COLCHA DE RETALHOS
Sou tal e qual colcha de retalhos
Variados pedaços unidos para formar um todo
Nem sempre harmônico, nem sempre belo, nada perfeito
Muitas cores vibrantes, outras apagadas
Tecidos finos, macios, outros grossos e resistentes
E que juntos se unem para formar uma colcha
Vários pedaços tão diferentes entre si
Formando uma única peça que tenta se harmonizar
Para poder passar a imagem de totalidade numa colcha
E cumprir seu papel de enfeitar uma cama, cobrir pessoas
Aquecer corpos, relaxar quem nela se deitar
Alguns verão os tecidos grossos e apagados
Outros verão os finos, delicados e coloridos
Há ainda os que verão a colcha, não importando os detalhes
Se estes estão novos ou velhos, inteiros ou rasgados
Também cuidam para não estragar toda a peça
E passam a renovar e cerzir os buracos e falhas
Assim também é comigo, conosco
Vemos e somos vistos de acordo com nossas ausências e presenças
Também do que falta ou sobra em quem nos vê
Para uns seremos a colcha “perfeita”, na medida certa
Para outros, um pano roto qualquer sem utilidade nenhuma
Para vermos melhor as outras “colchas”
Precisamos ver melhor a nós mesmos primeiro
Somos muitos pedaços formando um todo meio desconexo
Tentando entender e aceitar o todo também desconexo que são os outros…
Até mesmo as colchas inteiriças e, aparentemente, perfeitas
Se passadas pelo crivo do julgamento de um olhar crítico e, por vezes, falho
Acabarão por se mostrar retalhadas e imperfeitas
E, ainda assim, belas em sua imperfeição
E a vida segue tecendo e costurando suas tramas
Com as linhas se embolando, arrebentando e bordando histórias
Usando todos os “retalhos” e colchas que encontra por aí…
Alda M S Santos
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