DENOMINADOR COMUM
Qual é o verdadeiro denominador comum da humanidade?
O que realmente nos qualifica como seres da mesma espécie?
O que nos “evoluiu” de primatas para homo sapiens?
Homens e mulheres que nascem, crescem, se reproduzem e morrem? Primatas também.
A capacidade de raciocínio e de sentir emoções?
Muito simplista e vago!
Entre o nascer e o morrer é que está a incógnita.
Independente de gênero, idade, raça, credo, cultura ou nível social,
O que nos assemelha são os sonhos, as necessidades, a vontade,
As expectativas que criamos, os objetivos que projetamos.
Desde uma criança da Somália a um idoso do Japão,
Passando por um jovem craque das quadras
Ou por uma moça do crack dos becos
Uma gerente de multinacional ou uma gestora do lar
Todos, todos temos sonhos!
Pode ser desde a facilidade para encontrar o pão ou um teto,
Um emprego decente, uma família unida, amigos verdadeiros,
Um amor que nos complete, nos aqueça a alma e o coração,
A efetivação de uma nova invenção tecnológica,
Ou a descoberta da cura de uma doença fatal.
São diferentes, mas são sonhos. Todos eles!
Expectativas que procuramos concretizar.
Sonhos não morrem, sonhos hibernam em nós como ursos
Ao primeiro barulho acordam famintos e bravos
Prontos para buscar o que precisam para viver.
O dia em que os sonhos acabarem, acabará em nós o brilho,
Acabará em nós a vida e o amor.
Esse é nosso denominador comum!
Alda M S Santos
HOJE, NÃO!
Quando abro meu guarda-roupas todas as manhãs, escolho o que usar:
Um vestido estampado, uma sandália confortável, roupas íntimas, maquiagem, perfumes, cabelos esvoaçantes, acessórios diversos…
Outras vezes, posso escolher cores mais escuras, sem acessórios, rosto lavado, cabelos presos…
Tudo vai depender do meu estado de espírito.
Posso, simplesmente, olhar para aquele vestido alegre e dizer: hoje, não!
Quisera fazer isso também com os sentimentos!
Abrir a porta de minhas emoções todas as manhãs e dizer:
Fiquem aí fechadas nesse porta-sentimentos: tristeza, melancolia, saudade, sensualidade, raiva, frustração.
Hoje, não!
E abrir a caixinha da alegria, solidariedade, compreensão, paciência, amor.
Podem chegar!
Todos eles fazem parte de nós. Estão guardados lá dentro. Não temos como excluí-los, mandá-los embora.
Alguns saem sem autorização e tentam confundir tudo. Não respeitam sua vez.
Como não são muito obedientes, o jeito é aprendermos, do modo que conseguirmos, a lidar com eles.
A experiência é nossa aliada nesse processo.
Muitas vezes os sentimentos que não queremos ficarão apenas nos tangenciando, sem grandes interferências.
E os que mais usarmos se tornarão quase que nosso uniforme emocional!
Assim como não saímos de casa nus, também não ficamos nus emocionalmente.
Certo é que sempre estaremos carregados deles, e são eles que passaremos para os outros, querendo ou não.
Hoje, sim! Hoje, não! Nós fazemos a opção.
Alda M S Santos
NOSSA FÉ
A nossa religião ou a fé que professamos não se discutem.
Tampouco a ausência dela. Não é disso que quero tratar.
Haja vista que as maiores guerras e massacres no mundo
Foram ou estão relacionadas às disputas e crenças religiosas.
Denominam “guerra santa” ou dizem defender a palavra de Deus
Como se Deus tivesse deixado o 11o mandamento: destruirmos uns aos outros em Seu nome.
Mas há algo que não se pode negar
Quem professa uma fé, uma religião
Independente de qual seja
Enfrenta melhor as adversidades, os problemas, os revezes da vida.
Acreditam em algo superior a eles,
Creem que alguém olha por todos
Que os ama e os orienta acima de tudo.
Outro ponto crucial: têm bondade na alma, solidariedade.
Se não se considerarem superiores aos outros
Ou se colocarem como juízes dos pecadores
Costumam ser pessoas especiais e essenciais em nossas vidas.
Mas os melhores de todos não são aqueles que vivem dentro das igrejas
São aqueles que são igreja, trazem-na dentro de si
E a levam a todos que precisarem.
Alda M S Santos
ALÉM DO HORIZONTE
Os anos passam, a tecnologia avança, as pessoas crescem
A medicina evolui, o amor e o romantismo se transformam…
Todos para melhor, certo? Há sérias controvérsias!
No que tange ao amor e ao romantismo houve transformações
Mas, para melhor? Analisemos!
Basta uma simples “apreciação” nos nomes pensados para atrair
Entre “bondes”, “gaiolas” “popozudas”, “safadões”, “créus”,
“Fogosas” e “quebra-barracos”
Ainda podemos encontrar “letras” que atingem fundo:
“Meu p. te ama”, “piranha recalcada”, “late, que eu to passando,”,
“Um otário para bancar”, “encaixa nela”…
Todas dessa estirpe!
Como diria o “ultrapassado” Roberto Carlos, são muitas emoções.
Como ficam o amor e o romantismo, a sedução, o namoro no portão?
A conquista, o dar-se as mãos, as poesias num cartão, as rosas?
“Aquelas rosas que não falam, mas exalam o perfume que roubam de ti”?
São as mesmas as “amadas amantes” de hoje?
Prefiro um amor velhinho e ultrapassado
“Esse amor demais antigo, Amor demais amigo, Que de tanto amor viveu”
Mesmo os amores não vividos eram lindos, poesia pura!
“Tentei deixar de amar, não consegui/Se alguma vez você pensar em mim
Não se esqueça de lembrar/Que eu nunca te esqueci”.
Alguém aí entendido de “bondes”, pode me informar
Onde passa o próximo com destino ao passado?
Vou a “120, 150, 200km por hora”…
“Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz”
“Não deixo marcas no caminho pra não saber voltar”…
Alda M S Santos
ABRIR MÃO
Desde pequenos, somos ensinados a lutar pelo que queremos
Mas pouco nos ensinam a abrir mão, a desistir, a deixar pra lá.
Nossa natureza é, quase sempre, lutadora, guerreira.
Porém, isso não elimina a necessidade de aprendermos a abrir mão.
Em retrospecto, podemos calcular quantas vezes, ao longo da vida,
Tivemos que lutar bravamente após várias quedas ou quase nocautes,
E outras, em que fomos obrigados pelas circunstâncias a abrir mão do que queríamos.
Sabemos que recuar, dar um passo atrás, pode ser um modo de reabastecer as energias.
Dar uma trégua, reavaliar estratégias ou planos de combate faz parte de toda luta.
Guerreiros natos afirmam que é preciso perder uma batalha para ganhar a guerra.
Ou que em toda luta alguns soldados acabam por ser sacrificados.
Porém, atrás de uma barricada segura, precisamos saber quais combates vale a luta.
Muitas estratégias boas vão para o brejo por causa de táticas mal aplicadas ou de soldados mal preparados.
Saber a hora de desistir é tão importante quanto a hora de prosseguir.
Abrir mão de uma conquista de território, de espaço ou de qualquer bem precioso,
Exige muita perspicácia, intuição, treino, sabedoria e abnegação.
Voltar para o quartel, para a base de controle, pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Duas questões se fazem necessárias: Pelo que temos lutado? Do que temos abrido mão?
A primeira delas deve ter um número maior de itens.
A segunda não deve causar tanta dor, sob pena de voltar pra linha de combate.
Alda M S Santos
QUANTO VALE?
Quanto vale um olhar, não apenas um passar de olhos
Mas um olhar demorado e carinhoso
Que atravessa nossa íris e vê o que trazemos por dentro?
Quanto vale uma palavra sincera, amiga, doce, ou mesmo firme?
Quanto vale o silêncio compreensivo na hora certa?
Quanto vale o dar-se as mãos, quentes, seguras,
Que transmitem segurança?
Quanto vale uma mensagem, um telefonema,
Apenas um oi, tudo bem, como vai você?
Quanto vale um pensamento, uma lembrança boa,
Uma saudade, uma oração?
Quanto vale um sorriso largo, com os olhos, com o coração?
Quanto vale um abraço, daqueles que nos tocam o corpo todo
E, sem palavras, nos tocam a alma?
Vale simplesmente a nossa paz.
Essa não encontramos em nós,
Encontramos naqueles que nos são preciosos.
Que possamos todos encontrá-la!
Paz a todos!
Alda M S Santos
ECOS
Ecos são a resposta sonora que chega até nós depois de emitirmos qualquer som.
Há ecos bem vindos como os emitidos pelos radares e sonares,
E outros indesejáveis, como aqueles que recebemos nos aparelhos telefônicos.
Nossos relacionamentos são como os radares ou sonares,
Eles desejam emitir eco, precisam receber eco.
Se possível, reverberados, em muitas reflexões “sonoras”.
Nas nossas relações de amizade, de amor, familiares ou de trabalho,
Precisamos que nossas ações produzam ecos
Que sejam ouvidas e atendidas na mesma medida
Que produzam efeito positivo no outro. Esse é o eco.
Gostamos quando nossas palavras, beijos, abraços e carinhos
Obtêm ecos de palavras, beijos, abraços e carinhos…
Eco é correspondência, eco é reciprocidade.
Se se joga flores, o eco não pode ser de pedras.
Uma relação sem ecos é uma relação incompleta, vazia
Uma relação onde sempre alguém estará insatisfeito
Onde alguém acabará por “gritar” mais em busca deles,
Ou, por fim, se calar…
Alda M S Santos
ÁGUA!
Sempre fui apaixonada por água
Não nado bem, tampouco bebo o bastante
Mas ela exerce verdadeiro fascínio em mim
Não importa como se apresente:
Rio, cachoeira, mar, lagoa, chuva, nascentes…
Posso ficar horas admirando!
Água tem o poder de me acalmar
Molho os pés, a nuca, lavo o rosto, sento à beira
Ouço o barulho suave do rio ou furioso da cachoeira ou tempestade,
Mergulho, sinto seu frescor, lavando tudo.
Tudo é encanto!
Quero ali ficar até tudo de negativo ir embora
Encher-me de positividade
Restabelecer a confiança, o amor
A fé no ser humano, na vida, em mim mesma
Enquanto houver água correndo,
Haverá encanto, haverá vida.
Água que nasce, que brota
Que corre, que cai, que vai, me leva…
Em busca de outros caminhos
De outras águas,
Em busca de mim…
Alda M S Santos
ESPELHOS
De vez em quando aparecia em minha sala de aula alguma colega a se olhar no grande espelho.
Diziam: “gosto desse espelho, ele me emagrece”.
Nós sabemos o que somos, mas por alguma “deficiência” qualquer, gostamos de ver refletida no outro uma imagem positiva de nós, que corrobore nossos pensamentos e ideias.
Os outros são nossos espelhos. Nós nos mostramos diante deles. E aguardamos o reflexo.
O que for refletido pelo outro ajudará na construção de nossa identidade, de nossa autoimagem, de nossa autoestima.
Obviamente, nem sempre gostaremos do reflexo que iremos receber.
Ninguém quer o espelho da madrasta da Branca de Neve, mas também não precisa ser um espelho de parque de diversões.
Há espelhos côncavos ou convexos demais, que irão distorcer nossa imagem.
Também há aqueles espelhos que refletem apenas nossas rugas, assimetrias, falhas. Ou que nos mostram coisas de um modo que nos farão sentir vergonha.
Eles são importantes, mas não são agradáveis.
Espelhos humanos têm que ter equilíbrio e sensibilidade.
Como humanos, falhos e carentes de aprovação, acabamos por nos afastar dos espelhos irreais ou reais em demasia.
Como diz outra colega, “Gosto desse espelho, porque ele ao menos não me engorda mais. Já sou gorda o bastante.”
O espelho não precisa ser “bonzinho”, não sendo “mentiroso” já gostaremos dele.
E, mesmo inconscientemente, seremos atraídos por espelhos que emitem os melhores reflexos de nós.
Rubem Alves está certo: “Amamos as pessoas não pela beleza que existe nelas, mas pela beleza nossa que nelas aparece refletida. Por isto, somos mendigos de olhares. Olhos são espelhos…”
Alda M S Santos
OLHAR SEM VERGONHA
Há olhos e olhos, modos e modos de enxergar
Já não notamos aquela nuvem que se modela,
A sombra engraçada à nossa frente
As flores viçosas naquele jardim na calçada cimentada
Um casal idoso de mãos dadas
Os olhares opacos de quem passa, o mendigo à margem
A pessoa ao nosso lado, as rugas no rosto de nossos pais
Se um observador atento diz “que lindo o dia”
Ainda pensamos, às vezes, “onde, tá louco”?
Sequer olhamos nosso próprio rosto!
Nosso olhar não se fixa mais, exceto no vazio.
Ou para recriminar e fazer críticas negativas
O feio está cada dia mais feio,
E o bonito tornou-se corriqueiro.
Acredito que precisamos “deseducar” nosso olhar,
Afastar a superficialidade, o ver sem ver.
Olhar sem vergonhas, sem princípios,
Sem direções, sem tutoriais, sem vícios.
Precisamos olhar com olhos infantis, olhos puros,
Olhos fixos, profundos e deslumbrados…
Olhos que descobrem, desvendam, olhos da alma.
Só assim, o muito visto, se nos apresentará como novo…
E encontraremos beleza em todos os cantos e recantos.
Alda M S Santos
APENAS NOSSO
Nascemos sós, morremos sós
É o que sempre ouvimos dos pessimistas!
Outros ainda completam: vivemos sós!
Para esses, digo “nem sempre”.
Como seres gregários, passamos a vida em busca de companhias.
Queremos estar cercados de gente, crescer, caminhar ao lado de alguém
Dividir as tristezas, multiplicar as alegrias, compartilhar o prazer.
Nesse caminho buscamos a harmonia e a sintonia com nossos semelhantes.
Mesmo que seja uma busca infrutífera ou inglória.
Mas há caminhos bem individuais, muito particulares, só nossos.
Aqueles que ninguém é convidado a entrar, a participar.
Ainda que tentem, não encontram porta de entrada.
Nele mergulhamos, buscamos trilhas novas, atalhos,
Ou pegamos o trajeto mais longo mesmo…
Encontramos áreas devastadas pela seca, outras floridas
Irrigamos com lágrimas parte do caminho, e seguimos…
É nele que encontramos as mais belas e prazerosas paisagens,
Dele depende muito o caminho que será traçado quando acompanhados,
Dele advêm nossos maiores prazeres e frustrações,
E é nele que muitas vezes nos perdemos: no fundo de nós mesmos.
Alda M S Santos
ENTREGA
A maioria de nós é muito dona de si mesma.
Autoconfiante, sabe de seus próprios valores, não se deixa intimidar facilmente pela opinião alheia.
Muitas vezes tida como uma qualidade, pode vir a se tornar um limitador de alegrias, de prazer, de vida.
Os autoconfiantes têm muita dificuldade para confiar em algo além si mesmos.
Normalmente, os donos de si não adquirem a capacidade de entrega, tão necessária em momentos de prazer, de êxtase.
Fechados em si mesmos, incapazes de se abrir, impedem que o outro chegue, se aproxime, entre.
Acreditam ser um ato de fraqueza precisar ou depender do outro.
Temem se expor à avaliação, à crítica, à dor.
Pode também ser o contrário. Autoestima tão baixa que preferem não se arriscar.
Um pouco de autocuidado e autopreservação não fazem mal a ninguém.
Porém, uma das maiores alegrias da vida consiste em compartilhar o que temos, o que somos…
Entregar-se, abrir-se para o outro, para o mundo, para a vida pode realmente trazer dores, mágoas e decepções, mas também traz muito amor e alegrias.
A outra alternativa pode ser tranquila demais, morna demais, uma quase morte, uma semivida.
Que tenha sorrisos e lágrimas, amor e decepções…
Que tenha vida!
Alda M S Santos
ESCULTURAS NA AREIA
Somos feitos de muitos materiais
Moles ou duros, firmes, ou nem tanto.
Podemos ter a dureza de uma rocha,
A maleabilidade e força da água,
Outras vezes, a resiliência da areia
Que aceita a deformação causada pela brisa
Pelas águas, pelas tormentas,
Mas sempre volta ao seu estado natural
Está ali, vivendo e deixando-se viver…
Certamente sente, se encolhe, se recolhe
Magoa-se, revolta-se, rebela-se,
Muitos entulhos, coisas desnecessárias, pesadas
Podem recair sobre si,
Porém, entende que tudo vem para acrescentar
Ainda que venha carregado de decepções
Sabe que a maior decepção que pode sofrer
É aquela causada por si mesma.
A perda da fé e do amor-próprio.
A perda de sua essência.
Aprendeu que tudo serve para moldá-la
Para criar lindas esculturas!
E segue acreditando que, com sol ou com chuva,
É ela que faz seu próprio brilho!
Alda M S Santos
ESCURIDÃO
As estrelas brilham mais
Numa noite mais escura
Há benefícios na escuridão!
A luz é benéfica, mas, se forte demais, cega nossos olhos.
Distrai nossa mente,
Impossibilita que a gente enxergue algo próximo e, muitas vezes, óbvio.
Na escuridão, somos obrigados a acionar outros sentidos.
Que possibilitem ver o que precisamos
E que não estão ao alcance dos olhos,
Mas dos sentimentos, da nossa alma.
Na escuridão, um pequeno foco de luz que encontramos no fundo de nós,
Tal qual vagalume no breu da noite,
É valioso e ilumina tudo
Lá fora, ou cá dentro…
Alda M S Santos
FIM
Se existe algo pelo qual ninguém passa inerte, incólume, é o fim.
Qualquer fim. Coisas maravilhosas ou coisas ruins.
Sempre deixarão um vazio, um vácuo, algo a preencher.
Um trabalho cansativo ou prazeroso, o curso na faculdade,
Uma amizade espontânea, uma visita inesperada,
Um amor possessivo, impossível ou irreal,
Uma viagem na imaginação, um sonho, uma esperança, uma expectativa…
Quanto maior o espaço ocupado em nós,
Quando chega o fim,
Maior será o vazio, maior a necessidade de preenchimento.
Não precisa ser ruim, é preciso saber lidar com os finais.
Alguns ofendem, magoam, maltratam, ameaçam,
Decepcionam, morrem, matam, deixam de viver.
Muitas vezes algo que foi prazeroso, vivo, verdadeiro, mas que mudou,
É jogado no mesmo lixo, sem coleta seletiva, tudo no pacote do fim.
Urge saber que há “lixos” aproveitáveis,
Particularmente o que envolve sentimentos.
Sentimentos se transformam e o fim pode ser apenas um recomeço.
Basta fazer uma boa reciclagem, reduzir a bagagem, reutilizar, reaproveitar
Manter um bom foco e voltar a viver.
Alda M S Santos
ESTÁ PESADO?
Engraçado observar o quanto as pessoas pesam
Não é preciso balança alguma, apenas um olhar atento.
Um senhor que parece puxar um caminhão invisível amarrado aos pés,
Uma mulher que aparenta ter alguém sentado sobre seus ombros,
Rapazes que carregam tristeza e ansiedade no rosto,
Meninas que trazem no caminhar o peso da beleza, ou “ausência” dela.
Crianças irritadiças em meio a inúmeras “obrigações”…
Como estamos todos pesados!
Pesam o desejo de crescer, de ser sucesso, de ter muitas coisas,
No menor período de tempo possível.
Pesam em nós as malas de ontem, problemas do passado,
Arriam nossos ombros acontecimentos do porvir,
Carregamos em nós o peso de sentimentos diversos,
Trazemos na bagagem o desejo secreto de agradar aos outros,
Sem, contudo, desagradar a nós mesmos,
E isso pesa mais ainda…
Pesos, pesos e pesos…
Precisamos esvaziar as malas, levar apenas o que for leve.
Passado deve ficar lá atrás, futuro lá na frente,
Presente bem aqui, levinho como uma borboleta…
Se está pesando ou desagradando, é hora de esvaziar as malas.
Deixar apenas o que dá prazer e alegria, ultraleves!
Sentimentos e pessoas boas não pesam…
Tocam em nós como o doce beijo de um beija-flor,
Sentimos apenas a leve brisa, frescor e perfume,
E a paz que deixa em seu lugar quando se vai…
Alda M S Santos
MARSUPIAIS
Outro dia, minha cadela matou uma gambá. Ela é uma vira-latas metida a caçadora. E muito linda!
Quando fui recolher o corpo da pobre gambá, vi que vários gambazinhos pelados entravam e saíam daquele corpo enrijecido.
Buscavam ali o que precisavam para continuar se desenvolvendo e vivendo: o conforto do marsúpio.
Nós somos, de certa forma, mamíferos marsupiais.
A diferença é que nosso marsúpio nem sempre é aquela bolsa grudada ao corpo de nossa mãe.
Porém, não saímos prontos da placenta para a vida.
Vira e mexe buscamos o conforto de nossa mãe, pais e familiares.
Não o desenvolvimento físico, mas emocional.
E, ao longo da vida, adquirimos outros marsúpios: nos amigos, nos amores, nos filhos…
As crianças procuram sem receio. Por isso são mais felizes.
Nós, adultos, maduros, fortes, independentes, sabemos nos virar sozinhos.
Ou tentamos nos convencer disso.
Mesmo que tudo que a gente queira é um “marsúpio” quentinho para nos escondermos lá dentro, sem tempo determinado, encolhidinhos, deixando nada pra fora.
E só sair quando estivermos com carga total na bateria, em pleno desenvolvimento.
Sou marsúpio para muitos!
Eu sei bem quais são meus marsúpios.
Tento buscá-los sempre.
Alda M S Santos
RESISTO
Está me olhando, espiando, sempre,
Insistentemente!
Às vezes de longe, outras, bem de pertinho.
Quer me tocar, me levar
Digo “não, não quero”,
Resisto…
Tenta outros artifícios, quer conquistar, convencer, seduzir…
Faz sua auto-promoção.
Cansada, quase cedo, quase me entrego,
Porém, resisto…
Mas temo, não sou tão forte assim,
Retribuo o sorriso: “não, obrigada”!
Mais uma vez, resisto.
Acompanha-me em meu dia-a-dia,
Olho pro lado e lá está!
Quando passeio, me divirto, me alimento,
Quando vou pra caminhada, pra academia ou pra Yoga,
Quando deito ou me levanto,
Resisto…
Quis ir até pro banho!
Mas hoje dei um basta!
“Chega, não vou com você”!
Afinal, estou muito jovem e animada ainda
Para acompanhar aquela que se apresenta como “melhor idade”.
Melhor idade o caramba!
Cheia de limitações, isso sim!
Irritada, mando-a catar coquinhos,
“Se sua coluna deixar”!
“Volte mais tarde, bem mais tarde, daqui uns 20 anos, talvez”!
“Nada pessoal, chegará sua hora”!
Temos que resistir, ser firmes.
Ou, possessivos, grudam-se em nós e não querem mais largar.
Enquanto puder,
Resistirei…
Para quando tiver que acompanhá-la, ir sem reclamar,
Sem deixar dívidas ou coisas mal resolvidas…
Melhor idade somos nós que fazemos!
Quando nos aceitamos, damos nosso melhor,
Com qualquer idade!
Alda M S Santos
Dizem que tudo que precisamos está, primeiro, dentro de nós,
Bem lá no fundo…
Que é lá que vamos encontrar as respostas às nossas questões,
A solução para nossos problemas,
O sorriso que esquecemos,
A saúde que perdemos,
O amor que não valorizamos,
Os amigos que se foram,
A bondade que é nossa essência.
Podemos passar por muitos caminhos e pessoas,
Mas enquanto não buscarmos no silêncio de nossa alma,
Enquanto não acalmarmos nosso coração,
Enquanto não encontrarmos Deus em nós,
Não encontraremos a paz.
Não seremos paz!
Alda M S Santos
MERGULHOS
Tantos os caminhos,
Mas, às vezes, não os enxergamos..
Olhos tristes, opacos, submersos em nós mesmos.
Porém, vamos tentando,
Indo, fugindo, mergulhando…
Nas profundezas da imaginação
Nem sempre tranquila, nem sempre clara
Mas sempre possível!
Quem sabe dela pode vir a nascer
Uma trilha linda e prazerosa?
Alda M S Santos
TERRAS FÉRTEIS
Sempre acreditamos que devemos plantar em terra boa,
Sempre nos ensinaram que só colheremos frutos se a terra for fértil,
Porém, pode haver secura e rigidez à princípio,
É preciso disposição e coragem para investir.
Mas, depois de plantar, vamos cuidando…
Com água, húmus, adubo,
Sol, amor e carinho,
Porque mesmo em meio a toda aridez,
Pode haver vida!
Brotar vida,
E vida bela…
Para quem mantém o coração e os olhos abertos…
Alda M S Santos
SONHOS E MAIS SONHOS
Tenho sonhado muito, muito mesmo!
Não sonhos acordada, também os tenho.
Mas sonhos dormindo, aqueles que não escolhemos ou controlamos.
Aqueles que são escolhas de nosso inconsciente confuso ou agitado.
Alguns são bem claros, continuação de algo vivido durante o dia.
Outros são bem misteriosos, sinistros.
Tudo parece distorcido e irreal, mesmo que seja algo bom ou desejado.
E ficamos a especular sobre o que há de real neles.
A Neurociência não explica porque eles acontecem, mas afirma que são positivos e únicos.
Alega que nossos sonhos buscam memórias novas e velhas em uma ordem que não é sequer parecida com a que elas foram adquiridas, por isso parecem estranhos.
Tentamos entender se são prenúncio do porvir.
Se precedem futuro bom ou alguma tragédia.
Penso que nos sonhos processamos algo que somos impedidos ou censurados de alguma forma no mundo real.
Nosso cérebro, mesmo em repouso mantém a atividade. E nem creio que o que lembramos ao acordar seja tudo.
E não podemos fazer uma interpretação genérica. Cada sonho tem significado com relação à vivência de cada pessoa.
São uma maneira inteligente do nosso cérebro de nos salvar da insanidade.
De qualquer modo, gosto muito de sonhar, acordada ou dormindo, e sempre tento analisá-los.
Alda M S Santos
LINHA TÊNUE
Sentimentos e situações antagônicas fazem parte de nosso dia-a-dia.
A bondade e a tolice, a tristeza e a depressão
A firmeza e a intransigência, o medo e a covardia…
São, quase sempre, dois lados da mesma moeda. Muito confundidos!
A sensualidade e a vulgaridade, o ciúme e a possessividade,
A liberdade e a libertinagem, a coragem e a estupidez…
Tentamos manter o equilíbrio e a sabedoria enquanto fazemos nossas escolhas, muitas vezes, inconscientemente.
A inteligência e a altivez, a obediência e a subserviência
A humildade e a submissão, o amor e o ódio…
Esses que oscilam com mais rapidez!
A moeda é lançada o tempo todo.
Precisamos estar atentos às alternativas.
Há uma linha muito tênue a separar lados antagônicos,
Apesar de sermos, a vida toda, crianças grandes que gostam de colo e aprovação,
Procuremos seguir nosso coração e ficar do lado certo!
Alda M S Santos
BACKUP DE NÓS
Assistindo ao filme “Diário de uma Paixão”
Reflito sobre a fragilidade de nossa existência.
Independente do tempo que vivemos por aqui,
Todos acumulamos muitos dados, muitas memórias.
Possuímos um disco rígido muito potente: o cérebro.
Assim como os computadores com seus HDs.
Como eles, também somos uma “máquina”.
Com o tempo, também podemos apresentar defeitos, avarias.
O HD pode não abrir, não permitir acesso, travar, deletar alguns dados, ou apagar de vez.
Todo especialista da informática aconselha: manter vários backups atualizados.
O mesmo vale para o nosso HD central.
E o fazemos sem perceber de um modo muito especial.
Em cada pessoa que convivemos vamos deixando arquivos
“Salvamos” nelas um pouco de nós: pais, filhos, cônjuge,
Amigos, amores, colegas, vizinhos, até em nossos desafetos
Em todos eles fazemos um pequeno backup de nós
Se um dia nosso HD vier a falhar podemos ser neles “restaurados”
Se ele se apagar de vez, nossa história estará registrada
Em todos aqueles que amamos, que nos amaram.
Devemos cuidar para fazer backups primorosos.
Voltando ao filme: vale a pena assistir.
Uma linda história de amor e backups!
Alda M S Santos
COMO AS ESTRELAS
Nossa vida é cercada de pessoas que irradiam luz,
Que brilham, que aquecem
Como as estrelas…
Somos envolvidos por elas, por seu encanto
Absorvemos com avidez parte de seu brilho, beleza e calor
E, assim, também encantamos,
Como as estrelas…
Mas, tudo que é vivo, tem um tempo de vida útil
Depois se vai, morre…
Assim se dá com as pessoas encantadoras
Elas se vão, morrem, e levam seu brilho consigo
Como as estrelas…
Quanto mais uma estrela emitir luminosidade,
Ou seja, quanto mais liberar energia,
Menos tempo ela durará.
Porém, ainda que se apaguem no cosmo,
Nós só perceberemos anos mais tarde,
Pois estão a anos-luz de distância nas galáxias
Assim se dá com as pessoas-estrela
Mesmo depois de irem embora, de se apagarem
Sentiremos sua energia dentro de nós, sua presença, seu brilho
E seremos por elas iluminados por muito tempo
Sorte de quem tem ou teve esse privilégio de convívio
Com as estrelas…
Alda M S Santos
A CADA UM…
A cada pássaro, sua leveza, seu canto
A cada flor, sua cor, seu perfume
A cada estrela, seu brilho, sua beleza
A cada sentimento, sua força e intensidade
A cada ser, sua sabedoria e encanto
A todos, a capacidade de ser e fazer feliz..
Alda M S Santos
SOLIDÃO
Solidão não é estar só, mas sentir-se só, mesmo cercado de pessoas.
É como sofrer de insuficiência respiratória, mesmo sabendo que há oxigênio por todos os lados.
É como estar em alto mar, cercados de água, e morrer de sede.
Não é que falte pessoas, oxigênio ou água.
A questão é que por inadequação das pessoas, do ar ou da água que se apresentam, não conseguimos absorvê-los.
O ar pode estar rarefeito, a água imprópria para consumo, as pessoas sem sintonia, sem comunhão de ideias, sem afinidades entre si.
O problema pode estar em nós: por deficiência orgânica ou emocional, não conseguirmos processar o ar, a água, as pessoas à nossa volta.
Certo é que não vivemos sem ar, sem água, sem as pessoas.
Portanto, em prol da vida, jamais podemos desistir de buscá-las.
“Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.”João 4:14
Uma ajuda do Alto também é sempre bem vinda e necessária.
Alda M S Santos
PROCESSO DE CURA
Todos sabemos o quanto dói uma ferida aberta
Um mal ativo, em fase crítica, aguda.
Todo cuidado é pouco para evitar uma patologia permanente.
Precisamos limpar, fazer curativos, trocá-los
Usar cicatrizantes, anti-inflamatórios, antibióticos…
Nessa fase vai doer muito, sangrar.
Não podemos ser masoquistas e ficar cutucando.
Serão necessários técnica e perícia ao tocar.
Depois seca, cicatriza, fica uma marca e apenas uma lembrança.
Porém, se não se passar por esse processo de cura,
O mal pode se tornar crônico e sofrermos com ele a vida toda.
Com os males emocionais dá-se o mesmo.
Ferida aberta na alma não se mexe, se trata.
Com medicamentos ora suaves, ora fortes,
Com amor, com carinho, com perseverança.
Com amigos, com família, com fé.
Leve o tempo que levar,
As cicatrizes deixadas nos lembrarão que superamos.
Pode ser que se torne um mal crônico
Daqueles que tenhamos que aprender a conviver
Como uma hipertensão ou uma saudade
Que exige tratamento de controle a vida toda.
Vez ou outra se tornam ativos, agudos e exigem de nós força
E medidas à altura.
Assim são os males crônicos.
Assim é a vida…
Alda M S Santos
FORÇA MOTRIZ
Que sejamos movidos pelo desejo, sempre…
Desejo de viver, de trabalhar
Desejo de ajudar, de ser a mão que se estende
Desejo de abraçar, de ser colo que acolhe
Desejo de aprender, de crescer
Desejo de ensinar, se doar
Desejo de entender, de atender
Desejo de seguir, de recomeçar
Desejo de de ser luz, de ser paz
Desejo de fazer o bem, de ser o bem
Desejo de amar,
Sempre…
Alda M S Santos
ENCAIXES
Quase tudo nessa vida depende de combinações e encaixes perfeitos
Bola na cesta do basquete, na raquete do tenista, na rede do gol
Veículos na pista, altitudes dos voos, barcos nas rotas
Portas nas casas, fechaduras nas portas, chaves nas fechaduras
Sapatos nos pés, roupas no corpo, alimentos no organismo
O anel no dedo, uma mão na outra, cabecinha no ombro
As palavras nas frases, as frases nos textos, os textos nos contextos
Passamos a vida buscando essas combinações
Afinando a percepção, aperfeiçoando esses encaixes
Mas nem tudo é tão prático e fácil assim
Alguns encaixes exigirão uma perícia maior
A fé e o indivíduo, o cidadão e sua profissão,
Uma pessoa com a outra, o indivíduo consigo mesmo
Mente, alma, coração num só corpo
Sorriso no rosto, alegria na alma, um abraço que se enlaça
Um corpo no outro… uma alma na outra.
Como crianças com seus Legos, vamos tentando
Encaixando, montando, desmontando, aprendendo
E, se possível, nos divertindo enquanto brincamos
Enquanto vivemos…
Alda M S Santos
O QUE FAZEMOS NESSA NAU?
Há dias, períodos e fases que queremos jogar tudo para cima.
Chutar o balde, rodar a baiana, subir nas tamancas.
Ou, diferentemente disso, enfiar debaixo das cobertas, atrás de uns óculos escuros num canto qualquer, sermos invisíveis.
De verdade: quantas vezes nos perguntamos a que viemos, o que estamos fazendo nessa nau?
Milagrosamente, algo sempre nos tira de lá. Desse buraco escuro do nosso existir.
É preciso sempre acreditar que é apenas fase. Que vai passar. Por mais difícil que pareça.
Muita gente desistindo na primeira pedra ou buraco do caminho.
Não sabem que muitos caminhos, aparentemente errados, difíceis ou sombrios foram dar em veredas maravilhosas!
Tenhamos fé! Em nós mesmos, Naquele que nos enviou, nos acompanhantes que nos deu.
Alda M S Santos
PING-PONG
Nossa vida se assemelha a um jogo de ping-pong ou frescobol.
Mas um jogo por brincadeira, não por competição.
Divertido é manter a bola no ar. Lancá-la de um modo que o outro receba e rebata de volta para nós, assim sucessivamente.
É frustrante quando não atinge seu objetivo, não volta.
Prazeroso é acertar o alvo, ser o alvo.
Vencem ambos se a bola é rebatida e se mantém no ar.
Perdem ambos se ela for mal lançada e cair ao chão.
Se não a lançarmos bem, o outro terá dificuldade para receber e relançar. A recíproca também é verdadeira.
Se cair ao chão sucessivamente cansamos da brincadeira e partimos para outra.
Somos assim. Muitas vezes lançamos palavras, boas ou ruins, carinhos, sentimentos.
Algumas vezes voltam, outra não.
Iremos preferir a brincadeira correspondida.
Brincar sozinho não tem graça!
Pensemos nisso!
Alda M S Santos
NO BANCO DE TRÁS
Nossa vida passa por momentos de alternância, muitas vezes sem percebermos.
Nossa maneira de lidar com esse revezamento natural determina nossa paz diária.
Numa fase, temos o controle de nossas vidas, estamos ao volante, guiamos para onde queremos, do jeito que queremos.
Nossos filhos viajam atrás, confortáveis em suas cadeirinhas, ou já sentados no banco de trás.
Aceitam o destino por nós escolhido. Confiam, se entregam, observam, aprendem.
Sonham com o dia em que ocuparão o banco do carona ou, melhor ainda, do motorista.
E chega a hora em que eles passam para a frente, nós passamos para o banco de trás.
Aí muita sabedoria é necessária. De motoristas e passageiros.
Passageiros precisam confiar no novo motorista, nos ensinamentos que eles receberam e relaxar. Não interferir tanto.
O “controle” de certa forma está com eles.
Motoristas necessitam saber que os passageiros, outrora motoristas, ainda que estejam menos ágeis ou espertos, não desaprenderam o que sabiam. Ainda podem ensinar algo.
São necessários aqui muita tolerância, respeito, gratidão.
Essa relação acontece dentro dos veículos e fora deles.
Pais e filhos precisam reconhecer que à medida que crescem e envelhecem a situação pode se inverter ou, no mínimo, mudar.
Aceitar que em qualquer idade todos podem aprender, podem ensinar.
Num dado ponto notamos que não há supremacia de um sobre o outro, apenas admiração e amor.
E um pouco de bom humor também não faz mal a ninguém.
Sabemos que chegará o instante em que nem estaremos mais nesse carro.
Outras crianças estarão no banco de trás e o ciclo recomeçará.
Boa viagem!
Alda M S Santos
CHAPÉU DE TOLO
Decepções…
Não temos como fugir delas.
Ouvimos que a decepção é nossa,
Que o outro não é responsável por nos decepcionar,
Nós é que esperamos demais deles…
Isso não diminui em nada aquela insatisfação e tristeza que sentimos.
Ninguém vive sem criar expectativas,
Sem acreditar no outro.
Quanto mais próximas as pessoas,
Quanto mais gostamos delas, mais expectativas criamos.
Portanto, maior risco de tombo, de decepção.
Colocamos o chapéu de tolos, desfilamos por aí cabisbaixos até a próxima.
Uma decepção também não precisa eliminar a pessoa de circulação.
Todos podemos errar, ter fraquezas, decepcionar alguém.
A outra alternativa é não acreditar, não aprofundar.
Viver boiando na superfície, não mergulhar.
Sem amor, sem expectativas, sem decepções,
Sem vida!
Muito obrigada! Continuarei a usar o chapéu de tola por aí, como palhacinha.
Quem nunca usou que atire a primeira piada!
Alda M S Santos
CORAÇÃO PARADOXAL
Coração é sempre paradoxal
Sempre tão grande, tão repleto
Mas capaz de sentir-se tão apertadinho
E com espaço para recrutar ainda mais moradores
Quase sempre forte, a enfrentar batalhas pungentes
Mas sensível, frágil, emotivo
Tão cercado de gente, de emoções,
Mas por um pode sentir-se
abandonado num planeta vazio
Tão iluminado, alegre, brilhante, seguro
Mas pode ser esmagado pela escuridão de alguns medos
Pode parecer irreal, irracional, duvidoso, invisível
Mas é real como a eletricidade ou a brisa suave
Que podem apenas ser sentidas.
Nessa vida de emoções enviesadas
Paradoxalmente, o coração sobrevive.
Alda M S Santos
PLEASE, DONT’GO
Bastaria uma análise preliminar
Para percebermos quantas pessoas perdemos ao longo da vida.
Muitas se foram de nosso convívio…
Independente do motivo, fizeram falta.
Pessoas importantíssimas:
Um amigo da infância,
Do amanhecer ao anoitecer.
Amigos/irmãos da adolescência,
Que aturavam nossas paixonites e segredos.
Colegas de faculdade, namorados grudados.
Amigos de todas as horas.
Pais, irmãos, cônjuge, filhos, familiares…
Quantos foram?
Imaginávamos o afastamento?
Que um dia não contaríamos mais com eles?
Se tivéssemos pedido, teriam ficado?
Quisera poder revisitá-los.
E aqueles ao nosso redor hoje?
Por quanto tempo ficarão?
Ou também se perderão no tempo, nas lembranças?
Qual a finalidade de cada um deles?
Será que já vêm com tempo pré-estabelecido?
Ou se pedíssemos,
Please, dont’go!
Eles ficariam?
Alda M S Santos
QUANTO TEMPO?
Em menos de duas horas ela arruma suas coisas …
Doa materiais, joga fora o descartável
Separa para si o inseparável
Quanto tempo leva para se desfazer de uma vida?
Muitas lembranças…
Uma vida inteira ali
Muitos amigos, colegas
Abraços, carinhos, sorrisos, desavenças
Tudo parece impregnado em suas células
Seu lugar já foi ocupado
Brinca ao sentar no colo de sua substituta
“Você fará muita falta!”- dizem.
“Tem você em cada cantinho daqui”.
“Lembrarei de você para sempre”.
Será? Promessas já foram dívidas
Hoje, quase sempre, são palavras ao vento
Foram 27 anos ali.
Quanto tempo leva para sermos apagados de vez?
Quanto tempo leva para a rotatividade nos levar para longe?
Quanto tempo leva para esquecer?
A vida segue…
Mas ela sabe e responde por si:
Nem todo o tempo do mundo!
Dentro dela nada jamais se apaga.
Alda M S Santos
REDEMOINHO
Tudo se passa em câmera lenta
Chega, olha em volta
Espaço grande, luz forte
Muitas pessoas conhecidas ali
Recebe as boas vindas
Parece perdida, descalça, meio assustada
Procura alguém…
Olha nos olhos de cada um que passa
Todos fixam nela o olhar meio encabulados
Continua a circular
Procura alguém, não sabe quem
Mergulha num redemoinho de imagens
Chora, senta, soluça
Alguém cobre seus ombros com uma colcha
“Esse vestido é fino, transparente, vai congelar.”
Reconhece a voz, o olhar, o cuidado
Levanta-se, vira-se e ele desaparece pela porta
Vai atrás, chega numa porta e só vê nuvens, como de dentro de um avião.
Sem medo, lança-se espaço abaixo…
Para as nuvens…
E tudo é paz!
Alda M S Santos
NA ESTAÇÃO
O trem partiu…
Ela ficou ali, sentada sobre as malas carregadas, como num filme antigo.
Seu bilhete ia só até ali.
Olha o trem se afastando lentamente
Tem medo, não queria ficar, queria seguir
Domina o impulso de correr atrás.
Esse não volta.
Será o fim da viagem?
A linha continua, não para ela.
Tantos já desceram, não os vê…
Outros tantos, queridos, seguem naquele trem…
Ficar parada ali não é opção
Estação é passagem, não destino
Olha para as demais linhas,
Há bifurcações, outros destinos,
Encaminha-se lentamente para o guichê.
Escolhe um destino desconhecido e aguarda.
Novos passageiros, nova viagem
Recomeços…
Alda M S Santos
PROMESSAS
Promessas: quantas ouvimos, quantas fizemos na vida?
Mais importante que isso, quantas cumprimos ou quantas foram vazias, da boca para fora?
“Seremos melhores amigos para sempre”, uma criança promete ao amiguinho, inocentemente.
“Nunca vou deixar você, mamãe”, o filhinho amoroso promete.
Tudo bem, são crianças, desconhecem as voltas da vida, as implicações.
“Amo você e nunca te abandonarei”, diz o adolescente apaixonado.
“Seremos melhores amigas para a vida toda”, prometem garotas confidentes.
A essas muitas promessas se seguem: “até que a morte nos separe”, “sempre estará em minha mente”, “não irei embora”, “seu lugar no meu coração está reservado”, “nos encontraremos sempre”, “ligarei todas as noites”, “essa é a última vez que faço isso”, “amarei você para sempre”, “enfrentaremos tudo juntos”, “terão que passar por cima de nós dois”, “se não te salvar, morremos juntos”, “não deixarei que enfrente tudo sozinha”, “nunca te esquecerei”, e por aí vai…
E a vida segue, novos caminhos, curvas, trajetos, obstáculos e medos.
E as promessas não acompanham…
Acontecem entre amigos, pais e filhos, casais… Deveríamos nos acostumar…
Porém, alguém sempre sai ferido, magoado.
Colecionamos decepções, lágrimas, desilusões, palavras vãs, dizeres abstratos, falsos juramentos.
Promessas são compromisso com o dito ao outro.
A lógica diz que é melhor não prometermos, se houver qualquer impossibilidade de cumprir.
Mas quando se envolve a emoção, a razão passa longe.
Concordo com Francois de La Rochefoicauld quando diz que: “Prometemos conforme as esperanças e agimos conforme os medos.”
Ao fazermos promessas não pensamos em não cumpri-las.
Além do mais, muitas podem ser cumpridas sem que o outro se dê conta. Apenas no silêncio de nossas almas.
Somos imperfeitos e isso é parte de nossa humanidade.
Mas tem uma promessa válida: “Estarei com vocês todos os dias até o fim dos tempos”. (Jesus Cristo).
Nessa podemos confiar!
Alda M S Santos
AMOR DE NARCISO
É muito fácil conviver com “iguais”,
Mas nada instigante!
O conforto aparente acaba por se tornar cansativo.
Sermos iguais na integridade, no caráter,
Na bondade, na dignidade,
Isso é fundamental!
Mas bom mesmo é conviver com as diferenças,
Ainda que seja difícil, desafiador.
Não para torná-las semelhantes a nós,
Não para nos impor a elas,
Mas para aprendermos a tolerância, o respeito, o amor.
O diferente de nós nos completa,
Necessidade básica,
Por isso, o diferente é atraente.
Somos iguais na maneira de sermos diferentes!
Por mais sutil que seja, toda diferença é convidativa.
Gêmeos, geneticamente idênticos, completam-se nas diferenças.
Um buquê de rosas possui cores diferentes, mas harmônicas…
Não há supremacia de um sobre o outro, apenas diferenças.
Amar apenas o igual é amar a si mesmo em excesso.
É apenas buscar o próprio reflexo, aplausos, autoafirmação.
É olhar e admirar-se num espelho como Narciso, meio doentio.
Estamos aqui para sermos bons e cada vez melhores,
Não que os outros, mas que nós mesmos.
Essa possibilidade encontra-se nos nossos relacionamentos,
Naqueles que possam nos “transformar no melhor que pudermos ser”.
Alda M S Santos
CARÊNCIAS
Pessoas bondosas, solidárias, amorosas e generosas ajudam os outros, dão aquilo que não usam mais.
Sempre oferecem aos necessitados aquilo que lhes sobra, que não é utilizado, supérfluo.
Não acumulam nada, passam para frente qualquer excesso.
Certo? Também!
Porém, o grande desafio que se impõe, a prova maior de amor é dar o que temos, ou que buscamos, que usamos, precisamos.
Não necessariamente apenas bens materiais ou recursos financeiros.
Quem ama verdadeiramente compartilha, doa até o que não tem, o que não dispõe, o que precisa buscar dentro de si.
Distribui aquilo que não se compra, pois não tem preço.
Paciência, tempo, compreensão, carinho, diálogo, amor…
Dão mais que um prato de comida ou uma veste, alimentam a alma.
Compartilham aquilo que multiplica quando se doa. Benefício bumerangue.
Tantas vezes flanamos por aí contrafeitos, “superiores”, com um verniz de alegria…
Contudo, muitas são as carências humanas, mas a maior delas, a que todos temos e nem sempre são visíveis, se supre com algo que o dinheiro não paga:
AMOR!
Alda M S Santos
AMOR GENÉRICO?
Na onda dos genéricos, o que temos visto por aí são muitos amores genéricos.
Será que surtem o efeito esperado?
É de conhecimento amplo que os medicamentos genéricos devem produzir o mesmo efeito que o de marca a um preço mais acessível.
O mais importante é que possua a bioequivalência, ou seja, que o princípio ativo seja idêntico e na mesma proporção pra surtir o resultado esperado: eliminar a dor, reduzir os sintomas, curar a patologia.
Nessa mesma linha, surgem os amores genéricos, atraentes, convidativos, prometendo resolver todos os males a um custo irrisório, se comparado ao amor de referência.
E o que se consegue, muitas vezes, depois de um princípio de euforia, são efeitos colaterais graves e cronicidade do mal.
Ao invés de possibilitar alegrias, sorrisos, prazer, vigor, rosto corado, satisfação pessoal, provocam dores, frustrações e mágoas.
Há que se lembrar que um medicamento não age sozinho, ele depende da resposta do organismo do paciente.
Também é necessária atenção à dosagem ministrada, à periodicidade, às interações medicamentosas, às doenças pré-existentes.
Em matéria de saúde física, mental e emocional valem os mesmos princípios: escolher o melhor. Com saúde não se brinca.
Mesmo que o meu melhor não seja o seu.
E, se for percebido que não surte o resultado prometido, troca-se o produto, a fórmula, o fornecedor, a indústria…
Ainda que no caso do “medicamento” amor não haja marca de referência a se equiparar.
Nesses casos, vale atenção aos efeitos: estamos melhor e mais felizes com ele? Ou nos tornamos amargos, céticos e descrentes?
O medicamento amor, genérico ou não, é de uso contínuo, aceita-se leves efeitos colaterais e interações com outros medicamentos.
É o único de que se tolera certa co-dependência química, pois o “mal” que ele cura é crônico e inato.
Nem chega a ser um medicamento, mas um alimento para prevenir outros males.
Sequer aconselho usar com moderação, apenas com critério!
Saúde!
Alda M S Santos
ESPECTROS
Sempre fiquei encabulada com as pessoas idosas que vão perdendo a memória.
Entre os muitos males que acometem os mais velhos, o que mais me intriga e amedronta é a perda da lucidez, da memória recente.
Meu avô, no final da vida, não se lembrava dos filhos, chamava minha mãe pelo meu nome, misturava dados importantes.
Nosso cérebro é ainda um mistério para a Ciência.
O que faz com que algo de nosso passado distante esteja nítido e algo dos últimos anos se apague?
Será que “escolhemos”, inconscientemente, o que lembrar?
Será que o que fica é a melhor parte, o que mais nos marcou ou o que não causa dor?
Se fosse possível realmente escolher, quais momentos gostaríamos de eternizar em nós?
Há realmente algo que desejemos apagar sem nos descaracterizar?
Ainda que estejamos marcados nas vidas daqueles que amamos, que convivemos, acho cruel essa perda das lembranças.
Penso que ao se extraí-las, vão nos apagando aos poucos, viramos um espectro de nós mesmos.
Pior que isso, só sermos apagados da mente daqueles que amamos.
Exceto se morrermos cedo, certamente não estaremos incólumes!
É consenso que ninguém quer perder nada.
Porém, sei que há dissenso, mas, a ter que perder algo, opto em manter minha mente, minha lucidez, minhas memórias.
E, se possível, minha visão, para ler e escrever.
Ah! Esqueci que não nos cabe escolher…
Alda M S Santos
AMOR SOB REFORÇO
Amor é como vacina, precisa de reforços periódicos para se proteger,
Proteger das inseguranças, desconfianças e más interpretações.
Amor é retribuição, é troca, é doação, é interação
De papos, de passeios, de beijos, abraços e carinhos,
Para manter-se em atividade e não se apagar.
Amor “exige” bilateralidade
De palavras e olhares de apoio, de admiração, de incentivo, de desejo,
Para não se embaçar e tornar-se fosco nas tempestades da vida.
Amor que se propõe à eternidade
É só aquele que vem acompanhado da reciprocidade
Não aquela silenciosa, que se cala, que deixa o outro adivinhar ou perceber por si só,
Mas a que demonstra, que verbaliza, que não permite que se desmanche, e não se envergonha do amor que sente.
Alda M S Santos
TRAÇOS INDEFINIDOS
A vida, por vezes, é composta por cores vibrantes, brilho, traços firmes e bem definidos e clareza de informações.
Outras vezes, há apenas um simples esboço, traços leves, inseguros e indefinidos, um grafite, um borrão.
Quase sempre são difíceis de entender, pois nos passam dados ambíguos, riscos duplos ou quase apagados.
Exigem inteligência, empenho, sensibilidade, boa vontade, determinação.
Ainda há quem rabisque por cima, distorça dados, cruze informações com o intuito de dificultar.
Há quem queira nos desacreditar e diminuir nossa capacidade.
Cabe a nós ignorar os maldosos, afastar o irreal, interpretar o que se apresenta e reforçar os traços.
Talvez refazê-los. Com ou sem ajuda.
Felizmente há quem nos apoie e ajude a escolher as cores e a pintar essa maravilhosa aquarela.
É nosso papel a cor dar à imagem que recebemos.
A vida vale o esforço!
Alda M S Santos
LEMBRANÇAS
Muitas lembranças são associativas, quer dizer, nos remetem a algo ou alguém.
E isso as torna mais fortes, prazerosas e duradouras.
Aquela música suave ou dançante e letra tocante,
O perfume que traz nítida à mente a pessoa ou situação,
Pés e pernas entrelaçados na areia,
Namoro e amassos na varanda,
O cheiro de bolo no forno, de churrasco no domingo,
Cabelos esvoaçantes, um andar seguro,
Um olhar penetrante, um estilo de ser e vestir…
Uma voz mais calma, um jeito rebelde e meio cri cri, o raciocínio rápido,
O sorriso contagiante, sincero e cativante,
Um filme com pipoca no sofá da sala, um livro na rede, poemas românticos,
Um bate papo demorado no portão,
Aquela pracinha, um sorvete ou açaí, uma carona, um beijo soprado
O último pedaço de pizza, a bala de hortelã passada num beijo,
A cerveja gelada e espumando, a coca com limão,
Um mingau de fubá com queijo, chá de capim cidreira, chuva no telhado,
A leveza e o prazer de uma taça de vinho ou champagne,
Mensagens e SMS de carinho e cuidado,
Um abraço na pontinha dos pés que aperta o corpo e o coração…
Cada coisa nos remete a alguém…
Lembranças se associam às pessoas que foram importantes.
Memórias que veem à tela da mente a qualquer hora e se fazem saudosas e eternas…
Alda M S Santos
A VIDA COZIDA EM FOGO BRANDO
Parece, tantas vezes, que perdemos tempo
Que estamos sendo “cozidos” em fogo brando,
Que nada muda, que a terra parou em torno de nós.
Para pessoas que são da rapidez de fogo a gás,
Ágeis como as panelas de pressão!
Práticas como os fornos de micro-ondas.
Fogão à lenha torna-se provação.
Queremos fogo forte, ação, resultados rápidos!
Talvez sirva-nos como consolo
Saber que os pratos mais deliciosos são cozidos em fogo brando.
Num, não tão prático, mas simples, fogão à lenha!
O resultado final compensa as mãos sujas e a espera prolongada.
Bom apetite!
Alda M S Santos
LUGARES INCRÍVEIS
Lugares especiais, incríveis, espaços preciosos em nossas vidas…
Quero um para me acomodar e ficar quietinha!
Quais são? O que os define?
O luxo, a simplicidade, a localização, a beleza, a emoção que despertam?
A casa da vovó com seu cheirinho de quitandas?
O quintal de um amigo de infância?
O banco da pracinha, debaixo da árvore frondosa, onde tivemos um beijo roubado?
A rua onde brincamos de esconde-esconde?
Os corredores do prédio onde trabalhamos ou estudamos a maior parte dos nossos dias e fizemos valiosas amizades?
A rede onde namoramos?
O lar onde criamos nossos filhos?
Uma cachoeira, uma praia, um sítio onde passamos férias?
O que os torna especiais são os momentos neles vividos!
Não é o tamanho, localização ou beleza.
Os sons, cheiros e sabores que deixaram impressos em nossa alma que os tornam únicos.
Basta fechar os olhos que poderemos acessá-los.
Porém, o melhor lugar de todos, o mais incrível e especial, onde sempre gostaremos de estar, mesmo apertadinhos, é no coração daqueles que amamos.
Esse é o melhor lugar para morar, não de favor, mas por direito adquirido pelo amor, em qualquer época da vida!
Devaneios? Não! Todos merecemos!
Alda M S Santos