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Bagagem de volta

BAGAGEM DE VOLTA

Uns querem se destacar, se fazer notar, aparecer
Outros querem passar despercebidos, se esconder
Vários modos de passar por aqui nessa viagem
Qual é o seu, gosta de estar nessas paragens?

Há quem se destaque pelo bem que espalha
Outros pelo mal que a tantos atrapalha
Há quem faça o bem quietinho, em silêncio, calados
E aqueles que focam em si mesmos, atribulados

Há quem se exponha nessa grande vitrine da vida
Há quem fique no estoque, em caixas esquecidas
Há quem esteja ora lá, ora cá, tentando se resguardar
Sabendo que pode ser convocado a participar

Certo é que temos por aqui alguma missão
Aparecendo ou não, precisamos ser evolução
Não dá para perder a viagem, o trem passa ligeiro
Precisamos ter algo na bagagem de volta, companheiro

Alda M S Santos

Viajo

VIAJO

Ah, como é bom viajar
Poder ir para qualquer lugar
No bairro vizinho ou além-mar
Viajar é um meio de se encontrar

Viajo para manter sentidos em alerta
Atiçar a alma que às vezes anda incerta 
Sacudir o pó da rotina estacionante
Fazer brilhar o que já está maçante

Viajo para me encontrar fora de mim
Trazer para dentro o que é bom, afastar o ruim
Lustrar minha vitrine que por vezes fica opaca
Apurar o olhar, me demorar, sair dessa fuzaca

Viajo de malas cheias, pesadas
Volto com elas leves, recheadas
O que é valioso não sobrecarrega
Como luz que se alastra, só agrega

Alda M S Santos

Espaço aéreo

ESPAÇO AÉREO

No céu das possibilidades é possível voar
Um voo solo ou acompanhado
Traçar planos de voo, rota
Ou simplesmente seguir despreocupado

No céu das possibilidades a vista é linda
Aquela pensada, imaginada, sonhada
Não há limites, não há medos ou sanções
O voo é pacífico, não há luta armada

Nesse espaço aéreo nunca me perco de mim
Naquela atitude tudo parece tão claro
O que quero, posso, desejo são perguntas ao mesmo sim

No céu das possibilidades voo devagar
Não há pressa, não há destino a alcançar
Largada e chegada são apenas pontos do mesmo viajar…

Alda M S Santos

Viajar

VIAJAR

Aquele desejo constante de ir para algum lugar
Fazer as malas e por aí poder viajar
Qual seria pra você um canto alegre pra pousar
Até onde vai seu querer, seu imaginar?

Algum lugar que tenha praia e sol
Ou pode ter chuva fininha, um farol
Gostaria de cachoeira, mata bela e densa
Será que o viver sempre compensa?

O transporte pode ser por ar, água ou chão
O que vale é o que leva no coração
Nas ruas da cidade ou noutro hemisfério
Ir desvendando aos poucos por aqui o mistério

Viajar para qualquer lugar, não como fuga
Em passos de lebre ou de tartaruga
Importante é levar a si mesmo nesse passeio
Satisfazer qualquer desejo ou anseio

Vamos viajar?

Alda M S Santos

Bagagem de volta

BAGAGEM DE VOLTA

Uns querem se destacar, se fazer notar, aparecer
Outros querem passar despercebidos, se esconder
Vários modos de passar por aqui nessa viagem
Qual é o seu, gosta de estar nessas paragens?

Há quem se destaque pelo bem que espalha
Outros pelo mal que a tantos atrapalha
Há quem faça o bem quietinho, em silêncio, calados
E aqueles que focam em si mesmos, atribulados

Há quem se exponha nessa grande vitrine da vida
Há quem fique no estoque, em caixas esquecidas
Há quem esteja ora lá, ora cá, tentando se resguardar
Sabendo que pode ser convocado a participar

Certo é que temos por aqui alguma missão
Aparecendo ou não, precisamos ser evolução
Não dá para perder a viagem, o trem passa ligeiro
Precisamos ter algo na bagagem de volta, companheiro

Alda M S Santos

Viajo

VIAJO

Ah, como é bom viajar
Poder ir para qualquer lugar
No bairro vizinho ou além-mar
Viajar é um meio de se encontrar

Viajo para manter sentidos em alerta
Atiçar a alma que às vezes anda incerta 
Sacudir o pó da rotina estacionante
Fazer brilhar o que já está maçante

Viajo para me encontrar fora de mim
Trazer para dentro o que é bom, afastar o ruim
Lustrar minha vitrine que por vezes fica opaca
Apurar o olhar, me demorar, sair dessa fuzaca

Viajo de malas cheias, pesadas
Volto com elas leves, recheadas
O que é valioso não sobrecarrega
Como luz que se alastra, só agrega

Alda M S Santos

#viagem

Nesse trem…

NESSE TREM…

No trem da vida há gente como a gente
Mas também há gente bem diferente
Há quem veio para uma longa viagem
E há quem desça à primeira triagem

Há quem senta todo o tempo ao nosso lado
Há quem nem esquenta lugar, fica no passado
Há passageiros indo e vindo a cada estação
Há quem se alegre e quem chore na (des)embarcação

O trem da vida é como se fosse um grande coração
Acolhe a todos por amor, amizade ou compaixão
Aberto a quem quiser entrar e ficar
Respeita a todos, entende o desejo de mudar

A viagem desse trem não tem ponto final
Somos todos viajantes por aqui, afinal
O bilhete de viagem já tem a data de desembarcar
Na hora certa saberemos em qual lugar

Alda M S Santos

Vou seguir viagem

VOU SEGUIR VIAGEM

E se já viéssemos para essa viagem
Com o tempo contado de passagem
Dia certo de chegar, hora marcada de voltar
Será que já viemos com roteiro pronto
Lugares a conhecer, passear, onde morar
Pessoas com quem conviver, a quem amar
Com uma lista de coisas a fazer, realizar
Será que ainda falta muito para retornar?
O quanto da minha lista já está com ok
Quanto ainda está em aberto, pendente
Fico imaginando se os desvios de rota fazem parte
Ou se nada é desvio, tudo faz parte do pacote
Foi feito check-in,  será feito check-out
Haverá dívidas a pagar, como negociar?
Olho para trás… tanta coisa lá ficou
Miro lá na frente…até onde poderei ir?
Queria ver meu contrato inicial
Refazer algumas rotas, repetir alguns momentos
Sem contudo prejudicar o que ainda falta pra consumar
Sei que é uma viagem por vezes cansativa
Há dias que simplesmente dá vontade de parar
Deixar o vento levar tal qual ondas no mar
Penso que ele deve saber onde me fazer pousar
Será?
Se eu pudesse ver o que tem pela frente
Ficaria mais animada ou seria deprimente?
Ah…sei lá! Faz de conta que o melhor está por vir…
Vou alegremente seguir…

Alda M S Santos

Viagem

VIAGEM

Entre todas as viagens maravilhosas que já fiz

Na terra, no mar, no ar, pelo universo

A pé, usando rodas, velas ou motores

Longas ou curtas, sozinha ou acompanhada

Na beira de um rio, no alto de um pico

No meio do oceano, no alto, nas nuvens

Mergulhada nas páginas de um livro

Entre os takes de um bom filme

Nos versos de um poema escrito na varanda ao luar

A mais completa de todas foi sem sair do lugar

Nas cenas que busco ou crio na minha imaginação

Interagindo com meu universo interior

Edito, dou replay, apago, refaço

Avanço, passo em câmera lenta…

Mexo e remexo ao meu bel prazer

Ela não tem medos, não tem censura

Não tem limites ou barreiras

Não fere, não machuca, nem mata ninguém

Ela é livre e voa…

A viagem para dentro de nós mesmos

É a melhor que podemos fazer…

Alda M S Santos

Verão

VERÃO

Verão que tudo é luz, é calor

Energia que emana do interior

Do ar, da terra, do alto, do ser…

Verão que não é uma simples estação a viver

É rosa desabrochada, perfume, encanto, diversão

É amor em cores, multicores, alegria, brilho em profusão

É inspiração que instiga a alma, o coração

É o produto do longo hibernar do inverno, é emoção

É leveza, é brisa, é descanso, é preguiça, é união

Verão é viagem além-mar, logo ali

Ou mesmo na imaginação

Verão é só riso, sorriso, é gratidão!

Alda M S Santos

Decolar

DECOLAR

Viagem…

Malas arrumadas, cheias

De utensílios, de acessórios

De sonhos, esperanças

Expectativas de descanso, diversão

As malas levam as necessidades do corpo

O coração leva as necessidades da alma

Vai nua, quer novo figurino

Veste um sorriso no rosto

Um abraço de agasalho

Descalça, deseja sentir melhor onde pisa

Por onde caminha, o destino almejado

Quer se abastecer do novo

Revigorar o que já está meio gasto pela vida

Fortalecer o que estiver frágil

Potencializar o que está apto a crescer

Trazer para dentro de si o infinito

A aeronave decola sabedora de seu destino

Ela decola junto, confiante

Fecha os olhos e sonha…

Alda M S Santos

Medo? Que nada!

MEDO? QUE NADA!

Um pouco ansioso como em toda primeira vez

Afinal, isso é um “trem que voa” invenção de um mineiro

Boa expectativa, um voo curto de uma hora

Medos e receios do meu pai são vencidos

No alto, da janela passa a observar a pequenez do que fica pra trás

Admirado com as várias camadas de nuvens

Com o nublado lá de baixo

E o sol claro e céu limpo cá de cima

Quanto maior a altitude mais claro tudo se torna

Umas pequenas áreas de instabilidade

Sorriso de menino, “parece até que estamos no chão”

Nem o incômodo nos ouvidos ele sente

E papai abre aquele sorrisão satisfeito

Pousamos no aeroporto cujo nome homenageia o criador dessa grande invenção:

Santos Dumont

Voar é maravilhoso!

Alda M S Santos

Apenas um dia normal, mas…

APENAS UM DIA NORMAL, MAS…

O relógio despertou, o sol nasceu brilhante e forte do mesmo jeito

Um banho, a padaria, o café da manhã, trocar-se e se preparar para o trabalho

Um “bom dia” displicente, a correria de sempre

Era apenas um dia normal…

Nenhum aviso de que algo poderia ser diferente, nada

Um tchau apressado, um beijinho rápido

Nem um “eu te amo”, ou “se cuida”

Nem um olhar mais demorado para aqueles que queria bem

Tampouco um abraço apertado e quentinho

Apenas um “não se esqueça de passar no banco”

Afinal, era apenas um dia normal…

Nem uma mensagem ou cuidado especial ao longo do dia, não teve tempo

Apenas queria concluir tudo rapidamente e voltar para casa

O dia chegou ao fim, mas ele não chegou em casa, não na casa terrena

Não pôde mais rever os que amava,

Nada mais de abraços, beijos, cuidados, ou gastar os “eu te amo” economizados

Afinal, não era um dia tão normal assim…

Foi o último dia de vida desse amigo

E de tantas outras pessoas nesse mundo

Soubesse antes teria feito alguma diferença?

Coisas boas, coisas ruins, tragédias ou bênçãos

Todas acontecem em dias aparentemente normais

Como está nosso dia hoje?

Alda M S Santos

Simplesmente, viaja…

SIMPLESMENTE, VIAJA…

Da janela, na janela, para o mundo

Simplesmente, viaja…

Ora em grandes navios no vasto oceano ou em barquinhos de pescadores

Ora em aviões bimotores, supersônicos ou teco-tecos

Simplesmente, viaja…

Ora em foguetes para o espaço sideral ou fugindo no calor do deserto

Ora caminha em florestas densas e fechadas ou deitada na relva sob o luar

Simplesmente, viaja…

Nas páginas de um livro, romance, poemas

Sozinha ou acompanhada, lutando ou desanimada, feliz ou nem tanto

Nas asas da imaginação, da memória

Nos capítulos felizes ou infelizes do passado

Ou nos capítulos sonhados para o futuro

Simplesmente, viaja…

Num mundo criado pelos outros, para os outros, ela se inclui

Sente-se parte, faz parte, mergulha

Vive, revive, imagina-se…

E cria, assim, sua própria viagem…

Simplesmente, vive…

Alda M S Santos

Checkin

CHECKIN

Hora de voltar, fazer o checkin de vida, prosseguir

Conferir dados, documentos, bagagens a despachar

Facilitar acesso a itens importantes na bagagem de mão

Aqueles dos quais podemos precisar a qualquer momento.

Que colocaríamos em nossa bagagem de vida,

Se tudo que pudéssemos ter acesso se limitasse a uma mala de 23 kg,

E nada mais pudesse ser levado?

Deixaríamos muito para trás?

Que temos carregado de supérfluo a pesar em nossas costas?

Que temos carregado que não é nosso de verdade?

O quanto de importante temos deixado pelo caminho?

Temos feito bem nosso checkin de vida?

Alda M S Santos

Malas prontas

MALAS PRONTAS

Não importa para onde vamos

Se é logo ali ou atravessando o oceano

Malas arrumadas é fundamental

O que vai, o que fica,

Quem vai, quem fica?

Malas cheias, coração abarrotado…

Expectativas de diversão e alegria

Se necessário, mudamos o destino final(?),

E que possamos trazer mais que levamos

Uma alma mais leve, em sintonia com as demais

Em paz…

Vamos?

Alda M S Santos

Mochileiros

MOCHILEIROS

Nas viagens dessa vida, alguns vão de primeira classe,

Tantos de econômica, muitos outros de carona, na garupa.

Alguns são hóspedes especiais, em hotéis cinco estrelas,

Outros se instalam em pousadas ou chalés

E há ainda aqueles que usam os abrigos coletivos.

Alguns têm grande bagagem,

Outros apenas o básico e aqueles que quase nada levam.

E, o mais importante, alguns parecem saber exatamente o destino e quando retornar,

Outros viajam a esmo, deixam-se levar

Param onde se agradam, ficam pelo tempo que lhes apetecer

Retornam ou seguem viagem quando lhes convier,

São os mochileiros!

Quem realmente sabe o que quer?

Quem é mais feliz?

Alda M S Santos

Na estação

NA ESTAÇÃO

O trem partiu…

Ela ficou ali, sentada sobre as malas carregadas, como num filme antigo.

Seu bilhete ia só até ali.

Olha o trem se afastando lentamente

Tem medo, não queria ficar, queria seguir 

Domina o impulso de correr atrás.

Esse não volta.

Será o fim da viagem? 

A linha continua, não para ela.

Tantos já desceram, não os vê…

Outros tantos, queridos, seguem naquele trem…

Ficar parada ali não é opção

Estação é passagem, não destino

Olha para as demais linhas,

Há bifurcações, outros destinos,

Encaminha-se lentamente para o guichê.

Escolhe um destino desconhecido e aguarda.

Novos passageiros, nova viagem

Recomeços…

Alda M S Santos

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