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poemas e reflexões da vida cotidiana

Autor

Alda M S Santos

Para mim, a vida é apaixonante, deixo o amor brotar, rego-o, alimento-o e o distribuo por onde passo.

Cegueira?

CEGUEIRA?

O amor não é cego,

Ele apenas vê o que quer, o que cria.

Assim como o desamor…

Alda M S Santos

 

Transparência

TRANSPARÊNCIA
A alma transmitida em olhares e gestos
Abertos, claros, límpidos, sinceros, transparentes.
Seres interplanetários…
Existem?
Há quem consiga encará-los sem ser abduzido?
Num mundo em que tudo e todos se escondem e se disfarçam,
Ser aberto causa, no mínimo, estranheza!
Alda M S Santos

Coma Induzido

COMA INDUZIDO

Procedimento: Indução de um coma atemporal

Indicação: Proteção de circuitos importantes

Retorno à consciência de dentro pra fora

Quando for capaz de processar estímulos externos sem dor,

Quando a alma estiver em paz consigo mesma.

Alda M S Santos

Cabimento

CABIMENTO

O que tem cabimento dentro de nós?

O quanto podemos absorver de tudo e de todos,

Sem embaralhar ou bagunçar o que já tem morada em nós?

Aproveitar cantos, usar gavetas embutidas, box, dependurar coisas?

Sobrepor objetos, escalonar sentimentos? 

Podemos priorizar, revezar, colocar alguns em evidência?

Focar os mais prazerosos, os que nos pareçam verdadeiros?

Necessária se faz essa organização

Para que não percamos o que importa de verdade

E tudo caiba perfeitamente dentro de nós!

Alda M S Santos 

Tempos de amor e paz

TEMPOS DE AMOR E PAZ

Paz…amor…

Almejados para o futuro

Reconhecidos no passado

Pouco percebidos no presente.

Paz…amor…

É aqui e agora que se faz!

Alda M S Santos

Mudanças

MUDANÇAS

O que em nós é passível de mudanças?
Pensamentos, sentimentos, ações?
Sobre quais deles temos controle?

Pensamentos podemos, não sem esforço, desviar, redirecionar.

Ações podemos modificar, amenizar, amplificar ou adequar.

Sentimentos são os mais complicados.

Podemos tentar sobrepor outros a eles, tirá-los de foco, reduzir a importância.

Sentimentos necessitam de alimento,

Quase sempre advindos dos pensamentos e ações.

Redirecionar pensamentos, modificar ações

São meio caminho para sufocar sentimentos,

Ou matá-los por inanição,

Visto que se retroalimentam.

Vale avaliar quais partes de nós esses sentimentos alimentam ou sustentam,

Pois podemos, antes de matar o sentimento,

Desmoronarmos ou matarmos a nós mesmos.

Alda M S Santos

No parque

NO PARQUE
Descem de mãos dadas aos gritos no tobogã
Um tiro ao alvo certeiro, ursinho conquistado, um beijinho recebido
Aquele abraço juntinho na roda-gigante
O frio na barriga no balanço
Gargalhadas no carrossel,
Uma lambida para desgrudar o algodão-doce da bochecha,
Uma pipoca doce roubada e compartilhada,
Tranquilidade na paz do por-do-sol no pedalinho,
Uma foto apertadinhos no lambe-lambe.
A volta pra casa no quadro da bicicleta.
Amor de domingo, amor antigo,
Amor dos sonhos…
Alda M S Santos

Caos

CAOS
Memórias passadas, presentes, futuras
Misturadas, desorganizadas…
Atropelando-se!
Alegrias, vitórias, tristezas, dores, decepções, desejos.
Todas no mesmo consciente,
Tantas vezes inconsciente.
Vontades, sonhos, expectativas
Realizadas, apagadas, em modo de espera…
Todas atrás da mesma comporta
Com um vertedouro, aparentemente, eficaz,
Calculadamente construída.
Mas que parece querer romper-se a qualquer momento.
Caos ou organização?
Alda M S Santos

Laços

LAÇOS

Em qualquer circunstância, 

Duas linhas não se cruzam por acaso. 

É preciso cuidar de nossos relacionamentos 

De amor, de amizade, cuidar de nossos corações, 

Desfazer nós, criar mais laços, 

Montar essa bela trilha que nos cabe todos os dias…

Alda M S Santos

Roseiras

ROSEIRAS

Todos somos capazes de admirar uma roseira

Mas muito poucos se dão ao trabalho de conhecê-la

De saber do que ela precisa para se manter tão linda

Viçosa, com brilho e cor intensos e perfumada.

Precisa de água, de terra fértil, de adubo, de luz solar

De carinho do jardineiro, de uma boa poda.

Mas não há jardineiro que possa querer ofuscar seu brilho, apagar sua cor, 

Secar seu perfume, sequer arrancar seus espinhos…

Rosa que é rosa tem cor forte,

Brilha, perfuma e espinha.

Aí está seu encanto!

Todo bom jardineiro sabe a hora da poda ou de dar nutrientes básicos.

Todo bom jardineiro potencializa as qualidades de suas flores.

Rosa é rosa, cravo é cravo, jasmim é jasmim.

E há gostos para cada uma delas.

E as flores reconhecem bem o toque de seu jardineiro

E sentem sua falta! 

Cuidemos de nossas canteiros com amor.

Alda M S Santos

Falando em amar

FALANDO EM AMAR

Amar é ter as respostas 

sem precisar fazer as perguntas, 

Ou se não as tiver, apenas confiar

 que tudo está como deveria estar…

Alda M S Santos 

Limitações?

LIMITAÇÕES?

Mãos que sempre trabalharam

Que sempre amaram

Até há bem pouco tempo,

Hoje pouco conseguem.

Mas não é qualquer AVC que as imobiliza.

Orgulhosas apresentam o trabalho com um lindo sorriso: 

“Consigo com a esquerda mesmo, 

Com ajuda da moça bonita”! 

Viva Dom Sebastian!

Alda M S Santos

#carinhologos

Figurinha repetida

FIGURINHA REPETIDA

 Valorizemos o que temos de diferente em nós

Em nossas vidas, em nossas amizades.

E pernas pra que te quero…

Não se completa um álbum com figurinha repetida.

Alda M S Santos

Confiança

CONFIANÇA

Confiança tem medida?

Pouca, muita, total, absoluta?

Perdida, pedida, recuperada, doada?

Confiança existe na medida exata do amor,

Se essa balança oscila há problemas.

Como o amor, confiança é conquistada, alimentada.

Também pode ser infinita,

Também pode ser quebrada,

Também pode ter sido enganada.

É bela, forte e delicada como uma flor.

E, como o amor, é preciosa e dolorosa quando não correspondida.

Alda M S Santos

Nossa luz

NOSSA LUZ

A luz que brilha em nós

Ou as sombras que a interceptam

Só nós permitimos que se apaguem

Só nós podemos fazê-las voltar a brilhar. 

Alguns podem até tentar,

Mas só conseguirão se autorizarmos

Ou dermos licença para tal.

A força que brilha em nós 

É forte e soberana, 

Sempre terá supremacia!

Alda M S Santos

Olhar de amor

OLHAR DE AMOR

Diferente de qualquer outro olhar

O olhar de amor é único e inconfundível.

Alguns olhares até tentam se passar por ele:

De respeito, de admiração, de inveja, de ciúmes,

De desejo, de carinho, de compaixão, de solidariedade.

Mas o olhar de amor junta todos eles num só.

É um olhar profundo, úmido, brilhante, acolhedor

Penetrante, corajoso, terno, que não se desvia.

Não se embaraça por ser amor,

Pois amor de verdade não se envergonha,

Quer mesmo é se mostrar.

Quer mesmo é ser amor.

Alda M S Santos

Oxigênio

OXIGÊNIO

Ficar nos espremendo num pequeno espaço,
Levantando a cabeça, fugindo do afogamento,

Buscando pequenas bolhas de ar para respirar

Não é viver, é evitar a morte.

Queremos, precisamos de oxigênio à vontade

Merecemos ar puro,

Respirar fundo e livremente,

Viver!

Alda M S Santos

Construindo Castelos

CONSTRUINDO CASTELOS

Viver é construir castelos

Sem saber quanto tempo moraremos neles

Quanto tempo levarão para se desintegrar

Ou serem tragados pela areia movediça que nos cerca.

Como crianças na areia da praia que, pacientemente,

Vão até à beira d’água, carregam um baldinho pela metade,

Despejam num monte de areia e mãos à obra!

Pequenos grandes arquitetos, com ajudantes ou não,

Constroem lindos castelos, se enterram na areia,

Deitam-se em poças d’água e sorriem,

Mesmo quando o castelo é levado pelas águas.

Começam a construir outro e outro…

Incansáveis!

Em sua simplicidade entendem que a alegria está no construir

Não esperam o término da obra ou sua durabilidade para serem felizes.

Se a areia movediça levou seu castelo, não importa!

Se as ondas do mar fizeram tudo ruir, e daí?

Foram felizes enquanto ele existiu! Por isso a dor é passageira.

E ainda há muita areia e água pela frente, novos castelos,

Mesmo com a incerteza do amanhã.

Mesmo que não saibamos o tempo que nos resta….

Construindo…sempre…

Alda M S Santos

Gramados

GRAMADOS

A tendência do ser humano de sempre achar que a grama do vizinho está mais verdinha é perigosa. 

O tempo que ele perde invejando a grama alheia poderia ser investido regando seu próprio gramado. 

Não convém esquecer que também é vizinho de alguém e que pode haver olhos cobiçosos sobre sua graminha.

Invejar grama alheia não faz a nossa manter-se viçosa e mais atrativa aos nossos olhos.

Precisamos aprender a dar valor ao que temos.

Cuidemos do que é nosso! 

Alda M S Santos

Que bagunça!

QUE BAGUNÇA!

Dizem que nossa casa é reflexo do que somos.

Alguns, independente do tamanho, a mantêm arrumadinha.

Vou além: nosso interior é uma casa, e o tratamos como tal.

Como em nossas residências:

Temos moradores fixos ou temporários, desejados ou não.

Temos apenas transeuntes e observadores esporádicos.

Temos visitas desejadas e indesejadas, umas mais frequentes que outras, com pretensão de moradoras.

Temos pseudo moradores que se assemelham a algumas visitas, nada contribuem.

Temos alguns inquilinos temporários, ajudam por um tempo, mas deixam estragos.

Temos admiradores que gostaríamos de convidar para a sala de visitas, mas não passam da porta.

Outros que nem queremos tanto, entram, vasculham cada espaço sem convite e se vão.

Há os que chegam de supetão, barulhentos, alegres e bagunceiros, e que acabamos por nos encantar e deixá-los ficar, apenas na sala de visitas. Dão cor e movimento ao espaço.

E há ainda aqueles que chegam devagar, primeiro na porta, depois de um tempo na sala, batendo papo, na cozinha, tomando um café ou lavando uma xícara…

Quando assustamos já estão no quarto, ajeitando nossa bagunça, segurando nossas mãos e ouvindo nossos traumas, chorando com nossas dores, rindo de nossos desastres, aplaudindo nossas poucas vitórias, refrescando-se em nosso banheiro, tomando um vinho conosco.

Acabam por tornar-se moradores indispensáveis. Alegram, dão vida, perfumam, colorem, renovam o oxigênio, tiram teias de aranha, clareiam tudo. 

Como em nossas residências, mantemos em nós alguns espaços mais arrumados que outros, mais visitados que outros, alguns até secretos.

Como em nossas residências, essa seleção de visitantes e moradores é essencial para a limpeza, conservação e saúde do espaço em que vivemos.

Bom lembrar que fechar portas e janelas não é uma opção!

Nossa casa-mente-alma agradece!

Alda M S Santos

Nude

NUDE
Em tempos de nudes, quase tudo se vê, nada se imagina.
Corpos nus, bronzeados, “bombados” e “preenchidos”.
À mostra, na vitrine, expostos para deleite, quase uniformes.
Competição acirrada, muitas ofertas, grandes negócios.
E se a nudez solicitada fosse a da alma?
Haveria tanta oferta, tanta competição?
Almas escondidas, vazias, murchas, quase inexistentes.
Onde poderiam ser bronzeadas, bombadas, preenchidas?
Lugar algum!
Alma não aceita acessórios ou aditivos.
Alma simplesmente é! Como a natureza!
E há muitas almas lindas escondidas em corpos nada uniformes por aí.
Procurando é que se acha!
Alda M S Santos

Amor 365 mg

AMOR- 365 mg
Apresentação: diversas formas humanas ou animais.
Via de administração: oral, nasal, auditiva, visual, tópica, mental.
Uso adulto e pediátrico: a partir da concepção.
Composição: amor em estado bruto, solúvel em sorrisos, saliva, braços, abraços e fluidos corporais.
Ações esperadas: : alívio dos sintomas associados à tristeza, isolamento, depressão, mau humor, apatia. Age bem entre seres de sexos e idades diferentes ou semelhantes.
Indicações: para o bem estar físico e emocional de todo ser vivo.
Interações medicamentosas: reage bem com quaisquer outros medicamentos, neutralizando ou sendo inerte a alguns e potencializando outros.
Super-dosagem: não há risco, pois o que se acumula é logo diluído, distribuído a outros, não havendo estocagem no organismo.
Posologia: uso contínuo e máximo pelas diversas vias de administração, independente da massa corpórea.
Crianças: todo o tempo
Adultos: sempre
Idosos: ininterruptamente
Reações adversas: euforia, sorrisos largos, cara de bobo, sensação de flutuar, aumento da frequência cardíaca, pulso acelerado, cabelos e pele brilhantes, imaginação solta, sono tranquilo, borboletas no estômago, pernas bambas, entre outras.
Interrupção do uso: pode causar crises de abstinência de leves a severas, corrigidas com
a retomada da medicação.
Uso durante a gravidez ou amamentação: benefícios potencializados para a mãe e o bebê.
Contraindicações: não foram verificadas.
Cuidados na administração: em casos de medos, traumas, fobias e depressão deve ser administrado em doses gradativas para evitar choques.
Precauções: o uso associado ao trabalho e operação de máquinas e veículos pode causar de leve a média distração.
Advertências: o uso causa extrema dependência e autoconfiança.
Usando corretamente e não desaparecendo os sintomas, certamente você está usando medicamento falsificado. Mude de laboratório!
Reg: Alda M S Santos-030517

Liberdade

LIBERDADE

Pseudo liberdade é quando escolhemos

As grades de nossa prisão.

Ou quando não as identificamos,

Mas estamos atrás delas,

Sempre nos cerceando.

Alda M S Santos

Quero colo

QUERO COLO

Quero colo, mas não qualquer colo

Quero colo que me aqueça, que eu me sinta protegida.

Quero colo que me faça cócegas, que me desperte risadas.

Quero colo, que me traga palavras doces e sábias, que me convença que tudo vai passar, ficar bem.

Quero colo que me conheça, que beije minha testa, que me despenteie os cabelos e que aceite quando eu “reclamar”. 

Quero colo que me abrace forte, que me enlace, que não me deixe escapar.

Quero colo que me desconheça, que me descubra, que me torne especial, única. 

Quero colo que me beije o nariz, a boca, o rosto todo, que se lambuze de mim.

Quero colo que me acalme, que me faça cafunés, e que me faça, confiante, adormecer. 

Quero colo que lá esteja quando eu despertar…

Quero esse colo! Tenho esse colo!

Alda M S Santos

Abandonados

ABANDONADOS

Sensação ruim entrar num lugar onde tudo está coberto,

Fechado, seco, inerte.

Até as cores parecem ter se acinzentado.

Como nos filmes de catástrofes da natureza, cenas apocalípticas.

Impressão que nada restou, sequer oxigênio.

Cheira a tristeza, a cinzas.

Se o lugar for conhecido, íntimo, pior se torna.

Lembranças de momentos de vida, de barulho, agitação, alegria.

Certa vez um amigo definiu assim a depressão,

E eu disse a ele:

Qualquer cor combina com cinza,

Vá colocando uma cor de cada vez, sem pressa, e tudo voltará a se colorir novamente.

Um sorriso, por exemplo, é azul como o céu,

Sorri pra ele. E ele sorriu…

Tudo pode melhorar, basta acreditar, investir e aceitar ajuda.

Alda M S Santos

Você (es)colhe!

VOCÊ (ES)COLHE!
“Você (es)colhe o que planta”. Parece simples.
Escolhe bem, planta e colherá o que plantou…
Felicidade certa. Afinal, ninguém escolhe plantar semente ruim.
Mas na verdade não funciona bem assim.
Quando escolhemos entre uma semente entre tantas, nem sempre temos clara como se dará a germinação e o crescimento.
Muitas são as sementes. Muitas são as variáveis que atuam nesse processo: terreno infértil, aridez, seca, geada, tempestades…
Daí tantas vezes a colheita ser perdida, mirrada ou insatisfatória.
Quando escolhemos ser professores e não médicos, entre viajar ou comprar um carro, entre ter uma profissão ou um filho, entre um amor e não outro, entre casar ou ficar solteiro, estamos escolhendo o que nos parece melhor no momento.
Dizemos sim para uma semente e não para a outra.
Se ela será produtiva só o tempo e os cuidados que receberá poderão dizer.
Felizmente, Deus, nosso maior “agricultor”, sempre nos ajuda a nos desfazer da colheita ruim, permite-nos escolher novas sementes, possibilita-nos novos terrenos, nova colheita, com os conhecimentos adquiridos anteriormente.
Ele é a videira que nunca morre, que sempre produz.
A única semente certa, pois é a semente do mais puro amor.
Vamos (es)colher Jesus! Sempre!
Alda M S Santos

Tu, que és professor

TU, QUE ÉS PROFESSOR
Tu, que és professor, ensina-me a fugir dos holofotes, sem contudo, ficar na escuridão.
Tu, que és professor, ensina-me a brincar com a vida, sem contudo, desvalorizá-la.
Tu, que és professor, ensina-me a priorizar as lições, a me esforçar, a não desistir.
Tu, que és professor, mostra-me os caminhos, ajuda-me a dar o primeiro passo.
Tu, que és professor, pega na minha mão quando eu tiver muitas dificuldades.
Tu, que és professor, deixa-me caminhar, meio trôpego, às vezes, mas caminhe comigo um pouco!
Tu, que és professor, mostre-me a maravilha do novo, sem contudo, descartar o velho.
Tu, que és professor, mostre-me as janelas das possibilidades, ajuda-me a fechar as que não mais renovam o ar.
Tu, que és professor, ensina-me a usar minhas asas, e que voar não é só teoria.
Tu, que é professor, ensina-me a aceitar que retroceder pode ser uma boa estratégia, que chorar pode clarear caminhos.
Tu, que és professor, ensina-me que problema que se resolve junto, a solução é mais rápida e mais confiável.
Tu, que és professor, ensina-me a ter amigos, parceiros, mas a valorizar sempre minha própria companhia.
Tu, que és professor, ensina-me a sonhar, encoraja-me a realizar.
Tu, que és professor, ensina-me a aceitar o amor em todas as suas vestes, sem contudo, torná-lo démodé.
Tu, que és professor, ensina-me a ser independente de você, sem contudo, deixar de amá-lo.
Tu, que és professor, sendo grande, aprenda suas próprias lições.
Alda M S Santos

Um amor leve

UM AMOR LEVE

Todos queremos um amor,

Mas não aquele amor pesado, que entristece, 

Que mais causa lágrimas que sorrisos.

Queremos um amor leve como as asas de uma gaivota,

Que flutue sobre os pesos e reveses,

Que pouse apenas onde queira. 

Que caminhem de mãos dadas na praça,

Que se lambuzem de pipocas e beijos no cinema,

Que corram juntos na praia, que se molhem na chuva,

Ou que se escondam abraçadinhos no mesmo guarda-chuva…

Um amor que entenda o olhar, frio ou quente, que nunca seja indiferente, 

Que dancem na sala, que festejem com champagne qualquer coisa e, de “pilequinho” caseiro, apaguem grudados no sofá.

Que dialoguem, que riam das próprias bobagens, que compartilhem silêncios tranquilos, 

Que troquem num beijo uma bala de hortelã, 

Que se aqueçam debaixo de um cobertor de lã.

Que joguem paciência, que se joguem nos abraços, 

Que leiam juntos, que escrevam poemas, ou sejam a própria poesia, a inspiração.

Que lavem juntos o banheiro, que se banhem juntos no chuveiro, 

Que o amor encha nosso dia, que não nos abandone nos sonhos,

E que aguarde nosso amanhecer pra dizer “bom dia, com você! 

Alda M S Santos

Bem-me-quer, malmequer

BEM-ME-QUER, MALMEQUER 

Bem me quer ou mal me quer? 

Quem é que poderá avaliar além de meu próprio sentimento?

Mal me quer quem me produz lágrimas ou as ignora,

Bem me quer quem, produzindo-as ou não, as identifica e as enxuga.

Mal me quer quem não vê o que se passa comigo,

Bem me quer quem se interessa, vê além da superfície e, se não vê, investiga.

Mal me quer quem não me inclui no que faz, não se interessa pelo que faço, não participa do meu dia.

Bem me quer quem, de perto ou de longe, participa da minha vida, me incentiva, me completa, me anima, faz parte de mim! 

Mal me quer quem quase não me nota, exceto quando conveniente,

Bem me quer quem, ainda que não me veja, me sente em todos os momentos de sua vida. 

Mal me quer quem não valoriza e aceita o que sou,

Bem me quer quem, nem sempre me aplaude, mas me incentiva a ser cada dia melhor, sem imposições! 

Mal me quer quem, proibitivo, me diz, “não vá”! 

Bem me quer quem segura minhas mãos e, cuidadoso, diz, “vá com cuidado”! 

Bem me quer melhor ainda quem me dá as mãos e diz, “vou contigo”! 

Mal me quer quem é incapaz de demonstrar amor, por palavras ou ações, 

Bem me quer quem diz “amo você” com os olhos, as palavras, as atitudes. 

Bem me quer ou mal me quer?

Não há quem bem me queira ou mal me queira todo o tempo,

Mas sempre haverá quem se sobressaia por um ou por outro querer. 

E isso sempre determinará quem será especial em minha vida.

Alda M S Santos

Aniversários

ANIVERSÁRIOS

Quando somos meninas, tudo que queremos é ter 14, 18, 20 anos…

Realizarmos tudo que queremos, grandes sonhos, grandes projetos.

Conquistamos o mundo, conquistamos a admiração dos outros, alçamos voos altos, realizamos nossos sonhos.

 Um pouco mais para a frente, percebemos que o mais valioso é conquistarmos a nós mesmos,

Mantermos nossa própria admiração, nosso próprio respeito, nossa essência.

O mais interessante é que, mantendo isso, conquistamos o amor de quem, verdadeiramente, vale a pena.

Percebemos que o melhor e mais valioso voo é que nos mantém próximos de quem amamos e não nos afasta de nós mesmos.

E, isso, ninguém nunca poderá nos tirar. 

Alda M S Santos

Labaredas ou cinzas

LABAREDAS OU CINZAS?

Pequena chama, altas labaredas

Apenas brasas, fumaça, cinzas…

Somos fogo, todos, em suas várias etapas de combustão:

Eclodindo, propagando,

Em continuidade, se extinguindo…

E cada etapa de nossa vida pode estar num desses estágios.

Podemos estar eclodindo profissionalmente,

Nos propagando em âmbito familiar, em continuidade amorosamente,

Nos extinguindo em outras áreas. 

Claro é que fogo não se mantém onde não há combustível e comburente.

E para se propagar e ser contínuo o fogo necessita de condução.

Somos nós que podemos iniciar uma reação em cadeia,

E levar chamas para onde é quase cinzas. 

E, assim, manter o calor em todas as áreas de nossas vidas. 

Alda M S Santos

Cansaço

CANSAÇO

Tudo bem que há pessoas e pessoas, modos diferentes de ser, 

Mas, às vezes, cansa…

Ser a pessoa que sempre engata a primeira marcha,

A que gira a chave na fechadura,

Ser a pessoa que abre a porta, escancara as janelas,

A que dispara o saque, que dá o primeiro pontapé,  

Aquela que busca, que vai atrás, que se empenha, dedica,

Ser sempre a primeira a dar o bom dia,

Aquela que lança os sorrisos,

Ser aquela que diz “tudo bem”?

Aquela que propõe passeios ou aconchegos,

Ser aquela que inicia uma conversa, 

A primeira pessoa que estende a mão, que oferece o abraço.

Sensação de que se fechar a boca, para palavras e sorrisos,

Não abrir portas, deixar a vida no ponto morto,

O mundo pararia à sua volta,

Cheira a descaso, a desvalorização…

A primeira a sempre fazer tudo pode se cansar,

E ser a primeira a chutar o balde!

Alda M S Santos

Explosões

EXPLOSÕES

Fios de alta tensão muito próximos

Pontos positivos e negativos que se tocam

Acúmulo de objetos num espaço reduzido 

Angústias, dores e mágoas não resolvidas

Sentimentos intensos, bons ou maus represados…

Aumento súbito de volume

Sempre acarreta liberação forte de energia. 

Tudo isso é prenúncio de explosão.

E explosões quase sempre trazem estragos…

É preciso uma válvula de escape!

Cuidemos! 

Alda M S Santos 

Quando se ama…

QUANDO SE AMA…

Quando se ama, o sorriso do outro aciona o interruptor do nosso mundo interior, para acender ou apagar.

Quando se ama, o olhar do outro tem mais brilho, mais calor, aquece nosso coração.

Quando se ama, nosso corpo nos abraços do outro se aconchegam, pois eles são capazes de afastar qualquer mal que nos acometa,

Quando se ama, os beijos tocam muito além dos lábios, atingem fundo o corpo, a alma, 

Quando se ama, a presença ou ausência do outro determinam nosso estado de espírito,

Quando se ama, as atitudes do outro, boas ou más, têm peso gigante,

Quando se ama toda realidade compartilhada é um sonho, todo sonho é real.

Quando se ama, as palavras do outro, como tudo que se faz, podem restaurar ou destruir nosso mundo…

Quando se ama, fica-se, de certa forma, à mercê do outro, 

Quando se ama, apenas quer também ser amado. 

Amar exige entrega, exige coragem,

Amar não é para qualquer um. 

Alda M S Santos

Estações

ESTAÇÕES 

Nascemos Primavera, flores, beleza, encanto, projetos, sonhos, árvores a plantar,

Crescemos Verão, sol, calor, energia, diversão, frutos a colher, realizações,

Amadurecemos Outono, perdas, danos, reconstrução, seletividade, recomeços,

Envelhecemos Inverno, sabedoria, tranquilidade, paz, serenidade, resignação, calmaria…

Não há como escapar das estações de nossas vidas.

 É preciso aproveitar! 

Nada impede que possamos curtir os veranicos em pleno outono ou inverno. 

Nossa estação “interna” apenas nossa alma pode determinar…

Alda M S Santos

E a Natureza chora…

E A NATUREZA CHORA…

Quando a Natureza parece chorar,

Mergulhada num cinza profundo, 

Fria, molhada, ventania, silêncio, outono,

Convida-nos à reflexão, ao recolhimento…

Mostra-nos que em toda estação há beleza,

Incita-nos a aproveitar as possibilidades de cada uma,

Acreditar que há um círculo girando, sempre

Escolhemos o que levar, o que deixar,

E que tudo passa, bom ou ruim,

Basta saber esperar!

Alda M S Santos

Divina

DIVINA 

Frio, neblina, mata, chuviscos,

Caminhada ao entardecer. 

Muitos definiriam a imagem como sinistra

Macabra, surreal, cabulosa, apocalíptica.

Vejo como inspiradora, acalentadora, reflexiva, mágica, 

Apaziguadora, divina, linda! 

Como me faz bem! 

Alda M S Santos 

Medos

MEDOS

Entre todos os medos

O mais danoso é o medo de amar

Porque o amor que ele impossibilita,

É pai de todos os demais.

Alda M S Santos

 

Na mesma morada

NA MESMA MORADA
Eram várias e bem diferentes entre si,
Moravam juntas, viviam bem, quase sempre.

A mais sapeca ria e brincava com tudo,

Sorriso cativante, alegria contagiante.

Atraía amigos e alguns invejosos.

Costumava implicar com a introspectiva,

Que queria ficar reclusa, pensativa, nem ser vista.

A mais liberal não temia quase nada.

Queria tudo que tinha direito e o que não tinha também,

Seria capaz de enfrentar o mundo, sozinha ou acompanhada.

A “certinha” criticava, ameaçava, fazia terrorismos com ela. Difícil de aguentar.

A ponderada e mais vivida compreendia, avaliava, aconselhava. Sempre com um sorriso terno e um abraço carinhoso.

A caseira queria se enroscar nos lençóis, comer pipoca e assistir um filme na Netflix. Ora organizava tudo em modo turbo, ora não lavava nem um copo.

A aventureira queria atravessar o oceano em grandes projetos. Junto com a festeira, gostava de se arrumar, dançar e se divertir.

A cheia de energia, eletricidade pura, amava dias de sol, caminhar, pedalar, nadar…

Andava rápido, cabelos ao vento, vestidos esvoaçantes…

Amava boas conversas, gente inteligente, interação.

A tranquila era fã de dias de chuva e nublados para mergulhar num livro, na poesia.

Ficar o dia todo de pijama, de short, cabelos revoltos, deitar na rede, olhar o céu. Gostava também de roça, de bichos, de mato.

A mais filósofa questionava a vida e suas vicissitudes, se contrapondo à toda light que deixava a vida a levar…

A mais amorosa, que era extremamente dedicada a todos, à família, aos amigos, a Deus. Era muito querida.

A profissional, pontual, correta, trabalhava mesmo doente, muito dedicada e perfeccionista.

A mais “mulher” que gostava de se enfeitar, perfumar, maquiar, ser carinho, dar carinho, namorar.

Moravam juntas, num mesmo corpo, brigavam, às vezes, mas aprenderam a conviver entre si.

Todas tinham algo em comum: a extrema necessidade de amar e ser amada.

A vontade louca de abraçar o mundo com apenas dois braços e um grande coração, de ajudar, de estar presente. A tristeza e angústia em não ser capaz de fazê-lo.

Isso, por si só, as tornava uma, única, unidas num mesmo propósito: viver e ser feliz.

Alda M S Santos

No ar…

NO AR…
Voar, bem alto, no infinito,
Devagar, curtir, planar…
Tudo ver, tudo analisar, de fora, por cima,
Tudo observar, escolher, fixar os olhos
E mergulhar… fundo…
Na certeza do que se quer,
No prazer antecipado do encontro,
No gozo da vida que recomeça
A cada voo,
A cada mergulho…
No ar…
Alda M S Santos

Amar é…

AMAR É…

Amar é sentir-se junto, mesmo distante,

A um cômodo de distância ou a um oceano.

É ocupar espaços ociosos, é estar dentro.

Dentro dos pensamentos, da imaginação, da emoção,

Sem, contudo, ser invasão, apenas ser bem-vindo.

É ter necessidade, é tornar-se necessário, imprescindível.

Amar é compartilhar, partilhar, ser parceiro.

De momentos sérios ou bobos, de qualquer coisa.

É Matemática emocional: dividir o tudo ou o nada.

Amar é não sufocar o outro, não se sentir sufocado, tampouco limitar.

Amar é estar disponível, é encontrar disponibilidade no outro,

Por prazer, com prazer, para um sorvete, um filme,

Para fazer amor ou para mudar o mundo.

Amar é aquecer o outro, é aquecerem-se juntos,

As mãos, o abraço, o corpo todo…

Mas, principalmente, aquecer a alma.

Amar é ser indivíduo, é sentir-se ímpar,

Mas saber que nosso melhor se encontra quando somos pares.

Alda M S Santos

 

 

 

Vício trocado não dói

VÍCIO TROCADO NÃO DÓI
-“Você tá viciado nisso hein, cara? Músculo demais mata!”
-“Tô nada! Vício é por coisa ruim. Tava viciado naquela “mina” e ela me ferrou… Ferro por ferro, puxo esse que me faz bem”.
Observando o debate, concluí que tendemos a achar que só coisas negativas sejam viciantes como drogas, álcool, jogos.
Porém, o hábito repetitivo de algo, por melhor que seja, pode ser degenerativo ou prejudicial para nós ou para quem nos cerca.
Coisas boas em excesso também viciam e podem ser prejudiciais: trabalho, esportes, religiosidade, sexo, amor…
Vício é dependência e dependência é negativa. Sempre.
Há pessoas dependentes de determinadas pessoas! Dependência “química” e/ou emocional.
O amor não deixa de ser um vício também, quando nos faz crer que não sobreviveríamos sem o outro.
E como disse o rapaz na academia, “todo mundo tem algum vício, o melhor é escolher o que causa menos mal!”
E em matéria de pessoas, de amizade, de amor, só vale o vício trocado.
Vício trocado não dói!
Alda M S Santos

Mentiras

MENTIRAS
Uma mentira dita muitas vezes…
Continua sendo uma mentira.
Aliada a mágoas, decepções e danos.
Uma verdade dita uma única vez
Destrona quaisquer outras “verdades”,
Doces ou amargas.
Trazem estragos, porém, temporários.
Pode ser dura de aceitar, de roer,
Mas fugir não adianta.
Cabe-nos escolher qual pregar
Em qual acreditar!
Alda M S Santos.

Próximo do nocaute

PRÓXIMO DO NOCAUTE

Ver, mesmo de olhos cerrados,

Sentir, mesmo com o coração fechado,

Dizer, mesmo sem palavras,

Ouvir, mesmo os gritos ou sussurros dos silêncios, 

Acreditar, mesmo que tudo pareça ruir,

Abraçar, ainda que os braços pesem,

Sorrir, mesmo entre lágrimas, 

Lutar, mesmo próximo do nocaute,

Beijar, mesmo com lábios ressequidos pela distância, 

Prosseguir, mesmo com a sensação de andar para trás,

Viver, mesmo que a vida pareça pertencer a todos, menos a nós mesmos. 

Alda M S Santos

Apêndice emocional

APÊNDICE EMOCIONAL

Todos nós temos em casa aquele espaço

Onde tudo que não tem lugar,

Ou que não ficaria tão bem se exposto

É lançado: o quartinho da bagunça.

Ferramentas, utensílios inúteis, objetos pouco utilizados,

Pequenos móveis, papéis, tudo aquilo que queremos “esconder”.

Dizem que quem não tem esse espaço em casa,

Toda ela se torna uma verdadeira bagunça.

Devemos utilizar esse critério para nossos sentimentos também.

Separar dentro de nós um cantinho da bagunça,

E deixar lá aqueles sentimentos que não são tão bonitos,

Ou que não seriam convenientes que se tornassem públicos,

Ou que são apenas nossos mesmo, muito íntimos.

Lá entraríamos de vez em quando para dar uma ajeitada,

Reorganizar, promover alguns deles para a sala de visitas,

Lançar outros fora, descartar mesmo, enterrar,

E ainda deixar outros em modo de espera, em evolução.

Ali, levar só quem puder ajudar ou for de extrema confiança.

Alguém que não se importe com a desordem,

Que sente-se num cantinho conosco e clareie alguns deles.

Para nossa alma manter-se saudável e arejada,

Precisamos desse apêndice emocional em nós.

Alda M S Santos

Dores

DORES

Uma sombra escura, uma luz que não clareia,

Um sorriso que não ilumina, uma palavra que nada diz,

Uma fome insaciável, uma sede não identificada,

Um silêncio inoportuno, uma distância forçada,

Uma mágoa contida, um olhar apagado,

Um amor não correspondido, um desejo represado,

Um sonho tão sonhado, não realizado,

Um tempo tão longo, tão improdutivo,

Uma realidade dura, crua, não digerível,

Uma esperança que morre, por fim.

Ausências, ausências, ausências…

Uma energia que se esvai e se esgota,

De onde tudo deveria brotar…

Alda M S Santos

Golpes

GOLPES

Golpes: ensinamentos que só compreenderemos 

A importância, o valor, a necessidade,

Quando nos levantarmos e olharmos para trás,

E vermos que, apesar de terem machucado muito e não doerem mais, 

Nos tornaram quem somos:

Mais fortes, mais resistentes, mais sábios,

E, quem sabe, até mais felizes?

Enquanto isso, é se firmar e aguardar,

A sucessão de golpes se esgotar, 

Tal qual flor que tudo recebe e sempre volta a brotar, a encantar…

Alda M S Santos

Esconde-esconde

ESCONDE-ESCONDE
Sabem aquela sensação de estar sempre só
Em meio a tantas pessoas?
Sentimento de não ser compreendido ou aceito,
De não encontrar seu reflexo em ninguém?
Tal culpa ou responsabilidade
Não pode ser imputada a ninguém.
Ninguém, exceto a nós mesmos.
Quando não nos encontramos em nós,
Não “permitiremos” que ninguém nos encontre.
Não chega a ser dolo, apenas culpa.
Não há intenção de nos esconder de nós mesmos,
Tampouco dos outros.
Apenas falta perícia para nos fazermos achar,
Habilidade de nos refletirmos em nós mesmos,
Para encontramos nosso reflexo no outro.
Brincadeira de esconde-esconde de adulto
Nem sempre é divertida!
Alda M S Santos

Galáxia Interior 

GALÁXIA INTERIOR

Numa galáxia em constante movimento

Estrelas, planetas, satélites, meteoros, astros diversos

Que giram em torno de si mesmos, dos outros, no espaço sideral

Sentimentos, emoções, sensações, 

Também não param

Ficam à deriva, perdem-se, chocam-se, caem, morrem

Causam até um big-bang

Movem-se, modificam-se, mudam de rota, de morada.

Obtêm luz, se aquecem, ficam na escuridão, sem oxigênio,

Transitam dos nossos para outros corações.

Não encontrando guarida, giram em torno de si mesmos

E, mesmo tontos, cambaleantes, continuam nesse movimento incansável

Em busca de algum pouso, de algum repouso, de um espaço só seu nessa Via Láctea,  

Ainda que temporário. 

Esse é o movimento da vida,

Nossa galáxia interior…

Alda M S Santos

Banho

BANHO
Quero um banho profundo e demorado
De banheira, chuveiro, rio, mar, lago ou cachoeira.
Mas quero um banho que me lave por dentro
Que saiba o que levar e o que deixar
Que saiba o que renovar, hidratar, dar brilho
E deixar um delicioso perfume de gente boa
E de vida nova…
Alda M S Santos

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