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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Mi-mi-mi

MI-MI-MI

Vi a definição outro dia: o que é mi-mi-mi?
É aquela dor que não dói em mim
Achei tão perfeito, não se tem a dimensão
Aquilo que dói no outro carece compaixão

Posso tentar imaginar, me colocar no lugar
Se minha alma for terna, souber avaliar
Mas a exata complexidade do que ele sente
Só cabe a ele dimensionar, sejamos prudentes

Se é dor no corpo, na alma, no coração
Se é algo que fere com força a emoção
Se machuca, remexe feridas, martiriza
Não cabe ser algoz quando a ele traumatiza

Não é mi-mi-mi dar voz a sua dor
Quem faz pouco caso já perdeu o valor
Cabe a cada um de nós total respeito
O que é do outro, é do outro, vamos agir direito!

Alda M S Santos

Dói

DÓI

Dói não acreditar quase em nada
Também dói investir em canoa furada
Dói se espetar no espinho da rosa, machuca
Dói mais ainda não ter uma roseira, vida maluca

Dói sofrer por um amor não correspondido
Mais doloroso é não amar, é tempo perdido
Dói ver o mundo com tanta desumanidade
E que ainda não aprendemos a viver com dignidade

Dói não realizar os sonhos, os desejos
Dói mais ainda já não sonhar com abraços e beijos
Dói ver por aqui tanta indiferença e desigualdade
E por mais que se faça, não amenizar essa realidade

Viver é por vezes pesado e doloroso
Mas não desistir faz o mundo mais prazeroso
Amar, amar, se doar é o único caminho
Para doer menos, não se sentir inútil e sozinho

Alda M S Santos

Tá doendo?

TÁ DOENDO?

“Mas tá doendo muito, muito mesmo”, a criança dizia
E em seu choro de dor se desfazia
Será que há como medir uma dor
Há como saber o que dói mais ou causa menos torpor?
Sei que causa dor aguda se ainda está aberta a ferida
Cabeça, dente, coluna, rim, nervo ciático, difícil a lida
Mas há outras dores difíceis de suportar
As que apertam e machucam o coração
Ou aquelas que trazem mágoa ou decepção
Dói não ter sua intensa afeição correspondida
Dói saber que aquela pessoa não era mesmo amiga
Dói o vazio da fome, a carência de nutriente
No corpo, na alma, no coração da gente
Dói perder por alguém a admiração
Dói saber que fez tanto por nada, indignação
Dói não conseguir se fazer entender
Também dói não saber com certas coisas viver
Dói se sentir envelhecer sem aproveitar o presente
Fixado no passado ou com o futuro imprevidente
Dói não saber sorrir, brincar, fazer do dia a dia algo prazeroso
Na verdade, viver pode ser bem doloroso
Melhor se fixar na cura, no que pode ser gostoso
Deixar a dor ir embora com o vento, sem lamento
Ou soprá-la para longe do pensamento
Assim o viver traz menos sofrimento…

Alda M S Santos

Dói

DÓI

Dói joelho esfolado, coração magoado
Dói ser decepcionado ou por alguém enganado
Dói um sapato apertado, o bolso esvaziado
Dói envelhecer sem alguém do bem ao lado

Dói bater o pé na quina, imaginar-se em ruína
Dói não saber em quem confiar, não poder desabafar
Dói perder o bonde, o sono, não ser seu próprio dono
Dói falsa amizade, sem haver reciprocidade

Dói ter a cama vazia ou viver de vã filosofia
Dói ter a alma estagnada, a saúde roubada
Dói ver a natureza destruída, a fé subtraída
Dói não ter a quem responsabilizar por esse penar

Dói ver o tempo passar sem poder aproveitar
Dói se sentir perdido ou sem lugar
Dói sentir muito frio ou muito calor
Dói morar num coração de favor

Dói não preservar a própria essência
Dói ter um peso qualquer na consciência
Dói não se sentir amado ou desejado
Dói querer o impossível ao seu lado

Mas toda dor tem um processo de cura
Um analgésico, um sorriso, Deus, afastam a amargura
Um rio, um céu, um Sol, uma Lua, um cobertor
Ter alguém de verdade que seja nosso amor…

Alda M S Santos

Dores

DORES

Qual a dor que mais dói em nós,
Aquela que nos isola, nos deixa sós?
A que corta laços, cria nós
Ou será a que o mundo todo escurece
E as cores já não nos enternecem?
Qual a dor que mais dói em nós
A que é forte, caráter pulsante
A que nos põe em luto, amargurante
A que nos torna um rio de lágrimas a brotar
Ou aquela que nos deixa tensos, sem lugar?
Qual a dor que mais dói em nós
Aquela em que culpamos a nós mesmos por ingenuidade
Ou a que a outros atribuímos, por insensibilidade?
Qual dor que mais dói em nós?
A que se cura com um chá e um analgésico
Ou aquele que pede mesmo é um colo, um abraço, doce anestésico?
Qual dor dói mais em nós?

Alda M S Santos

Mundo florido

MUNDO FLORIDO

Dizem que vejo o mundo florido
Dos sonhos, sem qualquer bandido
Não sou tão ingênua, mas prefiro enxergar as flores
Gosto do mundo mais colorido, sem tantas dores
Desbravar caminhos, construir pontes
Encontrar belezas aos montes
Quem sabe um rio de águas cristalinas
Ou muitas minas, ricas fontes
Bandidos não me assustam assim
Assusta-me o não viver, da vida me esconder
Devo ser bruxa, feiticeira ou algo assim
Quero fazer da vida um perfumado jardim
Para os lados, para cima, verde intenso
Quero naquela árvore subir, num galho deitar
E ali, na natureza, encontrar a paz, o meu lugar

Alda M S Santos

Quando dói

QUANDO DÓI

Quando dói a cabeça, o ouvido

A coluna, o estômago, o joelho

Tomamos um analgésico qualquer e resolve

Mas quando a dor vem de um lugar

Que a gente não identifica qual é

Que fazer?

Investigar os sintomas: angústia, tristeza, desânimo

Raiva, passividade, solidão, medo?

Seja ele qual for a alma precisa de cuidado

Precisa de ter alguém especial ao lado

Em doses homeopáticas ou cavalares

Para a dor do corpo vamos à farmácia

Para a dor do coração recorremos ao abraço de um irmão …

Quer um abraço?

Alda M S Santos

O tempo cura?

O TEMPO CURA?

O tempo não cura nada

Ele passa, passa, e algumas coisas ficam mais leves

Ele, sabiamente, nos permite cobrir as feridas

Com uma grossa cicatriz de proteção

Perdem o tom vermelho brilhante

Tornam-se mais rosadas até quase parecerem sumir

E ela fica ali para ser vista e relembrada

Algumas cicatrizes todos podem ver

Outras, são muito internas

E só quem as possui tem acesso

Ficam escondidas atrás de sorrisos

De uma alma que se doa, de mãos que trabalham

O tempo não cura!

O tempo nos ensina a lidar com o que não tem cura

O tempo nos permite olhar para as cicatrizes

E retirar dali aprendizado em meio ao que já foi dor aguda

O tempo pode até nos ajudar

A fazer de uma cicatriz algo novo, útil e belo

Uma obra de arte que merece ser vista por todos

Cada qual lida do seu jeito

Com as feridas, o tempo e suas cicatrizes

Tornando-os aliados ou adversários…

Alda M S Santos

Anjos que choram

ANJOS QUE CHORAM

Absorvendo nossas quedas e dores

Anjos se machucam, anjos choram

Choram quando veem que insistimos no caminho errado

Choram quando nos ferimos

Choram quando ferimos os outros

Choram quando não conseguem nos ajudar

Choram quando choramos…

E o mundo chora com eles

Aqueles que estão por aí

Insistentes, persistentes, corajosos

Que se machucam, se ferem, se doem, se doam

Por aqueles que protegem nas dores

Que acolhem no sofrimento, na fragilidade

Se olharmos bem, se apurarmos nossos ouvidos

Seremos capazes de ouvir o choro dos anjos

De ver seu sofrimento atrás de sorrisos

Suas lágrimas silenciosas nas batalhas por nós

Por lutar por seres humanos melhores

Por um mundo melhor,

Anjos choram…

Quem são nossos anjos?

Alda M S Santos

Esquecer ou lembrar?

ESQUECER OU LEMBRAR?

Você já se esqueceu?

A vida continuou, não parou

Ao menos não parou para todo mundo

Mas para aqueles que sofreram a perda de alguém

Dor, angústia, lágrimas, revolta, tristeza, medos

Às vezes precisamos esquecer

Para seguir vivendo…

Noutras, exatamente ao contrário,

Precisamos lembrar de quem partiu e vive em nós

Para não nos sentir morrendo…

Uns precisam de 30 dias, meses ou anos para esquecer

Outros se lembrarão e serão lembrados

Mesmo que passe uma vida inteira

Algo sempre estará rompido em quem perdeu alguém

Que representou no mínimo 50% de seu viver

Esquecer ou se lembrar continuamente

São modos similares de ativar novamente a válvula da vida…

Alda M S Santos

A importância que te dou

A IMPORTÂNCIA QUE TE DOU

Dou importância demais a você

Teria dito novamente a psicóloga

Por isso não sai dos meus sonhos

Dos meus pesadelos, para ser mais exata

Entra sem pedir licença, invade

Amedronta, assusta, aterroriza

Sou eu que preciso definir qual espaço você ocupará na minha vida

Muito, pouco ou nenhum!

O que não se resolveu na consciência

Tenta-se resolver na inconsciência

Você me assaltou, roubou, assustou, machucou, feriu

Causou medos e traumas, mas vencemos, ambos

Estou viva e você ficou sem uma dívida a mais a pagar

Então, fiquemos assim: não precisa mais me assustar

Você não tem participação especial na minha história

Ou, se teve, pela realidade dolorida da situação, passou

Não te desejo mal, apenas que encontre seu caminho

E que não precise mais assaltar ninguém…

E que Deus nos proteja a todos!

Alda M S Santos

Quando eu crescer

QUANDO EU CRESCER

– Por que você está chorando?

– Porque está doendo!

– Se chorar para de doer?

A garotinha parou um pouco o choro, pensou e disse:

-Não! Mas se não chorar dói mais…

E voltou a chorar

E ele a abraçou…

Assim, duas crianças de idades diferentes debatiam depois do tombo.

E, na sabedoria infantil, esclareciam as dores e curas.

Chorar pode não melhorar a dor ou curar o mal no momento

Mas não sobrecarrega a emoção de lágrimas represadas

E deixa a ferida livre para cicatrização

No tempo certo, sem maiores riscos de infecções…

Crescemos e desaprendemos de como curar um joelho ralado

E ainda temos a pretensão de curar uma emoção abalada

Engolindo o choro e fingindo que ela não existe…

Quando crescer quero ser criança

Sem medo de subir em árvores, balançar nas gangorras

E sorrir ou chorar quando for preciso…

Alda M S Santos

Blindados?

BLINDADOS?

Há como nos blindar dos golpes da vida

Ou sempre existirá algo a nos ferir

Até mesmo dentro de uma bolha

Para onde, vez ou outra, preferimos fugir?

Um amigo doente, alguém querido ausente

O emprego que falta, a injustiça que maltrata

Famílias que tentam se preservar, unidos para não tombar

Velhos esquecidos, largados, crianças com um péssimo legado

Alguém que decepciona, a fé que às vezes abandona

A morte que não tem critérios, a vida com poucos refrigérios

Humanos vivendo blindados pelo egoísmo

Humanos atingidos pelo próprio individualismo

Blindados?

Até quando vamos querer nos blindar da vida

Sabendo que é assim, absorvendo tudo que ela apresenta

Do jeito que damos conta, golpeando ou sendo golpeados

Que ela é verdadeiramente vivida?

Alda M S Santos

Superamos?

SUPERAMOS?

É preciso superar e seguir em frente, todos dizem

Mas quando se pode dizer que superamos?

Quando o problema foi eliminado, deixou de existir

Ou quando não o deixamos mais nos atingir?

Quando a ferida foi da alma apagada

Ou quando a lembrança já vem sem doer, está liberada?

Quando nominamos todos os responsáveis pelo bem e pelo mal

Ou quando já não se culpa mais ninguém pelo vendaval?

Quando as ausências já não são tão grandes, foram preenchidas

Ou quando optamos por deixá-las ter seu próprio espaço, acolhidas?

Quando podemos dizer que superamos?

Será que é quando se desiste de esquecer o que passou, bom ou ruim

E decide carregar ambos na bagagem; o ruim como aprendizado e o bom como saudades?

Será que é quando perdoa-se falhas cometidas por quem quer que seja

E aceita-se o porvir como presente?

Ainda que o brilho no olhar nem sempre venha dos sorrisos,

Mas das lágrimas saudosas que possam irrigar as lembranças e o viver?

Estarmos vivos quer dizer que superamos, que fomos mais fortes que tudo?

Sempre penso nisso ao fixar no olhar de todos eles…

Superaram? Superamos?

Alda M S Santos

#carinhologos

Insanas produções

INSANAS PRODUÇÕES

Sofrer é um modo louco, insano de viver

Foge ao controle de qualquer ser humano

Cada qual lida como consegue, como suporta

Compulsivamente, muitas vezes, amargamente, noutras

Fechando-se em si mesmos, usando alucinógenos variados

Exigindo muito de si, fisicamente, em atividades esportivas

Hibernando, mergulhando no mais escuro e profundo do ser

Criando, desenhando, pintando, compondo

Plantando ideias de amor, de fé, de compaixão

Sofrimento insano gerando obras de artes

Plásticas, da literatura, da música…

O quanto de lindo deixado para a posteridade não é fruto de sofrimento produtivo

Como ostra produzindo lindas pérolas

Como lagartas em casulo transformando-se em borboletas leves e coloridas?

Não temos como fugir ao sofrimento

Inclusive ao sofrimento de quem amamos, que dói muito também em nós

Mas podemos usá-lo como combustível, inspiração, força

Escolher o que queremos fazer com ele:

Insanas e lindas produções artísticas

Ou loucas produções bélicas, destruições próprias e alheias…

Na verdade, fingir que o sofrimento não existe

É que é o modo mais insano, doloroso e improdutivo de sofrer…

Alda M S Santos

Na própria pele

NA PRÓPRIA PELE

Não dá para dimensionar o que se passa com o outro

Se sensíveis formos, apenas podemos especular, ter uma ideia

Mas, saber mesmo, só sentindo na própria pele

Só chorando as mesmas lágrimas

Só pisando e se cortando nos mesmos cacos de vidro

Só queimando sob o mesmo sol ou frio

Só desanimando na mesma queda ou escorando nas mesmas porteiras entreabertas da esperança

Só ardendo o peito com as mesmas angústias

Só aguentando as mesmas faltas, lidando com as mesmas falhas

Só sofrendo as mesmas perdas

Só estando sob o jugo das mesmas ameaças

Só tendo suportado o peso doloroso da mesma arma

Só sufocando pelos mesmos medos ou aflições…

Só assim sabemos, só assim não permitimos aos outros o mesmo mal

Só assim protegemos a quem amamos

Só assim nos humanizamos mais e mais…

Alda M S Santos

O fim do mundo

O FIM DO MUNDO

“Esse fim do mundo me decepciona”

Ouvi certa vez e pus-me a refletir

O que seria a decepção maior nesse caso:

O modo cruel, traiçoeiro e torturante como o fim se aproxima?

A angústia pela demora ou ausência real de um fim tão proclamado e profetizado?

A tristeza tão profunda de alguém por permanecer aqui enquanto aguarda ansiosa por esse fim que “nunca chega”?

A tortura da espera por algo tão doloroso que não se cumpre

Só pode ser assim tão decepcionante

Se o agora estiver mais temerário que o fim apocalíptico!

Triste viver!

Alda M S Santos

A dor mais doída

A DOR MAIS DOÍDA

A dor mais doída é certamente a que sentimos no momento

Podemos até com certa sensibilidade imaginar a dor do outro

Mas, se nunca a sentimos, não dá para mensurar com precisão

Porém, penso ser unanimidade:

A dor mais doída é aquela que remédio não cura

Uma ida à farmácia e uma cesta de medicamentos não amenizam

Para as dores do corpo há remédio: agudas ou crônicas

Mas para as dores da emoção, da alma, do coração

Não há ida à drogaria que cure!

Aquela mágoa com o outro que aperta o coração

Aquela decepção que inunda olhos e alma

Aquela culpa ou frustração que minam a autoconfiança

A saudade daqueles que se foram sem volta

As dores mais doídas dentro da gente ninguém mensura

As dores mais doídas são as da tristeza e mágoa

Escurecem os olhos, apagam o sorriso, afastam-nos de nós mesmos

A ida à farmácia deve ser substituída por um passeio longo dentro de nós, todos os recantos…

E acreditar que encontraremos um caminho claro e bonito

E seguir…

“A tristeza é como um rio

Se estancada, ela aprofunda.(Pe Fábio de Melo)

Alda M S Santos

Dores

DORES

Ponho-me a observar uma borboleta que borboleteia feliz no jardim

Os pássaros que cantam em total diversão e voam dos galhos das árvores para o comedouro

Cachorros cochilando na varanda, ora correm, ora saltam, balançando o rabo, alegres e fiéis

Irracionais, parecem não ter qualquer tipo de dor ou angústia

Concluo que deve haver algo de muito sagrado nas dores humanas

Posto que não há humano que viva sem elas

Certamente é uma forma de “purificação” a que os animais estão isentos

Estamos sempre a lutar contra uma delas

As dores físicas, orgânicas, são inúmeras

As famosas cefalalgias e diversos tipos de “algias”

Aquelas que sabemos apontar onde dói e medicar

Há ainda as dores de tristeza, de angústia, de saudade, de desamor

Dores que ferem lá no fundo e não identificamos a origem

Dores psicológicas, mentais, emocionais, existenciais

Aquelas que o médico não encontra no RX ou na tomografia

As mesmas que a maioria das pessoas olha e diz

“Fulano é feliz, não tem problemas, sempre sorrindo”…

Há ainda as dores do outro que carregamos como nossas

São do outro, mas ele está tão dentro da gente,

Que dói em nós também…

Por essa perspectiva, se tudo que dói em nós

Dói naqueles que nos amam

Dá pra calcular o sofrimento de Jesus

Ao sofrer com nossas dores

Particularmente aquelas autoinflingidas, que nós mesmos buscamos

Por desconhecimento, ignorância, descuido, ou autoflagelo…

Sei lá!

Mas que às vezes dá vontade de ser uma borboleta

Ah, isso dá!

Alda M S Santos

Sofrimentos

SOFRIMENTOS
Há duas maneiras das pessoas encararem as duras penas da vida
Algumas sabem o peso de determinado sofrimento
E jamais querem o mesmo para alguém, próximo ou não
Outras, como sofreram aquilo, não se importam com o outro
Às vezes, desejam que o outro passe pelo que passou,
Até, muitas vezes, causam no outro a mesma dor
Na tentativa errônea de sofrer menos, não sabendo-se só
Como se ao doer no outro doesse menos em si próprio
São os modos diferentes que a alma de cada um
Mais evoluída, ou menos, lida com o próprio sofrimento!
Mas aprende, cedo ou tarde, que a dor de cada um é única
E deve ser enfrentada dentro de si mesmo,
Até ir apagando aos pouquinhos…
Alda M S Santos

Angústia

ANGÚSTIA

Peito apertado, vontade de ficar apenas deitado

Ou sair de cena, desligar por uns tempos, hibernar

Sensação de angústia, vontade de chorar…

Quantas vezes nos sentimos assim

Sem sequer saber exatamente quais os reais motivos, as razões?

Os modos de lidar conhecidos não funcionam

Ler, escrever, assistir filme, dormir, ouvir música…

Quando conversar com alguém, rezar, ajudar os outros, pouco auxiliam.

Tudo parece fora de lugar, desconectado!

Lá fora parece tão grande, mas não nos cabe

Cá dentro está apertado e nos machuca…

Queremos apenas um cantinho na nossa medida

Que tenha chuva e tenha sol,

Que tenha lágrimas, mas também tenha sorrisos

Que tenha Deus, prazer de viver

Que tenha quem nos ame,

Que tenha quem amamos

Que a gente se encontre de novo nessa nau…

Alda M S Santos

O quanto dói o que mais dói?

O QUANTO DÓI O QUE MAIS DÓI?

Dor de dente, cólicas renais, parto, coluna,

Enxaquecas, ressacas, crises de abstinência, nervo ciático,

Luto, amor, saudade, solidão, compaixão, ingratidão…

São tantas a doer!

Dores são bem democráticas

Quase sempre distribuídas a todos

O grau de cada uma e o que fazemos delas

É o que nos difere uns dos outros.

Tantas pessoas sorridentes por aí

Com dores que uns julgam pouca coisa

E outros sequer pensariam em suportar.

Qual a dor que mais dói?

Aquela que sabemos que também dói no outro,

Ou a que sabemos suportar sozinhos?

A dor que mais dói é certamente a que sentimos no momento.

O quanto cada dor dói, só quem a sente é capaz de dizer.

Nunca subestimar a dor ou sofrimento do outro,

Não potencializar a nossa, tampouco fingir que não existe,

São bons modos de encarar esse mal comum a todos.

Uma injeção de amor também seria o ideal!

Alda M S Santos

Quando tudo dói

QUANDO TUDO DÓI

Há dias em que tudo dói

Até cabelos e ossos

Partes que dizem ser desprovidas de sensibilidade

Por não terem terminações nervosas

Mas quando sentimos dores que não identificamos,

Tudo parece doer!

Normalmente são dores que vêm lá de dentro

Alguma questão mal resolvida dentro de nós.

Qual o remédio? Qual a cura?

Silêncio e oração, família e amigos,

Independente da ordem em que apareçam para nós,

Ou que tenhamos que buscá-las!

Simplesmente, precisamos…

Alda M S Santos

Não dá pra mensurar

NÃO DÁ PARA MENSURAR!

Há coisas que por mais que se tente, não conseguimos mensurar!

O tamanho da dor que aperta no peito de quem perde um amor,

Ou o vazio na vida de uma mãe que não poderá mais abraçar seu filho,

Não dá pra mensurar!

A culpa de alguém que não pôde proteger a quem amava,

Ou a saudade que machuca no peito dos apaixonados,

Não dá pra mensurar!

A tristeza e revolta que acompanham os perseguidos,

A dificuldade de seguir em frente com fé, quando tudo que se quer está no passado,

Ou o medo de caminhar rumo a um futuro incerto e sem brilho,

Não dá pra mensurar!

A verdade é que só se pode mensurar

Aquilo que está dentro de nós!

O que se passa com o outro,

Podemos apenas imaginar…

Alda M S Santos

Preciso esquecer

PRECISO ESQUECER

Preciso esquecer as dores e me concentrar nos amores

Preciso esquecer o que me falta e atentar ao que me preenche

Preciso esquecer as angústias e valorizar as bênçãos

Preciso esquecer tudo e todos que de mim não se ocupam

Preciso esquecer tudo e todos que de mim se esqueceram,

Montar e seguir caminho…

Preciso lembrar de esquecer!

Alda M S Santos

Cicatrizes reabertas

CICATRIZES REABERTAS

Cicatrizes aparentes costumam ser grosseiras, ásperas, rígidas

Cicatrizes escondidas são mais finas e delicadas

Ambas demonstram força e fragilidade

Fragilidade por ter se machucado,

Força por ter sobrevivido

Mas ambas deixam o indivíduo com medo do risco,

Sem coragem de andar “descalço”

Cicatriz reaberta demora mais a fechar,

Cicatriz reaberta é a dor de hoje potencializada,

Pela dor de ontem no hoje,

Pelo medo do hoje no amanhã!

Alda M S Santos

Pra parar de doer

PRA PARAR DE DOER

-Papai, quero ser grande e forte como você para os machucados não doerem!

-Não, filho, os machucados doem, a gente apenas finge que não dói e não chora à toa!

-Então quero ser forte como a delicadeza da mamãe.

-É? Por quê? Ela chora! 

– Ela disse que chora para parar de doer. Quero assim! 

Alda M S Santos

Isso é motivo, sim!

ISSO É MOTIVO, SIM!

Se tem uma coisa que irrita qualquer pessoa que chora,

É alguém dizer “Só isso? Mas isso não é motivo para chorar”!

Quem chora sofre de alguma dor intensa, ou alegria, sei lá!

Mas quem chora sabe! E muito bem!

Pode ser dor de dente, falta de dinheiro, doença, saudade,

Unha encravada, comercial de margarina, filme romântico,

Um jardim bonito, uma palavra mal dita, um sonho frustrado,

Ônibus lotado, amizade falsa, cabelos rebeldes, coração partido…

A quem observa cabe abraçar, dar colo, chorar junto…

O dia de todo mundo chega.

Num dia a gente sorri, em muitos outros a gente chora…

E vamos querer um abraço também!

Alda M S Santos

Coma Induzido

COMA INDUZIDO

Procedimento: Indução de um coma atemporal

Indicação: Proteção de circuitos importantes

Retorno à consciência de dentro pra fora

Quando for capaz de processar estímulos externos sem dor,

Quando a alma estiver em paz consigo mesma.

Alda M S Santos

Dores

DORES

Uma sombra escura, uma luz que não clareia,

Um sorriso que não ilumina, uma palavra que nada diz,

Uma fome insaciável, uma sede não identificada,

Um silêncio inoportuno, uma distância forçada,

Uma mágoa contida, um olhar apagado,

Um amor não correspondido, um desejo represado,

Um sonho tão sonhado, não realizado,

Um tempo tão longo, tão improdutivo,

Uma realidade dura, crua, não digerível,

Uma esperança que morre, por fim.

Ausências, ausências, ausências…

Uma energia que se esvai e se esgota,

De onde tudo deveria brotar…

Alda M S Santos

Dores na simplicidade e no luxo

 DORES NA SIMPLICIDADE E NO LUXO

Numa semana, num lar de idosos de classe baixa, na outra, num núcleo luxuoso para a maturidade.

Ambos com idosos colocados ali para serem cuidados, tratados, terem sua dignidade preservada.

Espaços limpos, pequenos e simples de um, destoam dos espaços amplos, muito bem decorados e bem aproveitados de outro.

Idosos em seus melhores trajes para receberem as visitas.

Um banho e roupas simples e ausência de acessórios de um, roupas e calçados finos, colares, brincos, maquiagem, chapéus, penteados, cabelos bem pintados e unhas bem feitas do outro.

No primeiro, poucas atividades além da rotina diária: refeições, banho, TV, pátio, sono, medicamentos.

No segundo, agenda cheia: leituras, músicas, visitas agendadas, apresentações, artes, convidados de todo tipo.

Mulheres interagem mais. Os homens, ou são galanteadores ou ranzinzas, muito calados, ou quase incapazes.

O que há de semelhante além de serem homens e mulheres idosos entre 70 e 100 anos de idade?

São como crianças! Olhos sem muita vivacidade, mas com brilho úmido, carentes de afeto. Todos eles!

Abraçam-nos e agradecem a nossa atenção e dedicação como algo precioso.

Querem ser tocados, ouvidos, compreendidos. Precisam do nosso tempo.

Cantamos músicas da sua época (com nossas vozes maravilhosas), deixamos a vergonha em casa, dançamos, tentamos ignorar os mais rabugentos, trazê-los para nós. Quase sempre conseguimos.

Em ambos, poucas visitas recebem. Alguns, ninguém os procura.

O mais triste é que, mesmo aqueles cercados de gente, de atividades, de “amigos”, de tarefas, falta-lhes algo.

Recebem amor, mas querem aquele amor especial, aquele amor específico, aquele que grudou na alma e dói a ausência.

Como me disse uma idosa sabiamente, eles têm muitas presenças, mas uma ou duas ausências impedem definitivamente a felicidade.
Concordo com uma senhora trovadora, residente do lar, autora de livros de outrora:

“Saudade, com tanto lugar lá fora, porque você insiste em doer aqui dentro?”

Divirto-os, me divirto e agradeço a cada um deles a oportunidade de me tornar uma pessoa melhor.

Alda M S Santos

Sentimentos crônicos

SENTIMENTOS CRÔNICOS?

Nos consultórios médicos, quase sempre há diagnóstico da cronicidade de alguns males:

Doenças autoimunes, cardíacas, digestivas, respiratórias, alergênicas, circulatórias, entre outras.

Muitas doenças são agudas, ou seja, têm um pico de ação dos antígenos.

Nessa fase, os sintomas incomodam mais: dores e desconfortos vários.

Após um tempo ou tratamento com medicamentos, passam.

As doenças crônicas são aquelas que não têm cura, é preciso aprender a conviver com elas.

Há alguns medicamentos ou mudanças de hábitos que podem ajudar nesse convívio.

Porém, os doentes nunca irão se livrar do mal.

Penso que também possuímos alguns sentimentos que são agudos em nós:

Raiva, euforia, paixão, tristeza, decepção, revolta, mágoa, ciúmes…

E, como tal, não podemos permitir que se tornem crônicos. Podem matar!

Sentimentos crônicos são aqueles com os quais não podemos nem devemos deixar de conviver:

Felicidade, compaixão, solidariedade, alteridade, caridade, amizade, amor…

Nem sempre trarão alegrias, nem sempre será fácil.

Podem também causar dor e reações adversas, particularmente o amor, quando não correspondido.

Porém, ainda que fique bem guardadinho dentro de nós, que tenha suas fases agudas e retorne para seu cantinho,

Sempre fará bem, sempre, especialmente a quem o sente.

Alda M S Santos

 

 

 

 

Lobotomia 

LOBOTOMIA

“Por que a gente fica velha e lembra só de coisas que machucam o peito da gente?” -Perguntou-me uma idosa, lágrimas a escorrer no rosto enrugado, olhos cheios de histórias! 

Pessoas jovens também, querida! Precisamos levar a mente a pensar nas coisas boas que todos temos, respondi. 

“Mas até coisas boas ferem o coração, porque não existem mais”. 

Sei que não é fácil, mas a mente é flexível, precisamos levá-la para bons lugares. Curtir a saudade boa. Interagir com as companheiras, participar mais, digo.

“Quero não, perdi o gosto, estou aqui esperando pra morrer e sozinha. Queria fazer aquela operação que apaga o cérebro da gente, como chama mesmo”.?

Lobotomia?

“Essa mesmo! Aí a gente não sofre, apaga o que dói!”

Eu a abracei e brinquei: gosta de abraço? Não gosta de cantar? Vamos cantar? Se fizer lobotomia irá esquecer os abraços, as músicas! 

Ela riu e disse: “vou tentar lembrar do que é bom! Quando você volta? 

Quantos de nós não temos vontade de “apagar” em nós o que nos machuca?

O risco é apagar o que há de bom também!  

Melhor mesmo é conviver com nossas dores, nossos amores, nossas amizades, nossos atropelos.

E tentar produzir mais sorrisos que lágrimas, equilibrando a balança. 

Alda M S Santos

Porque escolhi viver

PORQUE ESCOLHI VIVER

Porque escolhi viver nem sempre serei sorrisos.

Viver implica aceitar um pacote de possibilidades.

Tantas vezes é meter a cara onde parecia arriscado.

É pegar o ônibus em movimento.

Acordar cedo, dormir tarde, nem dormir…

É enfrentar humores oscilantes, humanos vacilantes.

É chorar de dor de dente, de dor de amor, sofrer pela dor do outro.

É dormir orando de preocupação ou agradecimento.

É ter dias nublados e outros ensolarados.

É encharcar-se até a alma nas tempestades próprias.

Poderia ter escolhido me recolher, não me envolver, não participar.

Sentar na janela e só observar a paisagem…

Mas eu escolhi viver.

Por isso, sou assim

Multifacetada…

Ora lágrimas, ora sorrisos…

Ora prazer, ora saudade…

Nem sempre sorrisos

Mas quando eles existem…

Sua luz é capaz de gerar brilho por dias…

Porque escolhi viver…

Alda M S Santos

Sentindo na pele

É sempre tão fácil aconselhar! Os problemas dos outros sempre nos parecerão simples, ou ao menos não tão complicados. Sentimo-nos até mesmo “superiores” por poder ver o que o outro não está conseguindo enxergar, vislumbrar uma saída, quando ele parece estar perdido. 

Podemos não entender uma mãe que chora e perde o sono por um filho doente, duvidar da força de vontade de alguém que insiste em beber, sabendo que o álcool lhe faz mal, desacreditar no amor quando vemos um homem chorar por tê-lo perdido, perder a paciência com o papo repetitivo de um idoso ou com a mania de doença e morte de uma jovem bonita e saudável.

Mas há um momento em que tudo muda de figura! 

Quando temos os nossos filhos, entendemos e nos emocionamos com qualquer problema que envolva crianças. Acreditamos no alcoolismo como doença, que deve ser tratada, quando o vivenciamos na família. Entendemos o homem que chora por amor, quando amamos, lutamos, sofremos, sorrimos, choramos e perdemos alguém que é tudo pra nós. Passamos a amar os idosos quando vemos alguém sendo grosseiro com as histórias que tanto amamos de nossos avós. Aprendemos a ter carinho com a jovem “saudável” quando temos uma sobrinha bulímica, anoréxica ou depressiva em casa.

Há outros meios de aprender a se colocar no lugar do outro, de exercitar a alteridade, a compaixão, a solidariedade, o amor. Porém, nenhum deles é tão eficaz quanto sentir na própria pele, vivenciar o mesmo problema. 

Será por isso que Deus nos permite vivenciar tantas experiências? É apenas um professor amoroso, mas “exigente”? 

Seja como for, sempre vale a pena repensar, ter bastante sensibilidade, quando nosso olhar recair sobre os problemas de alguém. Só ele, somente ele, poderá dizer a intensidade de sua dor. Estejamos atentos! 

Alda M S Santos 

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