santos
POUCO A POUCO
As mais belas esculturas, os mais belos sentimentos
Construídos na natureza: na rocha, na mata, nas águas, na terra
Ou construídos em nossos corações, nosso corpo, nossa alma,
São aquelas esculturas, estalagmites ou estalactites,
São aqueles sentimentos, amores e amizades, que crescem pouco a pouco
Centímetro a centímetro, gota a gota, sorriso a sorriso, toque a toque
E são cimentados pela paciência, pela espera, pelo respeito, pelo carinho.
Esses se tornam firmes, encantadores e eternos.
Alda M S Santos
AMOR E GRATIDÃO
Amor é, entre outras coisas, gratidão,
Mas gratidão, apesar de nobre, não é, necessariamente, amor.
Pode ser o que restou de um amor,
Ou pode ser o início dele.
Alda M S Santos
NA MESMA MORADA
Eram várias e bem diferentes entre si,
Moravam juntas, viviam bem, quase sempre.
A mais sapeca ria e brincava com tudo,
Sorriso cativante, alegria contagiante.
Atraía amigos e alguns invejosos.
Costumava implicar com a introspectiva,
Que queria ficar reclusa, pensativa, nem ser vista.
A mais liberal não temia quase nada.
Queria tudo que tinha direito e o que não tinha também,
Seria capaz de enfrentar o mundo, sozinha ou acompanhada.
A “certinha” criticava, ameaçava, fazia terrorismos com ela. Difícil de aguentar.
A ponderada e mais vivida compreendia, avaliava, aconselhava. Sempre com um sorriso terno e um abraço carinhoso.
A caseira queria se enroscar nos lençóis, comer pipoca e assistir um filme na Netflix. Ora organizava tudo em modo turbo, ora não lavava nem um copo.
A aventureira queria atravessar o oceano em grandes projetos. Junto com a festeira, gostava de se arrumar, dançar e se divertir.
A cheia de energia, eletricidade pura, amava dias de sol, caminhar, pedalar, nadar…
Andava rápido, cabelos ao vento, vestidos esvoaçantes…
Amava boas conversas, gente inteligente, interação.
A tranquila era fã de dias de chuva e nublados para mergulhar num livro, na poesia.
Ficar o dia todo de pijama, de short, cabelos revoltos, deitar na rede, olhar o céu. Gostava também de roça, de bichos, de mato.
A mais filósofa questionava a vida e suas vicissitudes, se contrapondo à toda light que deixava a vida a levar…
A mais amorosa, que era extremamente dedicada a todos, à família, aos amigos, a Deus. Era muito querida.
A profissional, pontual, correta, trabalhava mesmo doente, muito dedicada e perfeccionista.
A mais “mulher” que gostava de se enfeitar, perfumar, maquiar, ser carinho, dar carinho, namorar.
Moravam juntas, num mesmo corpo, brigavam, às vezes, mas aprenderam a conviver entre si.
Todas tinham algo em comum: a extrema necessidade de amar e ser amada.
A vontade louca de abraçar o mundo com apenas dois braços e um grande coração, de ajudar, de estar presente. A tristeza e angústia em não ser capaz de fazê-lo.
Isso, por si só, as tornava uma, única, unidas num mesmo propósito: viver e ser feliz.
Alda M S Santos
APÊNDICE EMOCIONAL
Todos nós temos em casa aquele espaço
Onde tudo que não tem lugar,
Ou que não ficaria tão bem se exposto
É lançado: o quartinho da bagunça.
Ferramentas, utensílios inúteis, objetos pouco utilizados,
Pequenos móveis, papéis, tudo aquilo que queremos “esconder”.
Dizem que quem não tem esse espaço em casa,
Toda ela se torna uma verdadeira bagunça.
Devemos utilizar esse critério para nossos sentimentos também.
Separar dentro de nós um cantinho da bagunça,
E deixar lá aqueles sentimentos que não são tão bonitos,
Ou que não seriam convenientes que se tornassem públicos,
Ou que são apenas nossos mesmo, muito íntimos.
Lá entraríamos de vez em quando para dar uma ajeitada,
Reorganizar, promover alguns deles para a sala de visitas,
Lançar outros fora, descartar mesmo, enterrar,
E ainda deixar outros em modo de espera, em evolução.
Ali, levar só quem puder ajudar ou for de extrema confiança.
Alguém que não se importe com a desordem,
Que sente-se num cantinho conosco e clareie alguns deles.
Para nossa alma manter-se saudável e arejada,
Precisamos desse apêndice emocional em nós.
Alda M S Santos
GALÁXIA INTERIOR
Numa galáxia em constante movimento
Estrelas, planetas, satélites, meteoros, astros diversos
Que giram em torno de si mesmos, dos outros, no espaço sideral
Sentimentos, emoções, sensações,
Também não param
Ficam à deriva, perdem-se, chocam-se, caem, morrem
Causam até um big-bang
Movem-se, modificam-se, mudam de rota, de morada.
Obtêm luz, se aquecem, ficam na escuridão, sem oxigênio,
Transitam dos nossos para outros corações.
Não encontrando guarida, giram em torno de si mesmos
E, mesmo tontos, cambaleantes, continuam nesse movimento incansável
Em busca de algum pouso, de algum repouso, de um espaço só seu nessa Via Láctea,
Ainda que temporário.
Esse é o movimento da vida,
Nossa galáxia interior…
Alda M S Santos
BIPOLAR
Ou o Sol que racha, ou o breu da noite,
Ou o amor que aquece, ou a tristeza que gela,
Ou a chuva torrencial, ou a seca que desidrata
Ou amizades que acalentam, ou inimigos que as ofuscam
Ou a fome desvairada, ou a anorexia bulímica
Ou gargalhadas contagiantes ou lágrimas tempestuosas.
E o coração sempre no mesmo polo, sempre cheio!
Ainda que pareça sair pela boca,
Ou estar tão apertado que pareça nada conter.
Antes bipolar e cheio de vida,
Que num constante polo de tristeza!
Alda M S Santos
APRENDENDO A AMAR
Nós, humanos, nascemos com grandes potenciais.
Todos precisam ser desenvolvidos:
Alimentar, falar, andar, ler, escrever…
Aprendemos também a amar.
Cercamo-nos de pessoas que nos ensinam
A falar, a andar, a ler, a escrever, a nos alimentar.
Aprendemos tudo isso na prática diária.
Com o amor não é diferente,
Aprendemos a amar, sendo amados,
Aprendemos a amar, amando cada dia um pouco mais.
Descobrimos que o amor é antídoto para muitos males,
Que em qualquer “luta”, ele é o vencedor,
Que tem aliados importantes, que cativa outros bons sentimentos,
Se a lição for mesmo bem aprendida,
Sabemos que ele nunca é um mal, é voluntário, gratuito, nunca imposto.
As pessoas que mais sofrem e fazem sofrer nesse mundo têm carência dessa preciosa lição,
Não receberam amor o suficiente, não aprenderam o suficiente.
Seu aprendizado começa bem cedo, antes mesmo do nascimento,
No ventre de nossas mães já estamos praticando.
E nunca, nunca acaba!
Nesse círculo vamos girando, amando sempre,
Ensinando e aprendendo, enquanto houver vida!
Alda M S Santos
TÃO LONGE, TÃO DENTRO!
É preciso olhar ao longe, bem distante,
Quanto mais infinito houver ao alcance de nossas vistas
Mais para dentro conseguiremos enxergar.
Quanto mais silêncio ouvirmos no horizonte
Mais entenderemos os barulhos que vêm de nós.
Quanto mais claro o espaço lá fora,
Mais nítido ficará aqui dentro.
A emoção vive dentro, mas precisa do espaço lá de fora.
Tão longe, tão perto! Tão fora, tão dentro!
Alda M S Santos
HOJE, NÃO!
Quando abro meu guarda-roupas todas as manhãs, escolho o que usar:
Um vestido estampado, uma sandália confortável, roupas íntimas, maquiagem, perfumes, cabelos esvoaçantes, acessórios diversos…
Outras vezes, posso escolher cores mais escuras, sem acessórios, rosto lavado, cabelos presos…
Tudo vai depender do meu estado de espírito.
Posso, simplesmente, olhar para aquele vestido alegre e dizer: hoje, não!
Quisera fazer isso também com os sentimentos!
Abrir a porta de minhas emoções todas as manhãs e dizer:
Fiquem aí fechadas nesse porta-sentimentos: tristeza, melancolia, saudade, sensualidade, raiva, frustração.
Hoje, não!
E abrir a caixinha da alegria, solidariedade, compreensão, paciência, amor.
Podem chegar!
Todos eles fazem parte de nós. Estão guardados lá dentro. Não temos como excluí-los, mandá-los embora.
Alguns saem sem autorização e tentam confundir tudo. Não respeitam sua vez.
Como não são muito obedientes, o jeito é aprendermos, do modo que conseguirmos, a lidar com eles.
A experiência é nossa aliada nesse processo.
Muitas vezes os sentimentos que não queremos ficarão apenas nos tangenciando, sem grandes interferências.
E os que mais usarmos se tornarão quase que nosso uniforme emocional!
Assim como não saímos de casa nus, também não ficamos nus emocionalmente.
Certo é que sempre estaremos carregados deles, e são eles que passaremos para os outros, querendo ou não.
Hoje, sim! Hoje, não! Nós fazemos a opção.
Alda M S Santos
ALÉM DO HORIZONTE
Os anos passam, a tecnologia avança, as pessoas crescem
A medicina evolui, o amor e o romantismo se transformam…
Todos para melhor, certo? Há sérias controvérsias!
No que tange ao amor e ao romantismo houve transformações
Mas, para melhor? Analisemos!
Basta uma simples “apreciação” nos nomes pensados para atrair
Entre “bondes”, “gaiolas” “popozudas”, “safadões”, “créus”,
“Fogosas” e “quebra-barracos”
Ainda podemos encontrar “letras” que atingem fundo:
“Meu p. te ama”, “piranha recalcada”, “late, que eu to passando,”,
“Um otário para bancar”, “encaixa nela”…
Todas dessa estirpe!
Como diria o “ultrapassado” Roberto Carlos, são muitas emoções.
Como ficam o amor e o romantismo, a sedução, o namoro no portão?
A conquista, o dar-se as mãos, as poesias num cartão, as rosas?
“Aquelas rosas que não falam, mas exalam o perfume que roubam de ti”?
São as mesmas as “amadas amantes” de hoje?
Prefiro um amor velhinho e ultrapassado
“Esse amor demais antigo, Amor demais amigo, Que de tanto amor viveu”
Mesmo os amores não vividos eram lindos, poesia pura!
“Tentei deixar de amar, não consegui/Se alguma vez você pensar em mim
Não se esqueça de lembrar/Que eu nunca te esqueci”.
Alguém aí entendido de “bondes”, pode me informar
Onde passa o próximo com destino ao passado?
Vou a “120, 150, 200km por hora”…
“Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz”
“Não deixo marcas no caminho pra não saber voltar”…
Alda M S Santos
CORAÇÃO PARADOXAL
Coração é sempre paradoxal
Sempre tão grande, tão repleto
Mas capaz de sentir-se tão apertadinho
E com espaço para recrutar ainda mais moradores
Quase sempre forte, a enfrentar batalhas pungentes
Mas sensível, frágil, emotivo
Tão cercado de gente, de emoções,
Mas por um pode sentir-se
abandonado num planeta vazio
Tão iluminado, alegre, brilhante, seguro
Mas pode ser esmagado pela escuridão de alguns medos
Pode parecer irreal, irracional, duvidoso, invisível
Mas é real como a eletricidade ou a brisa suave
Que podem apenas ser sentidas.
Nessa vida de emoções enviesadas
Paradoxalmente, o coração sobrevive.
Alda M S Santos
EMOÇŌES
Cercados por elas, todo o tempo
Obstáculos e superação
Dor e cura
Lutas e vitórias
Dúvidas e fé
Discussões e conhecimento
Trabalho e conquistas
Cuidados e saúde
Tristeza e doenças
Bondade e doçura
Energia e alegrias
Experiência e sabedoria
Raiva e desamor
Solidariedade e amor
Carinho e mais carinho
Amor e felicidade.
Amor gerando amor…
Emoções que se entrelaçam
Na roda da vida…
Quanto mais tempo giramos
Mais entrelaçados ficamos
Podem aparecer sem escolhermos
Podemos decidir quais cultivar
Quais manter em
nossos canteiros…
Alda M S Santos