MUDANÇAS
Sempre dizemos ou ouvimos dizer:
Ninguém muda! Cada um é o que é, e pronto!
Isso não é de todo verdadeiro.
Basta fazermos a seguinte reflexão
O quanto ainda existe do nosso eu de outrora
No nosso eu de hoje?
Não fisicamente, óbvio!
Esse pode mudar de modo até engraçado, para não dizer cruel!
Mas nosso modo de pensar, de agir, de aceitar ou recusar
As diferentes propostas da vida são as mesmas?
Há características imutáveis da nossa personalidade,
Mas praticamente tudo pode ser melhorado, evoluído.
Quando tudo parecer difícil, imutável, tentemos mudar a nós mesmos.
Até uma pedra imóvel sob o sol, a chuva, o vento e o luar
Sofre mudanças de cor, espessura, relevo, calor…
Podemos ser muito melhores do que somos!
Com ou sem ajuda externa.
Alda M S Santos
AVALIAÇÃO FÍSICA
Fazer uma avaliação física e de condicionamento pode ser meio desconcertante,
Mesmo com todo o cuidado do profissional e desenvoltura da paciente.
Conversas amenas, faz-se uma anamnese, histórico físico e de saúde geral.
Mas o fisioterapeuta avalia cada detalhe
Frente, verso, laterais, pra cima, pra baixo,
Andando, indo, voltando, abaixando, esticando, dobrando,
Quase do avesso…
Olhar atento, clínico, profissional, mas incomoda.
Procura por defeitos, por falhas, algo que não se encaixa
Ou que se encaixa inadequadamente.
Aperta aqui; dói? Aperta ali: e aqui?
“Claro, caramba! Tá apertando!”
A verdade é que não é agradável ficar sob escrutínio.
Hiperlordose lombar, cervicalgias, joelhos valgos, desnível dos ombros
Ixi! Virei um ET e não percebi!
Bicicleta ergométrica, um calor de matar, suor escorrendo.
Batimentos cardíacos medidos em atividade e em repouso.
Medição de massa magra e de gordura.
“Você está ótima. Pressão normal, coração batendo, não apanhando,
Musculatura forte. Precisa apenas fortalecer mais um pouco os músculos,
Talvez perder uns três quilos. Continue a hidroginástica.
Comece musculação e pilates”.
Ah, bom! Três coisas só! Se estivesse mal iria morar na academia.
Brincadeiras à parte, a saúde vai bem, obrigada.
Apenas desgastes que o tempo causa e a gente deve cuidar.
Toda “máquina” precisa de reparos e manutenção.
Cuidar é nossa obrigação!
Alda M S Santos.
CAÇA E CAÇADOR
Aprender a sentir a direção do vento,
A perceber a luz, a aproveitar a sombra
A desviar-se dos obstáculos, a usar a força do outro contra si mesmo
A andar leve e atento sobre terrenos perigosos,
A ser silencioso e se camuflar quando necessário,
A fazer barulho para se proteger
A considerar o medo como alerta, a nunca subestimar o inimigo
A ser ágil e veloz na fuga ou busca de algo
A saber focar seu alvo, ou desviar-se de sua mira,
A não desconsiderar as próprias fragilidades e respeitar os próprios limites,
A adquirir força e resistência nessa empreitada, pois
Ora somos caça, ora caçadores,
E a mesma luz do luar ou vento leve que favorece a caça,
Também favorece o caçador.
Vence o mais hábil e melhor preparado.
Alda M S Santos
MEDITAÇÃO
Simples ato de afastar qualquer pensamento da mente
Voltar-se para a própria respiração
Para dentro de si mesmo.
Aparentemente simples, básico e natural,
Não é tão fácil assim!
Nossa mente está sempre carregada
Com os ruídos de fora
Com os movimentos constantes de dentro.
Necessário, porém, principalmente quando se busca algo.
Entendimento, discernimento, calma, soluções, aceitação.
Desenvolve a concentração, melhora a disciplina, reduz o estresse.
Esse “esvaziar-se” de tudo
Abre espaço para novos brotos germinarem
Mais fortes, mais vivos…
É uma questão de acreditar e praticar.
Pode ser muito prazeroso e benéfico.
Pode crer!
Alda M S Santos
SOLITUDE
Reclusão e introspecção voluntária, benéfica
Disso precisamos quase tanto quanto água
Silêncio acolhedor, analítico, questionador
A capacidade de ouvir nosso interior, rasgar-nos, ao menos para nós mesmos
Encontrar nossos lagos, sombras, luzes e oásis internos
Sem buscar tantas respostas nos outros, nas palavras alheias
Quase sempre elas se encontram no silêncio, nas atitudes
As palavras podem ser duras, cruéis, ofender, magoar, matar
É preciso ausência de ruídos, de barulhos
No silêncio de nós mesmos
Em nossa companhia mais íntima estarão as respostas.
Antes de sermos de qualquer um, somos de nós mesmos.
Alda M S Santos
LOUCURAS?
Quero ser um caracol, fechar-me dentro de mim mesma
Sair apenas quando a luz de fora entrar
Ou a de dentro conseguir iluminar tudo lá fora
Quero brincar de esconde-esconde
Encontrar um esconderijo bem original
E lá ficar até ser encontrada por alguém com a mesma ideia.
Quero inspirar fundo, bem fundo, sufocar-me em coisas boas
E expirar, jogando fora tudo que faz mal
Quero correr, correr muito, sem direção, até esgotar todas as forças e não sentir mais nada.
Quero ser uma bolha de sabão, subir, subir nas árvores, nas nuvens, encantar e desaparecer.
Quero mergulhar, sem máscaras ou snookers, sentir tudo, descobrir tudo
Afogar-me, se preciso for, e renascer.
Loucuras?
Às vezes são necessárias para se manter a sanidade.
Alda M S Santos
CONTRADIÇÕES
Frágil em sua força, forte em sua fragilidade
Sorriso que ilumina ou que se apaga,
Lágrimas de alegria ou profunda tristeza
Palavras que nem sempre conseguem expressar o que quer, gritando ou sussurrando
Silêncio que grita o que vai no fundo, mas não é compreendido
Ora sozinha entre tantos,
Tantas vezes acompanhada de si mesma.
Um baú de possibilidades, de emoções,
Cheia de “vazios”, vazia de espaços.
Amor sem medidas, amor em excesso
Mas que tantas vezes não é o bastante.
Um poço de contradições, como todo ser humano.
Só quer viver e amar!
Alda M S Santos
VIAJAR
Quer seja sobre duas ou quadro rodas
Sobre as águas, hélices ou turbinas
Ou nas asas da imaginação…
Não importa o meio de transporte,
Importa que queiram estar com a gente
Que apreciem estar conosco,
Que valorizem e lutem para estarmos juntos.
Família, amigos, amores…
O que todos queremos,
O que todos precisamos…
É ir longe, bem longe…
Sem perder o próprio chão
Alda M S Santos
ORQUESTRA
Somos um instrumento tocando todo o tempo
Inúmeros são os sons e as melodias que irradiamos
Não é qualquer um que entende e aprecia nossos acordes,
Tampouco somos capazes de compreender sempre a música que emana da alma dos outros…
Compreendendo ou não, podemos apreciar
Como apreciamos a música dos pássaros
Se houver sintonia dá-se uma maravilhosa orquestra,
A vida consiste em acompanhá-las,
E dançar, se possível!
Alda M S Santos
ESPELHOS
De vez em quando aparecia em minha sala de aula alguma colega a se olhar no grande espelho.
Diziam: “gosto desse espelho, ele me emagrece”.
Nós sabemos o que somos, mas por alguma “deficiência” qualquer, gostamos de ver refletida no outro uma imagem positiva de nós, que corrobore nossos pensamentos e ideias.
Os outros são nossos espelhos. Nós nos mostramos diante deles. E aguardamos o reflexo.
O que for refletido pelo outro ajudará na construção de nossa identidade, de nossa autoimagem, de nossa autoestima.
Obviamente, nem sempre gostaremos do reflexo que iremos receber.
Ninguém quer o espelho da madrasta da Branca de Neve, mas também não precisa ser um espelho de parque de diversões.
Há espelhos côncavos ou convexos demais, que irão distorcer nossa imagem.
Também há aqueles espelhos que refletem apenas nossas rugas, assimetrias, falhas. Ou que nos mostram coisas de um modo que nos farão sentir vergonha.
Eles são importantes, mas não são agradáveis.
Espelhos humanos têm que ter equilíbrio e sensibilidade.
Como humanos, falhos e carentes de aprovação, acabamos por nos afastar dos espelhos irreais ou reais em demasia.
Como diz outra colega, “Gosto desse espelho, porque ele ao menos não me engorda mais. Já sou gorda o bastante.”
O espelho não precisa ser “bonzinho”, não sendo “mentiroso” já gostaremos dele.
E, mesmo inconscientemente, seremos atraídos por espelhos que emitem os melhores reflexos de nós.
Rubem Alves está certo: “Amamos as pessoas não pela beleza que existe nelas, mas pela beleza nossa que nelas aparece refletida. Por isto, somos mendigos de olhares. Olhos são espelhos…”
Alda M S Santos
ENTREGA
A maioria de nós é muito dona de si mesma.
Autoconfiante, sabe de seus próprios valores, não se deixa intimidar facilmente pela opinião alheia.
Muitas vezes tida como uma qualidade, pode vir a se tornar um limitador de alegrias, de prazer, de vida.
Os autoconfiantes têm muita dificuldade para confiar em algo além si mesmos.
Normalmente, os donos de si não adquirem a capacidade de entrega, tão necessária em momentos de prazer, de êxtase.
Fechados em si mesmos, incapazes de se abrir, impedem que o outro chegue, se aproxime, entre.
Acreditam ser um ato de fraqueza precisar ou depender do outro.
Temem se expor à avaliação, à crítica, à dor.
Pode também ser o contrário. Autoestima tão baixa que preferem não se arriscar.
Um pouco de autocuidado e autopreservação não fazem mal a ninguém.
Porém, uma das maiores alegrias da vida consiste em compartilhar o que temos, o que somos…
Entregar-se, abrir-se para o outro, para o mundo, para a vida pode realmente trazer dores, mágoas e decepções, mas também traz muito amor e alegrias.
A outra alternativa pode ser tranquila demais, morna demais, uma quase morte, uma semivida.
Que tenha sorrisos e lágrimas, amor e decepções…
Que tenha vida!
Alda M S Santos
ESCULTURAS NA AREIA
Somos feitos de muitos materiais
Moles ou duros, firmes, ou nem tanto.
Podemos ter a dureza de uma rocha,
A maleabilidade e força da água,
Outras vezes, a resiliência da areia
Que aceita a deformação causada pela brisa
Pelas águas, pelas tormentas,
Mas sempre volta ao seu estado natural
Está ali, vivendo e deixando-se viver…
Certamente sente, se encolhe, se recolhe
Magoa-se, revolta-se, rebela-se,
Muitos entulhos, coisas desnecessárias, pesadas
Podem recair sobre si,
Porém, entende que tudo vem para acrescentar
Ainda que venha carregado de decepções
Sabe que a maior decepção que pode sofrer
É aquela causada por si mesma.
A perda da fé e do amor-próprio.
A perda de sua essência.
Aprendeu que tudo serve para moldá-la
Para criar lindas esculturas!
E segue acreditando que, com sol ou com chuva,
É ela que faz seu próprio brilho!
Alda M S Santos
SOMOS INSUBSTITUÍVEIS!
Ninguém é insubstituível, sempre ouvimos. Dizem isso com o intuito de nos fazer despreocupar com determinadas tarefas, ocupações ou pessoas.
Mas eu acredito que somos insubstituíveis. Sem presunção!
Não falo apenas dos grandes nomes, grandes personalidades, gênios e tal.
A marca desses é eterna. Atravessam gerações e gerações.
Porém, cada um de nós é um ser único e, por mais rotineira que seja nossa ocupação, nela deixamos nossa marca.
Outros podem ocupar o lugar físico deixado por nós, mas o modo único com que a realizamos não haverá substitutos.
Podemos também ocupar lugar num coração por um tempo, irmos embora e outro chegar.
Porém, não é o nosso lugar que o outro ocupará. Ele terá novo espaço. Nosso lugar sempre será nosso.
Quanto mais coração, quanto mais emoção, quanto mais de nós colocarmos naquilo que realizamos, mais profundas serão as marcas e o espaço que ocuparemos.
Se fosse possível scanear nossas emoções com tudo que vivenciamos, teríamos uma imagem espetacular: pais, irmãos, amigos, colegas, desafetos, amores…
Como um HD de capacidade ilimitada.
Se plugassem em nós um cabo e transmitissem numa tela, veríamos que tudo está lá: alegrias, tristezas, saudades, raivas, amor, decepções, frustrações, sonhos, companheirismo e seus respectivos autores.
Quem passou por nós está registrado ali.
Por onde passamos, também deixamos nossa marca impressa.
A lei da física é implacável: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Não se sobrepoem.
Mas nada diz que um apaga ou elimina o outro. Podem até se comprimir, apagar não.
Gravação ilimitada e infinita.
Muitos querem excluir algumas marcas. Tentar apagá-las é um modo de acessá-las e torná-las mais fortes.
Quanto “pesa” nosso HD emocional?
O quanto de espaço ocupamos nos HDs alheios?
Se realizarmos uma busca com nosso nome, quantos links aparecerão no “google” da vida?
Somos insubstituíveis!
Façamos com que nossa marca seja bonita e prazerosa!
Alda M S Santos
MEDIDA EXATA
Faço na medida exata
Que determina meu modo de ser
Sinto na intensidade devida
Que pede meu coração…
A magia só acontece quando acreditamos em milagres…
Meu céu sou eu quem faço
Escolho o que quero ver
Uso o filtro que me cabe
Com a sutileza da alma…
O que se for, não era para ficar
O que ficar, valorizo
Na certeza de que quem mais ama, mais vive.
Alda M S Santos
O QUE TE FALTA?
Com o perdão da indiscrição, o que te falta?
Pode responder pra si mesmo.
A todos nós falta algo: todos!
Às vezes é algo corriqueiro: uma alimentação saudável, boas noites de sono, um corpo mais flexível, a saúde física e mental.
Pode ser um bem material: uma casa, um carro, uma viagem.
Algo bem prático: um curso, uma pós-graduação, um bom emprego.
Ou algo bem pessoal: um filho, amigos leais, aquele amor verdadeiro.
É inerente ao ser humano: sempre estamos querendo algo.
Quando identificamos onde está o vazio, fica mais fácil.
É fundamental que possamos descobrir.
Enquanto isso nos impulsionar é saudável.
Só não devemos deixar que nos estacione.
Devemos saber que a incompletude faz parte de nós e aprender a conviver com ela.
Até a pessoa que julgamos mais feliz sente vazios.
Uma falta não bem resolvida pode nos tirar o brilho, a alegria, o prazer de viver.
O que te falta?
Alda M S Santos
SAUDADES DE MIM
Saudades de mim…
Do tempo em que eu me bastava
Não por autossuficiência,
Mas por saber o que buscar
Como, porque, quando.
Saudades de mim…
Do tempo em que eu era o bastante
Não para todos,
Mas para aqueles que me são caros…
Saudades de mim…
Do tempo em que eu sempre estava aqui.
Que me atendia prontamente ao primeiro chamado
E não era preciso gritar tão alto.
Ou me encontrar no silêncio mais profundo de mim mesma.
Saudades de mim…
Alda M S Santos
ESTACIONAMENTO
Estacionamento permitido:
Longe de nós: “veículos” de carga pesada ou negativas, policiamento ou cerceamento do movimento.
No nosso entorno: “veículos” de passeio, utilitários, de socorro ou salvamento, que nos tragam segurança.
Dentro de nós, estacionamento interno, apenas aqueles de plano especial, duradouros, que tornem o interior mais belo, organizado e completo.
Penalidade: Sujeito à multa e risco de reboque.
Alda M S Santos
BUSCA PELA AUTENTICIDADE
Uns preferem nosso bom humor constante, outros se irritam com isso.
Uns gostam de nosso jeito expansivo e comunicativo, outros nos consideram exagerados.
Alguns apreciam nosso jeito jovial e prático de ser e nos vestir, outros acham que queremos chamar atenção.
Sempre haverá quem prefira algo totalmente diferente do que somos.
Jamais conseguiremos agradar a todos. Acabaríamos por nos tornar uns mascarados, representando um papel em cada espaço ou situação.
Somos humanos, nos importamos com a opinião alheia, sim. Ninguém quer ser mal visto. Mas devemos selecionar a quem ouvir.
O que pensam os amigos a nosso respeito sempre é valioso. A esses devemos agradecer, ouvir, avaliar, considerar, negociar. Nos amam, se importam conosco.
Porém, o que vale mais, o que realmente importa é uma consciência tranquila, em paz e o que Deus sabe sobre nós.
A preocupação excessiva com a opinião dos que não nos amam, sequer nos conhecem, nos leva a ser apenas sombras de nós mesmos. Perda da naturalidade e autenticidade!
Acredito que “a busca pela autenticidade consiste em fazer a verdade pessoal prevalecer sobre as opiniões alheias” ( Pe Fábio de Melo).
Isso é um aprendizado diário!
Alda M S Santos