ROUBOS
Podem nos roubar o sorriso
Mas nunca a alegria de viver
Podem nos roubar o sossego, a calma
Mas nunca a paz que trazemos na alma
Podem nos roubar um sentimento
Mas nunca um coração disposto a amar
Podem nos roubar a confiabilidade
Mas nunca a fé na humanidade
Podem nos roubar a autoconfiança
Mas nunca o amor-próprio
Podem nos roubar noites de sono
Mas nunca nossa capacidade de sonhar
Podem nos roubar o apetite
Mas nunca nossa fome de viver
Podem nos roubar a vida
Mas nunca nossa eternidade…
Podem nos roubar a beleza de alguns capítulos
Mas nunca a pureza e grandeza de toda nossa história…
Alda M S Santos
VALORES
Meus valores ditam minhas ações
Causam alegrias, dores, despertam emoções
Minha inércia também é um modo de agir
Meus oásis, meus desertos, meu sentir
Para todo lado há o que ser admirado
Também há aquilo a ser ignorado
Eu escolho o que permito me incomodar
Também aquilo que em mim pode morar
Há momentos em que tudo parece escurecer
Lá no fundo buscamos nosso alvorecer
Só assim podemos fazer cada acontecer
Temos trabalho importante nessa empreitada
Fica mais fácil manter por perto gente aliada
Fazer o bem a quem precisar, ser mãos dadas
Alda M S Santos
AINDA É!
Barco ancorado no porto ainda é barco
Trem atracado na estação ainda é trem
Aeronave pousada no hangar ainda é aeronave
Passarinho quietinho no ninho ainda sabe voar
Povo cansado de acreditar ainda pode confiar
Repouso e atividade, tempos que todos temos
Reabastecer energias, encher o tanque
O barco ainda almeja desbravar oceanos
O trem quer seguir novos trilhos
A aeronave vislumbra as alturas, o espaço
Passarinho sabe que sairá voando do ninho
E nós? Há uma esperança que nos alimenta
Uma fé que nos anima e apascenta
A coragem de ser novo humano e sonhar
Ser barco, trem, aeronave, passarinho
E nunca mais se sentir sozinho
Nesse ir, vir, partir, repousar…
Alda M S Santos
ARTE DE VIVER
A arte de bem viver consiste em estar preparado
Para perder tudo o que se tem
Mas acreditar que isso não irá acontecer…
Estar preparado para viver sem o que se tem
Sem, contudo, deixar de ser o que se é!
Equilíbrio entre o temido e o improvável,
Entre o desejado e o possível…
Alda M S Santos
A TEMPESTADE, A BONANÇA
Vendo a tempestade pela janela
Noite escura cortada por raios e trovões
Chuva forte que desaba sem cessar
Somente a certeza, de outras tempestades vividas,
Que ela pode demorar, destruir muito
Mas que, pela manhã, o sol voltará a brilhar
Tendo nítido o que é preciso descartar, reorganizar
Com clareza de onde precisa ser fortalecido para o próximo vendaval
Ele sempre vem!
Mas há uma força maior no controle: Jesus!
Sigo confiante!
Alda M S Santos
NOVA TERRA
Quando uma edificação está muito danificada
Se se jogar tudo abaixo, recomeçar do zero, nova construção
Perde-se história, memória, lembranças, aprendizados
Pode-se mexer na estrutura, reestruturar
Desmontar paredes, derrubar janelas
Arrancar pisos, azulejos e portas
Estar nesse meio onde tudo parece ruir
Dá vontade, às vezes, de desistir
Dar adeus, ir embora, fechar a conta
Mas, se há paciência e dedicação
Se se coloca a mão na massa da reconstrução
Se se usa a bondade e sabedoria do coração
Uma nova edificação surgirá
Mais bela e imponente que antes
É só acreditar!
Ele mandou bons construtores para ajudar
Ele acredita em nós!
Alda M S Santos
AGE NO BEM E SEGUE!
Entre tantos que tudo sabem
Diante de inúmeros defensores da “verdade”
Nunca o silêncio teve tanto valor
Há tantas verdades sendo espalhadas por aí
Verdades que trazem dor e destruição
Que quem se cala e não trava qualquer batalha
Que mergulha em si mesmo e não atrapalha
Talvez encontre um caminho iluminado
Ainda que sob as nuvens escuras
Se houver amor pelo próximo
Respeito à vida, às leis terrenas e celestes
Solidariedade, compaixão e caridade
Segue em silêncio, ora e age no bem
Que o resto no tempo certo vem!
Alda M S Santos
JARDINAGEM
Posso promover mudanças por aqui
Plantar ou replantar meu jardim
Posso podar alguma flor, arrancar outras
Estabelecer prioridades de sol e sombra
Luz direta ou indireta, escuridão
O bom jardineiro conhece cada rosa ou folhagem
O tempo de adormecer e de desabrochar
A quantidade da rega, a qualidade do adubo
As mudas que podem ser feitas e distribuídas
Ou aquelas que já morreram, tempo esgotado
Natureza tem seus tempos, sua circularidade
Nascer e morrer fazendo parte do mesmo viver
Olho para meu jardim interno
É tempo de cuidar de minha plantação
Coloco meu avental, minhas luvas
E de coração aberto começo a jardinagem
Não importa a estação, sempre é tempo de renovação
Alda M S Santos
O OLHAR DO PAI
Qual será o olhar de Deus
Para Sua Criação, esse povo seu?
Será que se arrepende
Ao ver o caminho que trilharam?
Ele pregou amor a todas as criaturas
E nota-se por aqui tanta amargura
Destruição de nossa casa, nosso mundo
Gente má, amarga, sempre em guerras
Por motivos vis: Prendem, matam, torturam
Alegando ouvir a Deus:
Excluem, alienam, descartam
O que o Pai espera de nós?
Será que quer mesmo voltar,
Ou é aquele Pai que vai deixar o filho cair
Aprender com os próprios erros
E, diante da destruição causada,
Entender Sua mais preciosa lição:
Daqui só se leva o amor…
Pai, quanto ainda falta para tudo isso acabar
Podermos recomeçar sob um novo olhar
Uma nova maneira de entender esse belo lugar?
Quanto?
Alda M S Santos
PRIMEIRA CLASSE?
Quando se aproximar a hora de partir
Que a gente possa chegar do outro lado
E entrar pela porta da frente
E poder seguir em primeira classe
Não importa se aqui viajamos na executiva
Se entramos pelo elevador de serviço
Ou se saímos pela porta dos fundos
O que importa é nossa postura de coragem
De fé, amor, luz e solidariedade
Diante de todas as viagens por aqui
Essa é a moeda a ser usada
Na compra da passagem mais importante:
A que dá entrada para a eternidade
Alda M S Santos
AS INCERTEZAS SÃO BOAS!
Colecionamos dúvidas e incertezas
Em meio a tantos sofrimentos no mundo
E isso é bom!
Sim, as incertezas geram questionamentos
Questionamentos geram buscas, ativam a razão
Busca de entendimento, de autoanálise, autoconhecimento
As certezas impedem aprendizados
As certezas “absolutas” causam inércia ou guerras
As certezas afastam o livre raciocínio
As certezas não deixam páginas em branco a preencher
As certezas, as nossas verdades
São, muitas vezes, a causa do caos
Porque confrontam com a verdade do outro.
Por mais incertezas ativas
Por mais humanidade emotiva e raciocinada
Esse é o melhor meio de ler esse mundo e entender!
Alda M S Santos
O UNIVERSO
O universo é parceiro, é aliado
Conspira a favor de quem se alinha
Com ideias e propósitos de conservação
O universo ajuda quem está em sintonia
Com vibrações elevadas de paz e harmonia
Com o bem, com a luz, a pacificação
Com quem não machuca ninguém, é irmão
O universo é ímã de energias de amor e união
Alda M S Santos
EU, ABAIXO ASSINADO!
Se for algo para exigir alguma mudança
Que seja boa, que permita novas alianças
Assino embaixo!
Se for algo que permita crescimento
Que dê autonomia, tire as rodinhas, gere contentamento
Assino embaixo!
Se for algo que espalhe amor e solidariedade
Que una a todos, sem exclusão, seja verdade
Assino embaixo!
Nem precisa ser algo tão original
Basta que o propósito seja afastar o mal
Assino embaixo!
Se for algo que questione ou balance as estruturas
Que exponha e coloque em xeque as variadas rachaduras
Assino embaixo!
Se for algo que desorganize para enfim reorganizar
E fazer esse mundo no bem girar,
Estou dentro, assino embaixo!
Alda M S Santos
MEU SOL
Sempre em busca do calor e luz do sol
Como uma árvore, uma roseira, um girassol
Tento não me afetar com as tempestades
Acredito que elas levarão embora as maldades
Sei que a vida tem seus vendavais
Que quase sempre nos deixam sinais
De um mundo passado, um futuro desejado
De um presente que tenha amor ao nosso lado
Tão bom poder encontrar por aqui um lugar
De paz, de luz, de doce recolhimento
Cantinho especial para desvendar sentimentos
Bom mesmo é acender o sol do lado de dentro
Em qualquer lugar levar brilho e contentamento
De uma vida desejada, alheia ao sofrimento
Alda M S Santos
CRESCENDO
Eu cresço quando olho para dentro de mim
Quando observo meus sentimentos
Quando me percebo frágil ou forte
Quando avalio meus pensamentos
Os positivos, os negativos, os infrutíferos
Quando decido descartar o que gera atrito
E opto por priorizar o que atrai a bondade
A mim, ao outro, à humanidade…
Cresço quando me observo todo o tempo
E reflito quando convém falar ou silenciar
E me pergunto: que bem isso pode fazer?
Se a resposta não vier de pronto cabe análise
Da conveniência de fazer ou não
Cresço quando entendo que cada qual tem seu tempo
Estamos no mesmo trem, mas em lugares diferentes
E o condutor é o melhor e maior: JESUS CRISTO!
Vale consultar sempre o que Ele gostaria que fizéssemos
Seus passos por aqui devem ser nosso guia.
Só assim crescemos e evoluímos.
Alda M S Santos
EU ESCOLHO
Entre as tantas partes de mim
As bem antagônicas ou paradoxais
Que todos nós temos, afinal
Eu escolho as que me fazem mais feliz
Que podem me tornar mais acessível
A quem precisar de ajuda, de amor fraterno
Aquelas bem claras em detrimento de outras escuras
As alegres como dia de sol
Mesmo gostando da nostalgia dos dias nublados
As flores perfumadas no jardim
Ao invés do conforto do quarto escuro
O sorriso e as palavras de incentivo
Ignorando a desesperança e tristeza
Não fecho os olhos para o que há de mau por aí
Para o que há de negativo em mim
Apenas tento, sempre que posso
Optar pelo que sei, por experiência própria
Que fará bem a mim
E a quem de mim se aproximar…
Longe de agradar a todos
Tento ser fiel a mim mesma
E nisso já tenho bastante trabalho…
Alda M S Santos
HÁ DIAS ASSIM…
Há dias de extremo cansaço
Falta a coragem, sobra desejo de jogar a toalha
Há dias de muita agitação
Energia e vontade de tudo fazer, melhorar
Há dias de dúvidas intensas
A fé mina, raciocínio falha, inércia pura
Há dias de emoções turbulentas
Desestruturam, balançam e tiram tudo do lugar
Há dias de calmaria, paz
O barco da vida segue seu curso sem grandes solavancos
Há dias de mergulhos emocionantes e profundos nas águas da vida
Mas também há dias de emoções rasas e superficiais
Tudo parece não fazer sentido
Há dias de amor, paixão, sintonia
Tudo é beleza, carinho e acolhimento
Há dias de ausência de conexão e interatividade
Falta comunicação, silêncios e distância prevalecem
Há dias de saudades, de esperança
Onde o presente fica espremido entre passado e futuro
Há dias de sonhos e realidades interagindo
Tentando encontrar um equilíbrio que satisfaça
Há dias felizes, outros nem tanto
Enquanto houver dias por viver
Sempre haverá dias assim…
Alda M S Santos
CERTEZAS
Por aqui vamos acumulando certezas
Parece que isso nos dá mais segurança
Ignoramos que são aquelas incertezas
Que nos instigam a evoluir, a virar a mesa
Certeza do que é adequado ou não
Daquilo que nos leva para a contramão
Isso é bom, acreditar na própria intuição
A vida é bem cheia de dúvida, de senão
O que não é válido é no outro querer incutir
A certeza que eu conquistei para meu evoluir
Cada qual tem seu tempo, seu espaço
Suas lutas diárias, seu próprio compasso
Aquela certeza que se conquista sozinho
Tem mais força e luz no caminho
A única certeza válida é que elas podem mudar
Vou seguindo aberta para aprender e continuar
Alda M S Santos
A SELEÇÃO
A Terra gira rapidamente
Nosso planeta já não pode mais parar
E a cada rotação vai sutilmente
Colocando cada coisa em seu devido lugar
A seleção está sendo feita
Quem fica, quem vai
Quem sabe e quem quer, aproveita
Não desperdiça oportunidades de crescer
De ser mais e melhor
Ela segue ajeitando tudo
Não tem mais volta…
Alda M S Santos
ERA UMA CASA
Que tipo de casa você é?
Daquelas que têm as portas sempre abertas
Jardineiras na janela com flores amarelas
Cortinas coloridas, na varanda uma rede
Capacho de boas-vindas, fotos na parede?
Que tipo de casa você é?
Daquelas com vigilância eletrônica
Alarmes que soam a qualquer irregularidade
Espaços amplos e iluminados artificialmente
Puro luxo e beleza, nada de simplicidade?
Que tipo de casa você é?
Daquelas em que todos ficam à vontade
Trânsito livre em todos os espaços
Ao ponto de restringir sua liberdade
Sentindo-se invadido em sua intimidade?
Que tipo de casa você é?
Sabe deixar a porta entreaberta
Para entrar quando quiser a pessoa certa
Aquela que fica e te deixa confortável
Morando em si mesmo, lar adorável?
Nossa alma é nossa casa!
Que tipo de casa você é?
Alda M S Santos
VERDADES, MENTIRAS
Quantas são as verdades e as mentiras?
Será que como as mentiras
As verdades também são várias?
Ou os fatos são sempre os mesmos
Vistos de óticas diferentes, interpretações inúmeras?
Uma verdade absoluta para alguém
Pode ser mentira para outrem?
Somos peças num grande xadrez
Com movimentos e poderes limitados
Quando será o xeque-mate?
Alda M S Santos
NA DÚVIDA
Na dúvida se é verdade ou mentira
Não espalhe, não propague
Pesquise, analise, se pergunte:
Que bem isso poderá causar?
Quem se prejudica,
Quem se beneficia?
Alda M S Santos
SINTO, LOGO…
Sinto tanto, sinto muito, sinto com força
Dor, tristeza, mágoa, decepção
Sinto, logo…sofro!
Sinto tanto, de todas as formas e grandezas
Vontades, desejos, saudades, lembranças
Sinto, logo…espero!
Sinto tanto sem querer, por querer, quase desisto
Descrença, desânimo, desalento, descaso
Sinto, logo…resisto! Choro, sorrio…
Sinto tanto a qualquer hora, a qualquer tempo, a todo tempo
Cheiro de flor, cheiro de amor, de encanto, de alegria e fé
Sinto, logo…vivo!
Alda M S Santos
OLHO PARA ESSE MUNDO…
Olho para esse mundo e sinto desânimo, cansaço
Gente que parece louca, má, sem qualquer embaraço
Humanos nos mesmos erros e falhas na jornada
Tanta gente ofendendo, machucando, matando por nada
Como uma criança que escreve, erra, apaga
Infinitas vezes segue nessa mesma saga
Até perceber que o melhor é rasgar a folha
Amassar, jogar fora e recomeçar, sair dessa bolha
Pode doer bastante reescrever na página marcada, rasgada
Onde já nada se vê, está borrada, vista embaçada
Pode cansar recomeçar nova escrita,, nova história
Mas ainda é o melhor modo, há esperança de glórias
Jogar nosso caderno fora não é boa opção
Dar uma folheada desde o início nota-se evolução
O número de folhas em branco também faz pulsar o coração
Será que Deus repudia tantos cadernos fraudados
Que nos avalia como filhos de amor necessitados
Ou se arrepende e quer passar esse caderno a limpo?
Que Ele tenha piedade dessa insana humanidade
E que não desista de nós em meio a tanta desumanidade
Alda M S Santos
SOU PARTE
Apenas um pontinho na imensidão
Um grãozinho em tamanha grandeza
Uma parte aparentemente insignificante
Diante de tão vasta e maravilhosa natureza
Ainda assim, mesmo um pontinho ali, faço parte
Tanto verde, tanto céu, tanta vida, tanta história
E posso em tudo influenciar
Por atividade ou inércia
Posso modificar o ciclo natural das coisas
Tudo que faço ou não faço
Tem efeito dominó, atinge a tudo e a todos
Tem efeito bumerangue, retorna para mim mesma
Essa energia que a tudo atrai, repele ou contagia
Que se faz harmonia, magia, sintonia
Mostra que fazemos parte
Somos importantes por aqui
É uma grande responsabilidade
Sou parte! Somos parte!
Alda M S Santos
MINHA POLÍTICA
Não, eu não discuto política
Ela me entristece, magoa, fere, me tira do eixo
Faz-me perder as esperanças num mundo melhor
Prefiro viver a política como posso: agindo
Tentando ser a leveza onde tudo pesa
A balança para equilibrar desigualdades
A mão que se estende a quem está só
O colo que abraça e acolhe quem está perdido
Mesmo que eu mesma precise de colo também
Que chore, perca as esperanças ou a fé
Que também ache que não tem mais jeito muitas vezes
Agindo como posso na posição que estou
Não gosto de radicalismos
E é só isso que tenho visto em ambas as partes
Óbvio que tenho minha posição
Eu sou pelo amor, sempre
Eu o utilizo como minha régua, minha ferramenta
Minha medida para qualquer coisa ou situação
“O quanto há de amor nisso?- sempre me questiono
Avalio a qualidade das pessoas pelo amor
Ele me permite ter a tolerância suficiente com os diferentes
Ele me permite tentar entender quem pensa diferente de mim
Ele me ajuda a olhar pela perspectiva do outro
Ele me faz questionar até que ponto estou certa
Minha política é viver o amor, levar o amor
Portanto, sou contra qualquer exclusão, de qualquer tipo
Minha política é amar e fazer o bem, sempre
Qualquer coisa que fugir a isso, não me interessa
Não terá meu apoio ou aprovação!
Qual sua medida, sua régua?
Alda M S Santos
FAZENDO MORADA
Em busca de paz, de tranquilidade
Deixo minha porta entreaberta
Não fecho e nem abro demais
O sol precisa entrar, iluminar o lugar
Abro bastante para só entrar o que for especial
E deixar sair o que já não está tão legal
Nela serei porteira atenta e criteriosa
Se for leve, perfumado, bonito e colorido
Encontrará passagem, morada certa, abrigo
Mas se for cinza, sisudo ou amargo
Peço para ir embora, não cabe, cria embargo
Descobri que para se ter paz e tranquilidade
Destino melhor sou eu mesma, minha verdade
Ainda que seja repleta de sonhos, na realidade
São meus, aqueles que cuido e alimento
Que me fazem bem, me dão alento
Abro as portas e deixo fazer morada
O que já é sorriso e empatia na chegada
Mas se não tiver o brilho e a docilidade
Se for só cobrança, cercear a liberdade
Vá em paz, aqui não roubará minha felicidade
Alda M S Santos
O PREÇO
Qual o preço que se paga?
Por cada tristeza, pela boca amarga
Pelo peso nas costas, cansativa carga
Pelo viver sempre correndo, acelerado
Ou por tantas vezes se sentir estacionado?
Qual o preço que cobram da gente?
Por ser fiel à sua essência, ter autenticidade
Por seguir o próprio caminho com naturalidade
Por não comprar brigas desnecessárias
Por não saber quem são seus párias?
Qual o preço que se paga?
Por acreditar num mundo bom, por ser Polyana
Pela fé num mundo que muitas vezes engana
Por fazer o jogo do feliz e do contente
E ignorar o que falam da gente?
Qual o preço que cobram da gente?
Tudo por aqui tem seu preço
Nem sempre teremos por ele algum apreço
Mas vale mesmo é buscar o que tem valor
E isso, não há quem tire da gente…
Alda M S Santos
O que você acha que melhora com a idade?
BÔNUS DA MATURIDADE
Sempre se tem uma ideia meio romantizada
Do tempo que se foi, da chegada da maturidade
Dá para saber melhor o que é bônus
E não supervalorizar tanto o que é ônus
Se angariou sabedoria saberá em que focar
E descartar o que já não vale a pena conservar
As questões físicas são assim, irreversíveis
Mas dá para se cuidar, valorizar as cicatrizes
Marcas no rosto, na pele, são a vida tatuada
Cada risco nos olhos, ou frisos na testa
São escritas, arte, dores, sorrisos, alma em festa
Saber que deu o seu melhor quando o olhar passear lá atrás
E se perdoar as falhas, desenhar um presente eficaz
Tempo não é estático, é um eterno vai e vem
Ondas no grande oceano do viver que faz bem
As emoções são bastante potencializadas
Mas urgência só de aproveitar bem, dar gargalhadas
Quer seja numa cadeira de balanço ao entardecer
Ou num voo de asa delta ao alvorecer
A maturidade tem essa prerrogativa
Os corações são livres, almas não cativas
Cada qual tem a liberdade de escolher sua prisão
E isso, a opinião dos outros já não importa não!
Alda M S Santos
INTUIÇÃO
Sabe aquela sensação quase palpável
Que algo está acontecendo, bem mensurável
Mas não consegue explicar, apenas sente, intuição
Isso é o sexto sentido, da alma uma comunicação
Acontece com algo na vida da gente
Como uma premonição urgente
Ou com alguém que nos é caro
E atinge o coração, preocupação, não raro
Você tem desejo de alertar para se cuidar
Mas não sabe bem como explicar
Já que não há nada tão concreto
Mas a intuição diz; isso não é certo!
A vida premiou a muitos de nós com a intuição
Com cuidado dá para usar, não ser só preocupação
Pode ser um grande aliado nesse mundo sofrido
Basta ser a mão que se estende a quem está combalido
Alda M S Santos
NO AUTOMÁTICO
Nada mais cansativo, tenso e doloroso
Que viver no automático, no modo tedioso
Não há escolhas, opções, há imposição
Das coisas da vida que não geram emoção
A vida requer envolvimento, prazer
Simpatia, empatia em tudo que for fazer
O desejo de se entregar, se envolver
Faz tudo ter significado nesse viver
Quando a alma não se sensibiliza
Parece anestesiada, robótica, não verbaliza
É chegada a hora de ligar o vitaliza
Sem redundância, viver é um presente de amor
Mas se não há alegria, conversemos com o Criador
Busquemos no Alto, em nós mesmos, mais disposição e calor
Alda M S Santos
HÁ GENTE ASSIM…
Há gente de todo tipo nesse mundão
Há gente luz, há gente escuridão
Há gente que briga, outras que dão a mão
Há gente que é separação, outras união
Há gente que é lágrima, gente sorriso
Gente que é força, gente fragilidade
Gente que é medo, gente que é coragem
Gente que foge, gente que segue viagem
Há gente que que é peso, outras leveza
Gente que é feiúra, outras beleza
Há gente que é amor e doação
Gente que é descaminho e perdição
Há gente de todo tipo por aqui, incrível
O que nem sempre é tão perceptível
É que todas elas podem fazer morada
Dentro de nós mesmos em diferentes jornadas
Alda M S Santos
O QUE DIZ O ESPELHO?
Tá frio, tá quente
Tá sorrindo, tá sofrente
Tem marcas, tem rugas
Tem histórias, tem rusgas
Tá bonito, tá não, tá feio
Tá sem tempo, tá sem freio
Tá confuso, triste, pede arrego
Tem alegrias, quer aconchego
Tá tenso, tá escuro, tá nebuloso
Tá colorido, arco-íris, tá gostoso
Tem magia no ar, tem um olhar
Quer poder o amor desvendar
Tá animado, tem energia, tá preparado
O tempo passa, tá tudo dominado
Ele devolve o olhar, desafia, tempo dado
Vá lá, viva, faça acontecer algo abençoado
Alda M S Santos
EM SEU HABITAT
Submersos, de toda cor e brilho, águas claras
Naquele aparente silêncio, beleza rara
Natureza repleta de luz e encanto
Fora ou dentro d’água, dá para ouvir mágico canto
Dia após dia, maré alta ou maré baixa
Lá estão eles, livres, felizes, não cabem numa caixa
Enfrentam desafios e vários predadores
A natureza os fez assim, singelamente lutadores
Seja peixe ou seja gente, a vida pede liberdade
De ir e vir com cuidado e responsabilidade
Respeito ao modo de ser de cada ser vivo
Em seu habitat são o que são, nada de ficar cativos
Alda M S Santos
OLHO PARA ESSE MUNDO…
Olho para esse mundo e sinto desânimo, cansaço
Gente que parece louca, má, sem qualquer embaraço
Humanos nos mesmos erros e falhas na jornada
Tanta gente ofendendo, machucando, matando por nada
Como uma criança que escreve, erra, apaga
Infinitas vezes segue nessa mesma saga
Até perceber que o melhor é rasgar a folha
Amassar, jogar fora e recomeçar, sair dessa bolha
Pode doer bastante reescrever na página marcada, rasgada
Onde já nada se vê, está borrada, vista embaçada
Pode cansar recomeçar nova escrita,, nova história
Mas ainda é o melhor modo, há esperança de glórias
Jogar nosso caderno fora não é boa opção
Dar uma folheada desde o início nota-se evolução
O número de folhas em branco também faz pulsar o coração
Será que Deus repudia tantos cadernos fraudados
Que nos avalia como filhos de amor necessitados
Ou se arrepende e quer passar esse caderno a limpo?
Que Ele tenha piedade dessa insana humanidade
E que não desista de nós em meio a tanta desumanidade
Alda M S Santos
SOU ASSIM…
Sou como uma borboleta ou beija-flor
Degustando a vida dia a dia de flor em flor
Sou como um furacão, ou um vulcão
Ora devastação, destruição, reconstrução
Sou tempestade, raios, relâmpagos e trovões
Sou susto, medos, mergulho em meus porões
Sou como lápis e borracha, tempos de glórias
Apagando dores, escrevendo alegrias, histórias
Sou como semente na terra escura, adubada
Buscando o Sol, a luz que ilumina a alvorada
Sou como rio caudaloso a caminho do mar
Curtindo cada cantinho, desejando oceanar
Sou máquina de costura a cerzir meus retalhos
Costurando momentos, dando sentido aos frangalhos
Sou escada, subida, de degrau em degrau, sou evolução,
Ora sou ponte, travessia, busca do novo, pulsar do coração
Sou chave que insiste em abrir fechaduras emperradas
Sou o rochedo forte, poderoso, no meio da estrada
Sou bailarina, leveza, delicadeza, encanto de viver
Sou livro aberto, páginas a preencher, mas pronto para se ler
Sou nuvem, ora branca, ora pesada, carregada
Chuva passageira, arco-íris, íris impregnada
Sou pôr do sol, expectativa de um novo amanhã
Sou Lua, sou noite, mistério, romance, esperança vã?
Sou palhaço em movimento que faz o outro ser feliz, sorrir
Ainda que me sinta estátua por dentro, inerte, dificuldade no agir
Sou fonte de vida a correr todo o tempo, calidamente
Sou torpedo enviado, relógio marcando o tempo incessantemente
Sou pássaro livre que voa, jardim repleto de rosas
Sou brisa suave, vento forte, sou apenas Alda-ciosa
Alda M S Santos
ETARISMO?
Criança brinca, adulto trabalha, idoso descansa
Via de regra, é o costume, a norma, o conceito
Fugiu disso já vem julgamento, o pré-conceito
Criança estuda, adulto namora, cria família
Idoso dorme, joga dama, faz a sesta, letargia
Criança trabalhar, adulto descansar e idoso namorar gera conflito
E já se quer resolver tudo na exclusão ou no grito
O que não se sabe é que cada um tem em si
Uma criança, um adulto, um idoso para emergir
Se se respeita os próprios limites e não fere ninguém
Quem poderá julgar o que se passa com alguém?
Sou quem eu quiser com amor e respeito
Nesse mundo tão desumano se for bater no peito
Que seja para dizer: vivo com magia, com alegria
No mais, cada qual seja feliz em sua (ir)real fantasia
Alda M S Santos
ORGANIZANDO
Organizando…
Nas gavetas de cima, aqueles que me amam incondicionalmente.
Preciso da força que me dão apenas por estarem por perto.
Nas gavetas intermediárias, os críticos, os questionadores, analíticos, julgadores.
Preciso deles para me instigar e fazer crescer.
Nas gavetas de baixo, os falsos, hipócritas, mesquinhos, que se julgam melhores e superiores.
Em todas elas quem merece e/ou precisa de amor.
Nas de cima, aqueles fáceis de amar.
Nas intermediárias, os que aprendo dia a dia a amar.
Nas últimas, aqueles que nunca devo esquecer: para nunca me tornar e para, se possível, mudá-los de gavetas.
Ninguém de nossas vidas deve ser excluído, apenas remanejado.
Não estão ali por acaso…
Nos ajudam a seguir o curso de nossas vidas.
Alda M S Santos
DESEJO
Desejo de catar lindezas por aí
Em todo canto poder me abstrair
Em grandes campos ou passarelas
Jardins de lindas flores amarelas
Desejo de me envolver só na simplicidade
Ignorar o que não agrega, a maldade
Mentiras e falsos profetas mandar embora
Quero a paz e a luz que sei, não demora
Chega a chuva, a luz, o calor do sol
Sob estrelas, frio, brisa ou arrebol
Quero a sabedoria simples do girassol
Viver num universo paralelo é perigoso
Por aqui pode estar difícil, pedregoso
Bom cuidar do jardim interno, ser cauteloso
Alda M S Santos
CHEGADA A HORA
É hora de ouvir o coração
Hora de se encher de muita emoção
Mas não é bom esquecer a razão
E lembrar da dor e da carência de nosso irmão
É chegada a hora de deixar brilhar a luz
Seguir a estrela maior que nos conduz
Aquela que fala do amor maior
Pela criação, pelo próximo, ninguém é menor
É hora de ouvir seu próprio sentir
De ter sensibilidade no agir
Momento de cuidado para ninguém ferir
É fundamental respeito ao outro, a si
O que se lança no tempo volta para ti
Que a paz e o amor reinem para você e para mim
Alda M S Santos
EM CADA LUA
A natureza está sempre a nos dizer
Que para tudo há tempo: viver ou morrer
De voltar a brilhar, de reviver, de crescer
Basta um olhar para admirar esse acontecer
Não importa se é a chuva que cai torrencial
Se é a trepadeira que se alastra no seu quintal
Se o sol que queima a pele, a brisa que arrepia
Ou a lua cheia no céu que nos contagia
Dentro de nós tudo está em processo
De evolução e crescimento, sem retrocesso
Cada qual numa fase, numa etapa, numa lua
Pode vir, natureza, seja como for, sou toda sua
Curtir a primavera interna, o coração fraterno
Entender que temos outonos e invernos
O mundo gira sem parar em torno do astro-rei
Passaremos por cada estação, isso eu sei
Alda M S Santos
MUNDO
Mundo que tira, mundo que dá
Mundo que nos deixa a pensar
Mundo que nos rouba, que nos devolve
Mundo que nossas entranhas revolve
Mundo que nos cansa, nos ensina
Mundo que decepciona, nos fascina
Mundo do qual queremos fugir, sumir
Mundo que nos cativa e nos faz insistir
Mundo para o qual viemos por alguma razão
Para crescer, amar, lutar, ser evolução
Mundo que carrega muita desigualdade
Onde queremos ver mais humanidade
Mundo que quero subir no pódio e aparecer
Às vezes quero ser minúscula, desaparecer
Mundo que quero deixar melhor que encontrei
Por isso busco fé e coragem, não desistirei
Alda M S Santos
SERIA MUITO?
Seria muito imaginar que fui o sonho de alguém
Que minha existência foi planejada
Que antes de aqui chegar eu existi em outro lugar
E foi a mente, a alma, o coração
A imaginação e o desejo de um alguém
Que me tornaram possível viver por aqui?
Será que estive antes no coração de meus pais
Que tudo estava combinado previamente
Que para esta dimensão eu viria
E que teria por aqui um trabalho a fazer?
Seria muito pensar que me materializei nesse plano
Para tornar real o amor de um alguém?
Seria muito imaginar que esperam algo de mim
Que me “vigiam” o existir e o fazer
Na esperança de que eu caminhe sempre para e pelo bem?
Sendo assim, seria muito pedir
Que me perdoassem os atos falhos
Os caminhos sem saída que peguei
As trilhas com inúmeras bifurcações que me enveredei
A luz que outras vezes ignorei?
Seria muito pedir, a quem sonhou comigo
A quem permitiu meu existir
Que estivesse sempre a meu lado
Levando-me pelas mãos para o melhor caminho
Que não me permitisse fugir
Orientando-me com palavras de doçura e carinho
Alertando-me aos buracos nas vias existenciais
Preparando-me para o porvir
Dando-me colo, atenção, amor?
É que pareço forte, sabe
Mas, a verdade, é que tantas vezes só quero um pouquinho de colo
De apoio e da certeza de que não estou só
Seria muito pedir?
Alda M S Santos
COM ESPINHOS
Não precisa eliminar os espinhos
Basta ter cuidado, ir com jeitinho
Rosas são belas mesmo assim
Têm cor, perfume, espetam, enfim
Não adianta exigir que seja perfeito
Todos temos nosso lado imperfeito
Somos um misto de defeitos e qualidades
É sábio conseguir priorizar o que traz felicidade
Nessa viagem escolhemos nossos caminhos
E as companhias para não seguir sozinhos
Tão importante quanto saber para onde ir
É escolher quem nos acompanhará sem fugir
As rosas nos ensinam a lidar com os espinhos
Nas estradas a saltar as pedras do caminho
A grande lição é amar o outro em sua essência
No bem, no mal, sempre, não só de aparência
Alda M S Santos
EXTREMISMOS
Sem medo de errar: todo extremismo é nocivo
Seja esportivo, religioso, político ou de qualquer tipo
Trazem consigo uma carga de amor e ódio
Uma insanidade patológica e agressiva, uma bomba relógio
Não permitem crescimento ou evolução
E sempre causam tragédias em diversas situações
Os excessos, quaisquer que sejam, envolvem insanas paixões
Daqueles tipos que causam amargas polarizações
Envolvem um “amor” meio adoentado
E como carona um ódio pelo outro lado
Na maioria das vezes por outro também extremista
E a vida vai sendo posta à prova, danos causados
Urge nos curarmos ou nos vacinarmos
Munirmos de respeito e sabedoria
Para não nos envolvemos nessa louca patologia
A vida pede por paz, luz e serenidade
Ainda que cada qual lide com sua verdade
Apreciar em si e no outro o jeito de ser liberdade
Faz-nos crescer em nossa humanidade
Alda M S Santos