AVÓS
São carinho, a mais doce ternura
São colo, são presença que afasta a amargura
São cais, são porto seguro, são abrigo
A certeza de Deus conosco, são olhar amigo
São mães com leveza e despreocupação
São presentes para nós da Criação
Felicidades a todos os avós!
Alda M S Santos
NO MESMO LUGAR
São seis filhos, tantos netos
Vários bisnetos e até uma tataraneta
Mas ela não queria ir com eles morar
Dizia: “aqui é meu lugar”
Agora, 96 anos, não teve jeito
Foi com uma das filhas ficar
Lúcida, esperta, mas nesse mundo tão mau
Não dá pra facilitar!
Tantos queriam levá-la para perto
Poder dela com carinho cuidar
Mas nenhum podia ir com ela morar
A casa ainda está no mesmo lugar
Mas falta vida ali
Ela não mora mais lá
Mas a sentimos em todo lugar…
Salvo quando vem filho de longe visitar
Aí ela vem para sua casa cuidar
Mas o terreiro não é mais o mesmo
Aquele que sempre me encantou
Está tão árido!
A fonte secou, a cacimba soterrou
Roseira reclamou, o galo não cantou
Galinheiro caiu, a horta murchou
Ainda há uns pássaros na goiabeira
Que se adonaram do lugar
E reclamam quando a gente vem passear
Mas agora vou aproveitar
Estamos aqui, ela também
E aqui ela veio conosco ficar…
Assim será até quando Deus nos permitir
Poder em seu colo descansar
E, a bem da verdade, nosso coração é que é seu lugar..
Alda M S Santos
QUASE UM SÉCULO
Minhas lembranças mais remotas e saudosas
Vêm do cheirinho da casa dela
De sua comida no fogão a lenha
Do quintal gigante e da água do poço
Completa hoje 96 anos a minha avó Dudu
Com uma descendência grande de 44 pessoas
Mas não tão longa quanto suas histórias
E o carinho e amor contido, quase nunca declarado, por cada um dos seus
No interior das Minas Gerais, Guanhães, em especial
Ela cumpre dignamente sua passagem por aqui
Casos a contar, lutas, vitórias, derrotas, sobrevivência
Seis filhos, dezenove netos, dezoito bisnetos, uma tataraneta
Cada qual seguindo seu caminho, sua trajetória
Tão pequenina, miúda, cabeça boa, frágil
Um abraço parece que irá quebrá-la
Frágil? Que nada!
Poucos chegam a quase um século de vida
Tão bem quanto ela
Quem a vê tão magrinha e meio encurvada
Se engana ao pensar que é dependente
Sequer a imagina se virando sozinha com suas necessidades básicas
Se perguntada, diz que não está valendo nada
Que já era e não passa de hoje
Mas não quer seguir ninguém, gosta de seu cantinho
Seu ninho, mesmo fisicamente vazio
Quem a pode criticar?
A vida é assim mesmo: ora carregamos, ora somos carregados
Mas enquanto aguentamos, andamos por nossas próprias pernas
Que Deus dê a ela muita saúde, tranquilidade, resignação
E dignidade para vencer seu caminho junto aos seus
Felicidade, Dindinha! Te amo!
Alda M S Santos
DIA DOS VOVÓS!
Nesse dia dedicado a homenagear os avós, planos de Saúde alertam: a saúde estará em xeque.
Em 2027 haverá um jovem até 18 anos para cada idoso acima de 59 anos na assistência à saúde.
Sem desconsiderar a economia pública ou privada de saúde, preocupo-me mais com a assistência psico/emocional desses idosos.
Nossos jovens estão preparados para lidar com um Brasil que envelhece?
Nossos idosos recebem a paciência, o carinho, a atenção, o amor, necessários a uma velhice saudável?
Mais que ser alimentados, medicados ou colocados para se aquecer ao sol, nossos vovós precisam do calor de nosso amor.
Políticas econômicas de saúde devem ser avaliadas.
Porém, a cultura de um país jovem deve também ser reavaliada!
Olhemos pelo lado positivo: se haverá um jovem para cada idoso, cada um de nossos velhinhos terá ao menos número suficiente para serem atendidos nessas necessidades.
Cuidemos para que a qualidade se equipare à qualidade!
Privilegiada, tenho vários vovós para amar.
Feliz Dia dos Avós!
Alda M S Santos