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poemas e reflexões da vida cotidiana

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balanço da vida

Se um dia eu me perder

SE UM DIA EU ME PERDER
Se um dia eu me perder
Procure-me onde haja muito verde, muita mata, ar puro,
Se um dia eu me perder
Procure-me onde as águas sejam límpidas a refletir o céu,
Se um dia eu me perder
Procure-me num roseiral, em meio às borboletas azuis,
Se um dia eu me perder
Procure-me na alegria inocente de um grupo de crianças,
Se um dia eu me perder
Procure-me nos grãos de areia da praia ao pôr do sol,
Se um dia eu me perder,
E ainda assim não me encontrar,
Não busque em mim, olhe dentro de você,
Se me procuras, é porque me amou,
Se me amou de verdade, eu também te amei,
Certamente uma parte bonita de mim estará gravada em você,
Uma parte grande de você estará presa em mim,
E poderá levar-me a me encontrar…em você, em mim,
Comigo, com você!
Se um dia eu me perder de mim…
Alda M S Santos

Ora sóbrio, ora ébrio

ORA SÓBRIO, ORA ÉBRIO

Sigo, paro, espero, subo nesse trem
Sinto, penso, avalio, será que convém?
Sombras, fumaça que sobe para o céu
Tanto por aqui, verdadeiro escarcéu

Tic-tac do relógio do tempo
Indiferente a qualquer contratempo
Segue ora parceiro, ora algoz
Tão difícil desfazer certos nós

Penso dormir, não acordar, desistir
Como a fumaça… para o céu subir
E o trem segue… piuíííí…piuiííí
Ainda há o que fazer por aqui?

Gente que chega, gente que vai
Envelhecendo a cada dor, a cada ai
Na balança da vida há desequilíbrio
Ora estou sóbrio, ora estou ébrio

E o trem indiferente avança na linha
Para onde vai, quem caminha?
Melhor curtir a viagem sem esmorecer
Ninguém sabe quando irá descer…

Alda M S Santos

Assim somos feitos

ASSIM SOMOS FEITOS

Do barulho das gargalhadas de alegria
Do colo quentinho que doamos, pura magia
Da luz de cada olhar que o bem irradia
Do mel de um beijo de bom dia

Assim somos feitos…

De uma oração no tapete ajoelhados
Dos gritos de medo na garganta sufocados
Dos abraços na ponta dos pés, apertados
Do adormecer no travesseiro de lágrimas molhado

Assim somos feitos…

Do passado que ficou na saudade
Do hoje que se impõe sem piedade
Do amanhã que aguardamos com ansiedade
Do viver sempre em busca da felicidade

Assim somos feitos…

Alda M S Santos

Quando olho para dentro

QUANDO OLHO PARA DENTRO

Quando olho para dentro a visão se amplia
Entendo o que se passa lá e cá, boa sinergia
O que sinto, o porquê, as faltas e os excessos
Fica mais fácil avaliar todo o processo

Quando olho para o interior, me encontro
Pergunto, respondo, silencio, confronto
Pode doer, fazer sofrer, fazer chorar
O caminho se descortina para poder continuar

Quando olho para aquele cantinho especial
Descubro o que me faz bem ou faz mal
Melhor, entendo o que não é primordial
Posso dispensar sem medo de vendaval

Quando mergulho em mim, saio da superfície
Busco pureza, claridade, afasto toda imundície
Vem a certeza que tudo que se quer resolver
Começa de dentro para fora, novo florescer

Alda M S Santos

Dez em dez

DEZ EM DEZ

De dez em dez tudo muda
A cada década a vida carece de ajuda
O corpo evolui, se refaz, se modifica
Algo se desfaz, algo se solidifica

Brincadeiras e artes de criança
Tudo é motivo de alegria e segurança
Adolescência alimentada de esperança
Vida adulta que exige perseverança

Antes ser cuidado com amor e carinho
A vida vai passando feliz, devagarinho
Mais tarde o tempo passa veloz
Se a gente não cuidar ele vira nosso algoz

Confiança, rebeldia, força, letargia
Adjetivos que perpassam, são magia
Jovem, adulto, idoso, criança
Convivem em nós, sem cobrança

A cada década aprendizado e gratidão
Olhar lá atrás, lá na frente, aceitação
De dez em dez fica preciosa lição
Amar, ajudar, se doar, eterna (re)construção

Alda M S Santos

Dói

DÓI

Dói se perceber num mundo cruel
Onde o individualismo é amargo como fel
Dói saber que nem todo sorriso é de verdade
E que há gente má em qualquer idade

Dói ter que ingerir vida sem tempero
Pratos vazios, fome e desespero
Falta doçura, sobra sal, acidez
Tanto azedume que causa embriaguez

Dói ver a mentira e falsidade alçando voos
E a verdade que cura apenas causando enjoos
Dói notar que não é importante o sentimento
Demonstrar emoção parece sem fundamento

Dói notar que se prioriza o ter
Quase ninguém quer saber de ser
Adquirir bens, títulos, carro, um casarão
Vale mais que conquistar um coração

Queria a leveza de uma borboleta
Estar entre cores, beleza, natureza
Entender que é melhor a simplicidade
E num abraço afastar a dor, ser felicidade

Alda M S Santos

Eu posso, sim, escolher!

EU POSSO, SIM, ESCOLHER!

Sou eu quem decido se rio ou se choro 

Se não ligo, não me importo, se ignoro 

Sou eu quem opto pelo azul ou rosa

Se calo, silencio ou se fico toda prosa 

Eu posso, sim, escolher! 

Posso escolher  entre seguir ou parar 

Sentar, deitar, descansar, relaxar 

Sou eu quem escolho meus caminhos 

Se quero companhia ou se vou sozinha 

Eu posso, sim, escolher! 

Sou eu quem faço a opção pelo amor 

Por acolher só o que não cause dor 

Sou eu que seleciono o que abraçar 

Também o que não serve, descartar 

Eu posso, sim, escolher! 

O que olhar ou admirar, me encantar 

Aquilo que prefiro não ver, apagar 

Sou eu quem escolho o que dançar 

Ou a música que quero tocar 

Eu posso, sim, escolher!

E asslm dou o tom do meu viver! 

Alda M S Santos 

Nublado

NUBLADO

Se o mundo lá fora está nublado
Se tudo parece meio triste, deixado de lado
Vamos tentando acender cá dentro nosso sol
Não deixando escondido nosso melhor farol

Mexe e remexe buscando algo de bom
Aquela lembrança doce, um cheiro, um tom
Alguma coisa que aqueça nessa friagem
E não nos deixe sentir na desvantagem

Ainda que o desejo seja de não sair da cama
Voltar a dormir, ignorar que a vida chama
Bom lembrar que somos como a lua
Somos feitos de fases, avança e recua

Saber que atrás de toda nebulosidade
Há brilho e cor, há luminosidade
Reacender os ânimos, atiçar a esperança
Brincar sem medos, saber ser criança

Alda M S Santos

Artificial

ARTIFICIAL?

Dispenso essa inteligência artificial
Não quero, prefiro o “peso” do natural
Bem melhor um olhar que aquece
Aquele abraço que acolhe e rejuvenesce

Não compro a ideia robótica
Sei que há por aí outra ótica
Benefícios podem até nos trazer
Mas somos nós que podemos fazer acontecer

Uma máquina pode ser nossa auxiliar
Sob nosso controle é capaz de nos ajudar
Não entregar nossa vida aos algoritmos
Inteligência emocional, cada qual em seu ritmo

Nossa humanidade anda tão só e carente
Que abraça essa situação tão dormente
Entender o que precisa nosso coração
Basta olhar demorado para nosso irmão

Alda M S Santos

Vou seguir viagem

VOU SEGUIR VIAGEM

E se já viéssemos para essa viagem
Com o tempo contado de passagem
Dia certo de chegar, hora marcada de voltar
Será que já viemos com roteiro pronto
Lugares a conhecer, passear, onde morar
Pessoas com quem conviver, a quem amar
Com uma lista de coisas a fazer, realizar
Será que ainda falta muito para retornar?
O quanto da minha lista já está com ok
Quanto ainda está em aberto, pendente
Fico imaginando se os desvios de rota fazem parte
Ou se nada é desvio, tudo faz parte do pacote
Foi feito check-in,  será feito check-out
Haverá dívidas a pagar, como negociar?
Olho para trás… tanta coisa lá ficou
Miro lá na frente…até onde poderei ir?
Queria ver meu contrato inicial
Refazer algumas rotas, repetir alguns momentos
Sem contudo prejudicar o que ainda falta pra consumar
Sei que é uma viagem por vezes cansativa
Há dias que simplesmente dá vontade de parar
Deixar o vento levar tal qual ondas no mar
Penso que ele deve saber onde me fazer pousar
Será?
Se eu pudesse ver o que tem pela frente
Ficaria mais animada ou seria deprimente?
Ah…sei lá! Faz de conta que o melhor está por vir…
Vou alegremente seguir…

Alda M S Santos

Quando o mundo acabar

QUANDO O MUNDO ACABAR

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Vou sentar num canto, refletir, analisar
Será que fiz tudo que me cabia
Sem esmorecimento, preguiça ou letargia?

Quando o mundo acabar, voltarei para casa
Livre de todos os pesos, leves asas
O quanto ficará de mim nesse espaço
Ao menos deixarei algum forte laço?

Quando o mundo acabar, não quero chorar
Serei grata, penso que o pranto vai chegar
Seja saudade, não arrependimenro ou pesar

Mas enquanto o mumdo não acabar por aqui
Assumirei minha parte, vou amar, vou agir
O voo de volta por hora pode seguir sem mim

Alda M S Santos

Pedidos de socorro

PEDIDOS DE SOCORRO
O mundo pede socorro
Quem é capaz de ouvir?
Pedidos tão barulhentos quanto uma sirene
Ou tão silenciosos como uma lágrima que cai
Crianças precoces sempre de agenda lotada e irritadiças
Jovens perdidos em tantas “opções” de vida moderna
Trancados em seus quartos, “góticos”, marcas roxas debaixo de lenços
Idosos “protegidos” em suas fantasias e remédios
Sorrisos, lágrimas, saudades, abandono
Adultos espremidos entre a infância e a velhice
Solitários entre tantas obrigações e cobranças, entre tanta gente necessitada
Escondidos em suas tarefas, fugindo em seus smartphones
Atrás de amigos virtuais nas telas dos PCs na solidão da madrugada
Todos “gritando” por socorro
Quem é capaz de ouvir?
Cada qual gritando sua dor de um modo
No andar, no olhar, no se esconder, no se mostrar
Na solidão autoimposta, nas atividades excessivas
Nas rebeldias constantes, nas drogas lícitas ou ilícitas
Na irritação desmedida, nos vícios diversos
Quem é capaz de ouvir?
A dor atinge a todos, o grau é variável, de “normal” a patológico
No sentir e no demonstrar
Mas há sempre uma “droga” a nos salvar
Até que não haja mais salvação
Quem é capaz de ouvir?
“Ouvir” a dor do outro é um modo de nos enxergarmos também
E, talvez, conseguirmos nos salvar…
É preciso olhar devagar, demorar-se na dor do outro
Mergulhar fundo na própria dor
Até não mais temê-la, até conseguir diluí-la…
É preciso a pureza e confiança de uma criança para “herdar o reino do céu”
O mundo pede socorro
Quem é capaz de ouvir?
Alda M S Santos

Uma ameaça?

UMA AMEAÇA???

Um dia a vida irá te cobrar
Tudo aquilo que te deu para usar
E você, por ação ou inércia, não soube aproveitar
Parece que é um modo de ameaçar?
Não sei…
Sei que recebemos tanto por aqui
E tantas vezes não usamos adequadamente
Perdemos tempo na contramão, batendo de frente
Lutando por algo que não parece a cara da gente
Enquanto, se olharmos bem, poderíamos agir diferente
Potencializando o que temos de bom
Nossas habilidades, nossos melhores dons…
Todos temos algo a ser desenvolvido
Talvez bem diferente do caminho tão sofrido
Que escolhemos trilhar e perdemos nosso melhor abrigo:
Nossa própria fé e energia vital
Que mais e mais aumenta se tiver atenção especial
Somos diferentes uns dos outros, felizmente
Mas nossa humanidade nos assemelha, verdadeiramente
Estamos aqui para ser e fazer o bem, para crescer
Se o que você faz permite esse desenvolver
A cobrança da vida não é ameaçadora
É um presente, uma benção reveladora

Alda M S Santos

Funciona assim!

FUNCIONA ASSIM!

Na vida funciona bem assim:
Para alguns sequer abrimos a porta
De longe já se vê que a vida não comporta
Não convidar é respeito a ambos, isso que importa!

Na vida funciona bem assim:
Para outros já abrimos a porta
E observamos sua reação
Se não houver respeito e afinidade
Não passa da soleira, essa é a verdade!

Na vida funciona bem assim;
Para uns especiais abrimos a porta
E convidamos a entrar devagar
Se houver empatia e conexão
Deixamos ocupar espaço à mesa e na emoção
E nos fazer companhia no jantares do coração

Na vida funciona bem assim!
Somos nós que escolhemos
Quem entra, quem fica e quem nem chega perto!

Alda M S Santos

Pare, pense,observe!

PARE, PENSE, OBSERVE!

Pare, pense, observe!

Analise com atenção, faça uma lista
O que te faz mais bem, te conquista
Quais seus dons, a vida dá pistas
Siga a direção apontada, seja mais otimista

Pare, pense, observe!

Como está seu corpo, seu coração
O que deseja sua alma, de antemão
Dê ao outro aquilo que você deseja
O retorno sempre vem de bandeja

Pare, pense, observe!

Sinta onde pulsa mais forte sua emoção
Não seja indiferente, use também a razão
Se o que você atrai não é o que respeita
Avalie onde tem andado, sua ação é suspeita

Pare, pense, observe!

Estamos aqui para aprender e evoluir
Nosso barco precisa navegar, seguir
Os companheiros de viagem podemos escolher
Melhor agir com sabedoria para não esmorecer

Pare, pense, observe!

A vida segue seu intenso e louco giro
Muitas vezes ignora nosso lento respiro
Essa nave passa por aqui rapidamente
Escolha seu caminho, não siga a corrente

Pare, pense, observe!

Alda M S Santos

Menos erros, mais glórias!

MENOS ERROS, MAIS GLÓRIAS!

Se existe a eternidade, que seria o paraíso
O que estamos fazendo aqui, será castigo?
Será que aqui não seria o meio do caminho
Em que as atitudes determinam o destino final, com jeitinho?

Será que do lado de lá há tanta desigualdade como cá
Gente que não se importa com gente
Que destrói tudo que vê pela frente
Natureza, bichos, matas, céu e ar
Tentando marcar território, fixar lugar?

Fico por aqui a refletir se durante a madrugada
Em meus sonhos, se não dou uma viajada
Por tantos cantos do outro lado da vida
Fazendo check list de para onde seria atraída…

Sei que aqui há de tudo um pouco, há sim
Gente descrente, má, mas há almas afins
As que se atraem, se unem, propósito comum
De fazer o bem, não ser apenas mais um!

Com essa fé em doces sonhos renovada
Quero seguir o caminho, sei que sou amparada
Se aqui é parte do caminho, é parte da história
Vou lutar para haver menos erros, mais glórias!

Alda M S Santos

Quando voltar para casa…

QUANDO VOLTAR PARA CASA…

A verdade é que não importa quantos idiomas soube falar ou entender
Mas a quantos indivíduos conseguiu ouvir, compreender e acolher
De nada adianta ser um profissional excelente e produtivo
Se entre família e amigos não soube ser colo e abrigo

Não se quer saber quanto dinheiro tem guardado
Mas a quantos conseguiu ajudar, não deixar desamparado
Não se quer avaliar quantos diplomas possui, mestrado ou doutorado
Mas se foi capaz de manter a simplicidade a seu lado

Não será importante qual igreja frequentou ou fé professou
Mas quantos semelhantes abraçou, se os diferentes não afastou
Não importa se viajou por todo o mundo
Mas se teve sensibilidade de conhecer alguém a fundo

Não se quer saber se veste ou calça itens de marca
Mas em quantos conseguiu deixar boa marca
Não importa se morou numa mansão ou num barracão
Mas se soube ser família, ser um lar de coração

A verdade é que o valioso não é o que conseguiu de material aqui nessa viagem
Mas o quanto evoluiu enquanto ser humano nessa passagem
Isso, sim, terá valor quando voltar para casa…

Alda M S Santos

Encontros e conversas

ENCONTROS E CONVERSAS

Fico imaginando ao ler coisas minhas antigas
Será que se me encontrasse com meu eu do passado
Haveria paz, harmonia, alegria… ou brigas?
A mulher que já foi menina, moça, se sentiria contemplada?

Minhas atitudes despertariam orgulho
Ou me causariam no estômago um embrulho
Teria a noção de tempo bem aproveitado
Ou que tudo nesses anos foi desperdiçado?

Abraçaria com carinho aquela menina
Que a doce alegria e lembrança me fascina
A moça que seguiu bravamente sua sina
Teria espaço na mulher que hoje ensina?

Sei que seria um encontro intenso
De lágrimas e sorrisos, consenso
Uma coisa posso afirmar, eu confesso
Valeu cada momento do viver: professo

Alda M S Santos

Há um lugar?

HÁ UM LUGAR?

É preciso haver por aqui um lugar
Nesse mundo tão grande e extenso
Espaço para depositar os nossos excessos
Que já não cabem tão bem no pensamento
Aquela lágrima que por dentro nos alaga
A decepção que fere, machuca como adaga
Os acertos que são nosso maior orgulho
Os erros que são pontiagudos pedregulhos
Necessário ter um depósito, um bota-fora
Para lançar os sonhos destruídos
Ou as derrotas, os caminhos sofridos
Bom ter também um lugar quentinho
Daqueles que sejam colo, carinho
Espaço para poder trocar sorrisos e alegrias
Lições de vida, aprendizados, sabedoria
Nessa nossa nave, nesse espaço sideral
Será que cabem nossas grandes tempestades
Tendo poderes de acalmar nosso vendaval
E nos devolver brisa suave, luz e verdade?
Será que esses lugares são estufa na gente
Bastando com calma ir cuidando da semente?
Também seria de grande importância
Haver um lugar de muita relevância
Para nesses tempos de sustentabilidade
Reciclar ou renovar nossa humanidade
Há tantos lugares lindos e inimagináveis
Quiséramos encontrar um que garantisse felicidade!

Alda M S Santos

Penso, logo…

PENSO, LOGO…

Penso, logo, admito, eu sinto 

Sinto o que se passa lá fora 

Sinto o que mexe e remexe cá dentro 

Sinto, penso, logo, ajo, reajo

Ao que dói ou fere a alma

Ao que tira a paz, a calma 

Sinto, penso, repenso, reflito 

Acabo logo por dirimir o conflito 

Sinto muito, pelo que parece não ter jeito

Por um mundo carregado de feiúras e defeitos

Sinto, logo, desejo poder fazer algo para mudar

Esse existir que deixa a tantos sem lugar

Sinto, penso, logo, permito que existam

E que sejam valorizadas ou criadas 

Percebidas e enaltecidas nessa jornada 

Toda a beleza e perfeição que há também 

E que possa ser de todos, que não exclua ninguém 

Sinto, penso, reflito e faço a roda da vida girar 

Demorando um pouquinho mais onde puder amar…

Alda M S Santos 

Propósito de vida

Qual é seu propósito de vida?

PROPÓSITO DE VIDA

Fico me perguntando se quando vim parar aqui
Se fiz algum combinado do lado de lá
Se assinei algo, deixei registrado, marcado
Que teria objetivos a alcançar, coisas a realizar
Será que as escolhas que faço ou não
Os caminhos que pego em detrimento de outros
Será que são parte desse propósito?
Será que há algo em mim sempre a lembrar
Do que vim fazer aqui, para não desanimar
Mesmo nos momentos difíceis não desistir
Olho as pessoas que caminham comigo
Para as quais tento ser o abrigo
Será que estão também nos planos
Para facilitar, não haver enganos?
Será que algo pulsa em mim quando choro
Quando canso, me esgoto, ignoro ou imploro
Para renovar as forças e continuar?
Será que tenho bem usado os dons que recebi
Para melhorar meu viver e dos outros por aqui?
Queria fazer um check list, marcar ok
Naquilo já concluído, ver o que falta
Será que só irei embora quando realizar 100%
Ou posso ir quando alcançar 60%?
Olho meu entorno e penso: estou no caminho certo?
Queria receber um feedback: siga ou não
Melhor voltar, aí é contramão!
Às vezes sinto que só sigo em frente
Deixo-me levar pela corrente…
Noutras acredito que até a corrente é trilha
Determinada previamente para meu caminho…
Ah, sei lá,  só queria saber que estou indo bem
Que não estou atropelando nada nem ninguém
Só isso!
Qual meu verdadeiro propósito por aqui?

Alda M S Santos

Simples palavras

SIMPLES PALAVRAS?

Palavras cortam, ferem, curam, consolam
Maldizem, bendizem, abençoam, amaldiçoam
Constroem, destroem, afastam, acolhem
Ficam ao vento, no tempo, ao relento

As especiais encontram dentro da gente bom terreno
E fazem dali um lugar adequado para crescer e florescer
Não há como voltar atrás depois de lançadas
Há que se ter sabedoria ao proferir as selecionadas

Com palavras podemos abraçar, acolher uma dor
Com palavras podemos amenizar um dissabor
Com palavras podemos demonstrar nosso interesse e amor
Com palavras podemos ser colo, compreensão e calor

Palavras ditas da boca para fora, sem critério
São superficiais, não causam refrigério
Mas quando se quer que chegue ao coração, que cause boa emoção
É preciso que saia do fundo de cada coração

Alda M S Santos

Aqueles dias…

AQUELES DIAS…

Aqueles dias em que a gente se questiona
O que veio fazer aqui nessa zona
Dias em que só coisa chata atrai o olhar
E dá vontade de só dormir ou chorar

Aqueles dias em que dá vontade de desistir
Arrumar um canto para onde fugir
Pedir para o disco voador nos buscar
E levar para qualquer outro lugar

Aqueles dias em que nada tem graça
Tudo parece ser feio, tanta desgraça
Não consegue mover, fica estacionado
E não vê nada que valha seu agrado

Aqueles dias em que se pergunta a Deus
Por que estou aqui, qual o propósito Seu
Diga, por favor, renove minha fé e energia
Sou sua filha, quero agir, seguir, sentir a magia

Aqueles dias em que Ele mais fica perto
Ter essa fé, sentir a vibração, isso é certo
Dias em que mergulho fundo em oração
Único meio de sentir em mim a renovação

Alda M S Santos

Linha de chegada

LINHA DE CHEGADA

Quiséramos saber qual o ponto de partida
O início de tudo, os planos para essa vida
A linha de chegada tantas vezes parece distante
Deixa-nos com a coragem lesa, inconstante
Será que só há um ponto de largada
Visando apenas o final, a chegada
Ou várias vezes rompemos a fita
E largamos novamente nessa trilha bonita?
Tantas chegadas, tantos recomeços
Tantas quedas, desânimos, tropeços
As companhias são as mesmas nessa corrida
Ou há desistências e trocas na partida
Tão bom poder chegar, aportar
Melhor ainda curtir cada curva da estrada
Valorizar cada queda ou parada
Estamos sempre largando ou chegando
E a vida infinitamente recomeçando…

Alda M S Santos

Aqui tem brasileiros

AQUI TEM BRASILEIROS

Brancos, negros, índios

Deliciosa e encantadora miscigenação

Sangue guerreiro, sangue vermelho, sangue brasileiro

Cultura ímpar, sem igual, que se eterniza em cada um de nós

Que se solidariza, se humaniza, se enraíza

Mulatos, mamelucos, cafuzos

Confusos… mas sempre brasileiros

Do Oiapoque ao Chuí…

Dos fios de cabelos loiros, negros, crioulos, sarará

O coração bate no ritmo da alegria, da esperança

Independente da cor da pele, do que carrega no bolso ou no coração

Ou das batidas dos tambores ou atabaques da vida

A cor da alma é a cor do amor…

Aqui tem brasileiros, aqui tem raça!

Alda M S Santos

Vai passar?

VAI PASSAR?

Bom mesmo é desenvolver a sabedoria
Aquela que deixa a alma em harmonia
Não importando se lá fora chove ou faz sol
Se lá está nublado cá dentro pode estar claro
Ou mesmo que se nuble também o coração
Sabe-se que é uma fase só, vai passar
Os altos e baixos sempre farão parte desse caminhar!
Poder manter esse equilíbrio interior
Quando desaba tudo no exterior
É o melhor aprendizado que se pode adquirir por aqui…

Alda M S Santos

Deixe as águas rolarem

DEIXE AS ÁGUAS ROLAREM
Deixe as águas caírem e rolarem
Sejam das nuvens, das cachoeiras ou dos olhos
Águas represadas por muito tempo
Geram dores, malefícios, ficam ácidas, apodrecem
Águas paradas causam tragédias e destruição
E o que poderia ser uma chuvinha fina, uma garoa bem vinda
Torna-se um furacão perigoso e assustador
Deixe as águas rolarem
Elas sempre lavam o que está sujo
Elas sabem e encontram o caminho a seguir…
Alda M S Santos

Abraçar uma causa

ABRAÇAR UMA CAUSA

Aquele que abraça uma causa
Que se entrega, veste a camisa
Executa uma tarefa clara e precisa
Que tem ou se estabelece um propósito
E não se torna apenas um depósito
De conhecimentos, força e energia
Será sempre alguém que espalha alegria

O que divide com o mundo, devolve ao universo
O recebido, o conquistado, afasta o perverso
Executar um trabalho por aqui nessa viagem
Exige empenho, responsabilidade e dedicação
Não importa se terá ou não remuneração
Se estará na vantagem ou na desvantagem

Entregar-se a algo com amor e carinho
Usar as habilidades e dons com jeitinho
É ser gente, é exercer nossa humanidade
Há tanta gente carente de solidariedade
Quem ainda não encontrou pelo quê viver
Olhe no seu entorno, sempre há algo por se fazer…

Alda M S Santos

Pra fazer sentido

PRA FAZER SENTIDO…

Gosto do que me desperta sorriso de paz
Que brinca, que acalma, que simplifica, é eficaz
A vida quer gente que faça, que seja ação
Mas que nunca abra mão da emoção

Gosto do que a natureza me proporciona
Da riqueza, força, l suavidade que emociona
Aprecio quando tudo parece se encaixar
Quando encontro colo ao ver tudo desmoronar

Preciso que as coisas para mim façam sentido
Para que eu tenha sensação de dever cumprido
Mas que não pese, seja leve, um viver divertido

Pra fazer sentido é necessário tocar o coração
Não basta que seja apenas percebido na razão
Se não acariciar a alma não vale nada não

Alda M S Santos

Minha força

MINHA FORÇA

Minha força vem de minhas fragilidades
Por mais paradoxal que possa parecer
As fraquezas têm suas especificidades
E é nesse movimento que podemos crescer

Onde habitam meus maiores medos
Que muitas vezes passam por segredos
É estufa protetora de minh’alma cansada
Mas também é adubo para essa vida agitada

Encontro forças na família, na oração
No desejo de caminhar em comunhão
Recusar o que é fácil, resistir à tentação
Viver exige momentos de inércia e de ação

O medo da perda nos faz ter cuidados
Abrigar com carinho nossos achados
Cuidar do broto, regar, curtir a floração
E degustar o fruto com alegria no coração

Alda M S Santos

Todos falhos

TODOS FALHOS

Não quero mais acreditar cegamente
Em gente que parece do bem, inocente
Eles são apenas humanos, nada mais
Que erram, acertam, afrontam os demais

Por aqui não há ninguém tão perfeito
Nesse plano parece tudo de qualquer jeito
Tanto fazemos buscando causar algum efeito
Ah, cansada… eita mundo imperfeito!

Humanos são todos, todos falhos
Religiosos e os demais, são apenas trabalhos
Políticos, então, esses, uns paspalhos
E ficamos todos com coração em frangalhos

Só precisamos remendar nossos retalhos
Com sabedoria e paz, entender atos falhos
Aceitar a noite, a garoa, a aurora, o orvalho
Sem tanta decepção, assim não me atrapalho!

Alda M S Santos

Não podemos fugir!

NÃO PODEMOS FUGIR!

Somos todos responsáveis enquanto humanidade
Ao permitirmos e aceitarmos fatos com naturalidade
Quando ignoramos a dor do outro e a exclusão
Quando nada fazemos nesse mundo de tanta aberração

Somos responsáveis por acharmos que não é nosso problema
Ficarmos em nosso cantinho, deixar para lá os dilemas
Não interferir, não agir, nada fazer é ser conivente
Se estamos todos por aqui como ser vivente

Nosso papel é lutar por um mundo melhor, mais humano
Não podemos simplesmente fugir ou fingir
Não dá para nos esconder ou nos eximir

Se estamos bem e podemos, é melhor estender a mão
Há muita gente nesse universo precisando compreensão
Só assim vamos contribuir para um mundo mais irmão

Alda M S Santos

Vamos fazer assim?

VAMOS FAZER ASSIM?

Se me entristece, choro, saio de perto
Se me desrespeita, vou embora, isso é certo
Se me ignora, não ligo, sou forte, resistente
Se não admiro, não concordo, fico indiferente

Vamos fazer assim?

Se abala minha saúde física e mental
Fecho as portas e janelas para esse vendaval
Se manter convivência tem me feito mal
Ofereço minha ausência ou distância, tá legal?

Vamos fazer assim?

Sou responsável por tudo que me acontece
Meu agir deve te mostrar o que me aborrece
Estarei atenta ao que em mim não te faz bem
A mesma prerrogativa dou a você também

Vamos fazer assim?

Alda M S Santos

Alma zen…

ALMA ZEN…

Esse mundo anda muito cansativo e chato
Pessoas que ofendem, magoam, ferem o trato
Justificando como liberdade de expressão
Abrem a boca e fecham à chave o coração

Não sabem lidar com o que é diferente
Batem no peito e ignoram a dor de toda gente
Ninguém é obrigado a conviver se não gosta
Mas respeito é essencial, a regra tá posta

A vida ensina em cada situação
Os revezes são amigos, deixam a lição
Se não dá para ficar, pode abrir mão

Se não concorda, não te faz bem
Não fique perto, vá para longe, amém!
Bom é deixar a alma zen…

Alda M S Santos

Tem controle dessa aeronave?

TEM CONTROLE DESSA AERONAVE?

Tantos botões, luzes e relógios nesse painel
Confuso manter o controle dessa coisa no ar
Mas basta atenção e treino, horas de voo
Aí fica quase automático o prazer de voar

Para uma boa experiência de navegação
É preciso ser acessível a comunicação
Sentir segurança é tão imprescindível
Se quiser voar alto, apesar do (im)possível

Seria tão bom termos essa certeza na vida
Saber qual botão apertar em cada lida
Colocar no automático quando cansados
Voar sem destino até ficar de novo motivados

Há momentos em que se deseja voltar para o hangar
Ou parar o relógio, ficar ali infinitamente no ar
Lá de cima observar a tudo e todos, a beleza do lugar
A vida é feita de voos e pouso, até a aeronave pifar

Alda M S Santos

Em uma só palavra

Diga uma palavra que descreve você.

EM UMA SÓ PALAVRA

Pediram uma palavra que me descreveria
Aí que fui analisar qual melhor caberia
Não achei uma que cumprisse tal missão
Sou recheada delas, digo de antemão

Já que sou verso penso que cabe POESIA
Essa palavra abrange tudo que é magia
Nela pode haver tristeza ou alegria
Busca por paz, sabedoria, luz e harmonia

Já que sou simples também cabe AMOR
Não sei viver sem ele, tudo vira dor
Sou natureza, sou jardim, sou doação, sou flor
Sou cachoeira, sou mar, sou brisa e calor

Já que sou ativa e animada cabe ENERGIA
Nunca me canso, sou movimento, sou do dia
A noite para mim foi feita para relaxar
Também para  dormir, descansar ou namorar

Já que acredito tanto em Deus, cabe FÉ
Ele é minha força, não me deixa arredar pé
Creio que temos por aqui uma missão
Não desisto e sou grata à Criação

Alda M S Santos

Ampulheta


AMPULHETA

Observando o descer suave da areia na ampulheta
Percebo o fluir rápido de nosso existir por aqui
Tantas vezes reclamamos que o tempo não passa
Que aquele dia ou momento especial não chegam
Temos a vontade de acelerar cada estágio, cada faceta
Mas quando o conteúdo de cima já parece pouco
Gostaríamos de reduzir o ritmo, pedir que vá devagarinho
Que nos dê mais oportunidades, mais um tempinho…
Poder parar, talvez voltar, virar ao contrário, reiniciar
Mas a areia continua descendo sem se importar
O sol continua nascendo dia após dia, parece alheio
As tempestades vão e vêm, a lua muda as fases
A roda da vida nunca para de girar…
Não importa se estacionamos, gritamos ou silenciamos
O jeito é ser amigo, aliado do tempo
Não acelerar, não parar, seguir aproveitando
A cada momento dando o devido valor, acreditando
Que a areia na ampulheta é a mesma até o fim
Cabe a nós mesmos nunca desistir, como ela, fluir…
Suavemente, lentamente, sabendo que não acaba
Somente muda de lugar, talvez, do outro lado, recomeçar…

Alda M S Santos

Como vai você?

COMO VAI VOCÊ?

Está com coração angustiado, sem saber o porquê
Corpo cansado, alma adoecida sem ter a quem recorrer
A vida pede um novo espaço, novo caminho
Desejo de não se sentir tão sozinho

Como vai você?

Sente-se fragilizado sem ter alguém confiável ao lado
O peito aperta, machucado ou cicatrizado
Desejo de estar noutro lugar menos bagunçado
Busca pela paz, por harmonia, mundo mais humanizado

Como vai você?

O CVV valoriza a vida, aquilo que você tem a dizer
Pode te ouvir, sem julgamentos, pode te acolher
Há 61 anos realiza esse trabalho de amor
Quer conversar, desabafar, lá encontrará calor…

Como vai você?

Alda M S Santos
#cvv #188 #cvv.org.br

Vencer… perder…

VENCER…PERDER…

Quais ficam mais eternizadas na memória
O vencer ou o perder, a derrota ou a vitória?
Vasculhando meus porões internos
Percebo o quanto tudo pode ser eterno

Quanto às derrotas, cujas visitas são dolorosas
Percebo precisar de uma alma valente e corajosa
Aquilo que foi em mim mesma processado e perdoado
É visita tranquila, sempre rica em aprendizado

Já as vitórias costumam estar em baús mais abertos
Sempre lembradas para motivar o que temos como certo
Porém, se não foram vivenciadas com sabedoria
Talvez tenham criado no entorno alguma desarmonia

Bom é saber que vitórias e derrotas são partes da vida da gente
Encarar os fatos como amigos é muito producente
Ter alguém com quem dividir a dor e alegria de ser humano
Faz da vida uma história mais leve, disso não me engano

Alda M S Santos

Real

REAL

O que é real para mim, para você
Será tudo aquilo que a gente vê
Ou basta sentir a dor ou o prazer de ser
Aquilo que se é, sem mesmo saber o porquê?

O que é a realidade que nos faz despertar
Ou até mesmo adormecer sem querer levantar
É somente o que nos faz sentir livres, vivos
Ou também é real o que nos deixa cativos?

Minha realidade pode ser diferente da sua
Ela pode me deixar exposta, alma nua
Sei que enfrentá-la não precisa ser doloroso
Posso refletir e deixar o aprendizado gostoso

Quando encontro em mim as respostas
Para as perguntas ou emoções já postas
A realidade torna-se clara, significativa
Entendo a minha, a sua, nessa vida ativa

Alda M S Santos

Evolução

EVOLUÇÃO

Evolução exige dedicação e perseverança
Aquele jeitinho de reaver a esperança
É saber lidar com o que fere, adoece
Afastar mentiras e falsidades, ser prece

Evolução pede cuidado com o outro, consigo
Em busca de paz interna, de um bom abrigo
Também pede que se consiga perdão
A tudo que possa magoar o coração

Evolução é porta aberta para a amizade
Para o amor e sonhos que nutrem a felicidade
E saber aproveitar a vida em qualquer idade

Evolução caminha ao lado da maturidade
Luta diária, mudança, autoaceitação, liberdade
É, principalmente, encontro com Deus, a verdade

Alda M S Santos

Como jardim

COMO JARDIM

O bem não arromba portas, nada impõe,
Não causa medo ou nojo, não dói a consciência
Não gera culpa, não pesa… é leve
Como um colorido jardim na primavera
Só traz alegria a quem nele persevera

O mal, ao contrário, é invasivo, pesado, turvo
Ele engana, mente, causa dor, angústia, dúvida
E quando vai embora deixa um rastro de destruição
É um jardim destroçado pela inundação
E, por mais que se tente, não se vê salvação

Alda M S Santos

Humanidade falha

HUMANIDADE FALHA…

São dois milênios e a humanidade continua falha
Como humanos racionais a gente ainda se atrapalha
Invasões e “descobertas” de terras já habitadas
Dinheiro e ouro ditando ações inimaginadas

Quase submissão dos mais frágeis povos originários
Imposição da força, ameaças, agir arbitrário
Do “nunca mais” dito ao holocausto emudecemos
Tanto horror e desumanidade esquecemos

Fome, abusos, roubos, moléstias exclusão
Vergonha dessa humanidade sem coração
Que se julga superior e causa tamanha dor e comoção

A vida uma hora cobra tanta agressão
A um povo, uma raça, natureza sob pressão
A conta vai chegar… terá de nós compaixão?

Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com
#holocausto #crisehumanitaria #yanomamispedemsocorro #Brasil


Reiniciar

REINICIAR

Mundo anda difícil, o certo e o errado estão invertidos
Tolerância e amizade parecem não fazer sentido
Respeito pelo outro é visto com insatisfação
Não dá para viver em paz com tanta invasão

Não há reflexão, só se nota muita maldade
Gente que faz o mal em qualquer idade
Não há proteção, falta humanidade
Vergonha de estar por aqui, de verdade

Para tudo há briga, revolta, discussão
Tantas mentiras, dúvidas entre o sim e o não
Vontade de passar tudo isso a limpo, reiniciar
Será que Deus não gostaria de recomeçar?

Se assim for quero ser parte da natureza
Ali há harmonia, paz, luz e beleza
Ser água, bicho, planta, céu, tanto faz.
Só gostaria de algo mais eficaz

Alda M S Santos

Qual o preço?

QUAL O PREÇO?

Tudo nessa vida tem um preço
Que é cobrado todo o tempo da gente
Pagamos pelo excesso, pela falta
Dor ou alegria, aquilo que está em pauta
Pagamos pelo que passa na mente
Por tudo que se vive, simplesmente
Pagamos por seguir o caminho
Rápido, lento, acompanhado ou sozinho
Pagamos por ficar parados, estacionados
Por não tomar frente, ficar de lado
Pagamos por mudar, crescer, evoluir
Pagamos também por cair, por regredir
Pagamos pelo amor que nos permitimos
Pelo que recebemos, pelo que doamos
Pelas amizades que felizes carregamos
Pelos fardos leves ou pesados que levamos
Ah, se por tudo se paga um preço
Melhor escolher bem o que se leva com isso
Bom refletir bem o custo e o benefício
Olhando o que você tem, sem artificios
Tem valor pelo preço que está pagando?

Alda M S Santos

Aqueles dias

AQUELES DIAS

Aqueles dias dos quais ninguém está livre
Cuja vontade é achar um cantinho para hibernar
Sem ninguém para incomodar
Nada ou tudo falar, pensar, repensar, adormecer
Quando não conseguimos o quebra-cabeças montar
E tudo que queremos é sair desse mal-estar
Onde será esse lugar?
Será preciso num avião decolar
Ou num barco alcançar o alto mar
Ao volante dirigir sem rumo até cansar
Ir até o céu com as estrelas e a Lua conversar
Num foguete à via láctea chegar
Ou será que está mais perto e bastaria apenas
Mergulhar nos recônditos secretos de nosso ser
Sorrir, chorar, brigar, apaziguar, debater
E ali ficar até desfalecer ou renascer…

Alda M S Santos

Fins e meios


FINS E MEIOS

Fins, meios…qual seu objetivo
Qual o meio para torná-lo real
Será que isso é mesmo subjetivo
Ou há algo que legalize o normal?

Só importa o que você quer e almeja
Independente do que se põe na bandeja
Ou há certas leis, limites e restrições
Que impedem alguns tipos de ações?

Os fins são nossas metas, são importantes
Lutar por elas deve ser nosso plano constante
Cuidando daquilo que é correto ou relevante

Meios que vilipendiam ou ferem pra vencer
É o limite que devemos sempre estabelecer
Não é bonito o meio que destrói para viver

Alda M S Santos

Perdão!

PERDÃO!

Perdão, quando não soube caminhar por esse chão
Pelas vezes que disse sim, quando deveria dizer não
Ou, quando ao contrário, faltou coragem para o sim
Sabendo que ele que me traria pra mim

Perdão pela afobação, pela impaciência
Pela falta de esperança ou resiliência
Por desistir muitas vezes, cansada
Por não ter visto nenhuma luz nessa estrada

Perdão a mim mesma, quero leveza
Perdoar, perdoar-se, seguir nossa natureza
A culpa é um fardo muito pesado
Quem perdoa a si e ao outro é abençoado

Perdão não implica seguir na mesma situação
Ele é luz para nova estrada, nova sensação
Sem a bagagem do ontem, do passado
Coma alma leve, o futuro vem bem anunciado

Alda M S Santos

Livre-arbítrio?

LIVRE-ARBÍTRIO?

Como lidar com esse mundo?
Gente maltratando gente, jeito imundo
Nação contra nação, irmão contra irmão
A natureza que grita por salvação

Como lidar com discriminação e corrupção
Cidadão que se acha dono da situação
Ofendem e maltratam a natureza
Flora, fauna…a vida perde sua riqueza

Humanos que condenam outros humanos
Causando na humanidade grandes danos
O amor já não é olhado com simpatia
O ódio tem alcançado o alto, a soberania

Como somos olhados pela Criação
Que Deus pensa desse viver sem compaixão
Vai nos dar corda, respeitar nossa decisão
Ou livre-arbítrio não será boa opção?

Alda M S Santos

Viver é um eterno desafio

VIVER É UM ETERNO DESAFIO

Ah, viver parece uma grande piada!
Se você fala e não pensa se mete em furada
Se pensa e não fala fica engasgada
Se sente e nada faz, alma frustrada

Ah, viver nem sempre é fácil, não
Ficou cansativo tanto cuidado e senão
Medir cada detalhe para não ofender o irmão
E também não machucar o próprio coração

Ah, viver deveria ser um bom prato
Degustado com prazer de fato
A verdade é que há tanto prato vazio
Corpo e alma enfrentam esse desafio

Ah, será que desistir seria boa opção?
Dizer: quero brincar mais de viver não
Se não der para viver com emoção e alegria
Quero voltar para casa, a porta se abriria?

Alda M S Santos

vida #morte

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