Busca

vidaintensavida.com

poemas e reflexões da vida cotidiana

Categoria

balanço da vida

Há luz no fim do túnel?

HÁ LUZ NO FIM DO TÚNEL?

Pode até haver uma luz no fim do túnel
Mas não quero dela depender
Não sei nem se chegarei até lá
Ou o que pode no caminho acontecer

Pode até haver uma luz no fim do túnel
Mas enquanto por aqui estiver enevoado
Prefiro ativar em mim algo abençoado
Para guiar meus passos, serem iluminados

Pode até haver luz no fim do túnel
Mas prefiro acender a luz que há em mim
Em algum lugarzinho bonito ela está sim

Pode até haver luz no fim do túnel
Mas confio em mim, nos abraços seus
Sei que essa luz não me abandona, vem de Deus

Alda M S Santos

Como confiar?

COMO CONFIAR?

Como confiar num mundo em que o Merthiolate não arde
Nas delícias da Coca-cola que desentopem sanitários
Nas sandálias Havaianas que arrebentam as tiras tão facilmente
No leite que não vira coalhada depois de três dias fora da geladeira
No Bombril que não tem mais mil e uma utilidades?

Como confiar?

Como confiar numa justiça com tantos pesos e medidas
Na palavra dada que de nada vale se não for documentada
Nos amores que não duram até que a morte os separe
Nas brigas entre rosas e cravos em que ambos não saiam despedaçados
Num “te amo para sempre” apenas se você me amar?

Como confiar?

Como confiar nas compatibilidades de gêneros, ao invés das incompatibilidades de gênios
Que “primeiro as damas” é coisa de feminismo ou machismo
Que ter um quintal sem muro é apenas utopia de Roberto Carlos?

Como confiar?

Nas crianças que dançam  “quadradinho” até o chão e não mais “Atiram o pau no gato”
Nos olhares dos pais que não são entendidos como alertas de perigo
Nos adultos isolados da infância e da velhice como seres inatingíveis?

Como confiar?

Como confiar na fé que se professa e não se vive
No ouro que não “compra” terreno no céu
Nos “homens de Deus” que têm doenças mundanas
Na felicidade encontrada apenas nas conquistas profanas?

Como confiar?

Nas amizades que, monetariamente, calculam perdas e ganhos
Na saudade que não dói, no machucado que não sangra
No abraço que não acalma, na família que não se enlaça
No beijinho que não cura qualquer mal?

Como confiar num mundo tão confuso, hipócrita e perdido?

Alda M S Santos

A primavera chegará

A PRIMAVERA CHEGARÁ

Podem deixar meus frutos cair
Minhas flores não vingarem
E as folhas voarem por aí
Meus galhos podem estar quebrados
E tudo parecer abandonado
Mas a primavera chegará …

Podem tirar tudo de mim
Deixar-me nua, frágil, exposta
Aos malefícios do desamor e do tempo
À mercê de todo contratempo
Mas a primavera chegará…

Minha raiz, minha base, minha essência
Estas estarão intocadas, recolhidas
Em intenso trabalho de regeneração
E, no tempo certo, com força total retornarão
A primavera chegará…

Assim é na natureza, nos seres humanos
Na seca, no deserto, nos corações mundanos
Assim também é no planeta, na Terra
Deus é bom, é Pai, nunca erra
A primavera chegará…

Alda M S Santos

Quero, posso, devo?

QUERO, POSSO, DEVO?

Quero, posso, devo?
O querer é o mais primário instinto
Satisfação, sobrevivência, aquilo que sinto
Invade sonhos, adentra nossa vontade
O poder passa pelo próprio interesse e capacidade
A constante busca por  prazer e felicidade
Alimentada pela imaginação e desejo de realização
O dever já é cerceado pela vida em comunidade
O que é adequado, avalizado, aprovado
Aquilo que não traria sanção ou danos ao coração
Entre quereres, poderes e  deveres
Entre ids, egos e superegos
Transitando entre vaidades satisfeitas e culpas
A vida vai se fazendo de dores e prazeres
Um caminho de sorrisos e alegrias
De tristezas, lágrimas,  fantasias
Um eterno cair e levantar, subir e descer
Encanto, conquista, vitórias e derrotas
Em busca do mais belo e intenso viver
Pelos caminhos que aprouver,  pelas melhores rotas

Alda M S Santos

Brilho

BRILHO
Buscamos o brilho das estrelas
Queremos a beleza e encanto da Lua
Almejamos um céu azul e ensolarado
Ou um destino de sombra e água fresca
Mas nem sempre o caminho até eles é brilhante
Ou a trilha sob nossos pés é plana
Tantas vezes teremos estradas esburacadas
Não haverá flores, perfume, brilho ou companhia
Mas não podemos desistir
É preciso persistir, insistir
E saber aproveitar quando houver luz sob nossos pés
Para seguir adiante, acreditando que tudo é possível
E que a roda da vida gira
Ora luz, ora escuridão
Ora companhia, ora solidão
Mas vale manter o brilho
Dentro de nós, sob nós…
Em frente! Enfrente!

Na onda

NA ONDA
Onda que chega, pesada, crescente
Forte, carregada de opiniões e palpites
Cega, radical, violenta, destrutiva
Daquelas com as quais não compactuamos
E querem nos arrastar consigo
Contra nossa vontade ou desejo
Naquela avalanche de negativismo
Precisamos fincar pé, lutar, nadar contra a corrente
Ou, simplesmente, deixar-nos levar
Não desperdiçar energia
Ver até onde dá pra ir sem nos ferir
E escolher o melhor momento para sair fora
Nadar de volta e retomar do local onde fomos arrastados
Encontrar o ponto essencial
Aquele que não fere nossos princípios e nossa consciência
Aquele que nos torna humanos
Uma hora toda onda passa e se desfaz…
Alda M S Santos

Enigmas

ENIGMAS
Sou feita de barulhos e de silêncios
Ora sou um, ora sou outro
Ambos necessários em mim…
Há quem goste dos barulhos
Há quem prefira os silêncios
Há quem não compreenda nem um, nem outro
Há quem desperte barulhos intensos
Há quem provoque silêncios profundos, tranquilos ou dolorosos
Há quem não saiba lidar com nenhum dos dois
Há quem consiga fazer a travessia de um para o outro
Sou feita de contrários, de antagonismos
E nessa luta frenética em mim
Vou desvendando meus enigmas
Tornando-me mais eu…
Alda M S Santos

Provisões

PROVISÕES

Arrumou bem arrumada sua bagagem
Nada queria deixar para trás naquela viagem
Seu intento era ter muitas provisões
Para enfrentar o que viesse, muitas emoções

Colocou boas memórias, muitas lembranças
Cada passo dado, estacionado, as andanças
Guardou na mala expectativas, sonho especial
O motor de tudo, suas vontades, seu natural

Seguiria em frente, não haveria um rumo
Certo é que buscaria onde quer que fosse
Um cantinho que oferecesse paz, um prumo

Abriria as porteiras da alma, sentaria à mesa, tomaria um café
Uma prosa longa, pacífica, demorada, desejada
Restaurando consigo a alegria, o autoconhecimento, a fé

Alda M S Santos

Entre as muitas de mim

ENTRE AS MUITAS DE MIM
Muitas vezes sou palavras sem fim
Tantas outras o silêncio habita em mim
Algumas vezes quero abraçar e acolher o mundo
Noutras, nem a meu próprio mundinho consigo acolher
Sou, às vezes, gargalhadas de alegria e satisfação
Tantas outras sou um sorriso tímido de decepção
Muitas vezes sou a animação, a atração
Noutras, quero me esconder num cantinho sem aparição
Muitas vezes sou dança, sou verso, sou sedução
Noutras tantas sou muito atrapalhada, sou tombo, sou confusão
Muitas vezes sou maternal, terna, emocional
Noutras sou tão sozinha, isolada, individual
Tantas vezes vejo adiante um mundo de oportunidades
Noutras só vejo agonia e infelicidade
Muitas vezes estou em paz com as muitas de mim
Tantas outras elas travam uma batalha de vida e morte bem ruim
Entre as muitas de mim
Perfumada de flores, de jasmim
Nessa constante contradição
Procuro enfeitar esse jardim…
Alda M S Santos

Não dá!

NÃO DÁ!

Não dá para viver na desconfiança

Na incerteza, na dúvida, na desesperança

A vida pede mais amor, mais aliança

Não dá para viver só de desejos e sonhos

Por mais belos e encantadores que sejam

O viver clama por momentos reais, mais risonhos

Não dá para viver contando as horas

Esperando que logo chegue aquela hora

E não deixar a alegria ir embora

Não dá para fugir para o mundo da imaginação

Precisamos voltar, recapitular, fazer a lição

Amar é tarefa que exige dedicação

Não dá viver sempre essa  montanha russa de sensações

Ora feliz, ora triste, tantas emoções

E a vida necessitando, gritando por ponderações

Não dá para esperar a magia cair do céu

Precisamos lançar mão de papel e pincel

E pintar aqui nosso divertido carrossel

Alda M S Santos

Quantos degraus

QUANTOS DEGRAUS?
Quantos degraus até o céu?
A escada é sinuosa, rolante, escorregadia, antiderrapante?
Quem pode subir, há restrições, limites de entrada?
Podemos levar alguém, sermos levados por alguém?
E se nos cansarmos no caminho, tropeçarmos, cairmos?
Podemos voltar a subir ou perdemos a vez?
Os últimos serão os primeiros?
Quantos degraus até o céu?
A entrada é franca? Paga-se com quê?
Qual a “moeda” de troca?
Muitas perguntas… Sei lá!
Enquanto isso vou fazendo do agora o meu céu
Tal qual crianças a brincar, a pular amarelinha
Continuo subindo até o céu…
Alda M S Santos

Renovação

RENOVAÇÃO

Hora de se recolher, hibernar, renovar
Perder folhas, abrir espaço para o novo chegar
Que seja lindo, que possa a tudo purificar
Uma alma leve e em paz tem seu lugar

A vida pede calma, pede paz e união
Que possamos num momento de introspecção
Encontrar num cantinho especial do coração
Um estoque de bondade, luz e compaixão

Afastar o que machuca, jogar fora a amargura
Restaurar a força, a energia e a bravura
Somos melhores quando semeamos a doçura
Se há ingratidão, doe perdão e mais ternura

Vamos saudar essa nova estação
Abrir espaço, ser luz em cada coração
Perde quem não sabe amar, ser emoção
Façamos um lindo louvor de purificação

Alda M S Santos

Diante do Espelho

DIANTE DO ESPELHO
Diante do espelho eis a questão:
Quem é essa que me retribui o olhar?
Que olha além do brilho úmido, do tom castanho?
Dos cílios negros, do piscar intermitente?
Que tenta atravessar, ver em 3D, do outro lado?
O que vê? O que quer? Do que precisa?
Corajosa, mantém o olhar fixo em mim.
Mergulho profundamente, navego ali, temo me perder.
Vasculho recantos escondidos, cutuco pontos doloridos
Áreas obscuras, fechadas, há muito trancadas.
Retiro descartes jogados num canto, recupero itens da lixeira,
Troco “objetos” de lugar, demoro-me junto a alguns sentimentos
Sento, converso com eles, negocio, tento compreendê-los,
Aceitá-los, aproveitá-los, reativá-los ou descartá-los.
Tanta gente que já se foi e está ali. Reencontros, sorrisos. Para sempre serão amadas.
Vejo muito, vejo tudo, entendo tanto!
Hora de voltar!
Ela continua a me olhar. Lágrimas escorrem ali…
Lubrificaram o caminho difícil.
Encaram-se. Sorriem.
Não foi difícil encontrar o caminho de volta.
Bastou seguir o amor, como migalhas de pão, deixado nas trilhas.
Apesar de tudo, são vitoriosas.
Lembram de um verso que leram:
“Perdoa o que tiver que perdoar, abrace o que tiver que amar e o resto deixa, que a vida se encarrega de afastar”- (Tati Zanella)
Ou trazer de volta.
Alda M S Santos

Energias

ENERGIAS

Estamos cercados por muitas energias
Umas atraímos, ficamos em sintonia
Outras repelimos, não há harmonia
E seguimos, assim, com autonomia

Há energia da natureza,  pura beleza
Há energia do amor, traz encanto, calor
Há energia que rejuvenesce, é vital
Faz bem à alma, enternece, alto astral

As energias que meu mundo escurecem
Não deixo por perto, me esmorecem
Ativo minha blindagem de luz, incandescem

Se armazeno energia térmica, química ou radiante
Tento espalhar a que puder ser mais contagiante
E absorver a que me iluminar, me fizer vibrante

Alda M S Santos

Descaminhos

DESCAMINHOS
Um caminho acertado se faz de muitos descaminhos
Quantos desalinhos são necessários para se alinhar
Quantos despareados encontramos antes de bem parear
Quantas lágrimas são necessárias para fazer brilhar o sorriso
Quanto precisamos nos perder para ter a certeza que nos encontramos
Quantos desatinos cometemos até conseguirmos nos atinar
Quanto precisamos entender do que se passa dentro de nós
Para entendermos minimamente o que se passa dentro do outro?
Quanto?
Todo histórico de acerto carrega consigo um sem número de rascunhos…
Alda M S Santos

Grade de proteção

GRADE DE PROTEÇÃO

Marcamos em nosso entorno o que nos causa mal
Uma caveira num produto que pode ser fatal
Uns cones onde transitar não seria o ideal
Grades de proteção onde há perigo real

Para as ameaças físicas sabemos nos alertar
Para poder da ameaça nos desviar
Que fazer quando o alerta precisa ser emocional
Fugir das tempestades, do vendaval?

Lembrar que não dá mais para mexer ali
Pode nos dar choques, nos ferir
Não mais nos enveredar nesses caminhos
Que parecem bonitos, mas são daninhos

Como avisar a alma, qual grade usar?
Que fazer para ela se proteger, se cuidar
Um quadro bem grande em letras garrafais
Escritas em alerta vermelho: AQUI JAMAIS?

Risco de abalo císmico da emoção
Proteja sua vida, sua lida, seu coração
Será que vale esse alerta, não há senão
Esse quadro de aprendizado e lição?

Tão importante quanto não cair num buraco
É não deixar o coração se expor, ficar fraco
Quem não aprende na primeira lição
Sofre depois em busca de recuperação

Alda M S Santos

Confusão interna, carinho externo

CONFUSÃO INTERNA, CARINHO EXTERNO
Ela acordou meio down. Um dia cheio a aguardava.
Adorava dias cheios, mas nem isso a animava a sair da cama.
Espreguiçou-se longamente e levantou. Escovou os dentes e nem quis se olhar no espelho. Seria assustador!
A bagunça interna estaria em seus olhos.
Resolveu fazer o que toda mulher faz nessas ocasiões: cuidaria do exterior primeiro.
Seria mais fácil. Aumentaria a autoconfiança e a atenção poderia ser total à bagunça interna.
Unhas, cabelos e pele tratados, partiu para a mente e o coração.
Conversou com amigos e familiares queridos.
Leu um livro que gostava, escreveu um pouco.
Partiu a ajudar os outros…
Talvez quando terminasse, a bagunça nem seria mais tão importante!
Alda M S Santos

Quisera

QUISERA
Quisera poder voar
Bem alto, bem longe
A tudo de lá observar
Devagarinho, asas bem abertas
Poder planar, descansar
Calmamente, escolher onde pousar
Quisera poder voar
Como que por encanto
Cessar a dor, o pranto
De uma nuvem qualquer fazer meu canto
De travesseiro, repouso e acalanto
Quisera poder voar
Passar pela mente de toda gente
Sondar a alma, fazer inspeção
Saber onde há pouso para meu coração
Quisera poder voar
Para o mundo da magia, da fantasia, da poesia
E levar comigo quem quiser amar
Quisera poder voar…
Alda M S Santos

Esqueça

ESQUEÇA!

Hoje é dia para esquecer
Qualquer coisa que machuca, faz sofrer
Não importa a causa, a razão
Se faz mal, vamos esquecer, então

Se tira seu sorriso, não dá liga
Se não borra seu batom, quer só briga
Nem faz mais frio na sua barriga
Melhor esquecer, sem qualquer intriga

Esqueça se não te faz encorajar
Se só medo quer causar
E não te ajuda a levantar

Se te cansa, desanima, não tem magia
Se magoa, nubla, mina sua energia
Esqueça, busque o que desperta sua poesia

Alda M S Santos

Não se culpe!

NÃO SE CULPE!

Se seu sol hoje não brilhou
Se a chuva a você encharcou
Não se culpe!
Arco-íris precisa de água e luz para colorir
E ser capaz de encantar e seduzir

Se o caminho parece longo demais
Se as flores já não perfumam mais
Não se culpe!
Sempre há trilhas, atalhos
Talvez neles recolha seus frangalhos

Se tudo parece um eterno estacionar
Se em você a alma está a divagar
Não se culpe!
A terra está girando devagar
E acaba colocando tudo no lugar

Se o viver te parece indiferente
Se não sabe mais ao certo o que sente
Não se culpe!
Observe bem, acolha, abrace, beije, seja gente
Acordar todo dia é um grande presente

Alda M S Santos

Loucuras?

LOUCURAS?
Quero ser um caracol, fechar-me dentro de mim mesma
Sair apenas quando a luz de fora entrar
Ou a de dentro conseguir iluminar tudo lá fora
Quero brincar de esconde-esconde
Encontrar um esconderijo bem original
E lá ficar até ser encontrada por alguém com a mesma ideia.
Quero inspirar fundo, bem fundo, sufocar-me em coisas boas
E expirar, jogando fora tudo que faz mal
Quero correr, correr muito, sem direção, até esgotar todas as forças e não sentir mais nada.
Quero ser uma bolha de sabão, subir, subir nas árvores, nas nuvens, encantar e desaparecer.
Quero mergulhar, sem máscaras ou snookers, sentir tudo, descobrir tudo
Afogar-me, se preciso for, e renascer.
Loucuras?
Às vezes são necessárias para se manter a sanidade.
Alda M S Santos

Curtir a paisagem

CURTIR A PAISAGEM

Sempre haverá algo para nos desagradar
Um barulho que não para de soar
Um silêncio que insiste em gritar
Um sonho que não quer realizar

Sempre haverá algo novo para lidar
Um sapato apertado a incomodar
Aquela roupa que não cai mais tão bem
Uma saudade que nem sempre convém

Não importa se é um desejo não atendido
Um amor no coração mal resolvido
Uma frustração por algo até descabido

Tudo isso faz parte dessa passagem
Saber lidar com isso, tornar boa a viagem
É relaxar e, apesar disso, curtir a paisagem

Alda M S Santos

Colisão

COLISÃO

Que fazemos por aqui- a pergunta não quer calar
Nuns momentos somos apenas mais um na multidão
Querendo gritar, mas apenas conseguindo silenciar
Querendo fugir em busca de uma resposta
Vagar por aí desejando ardentemente uma solução
A vida nem sempre se apresenta boa ou bela
Tantas vezes usa um idioma incompreensível
E só mesmo quando mergulhamos bem fundo
Ou quando saímos de nós mesmos e damos uma volta por aí
É que passamos a entender que a decepção pode ser dolorosa lição
Mas é a aula número um dos aprendizados de vida
E seguimos sozinhos vagando no espaço sideral de nós mesmos
Até a colisão, a explosão e a ressignificação…

Alda M S Santos

Nossa bagunça

NOSSA BAGUNÇA
Uma ampla sala arejada com poltronas aconchegantes
Um quarto quentinho, macio e acolhedor
Uma cozinha receptiva, com aroma de café e pão de queijo
Uma rede na varanda com uma vista da Serra
Um quintal com flores, frutos e balanço na goiabeira
Um gramado para brincar, dançar, se exercitar
Um sótão para guardar as bagunças e ferramentas…
Cada qual tem seu sonho de casa, de moradia
Mas para um lar todos têm o mesmo desejo
Que seja amoroso, pacífico, harmonioso
E isso independe da casa em que se mora
Depende muito de com quem se mora
E da sabedoria em manter organizados nossos ambientes internos
Nossa “casa” não é sempre um amplo espaço arejado
Mas também não pode ser toda ela um sótão bagunçado
Um lar “arrumado”, ou não, está diretamente ligado
Ao modo como cada pessoa presente ali
Lida com a bagunça que traz dentro de si
E com a bagunça que o outro traz consigo
Alda M S Santos

Nas batalhas

NAS BATALHAS
Batalha pelo pão que alimenta o corpo
Batalha pelas águas claras que hidratam o ser
Batalha pelo chão firme sob os pés
Batalha pelo céu azul que possibilita voos livres
Batalha pelo abraço gostoso que une os seres afins
Batalha pelos bons relacionamentos que enriquecem o viver
Batalha pelo amor recíproco que alimenta a alma
Batalha para sentir-se membro dessa nau
Batalha para ter onde repousar corpo, mente e coração
E viver um sonho real
De amor e compaixão…
Nas constantes batalhas para nos firmar como gente
Devemos nos cuidar para não perdermos nossa humanidade
Nas batalhas da vida precisamos, às vezes, nos render
Pedir uma trégua, talvez até nos sentir meio presos
Para poder sermos verdadeiramente livres e vitoriosos
E seguir em paz quando chegar o momento de voltar para casa
Alda M S Santos

Quero morar

QUERO MORAR

Quero morar num lugar especial
Tão longínquo quanto o espaço sideral
Onde eu possa silenciar ou gritar
Sem ninguém interromper ou se assustar

Quero morar sem pagar aluguel
Pintar as paredes, o chão, meu céu
Em cores vivas ou em tons papel
Brincar de roda e de passar anel

Quero morar numa casa de amplas janelas
De portas escancaradas, sem tramelas
Onde a brisa possa minha pele acariciar
E num sonho bonito me acalentar

Quero morar dentro de um coração
Mas não quero ficar apertada, não
Onde possa brincar de beijar, de amar
E ali ser pra sempre meu lugar

Alda M S Santos

O acaso existe?

O ACASO EXISTE?

O acaso é aquele que chega e faz acontecer
Expõe o que estava brincando de esconder
Não importa se te fará feliz ou sofrer
Ele chega e faz bagunça no seu viver

O acaso desnuda almas, clareia emoções
Um jeito de ser, atitudes e sensações
Abre portas, escancara janelas da alma
Confronta palavras e atitudes sem calma

Será mesmo coincidência, um acaso?
Ou não existe nada aqui por acaso
Não importando se é de teor profundo ou raso

Se o acaso quiser mostrar algo
É bom olhar, prestar atenção
Em tudo há que se tirar uma lição

Alda M S Santos

Devaneios

DEVANEIOS
Vou escrever uma história
Daquelas bem bonitas
Real ou imaginária
Talvez mesclada, realizada e sonhada
E colocar numa garrafa de vidro
Enrolada tal qual pergaminho
Exalando um pouco de perfume suave
Um beijo de batom rosa
Umas lágrimas desobedientes
Muitos sorrisos de satisfação e amor
Colocar uma rolha fechando a vácuo
E lançar no oceano…
Quem sabe um dia, décadas à frente, alguém a encontre
A esfregue para retirar marcas do tempo
E, tal qual gênio da lâmpada de Aladim
De lá de dentro a história se materialize novamente
Rica em detalhes e melhor vivida
Ou que apenas deixe para a posteridade
O registro de uma história de vida bonita
Espero que seja a nossa…
Alda M S Santos

Gosto

GOSTO

Gosto de quem, apesar da aridez, sabe florescer
De quem sabe, apesar da própria dor, acolher
De quem usa a sabedoria para enternecer
E nunca, nunca desiste de lutar por esse viver

Gosto de quem espalha delicadezas
Em forma de palavras, sorrisos, belezas
Na vida insiste, no amor acredita, usa sutilezas
Ainda que veja no entorno tanta aspereza

Gosto de quem não desiste do amor
Independente se já nele se perdeu
Mas não se deixou levar pelo rancor

Gosto de quem escolhe ser a própria poesia
Num mundo onde ganha espaço a agonia
Numa batalha por um pouco mais de harmonia

Alda M S Santos

Barulhos de dentro

BARULHOS DE DENTRO
Eta mundo barulhento!
Muitos e muitos decibéis a invadir nossos tímpanos
De todos os tipos, timbres, inúmeros ruídos
Graves, agudos, verdadeira poluição sonora.
Nossa percepção acústica acaba por se confundir.
Frequências sem padrão,
E o efeito é um sinal complexo.
Difícil de ser caracterizado com exatidão.
Tantas vezes são bem vindos!
Principalmente quando os escolhermos
Com o intuito de confundir outros ruídos de fora
Ou, particularmente, para abafar os barulhos de dentro.
Aqueles que gritam, confusos, não os entendemos, não aceitamos,
Tampouco conseguimos silenciá-los!
Cantamos alto, desafinados, rimos, choramos, dançamos
Aquela linda canção, no volume máximo, repetidas vezes.
Que nos isola lá de fora, nos isola cá de dentro
E, em transe, no meio do caminho, ficamos.
Aguardando quem sairá vitorioso:
O barulho de fora ou o barulho de dentro…
Alda M S Santos

Real

REAL

Sou assim, queira ou não, bem real
Acerto, erro, brinco, fico séria
Gosto de ser o máximo natural
Descabelada, arrumada, no salto ou descalça

Sou assim, queira ou não, bem real
Sorrio até a barriga doer
Choro até não mais poder
O rosto inchado, olhos vermelhos
Até passar o vendaval
Sou doçura, carinho, colo, desejo
Por vezes bem sensual

Sou assim, queira ou não, bem real
Ora distante, falante, alegre ou enraivecida
Isso tudo faz parte da vida
Ora pura candura, fácil leitura
Ora travessura, bravura, amargura
Buscando apenas uma cura

Sou assim, queira ou não, bem real
Ora lindeza, feiúra, pureza, levadeza, comunicação
Ora tristeza, dor, reflexão, introspecção, solidão
Apenas alguém que quer da vida amor, emoção, evolução
Sou assim, queira ou não, bem real…

Alda M S Santos

Pela estrada afora

PELA ESTRADA AFORA

“Pela estrada afora eu vou bem sozinha”
Vamos caminhar nessa estradinha?
Caminho do rio ou da floresta?
Para todo lado há lobos maus
Nem sempre dá para fazer a festa
Mas a magia do caminhar é sensacional
Vão em frente Chapeuzinhos e vovozinhas
Tentando escolher o melhor caminho
Em busca de seus doces, oferecendo suas doçuras
Fugindo do mal, das amarguras
Muitas vezes o coração é que é deserto
Mas cada qual segue sua sina, sua trilha
Sabendo que o mal pode estar por perto
Mas confiante que o bem também, por certo
Por vezes, fazem algumas travessuras
Afinal, o quadro da vida pede variadas pinturas
Seguem Chapeuzinhos, vovozinhas e lobos
Bons ou maus… aprendendo, afinal
Ora se cruzam, ora seguem em paralelas
Buscando o que há de bom por aqui
Até chegar à tardinha, ao sol poente do existir
E junto à própria consciência, feliz e contente, dormir…

Alda M S Santos

Preste atenção

PRESTE ATENÇÃO
Olhe para o que te falta, busque
Mas veja aquilo que você tem de verdadeiramente seu
Olhe devagar, absorva o positivo, o divino
Preste atenção!
Inspire fundo, sinta o perfume doce da paz
Mesmo que precise inspirar muitas vezes
Sinta-se vivo! Preste atenção!
Olhe no seu entorno
Natureza viva, ar puro, brisa suave, calor humano
Entregue-se! Delicie-se!
Veja quem te estende a mão, quem te cuida
Quem te abraça, te acolhe, te ama
Quem reza por você, pensa em você
Quem sempre te coloca como prioridade
Preste atenção!
Veja com um novo olhar tudo aquilo que está dentro de você
Demore-se um pouco nesse olhar, tenha calma
Preste atenção! Sinta-se!
Ainda que seja apenas você mesmo
Olhe! Veja de verdade! Preste atenção!
E valorize! Valorize-se!
Onde você se encontra, também encontra Deus
A vida é aquilo que fazemos dela…
Alda M S Santos

Somos nós

SOMOS NÓS

Somos nós que podemos escolher
Aquilo que em nós deve prevalecer
Se deixamos a entrada livre, porta aberta
Ou se esperamos com calma a hora certa

Somos nós que damos permissão
A toda e qualquer invasão de emoção
Escolhendo o que em nós é melhor cultivar
Alimentando o que nos fará crescer, frutificar

Em nós pode haver embates
Lutas, vitórias, derrotas, empates
Que nossa alma seja forte, não se mate

Os ventos trazem de tudo sem piedade
Brisas leves ou fortes tempestades
Que prevaleça a liberdade com dignidade

Alda M S Santos

Só sei que dói


SÓ SEI QUE DÓI

Não dá para identificar ao certo
A dor está lá, crescendo, remexendo
Indefinida, dor de quê, em quê?
Dor da (in)existência, enfraquecendo

Aperta a garganta, parece que sufoca
Ora deixa lágrimas presas rolarem
De onde vem, fura feito broca
Excesso de passado, ausência de futuro?

Um presente de realidades meio indesejadas
Repleto de sonhos, desejos, anseios
Em corações e almas bastante alucinadas

É preciso sanar a dor, apagar essa sensação
De que tudo é meio impossível, em vão
Crer na cura no amor, na esperança, sem senão

Alda M S Santos

Meu pequeno mundo

MEU PEQUENO MUNDO

Meu mundo é pequeno diante desse mundão
Tantas vezes acredito que sairá de órbita
E ficará à deriva, perdido na escuridão
Numa nau desértica e inóspita

A pequenez dá a ideia que não faz diferença
Aquilo que faço ou desfaço, por (des)crença
Mas como num jogo de peças de dominós
Elas estão ligadas, ainda que pareçam sós

Não vamos sozinhos, somos partes do todo
Uma mexida qualquer abala, causa incômodo
Para o bem ou para o mal, sem engodo

Esse mundão é feito de pequenos mundos
Mudá-lo exige realizar sonhos profundos
Ativar em nós a paz, união e amor fecundos

Alda M S Santos

Encaixes

ENCAIXES
Quase tudo nessa vida depende de combinações e encaixes perfeitos
Bola na cesta do basquete, na raquete do tenista, na rede do gol
Veículos na pista, altitudes dos voos, barcos nas rotas
Portas nas casas, fechaduras nas portas, chaves nas fechaduras
Sapatos nos pés, roupas no corpo, alimentos no organismo
O anel no dedo, uma mão na outra, cabecinha no ombro
As palavras nas frases, as frases nos textos, os textos nos contextos
Passamos a vida buscando essas combinações
Afinando a percepção, aperfeiçoando esses encaixes
Mas nem tudo é tão prático e fácil assim
Alguns encaixes exigirão uma perícia maior
A fé e o indivíduo, o cidadão e sua profissão,
Uma pessoa com a outra, o indivíduo consigo mesmo
Mente, alma, coração num só corpo
Sorriso no rosto, alegria na alma, um abraço que se enlaça
Um corpo no outro… uma alma na outra.
Como crianças com seus Legos, vamos tentando
Encaixando, montando, desmontando, aprendendo
E, se possível, nos divertindo enquanto brincamos
Enquanto vivemos…
Alda M S Santos

Não vou só

NÃO VOU SÓ

Não vou só por esses caminhos
Carrego lembranças de muitos carinhos
Menina, moça ou uma (in)segura mulher
Fragilidade e força para o que der e vier

Não vou só nessa viagem
Atenta, encanto-me com a paisagem
Se o que se apresenta é a solidão
Visto-me de sonhos, acalento do coração

Não vou só nessa jornada
Acompanha-me a fé, sou abençoada
Entre tudo e todos estou amparada

Não vou só nessa travessia
Em busca do bem, da alegria
Vou fazendo versos, espalhando a poesia

Alda M S Santos

Equilíbrio

EQUILÍBRIO

Busco um ponto firme de equilíbrio
Abro os braços, abro a mente e o coração
Tentando achar aquele ponto, a conexão
Aquela que mantém ativos corpo e emoção

Vou devagar, tateando, passo a passo
Balançando para lá e para cá, fazendo laços
Nesse caos de fora não me enlaço
Na desordem de dentro me desfaço

Fecho os olhos, quero o equilíbrio
A luz lá de dentro, a paz certeira
Busco em cada cantinho ser mais inteira

No abrir de braços e balançar do coração
Acho no amor, na intensa emoção
O ponto do equilíbrio, a sustentação

Alda M S Santos

Amor que conduz

AMOR QUE CONDUZ

Tudo parece tão fora de lugar
Ficamos sem chão, a divagar
Tudo está fora de foco, embaçado
Para onde ir, para que lado?

A esperança anda balançada
Em meio a tanta coisa errada
Está difícil essa parada
Vontade de fugir, fazer nada

Mas ela é intensa, poderosa
Brota do mais fundo de nós
De uma alma forte e vigorosa

A esperança no amanhã é a luz
Que ilumina o caminho, que reluz
Por e pelo amor que nos conduz

Alda M S Santos

Essência do existir

ESSÊNCIA DO EXISTIR

Voltar é reavaliar, é reconsiderar
É refazer a memória, um lugar
É dar continuidade também
É repensar o que nem sempre faz bem
Voltar é um modo de restaurar
Ainda que momentaneamente
Algo que ficou lá atrás
Mas ainda nos atiça, se faz presente
Mesmo em momento fugaz
Voltar é possibilitar o prosseguir
Pois nesse constante ir e vir
Está a essência de nosso existir

Alda M S Santos

Cúmplices

CÚMPLICES

Somos cúmplices, trocamos nossa magia
Tudo se encaixa perfeitamente em nós
Há sintonia, parceria, harmonia
Nossa vida é de laços, desfazendo nós

Meu mundo não é tão perfeito assim, eu tento
Mas junto dela sinto-me bem pequena
Apenas uma flor ao vento
Ainda assim, a natureza me faz plena

O que faz bem deixo em mim chegar
Para o belo e doce sempre haverá lugar
Fundo e repetidamente vou inspirar

Somos cúmplices e complementares 
Uma interação de amor e admiração
Sem ela não há vida, emoção ou proteção

Alda M S Santos

Quero um mundo

QUERO UM MUNDO

Quero um mundo de brisa suave
Mas quando não for possível
Que eu curta e sobreviva à tempestade
Sem brigas, sem reservas, sem maldade

Quero ver um mundo de belo horizonte
Ainda que olhe para dentro de mim
Ou bem longe, atrás da serra, dos montes
Que eu possa ser minha própria fonte

Quero um mundo de luz, de paz
Que ilumine minha transitória escuridão
Nesse viver regado de solidão

Quero um mundo onde caiba amores e amizades
São esperança, alegria em qualquer idade
Afastam o mal, são energia, a verdadeira felicidade

Alda M S Santos

A magia

A MAGIA

Que tira você do foco, te deixa sem chão
Que abala sua mente, sua emoção
Te lança em alta voltagem
E faz da vida uma doce miragem?

Uma injustiça te deixa revoltado
A desigualdade te faz desanimado
A caridade faz crer que algo pode ser mudado
Nesse mundo que tudo parece abandonado?

Uma alma boa, um querer alucinado
Um alguém que te deixa atarantado
Ou a doce magia de um coração apaixonado?

Que te faz mover, agir, navegar
Nesse oceano sempre a avançar
Em busca da magia que vale a pena conquistar?

Alda M S Santos

Não podemos!

NÃO PODEMOS!

Mesmo estando muitas vezes
Entre o Sol e as nuvens
Entre molhar na chuva ou se esconder
Entre a luz e a escuridão
Entre a saúde ou a doença
Entre a fé e a desesperança
Entre o amor ou a indiferença
Entre o sorriso ou as lágrimas
Entre a alegria ou a decepção
Entre a dor ou a forte emoção
Entre o ir ou ficar
Entre o fazer ou deixar rolar
Entre o ontem, o hoje
Ou o futuro do coração
Nosso lugar é só nosso
Nele só nós podemos agir
Não podemos desistir da vida…

Alda M S Santos

Não aceite menos

NÃO ACEITE MENOS

Não aceite menos que você merece
Corra atrás daquilo que te fortalece
Se não te anima, faz mal, enfraquece
Deixe de lado, não carece
Sol precisa brilhar, gerar calor
Chuva vem para irrigar, fazer brotar a flor
Ondas são para encantar, afastar a dor
Amor tem que ser delicadeza, cuidado
Carinho debaixo do cobertor
Olhar precisa agradar, atrair
Atenção que faz feliz, faz sorrir
Somos responsáveis por nossa felicidade
Por tudo que fazemos por aqui
Da vida devemos cobrar, exigir
Lutar, ir atrás, prosseguir
Mas nunca aceitar menos do que merecemos
Pois só assim vale esse viver, bem sabemos

Alda M S Santos

Suave travessia

SUAVE TRAVESSIA

Ora a vida pede calma
Ora grita por agitação
Há incertezas que doem a alma
É preciso atender ao coração

Quando há uma certa letargia
A esmorecer o corpo, lenta agonia
Ou quando há descompasso
Entre a razão e coração, eu passo

Ora o tempo por aqui é longo
Tantas outras vezes se esvai, é fugaz
Não dá para se fazer de incapaz

Para uma proveitosa viagem, em sintonia
Uma tranquila, leve e suave travessia
Busquemos entre nós a harmonia

Alda M S Santos

Quando falta o ar…

QUANDO FALTA O AR…

Entre tantas as coisas a nos faltar
Se for matéria já nem tem em nós lugar
Se for um sentimento bom para apaziguar
Buscamos sedentos para nos emocionar

Há tanta coisa que pode nos faltar
Acostumados já estamos a lidar
Até por alguns momentos ficamos sem ar
Quando a emoção vem nos subjugar

Mas só assim ele é bom se faltar
Pois representa expectativa de alegria
E não quando a vida foge, agonia

Na maior fonte de oxigênio do mundo
Falta o ar, falta vida, cuidado, proteção
Que Deus nos abençoe, nos estenda a mão

Alda M S Santos

Haverá tempo?

HAVERÁ TEMPO?
Tantas vezes a vida parece tão curta
Parece debochar da ingenuidade da gente
Atiça o desejo, mostra algumas lindas possibilidades
Mas que não estão ao alcance da nossa vontade
Inacessíveis, inexploráveis, impossíveis, inexplicáveis
Por inúmeros e variados motivos
Não teremos tempo…
Será que haveria tempo para conhecermos
Todos os lindos lugares por aí
Para fazermos tantas maravilhosas amizades
Para amarmos a todos sem vaidade
Para sermos a diferença para alguém nesse mundo gigante
Mas ao mesmo tempo tão pequeno?
Será que há tempo para explorar tudo por aí
Como criança curiosa e sedenta de vida
Será que haverá tempo para a autoexploracão?
Somos tão extensos e lindos como tudo que há
Uma miniatura complexa desse mundão vasto
Talvez a resposta irônica para essa questão seja:
Nada há lá fora que você não possa encontrar primeiro em si mesmo
Ame-se, explore-se, conheça-se, divirta-se consigo mesmo
E tudo o mais será lindo complemento
E o tempo será apenas… o tempo…
Alda M S Santos

Se eu pedir, vou ganhar?

SE EU PEDIR, VOU GANHAR?

Bom, dizem que quem pede, ganha
Será que é preciso fazer barganha?
É dando que se recebe
Será que é isso que se percebe?

Se eu quero sorriso, preciso sorrir
Se quero companhia, não posso fugir
Se quero beleza, preciso encantar
Se quero amor, também preciso amar

Há muitos jeitos de algo pedir e ganhar
Basta estar atento ao expressar
O olhar, o sorriso, o silêncio sabem falar

A magia acontece nesse vai e vem
Nessa troca intensa do bem
De quereres e desejos que convém

Alda M S Santos

Tarde de poesias: Se pedir eu vou ganhar?

Blog no WordPress.com.

Acima ↑