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poemas e reflexões da vida cotidiana

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Histórias

Lendas

LENDAS

Entre tantas lendas, tantas crendices

De bruxas, fadas, ogros, muitas sapequices

Um fato, uma história, um conto

A cada relator aumenta-se um ponto

Transmuta-se o fato que era real

A cada acréscimo vai ficando surreal

E toda a gente que gosta de algo especial

Da lenda é fã incondicional

Há Saci, Curupira, Cuca,

Mula-sem-cabeça, lobisomem,

A Iara que encanta

Atrai com sua beleza e seu canto

E te leva para águas profundas

Há tantas…

Já eu quero ser apenas uma lenda

Aquela que diga e afirme que

Aconteça o que acontecer, sob qualquer oferenda

Sempre serei eu a sua prenda…

Alda M S Santos

Um casarão

UM CASARÃO

A sede de uma fazenda

Um casarão antigo, tão nostálgico

Remete a lembranças reais ou imaginárias

Histórias de outros tempos

Assoalhos de madeiras, fotos antigas nas paredes

Móveis de madeira de lei

Pesadas como certas dores

Cheiro de fumaça, de fumo de rolo

As banquetas em torno do fogão a lenha

As pimentas em conserva, os doces nos tachos

Gordura animal nas latas, cães bravos

Uma fresta no assoalho que se vê lá embaixo

Telhados com forros de sisal

Frutas e verduras numa cesta colhidas na horta

Galinhas e patos pelo quintal

Roupas dependuradas no varal

Uma escada de madeira, uma portinhola

A varanda na frente onde se põe a conversa em dia ao entardecer

O pomar carregado de frutas

Algumas fotos de familiares que já foram para o céu

Ou morar na capital…

Ali o moderno e o antigo se misturam

O celular sobre o móvel antigo

Ao lado de uma vitrola que ainda funciona…

Assim a vida parece lenta e longa

Mas porque a gente sente que tudo passou tão rápido?

Nostalgia…

Um casarão carrega toda uma história

Casarões trazem nossas histórias impregnadas

Vivida por nós ou pelos nossos

Histórias que se misturam

Num casarão….

Alda M S Santos

Joga no chão

JOGA NO CHÃO

Tão velha, caindo aos pedaços

Paredes de adobe, ainda fortes

Telhado gasto, em ruínas, madeiras de sustentação abaladas

Assoalho rangendo, janelas caídas

Uma casa centenária, morada de muitos

Lar de uma família, muitas histórias

Quem vê de fora não nota as marcas que ela deixou nele

“Não compensa reformar, desperdício”

“Joga no chão e faz outra”

Mas ele não quer, afirma que ela está boa

Só refazer aqui, consertar ali…

Como jogar no chão uma história?

Seria o mesmo que jogar por terra o coração que está ali

Como se ao conservar a casa de pé

Estivesse conservando o amor que ali viveu

Respeitando a história que ainda vive dentro dele

Bom seria se não precisasse se preocupar com capital financeiro

Se o capital emocional fosse o bastante para mantê-la de pé

Conservá-la inteira, segura e habitável

Como o amor e o respeito pelos que ali viveram e se foram

E permanece inalterado dentro de si…

Ruínas… será?

Por dentro dele está tudo inteiro

Até que ponto o que está inteiro nele

Depende da sustentação dessa “casa velha”?

Ou o amor à sua história e aos antepassados que ali viveram

Depende exclusivamente de seu coração amoroso?

Alda M S Santos

Construindo história

CONSTRUINDO HISTÓRIA

Tudo tem história, tudo produz história

Algumas admiradas, escritas, lidas por todos

Retratam crescimento, luta, coragem, sobrevivência

Vontade de reviver, sentir os mesmos aromas, ouvir os mesmos sons

Outras que nos envergonham, nos fazem querer pedir perdão

Apagar, deletar da memória, dos registros oficiais ou não

Voltar lá atrás e consertar um momento, uma página, um capítulo

Que poderia ter produzido vidas diferentes a muitas pessoas

Uma humanidade menos desumana

Aí percebemos que a história já construída não permite muito

À história passada só nos cabe isso: aprender com ela

Quer tenha sido boa ou não, deixado saudades ou decepção

Possibilita apenas muito aprendizado para a história que será lida ou admirada amanhã

Aquelas que hoje escrevemos

Que ainda estão em processo de construção dentro da gente

Somos como uma cidade histórica

Carregamos em nós um passado bonito e de lutas

Mas a cidade não para, assim como nós

E não serve apenas para admiração

A história continua…que valha a pena ser lida!

Alda M S Santos

Cacos de histórias

CACOS DE HISTÓRIAS

Tem histórias que são tão bonitas

Tão verdadeiras, tão intensas, tão profundas

Que até seus cacos são arredondados, não ferem

Acariciam…

Tem histórias que são tão tristes

Tão amedrontadoras, tão surreais

Que mesmo inteiras ferem, cortam, machucam, sangram

Agonizam…

Nosso trabalho é descartar os cacos

Ou ir aparando os mais pontiagudos para não sermos feridos de morte

Quando não for possível jogá-los no lixo…

Nossas vidas viram de uma página para outra

De um capítulo para outro

E vamos interagindo entre eles

Bem ou mal

Dando nosso melhor, leais, sinceros, verdadeiros

Até o epílogo…

Alda M S Santos

O fogo de todos os dias

O FOGO DE TODOS OS DIAS

“Tanta coisa nova aí sendo queimada e estão preocupados com velharias…”

Triste fala de um jovem sem educação ou “cultura”

Até que ponto podemos culpar quem pensa assim?

Estamos em chamas há tempos e ninguém se dá conta

Memórias são destruídas, histórias apagadas

Quem se importa?

Crianças são separadas das mães em nações de primeiro mundo

Políticos corruptos roubam a esperança dos cidadãos

Famílias inteiras viram cinzas destruídas, “queimadas” pelo tráfico

Quem se importa?

Religiosos de má índole queimam na chama da luxúria a fé dos fiéis

Intolerância, barbárie e preconceito de toda (des)ordem ceifam vidas

Saúde precária, educação idem, segurança zero

Pobreza, miséria, drogas e desesperança

Como culpar um jovem que não consegue valorizar um passado

Do qual não se sente parte

Se não vê preocupação ou investimento em seu presente

Aquele que ele queima nos baseados e no crack todos os dias

Aquele que ele sente queimar no estômago, na pele, nos medos?

Tudo para ele são chamas!

Quem se importa?

Nosso passado sendo lambido pelo fogo, destruído

Nosso presente sendo queimado, não construído

Nosso futuro, que será dele sem esperanças e estímulo?

Enquanto isso o que se apresenta como solução

É o olho por olho, dente por dente…

Estamos caminhando para um mundo cego e desdentado

A fala desse jovem mostra que nossa cultura está em luto há tempos

Mas quem se importa?

Para entender o passado, sentir-se parte dele, é preciso educação

Só assim é possível viver e lutar por um presente mais justo

E sonhar com um futuro mais humano e igualitário…

Alda M S Santos

Best seller

BEST SELLER

Aquela história bonita que a gente tem escrita

E guardada nas gavetas de nossas estantes interiores

Em letras miúdas, frases curtas, versos simples

Longas orações subordinadas, muitas vezes sem nexo

Onde mocinhas encantadoras e seus pares românticos se encontram

Ou os vilões malvados, (in)felizes para sempre

Se misturam nas páginas coloridas como flores amarelas de nosso coração

Passam para os capítulos ilustrados e perfumados de nossa alma

E ficam presas na edição cinzenta de nossa mente

Ora fria e racional demais, ora confusa, medrosa e inerte

Que, ou nada entende, ou nada consegue traduzir

Para um bom Português

Assim, histórias bonitas estão presas por aí

Humor, suspense, romance, ficção, dramas, biografias

Aguardando um bom escritor e editor

Para torná-las uma obra de arte eternizada

Nos best sellers da biblioteca de alguém…

Alda M S Santos

Atire a primeira pedra!

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA!

Maria Madalena, prestes a ser apedrejada pelos seus erros

Uma multidão hipócrita e furiosa ansiosa para nela descarregar seus próprios pecados “escondidos”

Se Jesus tivesse dito pra ela denunciar todos que com ela pecaram para se “redimir”

Tipo uma delação premiada obtendo um desconto nas próprias falhas

Metade da multidão desistiria da acusação

Até encontrariam adjetivos positivos para a adúltera, que justificassem seus erros

A começar pelos que com ela pecaram, erraram, obtiveram vantagens

O erro dos outros sempre nos desperta para os nossos próprios

A atitude que tomamos a partir daí é que nos diferencia…

Se isso fosse posto em prática hoje, nosso congresso e STF estariam vazios,

Ou cheio de “santos” com as pedras nas mãos?

Tão antiga, tão atual essa história!

Falta apenas ouvirmos Jesus dentro de nós,

“Vá e não peques mais”!

Alda M S Santos

Museu do amanhã

MUSEU DO AMANHÃ

Museus carregam em si objetos de valores inestimáveis,

Aqueles cuja humanidade quer conservar, estudar

Expor, valorizar, eternizar

Museus do amanhã são as pessoas…

Acumulamos em nós para o amanhã tudo que nos é caro

Pessoas, emoções, sentimentos, lembranças

Mas, diferentemente dos museus,

Alguns desses itens não são expostos, ou o são com critério

O que não lhes reduz o valor

Ficam guardadinhos numa sala secreta de acesso especial

Isso nos torna museus vivos, que interagem

Que se valorizam nesse trânsito de sentimentos

De dor, saudade, alegria, amor,

Que ora se mostram, ora se escondem…

Alda M S Santos

Rastros

RASTROS

Se nós não estivéssemos mais aqui

E alguém se dispusesse a escrever nossa história

Seguir nossos rastros, fazer nossa biografia

Como se fôssemos alguém famoso,

Ou que muito fez pela humanidade,

A quem deveria procurar?

Pais, irmãos, namorados, amigos, cônjuge, filhos, companheiros de trabalho…

Extrair deles nosso modo de ser e agir frente aos problemas

Diante do amor, das alegrias, das dificuldades…

Seria uma história real, completa? Verdadeira até que ponto?

Se não pudessem falar diretamente conosco, seria verídica?

Quem sabe tudo ou tanto assim de nós?

Há alguém que nos ame ou conheça tão a fundo?

Sei não!

Mas uma coisa é certa: não precisamos ser famosos

Ou termos feito muito pela humanidade

Nossa biografia, ainda que incompleta, ou mesmo não tão fiel

Estará escrita naqueles que amamos muito

Nos quais confiamos e compartilhamos vida

E também nos que nos amaram, com todos os nossos defeitos

Nossos rastros precisam estar neles,

Em quem dividiu conosco o amor

O resto não é tão importante!

Alda M S Santos

Em letra cursiva

EM LETRA CURSIVA

A vida é tecida em letras cursivas

Sobe, gira, desce, desce mais, faz uma volta

Um laço, um nó, curvas, círculos, segue em frente

Volta, faz um corte aqui, coloca uns pingos acolá

As letras são as mesmas, mas a escolha delas difere

E o modo de traçá-las também.

Infinitas palavras, frases, textos e histórias

Vão sendo compostos com a nossa marca

As nossas digitais, a nossa caligrafia original

Algumas letras são mais caprichadas

Outras até mesmo ilegíveis, até para quem escreve

Uns textos são mais longos, histórias mais complexas

Uns bem simples e fáceis de ler…

O importante é que isso é tarefa intransferível

Nós selecionamos, nós compomos, nós vivemos,

Ainda que o único leitor sejamos nós mesmos…

Alda M S Santos

Simples livros?

SIMPLES LIVROS?

Todo bom leitor tem um jeito particular de ler

Sentado, deitado na cama, na rede, no ônibus.

Rápido, lentamente, grifando, voltando atrás

Dando umas puladas por curiosidade…

Quer interagir, sugerir, interferir, participar.

Dependendo do livro, fica triste com o final

Continua imaginando a história em sua mente

Cria outros finais mais felizes, retira personagens, acrescenta outros.

Quase sempre quer que outros leiam, empresta, doa

Ou sente ciúmes daquela história e quer guardá-la só para si.

Alguns livros ficam esquecidos num canto empoeirado da estante

Sob as almofadas do sofá, numa gaveta qualquer,

Ou, mais queridos, ficam na cabeceira da cama, na bolsa

Alguns, cuja história é especial, ficam guardadas na mente,

Na alma, no coração, para sempre.

Não precisam da versão impressa, estão impressos em nós.

Cada pessoa de nossa vida é como um livro que lemos.

Há histórias grifadas, mexidas e remexidas,

As complexas e densas, que não se deixam ler facilmente

As fáceis e agradáveis de ler e interagir, as engraçadas, as tristes.

Nossa mente e nossos corações são nossas estantes

Alguns desses livros não queremos mais ler, outros estão guardados com carinho,

Há aqueles que são revisitados no fundo das gavetas,

Outros se confundem com nossa própria história, se mesclam, se fundem.

E, os mais interessantes, ainda estão sendo escritos

Ainda que a gente não se dê conta, a história continua

E é uma obra aberta com participações especiais.

E quem disse que não gosta de ler?

Alda M S Santos

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