SE UM DIA EU ME PERDER
Se um dia eu me perder
Procure-me onde haja muito verde, muita mata, ar puro,
Se um dia eu me perder
Procure-me onde as águas sejam límpidas a refletir o céu,
Se um dia eu me perder
Procure-me num roseiral, em meio às borboletas azuis,
Se um dia eu me perder
Procure-me na alegria inocente de um grupo de crianças,
Se um dia eu me perder
Procure-me nos grãos de areia da praia ao pôr do sol,
Se um dia eu me perder,
E ainda assim não me encontrar,
Não busque em mim, olhe dentro de você,
Se me procuras, é porque me amou,
Se me amou de verdade, eu também te amei,
Certamente uma parte bonita de mim estará gravada em você,
Uma parte grande de você estará presa em mim,
E poderá levar-me a me encontrar…em você, em mim,
Comigo, com você!
Se um dia eu me perder de mim…
Alda M S Santos
ASSIM SOMOS FEITOS
Do barulho das gargalhadas de alegria
Do colo quentinho que doamos, pura magia
Da luz de cada olhar que o bem irradia
Do mel de um beijo de bom dia
Assim somos feitos…
De uma oração no tapete ajoelhados
Dos gritos de medo na garganta sufocados
Dos abraços na ponta dos pés, apertados
Do adormecer no travesseiro de lágrimas molhado
Assim somos feitos…
Do passado que ficou na saudade
Do hoje que se impõe sem piedade
Do amanhã que aguardamos com ansiedade
Do viver sempre em busca da felicidade
Assim somos feitos…
Alda M S Santos
DEZ EM DEZ
De dez em dez tudo muda
A cada década a vida carece de ajuda
O corpo evolui, se refaz, se modifica
Algo se desfaz, algo se solidifica
Brincadeiras e artes de criança
Tudo é motivo de alegria e segurança
Adolescência alimentada de esperança
Vida adulta que exige perseverança
Antes ser cuidado com amor e carinho
A vida vai passando feliz, devagarinho
Mais tarde o tempo passa veloz
Se a gente não cuidar ele vira nosso algoz
Confiança, rebeldia, força, letargia
Adjetivos que perpassam, são magia
Jovem, adulto, idoso, criança
Convivem em nós, sem cobrança
A cada década aprendizado e gratidão
Olhar lá atrás, lá na frente, aceitação
De dez em dez fica preciosa lição
Amar, ajudar, se doar, eterna (re)construção
Alda M S Santos
DÓI
Dói se perceber num mundo cruel
Onde o individualismo é amargo como fel
Dói saber que nem todo sorriso é de verdade
E que há gente má em qualquer idade
Dói ter que ingerir vida sem tempero
Pratos vazios, fome e desespero
Falta doçura, sobra sal, acidez
Tanto azedume que causa embriaguez
Dói ver a mentira e falsidade alçando voos
E a verdade que cura apenas causando enjoos
Dói notar que não é importante o sentimento
Demonstrar emoção parece sem fundamento
Dói notar que se prioriza o ter
Quase ninguém quer saber de ser
Adquirir bens, títulos, carro, um casarão
Vale mais que conquistar um coração
Queria a leveza de uma borboleta
Estar entre cores, beleza, natureza
Entender que é melhor a simplicidade
E num abraço afastar a dor, ser felicidade
Alda M S Santos
NUBLADO
Se o mundo lá fora está nublado
Se tudo parece meio triste, deixado de lado
Vamos tentando acender cá dentro nosso sol
Não deixando escondido nosso melhor farol
Mexe e remexe buscando algo de bom
Aquela lembrança doce, um cheiro, um tom
Alguma coisa que aqueça nessa friagem
E não nos deixe sentir na desvantagem
Ainda que o desejo seja de não sair da cama
Voltar a dormir, ignorar que a vida chama
Bom lembrar que somos como a lua
Somos feitos de fases, avança e recua
Saber que atrás de toda nebulosidade
Há brilho e cor, há luminosidade
Reacender os ânimos, atiçar a esperança
Brincar sem medos, saber ser criança
Alda M S Santos
ARTIFICIAL?
Dispenso essa inteligência artificial
Não quero, prefiro o “peso” do natural
Bem melhor um olhar que aquece
Aquele abraço que acolhe e rejuvenesce
Não compro a ideia robótica
Sei que há por aí outra ótica
Benefícios podem até nos trazer
Mas somos nós que podemos fazer acontecer
Uma máquina pode ser nossa auxiliar
Sob nosso controle é capaz de nos ajudar
Não entregar nossa vida aos algoritmos
Inteligência emocional, cada qual em seu ritmo
Nossa humanidade anda tão só e carente
Que abraça essa situação tão dormente
Entender o que precisa nosso coração
Basta olhar demorado para nosso irmão
Alda M S Santos
VOU SEGUIR VIAGEM
E se já viéssemos para essa viagem
Com o tempo contado de passagem
Dia certo de chegar, hora marcada de voltar
Será que já viemos com roteiro pronto
Lugares a conhecer, passear, onde morar
Pessoas com quem conviver, a quem amar
Com uma lista de coisas a fazer, realizar
Será que ainda falta muito para retornar?
O quanto da minha lista já está com ok
Quanto ainda está em aberto, pendente
Fico imaginando se os desvios de rota fazem parte
Ou se nada é desvio, tudo faz parte do pacote
Foi feito check-in, será feito check-out
Haverá dívidas a pagar, como negociar?
Olho para trás… tanta coisa lá ficou
Miro lá na frente…até onde poderei ir?
Queria ver meu contrato inicial
Refazer algumas rotas, repetir alguns momentos
Sem contudo prejudicar o que ainda falta pra consumar
Sei que é uma viagem por vezes cansativa
Há dias que simplesmente dá vontade de parar
Deixar o vento levar tal qual ondas no mar
Penso que ele deve saber onde me fazer pousar
Será?
Se eu pudesse ver o que tem pela frente
Ficaria mais animada ou seria deprimente?
Ah…sei lá! Faz de conta que o melhor está por vir…
Vou alegremente seguir…
Alda M S Santos
PEDIDOS DE SOCORRO
O mundo pede socorro
Quem é capaz de ouvir?
Pedidos tão barulhentos quanto uma sirene
Ou tão silenciosos como uma lágrima que cai
Crianças precoces sempre de agenda lotada e irritadiças
Jovens perdidos em tantas “opções” de vida moderna
Trancados em seus quartos, “góticos”, marcas roxas debaixo de lenços
Idosos “protegidos” em suas fantasias e remédios
Sorrisos, lágrimas, saudades, abandono
Adultos espremidos entre a infância e a velhice
Solitários entre tantas obrigações e cobranças, entre tanta gente necessitada
Escondidos em suas tarefas, fugindo em seus smartphones
Atrás de amigos virtuais nas telas dos PCs na solidão da madrugada
Todos “gritando” por socorro
Quem é capaz de ouvir?
Cada qual gritando sua dor de um modo
No andar, no olhar, no se esconder, no se mostrar
Na solidão autoimposta, nas atividades excessivas
Nas rebeldias constantes, nas drogas lícitas ou ilícitas
Na irritação desmedida, nos vícios diversos
Quem é capaz de ouvir?
A dor atinge a todos, o grau é variável, de “normal” a patológico
No sentir e no demonstrar
Mas há sempre uma “droga” a nos salvar
Até que não haja mais salvação
Quem é capaz de ouvir?
“Ouvir” a dor do outro é um modo de nos enxergarmos também
E, talvez, conseguirmos nos salvar…
É preciso olhar devagar, demorar-se na dor do outro
Mergulhar fundo na própria dor
Até não mais temê-la, até conseguir diluí-la…
É preciso a pureza e confiança de uma criança para “herdar o reino do céu”
O mundo pede socorro
Quem é capaz de ouvir?
Alda M S Santos
FUNCIONA ASSIM!
Na vida funciona bem assim:
Para alguns sequer abrimos a porta
De longe já se vê que a vida não comporta
Não convidar é respeito a ambos, isso que importa!
Na vida funciona bem assim:
Para outros já abrimos a porta
E observamos sua reação
Se não houver respeito e afinidade
Não passa da soleira, essa é a verdade!
Na vida funciona bem assim;
Para uns especiais abrimos a porta
E convidamos a entrar devagar
Se houver empatia e conexão
Deixamos ocupar espaço à mesa e na emoção
E nos fazer companhia no jantares do coração
Na vida funciona bem assim!
Somos nós que escolhemos
Quem entra, quem fica e quem nem chega perto!
Alda M S Santos
PARE, PENSE, OBSERVE!
Pare, pense, observe!
Analise com atenção, faça uma lista
O que te faz mais bem, te conquista
Quais seus dons, a vida dá pistas
Siga a direção apontada, seja mais otimista
Pare, pense, observe!
Como está seu corpo, seu coração
O que deseja sua alma, de antemão
Dê ao outro aquilo que você deseja
O retorno sempre vem de bandeja
Pare, pense, observe!
Sinta onde pulsa mais forte sua emoção
Não seja indiferente, use também a razão
Se o que você atrai não é o que respeita
Avalie onde tem andado, sua ação é suspeita
Pare, pense, observe!
Estamos aqui para aprender e evoluir
Nosso barco precisa navegar, seguir
Os companheiros de viagem podemos escolher
Melhor agir com sabedoria para não esmorecer
Pare, pense, observe!
A vida segue seu intenso e louco giro
Muitas vezes ignora nosso lento respiro
Essa nave passa por aqui rapidamente
Escolha seu caminho, não siga a corrente
Pare, pense, observe!
Alda M S Santos
MENOS ERROS, MAIS GLÓRIAS!
Se existe a eternidade, que seria o paraíso
O que estamos fazendo aqui, será castigo?
Será que aqui não seria o meio do caminho
Em que as atitudes determinam o destino final, com jeitinho?
Será que do lado de lá há tanta desigualdade como cá
Gente que não se importa com gente
Que destrói tudo que vê pela frente
Natureza, bichos, matas, céu e ar
Tentando marcar território, fixar lugar?
Fico por aqui a refletir se durante a madrugada
Em meus sonhos, se não dou uma viajada
Por tantos cantos do outro lado da vida
Fazendo check list de para onde seria atraída…
Sei que aqui há de tudo um pouco, há sim
Gente descrente, má, mas há almas afins
As que se atraem, se unem, propósito comum
De fazer o bem, não ser apenas mais um!
Com essa fé em doces sonhos renovada
Quero seguir o caminho, sei que sou amparada
Se aqui é parte do caminho, é parte da história
Vou lutar para haver menos erros, mais glórias!
Alda M S Santos
ENCONTROS E CONVERSAS
Fico imaginando ao ler coisas minhas antigas
Será que se me encontrasse com meu eu do passado
Haveria paz, harmonia, alegria… ou brigas?
A mulher que já foi menina, moça, se sentiria contemplada?
Minhas atitudes despertariam orgulho
Ou me causariam no estômago um embrulho
Teria a noção de tempo bem aproveitado
Ou que tudo nesses anos foi desperdiçado?
Abraçaria com carinho aquela menina
Que a doce alegria e lembrança me fascina
A moça que seguiu bravamente sua sina
Teria espaço na mulher que hoje ensina?
Sei que seria um encontro intenso
De lágrimas e sorrisos, consenso
Uma coisa posso afirmar, eu confesso
Valeu cada momento do viver: professo
Alda M S Santos
HÁ UM LUGAR?
É preciso haver por aqui um lugar
Nesse mundo tão grande e extenso
Espaço para depositar os nossos excessos
Que já não cabem tão bem no pensamento
Aquela lágrima que por dentro nos alaga
A decepção que fere, machuca como adaga
Os acertos que são nosso maior orgulho
Os erros que são pontiagudos pedregulhos
Necessário ter um depósito, um bota-fora
Para lançar os sonhos destruídos
Ou as derrotas, os caminhos sofridos
Bom ter também um lugar quentinho
Daqueles que sejam colo, carinho
Espaço para poder trocar sorrisos e alegrias
Lições de vida, aprendizados, sabedoria
Nessa nossa nave, nesse espaço sideral
Será que cabem nossas grandes tempestades
Tendo poderes de acalmar nosso vendaval
E nos devolver brisa suave, luz e verdade?
Será que esses lugares são estufa na gente
Bastando com calma ir cuidando da semente?
Também seria de grande importância
Haver um lugar de muita relevância
Para nesses tempos de sustentabilidade
Reciclar ou renovar nossa humanidade
Há tantos lugares lindos e inimagináveis
Quiséramos encontrar um que garantisse felicidade!
Alda M S Santos
PENSO, LOGO…
Penso, logo, admito, eu sinto
Sinto o que se passa lá fora
Sinto o que mexe e remexe cá dentro
Sinto, penso, logo, ajo, reajo
Ao que dói ou fere a alma
Ao que tira a paz, a calma
Sinto, penso, repenso, reflito
Acabo logo por dirimir o conflito
Sinto muito, pelo que parece não ter jeito
Por um mundo carregado de feiúras e defeitos
Sinto, logo, desejo poder fazer algo para mudar
Esse existir que deixa a tantos sem lugar
Sinto, penso, logo, permito que existam
E que sejam valorizadas ou criadas
Percebidas e enaltecidas nessa jornada
Toda a beleza e perfeição que há também
E que possa ser de todos, que não exclua ninguém
Sinto, penso, reflito e faço a roda da vida girar
Demorando um pouquinho mais onde puder amar…
Alda M S Santos
Qual é seu propósito de vida?
PROPÓSITO DE VIDA
Fico me perguntando se quando vim parar aqui
Se fiz algum combinado do lado de lá
Se assinei algo, deixei registrado, marcado
Que teria objetivos a alcançar, coisas a realizar
Será que as escolhas que faço ou não
Os caminhos que pego em detrimento de outros
Será que são parte desse propósito?
Será que há algo em mim sempre a lembrar
Do que vim fazer aqui, para não desanimar
Mesmo nos momentos difíceis não desistir
Olho as pessoas que caminham comigo
Para as quais tento ser o abrigo
Será que estão também nos planos
Para facilitar, não haver enganos?
Será que algo pulsa em mim quando choro
Quando canso, me esgoto, ignoro ou imploro
Para renovar as forças e continuar?
Será que tenho bem usado os dons que recebi
Para melhorar meu viver e dos outros por aqui?
Queria fazer um check list, marcar ok
Naquilo já concluído, ver o que falta
Será que só irei embora quando realizar 100%
Ou posso ir quando alcançar 60%?
Olho meu entorno e penso: estou no caminho certo?
Queria receber um feedback: siga ou não
Melhor voltar, aí é contramão!
Às vezes sinto que só sigo em frente
Deixo-me levar pela corrente…
Noutras acredito que até a corrente é trilha
Determinada previamente para meu caminho…
Ah, sei lá, só queria saber que estou indo bem
Que não estou atropelando nada nem ninguém
Só isso!
Qual meu verdadeiro propósito por aqui?
Alda M S Santos
SIMPLES PALAVRAS?
Palavras cortam, ferem, curam, consolam
Maldizem, bendizem, abençoam, amaldiçoam
Constroem, destroem, afastam, acolhem
Ficam ao vento, no tempo, ao relento
As especiais encontram dentro da gente bom terreno
E fazem dali um lugar adequado para crescer e florescer
Não há como voltar atrás depois de lançadas
Há que se ter sabedoria ao proferir as selecionadas
Com palavras podemos abraçar, acolher uma dor
Com palavras podemos amenizar um dissabor
Com palavras podemos demonstrar nosso interesse e amor
Com palavras podemos ser colo, compreensão e calor
Palavras ditas da boca para fora, sem critério
São superficiais, não causam refrigério
Mas quando se quer que chegue ao coração, que cause boa emoção
É preciso que saia do fundo de cada coração
Alda M S Santos
AQUELES DIAS…
Aqueles dias em que a gente se questiona
O que veio fazer aqui nessa zona
Dias em que só coisa chata atrai o olhar
E dá vontade de só dormir ou chorar
Aqueles dias em que dá vontade de desistir
Arrumar um canto para onde fugir
Pedir para o disco voador nos buscar
E levar para qualquer outro lugar
Aqueles dias em que nada tem graça
Tudo parece ser feio, tanta desgraça
Não consegue mover, fica estacionado
E não vê nada que valha seu agrado
Aqueles dias em que se pergunta a Deus
Por que estou aqui, qual o propósito Seu
Diga, por favor, renove minha fé e energia
Sou sua filha, quero agir, seguir, sentir a magia
Aqueles dias em que Ele mais fica perto
Ter essa fé, sentir a vibração, isso é certo
Dias em que mergulho fundo em oração
Único meio de sentir em mim a renovação
Alda M S Santos
LINHA DE CHEGADA
Quiséramos saber qual o ponto de partida
O início de tudo, os planos para essa vida
A linha de chegada tantas vezes parece distante
Deixa-nos com a coragem lesa, inconstante
Será que só há um ponto de largada
Visando apenas o final, a chegada
Ou várias vezes rompemos a fita
E largamos novamente nessa trilha bonita?
Tantas chegadas, tantos recomeços
Tantas quedas, desânimos, tropeços
As companhias são as mesmas nessa corrida
Ou há desistências e trocas na partida
Tão bom poder chegar, aportar
Melhor ainda curtir cada curva da estrada
Valorizar cada queda ou parada
Estamos sempre largando ou chegando
E a vida infinitamente recomeçando…
Alda M S Santos
AQUI TEM BRASILEIROS
Brancos, negros, índios
Deliciosa e encantadora miscigenação
Sangue guerreiro, sangue vermelho, sangue brasileiro
Cultura ímpar, sem igual, que se eterniza em cada um de nós
Que se solidariza, se humaniza, se enraíza
Mulatos, mamelucos, cafuzos
Confusos… mas sempre brasileiros
Do Oiapoque ao Chuí…
Dos fios de cabelos loiros, negros, crioulos, sarará
O coração bate no ritmo da alegria, da esperança
Independente da cor da pele, do que carrega no bolso ou no coração
Ou das batidas dos tambores ou atabaques da vida
A cor da alma é a cor do amor…
Aqui tem brasileiros, aqui tem raça!
Alda M S Santos
VAI PASSAR?
Bom mesmo é desenvolver a sabedoria
Aquela que deixa a alma em harmonia
Não importando se lá fora chove ou faz sol
Se lá está nublado cá dentro pode estar claro
Ou mesmo que se nuble também o coração
Sabe-se que é uma fase só, vai passar
Os altos e baixos sempre farão parte desse caminhar!
Poder manter esse equilíbrio interior
Quando desaba tudo no exterior
É o melhor aprendizado que se pode adquirir por aqui…
Alda M S Santos
DEIXE AS ÁGUAS ROLAREM
Deixe as águas caírem e rolarem
Sejam das nuvens, das cachoeiras ou dos olhos
Águas represadas por muito tempo
Geram dores, malefícios, ficam ácidas, apodrecem
Águas paradas causam tragédias e destruição
E o que poderia ser uma chuvinha fina, uma garoa bem vinda
Torna-se um furacão perigoso e assustador
Deixe as águas rolarem
Elas sempre lavam o que está sujo
Elas sabem e encontram o caminho a seguir…
Alda M S Santos
ABRAÇAR UMA CAUSA
Aquele que abraça uma causa
Que se entrega, veste a camisa
Executa uma tarefa clara e precisa
Que tem ou se estabelece um propósito
E não se torna apenas um depósito
De conhecimentos, força e energia
Será sempre alguém que espalha alegria
O que divide com o mundo, devolve ao universo
O recebido, o conquistado, afasta o perverso
Executar um trabalho por aqui nessa viagem
Exige empenho, responsabilidade e dedicação
Não importa se terá ou não remuneração
Se estará na vantagem ou na desvantagem
Entregar-se a algo com amor e carinho
Usar as habilidades e dons com jeitinho
É ser gente, é exercer nossa humanidade
Há tanta gente carente de solidariedade
Quem ainda não encontrou pelo quê viver
Olhe no seu entorno, sempre há algo por se fazer…
Alda M S Santos
NÃO PODEMOS FUGIR!
Somos todos responsáveis enquanto humanidade
Ao permitirmos e aceitarmos fatos com naturalidade
Quando ignoramos a dor do outro e a exclusão
Quando nada fazemos nesse mundo de tanta aberração
Somos responsáveis por acharmos que não é nosso problema
Ficarmos em nosso cantinho, deixar para lá os dilemas
Não interferir, não agir, nada fazer é ser conivente
Se estamos todos por aqui como ser vivente
Nosso papel é lutar por um mundo melhor, mais humano
Não podemos simplesmente fugir ou fingir
Não dá para nos esconder ou nos eximir
Se estamos bem e podemos, é melhor estender a mão
Há muita gente nesse universo precisando compreensão
Só assim vamos contribuir para um mundo mais irmão
Alda M S Santos
ALMA ZEN…
Esse mundo anda muito cansativo e chato
Pessoas que ofendem, magoam, ferem o trato
Justificando como liberdade de expressão
Abrem a boca e fecham à chave o coração
Não sabem lidar com o que é diferente
Batem no peito e ignoram a dor de toda gente
Ninguém é obrigado a conviver se não gosta
Mas respeito é essencial, a regra tá posta
A vida ensina em cada situação
Os revezes são amigos, deixam a lição
Se não dá para ficar, pode abrir mão
Se não concorda, não te faz bem
Não fique perto, vá para longe, amém!
Bom é deixar a alma zen…
Alda M S Santos
TEM CONTROLE DESSA AERONAVE?
Tantos botões, luzes e relógios nesse painel
Confuso manter o controle dessa coisa no ar
Mas basta atenção e treino, horas de voo
Aí fica quase automático o prazer de voar
Para uma boa experiência de navegação
É preciso ser acessível a comunicação
Sentir segurança é tão imprescindível
Se quiser voar alto, apesar do (im)possível
Seria tão bom termos essa certeza na vida
Saber qual botão apertar em cada lida
Colocar no automático quando cansados
Voar sem destino até ficar de novo motivados
Há momentos em que se deseja voltar para o hangar
Ou parar o relógio, ficar ali infinitamente no ar
Lá de cima observar a tudo e todos, a beleza do lugar
A vida é feita de voos e pouso, até a aeronave pifar
Alda M S Santos
Diga uma palavra que descreve você.
EM UMA SÓ PALAVRA
Pediram uma palavra que me descreveria
Aí que fui analisar qual melhor caberia
Não achei uma que cumprisse tal missão
Sou recheada delas, digo de antemão
Já que sou verso penso que cabe POESIA
Essa palavra abrange tudo que é magia
Nela pode haver tristeza ou alegria
Busca por paz, sabedoria, luz e harmonia
Já que sou simples também cabe AMOR
Não sei viver sem ele, tudo vira dor
Sou natureza, sou jardim, sou doação, sou flor
Sou cachoeira, sou mar, sou brisa e calor
Já que sou ativa e animada cabe ENERGIA
Nunca me canso, sou movimento, sou do dia
A noite para mim foi feita para relaxar
Também para dormir, descansar ou namorar
Já que acredito tanto em Deus, cabe FÉ
Ele é minha força, não me deixa arredar pé
Creio que temos por aqui uma missão
Não desisto e sou grata à Criação
Alda M S Santos
AMPULHETA
Observando o descer suave da areia na ampulheta
Percebo o fluir rápido de nosso existir por aqui
Tantas vezes reclamamos que o tempo não passa
Que aquele dia ou momento especial não chegam
Temos a vontade de acelerar cada estágio, cada faceta
Mas quando o conteúdo de cima já parece pouco
Gostaríamos de reduzir o ritmo, pedir que vá devagarinho
Que nos dê mais oportunidades, mais um tempinho…
Poder parar, talvez voltar, virar ao contrário, reiniciar
Mas a areia continua descendo sem se importar
O sol continua nascendo dia após dia, parece alheio
As tempestades vão e vêm, a lua muda as fases
A roda da vida nunca para de girar…
Não importa se estacionamos, gritamos ou silenciamos
O jeito é ser amigo, aliado do tempo
Não acelerar, não parar, seguir aproveitando
A cada momento dando o devido valor, acreditando
Que a areia na ampulheta é a mesma até o fim
Cabe a nós mesmos nunca desistir, como ela, fluir…
Suavemente, lentamente, sabendo que não acaba
Somente muda de lugar, talvez, do outro lado, recomeçar…
Alda M S Santos
VENCER…PERDER…
Quais ficam mais eternizadas na memória
O vencer ou o perder, a derrota ou a vitória?
Vasculhando meus porões internos
Percebo o quanto tudo pode ser eterno
Quanto às derrotas, cujas visitas são dolorosas
Percebo precisar de uma alma valente e corajosa
Aquilo que foi em mim mesma processado e perdoado
É visita tranquila, sempre rica em aprendizado
Já as vitórias costumam estar em baús mais abertos
Sempre lembradas para motivar o que temos como certo
Porém, se não foram vivenciadas com sabedoria
Talvez tenham criado no entorno alguma desarmonia
Bom é saber que vitórias e derrotas são partes da vida da gente
Encarar os fatos como amigos é muito producente
Ter alguém com quem dividir a dor e alegria de ser humano
Faz da vida uma história mais leve, disso não me engano
Alda M S Santos
EVOLUÇÃO
Evolução exige dedicação e perseverança
Aquele jeitinho de reaver a esperança
É saber lidar com o que fere, adoece
Afastar mentiras e falsidades, ser prece
Evolução pede cuidado com o outro, consigo
Em busca de paz interna, de um bom abrigo
Também pede que se consiga perdão
A tudo que possa magoar o coração
Evolução é porta aberta para a amizade
Para o amor e sonhos que nutrem a felicidade
E saber aproveitar a vida em qualquer idade
Evolução caminha ao lado da maturidade
Luta diária, mudança, autoaceitação, liberdade
É, principalmente, encontro com Deus, a verdade
Alda M S Santos
COMO JARDIM
O bem não arromba portas, nada impõe,
Não causa medo ou nojo, não dói a consciência
Não gera culpa, não pesa… é leve
Como um colorido jardim na primavera
Só traz alegria a quem nele persevera
O mal, ao contrário, é invasivo, pesado, turvo
Ele engana, mente, causa dor, angústia, dúvida
E quando vai embora deixa um rastro de destruição
É um jardim destroçado pela inundação
E, por mais que se tente, não se vê salvação
Alda M S Santos
HUMANIDADE FALHA…
São dois milênios e a humanidade continua falha
Como humanos racionais a gente ainda se atrapalha
Invasões e “descobertas” de terras já habitadas
Dinheiro e ouro ditando ações inimaginadas
Quase submissão dos mais frágeis povos originários
Imposição da força, ameaças, agir arbitrário
Do “nunca mais” dito ao holocausto emudecemos
Tanto horror e desumanidade esquecemos
Fome, abusos, roubos, moléstias exclusão
Vergonha dessa humanidade sem coração
Que se julga superior e causa tamanha dor e comoção
A vida uma hora cobra tanta agressão
A um povo, uma raça, natureza sob pressão
A conta vai chegar… terá de nós compaixão?
Alda M S Santos
Mais no meu blog vidaintensavida.com
#holocausto #crisehumanitaria #yanomamispedemsocorro #Brasil
QUAL O PREÇO?
Tudo nessa vida tem um preço
Que é cobrado todo o tempo da gente
Pagamos pelo excesso, pela falta
Dor ou alegria, aquilo que está em pauta
Pagamos pelo que passa na mente
Por tudo que se vive, simplesmente
Pagamos por seguir o caminho
Rápido, lento, acompanhado ou sozinho
Pagamos por ficar parados, estacionados
Por não tomar frente, ficar de lado
Pagamos por mudar, crescer, evoluir
Pagamos também por cair, por regredir
Pagamos pelo amor que nos permitimos
Pelo que recebemos, pelo que doamos
Pelas amizades que felizes carregamos
Pelos fardos leves ou pesados que levamos
Ah, se por tudo se paga um preço
Melhor escolher bem o que se leva com isso
Bom refletir bem o custo e o benefício
Olhando o que você tem, sem artificios
Tem valor pelo preço que está pagando?
Alda M S Santos
AQUELES DIAS
Aqueles dias dos quais ninguém está livre
Cuja vontade é achar um cantinho para hibernar
Sem ninguém para incomodar
Nada ou tudo falar, pensar, repensar, adormecer
Quando não conseguimos o quebra-cabeças montar
E tudo que queremos é sair desse mal-estar
Onde será esse lugar?
Será preciso num avião decolar
Ou num barco alcançar o alto mar
Ao volante dirigir sem rumo até cansar
Ir até o céu com as estrelas e a Lua conversar
Num foguete à via láctea chegar
Ou será que está mais perto e bastaria apenas
Mergulhar nos recônditos secretos de nosso ser
Sorrir, chorar, brigar, apaziguar, debater
E ali ficar até desfalecer ou renascer…
Alda M S Santos
FINS E MEIOS
Fins, meios…qual seu objetivo
Qual o meio para torná-lo real
Será que isso é mesmo subjetivo
Ou há algo que legalize o normal?
Só importa o que você quer e almeja
Independente do que se põe na bandeja
Ou há certas leis, limites e restrições
Que impedem alguns tipos de ações?
Os fins são nossas metas, são importantes
Lutar por elas deve ser nosso plano constante
Cuidando daquilo que é correto ou relevante
Meios que vilipendiam ou ferem pra vencer
É o limite que devemos sempre estabelecer
Não é bonito o meio que destrói para viver
Alda M S Santos
PERDÃO!
Perdão, quando não soube caminhar por esse chão
Pelas vezes que disse sim, quando deveria dizer não
Ou, quando ao contrário, faltou coragem para o sim
Sabendo que ele que me traria pra mim
Perdão pela afobação, pela impaciência
Pela falta de esperança ou resiliência
Por desistir muitas vezes, cansada
Por não ter visto nenhuma luz nessa estrada
Perdão a mim mesma, quero leveza
Perdoar, perdoar-se, seguir nossa natureza
A culpa é um fardo muito pesado
Quem perdoa a si e ao outro é abençoado
Perdão não implica seguir na mesma situação
Ele é luz para nova estrada, nova sensação
Sem a bagagem do ontem, do passado
Coma alma leve, o futuro vem bem anunciado
Alda M S Santos
LIVRE-ARBÍTRIO?
Como lidar com esse mundo?
Gente maltratando gente, jeito imundo
Nação contra nação, irmão contra irmão
A natureza que grita por salvação
Como lidar com discriminação e corrupção
Cidadão que se acha dono da situação
Ofendem e maltratam a natureza
Flora, fauna…a vida perde sua riqueza
Humanos que condenam outros humanos
Causando na humanidade grandes danos
O amor já não é olhado com simpatia
O ódio tem alcançado o alto, a soberania
Como somos olhados pela Criação
Que Deus pensa desse viver sem compaixão
Vai nos dar corda, respeitar nossa decisão
Ou livre-arbítrio não será boa opção?
Alda M S Santos