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Depressão

Depressão: dor da alma

DEPRESSÃO: DOR DA ALMA

Apontada como mal do século está aí a depressão
Tomando mentes, corpo, alma, coração
Parece um vírus contaminando a tanta gente
Fica lá dentro corroendo a energia dolorosamente

Uma dor profunda sem origem ou explicação
Um inexistir sem qualquer motivo ou razão
Viver parece tão difícil, um fardo pesado
Acordar, seguir, amar, sem ser o próprio aliado

As cores parecem sempre tão desbotadas
Os sorrisos frios, felicidade quase apagada
Não falta Deus ou tarefas, alma desmotivada

Como se a vida estivesse em estado de espera
Outonando, aguardando uma nova primavera
Acolha, a vida é moça que gosta de paquera

Alda M S Santos

A ausência de nós

A AUSÊNCIA DE NÓS

Depressão é não sentir presente

O aliado que nunca poderia faltar: nós mesmos

Aquele sem o qual todos os outros perdem o valor

A ausência de nós mesmos nos impede de identificar outras presenças

Muitas vezes, e inclusive, a presença da vida

Depressão nos rouba de nós mesmos

Nos faz nos desconhecer

É o roubo mais cruel que pode haver

É retirar o fluido vital, a alegria, a satisfação, o prazer

De um corpo que insiste em ficar de pé sem combustível

Mas age robótica e mecanicamente

Curar um depressivo é encontrar e devolver a ele

Esse fluido essencial que não se sabe onde está ou para onde foi

Perdido dentro de si mesmo…

Alda M S Santos

#setembroamarelo

#prevencaoaosuicidio

#disque188

Trem de doido

QUE TREM DE DOIDO!
“Trem de doido” é algo impressionante, surpreendente, fora do comum
Isso no bom sentido que tomou…
Uma expressão de mineiro,
surgida em Barbacena
Trens de doidos eram chamados os vagões que despejavam centenas de “loucos”,
Ou aqueles que fugiam aos padrões sociais, nos pavilhões do manicômio de Barbacena.
Trem de doido era o transporte que levava aqueles que fugiam ao “normal”,
Assustador, desumano, cruel.
Trem de doido é a capacidade do ser humano de excluir uns aos outros
Trem de doido é o modo como tratavam esses seres segregados
Trem de doido é a ausência de indivíduo, de ser humano, apenas um bloco de pessoas
Eu disse pessoas?
Trem de doido é carregar o peso de terapias de eletrochoque e lobotomia
Trem de doido é a sensação de aperto que fica no peito
Por não poder reverter o curso dessa história (des)humana
Trem de doido é querer voltar no tempo e limpar tanta sujeira
Trem de doido é imaginar Aparícios, Josés, Marias e Marianas
Da nossa família, ou não, chegando nos trens ou nos lombos de cavalos
Apenas um nome num livro gigante e amarelado, data de internação e falecimento
Informações nem sempre confiáveis
Trem de doido é tentar impedir as lágrimas que rolam sem cessar
Trem de doido é ver o quanto estão presos dentro de si, como parte daquele lugar
Trem de doido é sentir que bastaria ser diferente
Para ser ali jogado, esquecido e realmente ensandecer.
Trem de doido é saber quantos “perdidos” dentro de si
Apenas por serem diferentes
Ainda hoje são considerados insanos!
Que trem de doido!
Alda M S Santos

Insanas produções

INSANAS PRODUÇÕES

Sofrer é um modo louco, insano de viver

Foge ao controle de qualquer ser humano

Cada qual lida como consegue, como suporta

Compulsivamente, muitas vezes, amargamente, noutras

Fechando-se em si mesmos, usando alucinógenos variados

Exigindo muito de si, fisicamente, em atividades esportivas

Hibernando, mergulhando no mais escuro e profundo do ser

Criando, desenhando, pintando, compondo

Plantando ideias de amor, de fé, de compaixão

Sofrimento insano gerando obras de artes

Plásticas, da literatura, da música…

O quanto de lindo deixado para a posteridade não é fruto de sofrimento produtivo

Como ostra produzindo lindas pérolas

Como lagartas em casulo transformando-se em borboletas leves e coloridas?

Não temos como fugir ao sofrimento

Inclusive ao sofrimento de quem amamos, que dói muito também em nós

Mas podemos usá-lo como combustível, inspiração, força

Escolher o que queremos fazer com ele:

Insanas e lindas produções artísticas

Ou loucas produções bélicas, destruições próprias e alheias…

Na verdade, fingir que o sofrimento não existe

É que é o modo mais insano, doloroso e improdutivo de sofrer…

Alda M S Santos

O fim do mundo

O FIM DO MUNDO

“Esse fim do mundo me decepciona”

Ouvi certa vez e pus-me a refletir

O que seria a decepção maior nesse caso:

O modo cruel, traiçoeiro e torturante como o fim se aproxima?

A angústia pela demora ou ausência real de um fim tão proclamado e profetizado?

A tristeza tão profunda de alguém por permanecer aqui enquanto aguarda ansiosa por esse fim que “nunca chega”?

A tortura da espera por algo tão doloroso que não se cumpre

Só pode ser assim tão decepcionante

Se o agora estiver mais temerário que o fim apocalíptico!

Triste viver!

Alda M S Santos

Expressões

EXPRESSÕES

Há tantas formas de expressão: físicas, mentais, emocionais

E tão pouco entendimento entre as pessoas

Não entendemos o outro e menos ainda nos fazemos entender

Acostumados a selecionar o que mostramos

A esconder emoções que causariam algum malefício

Ou que passariam recibo de fragilidade ou seriam “vergonhosas”

Vamos nos sufocando com nossas emoções…

Um olhar úmido, palavras engasgadas, peito apertado, angústias e medos

Mas o sorriso precisa prevalecer, pedir ajuda é ser fraco

Reclamar é só para ouvir histórias de situações piores, lições de moral

Num mundo em que o certo é se dar bem,

Sacudir a poeira, mesmo que ela cegue a nós mesmos e aos outros

Ser autossuficiente e não depender de ninguém

Fazer a “fila andar” e não perder tempo com “mimimi”

Não dá pra ser zebra frágil num mundo de leões ferozes

Assim, as doenças vão tomando conta e estão aí: pânico,depressão, dependências químicas, transtornos diversos…

Queremos poder chorar, gritar, sorrir, reclamar, ser humanos

Até mesmo silenciar se for nossa vontade

Estar sozinhos por opção e não por falta de um irmão, de um coração

Precisamos nos expressar e nos fazer entender

Antes que não haja mais opção!

Alda M S Santos

Socorro

SOCORRO

“Socorro! Help-me!”

Quantos pedidos de socorro ouvimos, atendemos

Quantos ignoramos, não entendemos?

Nem sempre tão traduzidos assim em palavras

Uns muito óbvios, gritados, implorados, verbalizados claramente,

Telefonemas, mensagens, bilhetes, lágrimas

Outros calados nos lábios, gritados nos olhos, nas ausências, no silêncio, nos vícios

Nas mudanças de comportamento, na depressão…

E notamos apenas em retrospectiva, quando algo grave ocorre

Como uma tempestade que dá muitos sinais antes do aguaceiro desabar e inundar tudo

Nuvens negras, raios, trovões, vendavais

E corremos a procurar abrigo…

Sabemos dos estragos de outros tsunamis!

Tempestades internas se formam perto de nós

Dentro daqueles que amamos, dentro de nós

E não somos tão astutos para fechar as janelas, recolher as roupas, desviar, fugir, nos preparar

Muitas vezes, sem perceber, nos expomos, deixamos que se exponham a elas

Não nos atentamos para os pedidos de socorro, os alertas do tempo…

A meteorologia pode ser uma boa aliada se quisermos salvar vidas!

Alda M S Santos

Foto: Everaldo Alvarenga

E ele esperava

E ELE ESPERAVA

Debaixo daquele dilúvio ele esperava

Olhos distantes, completamente encharcado por fora

Sozinho numa mesa de bar na calçada

Por dentro tudo parecia opaco, seco, sem vida

Um guarda-chuva ao lado esquecido

Que importava? Ele também estava esquecido por todos

Girava nas mãos o copo de pinga

Mexia-se apenas para pedir para enchê-lo novamente

Queria molhar-se tanto por dentro quanto por fora

E esperava…

Não se sabe pelo quê ou por quem

Se interpelado, sorria triste, com olhos vermelhos

“O mundo ainda acaba em água”…

Dias, semanas, meses e anos foram sedimentando a tristeza ali

Estava preso naquele calabouço “seguro”

Cuja fechadura só abria por dentro

Mas a chave tinha que vir de fora, da fé que não tinha mais em ninguém

Da fé em si mesmo afogada em mágoas

E mantinha sua vida parada no sinal vermelho daquela esquina…

E ele esperava…

Alda M S Santos

Janeiro Branco: Saúde Mental

JANEIRO BRANCO: SAÚDE MENTAL
Qual nosso primeiro pensamento numa foto dessas
No alto das pedras, o mar revolto lá embaixo,
Céu de intenso azul, brisa gostosa nos cabelos,
Água morninha a acariciar a pele,
Alguns banhistas, um sol brilhante e quente?
Ou sequer notamos esses detalhes?
Como nos imaginamos ali?
A saúde de nossa mente permite vários modos de ver e sentir essa imagem
O quanto ela é capaz de nos tocar, animar, alegrar, enternecer, entristecer…
Aquela pessoa sorridente perto de nós pode estar precisando de ajuda!
Pode estar sofrendo calada!
Depressão, ansiedade excessiva, fobias não são para se brincar!
Estenda a mão! Seja a ponte!
E nós mesmos? Como estamos?
Alda M S Santos

Acertando as contas

ACERTANDO AS CONTAS

Ela chegou ali de um modo nada louvável: à força

Abdicando da própria vida

Logo foi questionando para uma imagem amigável: por que me abandonou?

Levada para uma biblioteca gigante de luz

Lindos e variados livros, de todos os tamanhos e espessuras

Alinhados nas prateleiras, pareciam ter vida

Nas lombadas, os nomes de todas as pessoas, biografias

Autorizada, escolheu alguns nomes conhecidos e folheou

Uns eram finos, outros com interrupções, espaços em branco

Vários com mais de um volume

Histórias de vidas acompanhadas em tempo real

Buscou pelo que continha seu nome, não encontrou

“Você escolheu não estar aqui”!

Em salas contíguas, outros livros, outras vidas

Uma delas de pessoas que já tinham partido

Na outra, pessoas em estágio “terminal”, tratamento intensivo

Encontrou seu nome, pegou sua história

Ali, todos os momentos de sua vida e todos que dela participaram

Os momentos difíceis em que pessoas anjos preciosas apareceram

-“Eu não te abandonei, veja!”-o olhar era de puro amor

-“Mas muitos foram embora”-ela disse, chorando.

-“Ficaram pelo tempo necessário, enquanto podiam te fazer bem”!

Olhou mais alguns livros de “histórias amadas”

Notou que seu livro ainda possuía páginas em branco

Uma página arrancada, ela observou que estava escrito “fim”.

-“Volte! Sua história não acabou. Você ainda é necessária na história de muita gente”!

Ao lado do seu, todos os livros nos quais era personagem

Histórias de amor entrelaçadas…

Recebeu um abraço de amor intenso,

Forças renovadas, voltou…

Iria preencher aquelas páginas em branco…

Alda M S Santos

Angústia

ANGÚSTIA

Peito apertado, vontade de ficar apenas deitado

Ou sair de cena, desligar por uns tempos, hibernar

Sensação de angústia, vontade de chorar…

Quantas vezes nos sentimos assim

Sem sequer saber exatamente quais os reais motivos, as razões?

Os modos de lidar conhecidos não funcionam

Ler, escrever, assistir filme, dormir, ouvir música…

Quando conversar com alguém, rezar, ajudar os outros, pouco auxiliam.

Tudo parece fora de lugar, desconectado!

Lá fora parece tão grande, mas não nos cabe

Cá dentro está apertado e nos machuca…

Queremos apenas um cantinho na nossa medida

Que tenha chuva e tenha sol,

Que tenha lágrimas, mas também tenha sorrisos

Que tenha Deus, prazer de viver

Que tenha quem nos ame,

Que tenha quem amamos

Que a gente se encontre de novo nessa nau…

Alda M S Santos

À beira do abismo

À BEIRA DO ABISMO

Todos podem, por vezes, sentirem-se à beira do abismo

Andando na corda bamba

Sob o fio da navalha

Pisando em ovos…

Qualquer pisada em falso

Um momento de distração

Uma brisa mais forte

E tudo vai para o brejo

Cai-se para o fundo do abismo,

A corda se parte, a navalha corta

Os ovos se quebram…

Nem sempre é adrenalina, quase nunca é divertido

Desgaste que vai cansando,

Levando ao recolhimento, à introspecção,

E tantos caem no escuro da depressão!

Quantos pertinho de nós podem estar assim?

Saberíamos se fôssemos nós a ficar assim?

Alda M S Santos

Quase morrer

QUASE MORRER

Não se expor, não falar, não demonstrar, não pedir ajuda,

Não se expressar, se fechar, se calar, se esconder, ser forte…

Ficar cada um na sua! Bem pequenino, quase invisível!

Recolher-se para dentro de si mesmo!

Essa é a ordem! Que nos impõem, que nos impomos.

Até quando?

Até esquecermos como é ser autêntico.

Ou até esse mundo insano entender que vida não se oprime,

Que vida oprimida é quase morrer, ou matar!

Quantas mortes são necessárias para se valorizar uma vida?

Alda M S Santos

É de adoecer!

É DE ADOECER!

O que é capaz de nos adoecer?

Um vírus que nos manda pra cama,

Uma bactéria mais resistente que a gente,

Um fungo insistente e causador de males e alergias?

Sim! Tudo isso!

Doenças curáveis com drogas alopáticas ou homeopáticas.

Mas e quando o mal dói,

Corrói, invade, aperta,

Você sabe que ele existe,

Porém, não sabe onde ele nasce,

Tampouco como se alastra do corpo para a alma,

Ou da alma para o corpo?

E o principal: não encontra a medicação adequada,

Ou um modo de curá-lo?

Até onde a Ciência é capaz de ajudar?

Quando a ajuda está no fundo de nós mesmos?

Alda M S Santos

Decepções

DECEPÇÕES

Decepções são como nuvens escuras, carregadas

Passam, deixam uma tempestade de lágrimas

Vão embora, o Sol volta a brilhar

Mas nunca mais sobre as mesmas criaturas!

A tempestade lava a inocência

O Sol vem para secar as má(aguas)

E manter a vida em curso…

Alda M S Santos

Abandonados

ABANDONADOS

Sensação ruim entrar num lugar onde tudo está coberto,

Fechado, seco, inerte.

Até as cores parecem ter se acinzentado.

Como nos filmes de catástrofes da natureza, cenas apocalípticas.

Impressão que nada restou, sequer oxigênio.

Cheira a tristeza, a cinzas.

Se o lugar for conhecido, íntimo, pior se torna.

Lembranças de momentos de vida, de barulho, agitação, alegria.

Certa vez um amigo definiu assim a depressão,

E eu disse a ele:

Qualquer cor combina com cinza,

Vá colocando uma cor de cada vez, sem pressa, e tudo voltará a se colorir novamente.

Um sorriso, por exemplo, é azul como o céu,

Sorri pra ele. E ele sorriu…

Tudo pode melhorar, basta acreditar, investir e aceitar ajuda.

Alda M S Santos

Dores

DORES

Uma sombra escura, uma luz que não clareia,

Um sorriso que não ilumina, uma palavra que nada diz,

Uma fome insaciável, uma sede não identificada,

Um silêncio inoportuno, uma distância forçada,

Uma mágoa contida, um olhar apagado,

Um amor não correspondido, um desejo represado,

Um sonho tão sonhado, não realizado,

Um tempo tão longo, tão improdutivo,

Uma realidade dura, crua, não digerível,

Uma esperança que morre, por fim.

Ausências, ausências, ausências…

Uma energia que se esvai e se esgota,

De onde tudo deveria brotar…

Alda M S Santos

Luz que não se apaga

LUZ QUE NÃO SE APAGA

Todos temos uma luz

Fundamental, ela é:

Energia que nos move

Calor que nos aquece

Carinho que nos acalma

Amor que nos alimenta

Essa luz nos mantém vivos

Ela é o fio que nos conduz

Se está lá, nada conseguirá apagá-la. 

Mesmo que pareça longe

Abastecida por duas fontes,

Uma parte dela vem de dentro de nós

A outra é acionada por terceiros.

Devemos manter em equilíbrio essas fontes

Quando uma enfraquece

Fortalecemos a outra. 

Depender da luz de “fora” 

Pode parecer difícil

Mas, tantas vezes, é ela que nos salva,

Quando a luz interior mingua, perde o foco.

Se ambas quiserem se apagar, busquemos a maior de todas

Aquela que nunca falha

Que devemos manter sempre conosco

A luz que vem do alto. 

A luz que vem de Jesus! 

Alda M S Santos

Atropelados pela vida

ATROPELADOS PELA VIDA
Tantas vezes somos atropelados pela vida. Caídos, outros “veículos” ainda passam por cima, caçoam, “filmam”, chutam cachorro morto. Quando tudo que queremos é um jornal para nos cobrir!
É, a vida pode ser cruel, às vezes. Imunidade baixa, todos os nossos monstros internos ganham força. Por isso parece que tudo vem ao mesmo tempo: desemprego, desilusão amorosa, brigas familiares, saúde frágil, caixa em baixa, amigos ausentes…
Pensamos em desistir… Entregar os pontos, jogar a toalha, aceitar o game over.
Tudo torna-se seco, cinza, sem vida! Fechamo-nos para o mundo.
Aí aparecem as almas caridosas com os velhos conselhos: vai passar, sacode a poeira, levante-se, chorar não vai adiantar…
E nossa vontade é gritar: pare, deixe-me com minha dor! Eu quero chorar, quero me entregar, quero ficar afundado nesse sofá por quanto tempo me aprouver!
Esse momento de “luto” é importante. Nele processamos o que perdemos, o que restou, o que devemos buscar. Fazemos nosso balanço interno antes de reabrir as portas para o público.
E nossa força, aos poucos, ressurge. E vai crescendo.
De onde vem essa força? O que a aciona? Quem dispara esse gatilho?
Cada um é cada um, mas vamos aprendendo técnicas para lidar com o sofrimento. Cada qual busca a sua: família, leituras, passeios, atividade física, chocolate, músicas, orações…
Duas ajudas são fundamentais e universais.
Primeiro: os amigos, aqueles mesmos, os dos velhos conselhos. Não sejamos tão duros com eles, não fazem por mal, do seu jeito, querem apenas ajudar.
Segundo: Deus. Ele é um só e olha por todos, independente do tamanho do nosso problema. Se nos incomoda, se pedirmos, Ele nos ajuda e nos atende.
Quando estivermos derrubados no meio da estrada, mesmo que seja difícil, tentemos lembrar disso. Pode diminuir o período de luto e irrigar a força. Ela brotará mais rapidamente.
Alda M S Santos

Quero ficar aqui!

QUERO FICAR AQUI! 

Ah, quero ficar aqui. 

Coração angustiado, cabeça pesada, corpo dolorido, vontade de hibernar como um urso. Tempo indeterminado.

É preciso que o desejo de nos “levantarmos” apareça primeiro no coração, na mente, para que o corpo obedeça.

Vontade de ficar aqui! 

Por quê? Sei lá! 

Ignoro o -“Vamos, um lindo dia te aguarda lá fora!”- que ouço de uma vozinha interior. 

Quero o direito de me entristecer, de chorar, de me lamentar, de gritar, de ter dúvidas, de ser preguiçosa, se for o caso. 

Quem disse que precisamos ser fortes todo o tempo? 

Quero virar para o canto, enfiar-me embaixo do edredom, voltar-me para mim mesma. 

Tantas vezes precisamos dessa limpeza! Que seja à base de orações, reflexões, lágrimas ou cama! 

Que o trabalho espere! Que o mundo espere! 

Eu sem mim mesma não sou nada para ninguém! 

Até breve! 

Alda M S Santos 

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?

MUDANDO O/OU PARA O INTERIOR?
Cada dia que passa as pessoas têm procurado mais a vida no campo. Uns querem apenas desfrutar de suas belezas e conforto, por um fim de semana ou férias. Outras, querem voltar às origens, retornar ao passado que ficou lá atrás e, após um tempo, volta com tudo, especialmente após os 40 anos. Há também aquelas que nunca tiveram experiência com a vida rural, e se encantam ao primeiro contato.

Outro dia, numa sala de espera de um consultório médico, dois senhores conversavam sobre isso. Um dizia que o médico tinha recomendado procurar uma vida mais calma para afastar o estresse. O outro sugeriu que comprasse um sítio, ao que ele respondeu que não se acostumaria àquele silêncio todo e à vida dura de trabalhos braçais.

Daí surgiu todo um relato da nova vida que passou a levar após um infarto. Passou a viver num sítio, cujos familiares se opuseram veementemente. Acharam que era mania de velho, visto que nunca tinha demonstrado interesses pela área rural. Acabaram por ceder, visando preservar a saúde do patriarca da família. Compraram um sítio não muito longe da cidade. Todos os dias, esposa e filhos dirigiam 50km para ir para o trabalho.

Reclamaram muito no início, mas se acostumaram. Sentiram falta das regalias da cidade no início: pizzarias, cinemas, celulares, internet, shoppings… Mas acabaram por se encantar pela pureza do ar, as cores dos jardins, o contato com a terra, a horta, as árvores frutíferas, os animais que passaram a criar, o rio.

A família ia e voltava todos os dias. Não acreditava que quisessem ficar lá para sempre. Quanto a ele, não abria mão daquela vida. Gostava de acordar cedo, ver o sol nascer, alimentar seus bichos e cuidar de suas plantas. Quem diria que teria forças para usar a enxada? Gostava das caminhadas nas trilhas de terra, de sentar-se à beira do rio, ouvir os pássaros, cochilar à tarde, ouvir música em seu mp3 velho… Sentia prazer nas mínimas coisas. Num bate-papo com os poucos vizinhos que encontrava quando ia ao pequeno comércio na região, nas leituras prediletas, no violão que gostava de tocar à noite… Voltou a escrever poemas, hábito da juventude, abandonado pelos atropelos da vida.

Só ia à cidade para realizar consultas periódicas com o cardiologista. Logo o médico o chamou. Despediu-se do amigo e foi recebido pelo médico com carinho. “Estou precisando ir para o campo também! Que saúde, vigor e alegria você demonstra”! O outro senhor atendeu ao celular, ficou vermelho e concluiu: “Preciso mesmo dar um novo rumo à minha vida”!

Saí de lá pensando no privilégio que é poder ter as duas opções: o campo e a cidade. Mas o fundamental é desacelerar, adquirir hábitos mais simples, menos consumismo, adquirir paz interior. O campo, com suas dificuldades geográficas e de consumo, pode aumentar os problemas se não mudarmos nosso interior “urbano” e estressado. Mudar nosso interior antes de nos mudarmos para o interior.
Alda M S Santos

 

 

Valorizando a vida

Setembro Amarelo: quantos indivíduos sabem o que isso quer dizer?

Temos visto divulgados na mídia casos de suicídio que nos alarmam e impressionam. Pais de família que matam esposa e filhos e se matam em seguida, jovens que têm “tudo” e, do nada, tiram a própria vida. Tantas vezes, para nós “normais”, por motivos banais. Os dados são alarmantes. Apenas no Brasil são 32 suicídios por dia, segundo dados do CVV(Centro de Valorização da Vida). Mais que mortes por câncer ou Aids.  

A morte por suicídio tem sido estigmatizada, como foram as mortes por sífilis e Aids. Evita-se falar do assunto. Considera-se fraqueza moral, não doença.

O Setembro Amarelo vem como uma campanha de alerta para salvar as pessoas dessa morte anunciada. 

Ninguém se mata de uma hora para a outra. Essa ideia vem germinando na mente dos indivíduos, crescendo, sendo alimentada, amadurecendo por uns tempos. Podemos ter ao nosso lado, todos os dias, uma bomba relógio, prestes a explodir, e sequer percebermos. 

Num mundo em que parece que temos tudo à mão, acesso às informações, educação, lazer, saúde, recursos materiais, físicos, tecnológicos e terapêuticos, nos falta o principal: o recurso humano. 

Com tantas facilidades conquistadas seria de se esperar que a vida fosse mais valorizada. Mas o tiro tem saído pela culatra. Conquistar e manter certos bens e direitos tem criado dois grandes problemas. Primeiro, é um terreno propício para germinar muitas doenças mentais que levam ao suicídio, como depressão, bipolaridade e dependências químicas. Segundo, cria seres alienados, com viseiras, que olham só para frente e não veem o olhar do ser humano ao seu lado que grita por socorro. Quando vê, ignora, não quer se envolver, não tem tempo, paciência ou habilidade, ou ainda reclama: ” fulano só anda emburrado e de mau humor”. São exatamente esses que ficam mais abismados com tantos casos de suicídio. 

O Setembro Amarelo vem pra cutucar mesmo, provocar, induzir os doentes a buscar ajuda e os saudáveis a oferecê-la. Sem pretensão de querer prever o futuro, uma hora podemos ajudar, noutra podemos precisar de ajuda. Precisamos aprender a identificá-los e ajudá-los. 

Vamos preservar a vida: a nossa, a dos outros. 

Alda M S Santos

Vontade de sumir

Quem nunca teve essa vontade, em alguma fase da vida, que atire a primeira acusação. 

Não importa a causa, a razão ou a ausência de motivação… Nem se para o outro não é motivo bastante. O que devemos considerar é que quando temos esse pensamento estamos sofrendo. Estamos lidando com algo que, ao menos no momento, julgamos que seja superior às nossas forças. Várias podem ser as causas: um prejuízo financeiro, perda de emprego, de um amor, de uma amizade, uma doença… 

Somos únicos e lidamos de modo único com nossos problemas. Pode ser que tenhamos acumulado coisas demais e a gota d’água tenha sido uma briga com o companheiro. Desse modo, pode parecer que o desejo de sumir seja sem propósito e repentino, mas só quem o vive sabe o peso que tem.

Há, obviamente, os casos graves de depressão, em que esse desejo de fugir surge com mais frequência. Esses casos, além da ajuda de familiares e amigos, torna-se necessário também o tratamento terapêutico e espiritual. 

Mas quando ocorre entre os dito “normais”, apenas alguns cuidados devem ser tomados. 

Precisamos respeitar esse grito de nossa alma. A vontade de sumir é um pedido de socorro, um grito de pare, me dê um tempo. Muitas vezes, tudo que precisamos é fugir para dentro de nós mesmos. Pode haver coisas demais em conflito lá dentro, precisando sair, se organizar… Fazermos uma faxina emocional. Descartar coisas, guardar outras com carinho, tirar algumas de evidência. Talvez precisemos de ajuda externa, mas muitas vezes precisamos só de nós mesmos. Chorar, gritar, ouvir música bem alto, orar, isolar-se, dirigir sem rumo, até mesmo viajar por uns tempos. Respeitar nosso tempo. Até nos encontrarmos conosco mesmos. A vontade de sumir é a vontade de nos reencontrarmos. No fundo, sabemos que nosso lugar é onde estão aqueles que amamos e que nos amam. 

Muitas vezes, ao ouvir isso de alguém, nossa tendência é “segurar” os que desejam ir. Não adianta. Eles precisam de tempo para se encontrar. Devemos apenas estar por perto para ampará-los, abraçá-los, amá-los, quando voltarem.

Certo é que onde quer que a gente vá, levaremos conosco nossa mente, nosso coração, nossa alma…e tudo e todos que lá estiverem. Que a gente vá, se encontre e volte ainda mais forte! 

Alda M S Santos

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