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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Sintonia

Santuário

SANTUÁRIO

Se buscas um santuário

Onde possas refugiar-se de todo mal

Não desista, siga em frente!

Ao encontrar, saberá

Aconchegue-se, silencie

Esqueça de toda destruição que reina lá fora

Apague toda lembrança ruim

Você está no seu santuário!

Pode ser naquela cadeira confortável na varanda olhando o horizonte

Na rede estendida no alpendre a te ninar sob lembranças boas

Num balanço dependurado na árvore do quintal a rememorar sapequices

Na grama ou no banco de uma praça a buscar por ela

Aquela memória que sempre te traz sossego e esperança

Santuário é aquele local capaz de nos levar para dentro de nós

Aquele no qual conseguimos nos desconectar de tudo que machuca

Nos ajoelharmos perante nós, sermos gratos pela vida

Nos perdoarmos …

A despeito do que ocorreu ou ocorre lá fora

Santuário é paz!

Alda M S Santos

Dancin’ Days

DANCIN’ DAYS

Uma festa temática retrô beneficente

Desperta desejo de nos divertir e ajudar, combinação perfeita

E envolve muitas emoções diversas

Muito frisson, desejo de entrar numa máquina do tempo

Saudosismo, nostalgia, relembrar o passado, “reviver”

Uma época, um estilo musical, comportamento, romance, discoteca

New wave, hippies, rock’roll

Um passado “vivido”, mesmo longe das discotecas

Dos comportamentos rebeldes e de protesto

Será que o passado sempre parecerá melhor visto de fora?

Décadas de 70/80 eu era criança, mocinha

Cheia de sonhos, coragens, poucos medos e um mundo inteiro pela frente

E condições financeiras reduzidas que minavam qualquer feito

Além de uma família superprotetora também

Será que se eu tivesse vivido tudo isso intensamente

Seria tão bom “reviver”?

Ou justamente por não ter “vivido” que a nostalgia é maior?

Certo é que o coração fica feliz e apertado ao mesmo tempo

Pelo vivido e pelo perdido…

Cantei e dancei muito Cindy Lauper, Michael Jackson, Bee Gees e ABBA na sala de casa

Assisti Dancin Days, quis aquelas roupas coloridas e malucas

Como toda jovem, sonhei com um mundo de paz e amor

Vivi, mas de um jeito simples…

E, quando assustei, 40 anos haviam se passado…

Risco de ficar agarrada lá, deixada pela máquina do tempo…

Entre anos dourados, anos rebeldes, discoteca, música eletrônica, underground, new wave,

Não tem como me perguntar

Como seria uma festa temática dos dias de hoje

Daqui a 50 anos?

Alda M S Santos

Emparelhar

EMPARELHAR

Andar lado a lado, sintonizar

Emparelhar com alguém

Tarefa tão difícil quanto desejada

Encaixar, harmonizar,

Buscar pontos comuns é tão importante

Quanto valorizar o que é diferente

Preto ou branco, grande ou pequeno

Audaz ou receoso, falante ou introvertido

Carinhoso ou contido, animado ou quieto

Aceitar e respeitar o diferente é ser humano

Nas diferenças há também harmonia

Se o coração sintonizar no amor…

Alda M S Santos

Desejos

DESEJOS

Desejo que encontremos a harmonia da vida que há dentro de nós

E que possamos levá-la a todos os lugares, a todas as criaturas

Vida harmônica repleta de amor, de amizade, de paz

A cada flor, a cada bicho, a cada ser humano que cruzar nosso caminho

Que a gente sintonize com todos eles,

Ignorando decepções, descartando tristezas,

Que no balanço da vida saibamos neutralizar ou anestesiar o que machuca, que fere,

Que a dor arrefeça, que o amor prevaleça, que a vida aconteça

Atraindo carinho, refletindo luz

Numa comunhão universal e divina!

Alda M S Santos

Espelhos da alma

ESPELHOS DA ALMA

Não existe nada mais cativante no ser humano que os olhos. Sem querer desfazer de um corpo bonito, um rosto de traços harmônicos, um coração bondoso, uma mente inteligente, uma alma elevada.

E não estou falando de sua anatomia, de sua beleza estética, formatos e cores. Refiro-me à sua capacidade expressiva. Não há olhos que mentem! Há olhos que tentam disfarçar, e isso já é expressivo.

Há olhares curiosos, alegres, que querem tudo perceber, sem se fixar. Deixam-nos à vontade. Há os distraídos, que observam aleatoriamente e se detêm apenas quando convém. São seletivos e nos pegam desprevenidos. Há ainda os atentos, sensíveis, que parecem invadir, tudo captam: pequenos detalhes, diferentes sentimentos, qualquer humor…

Se encontrarmos olhares atentos, fugir deles é impossível. Eles perceberão qualquer emoção que estiver ali. Não saberão a razão, mas reconhecerão a emoção, aquela disfarçada pelo sorriso ou forçada pelas lágrimas.

Notarão a ansiedade, a preocupação, a culpa, a tristeza, o medo, a decepção, a afobação… São olhos com uma camada de nebulosidade. Por vezes, úmidos.

Perceberão a alegria, a euforia, o prazer, a satisfação, a vitória. São olhos com brilho intenso, cores vivas, transparentes.

Captarão em alguns olhares a censura, a inveja, a raiva, a crítica, a cobrança, a avaliação, o julgamento. São olhares com ar de superioridade. Olham por cima.

Sentirão olhares carregados de desejo, admiração, atração, paixão. São olhos quentes, brilhantes, agitados, pidões.

Serão atraídos por olhares de compaixão, amor, carinho, solidariedade… São olhares doces, tranquilos, pacíficos.

Espelhos da alma, ou não, eles refletem o que se passa em nosso interior. Os dos homens costumam ser mais expressivos, talvez por serem mais focais. Os das mulheres costumam ser mais perceptivos, por serem mais periféricos. As crianças os têm claros, transparentes e cristalinos. É natural delas, não escolhem. São maravilhosos e cheios de expectativas. Os idosos já não querem mais esconder nada, seus olhos são quase tão expressivos quanto os das crianças. Por eles, deixam extravasar a emoção dos anos vividos. Sabem que não adianta esconder. Mergulhar nos olhos de um idoso é entender sua história: rica, bonita, carregada de alegrias, tristezas, frustraçōes e culpas. É como ler um livro.

E, entre crianças e idosos, estão os adultos que “aprenderam” a disfarçá-los. E vão vivendo acreditando enganar a todos sobre o que sentem. Até conseguem, muitas vezes, mas não os olhares atentos e sensíveis.

Mas o mais bonito e emocionante da vida é quando olhares perceptivos e expressivos se encontram em uma via dupla. Olhares atentos de ambos os lados se percebem, trocam sentimentos, energias, desejos, amor, carinho, amizade, paz, sonhos, esperança, tudo sem ser necessário trocar uma palavra sequer. Se olham, se entendem, se aproximam, se abraçam. Aqueles que dizemos que “o santo bateu”. Na verdade, os olhares bateram! As almas se encantaram.

Enfim, todos os olhares são lindos, em todos os olhares há uma poesia a ser lida, uma vida a ser descoberta. Olhar nos olhos não é para qualquer um. Olho no olho é para quem tem coragem!

Alda M S Santos

 

Sintonia

SINTONIA
Há quem duvide, não invista, nada perceba, mas a lei da atração, da sintonia é forte e precisa. Mantemos perto de nós aquilo que atraímos, que sintoniza conosco.
Se somos sorriso, somos empatia, somos carinho atrairemos pessoas empáticas, alegres e doces.
Ao sermos tristeza, isolamento, frieza e solidão, pessoas assim
se aproximarão.
Nossos sentimentos vibram e se harmonizam onde encontram parceria e produzem uma bela canção!
Por isso há pessoas tão empáticas e outras tão apáticas!
Até o amor, o mais forte, nobre e poderoso de todos os sentimentos, mesmo insistente e corajoso, que costuma se impor em terrenos inférteis, costuma definhar onde não encontra eco.
Não devemos ser falsos ou artificiais, tampouco ignorar uma dor. Nem sempre seremos sorrisos e alegria, mas podemos nos esforçar para deixar vibrar mais forte em nós o amor.
Ao nos alinharmos com nosso semelhante, nos alinhamos com o amor do Pai.
Ele se manifestará supremo e afastará tudo o mais.
Alda M S Santos

Fora dos trilhos 

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?
Cada dia que passa as pessoas têm procurado mais a vida no campo. Uns querem apenas desfrutar de suas belezas e conforto, por um fim de semana ou férias. Outras, querem voltar às origens, retornar ao passado que ficou lá atrás e, após um tempo, volta com tudo, especialmente após os 40 anos. Há também aquelas que nunca tiveram experiência com a vida rural, e se encantam ao primeiro contato.

Outro dia, numa sala de espera de um consultório médico, dois senhores conversavam sobre isso. Um dizia que o médico tinha recomendado procurar uma vida mais calma para afastar o estresse. O outro sugeriu que comprasse um sítio, ao que ele respondeu que não se acostumaria àquele silêncio todo e à vida dura de trabalhos braçais.

Daí surgiu todo um relato da nova vida que passou a levar após um infarto. Passou a viver num sítio, cujos familiares se opuseram veementemente. Acharam que era mania de velho, visto que nunca tinha demonstrado interesses pela área rural. Acabaram por ceder, visando preservar a saúde do patriarca da família. Compraram um sítio não muito longe da cidade. Todos os dias, esposa e filhos dirigiam 50km para ir para o trabalho.

Reclamaram muito no início, mas se acostumaram. Sentiram falta das regalias da cidade no início: pizzarias, cinemas, celulares, internet, shoppings… Mas acabaram por se encantar pela pureza do ar, as cores dos jardins, o contato com a terra, a horta, as árvores frutíferas, os animais que passaram a criar, o rio.

A família ia e voltava todos os dias. Não acreditava que quisessem ficar lá para sempre. Quanto a ele, não abria mão daquela vida. Gostava de acordar cedo, ver o sol nascer, alimentar seus bichos e cuidar de suas plantas. Quem diria que teria forças para usar a enxada? Gostava das caminhadas nas trilhas de terra, de sentar-se à beira do rio, ouvir os pássaros, cochilar à tarde, ouvir música em seu mp3 velho… Sentia prazer nas mínimas coisas. Num bate-papo com os poucos vizinhos que encontrava quando ia ao pequeno comércio na região, nas leituras prediletas, no violão que gostava de tocar à noite… Voltou a escrever poemas, hábito da juventude, abandonado pelos atropelos da vida.

Só ia à cidade para realizar consultas periódicas com o cardiologista. Logo o médico o chamou. Despediu-se do amigo e foi recebido pelo médico com carinho. “Estou precisando ir para o campo também! Que saúde, vigor e alegria você demonstra”! O outro senhor atendeu ao celular, ficou vermelho e concluiu: “Preciso mesmo dar um novo rumo à minha vida”!

Saí de lá pensando no privilégio que é poder ter as duas opções: o campo e a cidade. Mas o fundamental é desacelerar, adquirir hábitos mais simples, menos consumismo, adquirir paz interior. O campo, com suas dificuldades geográficas e de consumo, pode aumentar os problemas se não mudarmos nosso interior “urbano” e estressado. Mudar nosso interior antes de nos mudarmos para o interior.
Alda M S Santos

 

 

Vida!

Minhas orquídeas:

Pode não haver flores todo o tempo, mas há vida!

Há raízes, folhas, força interna.

Cultivadas no interior,

Cedo ou tarde as flores aparecem,

mais maravilhosas que nunca.

Sabedoria da natureza à disposição de todos.
Alda M S Santos

Entre cães e gatos

Quando queremos dizer que duas pessoas não combinam dizemos que parecem cão e gato. Mas será que isso é mesmo verdadeiro? Digo, os cães e os gatos. 

Já vi muitos cães e gatos que brigam. É fato. Mas também já vi cães que brigam entre si, gatos que brigam entre si. E, o que pode parecer surpreendente para muitos,  cães e gatos que combinam entre si, são afins, “amigos”, brincam juntos, se acariciam, comem e até dormem juntos. 

Quem determinou que cães e gatos não combinam foram os seres humanos. E os animais ignoram isso e convivem bem, contrariando o ditado vigente. Salvo os casos em que uns pertencem à cadeia alimentar do outro. 

Penso que não há norma ou poder que possa afastar dois seres que se propõem a conviver, se amar e se dar bem. Nem religião, política, futebol, raça, sexo, idade, nível social ou qualquer diferença que seja. 

O que vai determinar que dois seres se atraiam, convivam bem, se tolerem ou se amem é a disposição de querer fazê-lo, ignorando preconceitos ou pré-disposições impostos e enraizados. 

Se você é um gato, tenha um novo olhar para aquela cachorrinha. Mesmo ressabiado, chegue devagar, surpreenda , ensine e aprenda. A diversidade tem muito a nos ensinar! 

Alda M S Santos

Bom dia!

Eu amo você!

Eu amo: Uma expressão tão bonita, mas tão indevidamente utilizada que tem se tornado sem sentido, descartável, desvalorizada. Tornou-se corriqueira, trivial. Eu amo dormir, amo viajar, amo pizza, amo ginástica, amo vinho, amo dançar, amo Denzel Washington e amo você! Será que poderíamos colocá-los assim, no mesmo grau de importância? 

Para mim, coisas e situações a gente gosta. Pessoas a gente ama. E não são todas também não. Algumas a gente apenas gosta, aprecia, outras nem isso, são indiferentes ou até desgostamos. 

Nesse caso não sei se Denzel Washington seria pessoa ou coisa! 

Já parou para pensar a quantas pessoas poderíamos verdadeiramente dizer “eu amo você”? Confesso, já disse que amo, quando deveria dizer que gosto, para coisas, tipo amo aquele livro ou filme. Mas nunca disse que amo para uma pessoa sem verdadeiramente amá-la. 

Como saber se realmente amamos alguém? Claro, tem aquelas máximas: quando ela está sempre no nosso pensamento, viver sem ela é um tormento, a distância machuca e a presença torna tudo brilhante, queremos contar tudo pra ela, precisamos que nos conte sobre si, necessitamos fazer parte de sua vida, a urgência de tocar e ser tocado é grande… Esse “amor” mais passional, que quase todos conhecem, pode até nem ser amor, só o tempo é capaz de dizer. 

Às pessoas que eu amo, sempre tenho necessidade de dizer que amo, mesmo que não consiga! Apenas um bate-papo, um encontro, um alô, sempre têm que terminar com um “eu te amo”, “Deus te abençoe”, “se cuida”. Se isso não for feito, fica faltando algo. A elas desejamos o melhor, lutamos por sua vida, caminhamos juntos. São aquelas que nos despertam sorrisos facilmente, sentimos aquele bem-estar só de estar em sua presença. Mas também são as capazes de provocar as dores mais profundas, de nos arrancar lágrimas. Quando o mal as atinge é como se atingisse a nós mesmos. Quando nos magoam, dói, sofremos. E fazemos por elas coisas inimagináveis. 

Esse, de certa forma, é um amor condicionado à reciprocidade. É preciso retorno para se manter. Pode haver entre pessoas próximas ou distantes, mas precisa de alimento. 

Há ainda o amor soberano, o amor incondicional, aquele que não espera nada em troca, nem perfeição, nem reciprocidade. Aquele que Jesus tem por nós. O amor que nos permite dar a vida pelo outro. Literalmente, morrer no lugar do outro, se preciso for, ou não, apenas dando tudo que temos de melhor. 

 Nós, humanos, somos capazes de sentir tal amor? Se o verdadeiro amor fosse apenas esse, a quantas pessoas poderíamos dizer realmente, sem exageros, “amo você”?

Independente disso, somos humanos, falhos, e o amor que somos capazes de sentir não deve ser escondido ou aprisionado. Se sentimos que amamos de verdade, devemos dizê-lo. 

Ah, e Denzel Washington é uma pessoa que gosto!  

A vocês que eu amo, certamente sabem, pois digo sempre: eu amo vocês! 

E você, já disse a alguém hoje “eu amo você”?

Alda M S Santos

Nossa trilha sonora

 Nem sempre podemos escolher a trilha sonora de nossas vidas. Tantas vezes aparece cada ritmo que não nos cabe, ficamos duros, emburrados, insatisfeitos. A vontade é sentar num cantinho afastado e escuro e aguardar a festa acabar, ou simplesmente fugir. Outras queremos desligar a música, trocá-la, apelamos com o DJ. Mas esses são apenas atos rebeldes e paliativos. Não resolvem. Se não escolhemos a música, precisamos aprender a dançar. Quando dançamos a música que não nos agrada ela “toca” mais rápido. Talvez a próxima seja no nosso ritmo preferido. 

A boa notícia é que, apesar de não escolhermos o ritmo, podemos escolher nosso par, nossos parceiros, nossa equipe de dança. 

Poder selecionar quem vamos tirar para dançar cada ritmo, ou quem vai nos acompanhar em todos eles é primordial. Isso faz toda a diferença. Seja qual for o ritmo que se apresente, sintonizemos e dancemos.

Alda M S Santos

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