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Nesse barco…

NESSE BARCO…

Não importa se viemos de barquinho ou jangada
A passagem por aqui precisa ser bem aproveitada
De lancha, jet-ski, veleiro ou navio
Quando se assusta, a vida passa num fio

Curtir a brisa, a chuva ou o vento no rosto
Se possível superando qualquer contragosto
Sob calmaria, tempestade ou vendaval
Potencializar o bem, não favorecer o mal

Bom mesmo são as companhias nessa viagem
Escolher bem, acolher, não deixar à margem
O amor e a amizade embelezam qualquer paisagem
Abraçar a vida, ser gratidão, essa é a maior vantagem

Alda M S Santos

Um dia de cada vez: só por hoje!

UM DIA DE CADA VEZ: SÓ POR HOJE!
A máxima dos grupos de ajuda
Das pessoas que sofrem qualquer mal
Quer seja mal físico, emocional, dependência química, vícios, é:
Um Dia De Cada Vez.
Só por hoje!
Só por hoje vou ser forte!
Só por hoje vou resistir!
Só por hoje não vou querer!
Só por hoje terei coragem!
Só por hoje não terei saudade!
Só por hoje não vou sentir medo!
Só por hoje não vou sofrer!
Amanhã será novo dia e novamente: só por hoje.
Assim fica mais fácil vencer qualquer dor, tristeza, sofrimento, saudade…
Pensar em lutar contra algo para sempre é tempo demais!
E se houver recaídas, tudo parte novamente daí.
Humanos erram, caem, levantam e seguem…
Humanos acreditam, mesmo sofrendo!
Por isso, quase sempre vencem…
Alda M S Santos

Você diz?

VOCÊ DIZ?

Você diz tudo que pensa
Pensa em tudo que diz
Ou se esconde atrás da verdade
Por medo de alguma maldade?

Você diz tudo que sente
Ou fica na sua, reticente
Sem saber se vai magoar um inocente
Ou deixar sua vida mais aparente?

Mete-se onde não é chamado
Na tentativa de ajudar um amigo, um aliado
Ou prefere ficar num canto calado
Aguardando melhor hora, ser convidado?

Você diz o que te faz feliz
Ou se preserva para não ficar infeliz
Partilha seus sonhos, desejos e vontades
Ou deixa a vida seguir em sua tranquilidade?

Você diz?

Alda M S Santos

Eu posso!

EU POSSO!

Não posso parar as guerras ou os conflitos
Tampouco os bombardeios diversos nessa nau
Eu posso ser a barricada que protege os aflitos
Quando não dissemino a discórdia e o mal

Nem sempre posso organizar o caos
Ou evitar a escuridão que cai sobre nós
Eu posso manter minha luz, meu sol
Um ponto de apoio, no silêncio, a voz

Não posso impor o melhor caminho
Tampouco abrir trilhas, tapar buracos
Eu posso ser companhia a quem está sozinho
E um resquício de força aos mais fracos

Não posso acalmar os oceanos internos
Acender o arco-íris ou parar as tempestades
Eu posso ser o cobertor nos frios invernos
E rememorar o alimento das boas saudades

Não posso sequer imaginar o porvir
Ou entender a galáxia, o espaço sideral
Eu posso ser o porto seguro, o cais
Nas brisas suaves ou nos fortes vendavais

Eu posso! E você?

Alda M S Santos

Enquanto espero…

ENQUANTO ESPERO…

Enquanto espero por um mundo mais tolerante
Vou trabalhando, me afastando dos arrogantes
No aguardo por um mundo mais igualitário
Afasto o egoísmo, sou mais solidário

Enquanto espero por mais primaveras
Vou cuidando das mudas, regando meus jardins internos
Na esperança por humanos mais evoluídos
Tento ajudar os mais caídos e vencidos

Não que eu não fique também sofrida
É que na tentativa de “levantar” o outro
Percebo que me levanto também no processo
Acredito que assim pode haver mais sucesso

Nos invernos que todos, sem escolha, vivemos
Sei que hibernar não é ficar à toa, é acreditar
Que tudo tem o momento certo e o lugar
Orar, trabalhar, esperar: o verão vai chegar

Alda M S Santos

Qual sua cura?

QUAL SUA CURA?

Qual sua cura?
Aquela que te afasta o mal
Que não deixa a tristeza crescer
E nada de ruim dura?

Qual sua cura?
A vida em cores, mais amores
Amizades novas, saudades antigas, aventura
Ou um pouco de loucura?

Qual sua cura?
A música que aquece e acalma
A dança, a parceira, a doçura
Ou uma vida sem censura?

Qual sua cura?
Será uma passeio, um abraço, um beijo
Um olhar terno e verdadeiro 
Ou um amor que perdura?

Qual sua cura?
Sorrisos sinceros, palavras doces
A natureza, a intensa beleza
Ou a poesia que afasta toda amargura?

Qual sua cura?

Alda M S Santos

Apague a luz, quero dormir!

APAGUE A LUZ, QUERO DORMIR!

Apague a luz, quero dormir até tudo isso passar!
Ouvi um diálogo em que alguém justificava a masturbaçâo pública coletiva de futuros médicos diante de jogadoras de volei.
“São comportamentos de jovens se divertindo. Precisam parar de achar que o título de médico carrega santidade”.
Ok. Jovens se divertem, médicos estão longe de serem santos. Aliás, ninguém por aqui é!
Porém, não só médicos, todo ser humano, deveria carregar decência e respeito por si, pelo outro, e, sim, pelo título profissional que irá carregar!
Como confiar suas questões de saúde, um momento de fragilidade a alguém tão desrespeitoso com o outro?
Os valores desses candidatos a médicos já estão distorcidos.
Quem valida ou desculpa isso tem valor e caráter questionável!
A humanidade grita por socorro!
Quando será mesmo o período de regeneração?
Apague a luz, quero dormir até essa hora chegar!

Alda M S Santos

Ainda há muito para viver?

AINDA HÁ MUITO PARA VIVER?

Olhar para trás, refazer os passos
Novo olhar, outro compasso
Será que valeu a pena o que ficou?
Como lidar com o que restou?
O que falta ainda para viver?
Desejos de editar, mudar a trilha sonora
Reescrever partes dessa história
Eternizar alguns momentos
Deixar outros em câmera lenta, saborear
Já alguns poder apagar, deletar
Jogar na lixeira emocional, seu lugar!
Em retrospectiva momentos embaçados
Momentos brilhantes, abençoadas
Cada trilha dessa vida por vezes comprida
Houve também dores sofridas
E muita alegria contida, outras bem vividas
O que ainda falta para viver?
Resta energia, animação, disposição?
Posso seguir, ainda há contramão?
Tanta coisa triste, gente má, decepção…
Vejo gente nova chegando ao mundo
Recomeçando…circulando… prosseguindo
A vida não para nunca…
Ela sempre recomeça em alguém
Em algum lugar o dia amanhece
Ainda que muitos estejam entardecendo
Vou anoitecendo devagarinho…
Até amanhecer em outro lugar…
Ainda há muito para viver?

Alda M S Santos

Mundo largado

MUNDO LARGADO

O tempo está passando, vidas indo, outras chegando
A ciência evoluindo, a politicagem aumentando
Gente boa sendo enganada, ruim sendo aplaudida
O caminho parece cansativo e longo, trilha comprida
O desejo de conquistar o mundo ora domina
Em contraponto com vontade de desaparecer numa esquina
Horas em que tudo parece ter um significado
E outras em que nada faz sentido, mundo largado
Vontade de nos misturar a tudo, não mais pensar
Apenas nessa viagem louca nos deixar levar
Porque há momentos em que se for parar para refletir
Só prevalece o desejo insano de fugir
Fechamos a conta, jogamos a toalha
O coração aperta, a vista embaralha
E ainda há quem acredite nessa humanidade
Que investe em nós, parece mesmo insanidade
Guerras, abusos, corrupção, doencas, demagogia
A mente sofre, coração aperta, o que alivia?
Saber que Deus ainda nos mantém por aqui, acredita
Não adianta desistir, se entregar ou fazer fita
Acordar, levantar da cama, abrir a janela, chuva ou sol, frio ou calor
Melhor seguir nesse caminho…e investir no amor
Só ele é capaz de fazer tudo isso ser mais leve e verdadeiro
Nas idas e vindas desse trem nos mantermos passageiros
Só ele. Só Ele!

Alda M S Santos

Já me faltou…

JÁ ME FALTOU…

Já faltou a luz, o norte, a direção
Mas nunca faltou o caminho, a oração
Já faltou o ânimo, o desejo, a vontade
Mas nunca faltou a esperança de felicidade
Já faltou a força, a energia, a coragem
Mas a fé sempre foi bela paragem
Já faltou a crença na humanidade
Mas Deus sempre renovou em mim a bondade
Em alguns momentos sobraram medo e solidão
E me abasteci de sonhos e renovação
Já faltou autoestima, o amor-próprio
Na literatura, na poesia encontrei meu ópio
Já não me senti querida, amada, desejada
Mas quem nunca pensou em abandonar essa parada?
Já tive a fé estremecida, a esperança perdida
Mas nunca faltou amor à vida
E em mim mesma busquei guarida
Já me faltou o ar, o gás, o chão
E os sonhos foram meu céu, a rima do meu coração
Que já te faltou?

Alda M S Santos

É melhor!,

É MELHOR
Às vezes é melhor ficar quietinho em nosso canto
Aboletada lá naquele espaço nem sempre aconchegante de nossa alma
Quando olhamos para um lado e vemos silêncio
Para o outro indiferença ou pranto
Para a frente só desânimo ou desencanto
Nem todo dia é brilho ou luz
Nem todo caminho está sempre aberto
Nem todo o tempo somos alegria, energia
Às vezes é tudo tão cru, frio, incerto
Melhor entrar para dentro da gente
Fechar a porta, trancar, passar a chave, a corrente
Rezar, nos abraçar, sorrir ou chorar, extravasar
E esperar essa corrente negativa passar
Quando ela se for, a gente sai devagar
Mais fortalecidos e dispostos a tudo enfrentar…
Nem todo dia o sol brilha
E precisamos aceitar nossos nublados
Nossas garoas e chuviscos
São eles que fazem florescer a trilha
E nos tornam dispostos, menos ariscos
É melhor…
Alda M S Santos

Telhado de vidro

TELHADO DE VIDRO

Ah, esses nossos telhados de vidro…
Tanta gente que insiste em apedrejar telhado alheio
E o seu ali exposto para quem quiser apedrejar
Não adianta tentar recolher pedra lançada
Mas, na maioria das vezes, ela volta
Com força e capacidade de destruição redobrada
Nossos telhados podem parecer potentes
Mas não há telhado assim tão resistente
E o inimigo sempre descobre os pontos frágeis
Não há ninguém por aqui tão irrepreensível
De conduta e postura totalmente ilibada
Melhor cada qual cuidar de sua grama ou seu jardim
Dos seus telhados e toda a obra enfim…
Se for para lançar algo, que seja construção
Se algo voltar não haverá destruição
Nunca vi telhado algum se quebrar com flores
Com brisa suave ou chuva fininha…
Como anda seu telhado?

Alda M S Santos

O círculo da vida

O CÍRCULO DA VIDA

Sigo a vida de forma bem cíclica
Sabendo que quando o círculo se fechar
Haverá um novo começo, um redesenhar
Cada passo, cada risco, cada traço
Cada dor, cada cor, cada compasso
Na tela branca da vida a arte se faz
Eu me construo, reconstruo, me.destituo
De pesos, de cargas, de sobrecargas
Refaço os caminhos, busco meu cantinho
Aquele especial dentro de mim
Leva-me a passear, revisitar cada pedacinho
De luz, de escuridão, de força, fragilidade
Sabendo que ainda posso ser minha verdade
Sem desconsiderar os demais, sou paz
Em mim reencontro o que me refaz
Certa que nessa grande esfera da vida
Tudo volta ao começo, nada se finda
Isso te acalma ou te assusta?

Alda M S Santos

A que vim

A QUE VIM

Nem sempre consigo identificar
A razão de por aqui estar
Não sei se faço bem em buscar
Um motivo, um objetivo para continuar

Tantas vezes já parece tão cheio o jardim
Já não me cabe, meio diferente assim
Abelhas, borboletas, beija-flores
Brincam entre os canteiros entre tantas cores

Ando para lá, voo para cá, dou o melhor de mim
Tento não ficar onde não estão a fim
Sigo buscando a que vim

Olho em volta, olho para dentro de mim
Busco força, um trampolim
Me descubro meu próprio jardim

Alda M S Santos

Ipês

IPÊS

Pra todo lado que se olhe é lindo de se ver
Grandes, imponentes, maravilhoso florescer
Em vias quaisquer, rurais ou urbanas
Enchem os olhos, encantam a vida humana

Cores vivas, atraem o olhar mais desavisado
Difícil ficar alheio, não se sentir hipnotizado
Rosas, roxos, brancos, amarelos, azuis
Os ipês são da Criação uma linda obra, são luz

Florescer que se dá na seca, no inverno
Nos ensinando que todo tempo é tempo
De deixar brotar nosso querer interno
Ainda que tudo pareça frio no externo

O desejo é de apenas ficar ali
Observando a vida colorida a florir
Houve perda total das folhas, pareceu morrer
Antes desse lindo e colorido reviver

Alda M S Santos

Mundo

MUNDO

Mundo que tira, mundo que dá
Mundo que nos deixa a pensar
Mundo que nos rouba, que nos devolve
Mundo que nossas entranhas revolve

Mundo que nos cansa, nos ensina
Mundo que decepciona, nos fascina
Mundo do qual queremos fugir, sumir
Mundo que nos cativa e nos faz insistir

Mundo para o qual viemos por alguma razão
Para crescer, amar, lutar, ser evolução
Mundo que carrega muita desigualdade
Onde queremos ver mais humanidade

Mundo que quero subir no pódio e aparecer 
Às vezes quero ser minúscula, desaparecer
Mundo que quero deixar melhor que encontrei
Por isso busco fé e coragem, não desistirei

Alda M S Santos

Desafios

DESAFIOS

Levantar cedo com chuva lá fora
Ver quem a gente ama ir embora
Ouvir mentira e falsidade e ficar calado
Não ter quem a gente quer do nosso lado

Ter que escolher entre o ruim e o pior
Lutar contra alguém que parece maior
Escolher entre praia ou cachoeira
Levar decepções e mágoas na brincadeira

Manter leve e solta uma amizade
Engolir o choro quando falta lealdade
Sorrir quando o desejo é de sumir
Ter que fazer de conta, disfarçar ou fingir

Dizer não ao queijo com goiabada
Querer ser sempre a bela namorada
Dividir a cama, o abraço e o cobertor
Ser e fazer morada por direito e não favor

Conquistar alguém que está distante
Manter uma relação quente e vibrante
Fazer do amor um belo e doce desatino
Sem perder a sanidade, abraçar o destino

Alda M S Santos

Joga fora!

JOGA FORA!

Joga fora o que já não aquece
Ou aquilo que causa aperto, enrijece
Joga fora aquilo que fere e machuca
Assim vamos fugindo de arapucas

Joga fora o que não alegra e perfuma
Que não permite cor e beleza alguma
Joga fora, lance sem piedade ao vento
O que trava e estaciona o pensamento

Joga fora o amor que só causa dor
Certamente há algo com menos rigor
Joga fora, ou recicle, um sentimento
Busque reciprocidade, contentamento

Joga fora o que não é primordial
Por aqui manter o bem, afastar o mal
Nessa viagem só bagagens leves
Amor, paz, luz, união, a vida é breve

Alda M S Santos

Um rio

UM RIO

O rio da minha vida segue devagarinho
Sem se importar com obstáculos do caminho
Tem sempre em mente seu objetivo
Encontrar-se com o mar, ser dele cativo

As pedras são lentamente contornadas
As matas ciliares apoiam, são abençoadas
A luz brilhante que chega por entre os galhos
São uma energia a mais, iluminam os atalhos

Meu rio passa por sombras assustadoras
Outras são leves e compensadoras
Muitas vezes caudaloso, forte, intenso
Noutras um fio de água só, sequer penso

Meu rio sabe que um dia chegará ao mar
Mas quer curtir todo o caminho, quer passear
Quer encontrar afluentes, brincar, namorar
Pois entende que o amor tem ali seu lugar

Alda M S Santos

Tempo para tudo sob o céu

TEMPO PARA TUDO SOB O CÉU

Há tempo para tudo debaixo do céu
Já diz o versículo que levanta todo véu
Há tempo de plantar e de colher
Em todos os momentos do viver

Há tempos que são concomitantes
Tempo de alegrias e dores lancinantes
Choramos por aquilo que machuca, destrói
Sorrimos pelo que nosso amor constrói

Tempo de fechar trilhas, desistir
Tempo de abrir caminhos, insistir
Tempo de mandar o que fere ir embora
Tempo de acolher o que faz bem, sem demora

Sigamos plantando, podando, irrigando
Arrancando, jogando fora, descartando
Colhendo a semente que gerou vida e amor
Lançando fora o que não traz mais calor

Alda M S Santos

Vamos vencer!


VAMOS VENCER!

Insisto na vida, não desisto, persisto
Mesmo por trás do dia embaçado pelas incertezas
Ainda que o amanhã pareça sem perspectivas
Ou que eu não tenha assim tanta destreza
Eu acredito que a humanidade irá vencer
Que saberá superar o egoísmo pesado e cruel
Penso que haverá sempre um colo protetor
Um alguém que nunca desistirá de ser amor
Tento não focar em tudo de ruim que vejo
Alimento meus pensamentos do broto bom
Deixo minha audição aberta para doces sons
Abraço a esperança que há no sorriso da criança
Estendo a mão àqueles que estão por perto
Ignoro os ventos, tempestades e vendavais
Observo o céu e todos os seus sinais
Aguardo o arco-íris, ele sempre vem…
Percebo que minha energia contagia meu entorno
Tento vibrar alegria, fé, luz, cores e magia
Se o mundo foi feito para a gente evoluir
Se estou por aqui, não desperdiço, vou conseguir
E se puder levar comigo uma legião de almas boas
Eu o farei, vamos agradecer, acreditar, caminhar, viver não é a toa….

Alda M S Santos

Única

ÚNICA
Sou como uma taça de cristal
Caída, quebrada, colada
Arrumada várias vezes, levantada
Para a vida brindar, animar
Não sou menos valiosa por isso
Tampouco menos bonita
Sou diferente!
Minhas emendas me tornam única
Minhas cicatrizes e marcas me fortalecem
Meus machucados me tornam solidária
Aos machucados dos outros
Minhas dores e medos me fazem empática
Às dores e medos alheios
Minhas falhas e imperfeições me fazem compreender melhor
As falhas e imperfeições das pessoas
O que eu vivi, construí e trago até aqui
Só me é valioso na medida que posso agir
E ajudar outra taça a se reconstruir…
Sou taça renovada, reconstruída!
E daí?
Alda M S Santos

Meu sol

MEU SOL

Sempre em busca do calor e luz do sol
Como uma árvore, uma roseira, um girassol
Tento não me afetar com as tempestades
Acredito que elas levarão embora as maldades

Sei que a vida tem seus vendavais
Que quase sempre nos deixam sinais
De um mundo passado, um futuro desejado
De um presente que tenha amor ao nosso lado

Tão bom poder encontrar por aqui um lugar
De paz, de luz, de doce recolhimento
Cantinho especial para desvendar sentimentos

Bom mesmo é acender o sol do lado de dentro
Em qualquer lugar levar brilho e contentamento
De uma vida desejada, alheia ao sofrimento

Alda M S Santos

As portas

AS PORTAS
Temos várias portas de acesso a nós
Aquelas que permitem que as pessoas cheguem
Que se assentem e decidam ficar
Às vezes são apenas janelas,
Ou pequenas frestas…
Por causa de medos e traumas anteriores
Quem chega tem o trabalho de descobrir
O melhor modo de entrar, nos conquistar e nos fazer bem…
Assim se dá com Deus
Tantas vezes Ele tenta chegar nas alegrias diárias
Através da família, dos amigos, de um amor
No trabalho ou na igreja
E muitas vezes não percebemos
Não O deixamos passar por essas portas
Às vezes só permitimos que Deus entre através das lágrimas
Dos momentos de sofrimento ou dor
Somos nós que escolhemos quem tem acesso a nós
Quando e onde…
Estejamos atentos as nossas portas
E a quem temos permitido acesso a nosso interior
Quem entra pode ajudar a arrumar a bagunça
Ou bagunçar o que já está arrumado…
Que saibamos fechar algumas portas desnecessárias
Abri-las para o amor de verdade, sem medos
E que Deus possa entrar por todas as portas!
Alda M S Santos

Maria-Fumaça

MARIA-FUMAÇA

Vem vindo toda poderosa a Maria-Fumaça
Atraindo gente de mãos dadas lá da praça
Carregado de histórias esse trem centenário
Hoje é atração turística, nosso belo relicário

Um passeio de doze km em seus muitos vagões
Diante de belas paisagens, moçoilas e varões
De Tiradentes a São João Del Rei, vai e volta
A alma faz dentro da gente uma cambalhota

O olhar encantado avista a Serra de São José
Descansa o coração, cheirinho de leite e café
Desfila século XIX em belíssimas arquiteturas
Museu Ferroviário, rotundas e conjecturas

Sobre trilhos nossa história é contada
Minas Gerais é terra ímpar, abençoada
Vagarosamente segue o velho trem
E a gente, feliz, deseja seguir também

Alda M S Santos

Em algum lugar do passado

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

Por aqui o tempo parece lento, quase parado
Em algum lugar do passado ficou estacionado
Alma vai e volta, rodopia nessa louca sensação
Quer  pouso nas vielas estreitas de um coração

Nem precisa esforço para ouvir as carruagens
Os cascos dos cavalos abrindo passagens
Ouve-se o farfalhar dos vestidos compridos
Ao longe o som de cansaço, alguns gemidos

As sombrinhas, chapéus e luvas das senhorias
E a tez atenta de suas jovens companhias
Senhores sérios, barbados e bem trajados
Traçavam destinos de tantos desafortunados

A história está registrada em cada canto
Museus, becos, casarões, igrejas e seus santos
Marcas políticas, sociais, religiosas, culturais
Deixando em cada um de nós os seus sinais

Nossa história precisa ser nossa maior mestra
Daquela que ensina, até mesmo adestra
Tatuados em nós estão alegrias e sofrimentos
Que fiquem também os grandes ensinamentos

Alda M S Santos

Seria muito?

SERIA MUITO?
Seria muito imaginar que fui o sonho de alguém
Que minha existência foi planejada
Que antes de aqui chegar eu existi em outro lugar
E foi a mente, a alma, o coração
A imaginação e o desejo de um alguém
Que me tornaram possível viver por aqui?
Será que estive antes no coração de meus pais
Que tudo estava combinado previamente
Que para esta dimensão eu viria
E que teria por aqui um trabalho a fazer?
Seria muito pensar que me materializei nesse plano
Para tornar real o amor de um alguém?
Seria muito imaginar que esperam algo de mim
Que me “vigiam” o existir e o fazer
Na esperança de que eu caminhe sempre para e pelo bem?
Sendo assim, seria muito pedir
Que me perdoassem os atos falhos
Os caminhos sem saída que peguei
As trilhas com inúmeras bifurcações que me enveredei
A luz que outras vezes ignorei?
Seria muito pedir, a quem sonhou comigo
A quem permitiu meu existir
Que estivesse sempre a meu lado
Levando-me pelas mãos para o melhor caminho
Que não me permitisse fugir
Orientando-me com palavras de doçura e carinho
Alertando-me aos buracos nas vias existenciais
Preparando-me para o porvir
Dando-me colo, atenção, amor?
É que pareço forte, sabe
Mas, a verdade, é que tantas vezes só quero um pouquinho de colo
De apoio e da certeza de que não estou só
Seria muito pedir?
Alda M S Santos

Talvez…

TALVEZ…

Talvez já deu o que tinha que dar
Talvez dê ainda para recomeçar
Talvez as nuvens densas possam assustar
Talvez o sol não consiga mais brilhar

Talvez a força esteja lá dentro escondida
Talvez precise ser redescoberta, revivida
Talvez a fragilidade ocupe todo o espaço
Talvez haja um grande descompasso

Talvez a fé não mova nossas montanhas
Talvez seja dura a descrença que acompanha
Talvez seja preciso um grande guindaste
Talvez a dor e a alegria façam contraste

Talvez a gente esteja já bem cansada
Talvez não queira ser reanimada
Talvez queira apenas numa caverna hibernar
Outonar, invernar, para depois primaverar

Alda M S Santos

Toma lá, dá cá!

TOMA LÁ, DÁ CÁ!

Seria bem matemático se a vida fosse assim
Um toma lá, dá cá, noves fora, equacionar, enfim
Mas não sou tão adepta das Ciências Exatas
Sou da área de humanas, nem sempre tão sensata

Prefiro lidar com sentimento, emoção
O que ofereço aqui não precisa reposição
Se o bem fluir livre para outro alguém
Estarei feliz desse jeitinho também

Fico pensando se Deus fosse assim tão matemático
Em sua avaliação fosse tão exato e prático
Se quisesse nos cobrar na ponta do lápis o que ofereceu
Será que a conta bateria certinho, seu Dirceu?

Gosto de ser assim: o que tenho me foi doado
Veio da Criação, até mesmo o que foi conquistado
Se puder fazer melhor a vida de outro ser humano
Penso que estarei realizando algo bom nesse plano

Alda M S Santos

Ao apagar das luzes

AO APAGAR DAS LUZES

Meu tempo por aqui já está se esgotando
Já vejo as luzes se apagando
Misto de alegria e dor no peito
Alegria pelo tempo concedido
Tristeza por algum mal feito
Quisera poder voltar lá atrás
Com a sabedoria de hoje
Mas com nova energia, novo gás
Poder editar ou reescrever
Apagar ou dar nova cor
Pintar com outros matizes e amor
Esse jardim que foi exposto ao tempo
Tantas intempéries e contratempos
Que fizeram dele uma obra de arte
Abstrata, clara, real, antiga ou contemporânea
Um olhar atento conseguirá identificar
Cada pontinho de lágrima ou dor
Cada momento de colo, ombro ou cobertor
Ah, minhas luzes estão quase se esvanecendo
Talvez eu já não volte amanhã
Mas meus registros e marcas nesse espaço
São uma história, minha trajetória
Entrelaçada a tantas outras histórias
Tantos novos capítulos ou temporadas
Fazendo dessa viagem uma grande maratona
Daquelas que cada um segue no seu ritmo
Da largada até o destino final: a chegada
Cheguei chorando por aqui
Espero voltar sorrindo
Sou grata por todo esse tempo.
A gente se vê numa nova viagem!
Até breve!

Alda M S Santos





Meu mundo para

MEU MUNDO PARA

Nas mil voltas que esse mundo maluco dá
A gente vai tentando não cair, nos segurar
Apegando-nos a algo que nos faça seguir
Que não nos trave no mesmo lugar

Tantas vezes queremos tocar a campainha
Dar um sinal que avise que queremos parar
Cansados estamos, tontos, só queremos descer
Arrumar um cantinho, encolher para descansar

Girando por aí para todos os cantos
Notamos que tantas vezes precisamos é nos soltar
De algo a que nos apegamos e nos prende no mesmo lugar
Por não querer seguir, se envolver, participar

Tantas as travas, tantas as tristezas
Que podem fazer nosso mundo parar…
Urge focar nas alegrias, nos estímulos, no belo
No amor que precisamos para fazer nosso mundo girar…

Alda M S Santos

De alguém

DE ALGUÉM

Aquela senhora idosa que você ignora na fila
É a avó de um alguém
Aquele velhinho cuja lentidão você faz pouco
É o pai, o avô de um alguém
Aquela mulher que trabalha e você explora
É a mãe de vários alguéns
Aquele jovem que você trata com desdém
É o filho, o neto de alguém
Aquela garota que você desrespeita e abusa
É a filha, a neta, a irmã de alguém
Aquele homem que você não valoriza, inferioriza
É o pai de família, o apoio, o esteio de alguém
Aquele cachorro que você quase atropela 
É o animal querido de um alguém
Aquela criança que você grita ou se impacienta
É o bebê, o filho, a razão de viver de um alguém
Todos nós somos alguém para um alguém
Somos especiais, importantes na vida de alguém
Vale sempre lembrar o que sentiríamos
Com o tratamento recebido ou ofertado
Como filhos, pais, mães, avós, família de alguém…

Alda M S Santos

Calmaria e intensidade

CALMARIA E INTENSIDADE

Somos feitos de fases, de estações
De ventania, de brisa, de furacões
Somos momentos de calmaria e intensidade
Somos um viver de paz e simplicidade

Na calmaria, é tempo de repouso do coração
Reorganizar as gavetas internas, a emoção
Mexer e remexer nos sentimentos guardados
Deixar o que faz bem ser potencializado

Na intensidade é hora de encarar tempestades
Alimentar a coragem com nossas verdades
Saber o tempo de se proteger dos enganos
Se é preciso ir lá fora lutar, amenizar os danos

Calmaria ou tempestade, sonho ou realidade
Momentos de saúde ou insalubridade
Invadem a alma da gente sem pedir licença
Escancarando as portas, forçando presença

Alda M S Santos

Da cor que a gente pinta

DA COR QUE A GENTE PINTA
Verde, vermelho, amarelo ou azul
A vida tem a cor que a gente pinta
Roxo, branco, preto ou laranja
Cinzenta ou multicolorida, talvez a gente a sinta
Se as cores que recebermos não forem suficientes
Vamos misturar, agitar, novas cores criar
Como as crianças dizem “quero de todas as cores” pintar
Vamos escolher melhor nossas paletas
Um jardim de muitas flores em várias facetas
E tingir nosso céu de azul anil
Nosso chão de marrom terra infantil
Nossas emoções de delicada violeta
Nossas lágrimas de clara magenta
Nosso sorriso de dourado amizade
Nossa esperança de verde solidariedade
Nosso amor de vermelho forte, vibrante
Nossas dores de amarelo calmante
Nossa alma furta-cor, multicor
Fazer do nosso e do mundo à nossa volta uma tela abstrata, repleta de amor
E quando tudo cinzento e tempestuoso parecer
Um arco-íris no céu de nossas emoções iremos fazer
Onde todos possamos nosso pote de ouro buscar
E o tesouro brilhante e valioso de uma vida em paz encontrar!
Alda M S Santos

Re(encontros)

RE(ENCONTROS)

Fico encantada com os (re)encontros que a vida permite
Aqueles que você pensa: teve a mão de Deus aqui
Não é simples coincidência, é Jesuscidência
Reencontros de almas, de outras fases desse existir
Ou até mesmo de outras eras, vale investir
Parece que a vida tem um belo propósito por aqui
A Terra vai girando e tudo se encaixando
Como uma grande nave girando no espaço sideral
Em cada lugar ou momento vai possibilitando algo especial
Encontros que irão fazer a diferença na vida de alguém
Alguns curtos, outros longos, se eternizando também
Cada pessoa que a vida me permite encontrar
Aprender, ensinar, trocar, amar
Procuro refletir; não existe coincidência ou acaso
Quero aproveitar o que puder, não sei qual o prazo
Uma coisa é certa: a vida se encarrega de unir
Aquilo que tem algo bom para juntos construir
Por alguns momentos ou por todo o existir

Alda M S Santos

Ninguém rouba de nós

NINGUÉM ROUBA DE NÓS
O bem estar de saber-se num bom caminho
A satisfação de poder ajudar, doar carinho
A coragem de nas lágrimas nos aliviar
A capacidade de aprender com as falhas e recomeçar
Ninguém rouba de nós…
A saudade de um tempo bom, de alguém
Um passado de dores e amores, sem dever ninguém
A humildade de conseguir pedir perdão
A esperança de um amanhã com mais união
Ninguém rouba de nós…
A indignação diante de uma injustiça com alguém
A hombridade em nada ter tirado de ninguém
A liberdade de poder escolher companhia ou solidão
A felicidade que há em amar um irmão
Ninguém rouba de nós…
A honestidade de nunca deixar ninguém para trás
A serenidade de uma alma criança, em paz
A crença num Deus de amor, nossa fé
A delícia de ser quem se é…
Ninguém rouba de nós…
Só se a gente deixar que o façam …
Alda M S Santos

Estranha sensação

ESTRANHA SENSAÇÃO

Aquele sentimento estranho que aperta o coração
Não se sabe ao certo a razão
Só se sabe que há ali um vazio, uma ausência
Que machuca e aperta a consciência

Tentamos entender ao certo para seguir
Ignorar não adianta, tampouco fugir
É preciso encarar de frente
Entender a razão de martelar na mente

Há sentimentos fortes e inexplicáveis
Outros claros, mas nada amigáveis
Por substituição tentamos torná-los aceitáveis

Sentir, pensar, agir, essa é a melhor receita
Não dá para inverter a ordem, felicidade à espreita
A vida ainda que pesada a gente se sujeita

Alda M S Santos

Autenticidade

AUTENTICIDADE

Gosto de gente autêntica, de verdade
Que erra, que acerta, que falha, não julga
Pois aqui estamos em busca de felicidade
Os caminhos construídos não nos subjugam

Ser amor, ser afeto, ser amizade, dedicação
Exige de nós sabedoria e bondade de coração
A diferença não nos tira a humanidade
Enaltece, enriquece, se for nossa naturalidade

Cada qual em seu caminho, suas trilhas
Se for de verdade, se houver partilha
Haverá crescimento em diferentes cartilhas

Sensibilidade no trato mostra nobreza
Aceitação das adversidades é a certeza
De que em toda evolução há grandeza

Alda M S Santos

Bagagem de volta

BAGAGEM DE VOLTA

Uns querem se destacar, se fazer notar, aparecer
Outros querem passar despercebidos, se esconder
Vários modos de passar por aqui nessa viagem
Qual é o seu, gosta de estar nessas paragens?

Há quem se destaque pelo bem que espalha
Outros pelo mal que a tantos atrapalha
Há quem faça o bem quietinho, em silêncio, calados
E aqueles que focam em si mesmos, atribulados

Há quem se exponha nessa grande vitrine da vida
Há quem fique no estoque, em caixas esquecidas
Há quem esteja ora lá, ora cá, tentando se resguardar
Sabendo que pode ser convocado a participar

Certo é que temos por aqui alguma missão
Aparecendo ou não, precisamos ser evolução
Não dá para perder a viagem, o trem passa ligeiro
Precisamos ter algo na bagagem de volta, companheiro

Alda M S Santos

Ser obra de arte

SER OBRA DE ARTE

Ah, você é uma pessoa que transmite felicidade!
Quantas vezes ouvimos afirmações assim com amabilidade
Bom saber que se passa ao mundo essa impressão
Todos precisamos de um pouquinho de motivação

Mas não há quem seja todo o tempo totalmente feliz
Independente do que se parece, do que se diz
Lá no fundo sempre há alguma dor ou inquietação
Algo que gostaria de rasgar, reescrever, ser a solução

Vontade de apagar o que parece feio e borrado
O que machuca a humanidade ser descartado
Tanta coisa que nos deixa questionamentos
Como diminuir para todos os sofrimentos?

Reeditar a fé num poder forte e superior
Abraçar a simplicidade, ser colo, ser cobertor
Ver o potencial de amor de cada ser humano
Ser obra de arte, desenhar sorrisos nesse plano

Alda M S Santos

Vamos transformar o mundo

VAMOS TRANSFORMAR O MUNDO
Vamos transformar esse mundo frio
Aquecendo cada coração carente que se aproximar
Vamos transformar esse mundo amargo
Sendo sorriso para cada cara amarrada que encontrar
Vamos transformar esse mundo sério, tolo e feio
Sendo brincadeira, sendo criança, sendo alegria
Vamos transformar esse mundo individualista
Sendo abraço, sendo colo a cada olhar opaco que baixar
Vamos transformar esse mundo faminto
Oferecendo o que pudermos para alimentar
Vamos transformar esse mundo doente da alma
Sendo a paz, a serenidade e a luz para curar
Vamos transformar esse mundo injusto
Sendo a mão que tenta as diferenças equalizar
Vamos transformar esse mundo incrédulo
Sendo a fé e o amor divino a quem precisar
Vamos transformar esse mundo de tanta angústia e dor
Sendo o bálsamo calmante e apaziguador
Vamos transformar esse mundo, sim
Como?
Pelo exemplo, pelo contágio, pelo amor
Devagarzinho, um ser humano de cada vez…
Alda M S Santos

Uma carta para mim

UMA CARTA PARA MIM
Quero escrever uma carta para mim
Para que eu possa abri-la numa outra vida
Mesmo que não seja possível  saber que eu mesma que enviei
Mas de um modo que eu acredite que deverei confiar
Uma carta para me alertar
De caminhos que não levam a lugar nenhum
De estradas que levam a buracos difíceis de sair
De brilhos que não são do olhar, não são duradouros
De luzes da ribalta que acabam nos cegando
Das pessoas que são anjos enviados e precisam ser ouvidas
De outras pessoas que ficarão por um tempo
Mas que não têm desejo de se eternizar em nós
Daquelas pessoas que serão praticamente partes essenciais de nós
Do amor que chega devagar, suave e para o qual podemos abrir as portas sem medos
Das trilhas que me afastam dEle
De como identificar quem e o que realmente importa na vida…
Uma carta que possa alertar a mim
E a quem puder dela se beneficiar
Para que possam aproveitar melhor o tempo por aqui
Viver, ser feliz, amar, evoluir
Antes que ela esteja muito perto do fim…
Apenas um alerta de amiga…
Alda M S Santos

Certezas

CERTEZAS

Por aqui vamos acumulando certezas
Parece que isso nos dá mais segurança
Ignoramos que são aquelas incertezas
Que nos instigam a evoluir, a virar a mesa

Certeza do que é adequado ou não
Daquilo que nos leva para a contramão
Isso é bom, acreditar na própria intuição
A vida é bem cheia de dúvida, de senão

O que não é válido é no outro querer incutir
A certeza que eu conquistei para meu evoluir
Cada qual tem seu tempo, seu espaço
Suas lutas diárias, seu próprio compasso

Aquela certeza que se conquista sozinho
Tem mais força e luz no caminho
A única certeza válida é que elas podem mudar
Vou seguindo aberta para aprender e continuar

Alda M S Santos

Dói

DÓI

Dói não acreditar quase em nada
Também dói investir em canoa furada
Dói se espetar no espinho da rosa, machuca
Dói mais ainda não ter uma roseira, vida maluca

Dói sofrer por um amor não correspondido
Mais doloroso é não amar, é tempo perdido
Dói ver o mundo com tanta desumanidade
E que ainda não aprendemos a viver com dignidade

Dói não realizar os sonhos, os desejos
Dói mais ainda já não sonhar com abraços e beijos
Dói ver por aqui tanta indiferença e desigualdade
E por mais que se faça, não amenizar essa realidade

Viver é por vezes pesado e doloroso
Mas não desistir faz o mundo mais prazeroso
Amar, amar, se doar é o único caminho
Para doer menos, não se sentir inútil e sozinho

Alda M S Santos

Melhor lugar

MELHOR LUGAR

Se te perguntassem um lugar
Onde gostaria de sempre estar
E nada seria capaz de te afastar de lá
Como seria para você esse lugar?

Teria sol ou chuva, ou tanto faz
Mata ou asfalto, rural ou urbano
Sob estrelas ou um teto iluminado
Quem gostaria que estivesse ao seu lado?

Nesse lugar valeria o espaço físico, o exterior
Ou importaria mais o que tem no interior
Lá fora teria influência no que traz cá dentro
Ou importa mesmo o que traz no pensamento?

Gosto muito de mata, de água, do natural
Prefiro a simplicidade, ativa o emocional
Mas a companhia faz o melhor lugar
A começar pela minha, saúde, paz e bem-estar

Alda M S Santos

Sem eira nem beira

SEM EIRA NEM BEIRA

Perdidos por aqui nesse espaço, sem eira
Já não sabemos por onde ir, sem beira
Sem eira e nem beira dá tanta canseira
Urge um propósito para afastar a leseira

Não são só bens materiais a razão
Desse inexistir, dessa frustrada sensação
O que fere o corpo, fere mais a emoção
Sem perspectiva segue nosso povão

Falta a tantos de nós bons sentimentos
Que sejam a borracha a apagar os sofrimentos
A viagem nessa nau implora contentamentos

Naquele livro da vida que por aqui escrevemos
Há páginas rasuradas, apagadas, arrancadas
Busquemos por aquelas mais abençoadas..

Alda M S Santos

Reflexo

REFLEXO
Somos reflexo daquilo que vivemos
Das vitórias alcançadas, das batalhas travadas
Das negações recebidas, das derrotas sofridas
Das pessoas que nos cercam
Do amor que conosco compartilham
Sofremos influências do meio todo o tempo
Positivas ou negativas
Mas não precisamos ser esponjas
Não devemos absorver tudo que se apresentar
Podemos repelir o que fizer mal
Tentar ser mais ímã, atrair mais o que nos é afim
Quem olha para nós enxerga apenas parte do que refletimos
A outra parte fica muitas vezes camuflada pelo que ela é ou sente
Por isso o que somos verdadeiramente nunca é visto totalmente
O brilho nos olhos, o sorriso espontâneo
O carinho que se doa, a autenticidade,
Muitas vezes não passa no filtro “carregado” do outro…
Vamos refletir mais amor
Ele atravessa qualquer filtro!
Alda M S Santos

Depois da ventania

DEPOIS DA VENTANIA

Sabe quando você se organiza
Arruma tudo direitinho, prioriza
Ajeita a mesa, as gavetas, planeja
Quer conquistar aos poucos o que deseja
E vem o vento do existir, bagunça tudo, sacode
Tira tudo do lugar, você quase explode?
E a vontade é de entrar numa das gavetas
E ali ficar quietinho até o vendaval passar…
Nada errado em querer se aquietar
Parar um pouco, reavaliar, se possibilitar
As gavetas muitas vezes precisam ser remexidas
E a ventania é só uma desculpa nessa lida
Para tirar o pó e o bolor do corpo, da alma
Tantas vezes o mundo parece brincar com nossa calma
É dá-lhe ansiedade, angústia e frustração
Até perceber que cada vento traz consigo renovação
Na marra ele apressa o que precisa ser descartado
E insistia em ficar ali guardado, embolorado
E dá novo brilho a um sonho, um desejo
Que talvez já tenha quase sido deixado de lado
Nada mais é o mesmo depois da tempestade
Mas quem disse que precisa ser?
Bom é aproveitar os novos ares, o novo amanhecer
E fazer a vida de novo acontecer…
Vamos lá?

Alda M S Santos

Viver ou morrer

VIVER OU MORRER

Nossa vida anda no ritmo que a gente imprime
Ora vai rápido, ora devagar, alegra, oprime
Mas ela tem por aqui a extensão necessária
Seguimos a trilha acompanhada ou solitária

A hora de voltar para casa, para o lar eterno
Pode ser na primavera ou no inverno
Sabemos que temos por aqui nossa missão
E dela não dá para desistir ou abrir mão

Vai nosso corpo e alma para a nova morada
Mas em cada um fica nossa marca tatuada
Quem amamos, quem nos amou nessa viagem
Nos eternizamos nos corações com coragem

Vamos nos embrenhando em cada caminho
Lá fora, cá dentro, com afeto e jeitinho
Bom termos amigos, sermos estimados
Não sabemos quando seremos chamados

Alda M S Santos




Mesmo peso, mesma medida

MESMO PESO, MESMA MEDIDA

Se fosses amado como amas
Acolhido como acolhes
Compreendido como compreendes
Respeitado como respeitas
Seria o bastante para você?

Se fosses colher o que plantas
Se pudesses ouvir o que falas
Se recebesses a atenção que ofertas
O carinho que doas, o trabalho que produzes
Seria envenenado ou abençoado?

Se fosses cobrado pelo que recebeu
Aquele dom que nao usou como prometeu
Se fosses avaliado no peso que avalias
Julgado na mesma medida que julgas
Serias inocentado ou condenado?

Sorte nossa que o Criador é mais benevolente
Nos dá chances de aprender constantemente
Se Ele que é perfeito nos ama e aceita
Deixemos de ser almas tão imperfeitas
Vamos evoluir, nas lições a gente se endireita

Alda M S Santos

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