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poemas e reflexões da vida cotidiana

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agosto lilás

Os outros e nós

OS OUTROS E NÓS
Quando fazer-se bem passa, necessariamente,
Pelo fazer bem ao outro
Quando encontrar-se passa, obrigatoriamente,
Pelo caminho que atravessa o coração do outro
Quando acender a luz no olhar de alguém
É o modo mais eficaz de refleti-la em nós mesmos
Quando dar colo a quem dele precisa
É um modo de encontrar um ombro para descansar
Quando ser o motivo do sorriso de alguém
Torna-se o lenço capaz  de enxugar nossas lágrimas
Quando direcionar nossa vida ao outro
É a maneira mais paradoxal de valorizar nossa própria vida!
Alda M S Santos

Hematomas emocionais

HEMATOMAS EMOCIONAIS

Aquela marca roxa na pele, nos músculos, nos olhos

Dolorosa, feia, sensível ao toque, extravasamento de sangue sob a pele

Sinal de algum trauma mecânico, reação orgânica a pancadas

Fácil de se perceber, notar

Vai mudando de cor, clareando, até sumir

A cura vem com o tempo, o organismo absorve o sangue retido ali

Nada mais se pode fazer para acelerar…

E quando os traumas são emocionais?

Qual a cor deles?

Onde o sangue fica retido?

Onde ficam os hematomas?

Alguém vê, trata, medica, cura?

Os hematomas das pancadas e traumas emocionais não têm cor

No máximo, o amarelo da tentativa de sorrisos

Tampouco têm brilho, o olhar é fosco

Mas têm dor, profunda, latente na alma

Tem peso no olhar, nas costas, na reclusão social, no andar encurvado

Se os hematomas emocionais tivessem cor seriam transparentes

A cor das lágrimas engolidas que se acumulam no coração e ninguém vê…

Alda M S Santos

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