OS OUTROS E NÓS
Quando fazer-se bem passa, necessariamente,
Pelo fazer bem ao outro
Quando encontrar-se passa, obrigatoriamente,
Pelo caminho que atravessa o coração do outro
Quando acender a luz no olhar de alguém
É o modo mais eficaz de refleti-la em nós mesmos
Quando dar colo a quem dele precisa
É um modo de encontrar um ombro para descansar
Quando ser o motivo do sorriso de alguém
Torna-se o lenço capaz de enxugar nossas lágrimas
Quando direcionar nossa vida ao outro
É a maneira mais paradoxal de valorizar nossa própria vida!
Alda M S Santos
HEMATOMAS EMOCIONAIS
Aquela marca roxa na pele, nos músculos, nos olhos
Dolorosa, feia, sensível ao toque, extravasamento de sangue sob a pele
Sinal de algum trauma mecânico, reação orgânica a pancadas
Fácil de se perceber, notar
Vai mudando de cor, clareando, até sumir
A cura vem com o tempo, o organismo absorve o sangue retido ali
Nada mais se pode fazer para acelerar…
E quando os traumas são emocionais?
Qual a cor deles?
Onde o sangue fica retido?
Onde ficam os hematomas?
Alguém vê, trata, medica, cura?
Os hematomas das pancadas e traumas emocionais não têm cor
No máximo, o amarelo da tentativa de sorrisos
Tampouco têm brilho, o olhar é fosco
Mas têm dor, profunda, latente na alma
Tem peso no olhar, nas costas, na reclusão social, no andar encurvado
Se os hematomas emocionais tivessem cor seriam transparentes
A cor das lágrimas engolidas que se acumulam no coração e ninguém vê…
Alda M S Santos