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olhares

Borboletas e rosas

BORBOLETAS E ROSAS

Cada flor com sua cor, seu encanto, seu néctar

Mel que alimenta, perfume que inebria, beleza que extasia

Borboletas que transitam, pólen que gera vida

Ainda assim, não é atraente a todos

Cada borboleta e beija-flor com suas preferências

Encantos e desencantos

Mas doçura sempre atrai doçura

Quem não está acostumado a doçuras tem dificuldade em ser doce

Em aceitar a doçura dos outros

Ainda que sejam as que mais dela necessitem

Mas tudo pode se transformar

Até mesmo uma borboleta, tão leve e linda

Já foi uma lagarta pavorosa um dia…

Alda M S Santos

Harmonia

HARMONIA

Metade do que vemos encontra-se no ambiente, no outro

A outra metade encontra-se em nós mesmos

Quanto mais pudermos “oferecer” em troca nessa observação

Maior será a interação, a magia do olhar,

Quer seja em falta ou fartura…

As cores de fora pintam nossos espaços em branco

As gotas d’água irrigam cantinhos desidratados

A luz ilumina recantos escuros

A brisa refresca pensamentos, sentimentos

A ventania leva embora o que faz mal

O calor do sol nos abraça carinhosamente

Olhar o outro, o ambiente com a alma

É identificar nele aquilo que nos faz falta

Assim, cada um vê algo diferente

Em nós, no nosso entorno…

A natureza nos leva a sempre buscar essa harmonia

A harmonia da complementação…

E como é lindo!

Alda M S Santos

Espelhos da alma

ESPELHOS DA ALMA

Não existe nada mais cativante no ser humano que os olhos. Sem querer desfazer de um corpo bonito, um rosto de traços harmônicos, um coração bondoso, uma mente inteligente, uma alma elevada.

E não estou falando de sua anatomia, de sua beleza estética, formatos e cores. Refiro-me à sua capacidade expressiva. Não há olhos que mentem! Há olhos que tentam disfarçar, e isso já é expressivo.

Há olhares curiosos, alegres, que querem tudo perceber, sem se fixar. Deixam-nos à vontade. Há os distraídos, que observam aleatoriamente e se detêm apenas quando convém. São seletivos e nos pegam desprevenidos. Há ainda os atentos, sensíveis, que parecem invadir, tudo captam: pequenos detalhes, diferentes sentimentos, qualquer humor…

Se encontrarmos olhares atentos, fugir deles é impossível. Eles perceberão qualquer emoção que estiver ali. Não saberão a razão, mas reconhecerão a emoção, aquela disfarçada pelo sorriso ou forçada pelas lágrimas.

Notarão a ansiedade, a preocupação, a culpa, a tristeza, o medo, a decepção, a afobação… São olhos com uma camada de nebulosidade. Por vezes, úmidos.

Perceberão a alegria, a euforia, o prazer, a satisfação, a vitória. São olhos com brilho intenso, cores vivas, transparentes.

Captarão em alguns olhares a censura, a inveja, a raiva, a crítica, a cobrança, a avaliação, o julgamento. São olhares com ar de superioridade. Olham por cima.

Sentirão olhares carregados de desejo, admiração, atração, paixão. São olhos quentes, brilhantes, agitados, pidões.

Serão atraídos por olhares de compaixão, amor, carinho, solidariedade… São olhares doces, tranquilos, pacíficos.

Espelhos da alma, ou não, eles refletem o que se passa em nosso interior. Os dos homens costumam ser mais expressivos, talvez por serem mais focais. Os das mulheres costumam ser mais perceptivos, por serem mais periféricos. As crianças os têm claros, transparentes e cristalinos. É natural delas, não escolhem. São maravilhosos e cheios de expectativas. Os idosos já não querem mais esconder nada, seus olhos são quase tão expressivos quanto os das crianças. Por eles, deixam extravasar a emoção dos anos vividos. Sabem que não adianta esconder. Mergulhar nos olhos de um idoso é entender sua história: rica, bonita, carregada de alegrias, tristezas, frustraçōes e culpas. É como ler um livro.

E, entre crianças e idosos, estão os adultos que “aprenderam” a disfarçá-los. E vão vivendo acreditando enganar a todos sobre o que sentem. Até conseguem, muitas vezes, mas não os olhares atentos e sensíveis.

Mas o mais bonito e emocionante da vida é quando olhares perceptivos e expressivos se encontram em uma via dupla. Olhares atentos de ambos os lados se percebem, trocam sentimentos, energias, desejos, amor, carinho, amizade, paz, sonhos, esperança, tudo sem ser necessário trocar uma palavra sequer. Se olham, se entendem, se aproximam, se abraçam. Aqueles que dizemos que “o santo bateu”. Na verdade, os olhares bateram! As almas se encantaram.

Enfim, todos os olhares são lindos, em todos os olhares há uma poesia a ser lida, uma vida a ser descoberta. Olhar nos olhos não é para qualquer um. Olho no olho é para quem tem coragem!

Alda M S Santos

 

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