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Araras urbanas

ARARAS URBANAS

Variadas peças, cores e tamanhos

Expostas numa grande arara urbana

Feita das grades sobre muros no centro da cidade

O cliente chega, pega, olha, até experimenta

Não há atendentes, não há provadores

Há alguns expectadores

Algumas peças seminovas

Outras um pouco surradas

Menos surradas que os clientes que por elas procuram

Não há marcas, sequer se preocupam com isso

O que precisam é que sirva

Não há sacolas, não embalam

Vestem umas sobre as outras

Não estocam nada, não guardam nada também

A marca que vejo ali é só uma: compaixão

Aliada à solidariedade e amor

Não há caixa, não há preços

Um cartaz diz apenas: DOAÇÃO

O cliente pega o que lhe serve

E vai embora…

Mas não vai para sua casa

Fica por ali mesmo, nesse espaço que tem sido seu lar…

Quando precisa de algo “novo”

Recorre novamente às araras urbanas

Você tem algo para doar

Para essas araras alimentar?

Alda M S Santos

Certeiros ao ajudar

CERTEIROS PARA AJUDAR

Tantas vezes não somos tão bons assim

Tão rápidos em julgar

Tão lentos em ajudar

Tão velozes em diagnosticar doenças

Tão inertes quando é para promover a cura

Tão “Cristãos” ao identificar pecadores

Tão pagãos ao lhes virar as costas

Tão “certeiros” ao apontar o dedo

Mas erramos o alvo quando é para dar as mãos

Somos falhos no momento crucial

Aquele em que o outro mais precisa

Ver falhas, erros, defeitos, pecados do outro

Qualquer um de nós pode

Essa é a parte fácil

Criticar o que o outro faz, idem

Mas estar ali para somar

Ser mais um para diminuir as desigualdades

Poucos são capazes e nisso investem

Essa é a parte em que todos encontram desculpas

E alguém para responsabilizar …

Só teremos o mundo que queremos

Quando mudarmos em nós aquilo que queremos do outro…

Sejamos mais luz, mais irmãos, mais compaixão

Um pouco de cada um pode fazer a diferença no todo

Sejamos certeiros ao ajudar

Sejamos paz!

Alda M S Santos

Nossos copos

NOSSOS COPOS

“Você pensa no quanto os outros podem te ajudar, mas não no quanto eles podem se prejudicar fazendo isso”.

Essa era a discussão entre dois jovens.

Quantas vezes para manter nosso copo cheio

Esvaziamos os copos dos outros?

Quantas vezes para manter os copos dos outros cheios

Esvaziamos nossos próprios copos?

Quem gosta de sempre receber quase nunca se satisfaz

Sempre irá contar com o abastecimento que vem de fora

Quem gosta de sempre doar sempre irá fazê-lo, mesmo desfalcado

Vivemos num constante encher e esvaziar, ora mais, ora menos

Uma relação saudável é aquela em que ambos os copos se autoabastecem

E não esvaziam o copo de ninguém!

Alda M S Santos

Socorro

SOCORRO

“Socorro! Help-me!”

Quantos pedidos de socorro ouvimos, atendemos

Quantos ignoramos, não entendemos?

Nem sempre tão traduzidos assim em palavras

Uns muito óbvios, gritados, implorados, verbalizados claramente,

Telefonemas, mensagens, bilhetes, lágrimas

Outros calados nos lábios, gritados nos olhos, nas ausências, no silêncio, nos vícios

Nas mudanças de comportamento, na depressão…

E notamos apenas em retrospectiva, quando algo grave ocorre

Como uma tempestade que dá muitos sinais antes do aguaceiro desabar e inundar tudo

Nuvens negras, raios, trovões, vendavais

E corremos a procurar abrigo…

Sabemos dos estragos de outros tsunamis!

Tempestades internas se formam perto de nós

Dentro daqueles que amamos, dentro de nós

E não somos tão astutos para fechar as janelas, recolher as roupas, desviar, fugir, nos preparar

Muitas vezes, sem perceber, nos expomos, deixamos que se exponham a elas

Não nos atentamos para os pedidos de socorro, os alertas do tempo…

A meteorologia pode ser uma boa aliada se quisermos salvar vidas!

Alda M S Santos

Foto: Everaldo Alvarenga

Os grandes beneficiados

OS GRANDES BENEFICIADOS
Receber um certificado é sempre bom
Ter o trabalho social e voluntário reconhecido é prazeroso
Além de estimular outras pessoas a fazerem o mesmo
Mas, o maravilhoso, o que não tem preço, 
É o que nosso coração sente
Ao ouvir um idoso dizer: “que bom que vocês vieram”,
“Vocês alegram a nossa vida”,
“Quando vocês voltam?”
Ou uma pessoa num corredor de hospital
Ao receber um “Abraço Grátis” dizer em prantos, às vezes:
“Eu precisava tanto desse abraço”!
A verdade é só uma, ajudamos, sim,
Mas os maiores beneficiados somos,
Sem sombra de dúvida, nós mesmos!
Alda M S Santos
#carinhologos

Impotência

IMPOTÊNCIA

Não existe sensação pior que a da impotência

A incapacidade de realizar algo que se quer

Por quem se ama, por si mesmo.

Saber do sofrimento, da necessidade premente

Do grito contido, calado, sofrido

No silêncio audível, no sorriso disfarçado

Na distância forçada, na solidão,

Nas lágrimas escondidas…

Saber que tudo que somos de nada vale

Que os caminhos trilhados nem sempre ajudam

Que não conseguimos tirar a dor com a mão, como gostaríamos

E que, certas coisas, somente o tempo pode curar

Ou anestesiar, ou fazer adormecer…

Alda M S Santos

Por quê?

POR QUÊ?

Por que conseguimos ajudar a tanta gente

E não conseguimos ser tão úteis aos mais próximos de nós?

Por que conseguimos estender uma mão que é acolhida por tantos

E aqueles que mais amamos a ignoram ou não veem nela o conforto?

Por que o abraço do “desconhecido” aquece mais?

Por que as palavras mais sábias vêm de fora?

Santo de casa não faz milagre?

Será que veem em nós a obrigação de amar e acolher?

Por quê?

Será que somos vistos com nossas falhas e incapacidades

Aquele lado por demais humano, normal, corriqueiro

E não pelas nossas qualidades e capacidade de acolhimento?

Por que será que é tão mais simples ajudar os outros, aconselhar

Que conseguir ajudar, inclusive, a nós mesmos?

Por quê?

Alda M S Santos

Se eu nascesse de novo

SE EU NASCESSE DE NOVO

Se eu nascesse de novo, o que gostaria que fosse diferente?
Talvez não ter nascido no Brasil, terceiro mundo, corrupção…

Ter a beleza da Penélope Cruz, a fama da Júlia Roberts?

Ser a amada do Antônio Banderas ou casada com Denzel Washington?

Ser dona da fortuna do Bill Gates?

Loucuras à parte, conformo-me com meu tipo físico, minha “pobreza”,

Meu país, meu anonimato, minha profissão, minha família, minha vida…

Mas eu bem que poderia nascer com desejo menor de me envolver nas coisas alheias!

Se fosse difícil, que eu pudesse mesmo ter a capacidade de ajudá-las, não atrapalhar a elas ou a mim mesma.

Na impossibilidade, que eu ao menos não me importasse ou me frustrasse tanto.

Ou, ao contrário, que me importasse tanto, tanto para me tornar uma Madre Teresa de Calcutá!

Já que nada disso é possível, um pouquinho de (in)sanidade agora não me faria mal.

Alda M S Santos

Tá tudo bem?

TÁ TUDO BEM?
Quantas vezes ouvimos essa pergunta?
Quantas vezes a formulamos?
Praticamente 100% das vezes a resposta é: “sim, e você”?
Na maioria delas não passa de pro forme.
Quase nunca respondemos sinceramente.
Não nos dão, ou não damos tempo para uma resposta sincera.
Aquela que demandaria explicação, tempo, atenção, ouvidos, talvez ombros.
As palavras dizem uma coisa e os olhos dizem outra.
Mas quem tem tempo ou disposição para investigar, sequer perceber?
Os olhos dizem “não, estou no meu limite”, “não, estou muito down”!
“Não, preciso de ajuda”, “não, quero colo” ou “não, gostaria de sumir do mapa”.
Se realmente respondêssemos assim, qual seria a reação de nossos interlocutores?
Qual seria a nossa reação, se ouvíssemos respostas como essas?
Certo é que se a pessoa é amiga, próxima, íntima, nem precisaremos perguntar.
Basta notar suas ausências, seu silêncio, seu olhar.
Em todos esses casos, apenas um carinho, um abraço resolveria.
Ou ao menos amenizaria bastante o problema.
Queremos estar bem!
Alda M S Santos

Apenas uma carona

APENAS UMA CARONA

Uma ida à cidadezinha, sol a pino. Calor de derreter os miolos, um senhor subindo a pé. 

Observo. Estranho. Mais velho, dificuldade no andar. 

Paro: “quer uma carona?”

Ele entra: “Que bênção! Estou com um cravo no pé me matando.”

Conta uns casos, fala de seu sitiozinho, seus bichos, do tempo… Simpatia interiorana. 

Andamos uns 2 km e ele desce, muito agradecido.

Pus-me a pensar. Se fosse na cidade, eu teria dado carona para um homem estranho? 

O que tem esse lugar que nos faz confiar nas pessoas? 

Ou o que tem nas cidades grandes que nos faz desconfiar? Nos impede de ser solidários?

Temos tanto medo de assédios de todo tipo, físicos, morais, financeiros, sexuais, que pensamos milhares de vezes antes de oferecer uma mínima ajuda. Pode ser algum maníaco com uma tara qualquer…

 E assim, vamos nos afastando das pessoas, nos distanciando de nossa humanidade. 

Vamos perdendo a capacidade de nos condoer com o sofrimento alheio, de atender às mínimas necessidades dos outros.

O que será que Deus vê em nós quando nos afastamos de um semelhante, desconfiados? 

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” vale só para as cidadezinhas do interior? 

Estamos nos perdendo da essência humana. Triste constatação! 

Alda M S Santos

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